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Daniel Piza

17.dezembro.2009 10:44:50

De fato e ficção

No mundo inteiro, inclusive no Brasil, hoje são lidos mais livros de não-ficção do que de ficção. Ou seja, há mais exemplares e títulos de biografias, ensaios, reportagens, história, autoajuda, didáticos, científicos e outros do que de romances e contos. Mesmo com sucessos como os da série Crepúsculo, histórias românticas de vampiros adolescentes escritas por Stephenie Meyer, o predomínio já não é da novelística. Houve um tempo, como se sabe, em que a narrativa ficcional ocupava o centro da cultura, era a espinha e medula da troca de valores e costumes. No século 19, por exemplo, o grande romance, que mesclava panorama histórico e análise psicológica, como em Tolstoi, Balzac ou George Eliot, dava a medida de uma civilização. Hoje, não mais. Curiosamente, tal mudança não se restringe ao mundo literário. É claro que há mais filmes de ficção, por exemplo, mas o número de documentários no cinema e na TV só tem aumentado (e influenciado até mesmo filmes não documentais). Nas salas brasileiras, um quarto dos filmes em cartaz pertence ao gênero.

O que explica isso? Num arco de tempo mais curto, pode-se pensar que há relação com um mundo cada vez mais globalizado, de notícias que correm na velocidade da luz (ou das trevas), e fatos como os atentados de 11 de setembro de 2001 provocam nas pessoas uma necessidade de entender melhor a realidade que as afeta de modos tão imprevisíveis. Indo um pouco mais atrás, pode-se atribuir a perda de importância da ficção à explosão de outros meios e linguagens, à concorrência de formatos audiovisuais, internet, novas tecnologias etc., que, além de consumir tempo e dividir atenção, têm uma eloquência mais direta; não exigem o grau de concentração que os clássicos exigem. E, num recuo ainda maior, até a virada para o século XX, a ficção tem enfrentado também a ascensão de uma série de disciplinas antes vagas, sem método nem consistência, e que hoje usam e abusam de ferramentas como a estatística – a exemplo da sociologia, da psicologia e da economia.

Eu arrisco outra hipótese adicional, que tem a ver com os rumos tomados pela própria ficção. Talvez porque pressionados por essa multiplicação das fontes de conhecimento e entretenimento, os romances abandonaram parcialmente aquilo que mais os distinguia até a geração modernista de Proust, Mann, Joyce e Kafka: a força dos personagens. Pense em qualquer grande obra literária e pensará num(a) protagonista, não raro citado(a) já no título: Hamlet, Anna Karenina, Bovary, Fausto, Dom Quixote, Pai Goriot, Dom Casmurro… Mas depois dos anos 30 parece que a ficção optou pela metalinguagem, pelo chororô do autor, ou então pelas crônicas policiais ou fantásticas que são lidas para diversão no verão, quando queremos escapar da chatice da rotina. E ainda não querem perder a “briga” para as biografias de figuras históricas e complexas? Mesmo assim, confesso minha nostalgia pelos grandes romances, com seus personagens fortes e suas ambições estéticas. Romances medianos podem facilmente ser substituídos por histórias reais. Obras-primas, não.

(Fonte)

comentários (31) | comente

31 Comentários Comente também
  • 17/12/2009 - 11:34
    Enviado por: Sérgio Roswell

    Sr. Piza,

    Ótimo Post.

    Concordo com suas conclusões.

    Mas há mais coisas.

    A REALIDADE SUPEROU A FICCCÇÃO…

    E mesmo a REALIDADE “NORMAL” exige, hoje, uma COMPLEXIDADE DE COMPORTAMENTO que os LIVROS TÉCNICOS, CIENTÍFICOS, PROFISSINAIS, etc, que nunca antes ( “NESTE PAÍS”…) tiveram a oportunidade de ensinar.

    OS LIVROS SÃO NOSSO GRANDE REPOSITÓRIO DE CONHECIMENTO. DA HUMANIDADE.

    FIcccção é bom. É ótimo.
    MAS CONHECIMENTO É MELHOR.
    E NECESSÁRIO PARA A SOBREVIVÊNCIA.

    Vide, no caso brasileiro,( pois CIÊNCIA não existe no brasil-TUPINAMBÁ e se existe é infinitamente menor que nos países desenvolvidos) a quantidade de LIVROS JURÍDICOS sobre TEMAS NUNCA D’ANTES TRATADOS. E QUE VÃO, sim, A JULGAMENTOS.

    À PISCCCINA !!

    ET depois…À PRAIA !!!!

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  • 17/12/2009 - 13:23
    Enviado por: Edu Heinz

    Boas…Piza.

    Acho que estamos fomentando a “geração do minuto”.

    Hoje em dia não se lê nada em profundidade, just highlights pra dar uma de “bem informado”.

    Percebo aqui na empresa que trabalho, uma empresa de comunicação, os mais jovens simplesmente não entendem as coisas em profundidade, sabem um pouquinho de quase tudo,

    agora,

    imagine conversar sobre Stephen Dédalus com eles…?!?

    Não tenha dúvida, a Internet emburrece!

    É super hiper – mega – ultra importante e útil, mas emburrece, mediocraliza as pessoas.

    Longa vida aos tijolões !

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  • 17/12/2009 - 14:21
    Enviado por: GUILHERME CIMINO

    O entreterimento através da ficção é muito satisfeito hoje em dia pelo cinema.

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  • 17/12/2009 - 14:47
    Enviado por: daniel

    Com mais informações sobre a vida real a ficção realmente ficou ultrapassada. Só mesmo uma obra prima de ficção conseguiria realmente cativar o leitor mais do que uma história real.

    Acontecem tantos fatos fantásticos na vida das pessoas todos os dias que, se algum dia fosse possível lançar um livro com todas essas histórias, este livro com certeza seria considerado uma ficção.

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  • 17/12/2009 - 15:40
    Enviado por: claudio ribeiro

    pra mim, não se quer mais pensar..as pessoas não tem mais tempo de imaginar a cena ao ler um livro.

    quer respostas, e rapidas, a seus questionamentos, a seus anseio…

    quer que alguem lhe diga o que fazer, e isso esta nos livros atuais.

    quem le tolstoi não precisa que digam como fazer, faz, por descobrir por si próprio.

    quem le kafka e entende kafka, não precisa que lhe digam como fazer…ele ja sabe…entendeu a mensagem…

    que le auto-ajuda está sempre a procura de uma resposta pronta…

    o ator milton gonçalves disse numa entrevista publicada aqui no estadão…
    (não nessas palavras)
    “quem vá aprender, estudar, entender a filosofia”

    ler os classicos é entender filosofia, abrir seus proprios caminhos…não pedir a chave pra alguem, mas faze-la de proprio punho…

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  • 17/12/2009 - 15:59
    Enviado por: Álvaro Leite Domingos

    Boa tarde, Daniel.
    Parabéns pelo blog.

    Autores contemporâneos como Phillip Roth e Raduan Nassar não podem ser classificados como autores “clássicos” nesse sentido? Seus livros, além da complexidade de seus protagonistas, também retratam com riqueza de detalhes o contexto social no qual os personagens estão inseridos, você não acha?

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  • 17/12/2009 - 16:24
    Enviado por: Fey

    Teorias interessantes. Mas se temos cada vez menos o gênero da ficção na literatura, mais raro se tornou a ficção científica específicamente em termos de qualidade.

    De fato, acho que a sua última tese é a que melhor explica o declínio pelo interesse delas. A verdade é que pelo menos quando entro em várias livrarias tanto no Brasil, assim como no exterior, encontro inúmeros livros de ficção, mas é raro encontrar algo que valha realmente a pena ler dos autores modernos. De fato, a última ficção científica que lí foi a série “Time Odyssey” de Arthur C. Clarke e Stephen Baxter, e mesmo assim já se podia ver alí uma tendência hollywoodiana de contar as histórias, personagens que tinham menos peso, porém com uma ótima descrição e narração.

    Aliás o cinema nesse gênero tem sido fraco também. Um verdadeiro desgosto assistir filmes com roteiros fracos e efeitos especiais incríveis. A falta de criatividade chegou a tal ponto que os diretores já mudaram o seu foco pra utilizar outras fontes jamais pensadas: jogos de videogames e HQ! Claro que o marketing é a maior razão, mas isso mostra a insegurança de se escrever uma boa história capaz de atrair massas. Talvez haja um pouco de desânimo por parte dos roteiristas e editores verem que cada vez mais os seus trabalhos tem sido pirateado na web. Curiosamente filmes de ficção de maior sucesso tem sido sobre literatura nos moldes de Tolkien: Senhor dos Anéis, Narnia, etc. Uma completa fuga da realidade.

    Sem dúvida, o declínio da ficção tem sido na sua qualidade e portanto o seu consumo. Não em quantidade.

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  • 17/12/2009 - 16:43
    Enviado por: Clelio T. Jr

    O maior problema é que a ficção que vende são as bobagens “Crepúsculo”, Dan Brown, ou os infantis adotados pelos adultos miolo mole como Harry Potter e adjacentes…

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  • 17/12/2009 - 17:02
    Enviado por: Rogério

    É possível que a ficção venha sendo deixada de lado devido ao racionalismo que vem preenchendo os espaços nas mentes dos habitantes do planeta a necessidade da verossimilhança, do acordo com a ciência deixando um pouco o instintivo e inconsciente de lado. O mesmo ocorre com a religiosidade que perde seu caráter onipotente.
    Os famosos personagens do passado os ficcionais e de carne e osso que possuiam sua aura de mística também perderam a sua força, a diluição em um mundo complexo e avassalador aporte de informações e de novas personalidades e celebridades que são construidas e desconstruidas a cada big brother da vida os tornaram baratos demais.
    Esse processo está banalizado, o mesmo ocorre na música, nunca mais haverá algo parecido com os Beates, não que não haja bandas de talento, mas a facilidade de acesso à mídia e a profusão de bandas impede a formação do mito, aqueles do passado, Marinly Monroe, Jimmi Hendrix, Miles Davis ficaram lá cristalizados e eternizados, a possibilidade dos possíveis quinze minutos de fama potencializados pelo aparato midiático aumentando a a oferta naturalmente fez cair o preço e o valor da fama.

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  • 17/12/2009 - 17:05
    Enviado por: GUILHERME CIMINO

    Fey, falando em ficção,
    lembrei-me do ótimo “Stalker”, do Tarkovski,
    pra mim um dos 5 filmes de todos os tempos.

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  • 17/12/2009 - 17:19
    Enviado por: WALMIR jOSÉ

    Mano,
    colei seu post no meu blog com sua licença a posteriori.
    Muito bom.
    As personagens são mesmo o que fundam as narrativas. Seus heróis, figuras exemplares.
    Na ausência delas, a vertente dos biógrafos alimenta seus personagens reais tornando-os em lenda. Melhorando a realidade deles. Mas por que reclamar? Já fizeram isso até com Aleijadinho, muitíssimos anos atrás.
    Auto-ajudas eliminam a saga dos heróis que o leitor deveria assimilar e inoculam sua “sabedoria” auxiliadora diretamente no leitor.
    E os múltiplos ensaios mastigam e amornam o alimento natural para as goelas afeiçoadas ao mircro-ondas.
    Embora haja bons ensaístas.
    Livros-reportagem vejo com simpatia. Acredito que fazem uma ponte para o romance. Utilizam-se de técnicas da narrativa ficcional.
    Mas a labuta intensa para produção do romance é deixada de banda.
    Paz e bom humor, sempre.
    Abraço
    Walmir

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  • 17/12/2009 - 17:59
    Enviado por: GUILHERME CIMINO

    Mas é …
    A própria indústria das piadas anda com dificuldade pra se renovar. Hoje, ou ouvimos piadas velhas ou parodiazinhas da sobre a realidade (geralmente até sobre acontecimentos trágicos).

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  • 17/12/2009 - 18:09
    Enviado por: George Marques

    Piza,

    Volta e meia, tenho dificuldades em explicar para um grupo de amigos por que “perco tanto tempo” lendo ficção. Esses amigos gostam muito de ler, mas dedicam-se quase exclusivamente a jornais, revistas e livros de não-ficção (divulgação científica, reportagens, história e biografias). Eles me questionam sobre meu interesse em ler “histórias inventadas” quando há tanta coisa “verdadeira” interessante para se ler. Confesso que nunca dei uma resposta convincente para eles (nem para mim mesmo).

    A falta de grandes personagens memoráveis, como você mencionou, pode ser uma pista para o relativo enfraquecimento da ficção no mundo editorial. No entanto, proponho uma questão: existe uma preferência genérica por não-ficção no público leitor moderno? E os leitores tradicionais de ficção sentem que as “obras-primas clássicas” não foram nem podem ser subsituídas?

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  • 17/12/2009 - 18:22
    Enviado por: danielpiza

    George, comentarei na coluna de domingo, mas acho sim que hoje há preferência por não-ficção. Como jornalista, biógrafo e ensaísta, eu não deveria reclamar… Mas os grandes romances nos dão coisas que nenhuma outra arte dá, nem mesmo o melhor cinema. Só que mesmo pessoas com vida cultural intensa parecem pensar que romance é leitura para descanso nas férias ou então algo ultrapassado. Grandes ficcionistas sempre desconfiaram da ficção, dessa coisa de contar historinha para o leitor supor que é real… Na mão deles, romance vira reflexão, objeto de inteligência, aventura linguística. Mas já não tem socialmente o peso de antes. Talvez se surgirem novos Prousts e Manns?

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  • 17/12/2009 - 19:16
    Enviado por: Solange Gomes da Fonseca

    O verniz do Imaginário x Realidade!!!

    Num mundo onde os avanços tecnológicos invadem rapidamente todo seu espaço e, num mundo competitivo, as pessoas necessitam dos livros intelectuais e científicos para estarem sempre em dia com o seu teor profissiopnal.
    Eu, particularmente, embora tenha que estar sempre reciclando meu cabedal de conhecimentos , através dos livros acadêmicos, confesso que busco as obras de ficção como um ‘refresco’ à minha mente.
    Estou em constante viagem ao mundo das ficções do autor e semiólogo Humberto Eco. Concordo com ele ao dizer que: “SE A FICÇÂO TE FAZ TÂO BEM ,PORQUE NÂO TORNAR A SUA REALIDADE NUMA FICÇÂO!!!”

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  • 17/12/2009 - 22:33
    Enviado por: Heloísa

    O que acontece é que as obras-primas vão ficando distantes dos baixíssimos níveis de ensino que estão arruinando o Brasil.

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  • 18/12/2009 - 01:26
    Enviado por: Alberto Barbour

    Concordo.

    O injusto com a ficção é que hoje o surrealismo do mundo real é divulgado em sua quase totalidade.

    Quanto ao declinio dos personagens, é um mistério, ainda mais imaginando como os possiveis biografados das últimas décadas, são fracos. O que é obama senão uma sombra de um kennedy? O que é ronaldo perto de pelé?

    Um personagem forte arrebataria sozinho a literatura ( e dali alguns meses, o cinema, certamente).

    Mas encaremos a realidade. Um personagem “mais ou menos” hoje é editado não para ser eternizado em uma estória, mas em 4, deixando ganchos para possiveis mais 4.

    Nem precisa licença para matar. Só não pode morrer.

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  • 18/12/2009 - 10:33
    Enviado por: F.S. Monteiro

    Da tradição oral da Eurásia, passando pelo romance clássico iluminista-burguês, até o dito esoterismo que ainda assola as prateleiras de nossas livrarias, cada sociedade tem seu contador de histórias. Quem ler hoje o “Werther” de Goethe, provavelmente vai perder a paciência com a paixão infeliz do heroi. No entanto, o livro propiciou uma onda de suicídios entre muitos leitores pela Europa, no final do século 18. O romancista atual, se quiser viver dos seus escritos, vai tratar de vender seus livros a um público de escolaridade medíocre (i.e. mediana), sem tempo pra ler, nem pra refletir sobre a leitura. Nesta era histernética, já é quase um milagre a quantidade de boa literatura impressa disponível no mercado.

    Não creio que a ficção esteja perdendo espaço prà não-ficção, mesmo porque as duas sempre coexistiram sem grandes brigas. Tampouco acredito que os grandes personagens literários desapareceram. Eles apenas se mudaram, da página impressa pra tela, como bem observou o Guilherme Cimino acima. Qualquer um de nós pode se lembrar de um filme recente com um personagem de extraordinária dimensão literária, cujo potencial acabou sendo explorado em outro plano. Se hoje vivesse, Shakespeare estaria certamente numa Holly- ou Bollywood dessas. Mozart faria musicals em Nova York ou Londres, com seu parceiro de baladas Lorenzo da Ponte. Proust, após curar suas tuberculoses, teria longa vida online, brigando com os Warhols e Beuys. E por aí vai.

    Quem sofre hoje não é a ficção, é a poesia. Sendo a mais musical das formas literárias, ela sofre dos mesmos sintomas da música de hoje, despercebida entre a trivialidade omnipresente e a complexidade hermética.

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  • 18/12/2009 - 10:34
    Enviado por: danielpiza

    Concordo com quase tudo, Monteiro, mas que a não-ficção ultrapassou a ficção em vendas é fato, não uma questão de opinião.

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  • 18/12/2009 - 12:03
    Enviado por: Ataíde Tartari

    Daniel,

    Concordo que protagonistas marcantes estão em falta, mas será que não existe também o problema da mesmice na ficção? Parece que as histórias insistem nos mesmos temas, e os personagens tem as mesmas neuras.

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  • 18/12/2009 - 12:53
    Enviado por: ammadeuss

    Piza, se você pega o conjunto chamado não-ficção, certamente, vai encontrar que o gênero (com um número alto de obras), vende mais.

    Porém, digamos, “individualmente” alguns livros de ficção tem uma tiragem e vendagem extraordinárias. O caso do Crepúsculo e a série Harry Potter, que são para o consumo de massa mesmo. Some as vendas destes dois e chegarás ao astronômico número de mais de um bilhão de exemplares vendidos em todo o mundo. Nenhum livro de não-ficção individualmente pode competir com Crepúsculo ou a série Potter.

    Não estou falando de qualidade, mas de números absolutos.

    No cinema, alguns aqui disseram que a fantasia e a ficção científica estão em baixa, eu respondo: BALELA. As maiores bilheterias são para filmes desse gênero. No cinema, a não-ficção não tem a mínima capacidade encarar a fantasia e a ficção científica. De novo, não falo da qualidade do roteiro, etc e tal, apenas de número totais e, óbviamente, sucesso.

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  • 18/12/2009 - 13:00
    Enviado por: ammadeuss

    Outro dado sobre o tema dos livros e leituras. Steve Jobs há alguns anos abandonou um projeto que daria asas a um leitor de livros virtuais. O projeto era interessante: o leitor seria um mini-computador com formato de livro, mas com diferentes operacionalidades (do controle por voz, passando pela leitura em voz alta à possibilidade de selecionar – e arquivar – partes de um livro que você mais gostou e muitas coisas mais). Tudo no formato de um livro.

    Jobs entretanto, abandou a idéia e disse solenimente: “hoje ninguém lê mais e no futuro será menos ainda”. Questionável, evidentemente, porém fica a opinião de um dos revolucionários do final do século XX.

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  • 18/12/2009 - 13:48
    Enviado por: Fey

    ammadeus,

    Quase todo mundo que escreveu até agora concorda com você. Mas se você leu direito o post e comentários, ninguém falou que os filmes que retratam a realidade superaram a ficção. Todos nós temos observado a ascenção no número de produções desse gênero, e notamos um certo declínio na qualidade das produções de ficção oque nos faz preocupar.

    Observar número de bilheterias também é algo muito relativo. Os bilhetes de cinema hoje em dia não estão no mesmo preço de digamos 30 anos atrás, e hoje com a pirataria em solta, existe um número considerável de platéia perdida antes do lançamento. Oque leva até algumas pessoas a repensarem nessa estatística pra qualificar um filme.

    Sim, em quantidade temos mais livros e filmes de ficção doque nunca. Mas sabemos que os livros não se vendem mais como antes, e os filmes pode estar entrando nessa onda se não melhorarem no roteiro.

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  • 18/12/2009 - 16:49
    Enviado por: Mara Vanessa

    Olá, Daniel!

    Boa reflexão! Seu texto me lembra muito Cláudio Abramo. :)

    Um abraço,

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  • 18/12/2009 - 17:10
    Enviado por: F.S. Monteiro

    Ok, esclareço: mesmo que, no momento, se publiquem ou se vendam mais livros de não-ficção do que de ficção, não creio que esta esteja perdendo espaço pra primeira. A ficção só se repartiu, entre livros, filmes, TV e outras midias, ao passo que a não-ficção aparentemente se concentrou na forma impressa. E em tempos de crise, a ficção fica forte como nunca.

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  • 18/12/2009 - 17:18
    Enviado por: danielpiza

    Monteiro, como o texto diz, a não-ficção também está forte no cinema, mais do que nunca, e estamos em tempos de crise… Mara: você não calcula a alegria que me trouxe com esse paralelo! Abramo foi um grande jornalista e leitor.

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  • 18/12/2009 - 17:27
    Enviado por: Laet

    Ótimas hipóteses. A recém lançada “biografia” de Cristiano Ronaldo pelo Real Madrid, uma ululante jogada de marketing, é mais um exemplo. Um pedido sincero: Você já teve a oportunidade de ler a coleção de Maurice Druon “Os Reis Malditos”? Caso afirmativo, gostaria de conhecer a sua opinião sobre esta obra, um “Reality Show” romanceado.

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  • 18/12/2009 - 19:22
    Enviado por: Sérgio Roswell

    Sr. Piza,

    CLÁUDIO ABRAMO ?

    “Grande Jornalista e leitor”.

    Em outras palavras: UMA NULIDADE.

    Era um bom HEADHUNTER. Nada mais.

    UMA NULIDADE.

    É minha O-P-I-N-I-Ã-O.

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  • 18/12/2009 - 22:54
    Enviado por: danielpiza

    Uma opinião… nula.

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  • 18/12/2009 - 23:46
    Enviado por: Jair

    Daniel: tenho lido com muito prazer a ficção de Ian McEwan, Yann Martel, Julian Barnes, Philip Roth, Paul Auster, Edward Bunker, Milton Hatoum, Bernardo Carvalho, José Saramago, etc. Nenhuma obra-prima é verdade, mas também não dá para chamar seus livros simplesmente de “romances medianos”. Você achou “Na Praia”, de McEwan um “romance mediano”? Ou “Reparação”? Tô fora!

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  • 19/12/2009 - 10:15
    Enviado por: danielpiza

    E onde diabos eu os chamei de romances medianos? A maioria dos que você citou fui eu que defendi como criações bem acima da média atual…

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