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Curiocidade

“Pague quanto acha que vale”, diz a placa. A promoção, realizada pela empresa 24X7 desde a segunda quinzena de dezembro, está em metade das vinte máquinas de livros instaladas nas estações Palmeiras-Barra Funda, Brigadeiro, Consolação, Trianon-Masp, Luz e Anhangabaú do metrô.

Na prática, no entanto, não é bem assim. A máquina não aceita moedas, nem dá troco. A cédula de 1 real, que seria o menor valor possível, não é mais produzida no Brasil desde março de 2006, então é difícil encontrá-la em circulação. De acordo com Fabio Bueno Netto, dono da 24X7, quase todas as compras são pagas com notas de R$ 2,00. “Recebemos algumas cédulas de R$ 10,00 e duas ou três de R$ 20,00”, conta.

Mas Netto não está reclamando: em pouco mais de um mês de campanha, foram vendidos 28 mil exemplares de livros que, em geral, estavam encalhados nas editoras – a média de vendas de meses anteriores é de 11 mil unidades. A empresa planeja continuar a oferta por pelo menos três meses e estendê-la a máquinas de outras estações de grande movimento, como a Sé. Desde 2003, a 24X7 vendeu 1,2 milhão de livros no metrô. Nas máquinas em que os livros custam um pouco mais caro, é possível garimpar de vez em quando obras do filósofo alemão Friedrich Nietzsche e guias de como ganhar dinheiro com vendas na internet.

(Com colaboração de Míriam Castro)

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Ao sair da estação Faria Lima, da linha 4-Amarela do Metrô, que fica no Largo da Batata, a figurinista Maria Helena Souza andou por cima de um gradil, que é também uma  saída de ar. E que saída de ar! A barra de seu vestido foi parar na altura do pescoço. Não adiantaram as tentativas de arrumar a roupa, e ela correu para o primeiro táxi que viu passar. “Tive meu momento de Marilyn Monroe”, disse ela, referindo-se à famosa cena de “O Pecado Mora ao Lado”. Um dia depois do ocorrido, Maria Helena precisou voltar à estação. Mas, desta vez, foi prevenida. “Hoje eu coloquei uma meia-calça por baixo do vestido”, comenta. “Não ia pagar de novo o mesmo mico, né?”.

Maria Helena não foi a única a passar pela situação embaraçosa na saída da estação. Todos os dias, mulheres desprevenidas andam pela saída de ar e acabam passando vergonha. É o que conta o taxista Luiz Gomes, que trabalha em um ponto bem próximo à estação. “É forte demais, a saia vai lá no pescoço”, diz. “Todo dia eu vejo muita calcinha”. Ele conta também que há quem passe pelo vento de propósito, especialmente as crianças. “A molecada gosta de brincar com o ar”, acredita. “Mas, pela cara que fazem, as mulheres  não gostam, não.”

A assessoria de imprensa do Metrô explica que a saída de ar é necessária por causa do chamado efeito pistão. Em túneis de diâmetro menor, por onde só passa um trem (como é o caso da estação Faria Lima), são construídas essas saídas para que o ar movimentado pela chegada e pela saída dos trens se desloque. Quem passa por ali com frequência já aprendeu que não é muito aconselhável atravessar as grades usando saia ou vestido. Para as desavisadas como Maria Helena, no entanto, não há nenhum tipo de aviso. Segundo a assessoria do Metrô, até hoje, nenhuma usuária registrou uma reclamação ou sugestão sobre o assunto. Por isso, o Metrô orienta que a passageira que se sentir constrangida faça uma manifestação oficial para que, só então, possa ser iniciada uma análise do pedido por sinalização. O telefone da central de atendimento do Metrô é o 0800-7707722.

(Com colaboração e foto de Karina Trevizan/AE)

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Hoje, com a inauguração das estações Luz e República da Linha 4-Amarela, o Metrô de São Paulo passou a ter 64 estações e 74,3 km de trilhos. O sistema completou ontem 37 anos de existência. Desde 1974, foram construídos, em média, 2 quilômetros de trilhos por ano. O Blog do Curiocidade comparou esse ritmo com metrôs de outras cidades do mundo. Um dos dados mais curiosos se refere ao metrô de Seul, na Coreia do Sul, inaugurado no mesmo ano que o de São Paulo. O sistema da capital coreana já tem 10 linhas (5 a mais que São Paulo), 266 estações e 287 km de trilhos. Isso dá uma média de 7,1 estações e 7,75 quilômetros de trilhos construídos por ano. Veja a comparação com outras cidades:

Além de ser o mais extenso, o metrô de Xangai, na China, foi o mais ligeirinho na construção – média de 26,25 quilômetros de trilhos e 10,12 estações por ano. Desde os anos 90, a cidade constrói, em média, 21 km de trilhos por ano. Em São Paulo, apenas as obras da linha amarela já somam 16 anos.

Outro dado curioso é que o metrô de Buenos Aires, apesar de perder para o paulistano em extensão, tem uma vantagem para os 1,7 milhões de argentinos que utilizam esse meio de transporte. Por lá, a tarifa em pesos é de $ 1,10 – o equivalente a R$ 0,45. Em São Paulo, onde a média de circulação de passageiros por dia é de R$ 4 milhões por dia, o preço é de R$ 2,55.

Agora veja quanto tempo o metrô de São Paulo ainda precisaria para atingir a extensão em trilhos dos sistemas das outras cidades se continuasse no ritmo atual.

Para terminar, um prêmio de consolação. O metrô do Rio de Janeiro,  inaugurado em 1979, tem 46,2 km de extensão, o que dá uma média de 1,44 km por ano. Ufa, ganhamos de alguém!

(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de Andre Lessa / AE)

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