ir para o conteúdo
 • 

Daniel Piza

23.fevereiro.2010 13:51:55

Brevíssimo diário de Campo Grande

Vim a Campo Grande a trabalho e, como em quase todas as capitais, me surpreendi com o tamanho da cidade mais de 20 anos depois que a visitei numa viagem pelo Pantanal. Há muito mais prédios e avenidas, os habitantes dizem que as favelas foram todas deslocadas para conjuntos habitacionais, dois shoppings surgiram e a loja das Casas Bahia na Barão do Rio Branco é imensa, na toada do crescimento da classe C desde o Plano Real. Mas há pouco o que visitar, fora algumas casas de artesanato e acervo indígena, e apesar dos 800 mil habitantes a sensação é a de estarmos numa cidade média do interior de São Paulo.  Como Cuiabá, aqui ainda é um ponto de passagem para os turistas que vão pescar e passear por estas águas lindas. Por sinal, como em Cuiabá, fomos comer um rodízio na Casa do Peixe, de propriedade de uma família das muitas que compõem a colônia japonesa local; filés de pintado e pacu caíram muito bem. Os jornais tratam de assuntos como os conflitos entre fazendeiros e índios (o presidente Lula estaria mandando comprar terras para aumentar as reservas), a epidemia de dengue (anúncios na TV ensinam a não armazenar água descoberta e também a lavar as mãos) e, claro, futebol. Ao contrário do que ocorre na maior parte do Brasil, aqui se torce pelos clubes paulistas e não cariocas. Deve ser porque a cidade é relativamente nova, já que a primeira casa de alvenaria, a Morada dos Baís (Bernardo Baís era um mercador italiano que veio para estes cafundós no final do século 19), é de 1915. O Brasil, como se sabe, é um país novo conduzido com mentalidade velha.

comentários (3) | comente

3 Comentários Comente também
  • 23/02/2010 - 16:20
    Enviado por: ricardo

    …mentalidade velha e um tanto esquizofrênica. Nossa suposta amistosidade cheira mais a hipocrisia, nosso jeitinho combina mais com falta de visão do espaço público e desrespeito a ele. Piza, diante de suas viagens, a única coisa que posso dizer é que vou parar de estudar animação e migrar pro jornalismo(rsrs!)

    responder este comentário denunciar abuso

  • 24/02/2010 - 02:05
    Enviado por: suerly gonçalves veloso

    Quando estava em BH em 1970 a cidade tinha por aí de habitantes. Era aquela cidade! O êxodo rural é recente. Mas as classes que lá chegaram não eram indulgentes, recordo. Era o boom do filho diplomado. Os bares eram concentrados. Japonês nem falado. Gaucho só meio da estrada! Cinemas. Enxurradas. Menina entediada (doce). Mas tinha um lado bom que a hora não passava. Na alta, todas as coisas privadas! Dava para escrever romances sobre as pisadas. Raras. Ou ocultadas. Não era sociedade de fachada, nem fechada, porém. As roupas de homens eram como se fossem aquele agasalho esportivo de sempre: os mesmos costumes. O catolicismo era o agasalho de todos: da mulher decepcionada, do home curvado, do magistrado. Almoçava numa pensão e a filha da dona gostava de mim. Essa (dona) deve ter vindo de algum lugar para não fugir. São lembranças que passam e nos dão conta das forças que nos transpaçam. Sim, o Brasil é noivo, não é casado.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 27/02/2010 - 18:09
    Enviado por: ADRIANA ROCHA

    Uma viagem a trabalho.Pena nao lhe terem levado ao Museu Dom Bosco (antigo nome) ou das Culturas Dom Bosco (atual), no Parque das Nacoes Indigenas. Ah, há os parques! Este e um dos maiores do Brasil, salvo engano, e capivaras passeiam tranquilamente por suas vias. O acervo do Museu e um dos melhores da etnografia Xavante e Bororo (talvez o unico, em quantidade e qualidade). Esta estalando de novo. Organizacao interna de primeiro mundo. Pecas reunidas por Salesianos ha mais de 70 anos. Talvez quem o tenha ciceroneado nem o conheca, como e comum por aqui. Indios? bah! Abraco, Adriana

    responder este comentário denunciar abuso

Deixe um comentário:

Arquivo

Tags

Blogs do Estadão