Passei o dia ontem em São José do Rio Preto, a 450 km de São Paulo, e participei da Bienal do Livro, falando sobre Joaquim Nabuco, numa bela ex-fábrica de óleo da Swift, à beira da represa. O evento estava vazio, ao contrário do que ocorreu no fim de semana, e achei os estandes fracos, com predomínio de HQs e didáticos. Há também essa moda de destacar as celebridades: atores e apresentadores da Globo, padre cantor, etc. Mas sempre há alguns leitores de verdade e, como tenho um primo que mora lá há três anos, Vinicius Polonio, pude dar uma boa volta pela cidade, que é maior e mais desenvolvida que muitas capitais brasileiras.
São 420 mil habitantes, não há favelas, o comércio atrai toda a região norte do estado, há uma boa cerveja artesanal, Riopretana, e bons restaurantes de comida árabe (Haddads e Kfouris são sobrenomes comuns ali), as faculdades privadas se multiplicam, os hospitais são referências. Há problemas, claro, como as enchentes, e tendências das cidades de médio porte, como o boom de condomínios de alto padrão. Mas não há como negar que se trata de uma cidade com qualidade de vida incomum.
Terminamos a noite num bar, Zero Grau, onde conhecemos italianos que representam marcas importantes como Versace e estão descobrindo o mercado interno brasileiro, desconsolados com a crise europeia. “A China é governada pelos comunistas, a Índia tem uma cultura muito diferente, a Rússia ainda não se soltou”, disse um deles, Domenico, um calabrês muito divertido, pensando nos Brics. “O Brasil não. O Brasil é… ocidental.” Com mais cidades como Rio Preto e melhor nível de leitura, a diferença teria bem mais peso.
Daniel, falando em livros, um momento muito legal aconteceu comigo no charmoso bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro. Após assistir ao belo documentário “Só dez por cento é mentira”, sobre o poeta Manoel de Barros (Cine Santa Teresa), fomos à livraria Largo das Letras. Entre um café e outro, descobri “Amazônia de Euclides – Viagem de volta a um paraíso perdido”. A foto da capa logo me fez lembrar de um amigo fotógrafo. Resumindo, comprei o livro para presentear o amigo.
Parabéns a você e ao Tiago Queiroz!
Confira as fotos do Sérgio Ranalli: http://foradefoco.blogger.com.br/
um grande abraço
[...] This post was mentioned on Twitter by Literaturas. Literaturas said: Breve diário de São José do Rio Preto: Passei o dia ontem em São José do Rio Preto, a 450 km de São Paulo, e parti… http://bit.ly/bVU53O [...]
Piza,
Temos muitas cidades, no interior de São Paulo, como Rio Preto.
Temos Presidente Prudente, Piracicaba, etc…
Más o nível de leitura, fica (muito) a desejar. Temos ainda um longo caminho a percorrer, principalmente para incutir na cabeça das pessoas a necessidade da leitura.
Concordo, plenamente com o Jose Humberto, para despertarmos nos individuos o gosto e o prazer de uma leitura é preciso conscientiza-los que ela é um fator principal na vida humana, pois contribui para o aperfeiçoamento da linguagem oral, bem como para a qualidade dos textos escritos, sendo assim, uma das formas de se comunicar.
Para muitas pessoas, a leitura opera grandes influencias, uma delas é manter o individuo informado dos acontecimentos e mudanças do seu cotidiano. Sem falar, que o habito de ler traz , hoje, uma grande possibilidade de alcançar novos horizontes atraves do desenvolvimento de aptidões para a construção do leitor, enquanto ser critico socialmente construido.
Abraços.
Piza,
Porque nao tem favela? Algum programa especial?
E a criminalidade?
Parece entao se rum lugar bom de morar.
Dr, Massaranduba
Nao existe favela no sentido de um agrupamento de “casas” construidas com madeira e aleatoriamente como se ve no Rio ou em SP. Nas cidades do interior existem programas de casas populares, ou seja, o governo entrega a casa em condicoes basicas (para ser bem generoso aqui); tudo sem acabamento e minusculo; e ai o sujeito se vira com o resto. O preco das prestacoes sao bem baixos, parece que nao se pode vender o imovel durante algum tempo e tem que comprovar ser de baixa renda . Melhor que favela deve ser.
Violencia tem, mas em menor grau e menos disseminada em comparacao com as grandes cidades.
Bom lugar para morar? Talvez. Depende daquilo que voce considera importante, ao menos SJRP tem um aeroporto regional.
responder este comentário denunciar abusosem crítica, mas nao entendo como tem gente que fala e fala sem dizer nada…
como é possível uma pessoa escrever 9 linhas sobre leitura, e nesse espaço nao acrescentar nada?
Talvez, a pessoa que escreveu 9 linhas, nesse espaço e na tua avaliação nada acrescentou, não artingiu uma ‘parcelinha’ minima de mente inteligente e desenvolvida da qual esta acostumada nas sua palestras e congressos!
Fala para um publico academico e intelectual!
Daniel, na próxima vez em Rio Preto, pede para o seu primo te levar no Bar Vila Dionísio… em pleno Carnaval fui com os tios e primos ouvir Iron Maiden cover! ahahaah sensacional. Eles tem cervejas de várias partes do mundo. O visual lembra alguns pubs londrinos. Adorei o lugar.
Vila Dionísio Cervejas e Petiscos. Av. Bady Bassit, 3961 – Vila Imperial; São José do Rio Preto, SP – 15015-700; Tel. (17) 3235-4482; http://www.viladionisio.com.br
Moro em São Paulo mas sou de lá.
A grande vantagem de Rio Preto é o fato de estar longe o suficiente de São Paulo (e de Ribeirão), mas ainda dentro do estado.
Isso a tornou um polo regional que abrange o oeste de Minas e parte do Mato Grosso do Sul – geralmente gente em busca de serviços médicos (o Hospitald e Base é um fenomeno em quantidade e qualidade) ou centros maiores de compras.
Culturalmente, não compartilho de tanto otimismo; existem os eventos – o FIT é o mais importante deles – mas no dia a dia o que se encontra são livrarias péssimas, cinemas reservados para blockbusters, mónólogos de globais em ano sabático e rádios que fazem você torcer pela Hora do Brasil.
Mas é uma cidade exuberante que cresceu muito nos ultimos 20 anos, e que tem melhorado em ritmo acelerado.
Não fui otimista na questão cultural. Critiquei os problemas da Bienal, por exemplo. E acho que você tem razão, embora seja comum em várias cidades do interior brasileiro, mesmo as desenvolvidas.
responder este comentário denunciar abusoIsso deve ser comum a toda cidade de grande porte do interior de São Paulo. Vivo em Jundiaí e a única diferença é que estamos a apenas 50 Km da capital.
responder este comentário denunciar abusoDaniel, moro em Rio Preto há 18 anos. Fui à bienal e concordo com você. Das quatro edições, esse é a pior em termos de estandes. Nem vi tantas HQs, o que predomina mesmo são obras voltadas para o público infantil e revistas. Não pude ir à sua palestra por questão de saúde. Quanto à cidade, tem uma população que não dá a mínima para literatura. Os sebos ficam às moscas e as livrarias fecham. O mesmo ocorre com os cinemas que não pertencem aos cinemarks da vida. A violência existe sim, cada vez mais. A cada dia se multiplicam os moradores de rua. O atual prefeito é visto como uma das piores administrações da história da cidade. Vivemos uma epidemia de dengue nunca vista. Nenhuma providência é tomada. A última enchente não teve a resposta que merecia, com a cidade ainda desmantelada. As ações do governo são basicamente aumentar a zona azul (daqui a pouco ninguém poderá estacionar sequer em frente à própria casa) e colocar câmeras no semáforos. Como não uso carro, isso não me afeta diretamente. Não há como negar as qualidades de Rio Preto. Não me vejo morando em outra cidade, mas isso se deve mais aos problemas mais sérios nas demais. É uma cidade maravilhosa para quem mora em condomínios fechados e podem também pagar as contas dos hospitais de excelência. Já a maioria da população se depara com péssimo atendimento hospitalar, insegurança, transporte público sucateado etc. Fico feliz que você tenha gostado tanto da cidade, mas aquela que vivencio todos os dias é um tanto quanto diferente. Lamento ter perdido sua palestra sobre Nabuco. Abraço.
Piza,
Rio Preto tem diversos problemas, muitos deles já citados por Rogério Moraes, acima. Vim para Rio Preto há 4 anos para fazer faculdade, pois passei na Unesp; todo vestibulando paulistano presta a ”santíssima trindade” das públicas estaduais: Usp, Unesp e Unicamp. A Unesp de Rio Preto é a melhor faculdade da região, sendo a única pública em quilômetros, o que, por sinal, não é minimamente valorizado pelos moradores, que sequer sabem o que é “Unesp” – reconhecem o câmpus pelo nome do instituto, Ibilce – Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas. Para a população riopretense, os estudantes do Ibilce são “maloqueiros” e “pobretões”, defeito este a que essa sociedade de castas tem horror. Há muitas pessoas humildes estudando na Unesp de Rio Preto, assim como há também aqueles que passam por pobres intencionalmente e há também muitos bem-nascidos, mas o que importa mesmo, que é a produção acadêmica, pouco importa aos moradores da cidade. Assaltos, alguns à mão armada, perseguições a meninas e roubos a casas são frequentes na área que circunda a faculdade. Um conhecido meu sofreu 3 roubos em 2 casas diferentes no intervalo de menos de 1 ano; outro, ao reagir a um assalto, foi golpeado com uma chave de roda na cabeça. Muitos B.O.s já foram feitos, não tantos quantos deveriam ter sido feitos, mas menos ainda foi feito pelas autoridades competentes com relação a isso. Não há ronda escolar, e a polícia só aparece na faculdade quando há música alta e os mroadores vizinhos à faculdade reclamam. A elite intelectual da região fica à mercê de ladrões e tarados (se não me engano foi em 2006 que havia um homem que se masturbava na rua, em frente a pensões femininas). Já é a segunda gestão diferente que vejo da prefeitura e nada mudou. Além de tudo isso, as ruas são pessimamente iluminadas, há buracos no asfalto e o transporte público durante à noite, e principalmente aos fins de semana e feriados, é ”escassíssimo”; espera-se 1h no ponto de ônibus. Em uma das três maiores avenidas da cidade, a Av. Alberto Andaló, a espera do ônibus é em média 40 minutos, em dias úteis. Ou seja, a falta de leitura é só uma parte dos problemas desta cidade.
Voltando ao meu objetivo primeiro, gostaria de dizer que lamentei profundamente não ter podido ir à sua palestra, gosto muito dos seus artigos e me interessei pelo tema da palestra, mas naquele horário eu tinha aulas na faculdade. No entanto, a minha ”roommate” foi e adorou a sua palestra. Perguntei a ela quantas pessoas estavam presentes e ela me respondeu que havia ”umas 7”, e eu, entristecida porém não surpresa, resolvi escrever-lhe. Estou certa de que muitas pessoas da minha faculdade gostariam de ter ido assistí-lo, mas a divulgação dos eventos nesta cidade é precária, e naquele horário muitos tinham aulas no instituto. No ano que vem enfim estarei formada, e espero poder vê-lo em outros eventos, em cidades que valorizem melhor o seu – e também o meu – trabalho
Um abraço e parabéns pela coluna.
Excelente leitura da cidade, Christiane. Quando escrevi o texto anterior, minha sogra estava internada, ontem, faleceu como a décima vítima de dengue no ano. E a prefeitura diz que continuará realizando a mesma “ação estratética” que não vem dando certo. Quanto ao Ibilce, fiz mestrado por lá e concordo com tudo que você falou. Já sobre a Bienal, fui saber da data faltando dos dias para o início. Rio Preto é um grande exemplo do “porquê não me ufano”.
Piza,
A Christiane tem razão em tudo o que disse. Sou formada pela Unesp de Rio Preto e já me deparei com todas as questões que ela expôs aqui. A cidade realmente não valoriza os estudantes dessa instituição.
Como a Christiane disse, Rio Preto carece de infra-estrutura em diversos aspectos. Os ônibus são raros, a população não está preparada para receber pessoas de fora (como as centenas de estudantes que chegam todos os anos na cidade), enchentes são frequentes, o atendimento no comércio é um horror e o descaso com a saúde pública é enorme. No início do ano teve uma enchente que devastou a cidade. Meses depois retornei a Rio Preto e a cidade ainda estava suja por conta dessa mesma enchente.
A questão da dengue já é rotina e o atendimento em postos de saúde é bastante precário.
A segurança, outro item citado por Christiane, é outro motivo de preocupação. Já fui seguida na rua diversas vezes e, em 4 anos de graduação, vi viaturas da policia no bairro da Unesp umas 5 vezes. E a única vez que a policia estava de fato trabalhando foi durante um evento da faculdade em que a música estava um pouco alta. O evento deu-se por volta das 17h, ou seja, horário em que é permitido um pouco de barulho. Sempre tive que contar com a boa vontade de amigos para não andar sozinha depois das 19h, pois casos de estupros são conhecidos ali na região da Unesp. Amigas minhas já se depararam várias vezes com homens se masturbando ali nas imediações e várias vezes chamaram a policia. Quando os policiais aparecem dizem não poder fazer nada, pois os homens vão embora. Acredito que um maior policiamento essas cenas não seriam tão frequentes.
Em relação ao comércio, as lojas deveriam estar cientes de que os estudantes movimentam a economia local sim. A maioria deles vem de fora e trás o dinheiro de sua cidade para gastar em Rio Preto, mesmo assim o atendimento em estabelecimentos comerciais é péssimo. Como o Jardim Nazaré, bairro em que a Unesp está localizada, não possui muitos atrativos, os estudantes frequentam bastante os shoppings e bares da cidade para relaxar e se distrair um pouco, deixando, dessa forma, algum dinheiro ali e o comércio não dá valor ao mesmo e não está preparado para prestar um bom serviço aos consumidores. Sempre tive a impressão de que os vendedores da cidade estivessem me prestando um grande favor ao me atender (e essa opinião é compartilhada por muitos amigos e conhecidos).
Acho que uma cidade tão bonita, de médio porte, e com tanto potencial como Rio Preto, deveria investir mais na melhoria das questões acima citadas.
Piza, vou ser breve como teu diário, ler prá que?? o Lula é o pior exemplo a nossa Juventude, chegou “lá” tendo horror aos livros, êle diz que fica roxosepegar livro ou jornal, cidadezinha como esta tá cheio no Brasil, tem muito “butecos” p/ bebum,farmácia p/ doestes, e Igrejas Evange´licas com Pastores falando errado, analfabetos, veja vc, hj em pleno Centro do Rio,rua Uruguaiana, va´rios homens trocando “papelinhos”,perguntei a uma moça de loja que era aquilo,respondeu-me na “bucha”,”Marmajos” trocando figurinhas de álbuns de jogadores da Copa de Futebol, veja bem,isto no Rio que possui muitas livrarias, é um povo que lê jornais, frequenta espetáculos teatrais, temos Museus, então vc vai a uma Feira de Livro, de livro têm muito HQ, gibis muquiranas, ainda se tivessem “revistinhas do Zéfiro” vai lá, é muito triste o cenário literário deste país, o descaso com a cultura, gos tma muito de BBB, “Bundas/Bocas/Bobagens”, Tristes Trópicos!!!.
Descupe uns “erros ” ,sou péssimo datilógrafo,heeee!, quero dizer gostam muito de BBB……..
Li todos os comentários postados neste blog, cheguei a conclusão que S.J. Rio Preto, têm é Fartura , “farta” segurança, farta livrarias, farta cultura, farta transporte publico, farta rios e canais canalisados, farta o povo cumprir seu dever de cidadadão, farta cidadania, e por fim “Farta” vergonha na cara do Prefeito e seus seguidores.
Mas farta bem menos coisas do que na grande maioria do Brasil…
responder este comentário denunciar abusoda próxima vez que passar por aqui te acompanho com prazer e faço uma fotos pra ilustrar mais ainda suas matérias !! parabéns pelo resumido, resumido de rio preto Ricardo Milani do site fotom.com.br
Li todos os comentários… Primeiro foram os comentários dos otimistas, aí apareceu um pessimista e junto formou-se um bando de seguidores. Meus queridos, já rodei esse Brasil e mundo como quase ninguém e lhes digo uma coisa, qual cidade que não tem seus problemas? São José do Rio Preto é a 5ª melhor cidade do Brasil, Ribeirão Preto é a 4ª e olha que Ribeirão tem 42 favelas, Rio Preto não tem. Mas enfim, São José do Rio Preto pode não ser um paraíso, mas me digam aí uma cidade com 412 mil habitantes para mais, que tenha menos problemas? Falem aí… vamos… quem sabe na Europa ou nos EUA né, mas no Brasil duvido.
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