Depois da publicação da reportagem “Fãs-clubes fazem boicote a show da banda de Elvis”, a produtora 2Share entrou em contato com o Blog do Curiocidade. Conversei pelo telefone ontem com Rafael Reisman, produtor da empresa responsável pelo show “Elvis in Concert”. Ele ataca todos os pontos levantados por Marcelo Neves, presidente do fã-clube Elvis Triunfal, e por outros fãs que se manifestaram nos comentários do blog. Pedi, então, que Rafael enviasse suas respostas por e-mail.
Quantos ingressos já foram vendidos para a turnê 2013?
Se somarmos vendas pela internet, empresas de turismo, e fãs-clubes, são perto de 3 500 [pelo telefone, Rafael me disse que foram 1 900 em São Paulo]. Esse numero é impressionante, pois estamos vendendo apenas desde sábado.
Fãs estão reclamando que houve um aumento abusivo dos preços de um ano para cá. A 2share, por sua vez, diz que são os mesmos preços de 2012. Quais são esses valores?
Estamos praticando valores iguais ou até mais baixos que em 2012. O valor da meia entrada do segundo piso chegou a custar R$150 no ano passado e agora está à venda por R$90. Aí eu pergunto: isso é o dobro, como foi informado na matéria? Acho que seria justo um pedido de desculpas pelo comentário. Nao é verdade o que foi dito. Não estamos com valores diferentes do ano passado. Falar que estamos com valor de meia igual à inteira do ano passado não é correto, não é verdadeiro.
A entrada de dois grandes patrocinadores não poderia baratear os ingressos?
Grandes patrocinadores não significam grandes valores. Esses patrocinadores são os mesmos do ano passado. Com um pouco de pesquisa, você teria percebido que eles participaram do evento no ano passado. Ou seja, não é esse o fator que infla o valor de um ingresso. Até por que o ingresso está igual ou menor que no ano passado. Marcelo, não me leve a mal, mas é um absurdo você ter publicado ["o evento está sendo bancado pelos gigantes Ourocap e Marabraz"]. Patrocinadores não bancam uma turnê. Eles ajudam a diminuir custos, pagar mídia ou cuidar de um gasto especifico. Nesse caso, o investimento deles somados chega a 15% dos custos milionários dessa tour. É preciso entender do mundo do show-business. Somos gratos a nossos patrocinadores, mas eles não pagam a conta toda. Isso sai quase que na totalidade do bolso do produtor.
Em algum momento, a 2share cogitou que venderia os ingressos por preço único e que não haveria meia-entrada?
Não. Temos ingressos em todas as categorias: inteira, meia e promocional para OuroCap. As pessoas devem escolher o ingresso adequado.Existem várias promoções disponíveis. Vale ler as regras no site da Ingressos Rápido antes de comprar.
Um dos chamarizes dessa turnê é que ela será a última da banda TCB. Este será mesmo o show de despedida da banda?
SIM. “Elvis in Concert” não retornará à America do Sul com essa formação. Pelo que fomos informados não existe nenhuma turnê sendo divulgada em nenhum lugar do mundo, além da nossa. Acho que essa era uma informação que só poderia ser dada por um canal oficial, e não por um fã-clube.
Por que o fã-clube Elvis Triunfal iniciou esse boicote contra a 2Share?
Não sei e não me importo. Se perderem muito tempo boicotando, correm o risco de assistir ao show do lado de fora do portão. Assim como no ano passado, acho que venderemos todos os ingressos disponíveis em São Paulo. Membros de minha equipe suspeitam que esse tal de Marcelo [Neves, presidente do Elvis Triunfal] esteja tentando aparecer. Por várias vezes, ele tentou fazer parte de nossa equipe de especialistas e consultores sobre Elvis e não foi aceito. Quis conhecer pessoalmente a Priscilla Presley, mas nossa equipe não deu esse acesso sem que ele efetivasse o devido pagamento. Soube que ele deu uma de penetra em um de nossos encontros e pediram para ele se retirar. Acho que deve estar machucado, mas essa não foi nossa intenção. Existem alguns fãs que querem as coisas de graça, mas isso não é possível. Existem outras dezenas de fãs que fazem questão de pagar pelo ingressos e sempre fazem questão de agradecer a 2Share. Acho que esse sujeito deveria ter ido assistir ao show em Londres. Teria gasto “menos” que os 90 reais cobrados aqui em São Paulo – algo em torno de 10 mil reais.
Por sugestão do próprio Rafael, o Blog do Curiocidade entrevistou também Walteir Terciani, presidente do fã-clube Gang Elvis, que reúne 1.200 membros em São Paulo. Terciani discorda do boicote organizado pelos integrantes do Elvis Triunfal. “Sou contra qualquer tipo de boicote relacionado a Elvis”, posiciona-se. Terciani concorda que os ingressos estão caros, mas se contenta em investir no setor mais barato para conseguir ver o show da banda. “Já fui a diversas edições de Elvis in Concert pelo mundo, mas é diferente a sensação de assistir ao espetáculo no Brasil”, conta Walteir. O fã de carteirinha diz ainda que desconhece o investimento necessário para trazer a banda ao País, mas que acredita que o processo não seja barato. “Infelizmente, um show dessa dimensão não é acessível a todo o público. Como tudo no Brasil, as pessoas terão que se adaptar à sua condição”, conclui.
Em nossa conversa telefônica, pedi que Rafael enviasse algo que mostrasse os preços cobrados do ano passado. Ele mandou um link de uma reportagem publicada no Portal UOL. “Era fácil comparar. Bastaria procurar no Google. Está lá pra quem quiser ver”, me escreveu. Bem, justamente fazendo uma pesquisa pela internet, descobri outros valores, como os divulgados pela revista Rolling Stone em maio de 2012. Sobre as informações desencontradas, Rafael me respondeu o seguinte:
- Existiram promoções especificas para patrocinadores com preços diferentes em momentos diferentes. Mas os valores que lhe enviei são os OFICIAIS. Só esses valores poderiam ter sido utilizados por vocês. Repito que, em minha opinião, essa matéria só deveria ter sido publicada depois que você conversasse com a 2Share, Com um pouco de empenho, você teria achado a 2Share via Facebook, Ingresso Rápido, Ginásio do Ibirapuera, guia telefônico. Temos que ter cuidado com o atitudes que podem gerar prejuízos morais e financeiros a terceiros.
Perguntei, então, por que a 2Share não disponibiliza um número de telefone no site ou na página de Facebook. Afinal, esse seria o caminho natural que um cliente tomaria para falar com a empresa. Rafael respondeu: “Porque isso aqui iria virar um inferno. A Ingresso Rápido, que faz esse trabalho por nós, tem telefone”. Expliquei que o site tem um e-mail de contato e que o pedido de entrevista foi feito pelo único canal disponível de contato. “Você sabe quantos e-mails a gente recebe aqui por dia?”, respondeu Rafael.
Atualização: Marcelo Neves, presidente do fã-clube Elvis Triunfal, publicou em seu site uma resposta para a entrevista de Rafael Reisman.
(com colaboração de Júlia Bezerra)
Em 1989, o Estado de São Paulo decidiu criar uma universidade de música. Batizou a escola de Universidade Livre de Música e chamou para ocupar o cargo de reitor ninguém menos do que Tom Jobim. O músico carioca que para tudo tinha uma resposta na ponta da língua aceitou a missão, mas não poupou críticas à escolha do nome. “Livre de música?! Deveria ser Universidade Cheia de Música!”, contestou. A reclamação não foi levada a sério, e a instituição foi, até 2001, conhecida como Universidade Livre de Música Tom Jobim. Hoje, chama-se Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim, e é administrada pela organização social Santa Marcelina.
Não é só isso que liga Tom Jobim à cidade. Em 1960, o maestro passou seis meses em terras paulistanas por causa de um programa na TV Tupi que ele se comprometeu a apresentar. Em “O Bom Tom”, ele apresentava nomes promissores da música brasileira. O músico também passou boa parte de suas férias em São Paulo. Os Almeidas de Antônio Carlos Brasileiro Almeida Jobim são família tradicional da cidade de Leme, no interior de Estado. À árvore genealógica do maestro (por sinal, uma de suas grandes fixações) foi ainda adicionado mais um integrante da terra da garoa. Tereza, sua primeira mulher, é paulista.
Essas são algumas das cerca de 80 histórias contadas por Wagner Homem e Luiz Roberto Oliveira no livro “Histórias de Canções – Tom Jobim”, lançado em dezembro pela Editora Leya. É o terceiro volume da coleção encabeçada pelo paulista Wagner Homem em 2009, quando revelou curiosidades sobre a obra de Chico Buarque. Foi um ano e meio de leitura, entrevistas e pesquisa online até a conclusão do livro. “A maioria das histórias curiosas foi garimpada no site do Instituto Tom Jobim, que disponibiliza uma vasta documentação online”, revela o autor.
Como muito material já foi escrito sobre Tom Jobim, boa parte do livro é dedicada à desmistificação de algumas histórias. “Garota de Ipanema”, por exemplo, não foi originalmente composta para Helô Pinheiro. Vinícius de Moraes fez a música para ser tema de um musical que acabou não saindo do papel. Só depois de uma frustrada tentativa de escrever uma letra para a canção é que ele se juntou a Tom Jobim para, aí sim, inspirado na musa Helô Pinheiro, fazer os versos hoje mundialmente conhecidos.
Até 2008, Wagner Homem trabalhava com tecnologia da informação. Um dos sites que ele mantinha era o oficial de Chico Buarque. Wagner só entrou para o ramo editorial quando Fernando Morais o chamou para ajudá-lo a organizar o material do livro em que ele estava trabalhando, “O Mago”, biografia de Paulo Coelho. “Acabei escrevendo por conta própria muitos capítulos daquele livro”, lembra Wagner, que acabou se tornando uma espécie de ghost writer do escritor. Terminada a empreitada, decidiu assinar sua própria obra. Unindo a paixão pela música à facilidade de contato com Chico Buarque, fez o primeiro volume da coleção Histórias de Canções.
Natural de Catanduva, no interior do Estado, e habitante da capital desde os 18 anos de idade, Wagner Homem declara gostar de morar em São Paulo. “Nunca tive vontade de sair daqui, apesar de 90% dos meus ídolos musicais serem cariocas”, comenta. Sobre projetos futuros, o autor já tem planos de aumentar a coleção. “Quero escrever sobre as canções de Vinícius de Moraes”, revela. Mas não descarta a possibilidade de desvendar a música do paulistaníssimo Adoniran Barbosa.
(com colaboração e foto de Júlia Bezerra/Divulgação)
Rainha da Paulista, dama do mercado imobiliário, rainha dos imóveis. São muitos os títulos atribuídos à corretora Valentina Caran. “Sou uma workaholic, sempre trabalho até a meia-noite”, afirma. “Mas meus clientes apenas funcionam em horário comercial.” Para ocupar esse, digamos, tempo livre, Valentina decidiu trabalhar em outro ramo: tornou-se produtora musical.
A VC Produções existe há uma década. “Começamos vendendo shows, mas agora também empresariamos artistas”, afirma Valentina. A banda empresariada pela corretora de imóveis é a SP Gaitta. Os cinco membros da banda sertaneja – Jerry, Ronny, Paulinho, Cléber e Serginho – conheceram Valentina Caran em 2007. Com sua orientação, gravaram os dois primeiros álbuns e um DVD ao vivo.
No meio artístico, os acontecimentos são mais imprevisíveis do que no mercado imobiliário. “Já tive problemas com músicos que não apareceram para se apresentar”, conta Valentina. Mas a vida de produtora rendeu frutos ao trabalho de corretora. Com a venda de shows, prefeitos de cidades interioranas e apresentadores de televisão passaram a procurar o escritório de Valentina Caran para negociar seus imóveis. “Acabei agregando as duas atividades.”, diz.
Já passaram pela produtora artistas como Beth Guzzo, Willian e Renan, Matheus Minas e Alex e Rodrigo. Agora, a corretora empresaria apenas SP Gaitta, já que não tem tempo para dar atenção a mais clientes. “Gosto tanto do meio artístico que largaria meu escritório para trabalhar apenas com isso”, brinca. “Só não largo, porque meus clientes morreriam de susto.”
Serviço:
3284-8388
www.vcproducoes.com.br
(Com colaboração de Míriam Castro e fotos de divulgação)
Para quem acredita na teoria dos maias, o mundo acaba semana que vem. Para todos os outros, a data apocalíptica (21/12/2012) é motivo de piadas, especulações e – por que não? – festas temáticas. O Blog do Curiocidade foi atrás dos eventos curiosos que celebrarão a data na cidade e encontrou uma banda paulistana que adotou o fim do mundo como tema de um CD inteirinho. Desde 2010, o grupo Meia Dúzia de 3 ou 4 vem contando a saga do fim do mundo por meio de suas canções. O resultado vai ser apresentado ao público no dia 18 de dezembro – três dias antes do apocalipse – na Festa (Oficial) do Fim do Mundo, no Centro Cultural Rio Verde, espaço localizado na Vila Madalena.

Da esquerda para a direita: Thiago Melo, Sérgio Wontroba, Mike Reuben, Melina Mulazani, Daniel Carezzato, Marcos Mesquita.
A banda começou em 2003 como um duo: Thiago Melo (violão/sax) e Marcos Mesquita (baixo). Com o tempo, novos instrumentos foram sendo adicionados ao som. Hoje, o núcleo oficial do Meia Dúzia é composto por sete pessoas, apesar de o grupo já ter subido no palco com até 11 integrantes. O nome foi escolhido por Marcos. É uma expressão que era usada por dona Itália, bedel da escola dele, quando dava bronca nas crianças. “Ela costumava dizer: ‘Tem uma meia dúzia de três ou quatro alunos fazendo baderna’…”, lembra o músico.
A ideia do tema apocalíptico surgiu em 2010. A banda se comprometeu a lançar uma música com videoclipe a cada dois meses. “O objetivo foi fazer um retrato da condição em que nosso planeta se encontrava”, conta Thiago Melo. As letras complexas e sarcásticas, que tratam de temas como política, ecologia e relações conturbadas, chamam a atenção. “Pesinho na consciência”, por exemplo, fala sobre o problema ecológico. A letra da música é cheia de provocação: “Ai meu deus eu quero ficar rico / E o capitalismo ajuda a destruir o meu planeta”. “Nós fazemos crônicas musicais, é a maneira Meia Dúzia de compor”, diz Marcos Mesquita. O trabalho diferenciado rendeu parcerias em todas as faixas: Tom Zé e André Abujamra são nomes que aparecem no projeto.
Em dezembro do ano passado, as 11 faixas de “O Fim Está Próspero” já estavam prontas e, desde então, disponíveis na internet. A última delas, “365 bons motivos para o mundo acabar”, tem mais de 65 co-autores! Quem assina a faixa são internautas que contaram para a banda suas maiores angústias pré-apocalípticas. “Nós só amarramos os assuntos em blocos e formamos as estrofes”, conta Marcos. O ano de 2012 foi reservado para a produção do disco físico. Para aquecer o público, a banda lançou, em outubro, uma música bônus, “Não vou estar podendo”.
As curiosidades não param por aí. A banda, que é totalmente independente, bancou por conta própria a gravação das músicas e videoclipes, o que totalizou um gasto de R$ 36.658,00. Para ajudar nos custos do show de lançamento, o Meia Dúzia resolveu recorrer ao crowdfunding. O projeto foi inserido na plataforma online Catarse, onde os próprios fãs financiam o artista. Para atrair a atenção do público, o Meia Dúzia gravou um vídeo simulando o sequestro de André Abujamra, parceiro da banda e diretor do show de lançamento:
Se o projeto conseguir o financiamento de 12 mil reais até o dia da festa (18), a banda promete libertar Abujamra. Para cada valor doado ao resgate, há uma recompensa. Algumas são bem criativas: quem contribuir com 200 reais leva uma consulta astral com André Abujamra, além de ingressos da festa, CD, DVD e fotos autografadas. E se o mundo não acabar depois do lançamento do CD, o Meia Dúzia já tem três ou quatro projetos em mente. “Creio que, no ano que vem, a banda se envolva com a criação de trilhas infantis”, adianta Thiago. “Sem mais trabalhos temáticos, por enquanto” – garante Marcos. “Dá muito trabalho”.
A Festa (Oficial) do Fim do Mundo
Centro Cultural Rio Verde
Rua Belmiro Braga, 119, Vila Madalena
18/12/2012 a partir das 21h
R$ 20,00
(com colaboração de Júlia Bezerra e foto de Enoá)
O estúdio Lab C, do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (CCJ), é um espaço de apenas 42 metros quadrados. Desde a sua inauguração, em 2006, ele é usado para gravar, gratuitamente, a produção musical de qualquer grupo interessado. “Gravamos tudo: de funk carioca a música religiosa”, diz Markito Alonso, responsável pelo Lab C. Idealizado por Miguel Salvatore e Marcelo Gregório, o Projeto Escuta tem como objetivo democratizar o acesso à música, proporcionando a oportunidade de gravação a grupos que, normalmente, não teriam como alugar um estúdio. Para participar, os interessados devem basta ir ao Centro Cultural, ao lado do Terminal Cachoeirinha, e fazer um cadastro, listando informações de contato, nome dos integrantes do grupo, intenção do trabalho e uma sugestão de data para gravação. “A fila chega a um ou dois meses de espera, mas sempre atendemos toda a demanda”, afirma Alonso. A inscrição dá direito a até quatro horas de gravação no espaço
Um aviso importante: é preciso levar todos os instrumentos musicais, menos o corpo da bateria. O estúdio é pequeno e não tem a melhor das estruturas – o técnico de som, por exemplo, não fica em uma ilha isolada, mas na mesma sala de gravação. Quem comanda a mesa de som é o técnico Marcelo Gregório, que também dá dicas aos músicos iniciantes. “Ele nunca interfere nas ideias dos artistas, mas às vezes dá sugestões de arranjos para otimizar o som”, conta Alonso. Os gêneros mais gravados no Projeto Escuta são o rap e o funk, mas já passaram por ali bandas de jazz e cantoras gospel.
O Lab C também é usado para fazer programas de rádio, que são publicados no site do centro. O programa já teve entre seus convidados os músicos Emicida, Dexter e Max B.O.. O material gravado pelas bandas estreantes também é divulgado pela página do Projeto Escuta.
O grupo de rap Ca.Ge.Be, que tem como membros Shirley Casa Verde, Cezar Sotaque e DJ Paulinho, gravou seu segundo álbum, ‘O Vilarejo’, no estúdio do CCJ. “Usamos o espaço desde que foi aberto”, conta Sotaque. De acordo com o rapper, o Lab C é um serviço público de qualidade. “Não temos na Zona Norte muitas opções deste tipo”, afirma.
Serviço:
Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso
Av. Dep. Emílio Carlos, 3.641, Limão, 3984-2466
(Com colaboração de Míriam Castro e foto de divulgação)
“Sempre me perguntam se a minha dança é religiosa, se homenageia orixás”, afirma Fanta Konatê, cantora e dançarina nascida na Costa do Marfim e criada na Guiné, país africano de colonização francesa. “Neste tipo de dança, cada movimento tem um significado místico, enquanto a minha dança é de festividades e comemorações”. Ela vive há dez anos em São Paulo e dá aulas de dança africana numa academia no bairro de Moema.
Fanta veio ao Brasil quando conheceu o músico Luis Kinugawa, fundador do instituto África Viva. Enquanto visitava a Guiné, Kinugawa ficou hospedado na casa da cantora, que é filha do percussionista Famoudou Konatê. Eles se apaixonaram e hoje são pais de um menino chamado Rodrigo.
As aulas de Fanta são mais procuradas por mulheres que querem conhecer mais sobre a cultura africana. “Aqui no Brasil, as mulheres têm menos vergonha para dançar do que os homens”, afirma, em português fluente. Existem danças para diversas ocasiões, como para homenagear guerreiros. Mas para a professora, os movimentos mais importantes são os que comemoram o plantio: “A alimentação é a raiz de um povo, por isso é essencial”, diz.
Toda quinta-feira, às 19h30, Fanta ensina seus passos de dança na escola Studio Dança Mundi.
Serviço:
Av. Ibirapuera, 3.239, Moema, 9671-1477.
(Com colaboração de Míriam Castro e imagem de divulgação)
Anna Paula Marchesini, vocalista da banda The Soundtrackers, conhece bem as letras de todas as trilhas de filmes que a banda toca. Mesmo assim, não sobe ao palco sem uma pasta preta, que traz uma espécie de cola das 100 músicas que fazem parte do repertório do grupo, criado em julho de 2008 pelo jornalista e guitarrista Rodrigo Rodrigues. Mas a pasta de Paula é coisa do passado. Bruno Sutter, que entrou para o The Soundtrackers em fevereiro passado, bolou algo mais tecnológico. Bruno, que também apresenta o programa “Rock Rolla”, na MTV, e faz o papel do cantor Detonator na banda Massacration, já pode ser considerado um inventor de mão cheia. Ou será pulso cheio? Ele criou uma pulseira que prende o seu smartphone.
O aparelhinho tem um arquivo de texto com todas as letras que ele não decorou ainda. Funciona como um teleprompter – aparelho usado pelos apresentadores de televisão para ler os textos sem desviar os olhos da câmera. Como é muito performático no palco, Bruno dá um jeito de dar uma espiada na letra sem o público perceber. “Quem quiser fazer igual vai ter que me pagar os royalties”, brinca ele.
O primeiro capítulo do remake brasileiro da novela “Carrossel”, escrito por Íris Abravanel, foi ao ar no último dia 21 pelo SBT. Exibida pela primeira vez no Brasil entre 1991 e 1992, a novela mostra as aventuras da Professora Helena e os alunos da Escola Mundial, como Cirilo e Maria Joaquina. O vídeo de abertura conta com uma versão atualizada da canção ‘Carro-Céu’, que animava os episódios da primeira produção, que foi reprisada por três vezes (1993, 1995 e 1996).
Fãs apegados à versão original da novela mexicana podem recorrer a discos de vinil com a trilha sonora brasileira da primeira versão de “Carrossel”. A descoberta foi feita por Hamilton Kuniochi, do blog “O Baú do Sílvio”. O sebo Revivendo Discos, na República, recebeu em fevereiro um lote com centenas destes LPs. Entre as canções, duas são feitas pelo grupo Trem da Alegria: ”Acorda Pai” e “Passarinho”.
“Vendemos vários na primeira semana da novela”, conta o vendedor Ronaldo Gomes da Silva. “Mas ainda temos pelo menos duzentos”. O lote está espalhado pelas prateleiras do sebo, mas é fácil encontrar os exemplares da trilha sonora organizados em blocos de cerca de 20 discos. Cada um dos LPs está à venda por R$ 2.
Serviço:
R. Martins Fontes, 154, República, 3214-4543
(Com colaboração de Míriam Castro)
O futebol teve um final de semana cheio de decisões. A festa dos campeões começou no sábado (12) no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), com a final da série A2 do Campeonato Paulista. Bruno e Ray abriram a festa cantando o Hino Nacional antes do jogo que daria ao time da cidade o primeiro título de sua história. O São Bernardo sagrou-se campeão, mas restou uma dúvida. A dupla sertaneja cantou apenas a primeira parte do hino brasileiro, ignorando o restante de sua letra. É permitido fazer isso?
Bruno e Ray cometeram uma infração. Segundo Augusto César, cerimonialista da Universidade do Estado do Pará, nos casos de execução vocal, sempre devem ser cantadas as duas partes do poema. Se a versão for orquestrada, no entanto, a regra é mais flexível: “Nesses casos, pode ser executada apenas a primeira parte da música”, esclarece.
O artigo 24 da Lei 5.700, de 1º de setembro de 1971, prevê que o Hino Nacional pode ser interpretado por uma banda, orquestra, coral, cantores ou reproduzido por uma gravação. No entanto, é contra a lei a execução de versões elaboradas pelos próprios artistas. A música deve ser entoada em marcha rancho (como a composição de Antão Fernandes) e cantada em fá maior (o tom adotado pelo maestro Alberto Nepomuceno) em uníssono (uma única voz). Os presentes podem ficar à vontade para cantar ou não a letra – não é desrespeito permanecer com a boca fechada.
Virar-se para a bandeira nacional na hora do hino, atitude que também costuma ser tomada em competições esportivas, vai contra as normas de culto aos símbolos nacionais. Isso porque, a menos que se trate de uma homenagem à bandeira, todos os símbolos que representam o país (o hino, a bandeira, os selos e as armas) devem receber prestígio igualitário. Durante a execução do hino nacional em ambientes abertos – como é o caso dos estádios de futebol –, os presentes devem se voltar para a direção de onde a música está sendo reproduzida.
Para os que não resistem às palmas depois do hino, uma boa notícia: não há restrições. Na lei, está escrito: “Durante a execução do Hino Nacional, todos devem tomar atitude de respeito, de pé e em silêncio, os civis do sexo masculino com a cabeça descoberta e os militares em continência, sendo vedada qualquer outra forma de saudação”. O cerimonialista Augusto César, no entanto, garante: “Apesar de as palmas serem uma forma de saudação, o hino pode sim ser aplaudido, pois o parágrafo discorre sobre atitudes a serem tomadas durante a execução da música, e não após esta”.
A violação de qualquer uma das regras previstas em lei implica multa de uma a quatro vezes o salário mínimo vigente, podendo o valor ser dobrado em casos de reincidência. No caso do jogo do último sábado, quem pagaria a multa seriam os próprios Bruno e Ray, e não a organização do clube: “É responsabilidade civil de quem está executando o hino”, diz Augusto César.
(com a colaboração de Julia Bezerra e foto de Elisa Rodrigues/Futura Press)
Ao serem recepcionados no Bar do Nelson, em Santa Cecília, os visitantes acham que se trata de uma pegadinha de TV. É que quem dá as boas-vindas é o cantor cearense Markinhos Moura, que fez sucesso nos anos 1980 com as músicas “Meu Mel” e “Anjo Azul”. Ele trabalha no local há oito meses. E foi o próprio artista quem se candidatou à vaga. “Já éramos amigos antes, e o Markinhos me pediu um trabalho”, conta Lílian Gonçalves, filha do cantor Nelson Gonçalves e proprietária da casa. “Estava cansado de falsas promessas e pessoas inescrupulosas do meio”, diz Markinhos Moura.
De segunda a sábado, os clientes são recepcionados pelo cantor. “A maioria passa por mim normalmente, mas depois de alguns segundos reconhece meu rosto”, conta Markinhos. Dois meses após a contratação, ele passou a se apresentar no palco da casa. “Eu sabia que não daria para evitar os pedidos por muito tempo”. Às quintas, sextas e sábados, Markinhos Moura também apresenta um pocket-show. Canta músicas próprias e clássicos da MPB. O artista também faz parte das atrações do “Momento Nelson Gonçalves” – meia hora com músicas do Rei da Boêmia, que dá nome ao bar. No início de junho, ele também apresentará um show de humor, batizado de “Você dá o Tom”, em parceria com o comediante André Rangel, . “Vai ser um besteirol sobre os bastidores de um programa de televisão”, conta.
Serviço:
Bar do Nelson
R. Canuto do Val, 83, Santa Cecília, 3224-0586
(Com colaboração de Míriam Castro e foto de JF Diorio/AE)
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