Os alertas e os debates sobre ambientalismo não são de hoje. Lembro quando era estudante que, ainda sob o nome “ecologia”, movimentos já existiam contra a destruição de Amazônia ou Mata Atlântica, viajantes como Jacques Cousteau mostravam crimes e degradações ambientais, autores alertavam para os gases do efeito estufa. O que mudou desde então? Na realidade foram duas mudanças. A primeira, e mais importante, é que o tempo se encarregou de mostrar de forma cabal os males que a natureza vem sofrendo, como o aquecimento global. A foto do Kilimanjaro pela primeira vez sem neve no topo foi uma dessas epifanias às avessas, uma imagem-síntese do que está ocorrendo, como as quedas das geleiras na Groenlândia ou Antártica. A segunda mudança foi a revisão do radicalismo dos anos 70, exemplificada pelo surgimento do conceito de “desenvolvimento sustentável”, em que ecologia e economia deixaram de ser antônimos. O catastrofismo foi substituído pelo pragmatismo.
A questão, porém, é complexa, e nada mais fácil dizer que “crescimento e preservação são compatíveis”, etc. Questões muito sensíveis já estão à tona, como o Protocolo de Kyoto mostrou. Os EUA de George W. Bush recusaram assinar o tratado, o que gerou merecidas críticas; ao mesmo tempo, os resultados têm sido medíocres e há cientistas da importância de James Lovelock e Freeman Dyson que acham que o melhor é investir o dinheiro em tecnologias como a nuclear e a solar, em vez de comprometer os orçamentos nacionais com metas irreais. E esse conflito potencial entre os países tem muitas outras frentes. Já se fala, por exemplo, em “protecionismo verde” (barreiras contra países como a China, promovidas por países que já nem têm mata para desmatar), na alta do preço do petróleo (apesar das descobertas recentes em várias partes do mundo, como o Brasil), na “guerra das águas” (mais de 1 bilhão de pessoas sem acesso à água potável) e na dependência do lítio (baterias elétricas).
O Brasil é exemplo completo desses desafios. Por um lado, tem a Amazônia e outros biomas fundamentais, como o Pantanal; por outro, vem sendo pressionado por causa do desmatamento promovido pelo agronegócio, que também vem devastando a biodiversidade do cerrado. Por um lado, investe na tecnologia de biocombustível ainda superior à de outros países; por outro, concentra recursos na exploração do pré-sal nos próximos anos. Por um lado, tem muita água, em especial no aquífero Guarani; por outro, não tem capital e tecnologia para fazê-la acessível e rentável. Em suma, pode-se dizer que os negócios da sustentabilidade são promissores, mas apenas a médio e longo prazo, com exigência de muito capital, o que acaba dando prioridade às fontes mais imediatas e comerciais. Enfim, como demonstra o encontro em Copenhague em dezembro, não há tema mais quente. Em todos os sentidos.
(Fonte)
Sr. Piza,
Acho que podemos acrescentar a má vontade dos políticos da republiqueta em investir dinheiro nos projetos que não darão votos nas eleições seguintes dado ao prazo demandado para que os resultados surjam. O populismo presente na cabeças de nossos políticos não vislumbra nada que não seja pra hora, agora. Projetos ainda que necessários, mas que demandem longos prazos, não dão votos nas eleições seguintes e por isso nunca terão a devida atenção dos nossos governantes.
Sds
Além da indiscutível má vontade dos políticos. deve-se acrescentar a não menos discutível primariedade dos empresários, tão preocupados com lucros imediatos. A classe política que temos é o resultado de uma perversa combinação poderosos espertos e de má índole com um povo pobre e faminto em todos os sentidos.
Pois é, não fosse o atraso geral do governo, poderíamos já ter começado a postular critérios de desempenho à indústria – incluindo o agronegócio! Dar dinheiro às automobilísticas sem cobrar nada em troca é o fim da picada. Pq não negociar a reciclagem de carros velhos em troca do apoio federal? Pq não negociar a preservação do cerrado em troca do dinheiro federal para o agronegócio?
Quanto ao protecionismo, não dá para deixar de notar a conotação pejorativa com que você emprega o termo. Cabe lembrar que as barreiras (e os custos que dela decorrem) são válidas também para os países que as estabelecem. O assunto é levado a sério em diversos países e a preocupação é autêntica em muitos deles. Posso citar a Alemanha como um exemplo que eu conheço bem. Creio que os empresários chineses, com sua mão-de-obra quase escrava (em muitos lugares, inclusive no Brasil, o “quase” pode ser omitido em certos casos) não terão grandes problemas para arcar com os custos de eventuais novas regras.
Ademais, por acaso o fato de os antepassados dos atuais europeus terem acabado com suas florestas desautoriza seus descendentes a se preocupar com o destino das florestas ainda existentes?
Quanto à questão do lítio, o que você escreveu desconsidera a existência e o desenvolvimento de tecnologias alternativas como as células de combustível a hidrogênio.
Alexandre, deixo bem claro que o protecionismo que me aborrece é o de países que destruíram tudo e agora vêm dizer que a Amazônia é de todos… Eles devem estimular os países menos desenvolvidos a crescer sustentavelmente, mas não precisam ser hipócritas. O que escrevi sobre lítio remete a outro post meu, no qual me referi sim às tecnologias alternativas, ainda por se provarem em escala.
Aquela velha frase do Kennedy também serve para este momento, vamos ver o que nós podemos fazer pelo mundo.
Não adianta muito reclamar dos políticos e não fazer nada para alterar o quadro, é fácil falar o que deve ser feito, já fazer ,como por exemplo, deixar o carro em casa e sair pedalando para o trabalhoe, é bem mais difícil.
Fala-se muito em créditos de carbono, deveria haver, assim como aquelas tabelinhas de calorias para pessoas que querem vigiar o peso, tabelinhas de emissão de carbono indivudual, para que todos façam a sua parte.
O principal da solução do problema está relacionado com a demanda, e este é um problema aparentemente sem solução, tendo em vista que em nosso sistema capitalista atual, crescer significa sobreviver, empregar e adquirir receitas. A saúde da economia americana, por exemplo, está fortemente ligada á saude de sua economia interna, da gastança promovida por seus cidadãos, quanto mais os americanos esbanjam, melhor os índices economicos. Essa é a terrível contradição, estamos derretendo mas não deixamos de lotar os estacionamentos dos peg e pags do mundo.
E nós, como ficamos, enviando para assunto tão sério em Copenhague, um presidente analfabeto e incompetente?
Piza,
Seu post e’ muito denso em informacao e ideias.
Cada qual defende seu peixe. O Brasil reclama d eprotecionismo dos outros mas insiste em cobra rimpostos altissimos nos produtos manufaturados que vem de fora. Reclma do algodao americano mas taxa os carros que vem de la’. Nos EUA tudo que vem do outro lado nao e’ taxado, Basta ver o saldo da balanca comercial.
Desta forma o que reina mesmo e’ a hipocresia generalizada. Mas se for ver em detalhes voce percebera que as leis ambientais sao bem mais aplicadas no 1 mundo,inclusive EUA, do que nos choroes do BRIC, o serrado que o diga!
A solução está aí: Energia Nuclear. Mas, assim como os transgênicos, há muita ignorância e fantasia.
Revolução Industrial – Avanço Tecnológico – Lucro – Degradação do Planeta – Países ainda em Desenvolvimento – Desaceleração do Crescimento – por fim, Tecnologia solucionando e salvando Planeta Terra e Humanidade.
Patakori!
Helô,
eu não concordo com você.
Nosso presidente é uma figura ativa na política internacional e tem se mostrado muito competente em inúmeros aspectos.
Virou moda no país desrespeitar a figura do Presidente Lula com alusões à sua baixa instrução. Infelizmente, nossa sociedade é preconceituosa e esse é um dos fatores de perpetuação das elites no poder. De Mestres e Doutores, nossa história está repleta, e nem por isso encontramos momentos melhores do que o atual em suas páginas.
Tolinha!
Sr. Piza,
Cimino,
A atividade na política internacional do nosso presidente está muito mais ligada ao marketing perverso que o governo promove para enganar o zé-povinho do que a importãncia e do seu desempenho quando representante do país no exterior.
Confesso não saber em quais aspectos realmente ele é competente. Para mim sua competência está mais ligada aos esquemas espúrios do PT para compra de votos (mensalão), uso indiscriminado da máquina pública para fins eleitorais e finalmente sua veia estatizante e patética como essa fracassada tentativa de se meter na Vale.
Ademais, tudo que este boçal fala é articulado pela escumalha de sem-vergonhas e safados que o acompanham para todo lado, já que sozinho o mentecapto só é capaz de falar sobre o Timinho da Marginal, o talento empresarial do filhinho e outras sandices do tipo.
Heloísa sabe bem o que fala pois consegue perceber a vergonha que é esse homem nos representando.
Sds
Guilherme,
nao entendi.
Da sua mensagem devo concluir que:
mestre/doutor = fiasco
analfabeto = sucesso
o que devo ensinar aos meus filhos? estudar ou nao estudar?
…e podemos concluir também que, nesse curioso silogismo, Mestres e Doutores não resolvem nada, é preciso ceder a vez aos ignorantes e analfabetos…
Para aqueles que tem um raciocínio binário, só conseguem ver sim OU não, ou o bem OU o mal, não interpretaram corretamente que o Guilherme afirmou que NÃO NECESSARIAMENTE qualificações acadêmicas concorrem para o sucesso de alguma empreitada.
O Lula não me parece uma pessoa ignorante.
Massaranduba, você deve ensinar a seus filhos que eles devem respeitar as pessoas não só pela sua posição social ou mesmo pelo seu grau de instrução.
Ronald, o mensalão chamou demais a sua atenção. A administração do PT teve aspectos mais importantes e decisivos na formação da minha opinião a respeito da competência do Presidente Lula. O próprio número de casos de corrupção que vieram à tona nos últimos anos demonstra uma novidade na política nacional e ana atuação da Polícia Federal.
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