Hyanna Prem é terapeuta e sexóloga do Centro Metamorfose. Fundado há 26 anos, o centro oferece terapia tântrica, baseada em fundamentos do Tantra, doutrina surgida na região da Índia por volta do século 5.
O Centro Metamorfose usa o método criado por seu fundador, Deva Nishok. A ideia é mostrar outros conceitos sexuais a quem conhece a terapia. “A pessoa adquire consciência energética do corpo, percebe que o prazer não é obtido apenas com a penetração”, conta Hyanna. “Atualmente, o sexo tem foco excessivo nos órgãos genitais, quando o prazer pode ser sentido no corpo inteiro. A melhora não é somente física, mas também espiritual e psicológica.”
De acordo com Hyanna, o centro é procurado por todos os tipos de públicos. Homens e mulheres com disfunções sexuais ou que desejam agradar ao parceiro, casais que querem salvar o casamento ou solteiros ansiosos por melhorar a performance são orientados a, primeiro, experimentar uma das massagens do método. “Desta maneira, o corpo é preparado para receber o orgasmo”, afirma a terapeuta.
Não há nenhum tipo de relação sexual entre quem faz a massagem e quem a recebe. A ideia, de acordo com a terapeuta, é conhecer o próprio corpo, obter maior consciência espiritual e energética. Depois de passar pela sessão, o recém-chegado pode ir a um dos cursos intensivos de massagem tântrica realizados nos finais de semana no Centro Metamorfose, nos quais duplas de homens e mulheres aprendem a aplicar as técnicas de Deva Nishok.
Serviço:
R. João de Souza Dias, 962, Brooklin, 2691-3084
(Com colaboração de Míriam Castro e foto de divulgação)
Pesquisar a origem do doce chamado sonho é, com o perdão do trocadilho, um verdadeiro pesadelo! Há várias versões. A história mais aceita diz que, no século 17, um jovem padeiro alemão ainda se remoía de vergonha de ter sido afastado do Exército quando resolveu fritar algumas bolotas de massa fermentada, em vez de assá-las. E assim nasceu um doce chamado em muitos países de “bola de Berlim”. A iguaria se espalhou pelo mundo inteiro com algumas variações e muitos nomes. Na versão brasileira da história, o que se conta é que o sonho veio logo depois do pão-doce, que começou a ser vendido em São Paulo na década de 1920. Para aproveitar as sobras de massa, os padeiros brasileiros faziam bolinhos, fritavam e recheavam com um creme feito de leite, gemas, açúcar, farinha de trigo, manteiga e essência de baunilha. Depois polvilhavam açúcar confeiteiro por cima.
O sonho está presente em praticamente todas as padarias de São Paulo. Muitas passarem a oferecer também pequenas variações da receita. O Blog do Curiocidade apresenta alguns desses “primos” dos famosos sonhos:
Benjamin Abrahão – o sonho propriamente dito
O padeiro Benjamin Abrahão (1925-2001) foi um dos maiores divulgadores do sonho em São Paulo – por isso, nesse roteiro, a Benjamin Abrahão foi escolhida para apresentar o sonho tradicional. Na década de 1940, ele e a mulher, Maria Luísa, alugavam um forno à noite para assar os doces e salgados que seriam vendidas numa banca de feira no dia seguinte. O sonho era uma dessas receitas. “Naquela época, o doce era caro, principalmente por causa da baunilha”, conta Felipe Abrahão, neto de Benjamin e sucessor do avô na área de panificação. “Por incrível que pareça, os maiores compradores eram japoneses, que estavam acostumados a doces mais secos, como aqueles feitos com feijão azuki”. Mesmo trabalhando com um grande mix de produtos, Felipe não deixa faltar o sonho, colocado em lugar de destaque nas vitrines da padaria. “Fazemos todos os dias 12 sonhos, assados e fritos, do grande (R$ 4,60) e 20 sonhos, com creme e sem creme, do mini (R$44/kg)”, explica. “Se fizermos um a menos, um cliente ficará sem”. Na loja, ele oferece apenas o tradicional, recheado com creme de baunilha. Outros recheios, como brigadeiro, doce de leite e goiabada, só são feitos sob encomenda. R. Maranhão, 220, Higienópolis, 3120-8070.
Spadaccino – Bombolones
Os bombolones são a versão italiana do sonho. “Meus avós tinham uma padaria em Bolonha, na Itália”, conta Paula Lazzarini, sócia do restaurante Spadaccino, na Vila Madalena. “Eles faziam o doce lá. Mas, quando vieram para São Paulo, a família perdeu o costume”. Por sempre achar os sonhos brasileiros muito pesados, Paula viajou em 2011 para Bolonha atrás de uma receita. Foi até um confeitaria que vendia apenas sonhos e crepes. Sua memória afetiva dizia que tinha sido ali que ela experimentara o melhor bombolone da região. “Estava na fila, esperando pelo pedido, quando ouvi o dono comentar que iria fechar o estabelecimento”, relembra. “Não tive dúvida: pedi que ele me passasse a receita”. Mesmo com a tarefa cumprida, Paula tinha receio de não conseguir dar ao doce o mesmo sabor e leveza. “Depois do dia em que meu irmão comeu 18 bombolones no café da manhã, cheguei à conclusão de que tinha encontrado a receita certa”. Os bombolones são a principal atração do brunch servido aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 13h. Mas, nesses dias, eles podem ser pedidos também à parte, com recheio de baunilha (R$ 3), damasco, nutella ou goiaba (R$ 4). R. Mourato Coelho, 1267, Vila Madalena, 3032-8605
Marie-Madeleine – Brioche Troppézziene
Em Saint-Tropez, na França, o Brioche Tropézziene foi criado por um ex-paraquedista polonês, que participou da libertação da Riviera Francesa ao final da Segunda Guerra. Apaixonado pela região, ele decidiu abrir ali uma padaria que, entre baguetes e croissants, vendia também um bolo de massa leve, recheado com muito creme, que era receita da mãe. Em 1952, durante as gravações de “E Deus Criou a Mulher”, a jovem atriz Brigite Bardot se apaixonou pelo doce e, com o estrelato, popularizou a receita como sua sobremesa preferida.
Agora, em São Paulo, o doce desembarca pelas mãos do chef francês Jean-Louis Clément, trazido para a cidade pela chef Izabel Pereira, dona da butique de pães Marie-Madeleine. O formato do doce lembra o de um sonho, mas a receita é diferente. A massa leve, de brioche assada, é recheada com creme mousseline (creme de pâtissière batido com manteiga para ficar mais aerado). “Um de nossos clientes assíduos provou e se encantou”, conta Izabel. “Naquele dia, comprou todos os que haviam saído”. O Brioche Tropézziene é vendido nos tamanhos pequeno (R$10) e grande (R$42). “Alguns clientes ficam curiosos com a aparência do doce e outros conhecem bem a região de Saint-Tropez e vêm matar a saudade”. R. Afonso Bráz, 511, Vila Nova Conceição, 2387-0019
Maria Louca – Helena
O sonho não acabou? Acabou, sim! Certa ocasião, na Casa de Pães Maria Louca, no Ipiranga, um cliente chegou desesperado atrás de um sonho, mas a fornada seguinte iria demorar para sair. Percebendo que o rapaz ficara desolado, o confeiteiro improvisou: pegou uma rosquinha de sonho (que tem a mesma massa e tamanho do sonho), cortou-a no meio e colocou o tradicional recheio de baunilha. “O doce recebeu o nome de ‘Helena’, uma homenagem que o confeiteiro fez para a filha”, conta a atendente Elisângela de Souza Santana. “Hoje trabalhamos com os dois tipos”. O sonho grande custa R$ 3,20, enquanto o Helena sai por R$ 4,30. “Aqui, quando o sonho termina, a Helena entra no seu lugar”, brinca Elisângela. R. dos Patriotas, 874, Ipiranga, 2219-7070
A Quinta do Marquês – Fofo de Belas
Com tradição em doces portugueses, A Quinta do Marquês oferece o Fofo de Belas (R$ 4,50/uni. ou R$24/ 6 uni.) muito parecido com o sonho, em seu tamanho e seus ingredientes. O doce foi criado há cerca de 200 anos por uma pasteleira portuguesa na Vila de Belas, em Sintra. Inicialmente, o doce recebeu o nome de “Farto de Creme”. A massa de pão de ló assada leva recheio de creme de baunilha e açúcar polvilhado por cima. A Quinta do Marquês também oferece o sonho tradicional, com recheio de baunilha ou doce de leite, tanto grande (R$ 4,50) quanto mini (R$ 24/kg). Av. Brigadeiro Faria Lima, 1853, Jardim Paulista, 3371-2300
(Com colaboração de Beatriz Duarte)
Que a força esteja com você… para resistir a estes chocolates! Desde agosto passado, a confeiteira Alessandra Luvisotto, da Nena Chocolates, vende suas criações com o formato dos personagens de Star Wars. “Um dia, vi sabonetes com essas figuras”, explica ela. “Tive a ideia de procurar forminhas de chocolate e acabei encontrando num site americano”. Alessandra confessa que conhece muito pouco sobre a série. “Lembro que, no primeiro bazar que fui participar, não sabia escrever os nomes dos personagens”, conta. “Tive que pedir ajuda para alguns fãs que estavam ali por perto. Eles acabaram soletrando para mim”. Alessandra diverte-se quando conta que muitos compram o chocolate para guardá-los em coleções.
Apenas sob encomenda, a chocolateria vende a cabeça de Darth Vader (R$ 7), o Han Solo na placa de carbonite (R$ 10) e a Millennium Falcon (R$ 13), que podem ser recheados com trufa; vende também o R2D2 (R$ 7), o Mini Han Solo (R$ 8, 6 unidades) e a Mini X- Wing (R$ 8, 6 unidades), estes sem recheio. Todos são feitos com chocolate belga Callebaut, e o cliente pode escolher ao leite, meio amargo ou branco.
Para a Páscoa, Alessandra pretende aumentar a variedade, fazendo os personagens Storm Trooper e Death Star. E para quem não é tão fã de Star Wars, outros personagens do mundo nerd que estão por vir são o Batman e bonequinhos de Lego.
A Nena Chocolates é pioneira em São Paulo, mas chocolates com esses formatos já vinham sendo vendidos também em Brasília pela Confeitaria Zeek.
Nena Chocolates
Telefone: (11) 2528-2054
e-mail: nenachocolates@gmail.com
site: www.nenachocolates.com.br
(Com colaboração de Beatriz Duarte)
Minha procura por endereços curiosos de São Paulo começou por causa de Sharon Stone. É que o filme “O Instinto Selvagem” tinha acabado de estrear em São Paulo, em 1992, e fez de cara muito sucesso. A personagem de Sharon no filme matava suas vítimas com um prosaíco picador de gelo. Na redação de Veja S. Paulo, onde eu trabalhava na época, decidimos sair à procura de picadores de gelo pela cidade. Não encontrei a peça, mas pauta rendeu uma reportagem de 20 páginas mostrando “onde encontrar produtos e serviços difíceis”. A partir daí, continuei procurando lugares secretos na cidade e isso rendeu o guia “Os Endereços Curiosos de São Paulo”, que tem hoje 1 000 verbetes.
Há alguns dias, durante uma caminhada pelo centro atrás de novas descobertas, cheguei à loja Daiso Japan, inaugurada no final de 2012, na Rua Direita, quase na esquina com a Praça do Patriarca. A empresa possui cerca de 3 mil lojas espalhadas pelo mundo, sendo 1.200 delas em países da Ásia. Esta é a primeira na América Latina. O conceito é o mesmo de nossas famosas lojas de “tudo por R$1,99”. Só que, na Daiso, os produtos importados custam R$ 5,99 (esse preço pode subir nos próximos dias para R$ 6,99 ou R$ 7,99, me disse um dos funcionários).
O clima nipônico prevalece tanto nos produtos fornecidos quanto na música de fundo e nos clientes. A estratégia utilizada pela equipe da Daiso foi fazer anúncios apenas em veículos da colônia japonesa em São Paulo. Além disso, a loja deu preferência para atendentes que tivessem familiaridade com a língua. Pois foi ali, no meio de petecas de badminton e porta-bananas, que encontrei pela primeira vez picadores de gelo à venda em São Paulo. Um picador de gelo de aço inox, com cabo de madeira, medindo 15 centímetros. Vinte anos depois, finalmente, posso dizer que tive um reencontro com Sharon Stone em plena Rua Direita. Era mais um momento para celebrar a cidade que – agora posso dizer – tem mesmo de tudo!
Rua Direita, 247, Centro, Seg. a sáb. 9h30/19h30 e dom. 9h30 a 15h30.
(Fotos Divulgação e Clayton de Souza/Estadão)
A maior cidade da América Latina completa hoje 459 anos. Geralmente, São Paulo é lembrada por sua riqueza, seus personagens, seu comércio, sua infraestrutura e suas facilidades. Afinal, são mais de 10 milhões de pessoas, 5 milhões de carros, 270 mil lojas, 13 mil restaurantes, 1 mil academias de ginástica, 300 casas de shows, 260 salas de cinema, 160 teatros e 110 museus. O que poucos reparam é que, apesar do cinza e do concreto predominantes, a cidade também tem seu lado colorido.
Em homenagem à data, o Blog do Curiocidade foi atrás de gente que enxerga o lado bonito de São Paulo. Conheça três tumblrs que divulgam na internet belezas escondidas e escancaradas nas ruas paulistanas:
Olhe os Muros
O seguidores deste tumblr recebem diariamente fotos de muros com pichações inspiradoras. O projeto é uma iniciativa dos paulistanos Eduardo Perazza (advogado) e Gabriela Sério (publicitária), que começou em 2009. “Estava parado no trânsito e me chamou a atenção um muro pichado com a frase ‘Você é um escravo do trânsito’”, lembra Eduardo.
Foi aí que ele criou uma conta no Twitter e se juntou à colega Gabriela para começar a divulgar fotos de muros com frases interessantes. Em um ano, a dupla tinha cerca de 300 seguidores. Em 2010, Eduardo teve a ideia de criar o tumblr e, a partir de então, o público cresceu em velocidade exponencial. Hoje, são 44 mil seguidores no Facebook, 22 mil no Tumblr e 3 mil no Twitter. O conteúdo é feito de maneira colaborativa. Com o volume de fotos recebidas em um dia, daria para abastecer 20 dias de postagens no tumblr.
Desde que começou a prestar atenção nos muros, Eduardo abandonou o carro e diz ter aprendido a conviver com a cidade. Ele dá um conselho aos que ainda lutam contra as mazelas da metrópole: “Olhe os muros e observe a cidade, que ela tem algo a oferecer”.
Arte na Cidade
O tumblr foi criado em 2011 pela professora de inglês Kátia Draugelis. Ela abastece as postagens com fotos de flagrantes artísticos tiradas em suas andanças por São Paulo. O objetivo de Kátia é manter um registro da arte de rua espalhada pela cidade. “Como a arte é muito efêmera, a cidade vai mudando com o passar do tempo”, justifica.
A paulistana sabe aproveitar as vantagens da metrópole: “Só uso transporte público e observo muito as diferentes pessoas que habitam a cidade”, conta. Apesar de assumir reclamar dos problemas de São Paulo, ela não tem dificuldade em enxergar sua beleza. “Tem sempre algo novo e diferente, um detalhe não visto”, admira Kátia. “Há beleza até no caos”.
São Paulo da Garoa
O tumblr criado por Rafael Gushiken contém um acervo de fotos que retratam a cidade de São Paulo por meio de diferentes pontos de vista. O paulistano é íntimo da cidade: “Apesar de criticá-la intensamente, admiro seus pequenos detalhes”, conta. O curioso é que não são os pontos turísticos tradicionais que figuram por lá. Em vez disso, São Paulo é representada com fotos das dependências do metrô, da sujeira no Rio Tietê, da placa dos Narcóticos Anônimos e dos canteiros de obras com os quais os paulistanos são obrigados a conviver. Apesar de parecer grotesco, o resultado é surpreendentemente belo – tal qual a homenageada São Paulo.
(com colaboração de Júlia Bezerra)
Começou o zum zum zum de novo em São Paulo. É só chegar o verão que os pernilongos voltam a atacar os paulistanos. O calor e as tardes chuvosas aceleram o ciclo biológico desses mosquitos e sua temida proliferação. As fêmeas, que precisam de sangue para produzir seus ovos, são as responsáveis pelas dolorosas picadas e pelas manchas avermelhadas que se espalham pelo corpo. Segundo o biólogo Guilherme Domenichelli, os locais preferidos dos pernilongos são os mais vascularizados, aqueles por onde passam mais sangue no corpo. “Podemos ser picados pelo corpo inteiro”, explica. “Só que é mais provável sermos picados na perna e no braço do que na orelha, por exemplo’”.
Os irritantes insetos, que tem cerca de 7 milímetros, são foco também de muitas perguntas curiosas. O Blog do Curiocidade entrevistou uma especialista no assunto: a bióloga Sirlei Antunes Morais, doutora pela Faculdade de Saúde Pública da USP e criadora do blog “Mosquito Culex”, que falou sobre os mitos e as verdades que rondam a cabeça dos paulistanos.
Por que os pernilongos aparecem mais no verão do que no inverno?
Porque as condições climáticas do verão aceleram as funções fisiológicas no organismo do mosquito de um modo geral e, na presença de criadouros propícios para o desenvolvimento das fases imaturas, a população de mosquitos aumenta proporcionalmente.
Os pernilongos têm preferência por um determinado tipo sanguíneo?
O mosquito Culex quinquefasciatus, o pernilongo, possui tendência a sugar o sangue humano. Contudo, dependendo do ambiente onde vive, pode ser encontrado com sangue de aves, cavalos, cachorros ou outros animais. O que atrai são os odores emanados pelo corpo do homem ou dos animais.
Os pernilongos atacam mais homens, mulheres ou crianças?
Não existem pesquisas sobre essa estatística. É provável que essa preferência não exista.
Dizem que pessoas que andam com perfumes adocicados são o alvo preferencial de pernilongos. Isto é verdade?
Dentro da área de entomologia, não existe essa associação perfume x pernilongos. Isso não faz parte da evolução do comportamento do mosquito. Isso pode ocorrer com outras espécies, como borrachudos ou mosquinhas pequenas, que costumam ser confundidas com pernilongos.
Tem alguma parte do nosso corpo que os pernilongos preferem picar?
É provável que busquem as partes mais finas ou sensíveis da pele, pelo contato intravenoso mais rápido.
Por que depois de picar, o pernilongo fica parado na parede, se tornando um alvo fácil?
Depois de se alimentar de sangue, a fêmea precisa de repouso a fim de armazenar energia para o amadurecimento dos ovos. Ela evita principalmente o voo, no qual há consumo extremo de energia pelos músculos alares durante o batimento das asas. A fêmea volta a atacar logo após a postura dos ovos.
Qual é a quantidade de sangue que ele suga?
Não tenho um número preciso. Visualmente parece não passar de 0,5 a 1 microlitro de sangue.
Como o repelente funciona? A citronela é o único cheiro que afugenta os pernilongos?
Os mosquitos são atraídos para o corpo dos animais pelos odores liberados por estes. Esses odores são sinalizados pelos receptores químicos olfativos do mosquito, localizados principalmente nas antenas. Os repelentes atuam bloqueando a atividade desses receptores, confundindo a percepção do mosquito para um determinado alvo.As Substâncias aromáticas são capazes de repelir os mosquitos, principalmente por causarem esses efeitos de bloqueio na sensibilidade olfativa. Como no caso dos componentes aromáticos da planta citronela, eucalipto, cravo, entre outros. Os mosquitos também se afastam de derivados de álcool na pele.
Por que, quanto mais se coça, pior fica a ferida causada pela picada?
A coceira é desencadeada inicialmente pelas substâncias estranhas que o mosquito injeta na pele no momento da picada e também pela minúscula abertura que é feita, a qual afeta algumas terminações nervosas. O ato de coçar irrita ainda mais essas terminações e pode causar infecções pelo contato com o meio externo.
Quanto tempo vive um pernilongo? Macho e fêmea vivem o mesmo tempo?
Dependendo da região e das condições favoráveis, eles vivem até 3 meses, podendo ou não haver diferença entre macho e fêmea. Esse cálculo é imprevisível por depender de vários fatores externos.
Quantos ovos a fêmea põe de cada vez?
De 100 a 200 ovos. Cada vez que se alimenta de sangue, a fêmea realiza uma postura. A gestação e postura duram em média de 3 a 4 dias. Assim, quanto mais se alimentar de sangue, mais realizará posturas.
O que os pernilongos machos ficam fazendo enquanto as fêmeas ficam sugando o nosso sangue?
Geralmente os machos ficam ao redor dos criadouros ou sob os arbustos. Alimentam-se de açúcar na seiva das plantas ou copulam com as fêmeas jovens que nascem nos criadouros. Às vezes estão dentro de casa, à procura de fêmeas para a cópula ou para abrigo do sol e da chuva.
Por que os pernilongos fazem um barulhinho nos nossos ouvidos antes de atacar?
O zumbido do pernilongo é resultado das batidas das asas durante o voo. Asas de mosquitos produzem em média 270 a 307 batidas por segundo. Assim, as batidas da asa desencadeiam uma onda de pressão, com propagação de som pelo ar de 300 a 900 Hz, frequência audível pelo ouvido humano.
Por que os pernilongos atacam mais de noite do que de dia?
O pernilongo desenvolveu adaptações no órgão da visão em que enxerga e se direciona melhor por meio de comprimentos de onda refletidos e disponíveis durante o período noturno.
Ligar um ventilador ajuda a afugentar os pernilongos?
Ajuda, mas suas asas são bastante potentes para resistir ao vento.
Como é que os pernilongos chegam até em lugares altos?
A fêmea voa à procura de alimento por até 2,5 km, em qualquer direção. Desde voos rasantes até em pontos mais altos. Existem também um movimento chamado “dispersão passiva”. Os mosquitos adultos entram em ônibus, aviões e em carros, se deslocando de um local ou até mesmo de um país a outro. Entram em elevadores e chegam aos andares mais altos dos prédios.
(com colaboração de Beatriz Duarte e foto de Filipe Araújo/Estadão)
Meus almoços de sábado no Restaurante do Carlinhos, no Pari, nunca serão mais os mesmos. Os deliciosos arais e o basturmá com ovos na manteiga continuarão sendo preparados por Fábio Yaroussalian. O irmão, Fernando, a simpatia em pessoa, continuará recebendo os clientes na porta, enquanto a mãe dos dois, Vartuhy, comandará a brigada de garçons ali do caixa. Mas o patriarca Carlinhos não estará mais lá na cozinha. Ele faleceu na manhã deste domingo, 20 de janeiro, aos 68 anos.
Na hora de ir embora, eu sempre dava uma entrada na cozinha para me despedir do Carlinhos. E ele estava ali diante de um balcão, por onde saíam travessas enormes de carnes e porções caprichadas de acompanhamentos. Uma única vez consegui conversar mais longamente com o Carlinhos. Foi numa festa de um de seus netos num bufê infantil na zona Norte. Ficamos na mesma mesa e ele me contou um pouco de sua história. Missak Yaroussalian, filho de armênios, nasceu em Damasco, capital da Síria. Chegou em São Paulo em 1948, com 3 anos de idade. Começou a trabalhar cedo, aos 9 anos, ajudando o pai na feira. Depois, com pouco mais de 15 anos, abriu um mercadinho. Como Missak era um nome difícil de ser pronunciado, adotou o apelido de “Carlinhos”.
Casou-se com Vartuhy em outubro de 1970 e, no ano seguinte, abriu a primeira lanchonete – a Carlinhos Bar e Lanches. Ela ficava na Rua Maria Marcolina, no Brás. O primeiro restaurante foi inaugurado em 1988. Era uma casa com 32 lugares na Rua Miller, no mesmo bairro. “Eu não entendia nada do ramo”, me confessou. “Comecei a comprar livros e fui aprendendo”.
Carlinhos ia contando, mas estava sempre preocupado em não deixar meu copo vazio e não poupava também os salgadinhos do bufê. Lembro da cara feia que ele fez ao experimentar um daqueles mini-hambúrgueres. Foi aí que ele contou como foi que inventou o sanduíche que iria transformá-lo numa celebridade da chamada baixa gastronomia da cidade: o arais.
Em 1983, num dia em que estava morrendo de vontade de comer uma esfiha, Carlinhos improvisou na cozinha de casa. Partiu um pão sírio ao meio, pegou carne de cafta e espalhou uma camada bem fininha em um dos lados do pão. Arriscou ainda algumas rodelas de tomate e um toque de limão. Fechou e colocou o pão e a carne para esquentar juntas. O segredo, me explicou, era colocar a mão aberta em cima do pão. Ao sentir que a carne começava a borbulhar, o sanduíche estava pronto. Da primeira vez, não gostou muito. Tirou o tomate e o limão, e fez nova experiência. Aí, sim, aprovou. O arais virou o carro-chefe da casa que seria inaugurada em 1999 na Rua Rio Bonito. O nome foi patenteado pela família, que vende 10 mil unidades por mês da criação.

No ano passado, os filhos Fábio e Fernando – Felipe é o único que não se aventurou no ramo gastronômico – levaram o arais para além das fronteiras do Pari. Inauguraram a primeira unidade do “Arais do Carlinhos”, no Bom Retiro, com planos de expansão para outros bairros. Numa reportagem do TV Curioso, os três contaram um pouco da história do prato.
(A reportagem começa a 1 minuto e meio)
Carlinhos passou 35 dias internado no Hospital Paulistano, no Paraíso - comemorou ali o Natal, o Ano Novo e também o aniversário de 68 anos no último dia 12 de janeiro. Teve alta na sexta-feira e voltou feliz da vida para casa. Faleceu às 10 horas, de parada cardíaca, logo depois de ter tomado o café da manhã no domingo – dia em que a família comemorava o aniversário de Fábio. Carlinhos já tinha sido vítima de infartos duas vezes (1984 e 1997). Está sendo velado na Paróquia Armênia Católica, na Avenida Tiradentes. Foi ali que, nos últimos 30 anos, Carlinhos organizou os churrascos da comunidade em homenagem a São Gregório de Narek, monge e poeta armênio. O enterro acontece nesta segunda-feira, às 11h, no Cemitério da Quarta Parada, no Belenzinho. A missa de sétimo dia será celebrada no próximo domingo, dia 27, na mesma igreja, às 11h.
(Fotos de José Luis da Conceição e Ernesto Rodrigues/Estadão)
No final de novembro do ano passado, foi inaugurada no 320 da Rua dos Pinheiros a hamburgueria Meats. Sob o comando de Paulo Yoller, ex-chef da premiada Butcher’s Market, a casa já nascia sob altas expectativas dos amantes de sanduíches. Tudo estaria perfeito se, no número 507 da mesma rua, não houvesse a Meat Chopper, inaugurada um mês antes.
Valerie Andrade, uma das sócias do Meat Chopper, diz que não vê grandes problemas na semelhança dos nomes. “As pessoas ligam perguntando se é a hamburgueria do Paulo e nós dizemos que não”, conta. “Até brincamos dizendo para elas virem na nossa também.” Valerie afirma que não pretende mudar o nome de seu restaurante e acredita que, com o tempo, os clientes vão se acostumar e distinguir um do outro.

Fachada da hamburgueria Meats, no número 320 da Rua dos Pinheiros (Foto: Hélvio Romero/Estadão)

Fachada da Meat Chopper no número 507 ( Foto: Hélvio Romero/Estadão)
As confusões são mesmo comuns, afirma Yoller: “Muitos clientes fazem reserva em um dos restaurantes e acabam no outro”. Quando soube da existência da hamburgueria com nome semelhante na mesma rua, o chef fez uma mudança sutil. Inicialmente, o nome da casa seria “Meat” (carne, em inglês), mas foi alterado para “Meats” para evitar mais confusão (embora na nota fiscal ainda apareça o nome no singular).
Yoller não pretende fazer mais alterações no nome da casa. “É um nome que tem tudo a ver comigo”, diz. “Tudo que sou hoje em dia tem a ver com carne.” Ao se formar em Gastronomia, ele procurou emprego em um açougue, onde aprendeu detalhes sobre o manuseio da carne. Este conhecimento, hoje em dia, é usado para a elaboração dos hambúrgueres. Por isto, Yoller não abre mão do nome. “O cliente vai saber que é o meu restaurante”, afirma.
Serviço:
Meat Chopper
R. dos Pinheiros, 507, Pinheiros, 3081-5369
(Com colaboração de Juliana Tamdjian e Míriam Castro)
Uma nova passarela passou a fazer parte da paisagem do bairro do Paraíso. Ela fica a 8 metros de altura da calçada, tem 34 metros de comprimento e liga o Hospital do Coração (HCor) a um novo prédio que está sendo construído do outro lado da Rua Desembargador Eliseu Guilherme. A nova unidade do hospital, de 15 andares, está em construção desde 2009 e tem previsão de ser entregue em março deste ano. A passarela terá dois níveis. Foram necessários guindastes de 60 metros de altura para transportar e montar as 100 toneladas da estrutura que compõe a passagem elevada. “O trabalho foi feito em finais de semana e finalizado no início do ano justamente para não atrapalhar o trânsito da região”, conta Jorge Bacha, engenheiro e superintendente de operações do hospital.
No novo prédio, o HCor terá salas híbridas, que podem ser utilizadas para diferentes funções como cirurgias e exames de cardio e neurologia. Além da passarela, foi construído também um túnel para ligar os subsolos dos dois edifícios. “Ele será mais utilizado para serviços como manutenção e limpeza”, conta Bacha. Esta é mais uma etapa de ampliação do hospital que foi construído há 36 anos e é mantido pela Associação do Sanatório Sírio, criada por senhoras da comunidade árabe de São Paulo em 1918 para ajudar crianças órfãs da Primeira Guerra Mundial.
Imagem ilustrativa de como ficará a passarela no final da obra (Divulgação)
O HCor, no entanto, não é o primeiro hospital da cidade a se valer de uma passarela para unir seus prédios. Já existe uma passarela entre o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), na Avenida Doutor Arnaldo, e o Hospital das Clínicas, na Avenida Doutor Enéas de Carvalho Aguiar. Inaugurada em 25 de março de 2010, a via liga o térreo do Icesp ao sexto andar do HC e é usada por médicos que atuam nos dois estabelecimentos, alunos da Faculdade de Medicina da USP, e colaboradores que transportam materiais de laboratórios e pacientes internados em enfermaria e UTI. Os pacientes cadastrados nas duas instituições só podem circular quando acompanhados por funcionários.
(Com colaboração de Juliana Tamdjian e Míriam Castro/Foto de Rodrigo Duarte)
O La Sanguchería já tem data para abrir suas portas: 1º de fevereiro. Dos mesmos donos do Killa Novoandino, a nova casa ocupará o antigo endereço do restaurante peruano na Rua Tucuna, em Perdizes. “Ainda estamos terminando de pintar o imóvel”, afirma o proprietário Georges Hutschinski. A decoração será simples, com mesas de madeira e algumas frases escritas na parede. As citações ainda não foram escolhidas, mas devem ser elogios à comida – em espanhol, claro. Para a trilha sonora ambiente, música peruana de rua.
O cardápio ainda não foi totalmente fechado, já que as últimas degustações serão feitas na próxima terça-feira. Na reportagem feita pelo Blog do Curiocidade em setembro do ano passado, Hutschinski contou que o novo restaurante seria uma lancheteria com receitas típicas das ruas peruanas, sob o comando da imigrante Cecilia Valle, que já cuidava das sobremesas do Killa. A ideia se manteve: “Vamos ter sanduíches tradicionais com peixe, carne de porco e também versões vegetarianas”, afirma. No menu, também estarão o triple, sanduíche argentino com pão de miga, empanadas e sobremesas como alfajor e arroz com leche (arroz doce). Cada sanduíche será um pouco maior, em diâmetro, que uma bolacha de chope, e custará por volta de R$ 14.
Serviço:
La Sanguchería (30 lug.)
R. Tucuna, 689, Perdizes, 3872-1625
11h30/22h (fecha 2ª)
(Com colaboração de Míriam Castro e foto de reprodução)
2013
2012
2011