
É curioso como a maioria das pessoas se comporta anticientificamente, por assim dizer, no dia a dia. Mesmo em assuntos como o aquecimento global, que de fato ocorre, segundo a medição de um painel que reuniu centenas de cientistas, um banzo espiritualista – ou aquilo que Freud chamou de “sentimento oceânico” – é recorrente. Sua característica é fazer associações emocionais entre fatos semelhantes na aparência, mas não necessariamente ligados de forma comprovada ou comprovável. É por isso que diante de uma série de eventos cataclísmicos, como terremotos e a erupção do vulcão islandês, que lançou uma grande, bela e terrível nuvem de cinzas por sobre a Europa, muita gente reage na base do “a natureza está em revolta”. Ou, a cada enchente metropolitana ou seca rural, “o tempo está louco”.
É o pecado do conhecimento, alegorizado no mito grego de Pandora ou na parábola cristã do Paraíso: a humanidade há de pagar por interferir tanto na natureza, por se meter a decifrá-la e dominá-la. Nem mesmo a modernidade se livrou dessa culpa, como se vê nos movimentos romântico e expressionista, no pensamento de Nietzsche ou Heidegger, nos filmes de Hollywood, Disney ou James Bond que sempre fazem do vilão um pervertido pela tecnologia, nas crônicas nostálgicas da literatura brasileira, etc. Eis o que está por trás da exaltação da “sabedoria dos povos da floresta”, tão comum nesta Era Digital. Por certo, a experiência deles com plantas medicinais, por exemplo, não pode ser menosprezada. Mas pergunto: se são tão sábios, por que não inventaram o soro antiofídico?
Comentei no blog outro dia que o experimento do LHC, o acelerador de partículas na fronteira franco-suíça, do qual se esperam informações sobre o que seria a chamada matéria escura do universo, mal foi comentado por sua engenhosidade e beleza; causou antes medo ou arrogância. A natureza é tão intrincada e capciosa, tão complexa, que não precisa de crenças em forças “mágicas” para ter validade, para inspirar e ensinar. O mesmo vale para programas de TV como esse Vida, do Discovery (ou Nosso Planeta, Nossa Casa, que vi no GNT, mais pelas imagens aéreas do que pela abordagem “tudo está ligado”, como se nenhuma espécie pudesse ser extinta), e livros recentes como os de Marcelo Gleiser e Fernando Reinach. Já há ali entusiasmo suficiente para não se enfadar da existência.
Conservadores, no momento preocupados em ressalvar o papa dos escândalos de pedofilia ou lotando as salas de cinema para ver a história de Chico Xavier, costumam dizer que sem religião o homem perde grandeza, se amesquinha em valores utilitários. São os mesmos que não toleram que a Teoria da Evolução de Darwin implique conclusões diferentes sobre o funcionamento e a história da natureza, porque acham que elas ofendem a humanidade, quando em realidade a põem na trama natural como nenhum dogma consegue. E tampouco entendem que o agnóstico (aquele que não crê em nada sobrenatural, nem milagres nem forças ocultas) ou o ateu (que não crê em Deus, o que não precisa significar que tenha certeza de que Ele não existe) possam querer e fazer o bem. Com as guerras tecnológicas do século 20, a demonização do sujeito “materialista” – a qual não via que nazismo e comunismo tinham fortes componentes religiosos na fixidez dos valores e na pretensão salvacionista – se reinstalou na cultura moderna.
Pode-se dizer que ler o horóscopo, por exemplo, seja inofensivo; pode-se lembrar que a maioria das pessoas acredita em religiões e nem por isso deixa de usar pílula ou camisinha para se prevenir; pode-se pensar em argumentos como os de um Jonathan Swift, Edmund Burke ou T.S. Eliot, para citar três gênios do conservadorismo, sobre o peso depositado no indivíduo, como se ele fosse tão racional assim. Mas o que não se pode é ignorar que a boa ciência é investigativa, não doutrinária, e que dela se podem extrair focos de luz insubstituíveis, como brasas nas cinzas.
(“Sinopse”)
No que diz respeito à alegada falta de base moral sólida por parte de ateus e agnósticos, li recentemente um artigo interessante na “Nature News”, sobre um experimento que demonstra que a religião pouco influencia escolhas morais.
A frase abaixo resume bem o artigo:
“individuals presented with unfamiliar moral dilemmas show no difference in their responses if they have a religious background or not.”
Pode até ser algo óbivo para qualquer bom observador, dotado de suficiente raciocínio crítico. Porém, uma validação científica confere um peso muito maior ao argumento.
Segue o link para o artigo:
http://www.nature.com/news/2010/100208/full/news.2010.55.html
[...] This post was mentioned on Twitter by Literaturas. Literaturas said: Ciência das cinzas: É curioso como a maioria das pessoas se comporta anticientificamente, por assim dizer, no dia-… http://bit.ly/bzRwNm [...]
Não me lembro o autor – talvez Murilo Mendes – que escreveu mais ou menos assim: “Deus existe – o problema é que ele não funciona.”
É como aquele sujeito que acaba considerando o futebol americano um jogo de trogloditas sem graça. Pergunte a essa pessoa oque ela entende de futebol americano, e na grande maioria das vezes nem saberá quais são suas regras.
A Ciência é o “futebol americano” do nosso currículo escolar. Ela não é um assunto comum em nenhuma roda de amigos -a não ser que seja da área de Exatas ou Biológicas- porque a maioria não conhece suas ‘regras’ direito.
Quando aparecer alguém que conhece um pouquinho mais, essa pessoa vai ser o ‘nerd-calculista-materialista-ateu-anti-social-elitista’. Porque ser social e menos chato, é ir pelo caminho mais fácil: dizer que foi tudo ato de Deus e Mãe Natureza, e logo passar pro assunto mais corriqueiro.
Já que ninguém quer ser chato, a tendência é tocar menos no assunto ‘chato’, e aí as pessoas ficam cada vez menos informadas e começam a aparecer esse pessoal que acha aquecimento global é uma conspiração, a aterrissagem lunar foi armação da Globo, o acelerador de partículas vai criar um buraco negro que vai engolir o planeta, e outras pérolas.
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Entreouvindo no coffee break do Painel
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- Tá calor?
- Verdade. O tempo está louco, hein?
- A natureza está em revolta.
- Já vi que você também acredita nas forças mágicas?
- É que eu sofro de banzo espiritualista…
- Ah, sei, o que Freud chamou de sentimento oceânico?
- Pois é. E você, vem sempre por aqui?
- Cara, que curiosidade?
- Bem, a boa ciência é investigativa, né?
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Gostei muito de seu artigo (acabei de le-lo no Estadão), assim como gostei muito de leitura recente que fiz – Desvendando o Arco-Iris de Richard Dawkins. Foi leitura dificil para mim (sou leiga), mas me encantou pois assim como seu artigo, veio ao encontro do que sempre senti a respeito. Ciencia, religião, misticismo. Como vc citou, o homem pode fazer o”bem” apesar de não crer em “Deus”. É mesmo até mais responsável ser ético e bom com seu semelhante e com todas as criaturas, seu meio ambiente, do que aquele que o faz, para não ser castigado pelo seu “Criador”. Uma das citações feitas hoje em dia que mais me contraria é aquela do ‘ bem contra o mal’, como se forças ocultadas estão sempre por ai vigiando o nosso planeta. Acredito na beleza e poesia das descobertas da ciencia (ela nos liberta) e acredito como diz o autor Richard Dawkins. A natureza não é harmônica é sim, egoista. Elementos se unem cooperando uns com os outros para terem sucesso na sua sobrevivencia e evolução. Bom dia e obrigada pelos belos artigos.
Isso só demostra o quanto somos ignorantes. Não temos nehuma certeza.Não sabemos se Deus existe ou se existe vida em outro planeta.Tanto a ciência como a religião buscam impor seus dogmas, mas como acreditar em padres ou pastores que´pregam de uma maneira e agem diferente(casos de pedofilia e enriquecimento ilicito) e como acreditar em cientistas que mentem em relatorios ou até medicamentos que podem causar outras doenças( tipo cancêr) são vendidos sem restrições.
Infelizmente, temos que admitir que o ser humano não é o senhor do universo. Não sabemos nada de nada. A terra treme e mata centenas de pessoas,tsunamis, erupções etc.a natureza é quem manda. E ponto.
Mas,precisamos da ciência para continuar investigando, valorizando o pensamento humano, progredindo no tratamento de doenças, trazendo a evolução. Também, necessitamos da fé para evoluir espiritualmente, para nos tornarmos pessoas melhores, respeitar os outros, amar e ter compaixão pelo próximo.
Nossa evolução é lenta. Ainda vivemos como se estivessemos na idade da pedra.
Concordo com você no que diz respeito ao fato de serem poucas as certezas que podemos ter. Entretanto, discordo de quase todo o resto. Em primeiro lugar, a ciência não tem dogmas! Muito, muito pelo contrário! Ela existe e funciona graças ao ceticismo e ao questionamento.
Em segundo lugar, quando se trata de fornecer explicações sobre as realidades do cosmos, os mitos e superstições religiosos não se comparam à ciência. Praticamente tudo o que conhecemos sobre o funcionamento do mundo e do universo nos foi trazido á luz pela ciência e, em menor grau, pela filosofia (naturalmente, há também a experiência cotidiana, que ambas tentam explicar).
Para concluir, realmente a ciência não consegue provar que não existe Deus, assim como ela não consegue provar a inexistência de duendes, fadas, papai noel ou coelhinho da páscoa. Ela, assim como a religião, tampouco consegue provar que Ele existe.
Eu concordo, Daniel. Tive uma profunda formação cristã e dela abri mão a duras penas. O problema é sofrer na total solidão de Deus, eu não consigo, não consegui.
Alberto
perfeito!, daniel, tudo bem com vocé?
somente quero colocar que aonde vocé diz:
agnóstico (aquele que não crê em nada sobrenatural, nem milagres nem forças ocultas)
eu colocaria:
agnostico (aquele que não quer ou não pode decidir se crê ou não crê em algo sobrenatural) (continuo ressaltando minha pouca apreciação para quem não se esforça em tomar uma decisão de crença, opinião ou fé, sobre coisas tão importantes na nossa vida. afinal crer é um ato de vontade, não de conhecimento)
Giuseppe, obrigado. Quem cunhou o termo agnosticismo foi o biólogo Thomas Huxley, para se diferenciar do ateísmo radical (os que têm certeza de que Deus não existe) e abrir um novo modo de pensamento sobre a questão, que exclui a crença em forças sobrenaturais. Não havia nada de “não sei” ou “não posso decidir” nessa concepção original.
responder este comentário denunciar abusocontinuo achando que está na hora de fazer uma critica a esta equivocada definição de Huxley . Todos somos agnosticos , pois ninguem “conhece”a existencia ou inexistencia de Deus, Papai Noel etc. . Somente podemos acreditar, ter opinião, ou fé ; ninguem pode “conhecer”. Por isso acho esta definição de agnosticismo sem significado, e está na hora de elimina-la.No plano da episteme não pode haver conhecimento de Deus. No plano da doxa, podemos opinar, crer, achar.
Este que se diz agnostico, simplesmente se recusa a formar uma opinião sobre uma verdade tão importante! acho muita pobreza, falta de coragem.
Oi Daniel,
já que foi citado o “cientificamente”, quem é que disse que a “maioria dos cientistas estar de acordo com algum fato” é garantia de que o fato está estabelecido como correto?
Que o digam Copernico, Kepler e Galileu. A maioria dos cientistas da época era contra suas idéias sobre o heliocentrismo e outras idéias ousadas sobre o movimento de uma partícula.
Em seguida você apela a Freud, um notório autor de teses enti-científicas já que às suas teorias o métoco científico não pode ser aplicado e dependem apenas da crença.
O fato não está estabelecido como correto, mas como provável. Essa é a diferença. Quanto a Freud, ele cometeu pseudociência em alguns momentos, sim, mas era médico e esperava que a neurologia decifrasse materialmente os enigmas do funcionamento da mente, não por metafísica. O que Copérnico, Kepler e Galileu têm a ver com partículas?
responder este comentário denunciar abusoJogar a Religião contra a Ciência faz tanto sentido quanto jogar a Ciência contra a Religião. Preciso de ambas, da Física e da Metafísica. A Religião existe, assim como a Arte e a Filosofia existem, porque sabemos que a vida é curta e não podemos nos dar por satisfeitos com casa, comida, roupa lavada e um tinto razoável no fim-de-semana.
Graças à Ciência, quem não estiver passando fome hoje pode ter acesso ao que precisa, para formar-se ou para informar-se. No entanto, quem achou que, com isso, todo trabalho missionário em prol de uma determinada religião (ou de nenhuma delas) deixou de ter sentido, enganou-se. Aí estão, lépidos e fagueiros, os fanáticos religiosos a nos bombardear por um lado, enquanto os apóstolos do ateísmo nos chateiam pelo outro.
Quanto à relação entre Ciência e Religião, há quem goste do que um James Watson disse, aos 81 anos (“We are nothing but a pack of neurons”). Eu prefiro a poesia das palavras de Albert Einstein: “Creio num Deus que se revela na harmonia ordenada da Existência”.
Eu não preciso de religião. E como se sabe Einstein estava errado sobre a “harmonia ordenada”… e fez pesadas críticas ao Deus punitivo das religiões.
responder este comentário denunciar abusoCaro Monteiro,
Realmente, não sei qual dos lados é o mais chato, se os “fanáticos religiosos” ou os “apóstolos do ateísmo”. Ambos tentam ser absolutos em tudo e jamais se dão conta disso.
É isso aí, Mauro: chega de absolutos.
responder este comentário denunciar abusoCaro Sr. Monteiro,
Antes de mais nada, gostaria de dizer que em minhas palavras o senhor não encontrará ironias , nem cinismo. É com sinceridade que me dirijo ao senhor, em busca de ajuda.
Por que preciso de ajuda? Por que escolhi o senhor? Já me explico.
Busco ajuda pois sou ateu. Imagine minha angústia ao crer que a vida é efêmera, que as injustiças do mundo jamais serão compensadas, que alguns anos após minha morte ninguém sequer lembrará que existi, que perderei, um a um, parentes e amigos queridos, sem a perspectiva de os rever algum dia…
Recorro ao senhor, pois ao ler seus comentários, percebi que o senhor fala (escreve) como quem tem convicção de conhecer a verdadeira Verdade. Parece-me que o senhor é um homem culto, conhecedor da ciência e da filosofia.
Concluído este preâmbulo, vou, finalmente, ao âmago da questão:
Como quem está de fora da vida religiosa, fora do mundo teísta, é extremamente difícil encontrar a Verdade. Que religião escolher? Há centenas delas, cada uma das quais afirmando ser a única verdadeira! Mesmo dentro de uma única delas pode-se encontrar diferentes correntes de pensamento, há conflitos, cismas, divergências. Dentre os cristãos, por exemplo, há os que crêem na natureza divina de Cristo, e os que nela não acreditam. O ecumenismo, por outro lado, me parecia a pior das opcoes. As crenças e dogmas das religiões que eu conhecia eram mutuamente excludentes, não sendo possível que mais de uma fosse a verdadeira.
Pensei em adotar a religiao dos meus pais, o Catolicismo romano. Concluí, porém, que meus pais eram católicos porque, por mero acidente, nasceram no Brasil, em meados do século XX. Tivessem eles nascido em outra época ou lugar, seriam budistas, zoroastristas, bramanistas ou islamitas. Leriam o Corão, os Vedas, o Avesta, ou o Mahabarata, em vez da Bíblia. Local ou época de nascimento não podiam ser os critérios adotados na busca da Verdade. A Verdade, se existisse uma, devia ser atemporal e independente de fatores culturais ou geográficos.
Na minha busca, decidi, em seguida, me concentrar nas escrituras, na tentativa de avaliar a sabedoria e a veracidade do que continham. Para meu desespero, todas me pareceram igualmente absurdas. Elefantes conversavam com homens sob figueiras, deuses assumiam forma de animais e procriavam com fêmeas humanas, outros caminhavam sobre as águas e ressuscitavam mortos… Enfim, deparei-me com as histórias mais fantásticas e inverossímeis, que não se apoiavam sobre qualquer evidência, sendo sustentadas apenas pelas palavras dos que as escreveram. Deparei-me com textos contraditórios, anacrônicos, relatos de fatos que a arqueologia e a história mostravam jamais terem ocorrido, diferentes versões dos mesmos textos, textos de autoria duvidosa, dentre tantas outras coisas absurdas, que encheriam mil páginas, se eu as fosse enumerar.
Decidi, então, examinar a vida de seus profetas. Mais uma vez o resultado foi decepcionante. Li sobre homens e mulheres que ouviam vozes e tinham visões, gente que nos dias atuais estariam sob tratamento psiquiátrico e não conduzindo multidões. Mesmo nos aparentemente normais, parecia não ser prudente acreditar. Suas visões pareciam casos clássicos de alucinações decorrentes de jejuns prolongados, da desidratação, do esgotamento e calor do deserto.
Mais uma vez sem ter onde me apoiar, decidi tomar como base as obras das diferentes Igrejas, seitas e fiéis. Menos para meu desespero do que para meu horror, deparei-me com relatos de guerras, torturas, obscurantismo, perseguições, genocídios, abuso sexual, discriminação…
Talvez devesse eu, então, seguir a religião que tivesse o maior número de fiéis… milhões, centenas de milhões… Tal idéia, contudo, não durou mais do que alguns segundos, pois logo percebi o quão absurdo seria crer que a Verdade possa ser eleita por sufrágio democrático. Como se muita gente não pudesse estar errada, ao mesmo tempo. Escolher a mais antiga seria igualmente falacioso.
Meu desespero crescia, e eu continuei minha busca, a cada dia mais desolado. Talvez a resposta estivesse na razão. Recorri à Filosofia (embora não ainda à Teologia)… Deparei-me, então, com infindáveis contendas entre céticos, dogmáticos, realistas, naturalistas, positivistas, empiristas, deterministas, idealistas, hedonistas, materialistas, pragmáticos, dualistas, monistas, fenomenologistas, racionalistas, solipsistas, voluntaristas, existencialistas, niilistas, historicistas, cientificistas, pós-modernistas, anarquistas, neo-marxistas, individualistas, humanistas, bio-historicistas, fascistas, liberais, conservadores, feministas, estruturalistas, culturalistas, reducionistas e uma legião de outros “istas”, que jamais conduziam a uma única conclusão satisfatória. Em decorrência disso, nunca estive tão perto de cair no mais profundo niilismo.
Foi aí que busquei a Verdade na Teologia. Mais uma vez, para meu desalento, não foi lá que a encontrei. Seus ensinamentos, não falseáveis, pareciam elaboradas fantasias, paridas pela escolástica, filha de um platonismo defunto (sendo o seu mais eminente coveiro, o Princípio da Incerteza, de Heisenberg) e do estranho Deus de Aristóteles. Sob o ponto-de-vista epistemológico a Teologia não valia absolutamente nada, concluí.
O senhor entende, agora, o porquê da minha angústia? Por favor, me ajude com sua sabedoria. Aparentemente os senhor sabe de coisas que eu não sei!
responder este comentário denunciar abusoGrande Irmão.
Parabéns pela lista das 50 músicas. E, pelo conteúdo de suas demais manifestações, no seu trabalho literário: ” Ciência das Cinzas “, deste domingo, de 25.04.10, considerando-se, também, os demais temas gerais envolvidos. Ja lhe disse, que o elegi, como Guru, em substituição a Paulo Francis. Mas, prometo não me comportar como Matinas Suzuki, pois nem possuo conhecimento para tanto.
A orientação da religião, para uma visão racional de nossa realidade, permite o debate em torno do alcance da teoria da evolução, como parte da filosofia, levando-se em conta, as provas cientificas dos processos evolutivos.
Entretanto, entendo que, o debate se conduz de forma parcial. Não se pode afirmar que a ” Religião ” contesta Darwin. Ou que, após Darwin, Deus, tornou-se, desnecessário. E, que, não se pode utilizar a posição de duas Escolas religiosas: Católicos e Evangélicos, como se eles tivessem procurações, para falar em nome das demais Escolas.
Não se pode esquecer, nem ignorar que, o ” Kardecismo ” é uma Escola Religiosa e Doutrina Filosófica, em cujo seio, habita um Chico Xavier, que respeita, aceita, a evolução das espécies e o progresso da humanidade, sem que o homem necessite perder a grandeza. Veja, por exemplo, o que consta, no Livro dos Espíritos:
Pergunta nº 50: A espécie humana começou por um só homem?
Resposta: Não; aquele a quem chamais Adão não foi o primeiro, nem o único
homem que povoou a Terra.
Vejamos, agora, parte do texto que compõe
a resposta à questão nº 59:
……. ” A formação do globo está escrita em caracteres perenes no mundo
fóssil, estando provado que os seis dias da criação indicam períodos, cada
um podendo ser de várias centenas de milhares de anos. Isto não é um
sistema, uma doutrina, uma opinião isolada, é um fato também constante
como aquele do movimento da Terra e que a Teologia não pode se recusar
a admitir, prova evidente do erro em que podem cair os que se atem à
letra das expressões de uma linguagem frequentemente figurada. É preciso
concluir que a Bíblia é um erro? Não, mas que os homens se equivocaram
ao interpretá-la ” ……
Por tais razões, não se deve afirmar que a Religião não tolera Darwin e sua teoria, mas, sim, algumas religiões. Não todas.
E, esse mesmo componente, Chico Xavier, já, em 1.940, em uma das suas 414 obras ” coletivas “, no, ” O Consolador “, esclarecendo, a:
Pergunta nº 79: Como interpretar nosso parentesco com os animais,
Respondeu: Considerando que eles igualmente possuem, diante do tempo, um
porvir de fecundas realizações, através de numerosas experiências,
chegarão, um dia, ao chamamento do reino hominal, como, por
nossa vez, alcançaremos, no escoar dos milenios, a situação de
angelitude. A escala do progresso é sublime e infinita. No quadro
exíguo dos vossos conhecimentos, busquemos uma figura que nos
convoque ao sentimento de solidariedade e de amor que deve
imperar em todos os departamentos da natureza visível e
invisível. O mineral é atração. O vegetal é sensação. O animal é
instinto. O homem é razão. O anjo é divindade. Busquemos
reconhecer a infinidade de laços que nos unem nos valores
gradativos da evolução e ergamos em nosso íntimo o santuário
eterno da fraternidade universal ” ……
Reconheçamos a modernidade e mente aberta, ao menos, de uma Escola Religiosa, e, do valor de um Chico Xavier, que, há 70 anos atrás, já se dava bem, com a Teoria da Evolução, não tinha qualquer ressentimento com Darwin, e louvava a Deus.
Um abraço, João
Li teu comentário; gostaria de transcrever no meu blog.
Grande abraço
Mande ver. Obrigado.
responder este comentário denunciar abusoA curiosidade aumenta quando constatamos que a maioria das pessoas se comporta anticulturalmente. Mas voltando ao tema, ao ler este post imediatamente me veio a imagem do médico de “Um inimigo do povo”, de Ibsen. Ou seja, daquele que revela, por uma constatação científica, uma mensagem catastrófica e por isso se torna odiado. Por outro lado, não entendo que a demonização do materialista (no sentido de antagônico ao espiritualista) tenha se reinstalado na cultura moderna. Ela nunca deixou de existir desde os primórdios do Renascimento quase que proporcionalmente (e não por acaso) com a quantidade de fanáticos religiosos. E como na lei newtoniana da ação e reação, assim como na eterna luta religiosa do bem contra o mal, encontrou seu duplo. A ciência não para de evoluir e a religião já se dá por encerrada, mas essa diferença não é suficiente para que os fanáticos produzidos em ambos os lados não sejam simétricos. Quando trazida para o campo das artes a Ciência se mostra tão incompetente quanto a religião para falar do Bóson de Higgs. É realmente fascinante a experiência com o acelerador de partículas (e no mínimo seu benefício em termos de conhecimento não pode ser mensurado simplesmente pelo orçamento da empreitada), mas que não me venham com a balela de que não existe a inspiração, pois isso seria doutrina uma vez que não há como ser investigado. Não vamos dizer que ela seja uma iluminação divina mas nem tão pouco sejamos frios ao ponto de descartá-la. Por ocasião da comemoração do que seria o aniversário de 80 anos da escritora Hlda Hilst (no último 21 de abril) revi uma entrevista em que ela disse achar João Cabral uma besta porque este afirmava não acreditar em inspiração. Não concordo com que João Cabral seja uma besta, ao contrário, mas também não acredito nos discos voadores que Hilda Hilst dizia que via. Enfim, nem tanto para o céu e nem tanto para o inferno, cuja temperatura a ciência é capaz de medir e a religião de intuir.
João Cabral era muito melhor poeta que Hilda Hilst… O que ele dizia é que não existe um espírito baixando no criador, e sim que ele precisa trabalhar muito e de modo autocrítico para manter sua criatividade, na qual entram também fatores inconscientes como a intuição e o acaso. Quando me referi à demonização do materialista, me referi ao pensamento (ou sentimento) pós-Hiroshima de que o conhecimento científico induz maldades (os maldosos é que podem usá-lo) e ao ressurgimento de várias religiões, inclusive as fast food alimentadas por um Paulo Coelho, depois da queda do muro em 1989. Qualquer observação isenta confirma isso. E é bom não cair na conversa do “meio-termo entre ciência e religião”. Prefiro buscar um equilíbrio entre conhecimento e altruísmo, o que é bem diferente.
responder este comentário denunciar abusoSó nao sabemos ainda quem abriu a ‘caixinha’ de Pandora da mitologia grega.Aliás, falando em grego, o povo da Grécia está furioso com tanto azar ultimamente.Depois de incêndio gigantesco veio a falência do país. Acham-se uns injustiçados,quando para todo o resto dos europeus eles são sortudos,porque o país é lindo, têm ilhas paradisíacas, clima excelente e mulheres dóceis. Diante da imagem lindérrima da galáxia (Via Láctea ?), dessa espiral que vai levando tudo para o centro, e no centro (está provado) tem um buraco negro, que de negro só tem o nome, porque é invisível, entao eu só posso dizer : Deus nos traiu, mano.
Piza,
bom trabalho.
Para provar a existenciade Deus basta apenas um unico experimento reproduzivel.
O fato de que o experimento ainda nao existe coloca os ateus e agnosticos numa posicao pouco cientifica.
Ou seja, sao cientistas ruins.
Pode explicar melhor?
responder este comentário denunciar abusoOs ateus descartam a existencia de Deus simplesmente porque nao ha’ provas da existencia do mesmo.
Sabemos que um hipotese cientifica para ser comprovada requer um experimento que seja reprodutivel em diversos laboratorios.
Existe um serie de hipoteses cientificas que ainda nao foram comprovadas.
Se considerarmos que a existencia de Deus e’ uma das hipoteses ainda nao comprovadas entao basta procurar um experimento que a comprove.
Agora, s euma pessoa abandaona a procura por comprovacoes simplesmente por conviccoes de achar a hipotese ridicula ou absurda, essa pessoa pode nao ser um bom cientista pois abandona a procura da verdade. Argumento portanto que abandonar a procura d eum experimento cientifico que demonstre a existencia divna e’ “bad science” e nao o contrario.
Não encana não, Piza, o mundo é assim, bicho!
Agora, realmente, esse pessoal que vira as costas pra ciência, pra tecnologia, precisa estudar um pouquinho mais o assunto pra não desagradar Ogum, que é genioso e gosta de ser respeitado.
Caro Piza, não vou entrar no mérito sobre qual foi melhor poeta, se HH ou João Cabral; até mesmo porque ambos são maravilhosos e isso já é mais do que suficiente para que sejam amplamente lidos. Concordo com o que João Cabral disse sobre a inexistência de um “espírito baixando no artista”; inclusive fiz questão de dizer que acho o poeta pernambucano alguém muito longe de ser uma besta. No trabalho de HH se nota o trabalho exaustivo e a autocrítica apurada, assim como a intuição no de JC. Ou seja, tão pouco vou entrar na birra entre dois grandes, prefiro lê-los e recomendá-los pelo que têm de bom sem deixar meu senso crítico de lado. Por outro lado, não defendo um “meio-termo” entre ciência e religião (admito que possa ter dado essa má impressão) afinal, isso é mesmo uma tremenda conversa fiada. Só pretendi trazer a cisão entre ciência e religião para as artes a fim de observar que, neste caso, nenhuma das duas instâncias dá conta de explicar o “imponderável”. Sendo assim, quanto ao equilíbrio que vc sugere, nas artes (que é a área a que me referi) prefiro algo entre conhecimento e sentimento, daí o exemplo da “temperatura no inferno”. Disse isso porque me pareceu estranho ver colocados no mesmo bojo os movimentos romântico e expressionista (e o pensamento de Nietzsche e Heidegger) com suas (concordo) degenerescências hollywoodianas, por exemplo. Isso pode reduzir de tal forma os conceitos originais como se a ciência os tivesse tornado ultrapassados e aquilo tudo não passou de mote para sonhadores e lamentosos. Sem falar que isso também pode dar margem para jogar por terra as atividades de Goethe nas ciências. Sei que vc não falou qualquer coisa disso, mas na cabeça de cientificistas fanáticos colocações assim explodem como bomba atômica… e tome endemonização de materialistas. E isso qualquer discussão isenta também pode confirmar. Abs.
Ramon, é óbvio que ao listar expressionismo, Heidegger e Disney eu não fiz uma comparação qualitativa entre eles, mas apenas dei exemplos de uma tendência moderna de reagir à civilização tecnológica com temor ou repulsa. Não há nada cientificista em meu texto; o que apontei foi o vezo cultural, bastante amplo, de reagir a eventos da natureza como se fossem interligados em direção a uma punição da humanidade.
responder este comentário denunciar abusoObrigado pela ótima resposta, Piza, vc trouxe de volta a conversa para o tema central do post, mas nem precisava esclarecer que vc não comparou qualitativamente Heidegger e Disney. Aliás, ficou até um pouco engraçado ver os dois nomes lado a lado! Não acho que seu texto foi cientificista; só atentei para um pequeno detalhe que pode causar complicações na mente dos mais desavisados. De resto, concordo contigo quanto à reação recorrente na maioria das pessoas. Mas, só mais uma coisa: o tempo está realmente louco e a culpa (não a judaico-cristã, obviamente) é do próprio Homem. Esse papo de fúria divina só fica bem na Mitologia (que vc citou no texto) e na passagem bíblica sobre a destruição de Sodoma e Gomorra, entre alguns outros exemplos; mas só quando lidos como literatura. Bem, mas aí já estaremos falando de arte… Abs.
Caro Piza
Notei que há algo estranho ocorrendo com o Blog. Quando acesso o blog usando o iPhone vejo comentários que não aparecem quando utilizo o computador. Acontece também com o blog do Marcos Guterman. Pode ser algum “bug” do software que vocês utilizam, já que o telefone utiliza um software específico (“App” da Apple). Talvez seja o caso de informar seu pessoal de informática.
O problema aparentemente ocorre com comentários que sao “postados” como resposta a outros comentários.
PS: Meu computador é um Mac, se é que isso faz alguma diferença. Sou totalmente leigo em matéria de informática e nao sei se a plataforma influencia.
Já notei esse problema também, e os técnicos prometem que resolverão logo. Muitas vezes as tréplicas só aparecem na home do blog e não na sequência dos comentários.
responder este comentário denunciar abusoDaniel, geralmente você é ótimo, mas algumas generalizações aqui foram péssimas.
Eu por exemplo vi a belíssima história do Chico e não sou conservador, não acho que sem religião o homem se apequena e tampouco não tolero Darwin. Pelo contrário.
E que tem a ver o soro antiofídico? Então quer dizer que o homem branco, por não ter também descoberto a cura do câncer e do HIV, por exemplo, não avançou nessas áreas?
Grande abraço!
Péssimo foi seu resumo do que escrevi. Eu não disse que ver a história de Chico faz você conservador, mas que muita gente conservadora – que odeia darwinismo e acha que a religião salva as pessoas – vai lá. Não resta dúvida de que a maioria dos que creem em espiritismo tem esse sentimento em relação à evolução e aos agnósticos. O soro antiofídico me parece muito útil em florestas… E certamente não será a medicina indígena que resolverá a cura do câncer e da Aids.
responder este comentário denunciar abusoParabéns pelo texto, Piza. Acho que a ciência é vista por uns como algo bacana, mas que não conhecem ou lêem, em parte porque às vezes é de fato dificil para o leitor leigo, ou, para outros, é uma clara manifestação de ateísmo, que algumas pessoas parecem entender como adoração do diabo… Acho que os próprios cientistas ajudam que a ciência seja muitas vezes vista como antipática, por conta de seu caráter quase exclusivista – conheço um pessoal da física da USP que parece ter especial prazer em ver os leigos sem entender nada de mecânica quântica, assim como a filosofia muitas vezes me enche não pelo conteúdo em si, mas pelas pessoas e suas discussões cabeçudas, que têm pavor de uma conversinha sobre Inter x Barcelona.
Daniel,
Depois de ler alguns comentários acima deixo minha pequena contribuição com um poema de Ruppert Broke que li num livro do saudoso Carl Sagan.
Abraços
Os peixes (barriga chêia de moscas, junho profundo,
Passando o tempo na tarde molhada)
Meditam sabedorias, obscuras ou claras,
Cada esperança e medo secretos.
Os peixes dizem: eles têm seu Riacho e o seu Lago;
Mas haverá alguma coisa Além?
Essa vida não pode ser Tudo, juram,
Pois que desagradável se fosse!
Não se deve duvidar que, uma hora, o Bem
Nascerá da àgua e do Lodo;
E o olho reverente terá de ver
Um Propósito na Liqüescência.
Sabemos misteriosamente, com Fé dizemos,
O futuro não é o Seco Absoluto.
Do lodo ao lodo!- A Morte fecha o cerco-
Não é aqui o Fim, não é!
Mas em algum lugar, além do Tempo e do Espaço,
A água é mais molhada, o limo mais limoso!
E lá (confiavam) nadava Aquele,
Que nadou onde os rios surgiram,
Imenso, forma e mente peixais,
Escamoso, onipotente e bom;
E sob a Todo-Poderosa Escama,
Os menores peixinhos ficarão.
Oh! Jamais a mosca esconde o anzol,
Dizem os peixes, no Riacho Eterno,
Mas há lá ervas incríveis,
E lodo, celestialmente abundante;
Lagartas gordas flutuam,
E larvas paradisíacas;
Mariposas eternas, moscas imortais,
E o verme que nunca morre.
E naquele Céu tão desejado,
Dizem os peixes, terra não haverá.
(Rupert Brooke)
E os recentes estudos científicos que demonstraram que nosso cérebro está programado para ter fé, que nosso organismo se equilibra melhor quando acreditamos em algo superior?!
Claro! Afinal, religião é Arte, fé é Arte. Ora, acreditem, Deus nunca apareceu pra ninguem, o que não impede que o ser humano crie suas próprias metáforas para explicar o mundo e a si mesmo. É salutar, lúdico, até.
Que estudos demonstraram isso?
responder este comentário denunciar abusoEu fiquei especialmente impressionado sobre a postura anticientifica dos EUA diante da teoria da evolução de Darwin.Confira as estatisticas fornecidas pelo professor William Durham do Stanford Continuing Studies course.vide link:http://academicearth.org/lectures/intro-darwins-legacy
Voltei.
Sou conservador antiecologista (é assim que se escreve?). Assim, concordo com a primeira parte e descordo da segunda.
O ecologismo é um paganismo. O culto à divindade gaia, mãe natureza. Isso já seria motivo suficeinte para eu odiar o ecologismo, pois sou católico apostólico romano.
Nos EUA em 1992, apenas 2 % das faculdades de medicina ofereciam cursos e/ou cadeiras de atendimento espiritual (ou seja, considerando tb a religião) ao paciente. Em 2004, esse número passou a 67%. Talvez a mais conhecida dessas instituições seja o “Center for Spirituality, Theology and Health” da Duke University, NC. Quem acender uma vela a São Gúgel pode ler sobre o trabalho lá.
Mas não é preciso ler inglês pra saber mais sobre o assunto. Há jornais brasileiros que tb tratam do tema:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u727711.shtml
“There are more things in heaven and earth, Horatio,
Than are dreamt of in your philosophy.” (Hamlet, Act I, Sc. V)
Ninguém negou o valor de terapias “espirituais”, digamos. Mas não pode haver argumento mais fraco do que dizer que não acreditar em Deus faz alguém mais suscetível a doenças… Estatística mais importante é a de que no mundo todo o número de pessoas que se declaram sem religião aumentou. Inclusive no Brasil. São 5%. Em alguns bairros de São Paulo, segundo o Datafolha, o número chega a 19%.
responder este comentário denunciar abusoNão concordo com a sua resposta a um dos comentários aqui expressos, quando afirma que sem dúvida a maioria dos que professam a Doutrina Espírita tem um sentimento conservador em relação ao Evolucionismo e Agnosticismo. Há pouco tempo saiu uma pesquisa em um grande jornal brasileiro sobre a crença na teoria da evolução e as denominações religiosas, nela, cerca de 74% dos espíritas disseram crer na teoria da evolução formulada por Darwin (por sinal, o maior percentual dentre todas as religiões ali catalogadas). Além disso, no Espiritismo não se critica qualquer outra crença religiosa ou mesmo a falta dela. Cada pessoa é livre para escolher o que considera melhor para si.
Rafaella, você não leu a pesquisa do Datafolha direito. Ela dizia que a maioria das pessoas acreditava em Deus e na Teoria da Evolução de Darwin. É assim no mundo todo. A pesquisa não usa termos como “conservadorismo”. Pois quem disse que acreditar em Darwin implicaria não acreditar em Deus? Darwin acreditava, embora fosse anticlerical. Muitos cientistas acreditam em Deus. Isso não elimina o fato de que os religiosos da época e muitos até hoje não concordam com as implicações da teoria, como a de que a Terra é muito mais antiga do que dizem os Evangelhos e que nós descendemos dos primatas. E o que os conservadores, entre eles muitos espíritas, dizem é que sem religião o indivíduo é moralmente inferior. Houve um comentarista aqui que até sentiu dó de mim… Eu não acredito em forças sobrenaturais e vida após a morte; não acredito, sobretudo, que alguém pensar diferente de mim o condene ao inferno…
responder este comentário denunciar abusoSr. ateu angustiado,
entro na conversa, somente para dizer que não há necessidade de religião para encontrar o que o sr. procura.
Felicidades.
Caro Daniel,
acabei de ler “Deus, um delírio” e voltei reler este artigo. Essa atitude de que você fala me remete ao conceito de postura de intenção que ele aborda no livro. Gostei da leitura e gostaria de saber se tem recomendações de outros autores que escrevam sobre ciência de forma acessível, sem misticismos e essas coisas, e também sem extremas especializações; algo na área da física e quem sabe química pra quem quer compreender o todo, dentro do possível, claro.
Felicidades…
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