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Curiocidade

Uma obra um tanto estranha começou a ser feita no final do ano passado na Avenida das Corujas, na Vila Beatriz, zona Oeste de São Paulo, e só agora ficou pronta. Foram criados, no meio da rua, canteiros que afunilam a pista e dificultam a passagem dos carros. À noite, como a rua é mal iluminada, os tais canteiros se tornam perigosos para os motoristas, pois não há qualquer tipo de sinalização. Os canteiros foram colocados num trecho que vai da rua Pascoal Vita até o final da Praça Dolores Ibarruri.

As modificações irritaram os moradores da Rua Natingui, paralela à Avenida das Corujas. De acordo com Flávio José Soares, secretário da Associação de Moradores da Rua Natingui, os canteiros atrapalham a circulação de carros pela via, que é de mão-dupla. “Já era difícil dois carros passarem lado a lado, pois a rua é muito estreita”, diz Soares. “Agora, fica quase impossível circular pela Avenida das Corujas”. Com a reforma, Soares afirma que o trânsito na Rua Natingui piorou, já que a Avenida das Corujas deveria ser um atalho para a Rua Pascoal Vita.

Obra em janeiro, ainda em fase de demarcação (Foto: Flávio Soares)

De acordo com a CET, o objetivo da obra é mesmo desencorajar o trânsito de passagem na via. A assessoria de imprensa do órgão informou que os canteiros ajudarão a “tornar compatível a velocidade dos veículos àquela regulamentada para a via (30 km/h)” e que a solicitação partiu de moradores da região em 2010. A mão-dupla de circulação será mantida normalmente. Outro motivo dado pela CET é a melhora nas condições de absorção da água da chuva, já que há um córrego entre a avenida e a Praça Dolores Ibarruri.

Para os membros da Associação de Moradores da Rua Natingui, os bloqueios foram implantados para favorecer moradores poderosos da região. Soares afirma que “um ex-ministro tem casa na Avenida das Corujas”, mas não sabe dizer o nome dele. Também acusa a Prefeitura de executar o projeto para benefício de um edifício comercial que está sendo construído na Rua Pascoal Vita. “A esquina com a Avenida das Corujas vai ficar tranquila para eles, enquanto a Natingui fica esse inferno”, reclama.

(Com colaboração de Míriam Castro)

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A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) intensificou a fiscalização aos veículos que desrespeitam as faixas de pedestres na cidade. Além de fiscais nas ruas, a CET instalou 240 câmeras de vídeo para flagrar motoristas que não dão preferência aos pedestres. Algumas câmeras são capazes de girar 360 graus. É aquela velha história: a multa vem antes da educação. A campanha publicitária – um sujeito vestido de faixa de pedestre no divã de um analista – pode até ser engraçadinha (não é!), mas não ajuda em nada.

Será que a Prefeitura de São Paulo está fazendo também a sua parte em favor dos pedestres? Andando pela cidade, percebo a falta de sinalização adequada para quem precisa atravessar a rua. A CET colocou 275 banners e faixas perto de semáforos indicando que as pessoas só devem atravessar quando o sinal estiver verde para elas. Banners? Os cruzamentos da cidade deveriam ter o semáforo especial de pedestres (homenzinho andando e homenzinho parado). Bem, a assessoria de imprensa da CET não sabe informar quantos dos 80 mil cruzamentos da cidade possuem esse tipo de semáforo. Diz apenas que são 14.776 semáforos para pedestres instalados em São Paulo. Como cada cruzamento deveria ter oito desses semáforos, fiz uma conta rápida e cheguei ao número de 1 847 cruzamentos com sinalização. Não é um número preciso, pois percebi que vários cruzamentos não têm os semáforos de pedestres em todas as direções – no caminho para casa, anotei a Teodoro Sampaio com a Henrique Schaumann e a Sumaré com a Vanderlei, só para citar dois exemplos.

Pior: desses semáforos para pedestres, somente 130 marcam o tempo que falta para o sinal abrir. A CET informa que esses novos equipamentos estão instalados em cruzamentos como o da Boa Vista com a 3 de dezembro, na Praça da Sé, e na Cotoxó com a Tavares Bastos, na Pompeia. Na Cotoxó com a Tavares Bastos, ele é praticamente inútil. O ciclo do semáforo é tão, tão, tão demorado que ninguém espera o bonequinho verde aparecer. Atravessa na primeira chance.

(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de Jose Patricio/AE)

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Se visse uma placa como esta ao lado de um semáforo fechado no trânsito, o que você faria? Seguiria em frente ou daria meia volta?

Algum paulistano  muito pessimista anda mexendo em placas de rua sem saída de São Paulo. O Blog do Curiocidade flagrou a da foto acima no cruzamento das ruas Arthur de Azevedo e Virgílio de Carvalho Pinto, em Pinheiros. Em uma travessa da avenida Brigadeiro Faria Lima, encontramos outra idêntica a essa. A Companhia de Engenharia de Tráfego informa que intervenções em placas são recorrentes. Por isso não há como  precisar quantas placas de “Rua sem Saída” foram modificadas. Segundo a assessoria de imprensa da CET, se for apenas um adesivo, a remoção será feita pelas equipes de comando que passarem pelo local. Mas, se a brincadeira tiver sido feita com tinta, a manutenção precisará ser agendada.

(Com colaboração e foto de Karina Trevizan/AE)

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Foto: Filipe Araujo / AE

Dos 4.707 funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET), 589 atuam na função de Gestor de Trânsito. Esses profissionais precisam ter formação superior em Engenharia, Arquitetura ou Tecnologia. Podem atuar nas áreas de Planejamento, Projetos, Sinalização e Operação de Tráfego. No caso da CET,  a maioria deles (235) é formada em Engenharia.

O professor João Cucci Neto, responsável pela disciplina de Engenharia de Tráfego do curso de Engenharia Civil da Universidade Mackenzie, explica que o engenheiro de trânsito deve cuidar de tarefas como planejamento do sistema viário, formas de controle do trânsito, desenho geométrico da construção de vias, programação de semáforo, sinalização, entre outros. Embora não exista um curso de graduação universitária de Engenharia de Tráfego, alguns cursos de Engenharia Civil têm essa disciplina em sua grade curricular. Há também cursos de pós-graduação e mestrado na área, voltados para engenheiros de qualquer área, arquitetos e tecnólogos. “A duração do curso e os pré-requisitos variam de acordo com as instituições de ensino”, explica Cucci. Segundo o professor, o mercado de trabalho melhorou depois que entrou em vigor o novo Código de Trânsito, em 1998. “Os municípios passaram a fazer a gestão de seu próprio trânsito, e isso criou uma demanda por profissionais da área do tráfego”, afirma. “O início das privatizações das rodovias e a criação de concessionárias também abriu o mercado”.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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