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Curiocidade

“Vocês vão vir ou vão ficar aí?”, diz um membro de apoio aos aspirantes a artistas, que estão esperando pelo ensaio na lanchonete. “Só tomem cuidado para não atropelar ninguém!”. Pela porta, passam duas dezenas de apressadas cadeiras de rodas. Todas carregam atores de “Good Morning São Paulo Mixturéba”, espetáculo da Oficina dos Menestréis que estreia amanhã (sábado, dia 7), no Teatro Dias Gomes.

Além dos 20 deficientes físicos, participam da equipe sete deficientes visuais. Eles são acompanhados por cinco alunos de outras turmas da Oficina dos Menestréis, que atuam como membros de apoio. O grupo, que existe desde 2004, é um projeto criado pelo ator e diretor Deto Montenegro, que fundou a Oficina dos Menestréis em 1991. Todos os alunos da Companhia Mix Menestréis recebem, ao longo do ano, aulas gratuitas de teatro com Montenegro e, ao fim do período, encenam uma peça.

“É preciso ficar claro que nunca quis fazer caridade”, afirma Deto, que é irmão de Oswaldo Montenegro. Ele teve a ideia quando uma amiga sofreu um acidente e precisou usar cadeira de rodas.  “Queria ver se o método de ensino que eu aplicava nas turmas regulares dos Menestréis também servia para este público”. A primeira tentativa aconteceu em 2003, com o grupo Cadeirantes, que apresentou  o espetáculo “Noturno”.

Membros da ONG Grupo Terra, dedicada ao atendimento de deficientes visuais, souberam da iniciativa e pediram que o diretor fizesse um treinamento para cegos. “Era apenas meia dúzia de deficientes visuais”, afirma Deto. “Então eu decidi que os cegos seriam as pernas dos cadeirantes e os cadeirantes, os olhos dos cegos”. Daí nasceu o nome Companhia Mix Menestréis.

“Uma cadeira de rodas é a melhor bengala que existe”, diz a cantora Sara Bentes, que faz parte do elenco há dois anos. “Quando você está tocando a cadeira, percebe todo o relevo do terreno”. Nascida em Volta Redonda (RJ), ela entrou no grupo três meses depois de  perder completamente a visão por causa de um glaucoma. Em terras fluminenses, já havia participado de um grupo teatral apenas para cegos. “Mas é aqui que me sinto completa com meus amigos”.

Os deficientes visuais não entram sozinhos no palco, embora o palco tenha piso tátil para evitar quedas. O costume é que eles sejam acompanhados por cadeirantes ou membros de apoio. “Uma vez, entrei por mim mesma e o público se assustou”, lembra Sara.  O teatro também é totalmente adaptado para a chegada dos deficientes físicos, que sobem até o local por uma rampa circular em meio à sede da Oficina dos Menestréis, na Vila Mariana.

De acordo com Deto Montenegro, não são necessárias muitas adaptações no texto da peça. O que precisa ser mudado é o ritmo das entradas em cena. “Uma pessoa em cadeira de rodas demora o dobro para sair do palco em relação a um andante”, afirma. Em situações de dança, frequentes nas apresentações da Oficina dos Menestréis, movimentos com as pernas foram substituídos por giros com as cadeiras. “Os giros ficam muito bonitos, são surpreendentes”, emociona-se Deto.

Além do Mix, a Oficina dos Menestréis estreia no dia 22 deste mês a terceira edição do musical “UP!”, encenada por  35 portadores de Síndrome de Down. Membro da equipe há dois anos, o carioca Breno Viola também é coordenador de conteúdo do Movimento Down no Rio de Janeiro. “Sempre tive o sonho de ser ator”, afirma o participante. Viola, de 31 anos, está no elenco do filme brasileiro “Colegas”, em que contracena com o próprio Deto Montenegro.

Serviço:
Oficina dos Menestréis
Teatro Dias Gomes – R. Domingos de Morais, 348, Vila Mariana, 5575-7472

Good Morning São Paulo Mixturéba
7/4 a 29/4
sáb., 21h; dom., 20h.
R$ 20

UP3
22/4 a 27/5
dom., 16h30
R$ 20

(Com colaboração de Míriam Castro)

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Inaugurado em setembro de 2001, o Teatro Folha, no Shopping Pátio Higienópolis, esperou para comemorar seu aniversário de dez anos depois de passar por uma grande reforma. O espaço está fechado desde fevereiro, mas reabre na sexta-feira (6) com a estreia de “Equus”. A peça, escrita em 1973 pelo inglês Peter Shaffer, é dirigida por Alexandre Reinecke e estrelada por Elias Andreato e Leonardo Miggiorin.

É a quarta montagem de “Equus” no Brasil. A primeira, em 1976, teve Ewerton de Castro como Alan Strang, um garoto responsável por cegar seis cavalos, e Paulo Autran como Martin Dysart, o psiquiatra que tenta descobrir o motivo do crime. Em 2007, o texto ganhou notoriedade no público geral porque Daniel Radcliffe, o Harry Potter dos cinemas, ficou totalmente nu durante alguns momentos da peça.  Na nova montagem, esse papel caberá a Miggiorin.

O ator, que nunca tinha ficado nu em frente a uma plateia antes, teve que superar o obstáculo durante todo o mês de março, época que o espetáculo ficou em cartaz na cidade de Campinas (SP). Não é só ele que tira as roupas no palco –  é acompanhado pela atriz Bruna Thedy, que interpreta Jill,  namorada de Alan.

Miggiorin, que está concluindo a Faculdade de Psicologia e acabou de fazer o personagem Roni na novela Insensato Coração, contou ao Blog do Curiocidade mais detalhes sobre sua preparação para a peça:

O que foi mais difícil: preparar o corpo para a peça ou preparar a mente para representar Alan Strang?
As duas coisas deram bastante trabalho. O corpo precisava estar bem preparado. Não apenas para ficar bem na cena de nudez, mas para todos os momentos da peça. Por mais que o espetáculo tenha apenas uma hora e meia de duração, eu fico em movimento intenso o tempo todo. Poderia dizer que é uma espécie de maratona. A cabeça também tem que estar preparada, já que o personagem é muito complexo. Depois da peça, fico cansado no corpo e na mente.

Como foi a preparação para ficar nu no palco?
No começo, eu estava um pouco preocupado quanto a isso. Pensei que fosse me acanhar e prejudicar a cena. Porém, o diretor me permitiu seguir meu próprio tempo e ir me soltando aos poucos. Com os ensaios, ainda sem tirar a roupa, me dei conta de que meu corpo é um instrumento de trabalho e, no palco, é isso que deve ser levado em conta. A partir daí, decidi que tinha que ensaiar a cena despido antes de estrear em frente à plateia.

Depois de um mês em cartaz em Campinas, você conseguiu espantar esse acanhamento?
Na verdade, não cheguei nem a senti-lo como imaginava, já que o momento em que tiro a roupa é muito envolvente na questão emocional. No palco, estou tão imerso no personagem que já não sou eu me despindo, mas o Alan. A ação acontece de forma muito natural, não é algo colocado na peça gratuitamente.

A peça ficou famosa na mídia nos últimos anos por causa da nudez de Daniel Radcliffe. Você acha que a versão brasileira pode atrair mais pessoas para a primeira fila pelo mesmo motivo?
Acho que não, porque o nu não é algo que choca nos dias de hoje. Mesmo assim, se existe repercussão por conta da nudez dos atores, eu tenho que ficar feliz. Não fizemos nenhum tipo de divulgação apelando para esta característica, mas o público tem direito de se interessar por qualquer elemento do espetáculo. Se as pessoas forem assistir à peça, fico satisfeito.

Já aconteceu algum tipo de gracejo da plateia durante as cenas de nudez?
Por enquanto, não aconteceu nada do tipo. O público fica muito concentrado durante esse momento, pois é uma das partes cruciais da peça. Sempre pedimos para que a plateia faça silêncio ao longo da apresentação, já que cada ruído, cada luz de celular acesa pode diminuir a mágica do momento. Se acontecesse algum gracejo do tipo, eu teria que encontrar uma saída para isso e continuar o espetáculo normalmente. Acho que essa é a mágica do teatro.

Serviço:
Equus
Teatro Folha – Av. Higienópolis, 618, Consolação
6/4 a 1º/7
6ª, 21h30; sáb., 21h; dom., 20h.
R$ 40/ R$ 60

(Com colaboração de Míriam Castro)

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Ivan Delmanto, Fernanda Faria, Ligia Marina e Carmen Pinheiro,  quatro alunos do curso de Artes Cênicas da USP – fundaram o grupo artístico II Trupe de Choque em 2000. A companhia estreia amanhã, dia 10,  um novo espetáculo:  Ensaio em Detritos. Ele irá  acontecer duas vezes por semana, gratuitamente, no Hospital Psiquiátrico Pinel, em Pirituba. O II Trupe de Choque já se apresentou numa usina de compostagem de lixo na Zona Leste da cidade, onde o público era, na maioria, de catadores de lixo. “Sempre quisemos atingir um público próximo às margens da sociedade”, afirma Delmanto. No Pinel, a Trupe está desde 2008, quando exibiu a peça Corpos Acumulados.

Junto aos 14 atores do projeto, dez pessoas podem se cadastrar e, gratuitamente, entrar em cena. Desde os exercícios de aquecimento até a atuação ou direção, a participação dos visitantes é sempre encorajada. “Tem gente que só observa, mas depois fica com vontade de entrar e acaba dirigindo uma cena, controlando a iluminação ou até mesmo interpretando”, conta Delmanto. Estão disponíveis instrumentos musicais para que os participantes criem suas próprias trilhas sonoras.

As intervenções tomam conta de espaços do Centro de Atenção Integrada em Saúde Mental Pinel, que ocupa a área desde 1929. “O lugar é muito grande e tem vários pontos abandonados que usamos como palco”, afirma Delmanto. O grupo percorre o hospital durante as mudanças de cena, passando por pacientes, que às vezes tomam parte na produção. “Eles têm que se sentir à vontade. Afinal, estamos na casa deles”.

É a segunda edição do “Ensaio em Detritos”. No ano passado, o experimento durou dois meses, mas a versão de 2012 vai até novembro. Para participar dos encontros, é preciso fazer reserva pelo e-mail 2trupedechoque@gmail.com. O grupo oferece transporte gratuito a partir da estação Barra Funda do Metrô.

 Serviço:
II Trupe de Choque
Av. Raimundo Pereira de Magalhães, 5.214, Hospital Psiquiátrico Pinel, 2368-7921
sex. 17h/22h e sáb. 16h/22h.

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São Paulo virou mesmo uma filial da Broadway. Em 2011 passaram pelos palcos da cidade musicais importantes como  As Bruxas de Eastwick; Mamma Mia!; New York, New York; e Evita. Já no ano passado, tivemos Hairspray, O Rei e Eu e Cats. Para o primeiro semestre de 2012, teremos pelo menos três grandes produções.

Montagem de Hair no Rio de Janeiro

O primeiro a estrear será Hair, no dia 13 de janeiro. A montagem brasileira, estrelada por Kiara Sasso, tem texto de Charles Möeller e Claudio Botelho. No Rio de Janeiro, foi vista por cerca de 100 mil pessoas. É a primeira vez desde 1968 que é exibida uma versão profissional da história do estilo de vida dos hippies na época da Guerra do Vietnã. A produção do musical tem cerca de 100 figurinos completos para os 30 atores. Será exibida no Teatro Frei Caneca.

A Família Addams na Broadway

Apenas atores com mais de 1,90m de altura puderam fazer a audição para ser o “Tropeço” de A Família Addams, musical que começa a ser exibido no Teatro Abril em 2 de março. Na comédia, que estreou ano passado na Broadway, não foram deixados de lado os personagens principais criados nos quadrinhos de Charles Addams na década de 1930 – inclusive o Mãozinha, mão flutuante cujo funcionamento  é trancado a sete chaves. “Faz parte do mistério que envolve o espetáculo”, diz Henrique Sarcinella, assessor da empresa que está trazendo o espetáculo para o Brasil. Marisa Orth fará o papel de Mortícia – na Broadway, o papel é interpretado por Brooke Shields.

Ônibus-estrela de Priscilla, Rainha do Deserto

Pouco depois, estreia em 16 de março no Teatro Bradesco a obra australiana Priscilla, Rainha do Deserto. Duas drag queens e uma transexual cruzam o deserto em um ônibus carinhosamente apelidado de Priscilla. Esse ônibus, por sinal, pesa 8 toneladas e tem todos os movimentos controlados por um controle remoto. Com 30 mil pontos de LED, ele vira um painel de imagens no meio do palco. Acaba sendo uma atração tão grande quanto os atores principais Ruben Gabira, Luciano Andrey e André Torquato.

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O Teatro Grande Otelo abre as portas para o público neste sábado, com o espetáculo infantil “T-Rex – Um Dinossauro na Amazônia”. Depois, no dia 5 de novembro, o público adulto ganhará a montagem da comédia “AíPod”. O Grande Otelo é o mais novo teatro da cidade – e também um dos maiores. Tem 734 lugares. A inauguração para os convidados aconteceu no feriado de 12 de outubro. A cantora Luciana Mello foi a primeira a se apresentar no palco reformado.

O Teatro Grande Otelo faz parte do Colégio Salesiano Liceu Coração de Jesus, nos Campos Elíseos. “O ator Grande Otelo foi aluno do colégio em 1938″, diz o padre Benedito Spinoza, diretor do colégio. “Ele se apresentou nesse palco com os colegas de turma”. Em 2009, o espaço começou a ser reformado em parceria com o Programa Foco. “A presença dos salesianos nos Campos Elíseos já tem 130 anos”, contabiliza. “Esse teatro sempre dialogou culturalmente com a região. Mas o ambiente ao nosso redor mudou muito e a interação com o bairro sofreu modificações. Por isso, entramos num movimento de retomada”.

Antes da reforma, o teatro era utilizado somente pelos alunos do colégio. Agora, ele ganhou uma gestão profissional e está apto a receber peças de companhias distintas. A bilheteria fica dentro de um café e há estacionamento interno exclusivo para o público. Luciano Mattos, gerente do Grupo Foco e gestor cultural do Teatro Grande Otelo, conta que a parte mais trabalhosa foi lidar com a burocracia.”O prédio é tombado”, explica. “Não pudemos mexer na arquitetura, na estrutura. Levou um tempo para conseguirmos as autorizações”.

O padre Benedito afirma que os alunos do colégio continuarão usando o teatro nos horários em que não haja espetáculos programados. “Queremos oferecer cursos e oficinas de teatro”, diz. Os alunos do Liceu também têm direito a descontos de 50% a 70% na bilheteria do teatro.

Serviço:
Teatro Grande Otelo
Al. Nothmann, 233, Campos Elíseos, 3221 – 9878. Estacionamento interno, entrada pela Al. Dino Bueno, 353. R$15

(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de divulgação)

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Um ano e dois meses e R$ 7,6 milhões depois, o Teatro Sérgio Cardoso foi reaberto ao público no último dia 9. Com a reforma, o espaço ganhou novas instalações elétrica, hidráulica e de esgoto, além de sistemas de exaustão e climatização. A cobertura do prédio, que apresentava infiltrações, também passou por uma restauração. A ardósia da entrada foi substituída por granito e o bar, ampliado.

Dentro das salas de espetáculo, as mudanças foram a reconstrução do piso e novas coberturas de carpete. Mas foram feitas também alterações para melhorar a assessibilidade do teatro: elevadores e rampas novas para atender aos portadores de deficiência física, além de quinze poltronas com pontos para fones de ouvido para que deficientes visuais possam acompanhar os espetáculos por meio de audiodescrição.

Tudo isso foi bastante divulgado. O que pouco se falou é que o teatro ganhou cinco assentos destinados a pessoas obesas. São 51 centímetros de largura, contra 46 das cadeiras comuns. A Secretaria de Estado da Cultura explica que a medida “faz parte da política da Secretaria de, gradualmente, dotar os equipamentos públicos culturais de condições ideais de acessibilidade”. No entanto, a Secretaria informou também que “até agora, não houve procura específica por esses lugares no teatro”.  É que, além de pouco divulgadas, as cadeiras ficam no fundo da plateia. Por que as cadeiras maiores não puderam ficar mais à frente? A Secretaria explica apenas que “os espaços disponíveis e tecnicamente viáveis para a instalação dos assentos maiores ficavam na parte traseira”.

(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de Nilton Fukuda/AE)

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Apesar de não fazerem parte do elenco, duas cadelinhas têm chamado a atenção nas fotos de divulgação e do programa da peça A Escola do Escândalo, que está em cartaz no Teatro Raul Cortez. Pintadas de rosa e azul, as poodles Tati, de 8 anos, e Mel, de 6, foram alugadas especialmente para as fotos da peça – feitas para a temporada carioca do espetáculo e reutilizadas agora em São Paulo.

A ideia foi de Gringo Cardia, programador visual da produção. Quem providenciou as estrelas coloridas de quatro patas foi Flávia Schelder, proprietária da Produtora Pet Arte – Animais Atores. Ela disponibiliza animais para filmes, novelas, comerciais, programas de televisão e ensaios fotográficos. Mora em uma casa com 2.100 m² de terreno no bairro de Vargem Grande, no Rio de Janeiro, na companhia de 28 cachorros, 12 gatos, 40 ratos, uma arara canindé, uma jandaia, um coelho e uma égua. Lá também funciona um hotel para animais. O Blog do Curiocidade conversou com Flávia por telefone para saber como foi a preparação de Mel e Tati para o trabalho.

As cachorras já eram coloridas ou foram pintadas para a peça?
Foram pintadas especialmente para esse trabalho. A gente pode pintar qualquer animal branco com tintura especial para animais, mas não é tão simples. Em algumas pelagens, a cor pega muito bem. Em outras, nem tanto. Além disso, é difícil encontrar um poodle branco com pelo grande, com corte de madame no Rio de Janeiro, onde faz muito calor.

A tinta demora muito para sair?
Depois do segundo banho, já não tem mais nada.

Quanto tempo demorou o ensaio?
Foram duas,  três horas. A gente procura animais que curtam o trabalho. Eles têm que se divertir, não se estressar.

Foi a primeira vez que a Mel foi pintada de azul?
Não. Ela já apareceu com essa cor na série Batendo Ponto, da Globo. Também já fez um trabalho de rosa, no programa Zorra Total.

Ela é sua?
Sim, mora comigo. Ela foi encontrada na rua pelo vizinho de uma amiga, que me deu de presente. Mas a cachorra estava cheia de sarnas e infecções. Ela era muito agressiva por causa do trauma de ter sido maltratada. Demorei dois anos para recuperar a pelagem dela e mudar o temperamento. Hoje ela é muito meiga, carinhosa e brincalhona.

Como você encontrou a segunda cachorra para as fotos?
A Tati é de uma cliente de hospedagem. Quando a dona viaja, ela fica comigo. A Tati nunca tinha feito nenhum trabalho parecido, mas a dona aceitou quando fiz o convite. Ela ficou no colo da Maria Padilha o tempo todo, superquietinha. A Mel é mais agitada, deu trabalho.

Serviço:
A Escola do Escândalo – Teatro Raul Cortez. R. Doutor Plínio Barreto, 285 – Bela Vista. Sexta, às 21h30; sábado, às 21h; domingo, às 18h. Ingressos: R$ 80. Até 18 de setembro.

(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de Márcia Ramalho/Divulgação)

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A atriz Alexandra Golik, da companhia  Le Plat Du Jour, está inaugurando um novo teatro em Perdizes: o Viradalata. Depois de muito mistério, finalmente ela anunciou a data de inauguração: próxima sexta-feira, dia 1º de julho. A primeira peça será Mamy, escrita e dirigida por Alexandra, que também cuidou da cenografia e faz parte do elenco. Ao contrário dos espetáculos do Le Plat, que são infantis, Mamy foi escrita para adultos. Fala sobre relações familiares, e tem censura de 16 anos. No dia seguinte, acontecerá a reestreia do espetáculo infantil Medinho Medão, com texto, direção e cenário de Alexandra. No dia 6, outra reestreia: Sequestro, uma peça para adultos também escrita por Alexandra em 2003. No entanto, ainda há o risco de atraso na inauguração. Alexandra conta que descobriu na segunda um pequeno problema com a obra. “Estamos trabalhando para manter a data”, afirma. “Estou achando que vai dar”. A atriz conversou com o Blog do Curiocidade sobre essa nova fase de sua carreira:

(Foto: Marcos Mendes / AE)

Você vai cuidar da administração do teatro, da coordenação artística, da direção e da cenografia de espetáculos. Ah… e ainda vai continuar atuando. Qual é o truque?
Olha, eu estou ficando bem louca. Esse é o truque. Trabalhar da hora em que acordo até a hora que vou dormir. Tomara que dê certo, tem que dar. Estou muito nervosa, uma pilha, porque achei que estava tudo nos conformes. Mas eu estou achando que vai dar para inaugurar na sexta.

Você vai continuar atuando no Le Plat de Jour? Não existe risco de os horários e as datas das peças coincidirem?
O Le Plat de Jour está a mil, direto em cartaz. Estamos com uma temporada no Teatro Folha, e a peça termina às 17h40. E o Medinho Medão começa às 16h no Viradalata, mas eu não atuo. Sempre dá para dar um jeito, dificilmente vai coincidir. Se acontecer, temos atrizes de stand-in. O que importa é manter a qualidade artística dos espetáculos.

A Carla Candiotto, sua parceira no Le Plat, terá uma cadeira especial no Viradalata?
Com certeza! Ela achou legal a minha ideia, mas disse que eu sou louca. Todo mundo diz que eu sou louca, aliás. E sou mesmo. Foi muito dinheiro investido. Tive que me desfazer de alguns bens, vender uma casa. Ainda bem que tive a ajuda da Vanda Varella. Ela é minha dentista, e agora é também minha sócia no Viradalata. Fora os gastos, também tem o empenho, o trabalho. Se um banheiro em reforma dentro de casa já é um inferno, imagine o que é construir um teatro…

Mas essa etapa de obras vai continuar, pois o teatro não está pronto ainda. Como será o andamento das obras com o teatro funcionando?
A área que ficou pronta tem 100 lugares. Em novembro, vamos concluir a outra parte e a capacidade será de 350 pessoas. Até lá, vamos contar com um acesso provisório. As pessoas vão ver uns tapumes até chegarem ao teatro. Enquanto isso, a obra vai seguindo. Nunca nos horários dos espetáculos, obviamente.

Qual é a razão do nome “Viradalata”?
Eu tenho 28 cachorros, todos vira-latas. Três ficam na minha casa. Os outros ficam em um sítio só para eles, com canil e caseiro, em Itapecerica da Serra. É uma homenagem para eles, mas o nome do teatro também tem “virada”, uma coisa muito importante para o artista.

Viradalata; Rua Apinajés, 1387, Perdizes; 3868-2535

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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O elenco do musical Evita, que fica em cartaz no Teatro Alfa (Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722; Santo Amaro; 5693-4000) até julho, tem 45 atores e cantores, além de 20 músicos da orquestra. Os protagonistas são os personagens Eva Perón, Juan Perón e Che Guevara, vividos por Paula Capovilla, Daniel Boaventura e Fred Silveira. Mas há também seis atores mirins, que estão se tornando rostos conhecidos nos musicais encenados na Cidade.

São três atores-mirins por apresentação (leia abaixo). A seleção foi feita pelo diretor do espetáculo, Jorge Takla, que já conhecia os pequenos artistas desde O Rei e Eu, musical dirigido por ele em 2010. Takla conta que foram realizados vários testes para escolher as crianças para o elenco, inclusive com a família dos atores. “Fazemos entrevistas com os pais”, revela. “Eles também precisam ser aprovados. Eles ficam no teatro desde a chegada dos filhos até o final do espetáculo, mas não assistem aos ensaios, nem podem interferir no trabalho”. Takla dá outros detalhes:

O diretor do musical, Jorge Takla

Para ganhar os papeis, as crianças fizeram testes?
Para selecionar as seis de Evita, convidamos as crianças que já tinham participado de O Rei e Eu e têm uma boa formação em canto. Elas participaram de testes de coordenação motora, dança, canto e afinação. Os testes de canto são primeiro em grupos e, depois, solo. Depois da primeira seleção, fazemos entrevistas individuais para ter certeza da vocação e da vontade da criança em fazer teatro. Às vezes descobrimos que são obrigados e explorados pelos pais, temos que tomar muito cuidado com isso. Fazemos entrevistas com os pais, eles também têm que ser aprovados!

Quais são as exigências para se trabalhar com atores crianças?
Temos que ter alvará do juizado de menores, autorização dos pais, verificar se os horários de trabalho não interferem com os de escola, seguir de perto os estudos e os boletins das crianças. Notamos que todos melhoram na escola depois de começar a trabalhar com teatro. Isso porque eles aprendem a ter disciplina, rigor e concentração, e ficam muito conscientes de suas responsabilidades. Mas, fora isso, existe um cuidado especial que tem que ser tomado com atores mirins, porque tudo que é ensinado entre os 7 e 12 anos fica marcado para o resto da vida. Temos que tentar abrir as portas para o máximo de formas de linguagem, para eles terem uma rica possibilidade de escolhas e de opções para os seus caminhos futuros.

As apresentações são todas à noite. Isso não atrapalha as crianças que estudam de manhã?
A escala é sempre feita de acordo com os horários da escola, com o aval dos pais. Como os elencos infantis são alternantes, quem faz a sessão de quinta-feira só volta no sábado. Quem faz a sexta só volta no domingo.

As crianças de Evita

Isabela Rangel
9 anos
Além do musical O Rei e Eu, a atriz fez ensaios fotográficos para revistas e cinco comerciais, como o do “Criança-Esperança 2010″.

Mariana Martins
9 anos
Evita é seu segundo musical. Também fez O Rei e Eu. Esteve em dois comerciais, ambos em 2008

Juliane Santiago de Oliveira
10 anos
Em 2009, participou do espetáculo Noviça Rebelde. No ano seguinte, esteve no elenco de Gypsy e O Rei e Eu. Fez também alguns trabalhos publicitários.

Da esquerda para a direita: Juliane, Isabela e Mariana

Letícia dos Santos Carmo
9 anos
Começou em 2007 com a peça Avoar. Participou do programa do Raul Gil duas vezes. Em 2010, atuou em O Rei e Eu, fez dublagens em desenhos animados, como Backyardigans e Hi-Five.

Matheus Braga
8 anos
O único menino da turma participou dos musicais Miss Saigon e O Rei e Eu. No cinema, fez parte de Essa Maldita Vontade de Ser Pássaro e Lula, O Filho do Brasil.

Izabely Tomazi
9 anos
Participou dos espetáculos Miss Saigon, O Rei e Eu, e Gypsy, entre outros. Fez também alguns trabalhos publicitários.

Da esquerda para a direita: Letícia, Matheus e Izabely

(Com colaboração de Karina Trevizan e fotos de João Caldas / Divulgação)

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