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Daniel Piza

30.abril.2010 14:25:05

Brideshead redecorada

Brideshead

O filme Brideshead Revisited, que em português ganhou o beócio complemento Desejo e Poder, não acrescenta nada à famosa série da TV Granada, com Jeremy Irons, Anthony Andrews e Laurence Olivier, feita em 1981 e depois exibida pela TV Cultura (bons tempos em que a TV Cultura exibia séries assim e outras como O Choque do Novo e Civilização). Até o elenco tem extrema semelhança física, mas não, claro, o mesmo talento, a mesma percepção para as sutilezas em jogo, para os modos aristocráticos. É um filme correto e fluente, mas em nenhum momento sentimos o fascínio de Charles Ryder pelo palácio de Brideshead e pela família Flyte, fascínio que no romance de Evelyn Waugh é uma mistura de esteticismo e materialismo, de afeto, afetação e ambição. O décor, mais uma vez, tomou o lugar da ambivalência.

comentários (7) | comente

7 Comentários Comente também
  • 30/04/2010 - 15:36
    Enviado por: Álvaro

    Caro Daniel.

    Você tocou de forma indireta num tema que me chamou a atenção. Porque a TV Cultura não apresenta mais (ou apresenta menos) programas internacionais?

    Claro que é muito interessante termos uma programação feita por brasileiros, mas a TV Cultura, até a década passada, conseguia distribuir de forma equilibrada em sua grade, além de programas nacionais, documentários britânicos, franceses, norte-americanos, japoneses, etc. cuja excelência me motivaram a ser um telespectador bastante fiel ao canal. Como exemplo, “Os Bichos”, “Enciclopédia Didavision” e “Testemunha Ocular” me fizeram uma criança apaixonada por zoologia e informática, paixões que trago comigo até hoje.

    Uma pena que não haja mais espaço para programas assim na TV aberta brasileira. Estamos condenados à NET/TVA/SKY?

    Abraço.

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  • 30/04/2010 - 15:44
    Enviado por: Tweets that mention Brideshead redecorada: O filme Brideshead Revisited, que em português ganhou o beócio complemento Desejo e Poder, ... -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by Literaturas. Literaturas said: Brideshead redecorada: O filme Brideshead Revisited, que em português ganhou o beócio complemento Desejo e Poder, … http://bit.ly/cx1dA2 [...]

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  • 30/04/2010 - 16:28
    Enviado por: Alberto Barbour

    Mas e aí? Vale os shillings?

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  • 01/05/2010 - 09:58
    Enviado por: Jo lima

    Álvaro,

    infelizmente a TV cultura foi, em 16 anos, jogada às traças e aos traços. Coincidência ou não, na di-gestão tucana. Até 95, a Cultura era,informalmente, uma parceira da globo em vários projetos e criava programas que depois norteavam o que se fazia depois nas redes privadas ( castelo rá-tim-bum , vitória, matéria-prima, roda-viva e não roda-amiga). O último presidente de valor foi Mulayert – que com seus acertos e erros consolidou um projeto que vinha desde os anos 70. Depois, só nulidades, nomes pífios que não seriam nem auxiliares dum rh saquearam a cultura. E hoje ela é uma rede morta, zumbi. Creio que se a tivessem fechado, seria um ato mais misericordioso do que deixá-la na penúria que está.

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  • 04/05/2010 - 12:45
    Enviado por: Antônio Gonçalves Caneiro

    Foi emocionante a série na TV Cultura. A revelação de Jeremy Irons, num espetáculo irrepreensível, à altura dos antigos filmes feitos com seriedade sobre os dramas humanos provocados pela segunda guerra mundial. Valeu o antigo chavão: “Já não se fazem séries de TV como antigamente”.

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  • 04/05/2010 - 13:05
    Enviado por: Antônio Gonçalves Caneiro

    A acomodação que decorre do consumismo histérico atual, em que deixamos de nos importar com os fatos importantes de nosso cotidiano, atribuindo seu tratamento aos políticos em quem votamos sem deliberar sequer um segundo provoca isto: governantes que sabem manipular as parcelas de poder que assumem a seu favor, cristalizando seu domínio. PSDB e PT são especialistas nesta atitude, estendendo seus latifúndios onde alcançam cargos executivos, desinteressados em atender às necessidades, desejos e interesses sociais. O Brasil caminhou para a formação de um profundo poço entre a prática política e os interesses sociais. Quem consegue o poder faz o possível para manter e estender o que alcançou, praticando a máxima de um deputado federal: “Estou me lixando para a opinião pública!” Da eleição para presidente da república até a repartição das parcelas possíveis de poder, como, por exemplo, a televisão pública, estadual e federal, só temos medidas que se marcam pela ausência do atendimento à sociedade. Caminhamos para uma espécie de corte francesa às vésperas da revolução. Só que não haverá revolução nenhuma. A solução será diferente de tudo que já houve, porque se trata de situação universal e o drama maior do século 21: o que será do futuro?

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