Criar miniaturas dos monumentos históricos de São Paulo, como faz Maria Clara Fragoso, é um trabalho minucioso. “Faço paredinha por paredinha, tento reproduzir os mínimos detalhes”, afirma a artesã. Desde 1977, Maria Clara produz pequenas réplicas em cerâmica de prédios importantes da cidade, como o Mosteiro de São Bento, a Catedral da Sé e o Pátio do Colégio.
A ex-professora de Educação Física ainda guarda a primeira miniatura que elaborou: um Mosteiro de São Bento com cerca de 7 cm de altura e 10 cm de comprimento. Ela fez a escultura a partir de um cartão postal que mostrava como era a região antigamente. Desde então, Maria Clara estima ter construído cerca de 200 réplicas.
Obra arquitetônica mais pedida, a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, cuja sede já foi um convento franciscano, pode ser encomendada com ou sem as famosas arcadas frontais. “Muitos advogados me procuram para reproduzir o prédio onde estudaram”, afirma Maria Clara.
Para criar parte das imagens, a artesã se inspira em cartões postais antigos, livros de História e aquarelas de José Wasth Rodrigues, artista que se especializou em representar o Brasil colonial. Como, antes de ir ao forno, as pequenas obras precisam secar, Maria Clara vira refém do clima. Em épocas frias, as peças podem demorar até vinte dias para ficarem prontas.
Serviço:
2258-1947
(Com colaboração de Míriam Castro e foto de Tiago Queiroz/AE)
O Museu Paulista (USP) lançou esta semana uma ferramenta eletrônica inédita entre os museus do Brasil: um hotsite interativo que expõe detalhes de uma peça de seu acervo e de uma réplica feita dela. Essa, aliás, é outra experiência inédita. Pesquisadores do museu fizeram uma réplica de uma peça de roupa do final do século 19, que está tão desgastada que sequer pode ser exposta. É um vestido preto que pertenceu a Anna Carolina de Mello Oliveira Arruda Botelho, a Condessa do Pinhal.
Segundo Teresa Cristina Toledo de Paula, que é conservadora de têxteis do Museu Paulista e coordenadora do trabalho, já foram produzidas replicagens de figurinos no país, mas nenhuma parecida com a que foi feita do vestido da condessa. “Nós nos preocupamos em fazer a roupa exatamente no mesmo padrão, com a mesma modelagem”, afirma.
O trabalhou começou em 2009. A ideia surgiu depois que descendentes da condessa pediram a peça original emprestada para expô-la na Casa do Pinhal, em São Carlos (SP) – fazenda onde a dona do vestido viveu. “A roupa original está muito frágil; o tecido, quebradiço, sem condições de ser exposto – nem no próprio Museu Paulista”, conta Teresa. A solução encontrada foi a produção de uma réplica-documento.
A produção do vestido
O processo demorou 15 meses. Começou com uma pesquisa histórica sobre a técnica de modelagem utilizada na peça original. Então, foi feito um protótipo na cor branca. “O preto é uma cor difícil de trabalhar, porque não dá para enxergar a costura e os bordados”, explica Teresa.
Depois, foi iniciada a etapa de construção do manequim e da silhueta da condessa. Mas os manequins encomendados não eram parecidos com o corpo da dona do vestido (os ombros tinham inclinação diferente e os bustos eram grandes demais). A solução foi consultar imagens de vestidos parecidos e fotografias da condessa.
Mas a maior dificuldade, segundo Teresa, foi com o tecido. O problema eram as pequenas formas ovais do tecido de lã natural. “Tecido de lã não se usa mais hoje. Tentamos fazer no tear, mas também não deu certo”, conta ela. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) fez uma análise e descobriu que o efeito havia sido conseguido através de uma técnica conhecida como Moiré. No entanto, não houve tempo para que a equipe do museu reproduzisse o tecido. Eles encontraram um tecido italiano muito semelhante à venda na cidade de Nova York. No entanto, ele era liso, sem o padrão das figuras ovais. Como o prazo era curto, foi usado assim mesmo.
A réplica do vestido já foi entregue aos descendentes da condessa e ficará exposta na Casa do Pinhal (que está ainda em fase de restauração). O site permite ver a peça em 3 dimensões (menu rotacionar). Também é possível aproximar as imagens com a ferramenta de zoom para conferir os detalhes (menu zoom). “A ideia surgiu dos sites que vendem automóveis, em que a pessoa pode ver todo o carro, por dentro e por fora”, diz ela. “Queríamos encontrar uma forma de fazer com que todos pudessem ver de perto, mesmo sem ir até a Casa do Pinhal”.
(Com colaboração de Karina Trevizan e imagens reproduzidas do site Projeto Replicar)
A Universidade de São Paulo está recrutando pessoas para participar do projeto “Conforto e Design de Cabine”, que fará uma série de testes de conforto em aviões. Conforto?! Onde? A pedido da Embraer, o estudo tem como objetivo determinar quais são as melhores condições de temperatura, pressão, ruído, iluminação, vibração e umidade nas cabines dos passageiros. Também será avaliado o espaço para os passageiros, levando em conta o tamanho das poltronas e a distância entre elas (um absurdo a ganância das empresas!). O coordenador do programa é Jurandir Yanagihara, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Poli. Segundo ele, nunca foi feito uma pesquisa parecida em todo o Hemisfério Sul. “O conforto vai passar a ser prioritário nos projetos de aviões, ao lado da segurança e do custo de operação”, explica Yanagihara. “A ideia é que a cabine do passageiro passe a ser um diferencial”.

Foto: JF Diorio / AE
Para realizar este estudo foi construída dentro da Poli uma estrutura que simula uma cabine de avião da série 170/190. É o segundo equipamento desse tipo no mundo – o primeiro foi construído na Alemanha. O simulador tem 15 metros de comprimento por 4,5 metros de diâmetro. Conta com sistema de ventilação, ar condicionado, ruído e vibração idênticos ao de um avião de verdade. Toda essa estrutura fica dentro de um vaso de pressão, como explica Yanagihara. “É possível despressurizar para que as pessoas possam ter exatamente a mesma sensação que se tem dentro de um avião”. Todas as situações que um passageiro encontraria em voo serão simuladas. Depois, os participantes preencherão questionários informando em quais condições se sentiram mais confortáveis. A expectativa é que o projeto tenha a participação de 600 voluntários. Para participar, é necessário se inscrever no site do projeto. Os participantes receberão uma ajuda de custo que pode variar de R$ 30 a R$ 100, dependendo da duração do teste.
(Com colaboração de Karina Trevizan)
O prédio do Museu de Zoologia da USP foi o primeiro na Cidade a ser construído especialmente para abrigar um museu, em 1940. Desde então, sofreu apenas pequenos reparos. Agora, o local se prepara para sua primeira grande reforma. O projeto, que tem custo de R$ 4,5 milhões, será bancado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Haverá uma restauração em uma área do piso térreo, e também nas redes de eletricidade e de informática, além a implantação de um sistema contra incêndios. O museu trocará os armários comuns por modelos compactadores (que se movem na horizontal para ganhar espaço). “Temos coleções que cresceram muito, precisamos de espaço”, diz Hussam Zaher, diretor do Museu. “Só a nossa biblioteca tem 60 mil volumes”. Serão 13 armários no total, que vão armazenar os acervos de mamíferos, moluscos, répteis, parte da coleção de insetos e todo o acervo da biblioteca.
As obras estão para ser iniciadas e devem terminar apenas no final do ano. Durante os meses em que o museu ficará fechado para reforma, parte do acervo será exibida na Estação Ciência, na Lapa. “Vamos montar lá uma exposição sobre biodiversidade, com animais de todos os grupos”, diz Maria Isabel Landim, professora da Divisão de Difusão Cultural do Museu de Zoologia. A parceria faz parte de um projeto de intercâmbio de divulgação cientítica promovido pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária. “Em vez de encaixotar as nossas exposições, estamos aproveitando o momento da reforma”, diz Zaher. Maria Isabel conta que, quando o acervo voltar ao prédio do Ipiranga, pretende aproveitar para modificar a exposição permanente. “Ainda estamos iniciando as pesquisas, mas o que eu posso adiantar é que pretendemos mostrar mais bichos. O público pede mais diversidade”, afirma.
A volta do Museu de Zoologia para o prédio reformado do Ipiranga tem prazo de validade. O museu faz parte do projeto da Praça dos Museus da USP. A praça deve ser inaugurada em 2013 e o Museu de Zoologia irá para a Cidade Universitária. Ocupará um prédio com 14 mil metros quadrados – duas vezes mais que o espaço atual. O atual prédio será destinado à ampliação do vizinho Museu Paulista da USP, também conhecido como Museu do Ipiranga.
(com colaboração de Karina Trevizan)
2013
2012
2011