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Daniel Piza

03.setembro.2011 15:07:50

Cafonice endinheirada

Vou a alguns lugares e ouço algumas histórias que me põem a pensar de novo sobre a cafonice consumista dos endinheirados brasileiros, ou paulistanos em particular. As mulheres vão na onda do “ão”: cabelão, oclão, bocão, peitão, carrão. Gastam milhares de reais em maquiagem e cabeleireiro, só usam grifes, repetem as mesmas cores que a indústria decretou estar na moda. Os homens são todos parecidos também, sempre com semblante mal humorado, como se apenas tolerassem o mundo ao redor, em especial os serviçais que lhes atendem. No shopping Cidade Jardim, me sinto numa ilha da fantasia, na qual os visitantes estão dispostos a pagar por qualquer coisa muito mais do que ela vale, de cafezinhos de R$ 15 a bolsas de R$ 40 mil, bem mais caras do que no exterior.

Sei que a indústria da beleza não para de crescer no mundo todo, apesar da crise, e sei que vivemos em tempos que dão mais valor às aparências do que às inteligências. Não tenho nada contra, ou melhor, tenho tudo a favor de se vestir bem, de se cercar de coisas bonitas, etc. Mas só posso chamar de mau gosto esse mundinho narcisista, esnobe, que não apenas vira as costas para a realidade social, mas também para a própria elegância.

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19.junho.2011 07:09:30

Desfile de velhas novidades

Na primeira vez em que vi um desfile, me impressionei com a rapidez. Todo aquele circo, todo aquele varal de fotógrafos, todos aqueles textos falando em inspirações e resgates e novidades – para algo que dura dez minutos e mal podemos ver com calma e detalhe? Há uma desproporção entre o que a moda se pretende e o que de fato cria. No caso da São Paulo Fashion Week, por exemplo, me espanta a distância entre os relatos, sempre tão favoráveis, e a moda tímida, repetitiva, singela e tantas vezes plagiária que vemos nas passarelas. Não sou especialista, mas observo claramente como há o que avançar ainda (a temporada de verão, por exemplo, quase só vem na forma de “beachwear”). Os textos na TV e na imprensa, porém, são só elogios.

Fui então ler Moda – Uma Filosofia, de Lars Svendsen, e encontrei as mesmas inquietações. As roupas, ele diz, têm importância crucial e crescente na constituição da individualidade, mas “o interior deve corresponder ao exterior, nosso eu exterior deve ser a expressão de uma espiritualidade genuína”. Olhando essas meninas cada vez mais novas, mais altas e mais magras – erroneamente chamadas de “modelos”, como se seu padrão pudesse ser seguido pela maioria das pessoas, o que gera distúrbios sérios principalmente entre as mulheres – fazendo pose de maduras e blasées, o contraste é gritante. Isso sem falar que, talvez por influência homossexual, mais e mais parecem andróginas.

Isso é geral: raramente o visual corresponde à personalidade, e por isso todas ficam parecidas entre si, com os mesmos óculos gigantes, as mesmas grifes do momento, sobretudo os mesmos “valores” na cabeça. Svendsen nota que a moda não é um guia para a existência, não é uma norma para a formação da identidade, e lembra que um século atrás já se dizia que todos os estilos convivem, que a diversidade domina, etc. “A busca da identidade resultou em seu oposto: a total dissolução da identidade. É para isso talvez que estamos rumando.” Não por acaso, desfiles recorrem a celebridades – identidades emprestadas do cinema, da TV e da música – para turbinar o interesse da mídia.

Svendsen ataca a crítica de moda, que mal existe, corrompida por uma pressão da indústria para que o jornalismo sirva como agente de relações públicas. É feita à base de imperativos: use isto, não use aquilo; siga sob pena de estar “out”. Como notou Gloria Kalil outro dia, nada deveria ser mais fora de moda do que o modismo, do que as pessoas que aderem às tendências. Pego um guia francês, Parisian Chic, de Ines de la Fressange, e lá encontro a velha e saudável mentalidade europeia: cafona é consumir avidamente, sem autocrítica, e não ter estilo próprio. Quantas pessoas conhecem seu corpo? Saia às ruas e veja as baixinhas de bota e legging que tomaram o inverno…

Como em Svendsen, leio em Zygmunt Bauman, nas 44 Cartas do Mundo Líquido Moderno (embora eu não goste desses pensadores que acham que forjaram um conceito, como “mundo líquido”, e produzem livros em série como se dissessem algo muito original), que o problema da moda é que vive de prometer revoluções e, cada vez mais, só entrega reciclagens – as modas antigas “repaginadas”, como se diz (até a boca de sino voltou agora, segundo leio), num moto-perpétuo para manter a clientela iludida com a falsa modernidade. Afinal, o novo é raro e dá trabalho, e quem ama o novo sabe disso. Mas moda é negócio e se vende como arte; é consumo e se vende como suma.

(“Sinopse”)

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04.setembro.2009 07:21:42

Lacroix em cena

Iago

Bela exposição a de Christian Lacroix na Faap, Trajes de Cena. A montagem é de dar inveja em certas cenografias “barrocas” que fazem por aqui às vezes, porque o mais importante são as roupas e os croquis que ele fez para óperas, coreografias e peças. Os figurinos também deveriam servir de exemplo, já que mostram como é possível combinar o funcional e o pessoal; há sempre uma referência forte na história, mas também uma liberdade grande em fazê-la dialogar com a atualidade. Se Iago usa jaqueta de couro de motociclista, é porque ela se parece com um gibão da Renascença, não porque “passado é coisa de museu”; se a dançarina de Offenbach parece uma “cocotte”, é porque Lacroix bebeu em Toulouse-Lautrec, que tanto retratou o can-can. A pesquisa na tradição o leva a pensar numa paleta de cores e só depois ele cria as roupas, em trabalhos que vão dos dramáticos Don Giovanni e Fedra aos líricos balés de Balanchine. O caráter cênico parte da obra; não é show-off do estilista.

Figurino para 'Alegria Parisiense'

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03.setembro.2009 11:04:01

Jane Birkin non plus

Jane Birkin está em São Paulo, onde canta canções de Serge Gainsbourg hoje e amanhã no Sesc Pinheiros com a Orquestra Imperial e participação de Caetano Veloso. Em seu auge, quando casada com o compositor francês, essa inglesa era meu tipo preferido de mulher: magra com curvas, elegantemente sensual, feminina com personalidade. Só mesmo Jane Birkin poderia provocar escândalo com seus gemidos em Je t’Aime, Moi non Plus e ser homenageada pela Hermès com uma bolsa “fashion”. Hoje é difícil encontrar mulher assim: ou elas são anemicamente elegantes ou vulgarmente sensuais. Matemos a saudade:

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22.junho.2009 18:37:41

Vestindo o novo

A moda brasileira ainda é conhecida como moda de praia, por biquínis e sandálias. De resto, tem uma imagem de copiadora ou adaptadora de tendências internacionais, até porque não tem alta costura; o uso de materiais mais simples costuma chamar atenção, na ausência de sofisticação e originalidade. Mas, para meu gosto, no prêt-à-porter há algumas marcas bacanas que trazem o que a maioria das pessoas quer: roupas modernas e “usáveis”, despreocupadas de conceitos; veja o que Osklen, Cori, Maria Bonita e outras trouxeram na São Paulo Fashion Week que termina hoje. E há alguns estilistas, como Herchcovitch (em seus momentos menos exibicionistas, não nos vestidos inspirados em uniforme de futebol americano desta coleção), Reinaldo Lourenço e Glória Coelho, que conseguem fazer “para o mercado” e ao mesmo tempo dar notas de criatividade, menos convencionais. O vestido de Glória Coelho inspirado no Guggenheim de Bilbao, de Frank Gehry, é o exemplo que destaco; pode ser uma mera citação de formas alheias, mas funciona:

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Eduardo Nicolau/AE

Quando o outono chega e basta que o termômetro baixe de 20 graus no entardecer alaranjado, eis que eles reaparecem: os cachecóis, echarpes, lenços, foulards e xales enrolados no pescoço, de todas as cores, desenhos, tamanhos, tecidos e modos de usar. Os adereços têm sido típicos da meia-estação nos últimos anos, mas a cada temporada vêm com mais força e variedade e, agora, misturados a roupas leves como sandálias, camisetas e até decotes. Tal como o clima mundial, a moda confunde inverno e verão e caminha para o instável.

O fotógrafo Eduardo Nicolau precisou de um total de apenas duas horas e meia na Avenida Paulista, em dois dias desta semana, para registrar os mais diversos exemplos da mistura, como a que se vê nesta página. Encontrou echarpes de pashmina amarradas com folga sobre camiseta; foulards de algodão arranjados em triângulo por cima do colo; cachecóis de lã completando o casaco ou de crochê indo até a cintura; lenços de seda descendo lateralmente sobre regata; xales ou mantas jogados para trás quase com displicência. As lentes também trouxeram em comum o jogo de cores vivas com neutras e de superfícies lisas com estampadas.

Para a consultora Glória Kalil, a moda “capta tudo” e não seria diferente com as mudanças de clima geradas pelo aquecimento global. Ela conta que as grifes mundiais têm investido cada vez mais em coleções híbridas, que mesclam itens das duas principais estações, por uma exigência de globalização. “As grandes marcas vendem cada vez mais nos dois hemisférios, por isso têm interesse em promover essa mistura.” Como sempre, uma moda nasce da combinação de circunstâncias históricas, achados estilísticos e necessidades econômicas.

Mais informadas sobre moda, as mulheres retratadas – anônimas que passam longe de “fashion victims” – mostraram que também sabem casar as informações com suas necessidades e características, como a cor da pele, as proporções do corpo e o comprimento dos cabelos. Ao mesmo tempo, usam os acessórios de forma diferente da que se usava antes, escapando da simetria bem-comportada e da monocromia que eles costumavam sugerir. Sem medo de errar, encarnam traços que distinguem a moda deste início do século, como o contraste de padrões e o “high & low”, a combinação de itens caros e baratos, luxuosos e populares.

“Não há mais tendências; há estilos”, resume Glória Kalil, que conta que a volta da pashmina há cerca de dez anos – usada como echarpe ou xale, inclusive em dias de sol – foi um evento de consumo que ainda não se repetiu. A urbanidade atual pede por variações cada vez mais livres. No caso, elas permitem que uma roupa sóbria de trabalho ganhe o movimento e o colorido de um tecido que balança com o vento e a caminhada – ou que uma roupa descontraída de passeio se cubra de um tom mais chique ou formal para uma reunião ou jantar noturno. Isso envolve também a adaptação aos ambientes, exigida pela atual onipresença de ar condicionado em empresas, restaurantes e shoppings.

Na véspera do inverno, enfim, cobrir o pescoço pode ser tão atraente quanto exibir as pernas no início do verão. Muito mais vem aí, porque as lojas ainda esperam as novas coleções, de olho no dia dos namorados. Mas o desfile já corriqueiro de echarpes mostra de novo que moda não se trata apenas de utilidade ou vaidade. À velha pergunta sobre se as mulheres se vestem para os homens ou para si mesmas, a resposta talvez seja que elas se vestem para si mesmas e para os homens que vejam isso.

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14.abril.2008 12:48:28

Brasil: erratas

Baptistão

O caso da moda brasileira merece análises que ainda não foram realmente feitas, por ilustrar como a obsessão brasileira por “identidade” termina sendo a maior inimiga dessa mesma “identidade”. Nos últimos 10 ou 15 anos, a moda brasileira teve um surto criativo que lançou estilistas, eventos e negócios; acima de tudo, lançou um oba-oba, uma crença em muitos aspectos irrealista a respeito de seu alcance. E aí os tombos vêm. O mais recente foi a criação de uma corporação, chamada Identidade Moda, que anunciou compra e fusão de marcas importantes, foi considerada como um salto no “business” e, aparentemente, não tinha capital para tanto, o que levou criadores como Alexandre Herchcovitch a saírem dela.

O curioso é que Herchcovitch sempre teve a lucidez de não cair no conto de fadas da identidade brasileira, dizendo que fazia seu trabalho de acordo com seus critérios e suas inquietações. Isso que chamam de identidade não passa de um rótulo, de um estigma e, como todo estigma, só acaba aprisionando o estilo. Participei na terça de um seminário sobre o assunto, Fashion Marketing, promovido por Gloria Kalil, e transmiti a Ermenegildo Zegna uma pergunta da platéia sobre o que distingue (ou “diferencia”, como se diz atualmente) uma tal “Marca Brasil” aos olhos do mercado internacional. Ele disse que não existe isso: existem marcas, não uma Marca; o criador tem de buscar seu mercado em função da qualidade do que faz. Sobre a concorrência dos chineses na indústria têxtil, foi claro: façam o que eles não sabem fazer.

Essa ansiedade de definir o brasileiro, já apontei, é um essencialismo que não leva a lugar nenhum. Sim, o Brasil tem uma imagem de país hospitaleiro, caloroso e informal, mas por que um criador precisa seguir essa fórmula? Não será isso que impede que a moda brasileira raramente seja vista como algo além de biquínis e sandálias? Eis a questão. O caso serve de ilustração para outras áreas criativas. Eu mesmo testemunhei o que seria um boom das artes plásticas brasileiras no exterior. Colonizadamente, a imprensa local passou a divulgar o fato – baseado em algumas matérias publicadas no exterior – como se o “Primeiro Mundo” estivesse de joelhos diante da liberdade tupi. Hoje, mais de 12 anos depois, afora dois ou três nomes como Vik Muniz e Beatriz Milhazes, a arte brasileira continua desconhecida, ou conhecida pelo que nem é seu melhor… Os rótulos sempre acabam rotos.

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Nelson Rodrigues é sempre lembrado quando essa discussão vem à tona. Nos anos 50, ele criticou o “complexo de inferioridade” da crônica esportiva brasileira que idealizava times como a Hungria e outros escretes europeus e não via que a seleção formada por Didi, Pelé, Garrincha e Nilton Santos era a melhor. Seu alvo, inspirado nas teses de Gilberto Freyre filtradas por seu irmão (de Nelson) Mario Filho, eram os que supunham que um povo mestiço não produzisse grandes atletas. Mas a Nelson, mesmo conservador como era, não escaparia que o mesmo complexo de inferioridade é o que alimenta esses entusiasmos semifictícios a respeito da visão do mundo sobre o Brasil. Ele se traduz rapidamente em síndrome de superioridade: se o Brasil perde um jogo decisivo de Copa, jamais é por mérito do adversário…

Seu teatro, afinal, atingiu a grandeza ao captar no mais prosaico cotidiano brasileiro os dramas psíquicos universais. Veja o caso de Senhora dos Afogados, de 1947, atualmente em cartaz no Sesc Anchieta em direção de Antunes Filho, com Lee Thalor e outros no elenco. De sua experiência de repórter policial, somada à influência do teatro expressionista e da obra do americano Eugene O’Neill (em especial Electra de Luto), ele tirou inspiração para uma tragédia familiar em três atos sobre uma irmã que afoga outras duas para ficar sozinha com o pai – e ainda empurra a mãe para os braços do filho dele com uma prostituta que ele matou 19 anos antes.

Por trás dessa sucessão de incestos e homicídios há a visão de Nelson sobre como as paixões que os seres humanos tentam reprimir acabam saindo pelas formas mais tortas. Ele dizia sempre que as pessoas vivem uma vida sem autenticidade e coragem e não negava que seu teatro tinha a intenção de expiar essas frustrações. Infelizmente, a montagem de Antunes tira a coloquialidade das falas e rompe a superfície naturalista em que Nelson pinta os traumas ancestrais. Essa mistura do banal com o mítico é sua “marca” – o modo como revela sob a aparência suave do trato brasileiro as fraturas mais fundas.

***

Lendo os “especialistas” sobre a morte da menina Isabela, jogada do alto de um prédio na semana retrasada, fico pasmo. Eles nem parecem ter lido o Freud das Novas Conferências Introdutórias, que critica o modo como o ser humano renuncia à agressão que lhe é inerente, tornando-se ainda mais agressivo. E estão sempre prontos para generalizar, atendendo à comoção pública, e apontar a “vida moderna” como culpada. Bem, as famílias rodriguianas, tementes a Deus e tudo o mais, são o que se costuma classificar de “estruturadas”… Há contornos de época e lugar em qualquer crime, mas as motivações envolvem áreas de sombra muito além do presente. Por mais que nos queixemos da falta de humanismo atual, a barbárie não cabe em explicações moralistas do tipo “madrastas são más”. Nelson sabia.

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Também costumo ler gestos de “desagravo”, digamos assim, sempre que alguém aponta problemas na cultura brasileira. Se se afirma, por exemplo, que a MPB perdeu qualidade, pois a geração de Lenine e Carlinhos Brown não tem a qualidade da de Chico e Caetano, logo aparece um defensor da maravilhosa história da canção nacional, etc. O curioso é que sem argumento concreto nenhum para nos convencer de que aqueles nomes se comparam… O mesmo quando se diz que nossas revistas culturais poderiam ser melhores, porque lhes falta ousadia e sofisticação: não demora e um sujeito surge para dizer que “ao menos elas existem”. E quem disse que não? É o mesmo problema da obsessão por identidade ou, no termo corrente, “auto-estima”: em nome de defender algo promissor, fecham-se os olhos para seus defeitos. E eles vêm cobrar.

(Mais Sinopse.)

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“A imprensa de moda no Brasil é uma bobagem. A descrição de um desfile é feita como se a pessoa estivesse falando com uma amiguinha. Os jornalistas de moda não são diretos, conhecem pouco o métier. Falam bem dos amigos e mal de quem não gostam. O que sai na mídia costuma ser superficial e bobo.”

A frase é do estilista Jum Nakao na edição em papel da revista “Piauí” que acaba de chegar às bancas. Está na ótima matéria de Daniela Pinheiro sobre os plágios do “mundinho fashion” brasileiro, o tipo de matéria que sempre quis ler sobre o assunto. A revista toda, por sinal, está um pouco melhor: perdeu o medo de temas quentes ou abrangentes (Daniel Dantas, “Sargent Pepper’s”, Fundação Iberê Camargo) e não depende mais de traduções para reportagens realmente informativas. Boa notícia.

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27.janeiro.2007 09:26:27

Para compensar

Uma modelo que não tem formas de passarinho, Alinne Moraes, em visual coerente e original por Glória Coelho:

Porque nem tudo é magrelice e “conceito”.

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Uma montagem de Brecht, “O Círculo de Giz Caucasiano”, cujo prólogo foi substituído por um curta-metragem sobre o MST. E um vestido de Alexandre Herchcovitch feito de um saco de lixo:

Assim como na mais recente Bienal de Arte de São Paulo, os criadores estão posando de politizados – e reduzindo a linguagem ao discurso.

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