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Daniel Martins de Barros

21.dezembro.2011 11:25:03

Chaminé vs. Manjedoura – a psicologia de um Feliz Natal

Nem vou tentar fugir do tema natalino. Eu gosto de ritos, pessoalmente e profissionalmente, e o Natal tem tanta importância na nossa sociedade que vale a pena pensar um pouco sobre ele.

Duvido que você não se enquadre em pelo menos uma (senão em todas) as seguintes categorias, já que pesquisas indicam que existem sete principais atividades e experiências natalinas: 1) Passar tempo com a família; 2) Participar de atividades religiosas; 3) Manter tradições da época; 4) Gastar dinheiro com as pessoas comprando presentes; 5) Receber presentes das pessoas; 6) Ajudar os necessitados; 7) Desfrutar os prazeres da época, como as comidas típicas. Bateu?

Mas no meio da ambiguidade desse período, quando nós nos esforçamos para finalizar logo coisas que não queremos deixar para o ano seguinte ao mesmo tempo em que tentamos empurrar para o ano que vem aquilo que não queremos resolver já, é possível ter um Natal agradável.

Estudando quais dessas atividades apresentam maiores correlações com sentimentos positivos, sentimentos negativos, estresse e bem-estar geral, confirma-se o que o bom senso por si só já nos indica: são fatores associados ao bem-estar nessa época o envolvimento com a família e as atividades religiosas. Quem se preocupa principalmente com presentes tem menos bem-estar e mais sentimentos negativos, tanto faz se o foco é dar ou receber presentes. Já se concentrar nas tradições, banquetes ou voluntariado não demonstra alterar significativamente os estados emocionais natalinos.

Celebrar a possibilidade de um mundo melhor, a começar por nossas famílias, é, acredito, o sentido do Natal. O título do post vem lembrar que o Papai Noel não deve tomar o lugar de Jesus mesmo para os não cristãos: até mesmo cientistas ateus convictos frequentam atividades religiosas, por motivos semelhantes aos que trazem alegria ao Natal – pela família e pela inserção numa comunidade, ainda que mantendo o ceticismo.

Assim, mesmo para quem não comemora o nascimento de Cristo, fico à vontade para desejar um Feliz Natal.

ResearchBlogging.org
Kasser, T., & Sheldon, K. (2002). WHAT MAKES FOR A MERRY CHRISTMAS? Journal of Happiness Studies, 3 (4), 313-329 DOI: 10.1023/A:1021516410457
Ecklund, E., & Lee, K. (2011). Atheists and Agnostics Negotiate Religion and Family Journal for the Scientific Study of Religion, 50 (4), 728-743 DOI: 10.1111/j.1468-5906.2011.01604.x

comentários (2) | comente

2 Comentários Comente também
  • 26/12/2011 - 14:25
    Enviado por: Dany

    Eu acho todo fim de ano muito triste.Felizmente vejo alegria no rosto de algumas pessoas e me animo um pouco.Toda essa correria,gente querendo trocar presentes,falsos amigos nos desejando “boas festas”,ingresso caro pra se ver um presépio em tamanho natural e poder fotografar a proeza dos decoradores,tudo isso me enjoa,me faz pensar que Jesus nem nasceu nessa data que os cristãos comemoram sem questionar a veracidade do 25 de dezembro quando Jesus pode ter nascido até antes do inverno na Judéia,que é uma invenção surgida no começo do cristianismo,porque em nenhuma parte da bíblia ela se encontra, e que o papai Noel é injusto com as crianças pobres…Finalmente,pra que serve todo ano a mesma festa?
    Quando vejo o sorriso de qualquer criança diante de uma vitrine,encantada – vale a pena ver em Paris as vitrines das grandes lojas – somente assim é que sinto o espírito natalino,o que significa lucro pro comércio e desespero pra muitos pais.
    Mesmo assim sou generosa e desejo a todos feliz ano novo.

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  • Quem faz

    Quem faz

    Daniel de Barros

    Daniel de Barros é psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPq-HC), onde atua como coordenador médico do Núcleo de Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica (Nufor). Doutor em ciências e bacharel em filosofia, ambos pela USP.

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