É sempre a mesma cena. Depois de shows e jogos de futebol, os estádios da Cidade amanhecem cercados por um amontoado de lixo. Nos dois shows do cantor canadense Justin Bieber, no Morumbi, o monte de sujeira tinha 7 toneladas, segundo informou a Secretaria das Subprefeituras de São Paulo. Em cada um dos dois dias de show, o público era de 60 mil pessoas. Para cuidar da limpeza dos arredores do Morumbi nos dois dias de apresentação, a Subprefeitura do Butantã aumentou o contingente de funcionários. Além de um caminhão que realizou a varrição e a retirada de lixo, 12 pessoas trabalharam na limpeza. Em dias normais, são 2 funcionários para a mesma região.

Fãs do cantor Justin Bieber começaram a acampar (e juntar lixo) dois dias antes do primeiro show. (Foto: Ayrton Vignola/AE)
O curioso é que os organizadores enchem os bolsos de dinheiro com os espetáculos, mas nem querem saber da limpeza. Simplesmente deixam o lixo para trás. Segundo o Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), que libera o uso dos estádios para a produção de eventos, a limpeza dos espaços públicos dos arredores de estádios em dias de grandes eventos é função das subprefeituras. No último retrasado, por exemplo, quando cerca de 33 mil pessoas assistiram ao jogo entre Corinthians e Atlético-GO no estádio do Pacaembu, a Subprefeitura da Sé escalou 18 pessoas para fazer a limpeza na Praça Charles Miller e redondezas antes e depois da partida. A Secretaria das Subprefeituras afirma que, depois de cada jogo, é retirada aproximadamente 1,5 tonelada de lixo. Em dias normais, também são 2 funcionários para a mesma região.
(Com colaboração de Karina Trevizan)
A “Calçada da Fama” na Praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu, foi inaugurada na década de 1970. Havia ali 14 assinaturas de ídolos do esporte, com direito a carimbada de mãos e pés no cimento fresco. Só que a má conservação apagou a maioria delas. Hoje, é possível identificar apenas quatro marcas: a de Éder Jofre, boxeador bicampeão mundial na categoria peso galo em 1960 e 1973; a do também boxeador Ralph Zumbano, tio de Jofre e descobridor de Maguila; a do piloto Chico Landi; e a do jogador de futebol Homero, que defendeu a Portuguesa e o São Paulo. A descoberta foi feita pela historiadora Glaucia Garcia de Carvalho, uma das criadoras do site São Paulo Antiga. “É uma peça de museu a céu aberto, mas que está acabando com o tempo”, lamenta Glaucia. “O irônico é que ela está a poucos passos do Museu do Futebol, dedicado à preservação da memória esportiva”.
No ano passado, quando o assunto veio à tona, a Prefeitura de São Paulo fez o que sempre faz: informou que a restauração da Calçada da Fama do Pacaembu estava incluída no projeto de revitalização da Praça Charles Miller e que ela estaria restaurada no primeiro semestre do ano. Nada foi feito. Agora, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura se faz de desentendida e diz que nunca teve conhecimento de nenhum prazo para que a obra fosse entregue. Confirma que existe o projeto de revitalização, mas não sabe dizer como será feita a restauração da calçada e nem quando será iniciado o trabalho.
Para Iênides Benfati, 66 anos, presidente da Associação Viva Pacaembu por São Paulo, o estado da calçada “é uma ofensa aos heróis que têm seus nomes lá”. Ela vai além: “É um local tão mal cuidado que, em vez de ser uma honra, é uma desonra”. Iênides afirma que a Calçada ainda é o menor problema da Praça Charles Miller. “A praça toda é terra de ninguém”, lamenta. “Tem ensaios de banda, bar sem licença para funcionar, encontro de jipeiros. Todas as noites é um absurdo diferente”. Sobre o prazo da entrega das obras de revitalização pela prefeitura, Iênides afirma que a Viva Pacaembu não recebeu qualquer informação. “Quando a prefeitura fez o acordo com a Fundação Roberto Marinho para construir o Museu do Futebol, se comprometeu a recuperar a Praça Charles Miller. A Prefeitura não fez a parte dela”.
Éder Jofre, hoje com 75 anos, lamenta o estado da Calçada da Fama e também golpeia a Prefeitura. “Deixei minhas marcas com o maior orgulho”, afirma. “Fizeram o maior carnaval, e agora todo esse desleixo? Eu me sinto humilhado”.
(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de Andre Lessa/AE)
É difícil prever até onde vai a sanha dos donos de estacionamentos nas redondezas de estádios de futebol em dias de jogos e de shows. Em shows, sei de relatos de pessoas que pagaram até 100, 200 reais para estacionar em estacionamentos improvisados ou em vagas nas ruas, na frente de lojas ou em terrenos baldios. A polícia cruza com os flanelinhas, mas não parece fazer nada para reprimi-los. Hoje, um estacionamento perto do Pacaembu me chamou a atenção. Em jogos de futebol, é o mais caro que lembro de ter visto até agora.
Estava cobrando R$ 60 para os torcedores de Palmeiras e Cruzeiro que foram hoje à tarde no Pacaembu. Fica na Avenida Doutor Arnaldo, ao lado das lanchonetes Burdog e Toninho & Freitas. Nem é tão perto assim. O torcedor precisa enfrentar todo o íngreme ladeirão da Major Nataniel na volta. Para os frequentadores das lanchonetes, o valor do convênio continuava o mesmo: R$ 10.
Você lembra de outros estacionamentos caros assim? Já desistiu de ir a algum show por causa de flanelinhas? Compartilhe a sua experiência, deixando um comentário aqui.
Começaram a ser vendidos hoje os ingressos para o jogo Corinthians x Figueirense, que será disputado no próximo sábado, às 18h, no Pacaembu. O estádio municipal é um dos pontos de venda. Mas por que o Corinthians, que manda quase todos os seus jogos lá, não está utilizando mais as novas bilheterias da Praça Charles Miller? Os corintianos são obrigados a usar agora antigas e desconfortáveis bilheterias da rua Itápolis.
A resposta não é tão simples. O Corinthians afirma que as bilheterias centrais são de uso exclusivo da BWA, empresa que pagou a reforma da fachada do estádio. O clube rompeu com a BWA em 2009. No ano seguinte, trabalhou com três empresas diferentes para vender seus ingressos, mas deixou de operar dessa forma no início deste ano. Hoje, o Corinthians passou a comercializar as entradas por conta própria. Por isso, não tem mais direito a utilizar as bilheterias novas. Um dos motivos do rompimento com as empresas foi que elas queriam cobrar pelo serviço de acordo com a receita de bilheteria. “O Corinthians não concorda com esse formato, e procuramos outras alternativas”, afirma Guilherme Prado, assessor de imprensa. A única empresa com a qual o Corinthians ainda tem contrato é a Omni, que promove apenas a venda online de ingressos para cadastrados no programa Fiel Torcedor. “A tecnologia é da Omni, mas a venda é toda do Corinthians”, diz Lucio Blanco, gerente de arrecadaçao do clube. Só que o corintiano que compra seu ingresso nesse programa não se utiliza das bilheterias. ”O cliente Fiel Torcedor compra a entrada pela internet e, no Pacaembu, é identificado na catraca com seu cartão”, explica Branco. “Não precisa retirar ingresso”.
A BWA confirma que pagou a reforma da fachada do estádio, mas nega que tenha exclusividade sobre as novas bilheterias, como diz o Corinthians. “Qualquer empresa que tenha contrato com os clubes pode utilizar”, afirma Gloriete Treviso, assessora de imprensa da BWA. A empresa, que não divulga o valor da reforma doada para o estádio, vende ingressos exclusivamente para jogos do Santos. As entradas para jogos de outras agremiações no Pacaembu são vendidas pela Outplan e pela Omni.
A necessidade de utilizar somente as bilheterias laterais tem gerado um certo incômodo para os torcedores no Pacaembu. O assessor do Corinthians reconhece que “as laterais do estádio possuem uma área de circulação muito estreita, concentrando um grande número de pessoas com interesses distintos: circulação, compra de ingressos e acesso ao estádio”. Para driblar o problema, nos dias de jogos, a Praça Charles Miller ganha uma estrutura de metal montada pelo Corinthians. É ainda uma solução provisória.
A Secretaria Municipal de Esportes, que cuida da administração do estádio, nega que haja qualquer tipo de privilégio para a BWA, conforme alega o Corinhtians. Segundo Mauro Sernardes Castro, coordenador do Pacaembu, os clubes escolhem as empresas com as quais querem trabalhar. Ele afirma que o Corinthians pode usar as bilheterias da Charles Miller, sim. “Não existe qualquer tipo de proibição”, garante.
Muito estranho…
(Com colaboração de Karina Trevizan)
2012
2011