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Curiocidade

14.junho.2012 22:53:17

UFC virou uma brincadeira de criança?

A febre do UFC, o campeonato de MMA (sigla para “artes marciais mistas”) mais famoso do mundo, tem invadido também a vida das crianças. Estão disponíveis desde agosto de 2011 em lojas de brinquedos de todo o país uma linha de produtos da fabricante DTC Toys com a temática UFC, indicada para crianças maiores de 8 anos.

Espalham-se pelas prateleiras bonecos de oito diferentes lutadores – entre eles, os brasileiros Anderson Silva e Thiago Alves –, um octógono (o ringue onde acontecem as lutas de MMA) e um cinturão ajustável (para ser usado pela própria criança). Os bonecos são superarticulados, permitindo que a criança simule os golpes oficiais da luta durante a brincadeira. Todos eles são bem realistas: têm cara de mau e exibem tatuagens no corpo e patrocinadores no calção.

Bonecos da linha UFC

Octógono da linha UFC

Cinturão da linha UFC

Apesar de os bonecos terem sido projetados para as crianças, Kelly Costa, assistente comercial da DTC Toys, afirma  que a maioria das vendas é destinada aos fãs mais velhos: “Grande parte das ligações que recebemos é de colecionadores adultos querendo saber onde encontrar os bonecos”. Procurados pelo Blog do Curiocidade, atendentes das lojas de brinquedo B-Mart, Ri-Happy e PB Kids desmentiram essa versão. Afirmaram que a maior procura vem do público infantil na faixa dos 6 aos 10 anos de idade.

As embalagens dos produtos não exibem nenhum tipo de alerta contra a violência que a brincadeira poderia incitar nas crianças, e a DTC Toys não parece preocupar-se com a questão. “Nunca recebemos reclamações de pais ou educadores, pois nossos brinquedos valorizam a atividade esportiva, e não a violência”, justifica Kelly.

Não é de hoje que crianças crescem brincando de brigar. Marie Claire Sekkel, professora docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), explica que as crianças não costumam confundir brincadeira com realidade. “Brincar de luta faz parte do aprendizado da criança e de seu entendimento do mundo exterior”, explica. A psicóloga, no entanto, faz um alerta em relação às tendências modernas dos brinquedos no mercado: “Hoje em dia, a máscara imaginária, que deveria partir da brincadeira em si, já vem acoplada ao brinquedo”. Isso porque os produtos são fabricados com características embutidas – bonecos fantasiados de médicos, bailarinas, lutadores –, travando a capacidade imaginativa das crianças, que é justamente o que, por meio de brincadeiras, as leva a um melhor entendimento da realidade. “Os bonecos da linha UFC, por exemplo, não precisavam ser tão expressivos – isso deveria partir do imaginário da criança durante a brincadeira”, sugere Marie Claire.

Boneco do lutador Wanderlei Silva

(com colaboração de Júlia Bezerra)

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