Ainda é muito cedo para saber exatamente o que se passou no caso do assassinato e esquartejamento do empresário Marcos Kitano Matsunaga. Não é por acaso, no entanto, que já se fala nos casos extraconjugais que ele teria e também na apólice de seguros que beneficiaria a viúva: homicídios, quando envolvendo pessoas comuns, frequentemente são motivados por paixões; e sabemos muito bem que sexo e dinheiro figuram entre os principais objetos da paixão humana.
A viúva Elize Matsunaga disse que atirou no marido após ser agredida numa discussão, o que é compatível com um ato cometido no calor da hora, mobilizado pela emoção. Mas ao mesmo tempo parece ter havido alguma preparação, dado o aparentemente planejamento prévio do esquartejamento e sumiço do corpo.
Isso não é necessariamente uma contradição: embora o crime passional seja mais frequentemente associado atos realizados num arroubo de raiva, o planejamento não impede que se trate sim de um crime movido por paixão – por isso chamado passional. Estados afetivos muito intensos, dificultando a correta avaliação do comportamento, são chamados de catatimia, que significa “em acordo com as emoções”. Nesses casos a intensidade dos afetos da pessoa é de tal monta que pode distorcer o raciocínio, os pensamentos, levando eventualmente ao que o psiquiatra alemão Fredric Wertham chamou de “crise catatímica”. Não que o estado emocional por si só leve ao ato criminoso, mas emoções muito intensas geram ideias distorcidas, medo ou tensão crescentes, até dar lugar à tal crise, quando o balanço entre lógica e afetividade fica perturbado e a pessoa conclui que o ato violento é a única saída. Normalmente ela consegue adiar o ato por um tempo, mas chega o ponto em que o conflito se torna insuportável e o crime finalmente ocorre.
Para a lei, no entanto, esse estado não pode ser invocado como superior à capacidade racional do indivíduo. No Código Penal brasileiro consta, no artigo 28, que “Não excluem a imputabilidade penal: I – a emoção ou a paixão”. Ou seja: mesmo que motivada por estados afetivos intensos, como ocorre na catatimia, a pessoa continua sendo responsável por seus atos, uma vez que não teve um prejuízo real e global em sua racionalidade.
Assim, como o que define o ser humano – ao menos até hoje – é ser um animal racional, a opção da lei é somente excluir a pena quando ao criminoso falta o discernimento ou autocontrole em virtude de doença mental. O crime passional, portanto, muitas vezes invocado como justificativa para atos extremos, não isenta as pessoas de sua responsabilidade, pois estar “louco de amor” é bem diferente de estar mentalmente doente.
Nem louca de amor nem mentalmente doente. O que a levou a matar, segundo ela mesma, foi a possibilidade de perder a guarda da filha. O que levaria a isto? As investigações continuam. Não acredito que dê mesmo para levar em conta, como se fossem todos fatos reais, o que ela falou à polícia até agora. O que se pode formular, por enquanto, são hipóteses. É cedo.
Escolheu por paixão ( melhor seria sexo ), não analisou a família, levou a pior – morte!
Obrigada!
O pensamento ignorante leva a conclusão ignorante, é tudo bem simples.
Ler e querer entender leva a humanidade a compreender.
Isso implica, todos nós podemos entender que uma mente desiquilibrada leva qualquer um a cometer atos no calor da ignorância. Ensinar uma pessoa a perceber seus próprios sentimenstos pode salvar vidas.
Parto do principio de que, ” quem ama não mata “, acredito piamente nas escrituras sagradas, onde existem muitos textos relatados para o nosso crescimento diário, onde um dêstes textos, Jesus Cristo diz : ” não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”
se queremos ter uma vida plena,saudável e absoluta, precisamos abrir a porta do nosso coração e pedir para que Jesus Cristo faça morada em nós, aí sim, passaremos a amar a Deus sôbre todas as coisas e a amar o nosso próximo como a nós mesmos.é incrível, sugiro a todos que leiam a Bíblia Sagrada e entenderão as saídas pra vida. abs…
De passagem pelo site do Estadão vejo seu blog em destaque,acredito que muita gente já esperava a explicação de um psiquiatra para o crime da Elize,como fazem os jornais e TVs da França.É sempre esclarecedor se saber a opinião dos especialistas e até existe uma profissão de psiquiatra-criminólogo,pelo menos na Europa,onde acontecem crimes bárbaros e a população fica amedrontada,meio paranóica.
Na minha opinião de leiga,a jovem mãe quis em primeiro lugar “salvar” a filha quase bebê,frágil.Ela se viu no lugar de uma heroína (até no cinema há exemplos,como o filme Kramer x Kramer),e de fato não devia sentir amor nenhum pelo marido.Ele por sua vez foi aparentemente interesseiro,tanto quanto ela,porque casou pra ter um filho e dele dispor como “moeda de troca” e não pra ter uma família,pelo menos uma família tradicional.Pelo que disseram na mídia,sua paixão eram as armas e a sensação de perigo.Por ironia,acabou sendo vítima de seu estilo de vida,aventureiro,extremista.É uma tragédia a história de ambos,poderia servir de inspiração pra um romancista ou cineasta.Penso em outros casais que correm o mesmo risco,eu sempre digo que casamento não é brincadeira,as pessoas não deviam estar se unindo de modo leviano,sem pensar nas consequências.As vezes é melhor se viver sozinho(a) do que procurar companhia quando não se tem certeza do que se quer,quando as ambições são mais fortes do que o sentimento de afeto.É melhor “ralar” a vida toda pra se conseguir o que deseja do que acreditar na facilidade dos relacionamentos ilusórios e…de certa maneira perigosos.
Agora com esse drama,espero que as famílias se unam pro bem da criança,evitando mais traumas pra ela.Os inocentes não devem pagar pelos pais.
Mas é meu pensamento de leiga,como já disse.
O crime passional não isenta sua responsabilidade, entretanto ameniza e muito a pena.
O crime em si pode ter acontecido no calor da discussão, agora o esquartejamento do corpo e a maneira como essa senhora queria se livrar do corpo da vítima me dá a entender que ela é extremamente fria e a pensar na hipótese também de planejamento da morte do executivo, pois a mesma dispensou sua funcionária horas antes de matar o empresário. Enfim, nada justifica brutal crime com requintes diabólicos a não ser que a mesma seja doente mental o que não me parece.
Misericórdia! MISÉRICORDIA! DEUS TENHA COMPAIXÃO DO CIDADÃO COMUM EXPOSTO A TODOS OS TIPOS DE VIOLÊNCIA.AINDA DIZEM QUE A VELHA EUROPA ESTÁ EM CRISE.NÓS ETERNAMENTE EM CRISE,DE RESPEITO A INTEGRIDADE FÍSICA DO OUTRO.DEUS TENHA COMPAIXÃO DE NÓS SIMPLES MORTAIS,PROTEJA A FAMÍLIA BRASILEIRA..
Este tipo de crime – mesmo amenizando a pela – é hediondo e parece ter sido motivado pela indiferença do marido, vez que foi praticado com requinte de crueldade.
Daniel, vc é o profissional que admiro muito, seus comentários sao sempre muito bem baseados cientificamente, parabéns pela competência e pelo talento como escritor.
Eu li uma determinada obra de uma escritora famosa, sobre psicopatia, e fiquei um pouco chocada porque a obra confunde o leitor, fazendo com que se “desconfie” de qualquer pessoa como sendo um psicopata. Acho isso errado, nao podemos diagnosticar pessoas, como tal livro de certa forma sugere que façamos. Além do mais, percebi que elencar alguns comportamentos nao é suficiente para dizermos “fulano é psicopata”. Infelizmente, vemos muito isso hj em dia… as pessoas falam “fulano é bipolar”, sem saber que na verdade a bipolaridade é uma grave doença e nao apenas uma variação de humor que pode ser comum a qualquer pessoa em diversos momentos da vida.
Vc é o escritor que melhor aborda e explica os temas, sem clichês, sem manuais bobos e rasos para o leitor diagnosticar as pessoas em sua volta … Parabéns!!!
Acho que seria interessante algum artigo sobre o comportamento do empresário com as prostitutas. Essa obsessão possessiva, a ponto de romper um casamento para ficar com uma delas e, em seguida, manter outras como amantes, oferecendo presentes e quantias em dinheiro em troca de exclusividade. Ao mesmo tempo, como isso pode ter afetado o comportamento da Elize, isto é, qual significado poderia ter, para uma ex-prostituta, ser traída com outras profissionais, e em que medida isso pode ter levado à tal “crise catatímica”.
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