
Vagas Estrelas da Ursa, de Luchino Visconti – Desculpe a covardia, mas não posso deixar de registrar que o filme de 1965 está de novo à venda nas locadoras; que comprei e revi. Não tem a suntuosidade operística do magistral O Leopardo (1963), mas é muito bom, de um tempo em que o cinema tinha sadias pretensões estéticas. Claudia Cardinale faz uma deliciosa mulher – agora peço desculpas pelo pleonasmo – com um passado poderoso com o irmão (Jean Sorel) que reencontra em Volterra. A cena em que se reveem, nas sombras de um jardim onde está o busto do pai morto no combate ao fascismo, é de uma ternura sexual única. Nunca temos certeza plena do ocorrido, mas, como em Dom Casmurro, nem precisamos ter. Ela resiste, ele se desespera. Mais que a narrativa, simples, o que importa é o modo como Visconti a conta, com ritmo e plasticidade que não nos distraem nem um segundo.

Valsa com Bashir, de Ari Folman – Se fosse apenas um documentário sobre um soldado israelense que reencontra os que lutaram a seu lado contra o Líbano, tentando entender o que aconteceu (na guerra as verdades são sempre retroativas), já seria muito bom. Contado na forma de um excelente desenho de animação, com algumas cenas em sépia no mar que não saem da nossa cabeça, fica ainda melhor. É como se não houvesse outro recurso para nos mergulhar na sensação de dúvida e inutilidade que ele sente, quando a realidade supera a fantasia.
O Segredo do Grão, de Abdel Kechiche – O filme tem várias passagens cansativas, com aquela verborragia da família que vive às margens do Mediterrâneo, e é como se o roteiro tenha sido pensado todo a partir da cena final, o que tira força do desenvolvimento da história até ali. Mas que final! O patriarca literalmente correndo atrás do sonho que não acredita que será realizado, enquanto a enteada prende os olhares dos clientes do restaurante na noite de inauguração, pode beirar o folhetinesco, mas é crível e tem força e ironia.
Ao Entardecer, de Lajos Koltai – Um baita elenco num cenário de Edward Hopper, mas uma decepção. A história do dramático amor dos anos 50, contada pela personagem de Vanessa Redgrave para as filhas (Natasha Richardson e Toni Collette, num time que inclui ainda Meryl Streep e Glenn Close), se dilui por uma direção em geral flácida, que, além da carência de atores masculinos do mesmo porte, não distingue cenas de ligação e definição – aqueles momentos em que o filme tem de crescer sem precisar exagerar música, contraluz, tempo e outros recursos.
Intrigas de Estado, de Kevin Macdonald – Outra boa história, com um ator extraordinário, Russell Crowe, coadjuvado por Helen Mirren, que não chega à altura do potencial. É dos poucos filmes que não glamurizam nem demonizam a figura do repórter; Crowe de fato parece um apurador da melhor escola que, apesar das boas frases contra o jornalismo google de celebridades, não comete o equívoco de descartar a ideia de que na internet também se pode fazer bom jornalismo. Mas o roteiro entrega tudo: desde a primeira cena em que vemos seu amigo (Ben Affleck, o inexpressivo) sabemos que o velho lobo da redação vai ter de colocar a verdade acima do afeto. De qualquer modo, eis uma boa lição para muitos jornalistas brasileiros.
Desonra, de Steve Jacobs – A adaptação do melhor livro de J.M. Coetzee sofre um mal banal no cinema, o de querer de alguma forma embutir mensagem de esperança numa história que não é nada senão trágica. John Malkovitch faz o professor que causa escândalo por suposto assédio a uma aluna negra e vai visitar a filha numa fazenda da África do Sul, onde descobre os horrores por que ela passa e, ainda por cima, se conforma em passar. Os momentos de tensão são bem conduzidos, mas no restante das cenas falta a melancolia seca que o enredo pede.
Crepúsculo, de Catherine Hardwicke – Minhas filhas que me perdoem, mas o filme não consegue ir além de uma história romântica juvenil no mundo dos vampiros, um tema que ciclicamente se torna moda popular. No primeiro filme da série que atualmente bate recordes com o segundo episódio, Lua Nova, toda a sugestão de sensualidade que existe no começo vai sendo diluída pelas lutas à la Harry Potter. Ao menos os vampiros vilões poderiam ser melhores, e a mocinha mais bonita.
Todo final de ano a Valéria Zukeran aparece com o questionário para a gente eleger os melhores do ano. Costumo responder rapidamente e devolver. Mas neste ano, Valéria, já vou avisando, devo esperar a data limite, 7/12. Já sei o que vou responder em muitos itens, até mesmo qual o melhor árbitro brasileiro da temporada (Vuaden, que pelo menos não cai no cai-cai dos jogadores), mas não sei ainda quem é o craque do Brasileirão e há uma pergunta que me tira o sono mais ainda: qual o jogador revelação do futebol brasileiro em 2009? Fotografei todos na minha Rolleyflex e não cheguei a nenhuma conclusão. Taison, do Inter, e Neymar, do Santos, foram os primeiros nomes que me ocorreram, mas os dois andaram amargando a reserva. E isso é sinal de que o futebol brasileiro não vive grande fase. Desde Robinho “pedala” e Nilmar “papaléguas”, ambos com 25 anos e disputando vaga titular na seleção, não se vê ninguém empolgar muito – nem mesmo Pato, que passa ótima fase no Milan.
Quando se discute se o campeonato está disputado porque nivelado por baixo ou porque aqui há maior número de clubes capazes de vencer, basta pensar nessa carência de novos talentos para ver que a primeira explicação é mais sensata. O jogador brasileiro ainda é muito procurado por sua técnica, e na atual geração há muitos que sabem combiná-la com a força física (Kaká e Maicon, por exemplo), mas convenhamos que já vivemos dias melhores. Quem tem brilhado nos gramados locais neste ano são veteranos como Ronaldo, Adriano, Petkovic ou até Jorge Wagner, para não mencionar momentos de Fred, Diego Souza e Diego Tardelli. A ideia de que o Brasil é um celeiro eterno de craques não bate com a realidade, tanto que os melhores dos campeonatos recentes foram um ótimo goleiro (Rogério) e um versátil volante (Hernanes). Nada contra os veteranos; ao contrário; eles salvaram o ano, especialmente os artilheiros, função que se dizia obsoleta… Mas cadê os novos Ronaldos, Rivaldos e Romários?
Outro fato que sustenta a tese de que o ziguezague no alto da tabela não vem da riqueza técnica é o comportamento das equipes da ponta. Ao contrário do que alguns sugerem, os times que ainda podem chegar ao G-4 são aqueles em que todo mundo apostava desde o início pela razoável qualidade e/ou continuidade do elenco. Apenas o Corinthians, que vendeu três bons jogadores no meio, e o Fluminense, que tem Conca e Fred e não merecia estar na zona do rebaixamento, não seguiram a previsão. (Por sinal, fala-se que o futebol não tem “lógica” quando se quer dizer que os resultados não são tão previsíveis quanto em outros esportes. Previsibilidade é uma coisa, lógica é outra.) Mas o que mais tem ditado a história deste campeonato são os tropeços, não os méritos. Nenhum time chegou a jogar o tal “futebol de campeão”.
Nelson Rodrigues falava do Sobrenatural de Almeida, o fator imponderável que pode interferir em muitos jogos. Mas quem tem dado as cartas nesta temporada é um parente seu, o Vacilão de Almeida, porque todos os times do topo vacilaram em momentos cruciais. O Palmeiras foi líder por mais da metade das partidas e, de repente, perdeu em meia-dúzia tudo que não tinha perdido até então. O Atlético-MG, sempre rondando, agora sofreu três derrotas seguidas. O São Paulo teve um arranque na chegada de Ricardo Gomes, muitos o viram rumo ao título, mas aí ele voltou a jogar mal. E, como se não bastasse, perdeu para o Botafogo, mas continuou líder porque o Flamengo titubeou diante do Goiás. Quem quer que seja o campeão, enfim, não terá convencido. Os torcedores seguram o ânimo com partidas emocionantes e lances isolados, mas nenhum deles é tolo o bastante para achar que nunca-antes-neste-país se viu nível tão alto.
(“Boleiros”)
Ah, claro, o Brasil vai mediar os confrontos no Oriente Médio, afinal aqui não há problemas étnicos, vivemos todos na mais santa democracia racial, e o Ahmadinejad vai dar ouvidos ao presidente Lula e respeitar os direitos humanos e mudar o programa nuclear iraniano, quem sabe até reconhecer a existência do Holocausto… Eis nossa brilhante e prestigiada política externa, que é capaz até de dar lição de moral à democracia italiana, já que são fascistas os que querem Cesare Battisti nas prisões do país onde ele cometeu os crimes.
Agora, sem ironia, você reparou como Ahmadinejad é baixinho? Menor ainda que Lula? De Napoleão a Kim Jong Il, passando por Hitler, Mussolini, Franco, Getúlio, Castello Branco, Salazar, Stalin, Pol Pot e tantos mais (Fidel Castro seria a exceção que confirma a regra?), até parece que quase todo governante autoritário precisa ter menos de 1m70. E a sociedade que fique abaixo.
“Que campeonato emocionante!” foi a frase mais repetida ontem nas transmissões dos jogos. De fato, confrontos como Botafogo 3 x 2 São Paulo e Flamengo 0 x 0 Goiás foram disputados, cheios de chances e alternativas, com bolas na trave, gols salvos no último segundo, sustos e surpresas. Mas, em termos de resultado, mais uma vez o rumo do campeonato é definido antes pelos tropeços alheios do que pelos acertos próprios. O São Paulo segue líder apesar da derrota, porque o Flamengo não fez o que lhe cabia, vencer no Maracanã com 80 mil torcedores. Em dia em que a precisão de Petkovic falha e Adriano é bem marcado (por Leandro Eusébio, em destaque), o time revela seus defeitos táticos, como a insistência em centralizar os avanços e a falta de uma pegada mais firme no meio (Maldonado desfalcou). Já o São Paulo, sem André Dias e Jean, principalmente, errou demais na marcação e viu o Botafogo usar a velocidade; Jobson fez dois belos gols usando esses espaços. A duas rodadas do final, apenas três pontos separam os quatro primeiros colocados: São Paulo, Flamengo, Inter e Palmeiras. Todos vacilaram em momentos-chave. Portanto, quem errar menos vencerá.
No futebol, “paulistinha” é outro nome para “tostão”, uma pancada na lateral da coxa que, mesmo sem muita força, dói para caramba. O cidadão paulistano leva “paulistinhas” o tempo todo, em especial do poder público. A mais recente é o projeto do prefeito Gilberto Kassab de aumentar o IPTU em até 40% para imóveis residenciais e 60% para comerciais. Alega que é para acompanhar a valorização deles, mas na cracolândia o aumento será muito maior que na avenida Paulista. E por que diachos o imposto tem de acompanhar súbita e exatamente a valorização? Não sofrer um confisco desses, tão acima da inflação, é o direito prioritário do contribuinte. Na realidade, o objetivo é arrecadar mais R$ 744 milhões no ano que vem, assim como o governo Lula quer recriar a CPMF com o nome de CSS, afinal a economia passou por marolinha… O assunto nada tem de paroquial: reflete a mentalidade brasileira de que a sociedade deve servir ao Estado, não o contrário. A máquina pública não pode perder jamais.
No caso de São Paulo, uma cidade que deveria lutar para mostrar que as vantagens do desenvolvimento (geração de empregos, vitalidade cultural, liberdades individuais) são maiores que as desvantagens (trânsito lento, custo de vida, desgaste físico), essa máquina tem particularidades. Para não ir mais atrás, a nomes como Adhemar de Barros, eu diria que seus piores exemplos se exprimiram em alcaides como Jânio Quadros e Paulo Maluf. Jânio era o prefeito-bedel, que acha que deve não apenas cuidar da administração, mas sobretudo do estado moral da cidade, com aparições corretivas, de dedo em riste. Maluf era o prefeito-empreiteiro, que se vendia por meio de obras tão vistosas quanto superfaturadas (“rouba mas faz”), incluindo iniciativas “sociais” como Projeto Cingapura e Leve Leite. Esse “janufismo” está de tal modo impregnado em São Paulo que até supostos opositores como Martaxa Suplicy o praticaram com poucas diferenças. E Gilberto Kassab, com respaldo do governador José Serra, é mais um de seus herdeiros.
O aspecto bedel se manifestou algumas vezes de forma explícita, como no esbregue que deu num coitado num posto de saúde, no fechamento de boates de prostituição, no apagamento do mural de osgemeos perto do Minhocão. (Hoje a prefeitura acordou para a explosão dos grafites paulistanos e consta que até prepara um guia para visitantes.) Mas ele também aparece na radicalidade de algumas medidas que, em princípio, são benéficas. Desse ponto de vista, não basta, por exemplo, proibir fumo em lugares públicos; é preciso extinguir os fumódromos das empresas. Não basta fiscalizar e punir os que dirigem alcoolizados; é preciso impor uma lei que não tolera nem sequer dois chopps no sangue e impor ao cidadão que se submeta ao bafômetro. E não basta organizar a linguagem visual da cidade, coibindo excessos; é preciso eliminar todos e quaisquer outdoors, como se não fossem uma forma interessante de linguagem urbana.
A segurança, no entanto, dispensa explicações, embora os tucanos sempre exaltem a queda no número total de homicídios, que tem muito a ver com operações localizadas em regiões antes muito violentas como Diadema. A criminalidade da cracolândia, como se sabe, foi empurrada para outros bairros, como Santa Cecília e Higienópolis. Moro neste e não passo dois dias sem saber de algum furto de celular, bolsa, loja e/ou prédio nos arredores, mesmo que os guardas particulares com seus guarda-sóis tenham se multiplicado pelas ruas. Fui assaltado com arma à luz das 10 horas na Paulista e tenho vários colegas que tiveram o vidro do carro arrebentado em cruzamentos que todos sabem quais são. Agora imagine o que é viver num bairro abandonado, sem estrutura e sem dinheiro para pagar o que o Estado não provê.
Quanto ao aspecto empreiteiro, primeiro é preciso dizer que ninguém sadio deixa de comemorar novas linhas de metrô integradas com ferrovias, desassoreamento do rio Tietê, rodoanel e reformas da Luz e do Largo da Batata, para citar obras em curso, ou da Praça das Artes (entre São João e Anhangabaú), a caminho. Há problemas nelas, por sinal: muitos trechos locais do Tietê ainda têm 0% de oxigênio; obras no metrô e no rodoanel causaram acidentes sérios e ainda por ser punidos; as reformas não podem se bastar na montagem de equipamentos culturais. Mas o que predomina ainda é o pensamento que dá preferência ao automóvel. As obras da marginal, por exemplo, seguem a toque de caixa eleitoral, sem respeito nenhum pelo pedestre e pela vegetação (que só voltam depois de prontas), e o trânsito está cada vez pior, com ruas esburacadas, sujas e escuras (e custa muito iluminar os pontos de ônibus?). Há inúmeros problemas de fluência, como corredores que terminam em X, avenidas que não têm conexão direta com outras, semáforos inteligentes desligados, falta de informação nas bifurcações importantes (como os cronômetros regressivos e os painéis luminosos que antecipam congestionamentos). Vamos ter de chamar os chineses?
Mais importante ainda, a cidade carece de uma reflexão mais estratégica. Daqui da redação vemos que a Barra Funda, no outro lado do rio, cresce rapidamente, desde a inauguração do “fórum do Lalau” (boa arquitetura de Décio Tozzi): há pelo menos uma dúzia de prédios em ascensão. Qualquer pessoa percebe, portanto, que alternativas à marginal – ainda que tão descontínuas –, como a Marquês de São Vicente, em breve deixarão de ser. Mais gente por rua significa mais trânsito, até porque muitos espaços coletivos são construídos sem o devido tamanho de estacionamento. Uma tendência boa se converte, assim, em fonte de problemas. Essa reflexão estratégica, comum em metrópoles como Paris ou Barcelona, valeria também para recuperar bairros que perderam identidade, como Bixiga (que poderia ter sido uma pequena Broadway, com outdoors e tudo), ou endossar movimentos que o mercado cria em outros, como Vila Hamburguesa (onde produtoras audiovisuais e agências de publicidade formam o que poderia ser um “media district”) – tudo com participação de instituições e empresas. Mas no Brasil, como se sabe, o progresso é quase sempre para poucos.
(“Sinopse“)
Mente quem diz que é humano amar o belo.
Que espécie de amor é esse feito de inveja?
Afinal, a beleza fascina até os fascistas
Que dela se vingam tentando uniformizá-la.
Por trás dos olhos da multidão que brilham
Há sempre o desejo secreto de escuridão
E a cada aplauso da plateia mais alto ressoa
Rumor do ressentimento contra a harmonia.
Em cada constatação de como ela é linda
Subsiste, constante, a esperança de que decaia.
Em cada apelo desesperado por devorar,
A fome inextinguível de que não sobreviva.
A beleza, porém, se sabe difícil desde cedo
E aos poucos aprende que tem mil faces,
Pois também lhe é inerente a companhia
Da elegância, do charme e da delicadeza,
De todos os requintes da sensibilidade.
E isso dói ainda mais. E reagem os não belos
– E especialmente os que são só superfície –
Porque não toleram que a beleza tenha fundo,
Que não seja apenas rima para iludir os tolos.
Armam, então, conspiração quase universal
E atacam os que se recusam a se vulgarizar
– E as mulheres belas e talentosas e perspicazes,
Que se tornam donas de seu poder sensual,
São o alvo maior desse combate disfarçado.
Os brutos exigem que a beleza vista máscara,
Esquecendo que à linda mulher basta ser
– Mesmo que bastar ser seja tão complexo.
Assim, da aparente fragilidade e fugacidade,
O que é belo extrai a força para ser eterno.
Eis a vitória da derrota, eis o peso da leveza,
Eis o paradoxo que mais irrita este mundo feio.
Por ser tão amada e odiada, só a beleza vinga.

Escute aqui comentário sobre Roberto Bolaño e seu livro Estrela Distante.
O modernismo nos fez pensar que tudo que veio antes foi desinteressante, em especial nos países ditos periféricos que passaram ao largo dos grandes momentos de afirmação da arte européia. E realmente no Brasil a mentalidade das “belas artes” dominava até 1917, com artistas incapazes de ir além de um subproduto quase paródico de estilos como o romântico e o impressionista. Mas havia pintores tecnicamente muito competentes, como Eliseu Visconti, e analisando quadros do nosso “fin-de-siècle” me dou conta de que nossa imagem sobre eles não bate com a significativa sensualidade dos que reproduzo abaixo, ainda mais se pensarmos que a literatura do mesmo período não ousava ser tão explícita.
A conhecida Moema de Meirelles é muito atraente, por exemplo, em sua mistura de formas classicamente perfeitas e de sugestão romanticamente onírica:

E o que dizer desta modelo de Almeida Júnior ao piano, descontraída, com costas que Ingres pintaria?

Este de Amoedo também é bonito, pelo japonismo de sua decoração e pela coragem de seu erotismo:

Aqui, em Belmiro, a mulher se despetala em lágrimas, qual a rosa ao chão, e o homem segue indiferente; mesmo assim, é ela que, vestida, domina nosso olhar:

E culminamos em Visconti, que pintou ninfetas e sabia ser sensual mesmo quando não retratava nus – e chegou a este patamar:

Não eram sensuais os nossos clássicos?
Perder do Grêmio no Olímpico não é o problema; ninguém o venceu lá nesta temporada. E no primeiro tempo o Palmeiras ainda criou algumas chances, com Diego Souza querendo mostrar serviço contra o ex-time. Mas perder depois de ter dois jogadores expulsos por briga a caminho do intervalo, indicando de novo o estado de nervos do clube dirigido por Belluzzo, é péssimo. Nos dois gols, Maxi López mostrou muita garra e certa habilidade e a defesa não soube fazer nada. O ataque, porém, também fez pouco, ainda que tanta gente tenha acreditado em Obina um dia. Agora o Palmeiras vai lutar para ficar no G-4…
E “la main de Dieux”? Henry meteu claramente a mão na bola no lance em que a França tirou da Irlanda a vaga para a Copa. Há muito tempo defendo auxiliares na linha de fundo, e neste ano a Copa da Uefa já vem adotando a medida com sucesso. Um monitor na frente do quarto árbitro também tiraria toda e qualquer dúvida e permitiria que o gol fosse anulado. Por que a Fifa não se renova? E por que não tomar uma medida pontual, como até mesmo remarcar o jogo?
Três homenagens a um tempo em que letras de canção deveriam celebrar a vida com espirituosidade, misturando o simples e o sofisticado – tal como Johnny Mercer (1909-76) fazia:
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006