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A loja virtual Visou, que ofendeu pelo menos duas clientes desde o começo deste ano, recebeu uma avalanche de críticas depois da reportagem publicada ontem à noite no Blog do Curiocidade. O site da empresa saiu do ar. Só assim, no início da tarde, a empresa publicou uma retratação pública em sua página do Facebook.

Publicou também um pedido de desculpas na página da jornalista Nina Gazire, uma das ofendidas. Os donos da Visou jogaram a responsabilidade nas costas de Guilherme Souza Castro, que seria o responsável pelas mídias sociais da empresa. Natasha Souto e Richard Ferrari afirmam que estavam “distantes da operação nos últimos meses”. Escreveram ainda que o funcionário foi demitido e que não era justo eles pagarem pelo erro de um “playboy que só aceitou o emprego para pagar suas tatuagens”.

Acontece que a Visou conseguiu, mais uma vez, irritar os internautas. O texto da retratação não é legítimo. Salvo algumas palavras, o conteúdo do post é idêntico ao de uma retratação publicada no jornal online O Alto Acre. O texto foi simplesmente copiado:

A postura da Visou e as ofensas desferidas contra as consumidoras acabaram sendo ironizadas com a criação de uma fanpage no Facebook chamada Visou Indelicada. A página conseguiu 1 300 curtições em apenas quatro horas de existência. No final da tarde,  a página da Visou foi apagada do Facebook.

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Em julho, a jornalista Nina Gazire comprou um anel na loja virtual Visou. O e-mail de confirmação chegou rápido, mas o produto, não. Quase dois meses depois do pedido, ela decidiu reclamar diretamente na página da empresa no Facebook. A “loja” não informa nenhuma outra forma de contato no site.  No Facebook, há fotos dos dois donos do negócio: Richard Ferrari e Natasha Souto, do Rio de Janeiro.  Ao contrário de casos em que os analistas de mídias sociais são eficientes na resolução de crises, a história de Nina não terminou tão bem.

Ontem à noite, a jornalista enviou uma mensagem perguntando sobre a encomenda. “Eles disseram que, sem o número do pedido, ficava difícil procurar”, diz Nina. “A discussão começou depois que eu enviei o código e disse que eles não deviam tratar uma cliente desta maneira desrespeitosa.” Desrespeito foi o que veio nas mensagens seguintes. Alguns dos xingamentos, repletos de palavrões, foram registrados em uma captura de tela feita por Nina que está circulando pelo Facebook.

“Pensei que a página tinha sido hackeada, mas me enganei”, conta a cliente, que recebeu hoje um e-mail cancelando sua encomenda e devolvendo o dinheiro pago. “Não pedi para cancelarem nada, apenas queria que enviassem o que pedi”, diz Nina. Ela pretende acionar o Procon e também processar a loja pelas ofensas cometidas virtualmente.

O caso de Nina não foi o único. A estudante de comunicação Júlia Bondan, de Novo Hamburgo (RS), fez uma compra de cerca de R$ 300 (uma blusa, um colar e um anel) na loja no começo do ano. Três meses depois, ela fez um post na página da Visou no Facebook perguntando a respeito da encomenda. “Eles simplesmente apagaram minha mensagem”, afirma Júlia.

Depois que enviou um e-mail de reclamação, Júlia também passou a ser vítima da fúria dos donos do site. “Fui chamada de mimada e caloteira, disseram que meu pedido ainda não estava pago”, conta. “Quando enviei o comprovante de pagamento do cartão de crédito, as ofensas continuaram.” Quando disse que ia procurar um advogado, a resposta foi: “Espero que seja uma advogada gata, loira, de peitos grandes”.  Depois de muito bate-boca, a estudante recebeu há cerca de um mês um e-mail avisando que o valor seria estornado. Quando soube do caso de Nina Gazire, Júlia acionou um advogado. “Quero processá-los por danos morais”, afirma.

Até o fechamento desta nota, às 18h15 de 10/9/2012, a Visou optou por ignorar os pedidos de entrevista do Blog do Curiocidade.

Saiba mais: Retratação da loja virtual Visou é plágio

Esclarecimento  (atualizado em 13/09/2012): embora a foto de Tatyele Lopes aparecesse entre as responsáveis pela página da Visou no Facebook, ela afirma que nunca foi sócia da loja virtual. Estava apenas fazendo um favor a uma amiga.  Tatyele enviou a seguinte mensagem para o site www.prejornalismo.com, de Juliny Barreto:
Olá juliny. Vi sua noticia no seu site e peço que retire meu nome, pois eu não sou dona, microempresária e nem sócia da visou. Como amiga da natasha apenas dei apoio com relação a loja e se não me engano ela tinha me colocado como moderadora da comunidade. Nunca respondi os recados dos clientes nem nada, até porque eu trabalho em outra empresa como técnica de segurança. 

(Com colaboração de Míriam Castro)

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Na noite de ontem, o assunto mais falado no Twitter não era o cantor Michel Teló, nem as partidas de futebol de São Paulo e Santos. Em primeiro lugar nos Trending Topics brasileiros apareceu a hashtag #VoltaLaranja. Conforme a tag ganhava popularidade, mais usuários do Twitter perguntavam qual era seu significado:

Na verdade, o termo foi criado por alunos do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Sagrado Coração, no bairro da Pompeia, em São Paulo para homenagear uma professora (a escola disse que ela pediu para sair e os alunos acreditam que ela tenha sido demitida). Elizabeth Laranjeira era professora de Literatura há 15 anos no local.  “Ela era um ícone da escola, gostávamos muito dela”, diz o aluno Felipe Foroni, 16 anos. “Na semana passada, ela nos deu aula normalmente”.

O primeiro a reclamar pelas redes sociais foi Rafael Reyna, de 17 anos. Ontem, às 9h da manhã, ele tuitou “#voltalaranjera”. Em seguida, o termo foi modificado para #voltalaranja e se espalhou entre as contas de alunos do Sagrado Coração. De acordo com o site Topsy, foram 1585 menções à professora desde aquele momento. Também pela internet, os adolescentes combinaram de fazer uma homenagem pacífica no pátio do colégio. “Além de pendurar os cartazes, usamos camisetas laranjas para lembrar a professora”, conta Lucas Vasconcellos, 17 anos.

Não foi a primeira vez que um protesto de alunos do Ensino Médio chega aos assuntos mais comentados do Twitter. Em fevereiro do ano passado, estudantes do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo atingiram o terceiro lugar dos Trending Topics brasileiros com a hashtag #abaixoacalu, reclamando dos preços praticados pela cantina do local. Na ocasião, os adolescentes combinaram um boicote e levaram todo o lanche de casa.

Procurada pelo Blog do Curiocidade, a diretora do Colégio Sagrado Coração de Jesus disse que não entraria em detalhes sobre a saída da professora para “preservar a privacidade dela”. Garantiu que nenhum estudante seria punido pelas manifestações, já que elas foram pacíficas. Quando a reportagem perguntou seu nome, a diretora disse que não informaria e que “proibia a publicação dessa história”.

(Com reportagem de Míriam Castro)

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São Paulo recebeu na noite de ontem a primeira edição brasileira do The App Date, evento mensal de novidades no desenvolvimento de aplicativos. O evento aconteceu na Rua Bela Cintra, nos Jardins, num local chamado Hub – é um espaço de trabalho colaborativo, onde empresas iniciantes em diversas áreas podem trocar ideias e experiências.

Rogério Oliveira, de 36 anos, trouxe o The App Date para São Paulo. As inscrições para o evento, que foram abertas às 10h da manhã da quinta-feira, se encerraram em 15 minutos: todas as 250 vagas foram ocupadas. O salão do Hub estava lotado.

De pé, sentados em cadeiras ou no chão, os participantes dividiam o olhar entre Oliveira e os mais variados objetos eletrônicos. Notebooks, tablets, iPhones, iPads, iPods, o importante era estar conectado. Não por acaso, a hashtag #theappdate foi o terceiro termo mais utilizado no Twitter paulistano durante o encontro.

Oliveira comemorou o fato de este ser o primeiro The App Date a acontecer em toda a América Latina. O evento surgiu na Espanha em outubro de 2010, idealizado por Óscar Hormigos, com o objetivo de criar um espaço de referência para o surgimento de ideias e relações no desenvolvimento dos aplicativos digitais.

Palestra de Óscar Hormigos, fundador do The App Date

Hormigos, dono da desenvolvedora de aplicativos Wake App, estava presente na primeira edição brasileira. Ele deu um exemplo de ideia surgida em um dos encontros mensais europeus. Juan Carlos Gonzalez, pai de um autista, criou o Ablah, um app destinado a pessoas com dificuldades na fala. Com ele, o usuário pode se comunicar através da seleção de imagens da tela.

“Quem colocou o aplicativo na App Store foi a empresa, não eu”, diz Ricardo Longo, sócio-diretor da Fingertips, que desenvolveu Sorte – primeiro app brasileiro vendido pela Apple. “Eu nem sei programar, só administro”, brinca. Longo disse que os utilitários e jogos – não só para smartphones, mas também tablets e até TVs inteligentes – dão super-poderes a quem os usa, como fazer qualquer conta, traduzir qualquer idioma e, mais impressionantemente, entreter crianças entediadas em restaurantes.

O mais aplaudido da noite foi Antônio Antmaper, diretor da Tangível Tecnologia. A empresa de Petrópolis é responsável pelo app Red Bull iFUNK-SE, que permite ao usuário criar sua própria música em estilo funk de maneira simples. Para comprovar a eficácia da ferramenta, Antmaper elaborou, em um iPad, um batidão que usava frases com a voz de André Ramiro, ator do filme Tropa de Elite.

Depois de alguns minutos e agradecimentos, o funk de Antmaper é substituído por outros tipos de música, mas não se vê ninguém dançando naquele espaço. Cerveja, vinho e energético são distribuídos aos visitantes, que começam a sacar seus cartões de visita: chegou a hora do networking, o momento mais importante do evento.

Priscila Meyer, de 35 anos, administra uma empresa especializada em treinamentos em segurança da informação. Foi ao evento para verificar como os programadores têm protegido os dados em aplicativos. “É preciso fazer parcerias desse tipo”, diz a empresária. “Todo aplicativo, antes de tudo, precisa ser seguro”. Já Everton Andrade, de 23 anos, já tinha trocado cartões com desenvolvedores. Sua empresa de tecnologia quer entrar no mercado dos apps. “Nossa maior necessidade é encontrar pessoas especializadas nisso”, conta.

Para Rogério Oliveira, a primeira edição do The App Date superou as expectativas. “Além de as inscrições terminarem rápido, todos os inscritos realmente compareceram, o que nem sempre acontece nesse tipo de evento”, diz o empresário. Entre os planos para o segundo semestre de 2012, está a realização do encontro também no Rio de Janeiro.

A partir de agora, o The App Date paulistano acontecerá toda última terça-feira do mês. O próximo é no dia 28 de fevereiro. Para participar, é preciso se cadastrar no site do evento. As inscrições serão abertas sempre às 10h da quinta-feira anterior.

Serviço:
R. Bela Cintra, 409, Consolação, 3539-8574, ramal 206

(Com colaboração de Míriam Castro)

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