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O Mercado Municipal da Cantareira recebeu hoje à tarde uma turma muito especial: os 10 alunos do curso de avaliação olfativa da Fundação Dorina Nowill e a professora Renata Ashcar. Eles analisaram cheiros de frutas, cafés, carnes e especiarias. O grupo passou também por uma floricultura no Largo do Arouche, região central da cidade.

A professora Renata (ao centro) com os alunos do curso de avaliação olfativa

O curso de avaliação olfativa irá  formar profissionais para as indústrias de perfumaria.  A aula na floricultura e no Mercadão serviu para apresentação dos ingredientes de perfumes em seu estado natural. Segundo a professora Renata, em uma aula de laboratório, os alunos chegam a sentir o cheiro de 40 ingredientes diferentes. “No laboratório, eles têm contato com os ingredientes líquidos”, explica. “No Mercadão, podemos usar olfato, tato e paladar. Os alunos podem cheirar a matéria-prima real.  É um lugar onde a gente encontra de tudo, e muitos desses produtos fazem parte da paleta de ingredientes da perfumaria, como os diversos tipos de pimenta.”

Os alunos já conheciam boa parte dos aromas que sentiram durante o passeio, pois tiveram contato com essências no laboratório da fundação. Bruna de Freitas Aguilar, 29 anos, e Milena Bragaglia, 32, logo reconheceram a flor que estava na entrada da floricultura. “É uma rosa, está dando para sentir daqui”, disse Bruna. “E é bem grande”, concordou Milena, segurando uma das flores nas mãos. A professora Renata apanhou uma tuberosa. “Lembram que a gente falou sobre essa flor nas aulas?”, perguntou. “Agora podem pegar. Essa é branca, muito usada em perfumes femininos”. A segunda flor foi um lírio, reconhecido imediatamente pela aluna Luiza Antonia, 18 anos. “Ah, esse eu já conhecia”, comemorou. “É o cheiro da casa da minha avó.”

Os alunos deixaram a floricultura empolgados com a experiência e foram para o Mercadão.  “Poucas flores do Brasil são usadas na perfumaria, ao contrário de  frutas e especiarias brasileiras”.  Renata começou a experiência com a tangerina do tipo decopon. “Os cítricos são muito usados na perfumaria”, avisou. Os alunos degustaram alguns pedaços e passaram alguns minutos cheirando a casca. Depois, eles puderam pegar frutas inteiras para sentir a textura. A aluna Maria de Neruda foi uma das mais espantadas. “Gente, que tangerina é essa?!”, perguntou. “Enorme, né?”, respondeu Renata. Para todas as frutas, a professora explicava quais eram os usos mais comuns na perfumaria. Os alunos também experimentaram ameixa dinossauro, pêssego, sapoti, cupuaçu, nashi, figo, pitaia e morango. Mas nenhuma fruta fez tanto sucesso quanto o abacaxi vermelho. Logo quando foi cortado, o cheiro se espalhou. “Estou sentindo daqui”, disse Felipe, a cerca de 1,5 m da fruta. Depois de comer um pedaço, a aluna Lilia Lima, de 39 anos, se lembrou que conhecia o sabor.  “Já tinha comido, mas ninguém nunca me disse que era vermelho.”

Em seguida, os alunos foram conhecer as bancas de temperos e especiarias. Sentiram vários tipos de pimenta, além de noz moscada e cardamomo. “Essas especiarias são muito usadas na perfumaria masculina”, explicou Renata, que não revelou nenhuma vez quais temperos os alunos tinham nas mãos. Mesmo assim, eles acertaram todos. A única dificuldade ficou por conta dos lenços umedecidos que as monitoras da fundação levaram para que os alunos limpassem as mãos depois de comer. O cheiro permaneceu na pele. “Aquele lencinho foi fatal”, reclamou Bruna.

O curso da Fundação Dorina Nowill, que está  em sua primeira turma, é gratuito. Voltado exclusivamente para pessoas com deficiência visual, tem 1 ano e meio de duração, incluindo estágio em empresas de perfumaria. “A ideia é que, no final do curso, eles tenham capacidade de fazer críticas apuradas de perfumaria. O fato de serem deficientes visuais só conta pontos a favor, já que não existe interferência de marca e cor, por exemplo”, diz Renata.

O horário de fechamento das bancas (17h) chegou antes que Renata pudesse mostrar todas as especiarias. A solução foi comprar o que faltava e continuar a aula na van. Antes de sair, o grupo terminou o passeio com os famosos pastéis de bacalhau do Mercadão. Que cheiravam muito bem!

(Com colaboração e fotos de Karina Trevizan/AE)

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Em 1975, a Auto-Escola Guerra foi uma das primeiras a oferecer cursos de habilitação para portadores de deficiência.  Além de cursos para surdos-mudos, há também aulas para portadores de deficiência física, com direito a carro automático adaptado. A escola tem um instrutor que conhece a linguagem de libras. É esse mesmo professor que  dá aulas aos alunos com mobilidade reduzida. Antonio Roberto Sorriso, dono da auto-escola, explica que o curso especial não é muito diferente do comum. “As exigências do Detran são as mesmas”, diz. “Apenas a forma de comunicação é diferente com os surdos-mudos. Para os portadores de deficiência, o carro precisa  ser adaptado, com comandos manuais”. O preço do curso é mais alto porque, segundo Antonio, a procura por esse serviço é menor. O custo total é de R$ 1.370, incluindo todas as taxas. “A procura de surdos-mudos é muito pequena”, afirma Antonio. “Já os portadores de deficiência física aparecem mais por causa dos incentivos”.  Os veículos de  portadores de deficiência são isentos de IPI, IOF, ICMS, IPVA e do rodízio municipal. Pelas contas de Antonio, apenas outras 10 auto-escolas em São Paulo oferecem o mesmo tipo de serviço.

Auto-Escola Guerra
Rua Prof Alfonso Bovero, 1122; Pompeia; 3673-1843

(com colaboração de Karina Trevizan e foto de Hélvio Romero / AE)

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Montar um destino turístico pode ir muito além de escolher entre praia ou montanha, cruzeiro ou resort, Nordeste ou Europa. O Blog do Curiocidade descobriu algumas agências que fazem viagens especializadas.

Para quem gosta de maratonas
A XTravel, que tem o segmento de turismo esportivo, oferece pacotes especiais para quem quer participar de maratonas de corridas. A agência existe há 33 anos, mas Ana Coltro, uma das proprietárias, só teve a ideia de incluir esse tipo de pacotes em 1992. “Foi o ano em que eu comecei a correr”, conta. A XTravel vende pacotes para maratonas (42 km) e meia maratonas (21 km) de diversas cidades do mundo, como Lisboa (Portugal), Buenos Aires (Argentina) e Punta del Este (Uruguai). Além de garantir a participação do cliente na prova escolhida, a agência também providencia serviços como hospedagem, passeios pela cidade, reservas em restaurantes. As reservas para a Maratona de Chicago, nos Estados Unidos, em outubro, já estão abertas. O pacote com hospedagem, transporte e inscrição para a corrida custa a partir de R$ 1.721,70.

Para a terceira idade
Aposentados adoram viajar. Por isso, começaram a aparecer agências especializadas em turismo para a terceira idade. Uma delas é a Pomptur. Segundo o diretor comercial Salomão Barros Costa, a agência trabalha nesse segmento há 30 anos. “Ná época, não sabíamos que esse público seria tão importante para o país”, diz. “Eu diria que a gente se deu bem”. Ele conta que preparar viagens para grupos de terceira idade requer uma atenção especial. “Precisa ter programação diferente e pensão completa (café da manhã, almoço e jantar inclusos), porque não queremos nossos clientes andando muito ou precisando pegar ônibus para comer”. Os preços das diárias para a terceira idade geralmente são mais baixos. “A gente consegue resorts com desconto, por exemplo, porque o público da melhor idade pode viajar no meio da semana”, diz.

Já na Venturas & Aventuras acontece o contrário. João Ricardo Marincek, um dos sócios, explica que, apesar de terem menos atrações, as viagens para a terceira idade costumam sair mais caras. “Geralmente colocamos menos passeios, para podermos fazer tudo em um ritmo mais lento”, afirma. “Mas precisa de um acompanhamento especial e, por isso, o preço sobe”. O projeto da Venturas & Aventuras para turistas com 65 anos ou mais se chama “Velhinho é a Mãe”, e existe há 10 anos. Até agora, já levou cerca de 500 idosos para destinos como Egito, Patagonia, Amazônia e Pantanal. “Acompanho alguns passeios pessoalmente e vejo que eles topam tudo”, conta João Ricardo. O “Velhinho é a Mãe” programa de 4 a 6 viagens por ano. A próxima será para Los Roques, na Venezuela, em outubro. A viagem de 8 dias sai por R$ 3.973,16.

Para solteiros
A Terrazul lançou o programa “Just for Singles” (só para solteiros) há 12 anos, e esse passou a ser o produto mais importante da agência. A regra é não levar nenhum acompanhante, e as programações são todas preparadas para estimular a integração do grupo, como luaus e happy hours. A empresa afirma que os solteiros preferem lugares movimentados, como Búzios (RJ), Cancún (México) e Buenos Aires. Um dos pacotes à venda na Terrazul é a VIII Festa dos Solteiros, que acontecerá em agosto, em Campos do Jordão (SP). Sai por R$ 760,00, incluindo transporte, hospedagem, meia pensão, passeios e guia.

Para portadores de deficiência
Especializada em ecoturismo, a Freeway tem alguns pacotes para pessoas com mobilidade reduzida e deficiência visual e/ou auditiva. Para os clientes especiais, a agência procura pousadas adaptadas. Entre os destinos das viagens adaptadas, os mais procurados na agência são Bonito (MS), Itacaré (BA) e Pantanal. O serviço existe desde 2004, mas, segundo a assessoria de imprensa da empresa, a procura por viagens desse tipo é muito pequena. “Nós recebemos poucos telefonemas de gente interessada nesses pacotes”, diz Carolina Ferrero, funcionária da agência. “Essas viagens geralmente têm um custo maior, porque exigem mais dos guias”.

Na Ecoação, outra agência que faz programas especiais para portadores de deficiência, a demanda também é fraca. A empresa é especializada em turismo em Brotas (SP), com programas radicais como rafting e boia cross. “Infelizmente, ainda existe muito preconceito”, lamenta a diretora comercial Giovana Guedes. Ela exemplifica: “Uma família vem fechar um pacote e nós explicamos que o filho que tem deficiência pode fazer atividades. Mas a própria mãe não deixa, ou até o portador de deficiência não se acha capaz”. Giovana esclarece que os turistas com necessidades especiais contam com assistência para praticar as atividades. Giovana conta que “o rafting é o passeio que mais abrange a possibilidade de participação de deficientes, pois é coletivo”. Os preços das viagens adaptadas são os mesmos das comuns. “A nossa ideia sempre foi incluir, sem discriminação, tanto no atendimento quanto no valor”.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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