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Doze torcedores do Corinthians estão detidos na cidade boliviana de Oruro pelo envolvimento no assassinato do garoto Kevin Beltrán Espada, de 14 anos. Presos na Penitenciária San Pedro desde o dia 20 de fevereiro, os brasileiros são obrigados a conviver em celas superlotadas e com falta de higiene. Segundo reportagem de O Estado de S. Paulo (09/03/2013), “existem mais de cem brasileiros presos esperando a resolução de seus processos, entre recursos e pedidos de prisão domiciliar na Bolívia”. Só para traçar um paralelo, em São Paulo, 223 bolivianos (152 homens e 71 mulheres) encontram-se presos atualmente.

Em número, a ala masculina dos bolivianos só perde para os presos nigerianos, que somam 188. Dos 152 bolivianos homens envolvidos em crimes em São Paulo, 129 estão encarcerados na Penitenciária Cabo PM Marcelo Pires da Silva, localizada em Itaí, município a 300 km da capital. As 71 criminosas da Bolívia estão distribuídas principalmente na Penitenciária Feminina, no bairro do Carandiru, e na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no extremo oeste do Estado, a 633 km da capital. Os dados são da Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo.

A Penitenciária de Itaí foi inaugurada em 2001, com o objetivo de abrigar presos estrangeiros. Esse esquema favorece tanto a organização da Secretaria do governo, que direciona material específico, como livros em línguas estrangeiras, para o presídio, como o bem-estar dos próprios detentos, já que evita o preconceito de brasileiros contra os presos de outros países. Os corintianos presos em Oruro tiveram que ser instalados em celas isoladas para evitar conflitos com bolivianos. Na Penitenciária de San Pedro, convivem juntos homens, mulheres e até bebês (filhos dessas mulheres nascidos no local).

Em relação ao aperto, no entanto, os bolivianos presos em São Paulo passam pelo mesmo problema enfrentado pelos brasileiros na Bolívia. Com capacidade para 792 detentos, as celas do presídio de Itaí já acumulam 1.321 pessoas. Trata-se de uma superlotação de 67%, semelhante à enfrentada na Penitenciária de San Pedro, que abriga 450 presos, quando só poderia alojar 250.

O órgão responsável pela administração das penitenciárias não fornece a ficha criminal de presos, por medida de segurança. A única informação oficial a respeito é que a maioria dos detentos bolivianos teve envolvimento com o tráfico de drogas. Tanto a Secretaria quanto o Presídio de Itaí se recusaram a informar à reportagem se há casos de assassinatos entre os bolivianos encarcerados.

(com colaboração de Júlia Bezerra)

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O centroavante Alexandre Pato chegou e o Corinthians não fez nenhum barulho. Na verdade, a famosa sirene que tocava no Parque São Jorge  para anunciar grandes contratações está em silêncio. A última vez que ela tocou foi na chegada de Ronaldo Fenômeno ao clube no dia 12 de dezembro de 2008. Ainda assim ela tocou por insistência dos torcedores, já que ela estava inoperante desde que o argentino Carlitos Tevez colocou os pés no clube em 2005.

A tradição da sirene foi criada em 1968 pelo presidente Wadih Helou para anunciar a vinda do jogador Paulo Borges, contratado junto ao Bangu. No entanto, foi seu sucessor, o folclórico Vicente Matheus, quem popularizou o soar da sirene para cada jogador contratado. Segundo o próprio Corinthians, a sirene – que está instalada no Bar da Torre – foi aposentada porque  as apresentações dos jogadores passaram a ser feitas no Centro de Treinamento Dr. Joaquim Grava, na Rodovia Ayrton Senna, e não mais na sede do clube.

(Com colaboração de Juliana Tamdjian e foto de Márcio Fernandes/Estadão)

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Como colocar o nome e o número atrás daquela camisa de futebol antiga ou de um modelo atual com as mesmas fontes usadas pelos times? A Sport Lock faz um trabalho de pesquisa para não deixar nenhum torcedor na mão. A loja, aberta em 1998, fazia apenas uniformes personalizados para times de empresas. A ideia de oferecer esse novo tipo de serviço veio do Japão, de onde o estabelecimento importava letras e números. “As pessoas querem estar com a camisa exatamente igual a dos jogadores”, diz Ricardo Dell Erba, 47 anos, dono da loja. A Sport Lock trabalha com os modelos atuais, mas o grande desafio é com seleções e times antigos. “Pesquisamos na internet e desenhamos no computador o mais fiel possível do original”, explica o vendedor Cláudio Pereira.

Cláudio conta que alguns fabricantes facilitam o trabalho disponibilizando as letras, mas isso é raro. “Conseguimos a maioria na raça mesmo”, completa. O valor do serviço de pesquisa das letras é R$ 20,00 e a customização varia entre R$ 3,50 a R$ 30,00 por letra dependendo do tamanho e das cores. Por ser um trabalho de pesquisa, a personalização nunca é feita na hora.

Serviço:

Rua Clélia, 1669, Lapa, 3864-6215/6220;
Avenida Imperatriz Leopoldina, 1406; Vila Leopoldina, 3831-4647.

(Com colaboração de Juliana Tamdjian e foto de Márcio Fernandes/Estadão)

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Duas cheeerleaders do time de futebol americano do Indiana Colts tiveram seus cabelos raspados pela mascote no último dia 26 de setembro.  Pouco antes da partida contra o Buffalo Bills, pela NFL,  as duas prestaram uma homenagem ao técnico do time, Chuck Pagano, que está se tratando de uma leucemia. Os jogadores já haviam raspado os cabelos também. O evento arrecadou 22 mil dólares para pesquisas no tratamento da doença.

No Brasil, as cheerleaders são chamadas de “animadoras de torcida”.  Mas a prática é considerada um esporte, que começa a ganhar força no Brasil.  A União Brasileira de Cheerleading (UBC) foi criada em 2006 pelo professor Wendell Dantas. Quando dava aulas de cultura americana, sempre recebia perguntas de alunas sobre o trabalho das agitadoras de  torcida. Ao pesquisar o tema e perceber que ainda era desconhecido no país, Dantas decidiu popularizar o esporte. Para isso, pediu ajuda do professor de educação física Rodrigo Silva. Hoje, a organização realiza os principais campeonatos nacionais do gênero, além de oferecer aulas da modalidade em formato de treinos coletivos.

De acordo com Silva, o cheerleading tem quatro elementos fundamentais: saltos, elevações (popularmente conhecidas como ‘pirâmides humanas’), coreografias e cheer – a combinação dos elementos anteriores para animas uma torcida. Normalmente, as competições são divididas por estas categorias.

Não existe restrição de idade para aprender a animar uma torcida. Durante as aulas, que acontecem no complexo esportivo Celfran, em Moema, os alunos são divididos por idade. “Até os 11 anos, ensinamos movimentos mais simples, que depois irão se tornar mais complexos, conforme a faixa etária”, afirma Silva. Tanto homens como mulheres participam da atividade tradicionalmente considerada feminina. “Algumas equipes chegam a ser 50% formadas por garotos”, diz Silva. “Os homens podem ser de grande ajuda para fazer elevações ou arremesso.”

Os treinos coletivos duram entre duas e três horas, todo sábado. Cada aluno para R$ 20 por treino que frequentar, mas há um incentivo para as equipes que já chegam formadas –  grupos com dez pessoas ou mais pagam R$ 200 por sessão. Como o campeonato brasileiro de Cheerleading se aproxima (será realizado em 15/12 ), as atividades da UBC estão temporariamente interrompidas. Mas os interessados em participar da turma de 2013 podem entrar em contato com a organização desde já.

Serviço:
UBC – Associação Brasileira de Cheerleading
 rodrigo at cheerleading.com.br

Cefran
Av. Juriti, 368, Moema
Tel:(11) 5054-4378

(Com colaboração de Míriam Castro)

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Ninguém vestiu mais vezes a camisa da Portuguesa. Foram 496 jogos. Oleúde José Ribeiro, o Capitão, hoje com 46 anos, passou três vezes pelo clube. Estreou em 1988 e permaneceu até 1993. Depois ficou entre 1995 e 1997, e ainda voltou à Lusa para encerrar a carreira em 2004. Para homenagear o ídolo,  o time lançou uma camisa retrô em edição limitada.

À venda apenas na Toca do Leão, loja oficial da Portuguesa, no estádio do Canindé, a camisa custa R$ 69,90. Na manga esquerda, ela tem um brasão comemorativo, o número de partidas disputadas por Capitão e o nome Oleúde – que foi o jeito que o escrivão escreveu  Hollywood. Na outra manga, fica uma faixa de capitão. O brasão da Lusa, que fica ao lado esquerdo do peito, é acompanhado pela assinatura do volante, que foi bordada em fios dourados. Atrás, o nome do jogador é acompanhado do número cinco, que o acompanhou durante a atuação no clube. São apenas 496 unidades desta versão retrô.

A camisa é a primeira da Coleção Grandes Ídolos, série de uniformes especiais que a Portuguesa criou para homenagear seus craques. “Estamos em uma fase de resgate histórico do time”, afirma Fábio Porto, responsável pelo marketing da equipe. Ainda não se sabe quantas camisas especiais farão parte da coleção, mas a próxima deve sair antes do final de 2012. O próximo jogador contemplado provavelmente será Dener Augusto de Sousa, que começou a carreira no clube em 1991, mas perdeu a vida em um acidente de carro três anos depois.

Serviço:
Toca do Leão – Canindé
R. Comendador Nestor Pereira, 33, Canindé, 3229-7812

(Com colaboração de Míriam Castro)

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A Taça Libertadores original ficará mais um mês no Memorial do Corinthians, no Parque São Jorge. O Corinthians conseguiu autorização da Conmebol para estender o prazo, que terminaria ontem. Assim, a Libertadores estará  presente nas comemorações do 102º aniversário do clube, que será comemorado no próximo sábado. Depois, o Corinthians receberá uma réplica da taça. Ontem pela manhã, corintianos ficavam até 30 minutos numa fila dentro do memorial para tirar fotos ao lado do troféu, que chegou ao clube no dia 13 de julho.

Foto: Robson Fernandjes/AE

Na semana de comemorações do aniversário, o Corinthians lançará a camisa número 3, na cor cinza, aposentando a bordô. A camisa sai com um atraso de dois meses – a Nike tinha prometido o lançamento da camisa para o mês de julho. A loja Poderoso Timão, que fica junto ao memorial, também percebeu que a euforia pela conquista da Libertadores está longe de passar. A loja encomendou 100 réplicas das medalhas de campeão do mesmo fornecedor da Conmebol. As medalhas devem chegar do Paraguai dentro de 20 dias. Encomendou também para uma metalúrgica do Ipiranga réplicas em miniatura do troféu, que serão vendidas em um luxuoso estojo.

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Começa amanhã, dia 3 de agosto, a mostra “Tuas Cores nos Encantam”, reunindo 25 camisas históricas do Esporte Clube Santo André. O nome da exposição foi retirado de um verso do hino do time, composto por José da Conceição Souza. Já faz seis meses que os torcedores organizam o evento. “Tínhamos que alugar o espaço e fazer uma seleção das melhores camisas”, conta Glauco Renaldin, diretor de comunicação da Fúria Andreense. “Convidamos muitos torcedores e ex-jogadores para a mostra”. Atualmente, o Santo André está disputando a série C do Campeonato Brasileiro.

Entre os uniformes expostos, o mais antigo é de 1968 – época em que a agremiação ainda se chamava Santo André Futebol Clube e tinha verde e amarelo na camisa. Também estarão disponíveis ao público a camisa de 1975, primeira criada após a mudança de nome, e a de 2004, com a qual o time conquistou seu maior título: o da Copa do Brasil.

Camisa de 1975, primeira após a mudança de nome

Amanhã, dia da inauguração, às 19h, será exibido um vídeo de apresentação das camisas do Santo André, inclusive algumas das que não estão expostas.

Serviço:
Tuas Cores nos Encantam
Museu de Santo André, sala especial
R. Senador Flaquer, 470, Centro, Santo André
De 3 a 30/8
Grátis

(Com colaboração de Míriam Castro e imagens de divulgação)

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Atualização em 03/08/2012 às 19h45:  Antônio Garcia não está mais na UTI. O vendedor de cannolis voltou para casa nesta tarde, acompanhado da mulher, Fátima. Ele deve ficar em repouso absoluto por alguns dias,  pois não pôde passar pela angioplastia enquanto estava no hospital. “Temiam que ele não resistisse à cirurgia”, afirma Fátima.  Enquanto permanecer em repouso, seus familiares se encarregarão de vender o cannoli nos jogos do Juventus, na Rua Javari.

 

Quem assistiu ontem à vitória do Juventus sobre o São José pela Copa Paulista, sentiu falta de um detalhe importante na paisagem do estádio Conde Rodolfo Crespi, na Rua Javari. Antônio Pereira Garcia, que vende o doce italiano cannoli no intervalo dos jogos, não estava lá. Foi então que a notícia se espalhou pelo estádio e depois pelas redes sociais: Antonio sofreu um enfarte no último dia 17 e, desde então, está internado na UTI do Hospital Mário Covas, em Santo André.

Os cannolis estavam lá, vendidos pela família de Antonio. A mulher, Fátima, conta que o problema cardíaco aconteceu quando o comerciante estava dentro do hospital. Ela tinha acabado de fazer uma cirurgia no braço e o marido foi visitá-la. “Assim que ele sentou ao lado da minha cama, começou a passar mal”, conta. “Os médicos me disseram que, se o Antônio estivesse no meio da rua, não daria tempo de salvá-lo”.

Por enquanto, a situação de Garcia é estável. O famoso personagem da Rua Javari deve passar por uma angioplastia na semana que vem. “Era para ter sido esta semana, mas ele está com uma infecção hospitalar e ainda não pode ser operado”, diz a esposa. Fátima conta que o marido está comendo pouco por não gostar de comida de hospital. “Jane, uma de nossas filhas, tem que ficar ao lado dele para convencê-lo a se alimentar.”

Com 62 anos, Antônio Garcia aprendeu a receita do cannoli com amigos italianos em 1970. O canudinho frito, recheado com creme, é feito com ajuda da mulher e dos filhos. Em dias de jogo na Rua Javari, o comerciante vende cerca de 300  unidades do doce italiano que já virou símbolo do bairro. Cada um custa R$ 2,50. “O cannoli não pode faltar no Juventus de jeito nenhum”, afirma Fátima. Por isto, enquanto o marido estiver no hospital, ela garante que continuará vendendo o doce.

Clique aqui para conferir um roteiro do cannoli em São Paulo.

Serviço:
Estádio Conde Rodolfo Crespi
R. Javari, 117, Mooca

(Com colaboração de Míriam Castro e foto de Monica Zarattini/AE)

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A febre do UFC, o campeonato de MMA (sigla para “artes marciais mistas”) mais famoso do mundo, tem invadido também a vida das crianças. Estão disponíveis desde agosto de 2011 em lojas de brinquedos de todo o país uma linha de produtos da fabricante DTC Toys com a temática UFC, indicada para crianças maiores de 8 anos.

Espalham-se pelas prateleiras bonecos de oito diferentes lutadores – entre eles, os brasileiros Anderson Silva e Thiago Alves –, um octógono (o ringue onde acontecem as lutas de MMA) e um cinturão ajustável (para ser usado pela própria criança). Os bonecos são superarticulados, permitindo que a criança simule os golpes oficiais da luta durante a brincadeira. Todos eles são bem realistas: têm cara de mau e exibem tatuagens no corpo e patrocinadores no calção.

Bonecos da linha UFC

Octógono da linha UFC

Cinturão da linha UFC

Apesar de os bonecos terem sido projetados para as crianças, Kelly Costa, assistente comercial da DTC Toys, afirma  que a maioria das vendas é destinada aos fãs mais velhos: “Grande parte das ligações que recebemos é de colecionadores adultos querendo saber onde encontrar os bonecos”. Procurados pelo Blog do Curiocidade, atendentes das lojas de brinquedo B-Mart, Ri-Happy e PB Kids desmentiram essa versão. Afirmaram que a maior procura vem do público infantil na faixa dos 6 aos 10 anos de idade.

As embalagens dos produtos não exibem nenhum tipo de alerta contra a violência que a brincadeira poderia incitar nas crianças, e a DTC Toys não parece preocupar-se com a questão. “Nunca recebemos reclamações de pais ou educadores, pois nossos brinquedos valorizam a atividade esportiva, e não a violência”, justifica Kelly.

Não é de hoje que crianças crescem brincando de brigar. Marie Claire Sekkel, professora docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), explica que as crianças não costumam confundir brincadeira com realidade. “Brincar de luta faz parte do aprendizado da criança e de seu entendimento do mundo exterior”, explica. A psicóloga, no entanto, faz um alerta em relação às tendências modernas dos brinquedos no mercado: “Hoje em dia, a máscara imaginária, que deveria partir da brincadeira em si, já vem acoplada ao brinquedo”. Isso porque os produtos são fabricados com características embutidas – bonecos fantasiados de médicos, bailarinas, lutadores –, travando a capacidade imaginativa das crianças, que é justamente o que, por meio de brincadeiras, as leva a um melhor entendimento da realidade. “Os bonecos da linha UFC, por exemplo, não precisavam ser tão expressivos – isso deveria partir do imaginário da criança durante a brincadeira”, sugere Marie Claire.

Boneco do lutador Wanderlei Silva

(com colaboração de Júlia Bezerra)

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O futebol teve um final de semana cheio de decisões.  A festa dos campeões começou no sábado (12) no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), com a final da série A2 do Campeonato Paulista. Bruno e Ray abriram a festa cantando o Hino Nacional antes do jogo que daria ao time da cidade o primeiro título de sua história. O São Bernardo sagrou-se campeão, mas restou uma dúvida. A dupla sertaneja cantou apenas a primeira parte do hino brasileiro, ignorando o restante de sua letra. É permitido fazer isso?

Bruno e Ray cometeram uma infração. Segundo Augusto César, cerimonialista da Universidade do Estado do Pará, nos casos de execução vocal, sempre devem ser cantadas as duas partes do poema. Se a versão for orquestrada, no entanto, a regra é mais flexível: “Nesses casos, pode ser executada apenas a primeira parte da música”, esclarece.

O artigo 24 da Lei 5.700, de 1º de setembro de 1971, prevê que o Hino Nacional pode ser interpretado por uma banda, orquestra, coral, cantores ou reproduzido por uma gravação. No entanto, é contra a lei a execução de versões elaboradas pelos próprios artistas. A música deve ser entoada em marcha rancho (como a composição de Antão Fernandes) e cantada em fá maior (o tom adotado pelo maestro Alberto Nepomuceno) em uníssono (uma única voz). Os presentes podem ficar à vontade para cantar ou não a letra – não é desrespeito permanecer com a boca fechada.

Virar-se para a bandeira nacional na hora do hino, atitude que também costuma ser tomada em competições esportivas, vai contra as normas de culto aos símbolos nacionais. Isso porque, a menos que se trate de uma homenagem à bandeira, todos os símbolos que representam o país (o hino, a bandeira, os selos e as armas) devem receber prestígio igualitário. Durante a execução do hino nacional em ambientes abertos – como é o caso dos estádios de futebol –, os presentes devem se voltar para a direção de onde a música está sendo reproduzida.

Para os que não resistem às palmas depois do hino, uma boa notícia: não há restrições. Na lei, está escrito: “Durante a execução do Hino Nacional, todos devem tomar atitude de respeito, de pé e em silêncio, os civis do sexo masculino com a cabeça descoberta e os militares em continência, sendo vedada qualquer outra forma de saudação”. O cerimonialista Augusto César, no entanto, garante: “Apesar de as palmas serem uma forma de saudação, o hino pode sim ser aplaudido, pois o parágrafo discorre sobre atitudes a serem tomadas durante a execução da música, e não após esta”.

A violação de qualquer uma das regras previstas em lei implica multa de uma a quatro vezes o salário mínimo vigente, podendo o valor ser dobrado em casos de reincidência. No caso do jogo do último sábado, quem pagaria a multa seriam os próprios Bruno e Ray, e não a organização do clube: “É responsabilidade civil de quem está executando o hino”, diz Augusto César.

(com a colaboração de Julia Bezerra e foto de Elisa Rodrigues/Futura Press)

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