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Curiocidade

A placa na entrada do Clube Gloria já avisa: “Casa de oração para todos os povos”. Inaugurada em 2006, a casa noturna ocupa um imóvel tombado no bairro do Bixiga. O ambiente, que já foi igreja e teatro, sedia festas de quinta a sábado na região.

Construída na década de 1950 para abrigar uma igreja presbiteriana, ela fica no número 830 da Treze de Maio, rua que abriga diversos bares. Não foi a primeira subversão do espaço: no mesmo local, funcionou durante os anos 1970 o Teatro Igreja, um dos palcos undergrounds do bairro. Por lá, passou a exposição “Alegres Pintores do Bexiga”, de Flávio Império, um dos fundadores do Teatro de Arena. André Hidalgo, proprietário do Gloria, afirma já ter assistido a peças no Teatro Igreja. “Eram exibidos trabalhos que não ganhavam espaço nos grandes teatros”, conta o empresário, que idealizou em 1997 o Casa de Criadores – evento de moda que chega à 30ª edição em 2012.

Depois do encerramento das atividades do Teatro Igreja, o espaço sediou o Teatro da Praça, com programação semelhante, até os anos 1990. Quando Hidalgo procurava um imóvel para inaugurar sua casa noturna, encontrou a antiga igreja presbiteriana abandonada.

“O prédio estava totalmente detonado, até com buracos no teto”, conta Hidalgo. “Mas restavam elementos da época do teatro, como o palco e o camarim”. A fachada frontal do edifício é tombada e não pode ser alterada. “Mesmo que pudéssemos, não mexeríamos, porque é incrível”, afirma o proprietário. Para a reforma, foi contratado o designer Marcelo Rosenbaum, que manteve detalhes da época dramatúrgica do Teatro Igreja. Parte da pista, um pouco elevada em relação ao resto do piso, fica no mesmo lugar onde era o palco.

Do tempo de igreja presbiteriana, ficaram mais elementos. Além da fachada, a estilista e ilustradora Fábia Bercsek criou no teto do clube um mural que faz referência ao topo da Capela Sistina, no Vaticano. O próprio nome da casa é uma referência religiosa. “Queríamos fazer uma referência leve à função antiga do local”, diz André Hidalgo. Ele afirma que não teve problemas com fiéis até hoje, já que o imóvel não representa a arquitetura típica das igrejas católicas. “A fachada das igrejas protestantes é mais clean”, conta. “Ninguém acha que estamos profanando alguma coisa”

Serviço:
Clube Gloria
R. Treze de Maio, 830, Bela Vista
3287-3700

(Com colaboração de Míriam Castro e imagens de divulgação)

 

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No dia 8 de setembro de 1987, São Paulo virou Londres. A Companhia Municipal de Transporte Coletivo (CMTC) colocou em circulação na cidade de São Paulo 11 unidades de ônibus de dois andares de 4,3 metros de altura. Eles circularam na linha 5111, no corredor de Santo Amaro. Em 1988, mais 26 foram adicionados à frota – dessa vez, fabricados pela Thamco Indústria e Comércio. Como os londrinos, todos os 37 foram pintados de vermelho. Em cada um deles cabiam 112 passageiros (os convencionais comportam atualmente 75, e os articulados, 120).

Como todo bom brasileiro, o nosso utilitário duplo ganhou um apelido: “Fofão” (devido a seus cantos arredondados). A novidade, entretanto, não passou de uma experiência do prefeito Jânio Quadros, que foi logo descartada: em 1993, os Fofões, que viviam se enroscando nos cabos de força dos trólebus, foram tirados de circulação e vendidos em leilões públicos.

Para Guilherme Lohmann, professor brasileiro de Transporte e Turismo da Southern Cross University, na Austrália, a falta de planejamento na cidade de São Paulo determinou o insucesso da frota. “Viadutos baixos, fiação elétrica e poucos profissionais qualificados para dirigir esses ônibus tornaram o projeto de Jânio Quadros – que era claramente político – inviável”, diz o professor. Ele, entretanto, não descarta o uso dos ônibus de dois andares nas frotas viárias: “Desde que a malha urbana possa comportá-los, eles são uma boa opção”. Quanto à acessibilidade, os problemas ficaram no passado: “Os double-deckers modernos já têm a altura do degrau de embarque adequada e espaços baixos para abrigar usuários de cadeiras de roda”. Há hoje um único remanescente público do Fofão brasileiro. Ele está no  Museu do Transporte, na zona Norte de São Paulo, que fica aberto de 3ª-feira a domingo, das 9h às 17h. A entrada é franca.

Os ônibus de dois andares começaram a circular pelas ruas de Londres em 1956. A partir de 1981, os Routemasters – nome da fábrica dos primeiros modelos – foram sendo substituídos por veículos mais modernos. Em dezembro de 2005, os últimos remanescentes do modelo Routemasters foram tirados de circulação (foto abaixo).

A pressão da população acabou convencendo o governo a lançar uma nova linha do nostálgico Routemaster. Prometidos desde 2008, ele voltaram para as ruas londrinas em 27 de fevereiro deste ano. São oito exemplares, que estão circulando em uma única rota (Victoria Station – Hackney), apenas no período diurno dos dias úteis. O Routemaster moderno, que comporta 62 pessoas sentadas, custou 1,4 milhão de libras. O prefeito da cidade, Boris Johnson, declarou que a decisão de adicionar esses novos ônibus à frota da cidade não foi meramente estética: eles são mais ecológicos, consumindo metade do combustível usado por um ônibus comum.

Quem vai a Londres tem também a chance de andar em uma réplica do antigo double-decker em passeios pelos pontos principais da cidade, oferecidos por empresas de turismo. Outras trabalham com a locação dos utilitários para eventos: a This Bus aluga Routemasters para os casais londrinos celebrarem casamentos.

O professor Lohmann atribui o fracasso dos Routemasters à sua dependência de cobradores: “Com a privatização do sistema de ônibus de Londres, buscou-se reduzir o custo das operações, dando controle ao motorista para cobrar as tarifas”. Com os antigos Routemasters, isso não seria possível: o motor do ônibus ocupava sua parte dianteira, não permitindo o embarque de passageiros pela frente.

Texto atualizado em 23/03/2012, às 22h40, com informações enviadas pelos leitores Savio Bellinati, Gustavo Brunson e Carlos Miller.

(Com colaboração de Júlia Bezerra)

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Hoje é o dia da 87ª Corrida Internacional de São Silvestre. O idealizador da prova foi o jornalista Casper Líbero. Em 1924, ele assistiu a uma competição noturna em Paris na qual os atletas percorriam o trajeto portando tochas de fogo. Empolgado com a idéia, resolveu implementá-la no Brasil na virada do ano. A primeira corrida foi disputada à meia-noite do dia 31 de dezembro de 1924. Alfredo Gomes terminou na frente entre os 48 inscritos, com o tempo de 23min10s4/100. O percurso era de 8.800 metros. Na primeira edição, apenas moradores da cidade podiam participar. A prova foi aberta a todos os brasileiros alguns anos depois. Atualmente, os 25 mil participantes percorrem uma distância de 15 quilômetros.

Em 1945, corredores internacionais começaram a participar da prova. Primeiro os sul-americanos e, dois anos depois, todos os estrangeiros. A presença mais ilustre acabou sendo a do tcheco Emil Zátopek, que havia conquistado três medalhas de ouro nas Olimpíadas de 1952. Ele venceu a São Silvestre de 1953, quase um minuto na frente do segundo colocado. Passados 33 anos, o pernambucano José João da Silva quebrou a soberania estrangeira no pódio da corrida, vencendo em 1980 e novamente em 1985. Antes de se tornar atleta, José João chegou a trabalhar em São Paulo como entregador de pizzas na região da avenida Paulista e era conhecido pelos colegas como “Zé das Couves”. Depois dele, outros cinco brasileiros venceram a prova: João da Matta (1983), Ronaldo da Costa (1994), Emerson Iser Bem (1997), Marílson Gomes dos Santos (2003, 2005 e 2010) e Frank Caldeira (2006).

Edição de 2010 da Corrida Internacional de São Silvestre. (Foto: Epitacio Pessoa/AE)

Mas quem é o santo que dá nome ao evento? Silvestre I foi o 33º papa da história do Catolicismo. Nasceu em Roma, em 295, e foi papa entre 314 a 335.  Silvestre I iniciou sua vida como papa em um contexto de paz na Igreja Católica depois de 250 anos de agitação. Tinha a missão de organizar a vida da Igreja depois do decreto do imperador Constantino, que colocou fim à perseguição aos cristãos. “Os primeiros papas foram de uma importância muito grande porque foram do período em que a Igreja foi perseguida, e o papa Silvestre I marca o fim dessa perseguição”, destaca o padre Juarez de Castro, assessor de imprensa da Cúria Metropolitana de São Paulo. “Embora Constantino não tenha transformado o cristianismo em religião oficial, ele permitiu os cultos. O grande mérito desse papa foi aproveitar a paz na Igreja para que ela se estabelecesse.”

O primeiro concílio ecumênico, o de Nicéia, em 325, foi realizado durante o papado de Silvestre. A divindade de Jesus Cristo foi definida durante esse encontro. Ele foi o papa que instituiu o domingo como dia santo. O padre Juarez lembra que, nesse período,  foram permitidas as construções das primeiras basílicas, a de São João de Latrão (localizada em Roma) e a de São Pedro (no Vaticano). O Papa morreu em 31 de dezembro de 335, razão pela qual a data se tornou o Dia de São Silvestre (depois de sua morte, Silvestre I foi canonizado santo pela Igreja e passou a ser referido como São Silvestre). É por isso que o evento esportivo que acontece no último dia de cada ano em São Paulo ganhou o nome de Corrida de São Silvestre.

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Assistir a um filme pelo parabrisas e transformar o banco do carro em espaço para, hum, namorar. Assim eram os autocines, que fizeram algum sucesso na cidade nos anos 1970 e 1980. Além dos filmes, os autocines ofereceriam também serviço de lanchonete. Para chamar o garçom, bastava acender a lanterna do carro. Mas o enredo do filme não era necessariamente o que atraia o público, que procurava esse tipo de estabelecimento com outra finalidade. Tanto que um dos costumes dos atendentes era dar uma “tossidinha” indiscreta antes de se aproximar dos carros, para evitar flagras picantes de casais dentro dos carros.

Tela de projeção do Snob's. (Foto: Oswaldo Palermo/AE)

Um dos mais famosos autocines de São Paulo foi o Chaparral, que ficava no número 2 000 da Avenida Condessa Elizabeth Robiano (Marginal Tietê, no bairro da Penha). No local, funciona hoje um posto de inspeção da Controlar. O Chaparral iniciou suas atividades em junho de 1971. Pertencia às famílias Ciongoli e Basile. A ideia foi de José Sante Ciongoli, que trabalhava como gerente em um cinema no bairro da Penha. Ele conheceu os autocines durante uma viagem aos Estados Unidos. De volta ao Brasil, fez a proposta ao amigo Nuncio Basile para abrirem um estabelecimento nos mesmos moldes. José entrou com a ideia e Nuncio, com o dinheiro. Os dois fecharam o acordo e chamaram os irmãos para entrar também na sociedade. O resultado foi que o negócio foi aberto com treze donos, sendo seis da família Basile e sete da Ciongoli. Nuncio faleceu em 2009, aos 75 anos, e José, em 2010, aos 80.

Nesio Carlos Costato Basile, que tem 82 anos e é irmão de Nuncio, conta que as famílias perderam contato depois do fim do Chaparral. Sobre o autocine, ele acredita que sabe qual foi a causa do fracasso do cinema: “As pessoas iam para namorar, mas meu irmão colocava um lanterninha que batia no vidro”, conta. “Ele não deixava namorar dentro do Chaparral, era para assistir ao filme. Então começou a perder a freguesia e fechou”, afirma ele. O Chaparral funcionou por apenas três anos, até 1974.

Embora tenha sido o mais famoso, o Chaparral não foi o primeiro autocine de São Paulo. Em 1968, foi inaugurado na Avenida Santo Amaro o Snob’s Auto Cine, o pioneiro da cidade, com capacidade para 260 carros. A entrada para os automóveis ficava na Rua 15 de Novembro, paralela à avenida. Havia campainhas para chamar os garçons, e os auto-falantes podiam ser instalados dentro dos carros para que os clientes controlassem o volume do som. A tela de projeção ficava fixada sobre uma parede feita de cimento armado, e tinha a altura de um prédio de 4 andares, com 8,5 metros de largura por 20 de comprimento. Era oferecido até um líquido especial para ser passado no parabrisas, com o objetivo de evitar que os vidros ficassem embaçados. O proprietário era o piloto Eduardo Selidônio, que conheceu o modelo de cinema ao ar livre nos Estados Unidos, em 1966. Lá, eram conhecidos como drive-in. Como Eduardo não gostava do nome, resolveu rebatizar com um termo mais brasileiro e definiu o Snob’s como um autocine. No livro Salas de Cinema em São Paulo, a autora Inimá Simões lembra que havia também mecânicos de plantão para atender a quem tivesse algum problema com o carro, além de uma área especial para acomodar clientes que chegassem a pé. O cinema funcionou até 1990.

Inauguração do Snob's (Arquivo Estado)

Depois do Snob’s veio o Moon Auto Cine , inaugurado em março de 1970 na Avenida Interlargos. Tinha capacidade para 350 carros. O proprietário era Mário Paes da Fonseca, falecido em 2000, aos 78 anos. Olívia Antunes da Fonseca, de 59 anos, viúva de Mário, conta que o marido gostava muito do trabalho no cinema. “Ele só falava bem dos filmes, da clientela”, lembra. O metalúrgico Claudio Borges, hoje com 59 anos, trabalhou como operador de filme e lanternina no Moon entre 1971 e 1975. Ele conta que Mário não se incomodava com o namoro dentro dos carros. “Ele deixava as pessoas à vontade”, afirma. Mesmo assim, os funcionários repreendiam quem namorava dentro do carro, e tinham uma razão especial para isso: ganhar uma “caixinha”. “A gente ficava passando, só para incomodar, e pedia um dinheirinho para deixar os casais em paz”, confessa.

Quem também passou por apuros no Moon foi a advogada Regina Suffi. Ela gosta de contar uma saia justa que teve que enfrentar nos anos 80. Ela conhecia alguns autocines de Nova York, onde os cinemas ao ar livre eram programa de família, e achou que os de São Paulo seriam parecidos. Resolveu, então, levar seus seis filhos para assistir a um filme e comer lanches com refrigerante no carro. Até que uma das crianças perguntou por que o casal do carro ao lado não prestava atenção no filme e estava ficando sem roupa. O passeio terminou e foram todos para o Parque do Ibirapuera.

Em 1976, o Moon Auto Cine virou o Motel Auto Moon. Ficava no mesmo endereço. Olívia conta que o marido achou que, como o lugar era conhecido dos casais, a mudança poderia fazer sucesso. Em 1980, Mário oficializou a união com Olívia, fechou o motel e comprou um sítio em Sorocaba (SP). Passou a alugar o espaço para festas. “Ele mudou de ramo porque tinha uma certa idade e queria descansar”, conta ela.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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Um sabiá-laranjeira sem ninho é a maior preocupação do estudioso Johan Dalgas Frisch no momento. A ave é feita de bronze e tem 60 centímetros– mais do que o dobro dos outros membros da espécie Turdus rufiventris. O pássaro em questão é uma estátua de sabiá-laranjeira que foi feita em 1967 e até hoje não tem moradia definitiva.

Engenheiro por formação, Johan Dalgas Frisch dedicou sua vida à ornitologia. Produziu 18 álbuns apenas com gravações de cantos de aves sulamericanas. Uma de suas lutas foi pela criação do Dia Nacional da Ave, comemorado em 5 de outubro, desde 1966. Na ocasião, o governador Laudo Natel instituiu o sabiá-laranjeira como ave-símbolo do Estado de São Paulo. Mais tarde, em 2002, Fernando Henrique Cardoso a transformou no pássaro nacional do Brasil.

Sabiá-laranjeira (Foto: José Luis da Conceição/AE)

Para comemorar a festividade, em 1967 a Prefeitura de São Paulo encomendou uma estátua em bronze do sábia-laranjeira. Foi a médica veterinária francesa Claudie Dunin quem a executou. “Colocaram a estátua no meio da Praça da República, onde pensaram que não haveria roubos”, conta Dalgas Frisch. Mesmo assim, a figura foi levada no começo dos anos 1980.

A estátua do passarinho ficou desaparecida por 16 anos, até que a própria escultora viu seu sabiá à venda em um antiquário na Alameda Ministro Rocha Azevedo. A francesa foi se queixar na delegacia. “Depois de questionarem escultora, vendedor de antiquário e sabe-se lá mais quem, os policiais levaram presa a estátua inocente”, conta Dalgas. Apreendida pela polícia, a estátua foi para o Fórum Ministro Mário Guimarães, na Barra Funda.

Somente em janeiro de 2001 a Prefeitura conseguiu reaver a estátua, que voltou à Praça da República. Em setembro daquele ano, moradores de rua levaram embora o sabiá, que logo foi encontrado pela polícia. A mesma coisa aconteceu em 2007, até que desistiram de deixar o passarinho em um local tão vulnerável.

 

Hoje, a ave-símbolo da Nação encontra-se guardado no Departamento do Patrimônio Histórico da Prefeitura, na Avenida São João. A foto acima foi tirada pelo próprio Dalgas, que quer encontrar uma moradia definitiva para ela. “Pensei em pedir que colocassem o sabiá-laranjeira no Parque Alfredo Volpi, no Morumbi, mas o local não está com uma boa vigilância”, diz o ornitólogo. Por fim, Dalgas decidiu que o ninho ideal para a estátua seria o Palácio dos Bandeirantes, “onde o sabiá se tornou símbolo de São Paulo”.

Dalgas conta que já conversou com o prefeito Gilberto Kassab a respeito do assunto. “Ele aceitou, mas precisamos esperar a resposta do governador Geraldo Alckmin”, afirma. Se tudo der certo, a estátua será restaurada – é preciso limpá-la e reconstruir os pés, que foram arrancados em uma das tentativas de roubo – e colocada nos jardins do palácio. O ornitólogo pretende instalar um sistema eletrônico que emitirá o som do sabiá-laranjeira quando uma pessoa chegar a menos de 8 metros do pedestal em que este se encontra. “O Brasil já é o primeiro país do mundo a ter estátua de sua ave-símbolo”, diz. “Seremos pioneiros também em mostrar seu canto em um ponto turístico”.

(Com colaboração de Míriam Castro)

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Com o crescimento da cidade de São Paulo durante o século 19, era necessário ocupar novas áreas residenciais. O engenheiro uruguaio Joaquim Eugênio de Lima incentivou os paulistanos a adquirir terrenos na região que hoje é famosa por sediar a Avenida Paulista.  Na época, havia ali apenas uma trilha de bois que cruzava a Mata do Caguaçu, um trecho de mata atlântica.

A via foi inaugurada em 1891 e completa 120 anos hoje. Ela tem 2 670 metros de extensão – e, segundo os paulistanos, é como o casamento: “começa no Paraíso e termina na Consolação”. Todos os dias passam pela avenida 750 mil pedestres e 90 mil veículos. O Blog do Curiocidade selecionou fatos curiosos a respeito da avenida que é símbolo de São Paulo:

Diariamente, uma sirene toca ao meio-dia no prédio da Gazeta. A ideia foi do jornalista Cásper Líbero, que acionava o sinal toda vez que uma nova edição do jornal A Gazeta era fechada. A tradição foi mantida mesmo depois de 1979, quando o periódico deixou de ser publicado.

Em 1927, quando morreu Carlos de Campos, presidente de São Paulo (título que equivale ao de governador atualmente),a Avenida Paulista foi rebatizada em homenagem ao político. A mudança não foi bem aceita, o que causou o retorno ao nome original no começo da década de 1930.

Existem duas versões para a pedra que fica embaixo do vão livre do MASP: a primeira, oficial, diz que é uma comemoração pela mudança do acervo, que antes ficava na Rua Sete de Abril, para a Avenida Paulista em 1968. A outra garante que a arquiteta responsável pelo projeto, Lina Bo Bardi, escolheu a pedra porque seu formato a lembrava a silhueta de Assis Chateaubriand, fundador do museu.

A nova sede do MASP foi inaugurada na presença de Elizabeth II, rainha do Reino Unido e de mais 15 países, além de líder suprema da igreja anglicana. Ela veio ao Brasil para fortalecer laços comerciais com o governo Costa e Silva – que, 32 dias depois, declararia o AI-5.

Como primeiro nome, o parque Trianon, inaugurado em 1892, era chamado de Parque Villon, já que foi projetado pelo francês Paul Villon – mesmo projetista dos jardins do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. O apelido Trianon veio de um clube que ficava em frente ao parque. Chamava-se Belvedere Trianon e foi inaugurado em 1916, com projeto de Ramos de Azevedo. Em 1951, foi demolido. O MASP ocupa o local. O nome oficial do parque, no entanto, é Tenente Siqueira Campos. Homenageia um herói da Revolta dos 18 do Forte de Copacabana (tiroteio entre 18 revoltosos e 3 mil soldados governistas, em 1922), Antônio de Siqueira Campos. No Parque Trianon, está a única porção da Mata Atlântica que ainda existe na região da avenida.

Construída em 1935, a Casa das Rosas foi o último projeto que o arquiteto Ramos de Azevedo fez na vida – ele faleceu poucos meses após concluí-lo, em 1928. A casa, originalmente, abrigava Lúcia Azevedo Dias de Castro, uma de suas filhas.

A mansão da família Matarazzo tinha 13 mil metros quadrados e foi na década de 1940. Tinha 16 salas e19 quartos. Em 1989, os Matarazzo já tinham tentado implodir o imóvel, que resistiu aos explosivos. Em 1996, a mansão foi demolida e deu lugar a um estacionamento. Agora, o local sediará um shopping center.

No sábado de Carnaval de 1981, um incêndio de grandes proporções tomou o Edifício Grande Avenida, próximo à esquina com a Rua Peixoto Gomide. Foram 17 mortos e 53 feridos, mesmo com poucas pessoas trabalhando no local por causa do feriado.

Por que a estação Consolação de metrô fica na Avenida Paulista e a estação Paulista fica na Rua da Consolação? A explicação oficial do Metrô é a “referência urbana” – para os usuários da Linha 2-Verde, que passa por baixo da Paulista, a referência mais importante é a Rua da Consolação, enquanto é mais relevante para os passageiros da Linha 4-Amarela, que desce a Consolação, saber que a estação fica mais perto da Avenida Paulista.

(Com colaboração de Míriam Castro e foto de Julio Szymanski/AE)

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