Como colocar o nome e o número atrás daquela camisa de futebol antiga ou de um modelo atual com as mesmas fontes usadas pelos times? A Sport Lock faz um trabalho de pesquisa para não deixar nenhum torcedor na mão. A loja, aberta em 1998, fazia apenas uniformes personalizados para times de empresas. A ideia de oferecer esse novo tipo de serviço veio do Japão, de onde o estabelecimento importava letras e números. “As pessoas querem estar com a camisa exatamente igual a dos jogadores”, diz Ricardo Dell Erba, 47 anos, dono da loja. A Sport Lock trabalha com os modelos atuais, mas o grande desafio é com seleções e times antigos. “Pesquisamos na internet e desenhamos no computador o mais fiel possível do original”, explica o vendedor Cláudio Pereira.
Cláudio conta que alguns fabricantes facilitam o trabalho disponibilizando as letras, mas isso é raro. “Conseguimos a maioria na raça mesmo”, completa. O valor do serviço de pesquisa das letras é R$ 20,00 e a customização varia entre R$ 3,50 a R$ 30,00 por letra dependendo do tamanho e das cores. Por ser um trabalho de pesquisa, a personalização nunca é feita na hora.
Serviço:
Rua Clélia, 1669, Lapa, 3864-6215/6220;
Avenida Imperatriz Leopoldina, 1406; Vila Leopoldina, 3831-4647.
(Com colaboração de Juliana Tamdjian e foto de Márcio Fernandes/Estadão)
Ninguém vestiu mais vezes a camisa da Portuguesa. Foram 496 jogos. Oleúde José Ribeiro, o Capitão, hoje com 46 anos, passou três vezes pelo clube. Estreou em 1988 e permaneceu até 1993. Depois ficou entre 1995 e 1997, e ainda voltou à Lusa para encerrar a carreira em 2004. Para homenagear o ídolo, o time lançou uma camisa retrô em edição limitada.
À venda apenas na Toca do Leão, loja oficial da Portuguesa, no estádio do Canindé, a camisa custa R$ 69,90. Na manga esquerda, ela tem um brasão comemorativo, o número de partidas disputadas por Capitão e o nome Oleúde – que foi o jeito que o escrivão escreveu Hollywood. Na outra manga, fica uma faixa de capitão. O brasão da Lusa, que fica ao lado esquerdo do peito, é acompanhado pela assinatura do volante, que foi bordada em fios dourados. Atrás, o nome do jogador é acompanhado do número cinco, que o acompanhou durante a atuação no clube. São apenas 496 unidades desta versão retrô.
A camisa é a primeira da Coleção Grandes Ídolos, série de uniformes especiais que a Portuguesa criou para homenagear seus craques. “Estamos em uma fase de resgate histórico do time”, afirma Fábio Porto, responsável pelo marketing da equipe. Ainda não se sabe quantas camisas especiais farão parte da coleção, mas a próxima deve sair antes do final de 2012. O próximo jogador contemplado provavelmente será Dener Augusto de Sousa, que começou a carreira no clube em 1991, mas perdeu a vida em um acidente de carro três anos depois.
Serviço:
Toca do Leão – Canindé
R. Comendador Nestor Pereira, 33, Canindé, 3229-7812
(Com colaboração de Míriam Castro)
Começa amanhã, dia 3 de agosto, a mostra “Tuas Cores nos Encantam”, reunindo 25 camisas históricas do Esporte Clube Santo André. O nome da exposição foi retirado de um verso do hino do time, composto por José da Conceição Souza. Já faz seis meses que os torcedores organizam o evento. “Tínhamos que alugar o espaço e fazer uma seleção das melhores camisas”, conta Glauco Renaldin, diretor de comunicação da Fúria Andreense. “Convidamos muitos torcedores e ex-jogadores para a mostra”. Atualmente, o Santo André está disputando a série C do Campeonato Brasileiro.
Entre os uniformes expostos, o mais antigo é de 1968 – época em que a agremiação ainda se chamava Santo André Futebol Clube e tinha verde e amarelo na camisa. Também estarão disponíveis ao público a camisa de 1975, primeira criada após a mudança de nome, e a de 2004, com a qual o time conquistou seu maior título: o da Copa do Brasil.
Amanhã, dia da inauguração, às 19h, será exibido um vídeo de apresentação das camisas do Santo André, inclusive algumas das que não estão expostas.
Serviço:
Tuas Cores nos Encantam
Museu de Santo André, sala especial
R. Senador Flaquer, 470, Centro, Santo André
De 3 a 30/8
Grátis
(Com colaboração de Míriam Castro e imagens de divulgação)
Atualização em 03/08/2012 às 19h45: Antônio Garcia não está mais na UTI. O vendedor de cannolis voltou para casa nesta tarde, acompanhado da mulher, Fátima. Ele deve ficar em repouso absoluto por alguns dias, pois não pôde passar pela angioplastia enquanto estava no hospital. “Temiam que ele não resistisse à cirurgia”, afirma Fátima. Enquanto permanecer em repouso, seus familiares se encarregarão de vender o cannoli nos jogos do Juventus, na Rua Javari.
Quem assistiu ontem à vitória do Juventus sobre o São José pela Copa Paulista, sentiu falta de um detalhe importante na paisagem do estádio Conde Rodolfo Crespi, na Rua Javari. Antônio Pereira Garcia, que vende o doce italiano cannoli no intervalo dos jogos, não estava lá. Foi então que a notícia se espalhou pelo estádio e depois pelas redes sociais: Antonio sofreu um enfarte no último dia 17 e, desde então, está internado na UTI do Hospital Mário Covas, em Santo André.
Os cannolis estavam lá, vendidos pela família de Antonio. A mulher, Fátima, conta que o problema cardíaco aconteceu quando o comerciante estava dentro do hospital. Ela tinha acabado de fazer uma cirurgia no braço e o marido foi visitá-la. “Assim que ele sentou ao lado da minha cama, começou a passar mal”, conta. “Os médicos me disseram que, se o Antônio estivesse no meio da rua, não daria tempo de salvá-lo”.
Por enquanto, a situação de Garcia é estável. O famoso personagem da Rua Javari deve passar por uma angioplastia na semana que vem. “Era para ter sido esta semana, mas ele está com uma infecção hospitalar e ainda não pode ser operado”, diz a esposa. Fátima conta que o marido está comendo pouco por não gostar de comida de hospital. “Jane, uma de nossas filhas, tem que ficar ao lado dele para convencê-lo a se alimentar.”
Com 62 anos, Antônio Garcia aprendeu a receita do cannoli com amigos italianos em 1970. O canudinho frito, recheado com creme, é feito com ajuda da mulher e dos filhos. Em dias de jogo na Rua Javari, o comerciante vende cerca de 300 unidades do doce italiano que já virou símbolo do bairro. Cada um custa R$ 2,50. “O cannoli não pode faltar no Juventus de jeito nenhum”, afirma Fátima. Por isto, enquanto o marido estiver no hospital, ela garante que continuará vendendo o doce.
Clique aqui para conferir um roteiro do cannoli em São Paulo.
Serviço:
Estádio Conde Rodolfo Crespi
R. Javari, 117, Mooca
(Com colaboração de Míriam Castro e foto de Monica Zarattini/AE)
Kantuta é uma flor vermelha, verde e amarela, que cresce na região dos Andes. Por ter as mesmas cores da bandeira da Bolívia, foi escolhida para batizar uma praça em que se reúnem, semanalmente, cerca de 2 mil imigrantes andinos no bairro do Pari.
Aos domingos, acontece na Praça Kantuta uma feira de artesanato e gastronomia organizada por bolivianos que residem no país. Alimentos típicos, roupas e itens de artesanato são vendidos em barracas durante toda a tarde. Há até o famoso chá de coca à venda. Faz parte da cultura boliviana mascar as folhas da planta ou consumi-la em forma de chá (em sachês industrializados ou em sua forma natural).
Mas a estrela do evento sempre foi o campeonato de futebol, que chamou a atenção do professor de Educação Física Ubiratan Silva Alves. No próximo domingo, dia 1º de julho, ele lança o livro ‘Praça Kantuta – Um pedacinho da Bolívia em São Paulo‘.
“Eu via bolivianos em trajes esportivos e me perguntava em que parte da cidade eles jogavam futebol”, conta Alves. O campeonato de futebol, que acontecia duas vezes por ano, foi cancelado depois que um vereador retirou as traves e o alambrado da quadra, prometendo reformá-la – e nunca mais voltou. Alves contou esta e outras histórias da Praça Kantuta ao Blog do Curiocidade:
Apenas bolivianos podiam participar do torneio?
Não. A maior parte dos times é de bolivianos, já que são organizados pelos donos das tecelagens da região. Mas também há times com jogadores paraguaios, peruanos e até um constituído apenas por brasileiros que moram em um conjunto habitacional da região.
Cada tecelagem tem seu próprio time?
Os donos das tecelagens, que são chamados de “delegados”, colocam seus funcionários para jogar em campeonatos. A vitória é garantia de prestígio para o delegado, que fica responsável por comprar e lavar uniformes, além de trabalhar como técnico e dizer quem entra em campo.
Como você se aproximou dos imigrantes para fazer a pesquisa do livro?
Foi um trabalho demorado. Quando vi que aconteciam as competições na praça, passei duas ou três semanas à paisana, observando os jogos. Depois, descobri que imigrantes frequentavam missas na igreja Nossa Senhora da Paz, no Glicério. Passei a ir à missa no local e só então cheguei aos participantes de campeonatos. A situação deles aqui é difícil. Boa parte deles está em situação ilegal no Brasil, com uma rotina de trabalho puxada e exaustiva. Por isso, os latinos são desconfiados em relação a jornalistas e pesquisadores.
Os times treinam?
Não treinam, e isso era o que mais me preocupava. Por ficarem a semana inteira sentados, apenas trabalhando nas máquinas de costura, os imigrantes são atletas de fim de semana. É perigoso, pois não havia nenhum tipo de acompanhamento médico na Praça Kantuta. Por sorte, nos dois anos em que acompanhei a competição, ninguém passou mal por causa do esforço.
Por que o campeonato não existe mais?
Por causa de reformas na quadra, que nem chegaram a acontecer. Um vereador, cujo nome não me lembro, foi até a praça e mandou retirar traves, alambrado e tudo mais, prometendo que ia reformar o local. Na hora, parecia uma coisa boa, mas a reforma nunca aconteceu. Agora, é impossível realizar partidas na quadra. Tentamos conseguir patrocínio de empresas para melhorar a situação, mas nenhuma se interessou. Os times se espalharam por quadras nos arredores da Zona Norte da cidade.
(Com colaboração de Míriam Castro e fotos de acervo pessoal)
Tudo indica que o Santos irá conquistar seu terceiro tricampeonato paulista – o primeiro depois da era Pelé – no próximo domingo, na segunda partida da decisão, contra o Guarani. O Santos venceu a primeira, domingo passado, por 3 x 0. O último tricampeão paulista foi justamente o Santos em 1967, 1968 e 1969. E o primeiro clube a ganhar o Paulistão por três anos consecutivos? A resposta é SPAC (São Paulo Athletic Club), time em que jogou Charles Miller, o pai do futebol no Brasil. O troféu de tricampeonato mais antiga do Brasil será exposto a partir deste sábado (12). O SPAC fará uma grande festa neste sábado, dia 12, em sua sede social para a inauguração do Centro de Memória do SPAC – Charles Miller.
Fundado em 1888 por trabalhadores do comércio e da São Paulo Railway, o Clube Atlético São Paulo era frequentado por imigrantes ingleses e seus descendentes. Lá, eram praticados esportes tradicionais britânicos, como o críquete. Charles Miller, um dos sócios do clube, voltou de um período de estudos na Inglaterra em 1894 com duas bolas de capotão e um livro de regras do futebol, que estava se popularizando na época.
O primeiro campeonato estadual foi realizado pela Liga Paulista de Foot-Ball em 1902. Com Miller na equipe, o SPAC venceu as três primeiras edições, garantindo a Taça Antônio Casimiro da Rocha, que será a atração principal do Centro de Memória. “Queremos nos tornar um dos pontos de visitação relacionados ao futebol em São Paulo”, diz Junshi Nishimura, gerente geral do clube.
Com aproximadamente 40 m², o espaço é dedicado principalmente ao futebol e ao rúgbi – esporte que também foi trazido ao Brasil por Charles Miller. Serão cerca de 80 itens expostos, entre taças, camisas, flâmulas, fotografias e cartas. “Temos um acervo com centenas de itens, mas o espaço aqui é restrito”, afirma Nishimura. A intenção é, em até dois anos, transferir o memorial para um local mais amplo em frente ao clube, que fica no bairro de Higienópolis.
Ainda não estão definidos os dias e os horários de funcionamento do Centro de Memória. A princípio, o que está confirmado é que o museu terá entrada gratuita para o público em geral.
Serviço:
Centro de Memória do SPAC
R. Visconde de Ouro Preto, 119, Higienópolis, 3217-5944
(Com colaboração de Míriam Castro e imagem de divulgação)
Neymar completou ontem 50 dias de vida. Não o atacante do Santos, mas Neymar Arantes do Nascimento Zanquetta, bebê nascido em 15 de março passado na cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Ele é filho do empresário brasileiro José Carlos Zanquetta, torcedor do Santos, que homenageou, ao mesmo tempo, Neymar e Pelé.
José Carlos, nascido em São Caetano do Sul, mora na Bolívia há 16 anos. Lá, é casado com Alexsandra do Carmo Nascimento, que não é santista – como é nascida no Acre, torce para o Rio Branco Futebol Clube. “Mas ela já aprendeu a gostar do Santos”, afirma Zanquetta. A família foi resistente à escolha do nome para o recém-nascido. “Minha mãe achou um absurdo”, diz. “Meus sobrinhos, que são corintianos, falaram que eu ia estragar a vida de meu filho”.
Neymar tem dois irmãos do primeiro casamento do pai: Vanessa, de 23 anos, e Alexandre, de 14. Os dois são corintianos e não gostaram nada da ideia de batizar o novo membro da família com o nome do craque do time rival. “Mas vão ter que aprender a conviver com um Neymar em casa”, brinca Zanquetta.
O pai conta que sempre foi fã de Pelé, mas não batizaria um filho de Edson Arantes do Nascimento. “Acho que seria muita pretensão dar este nome a uma criança”, conta Zanquetta. “Mas o Neymar está despontando como o melhor jogador da atualidade, então também merecia uma homenagem”. O torcedor aproveitou o “Nascimento” do sobrenome da mulher e realizou a loucura.
Na Bolívia, a tradição é utilizar o sobrenome materno por último. Se fosse registrado em Santa Cruz de la Sierra, o bebê seria chamado Neymar Arantes Zanquetta do Nascimento. “Por isso, procurei o consulado brasileiro na Bolívia”, diz o pai. “Quando fui registrar o nome, a pessoa que me atendeu perguntou se eu tinha certeza do que estava fazendo”. Como tinha certeza, a criança foi registrada em 30 de março.
Agora, a maior meta de José Carlos é fazer com que seu filho tire uma foto ao lado do Neymar jogador. “Daqui a uns 15 anos, o meu Neymar vai estar jogando bola inspirado no craque dos dias de hoje”, prevê. Em junho, quando estiver um pouco maior, o pequeno Neymar vai visitar a avó em São Caetano – e, é claro, aproveitar para assistir a seu primeiro jogo do Santos.
(Com colaboração de Míriam Castro e imagens de acervo pessoal)
Para comemorar a conquista do quinto campeonato brasileiro da história do Corinthians, o zagueiro Paulo André revelou seu talento como pintor. Durante a semana final da competição, em dezembro passado, o jogador levou uma tela em branco para o Centro de Treinamento e pediu que os colegas de time chutassem bolas sujas de tinta em direção a ela. Paulo André conta que foi o pintor Romero Britto quem lhe deu a ideia do quadro.
O resultado é uma tela cheia de marcas de bola nas cores branca, preta e roxa. Além disso, Paulo André pediu para que os craques do Corinthians deixassem marcas de seus pés e mãos na obra. Ele procurou colocar 38 pegadas ou traços de dedos no quadro para representar as 38 partidas jogadas pelo Corinthians no Brasileirão.
Agora, a tela pintada pelo zagueiro e seus colegas de equipe está exposta no restaurante Paris 6, nos Jardins. Com 2,65 m por 2,65 m, a tela foi levada na noite de sexta-feira para o local. “No restaurante, procuramos sempre valorizar as artes”, afirma Isaac Azar, proprietário do estabelecimento. De acordo com o empreendedor, a iluminação para o quadro será instalada hoje.
Haverá um coquetel – ainda sem data definida – destinado a atrair possíveis compradores da obra, cujo valor inicial é de R$ 50 mil. Da quantia, 10% serão destinados ao funcionário do Paris 6 que atender o cliente que levar o quadro para casa. O restante será destinado ao IPA (Instituto Paulo André), instituição criada pelo jogador que atende jovens carentes na região de Campinas.
Serviço:
Paris 6
R. Haddock Lobo, 1.240, Jardins, 3085-1595
(Com colaboração de Míriam Castro)
Acontece neste sábado (31) o I Encontro de Colecionadores de Objetos de Futebol, no Museu do Futebol. Trata-se do pontapé inicial para a inauguração do Centro de Referência do Futebol Brasileiro (CRFB), uma grande biblioteca e um completíssimo acervo de arquivos futebolísticos, prometido para abrir as portas ao público ainda este ano.
O evento do sábado começa pela manhã, com a palestra “Preserve seu Acervo”, às 10h. Teresa Toledo de Paula, pesquisadora do Museu Paulista da USP, é uma das palestrantes, e promete dar dicas para os colecionadores preservarem melhor suas camisas. “O segredo para conservar têxteis é não deixar que eles recebam luz”, adianta Teresa, que pretende ensinar o público a guardar, manusear e expor a coleção. O Museu do Futebol também prepara para o evento o lançamento da cartilha “Preserve seu Acervo”, com dicas para os colecionadores. Os livros, por exemplo, devem ser guardados em pé, enquanto as fotografias conservam-se melhor na horizontal. E um detalhe que pode evitar a degradação de fotos e papéis: nunca use cola, fitas adesivas, grampos, ou clipes de metal.
A tarde (12h às 17h) está reservada para os presentes mostrarem suas relíquias e trocarem experiências entre si. Para ser um expositor, basta mandar um e-mail para eventos@museudofutebol.org.br confirmando sua presença e dizendo o que você pretende levar. Vale tudo o que seja relacionado com o futebol: jogos de botões, medalhas, ingressos, figurinhas, fotos, camisas, livros, chaveiros e mais uma lista sem fim de possibilidades. Todas as atividades são gratuitas, e a organização do evento garante que coleções curiosas já estão inscritas. O colecionador Marcos Araújo levará mini-craques e Fernando Cury, uma coleção de artigos da Copa de 1958.
Gostaram da ideia do Museu do Futebol? Que tal promovermos um encontro dos leitores do Blog do Curiocidade que colecionam artigos de futebol? Conte-nos um pouquinho sobre sua coleção deixando um comentário no post.
I Encontro de Colecionadores de Objetos de Futebol
Museu do Futebol
Praça Charles Miller, S/N – Estádio do Pacaembu
31/03/2012, das 10h às 17h
Entrada franca
(Com colaboração de Júlia Bezerra)
Marcos Roberto Silveira Reis, o Marcos, irá completar 20 anos como goleiro do Palmeiras em 2012. Será também seu último ano como profissional. A despedida deverá acontecer no primeiro semestre. Aproveitando a ocasião, o jornalista Celso de Campos Jr. resolveu sair à frente e acaba de lançar uma biografia do craque. São Marcos de Palestra Itália, da Editora Realejo, é resultado de um trabalho de oito anos de pesquisa sobre a vida do jogador. O goleiro Marcos e o Palmeiras não gostaram da novidade, já que dois livros oficiais sobre o camisa 12 estão sendo produzidos para o ano que vem. Rubens Reis, diretor de marketing do Palmeiras, diz que o clube entrará com medidas legais caso o título seja publicado. “O autor desse livro pirata em momento algum consultou o clube ou o Marcos”, afirma Reis. “Não fez nenhum acordo para usar nossos direitos de imagem”.
Campos teve a ideia do livro em 2003, época em que Marcos recusou uma proposta da equipe inglesa Arsenal para substituir o goleiro David Seaman e permaneceu no Brasil, defendendo o gol do Palmeiras na Segunda Divisão. “Já admirava o Marcos desde antes daquela época”, diz o jornalista. “Com essa atitude, ele provou que não era um jogador qualquer”.
Campos é autor de Adoniran: uma biografia, sobre o compositor Adoniran Barbosa. O método de trabalho foi diferente. “No primeiro livro, entrevistei muitas pessoas para ajudar a reconstruir o personagem do músico”, explica. No caso de Marcos, o jornalista não entrevistou o arqueiro. Fez um trabalho de pesquisa em arquivos de jornais, revistas e internet. “O Marcos é uma personalidade atual, tem muita coisa sobre ele em todos os veículos”, conta. “Se eu perguntasse ao Marcos como foi uma partida de 1996, ele talvez não soubesse responder com precisão”.
Se a ameaça do Palmeiras se concretizar, a biografia de Marcos não será a primeira a enfrentar esse tipo de problema. O caso mais famoso foi o de Roberto Carlos. Em 2007, o jornalista Paulo César Araújo publicou Roberto Carlos em detalhes pela Editora Planeta. O cantor não autorizou a homenagem, que foi recolhida. O mesmo aconteceu com o livro Sinfonia de Minas Gerais – A vida e a obra de Guimarães Rosa, que teve que ser recolhido pela LGE Editora. Já Estrela solitária, trabalho de Ruy Castro sobre o jogador Garrincha, teve que passar por uma disputa jurídica de dez anos para, finalmente, voltar à circulação.
Isso acontece porque a Legislação brasileira ainda não tem um limite bem definido entre direito à privacidade e direito à informação sobre pessoas de projeção pública. A justificativa legal utilizada para barrar a publicação das biografias é o Artigo 20 do Código Civil. Ele garante que só podem ser divulgados escritos, citações e imagens de uma pessoa se esta (ou seu herdeiro) conceder uma autorização. “O Brasil está muito atrasado em relação a isso”, diz Celso de Campos Jr. “Em qualquer livraria, você vê três ou quatro biografias não-autorizadas de personalidades estrangeiras”. O autor não acredita que vá enfrentar problemas legais com o Palmeiras, já que seu livro enaltece o jogador, sem prejudicar a imagem dele ou a do clube. “E existe torcida palmeirense o suficiente para comprar mais de um livro sobre o Marcos”, justifica.
O jornalista tem a seu favor a modificação do Artigo 20, que está sendo feita pelos deputados federais Newton Lima (PT-SP) e Manuela D’ávila (PCdoB-RS), cujos projetos de lei permitem a divulgação de informações biográficas de pessoas públicas sem a necessidade de pedir autorização prévia. Por serem quase idênticos, os projetos de lei 393/11 e 395/11 foram apensados e aprovados na Câmara em dezembro. Agora, o texto vai para o Senado e, se não houver alteração, irá para a promulgação pela presidente Dilma Roussef.
(com colaboração de Miriam Castro)
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