ir para o conteúdo
 • 

Curiocidade

O preço da pizza em São Paulo subiu 65% nos últimos cinco anos – mais que o dobro da inflação no mesmo período. Apesar disso, alguns donos de pizzarias insistem numa estratégia mesquinha: cobrar uma pizza meio a meio pelo valor da mais cara. É a “Lei de Gérson” – gosto de levar vantagem em tudo, certo? – coberta de molho de tomate e mussarela. A Tal da Pizza, que vende as redondas mais caras da cidade, cobra 59 reais por uma pizza de mussarela. Se o cliente quiser uma metade mussarela e outra metade calabresa terá que desembolsar 78 reais – preço integral da calabresa. “É para não encorajar o cliente a pedir uma pizza com uma cobertura mais em conta apenas para pagar menos no final”, afirma, sem pudor, a proprietária Cibele de Freitas.

A repórter Miriam Castro, do Blog do Curiocidade, ouviu outras explicações esdrúxulas para justificar a absurda cobrança. “Ao fazer metade de uma pizza você não usa necessariamente metade dos ingredientes”, diz Débora Ribeiro, assessora de imprensa da Speranza. “As pizzas são feitas artesanalmente, o que significa que o pizzaiolo não consegue calcular precisamente a metade dos itens que vai colocar sobre a massa”. A assessora também ressalta que fazer pizzas com duas coberturas dá mais trabalho para o pizzaiolo. “Se uma família com pessoas vegetarianas pedir uma pizza meia calabresa, meia mussarela, cabe ao pizzaiolo tomar cuidado para não misturar os dois sabores”. Entendeu?!?  Bem, Mário Sérgio Zuca, gerente da unidade da Babbo Giovanni em Perdizes, acha essa explicação uma grande bobagem. “Isso é desculpa esfarrapada”, diz Zuca. “Se  é metade mussarela, o pizzaiolo vai usar exatamente metade da quantidade de ingrediente que iria em uma inteira”.

Outro estabelecimento que adotou a tática de levar vantagem em cima do cliente é a Maremonti, cuja filial paulistana foi inaugurada no último dia 12 de outubro. Uma pizza de mussarela sai por 45 reais, mas a versão que é metade calabresa custa 58 reais. O gerente Fábio de Silveira diz que a prática é adotada desde que o restaurante foi aberto em 2000 na Riviera de São Lourenço. “Toda pizzaria faz e sempre fez isso”, afirma. “É uma regra que existe no mercado. Nós não inventamos, apenas seguimos”, afirma. Mais uma explicação que não funciona. O Blog do Curiocidade fez um levantamento em outras 14 pizzarias tradicionais da cidade. O placar foi de 10 x 5 para os honestos (veja a relação abaixo).

Na Monte Verde Itaim, o gerente Sílvio Alexandre Soares concorda que o cliente deve pagar exatamente por aquilo que consome. “Muitos pais chegam aqui acompanhados de filhos pequenos, que só comem pizza de mussarela”, explica ele. “Se os pais quiserem algo mais requintado, não podem ser penalizados”. Outro que engrossa o coro é o empresário Antonio Carlos de Toledo. “Quando abri a Margherita, em 1981, escolhi cobrar pela média porque achei que era o mais justo”, afirma. “Não há nada que justifique cobrar pela mais cara”. Não tem mesmo!

Pizzarias que cobram pela média: Urca, Veridiana, Bráz, Margheritta, Babbo Giovanni, Camelo, 1900, Santa Pizza, Ráscal e Monte Verde Itaim.

Pizzarias que cobram pelo sabor mais caro: Castelões, Speranza, Sala VIP, A Tal da Pizza e Maremonti.

Participe do boicote às pizzarias que gostam de levar vantagem em tudo. Chega de ser roubado! Se você conhece outras pizzarias que não respeitam o consumidor , deixe o seu comentário aqui no blog.

Atualização em 29/11/11: A Pizzaria Real (Alfonso Bovero, no Sumaré), também cobra pelo valor mais alto e está na lista do boicote.

Atualização em 06/12/11: A pizzaria Ráscal passou para a  lista das pizzarias que cobram pelo preço justo. A assessoria da casa informa que essa política foi adotada há um ano e meio –  e enviou um cupom fiscal para provar isso. A informação que o valor cobrado é pela metade mais cara ainda consta dos cardápios (“cobramos pela mais cara”)  e  foi confirmada nas três vezes em que a reportagem entrou em contato telefônico com a unidade do Itaim-Bibi. Sobre o cardápio, o Ráscal esclarece que adesivos já estão sendo providenciados para cobrir a informação que saiu errada por causa de “um erro de revisão”. Sobre a informação incorreta dada por três  funcionários diferentes, a pizzaria explica que “houve falha de comunicação”.  A conta agora é de 10 x 5 para as pizzarias que cobram o preço mais honesto.

(com colaboração de Míriam Castro)

comentários (42) | comente

Danielle Maia Ronconi, 44 anos, resolveu colocar lenha na fogueira. Ou melhor: no forno. Ela virou pizzaiola. Danielle, que também é chef e barista, assumiu o comando do forno do Marie Thérèse, na Vila Madalena, uma mistura de loja de presentes, café bistrô e agora pizzaria. Danielle abriu a casa em sociedade com a irmã, Natacha. São 55 tipos de cobertura no cardápio. Apesar de ser uma profissão tradicionalmente masculina, ela afirma que não há tantas dificuldades como se imagina.

A pizzaiola Danielle apresenta uma de suas pizzas, ao lado da sócia e irmã, Natacha

Por que você decidiu virar pizzaiola?
Minha irmã e eu somos chefs de cozinha. Nós já tínhamos a cafeteria quando eu fui convidada para assistir a uma palestra sobre pizzas. E eu me apaixonei tanto pelo assunto e pelo jeito como se trabalha uma pizza que resolvi fazer o curso completo. Foi aí que decidi montar a pizzaria na Marie Thérèse. Ficaram três coisas ao mesmo tempo: loja, café bistrô e pizzaria.

Por que tão poucas mulheres trabalham como pizzaiolas?
Tem casas onde o pizzaiolo ainda bate a massa com na mão. Para que isso? Já existe batedeira! É tudo uma questão de procurar o equipamento ideal. Não precisa de força física. O setor de pizza é muito voltado para homens. Mas eu trabalho com equipamentos de alta tecnologia, e isso ajuda muito.

Você faz todas as pizzas sozinha?
Eu tenho dois pizzaiolos trabalhando aqui comigo. Mas, se acontecer alguma coisa e eles não puderem vir, eu daria conta da pizzaria sozinha. Como a minha sócia também é mulher, a gente já montou o espaço pensando nisso: deixar tudo pronto para trabalharmos sozinhas se precisar.

Onde fica:
R. Fradique Coutinho, 1.171, Vila Madalena, 3814-2681.

(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de divulgação)

sem comentários | comente

Algumas casas costumam ter itens misteriosos no cardápio. Os nomes não permitem que o cliente saiba logo de cara quais são os ingredientes do prato. Um exemplo é a pizza “Tanto Faz”, do Armazém da Pizza. A receita leva berinjela e mussarela de búfala, gratinada com queijo parmesão. Jefferson de França Bastos, proprietário da pizzaria, explica que o nome é uma brincadeira com um diálogo muito comum entre os clientes. “O garçom pergunta: ‘vão querer qual sabor?’. Aí alguém responde: ‘Tanto faz’, e outra pessoa completa: ‘tanto faz não tem’”, imita ele. “Bom, agora tem!”. Outro exemplo na mesma linha é o milk shake “Num Sei”, da Q! Shake. Os funcionários revelam apenas que é uma mistura de seis sabores diferentes, mas não podem dizer quais são. Nem depois de escolher e provar a bebida o cliente pode ficar sabendo o que consumiu.

(Foto: Divulgação)

Também há casas que os próprios nomes já demonstram uma certa indecisão. Só que a escolha do nome da cantina C… Que Sabe! teve inúmeras etapas. Em 1931, o italiano Francesco Stippe abriu um restaurante sem nome. “Era uma espécie de pensão. Por isso, não batizaram”, explica Bruno Stippe, neto de Francesco. Em 1940, o italiano abriu o restaurante Mama Rosa, no mesmo lugar. Vinte anos mais tarde, seu irmão, Antonio, passou a fazer parte do negócio, e decidiu mudar o nome da casa para Melone de Salermo. Depois, foi a vez de outro irmão, Rafael, entrar na sociedade e mudar o nome do restaurante, desta vez para Peperoni. “Cada vez que entrava alguém da família era uma briga, e faziam questão de mudar de nome”, conta Bruno. Cansado, Francesco, que era sócio majoritário do Peperoni, decidiu vender o negócio para o filho, Roberto (pai de Bruno), há 35 anos. No calor na emoção, o novo dono do empreendimento assinou o contrato sem se importar com a cláusula que dizia que, durante 2 anos, ele não poderia batizar o restaurante com nenhum nome italiano. “Os irmãos do meu avô não queriam concorrência”, afirma Bruno. A primeira ideia foi batizar a casa com o nome de Macarrão. Luzia, mulher de Roberto, achou o nome fraco demais. Em uma certa noite, cansado de discutir sobre esse assunto, Roberto perguntou a ela: “Onde vamos jantar hoje?”. Ela respondeu: “Ah, você que sabe”. Estava escolhido o nome do restaurante.

Serviço:
Armazém da Pizza; Rua Cantagalo, 934, Tatuapé, 2092-2799

Q! Shake; Rua Caraíbas, 21, Perdizes, 3675-507

C…Que Sabe!; Rua Rui Barbosa, 192, Bela Vista, 3251-4597

(Com colaboração de Karina Trevizan)

1 Comentário | comente

Comentários recentes

  • MCCOY: Não tinha parado para pensar nisso, mas pelos comments daqui, me parece que o ‘geek’ fica sendo o...
  • Genio illuminado: Ser un Nerd nao e un defeito porque os Nerds nao sao bobos. Na realidade eu acho que essa palavra...
  • rodrigo: Cultura de COMPRAS. Não cultura NERD.
  • Juliana Torres: Oi Spock, Acredito que tenha escolhido esse nome ironicamente. Estou certa? É que como o Victor...
  • Claudio Br: Depois que você transforma um grupo em segmento de mercado só vender importa.

Arquivo