ir para o conteúdo
 • 

Curiocidade

O futebol teve um final de semana cheio de decisões.  A festa dos campeões começou no sábado (12) no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), com a final da série A2 do Campeonato Paulista. Bruno e Ray abriram a festa cantando o Hino Nacional antes do jogo que daria ao time da cidade o primeiro título de sua história. O São Bernardo sagrou-se campeão, mas restou uma dúvida. A dupla sertaneja cantou apenas a primeira parte do hino brasileiro, ignorando o restante de sua letra. É permitido fazer isso?

Bruno e Ray cometeram uma infração. Segundo Augusto César, cerimonialista da Universidade do Estado do Pará, nos casos de execução vocal, sempre devem ser cantadas as duas partes do poema. Se a versão for orquestrada, no entanto, a regra é mais flexível: “Nesses casos, pode ser executada apenas a primeira parte da música”, esclarece.

O artigo 24 da Lei 5.700, de 1º de setembro de 1971, prevê que o Hino Nacional pode ser interpretado por uma banda, orquestra, coral, cantores ou reproduzido por uma gravação. No entanto, é contra a lei a execução de versões elaboradas pelos próprios artistas. A música deve ser entoada em marcha rancho (como a composição de Antão Fernandes) e cantada em fá maior (o tom adotado pelo maestro Alberto Nepomuceno) em uníssono (uma única voz). Os presentes podem ficar à vontade para cantar ou não a letra – não é desrespeito permanecer com a boca fechada.

Virar-se para a bandeira nacional na hora do hino, atitude que também costuma ser tomada em competições esportivas, vai contra as normas de culto aos símbolos nacionais. Isso porque, a menos que se trate de uma homenagem à bandeira, todos os símbolos que representam o país (o hino, a bandeira, os selos e as armas) devem receber prestígio igualitário. Durante a execução do hino nacional em ambientes abertos – como é o caso dos estádios de futebol –, os presentes devem se voltar para a direção de onde a música está sendo reproduzida.

Para os que não resistem às palmas depois do hino, uma boa notícia: não há restrições. Na lei, está escrito: “Durante a execução do Hino Nacional, todos devem tomar atitude de respeito, de pé e em silêncio, os civis do sexo masculino com a cabeça descoberta e os militares em continência, sendo vedada qualquer outra forma de saudação”. O cerimonialista Augusto César, no entanto, garante: “Apesar de as palmas serem uma forma de saudação, o hino pode sim ser aplaudido, pois o parágrafo discorre sobre atitudes a serem tomadas durante a execução da música, e não após esta”.

A violação de qualquer uma das regras previstas em lei implica multa de uma a quatro vezes o salário mínimo vigente, podendo o valor ser dobrado em casos de reincidência. No caso do jogo do último sábado, quem pagaria a multa seriam os próprios Bruno e Ray, e não a organização do clube: “É responsabilidade civil de quem está executando o hino”, diz Augusto César.

(com a colaboração de Julia Bezerra e foto de Elisa Rodrigues/Futura Press)

comentários (2) | comente

Tudo indica que o Santos irá conquistar seu terceiro tricampeonato paulista – o primeiro depois da era Pelé – no próximo domingo, na segunda partida da decisão, contra o Guarani. O Santos venceu a primeira, domingo passado, por 3 x 0.  O último tricampeão paulista foi justamente o Santos em 1967, 1968 e 1969. E o primeiro clube a ganhar o Paulistão por três anos consecutivos?  A resposta é  SPAC (São Paulo Athletic Club), time em que jogou Charles Miller, o pai do futebol no Brasil.  O troféu de tricampeonato mais antiga do Brasil será exposto a partir deste sábado (12). O SPAC fará uma grande festa neste sábado, dia 12, em sua sede social para a inauguração do Centro de Memória do SPAC – Charles Miller.

Fundado em 1888 por trabalhadores do comércio e da São Paulo Railway, o Clube Atlético São Paulo era frequentado por imigrantes ingleses e seus descendentes. Lá, eram praticados esportes tradicionais britânicos, como o críquete. Charles Miller, um dos sócios do clube, voltou de um período de estudos na Inglaterra em 1894 com duas bolas de capotão e um livro de regras do futebol, que estava se popularizando na época.

O primeiro campeonato estadual foi realizado pela Liga Paulista de Foot-Ball em 1902. Com Miller na equipe, o SPAC venceu as três primeiras edições, garantindo a Taça Antônio Casimiro da Rocha, que será a atração principal do Centro de Memória. “Queremos nos tornar um dos pontos de visitação relacionados ao futebol em São Paulo”, diz Junshi Nishimura, gerente geral do clube.

Com aproximadamente 40 m², o espaço é dedicado principalmente ao futebol e ao rúgbi – esporte que também foi trazido ao Brasil por Charles Miller. Serão cerca de 80 itens expostos, entre taças, camisas, flâmulas, fotografias e cartas. “Temos um acervo com centenas de itens, mas o espaço aqui é restrito”, afirma Nishimura.  A intenção é, em até dois anos, transferir o memorial para um local mais amplo em frente ao clube, que fica no bairro de Higienópolis.

Ainda não estão definidos os dias e os horários de funcionamento do Centro de Memória.  A princípio, o que está confirmado é que o museu terá entrada gratuita para o público em geral.

Serviço:
Centro de Memória do SPAC
R. Visconde de Ouro Preto, 119, Higienópolis, 3217-5944

(Com colaboração de Míriam Castro e imagem de divulgação)

sem comentários | comente

Neymar completou ontem 50 dias de vida. Não o atacante do Santos, mas Neymar Arantes do Nascimento Zanquetta, bebê nascido em 15 de março passado na cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Ele é filho do empresário brasileiro José Carlos Zanquetta, torcedor do Santos, que homenageou, ao mesmo tempo, Neymar e Pelé.

José Carlos, nascido em São Caetano do Sul, mora na Bolívia há 16 anos. Lá, é casado com Alexsandra do Carmo Nascimento, que não é santista – como é nascida no Acre, torce para o Rio Branco Futebol Clube. “Mas ela já aprendeu a gostar do Santos”, afirma Zanquetta. A família foi resistente à escolha do nome para o recém-nascido. “Minha mãe achou um absurdo”, diz. “Meus sobrinhos, que são corintianos, falaram que eu ia estragar a vida de meu filho”.

Neymar tem dois irmãos do primeiro casamento do pai: Vanessa, de 23 anos, e Alexandre, de 14. Os dois são corintianos e não gostaram nada da ideia de batizar o novo membro da família com o nome do craque do time rival. “Mas vão ter que aprender a conviver com um Neymar em casa”, brinca Zanquetta.

O pai conta que sempre foi fã de Pelé, mas não batizaria um filho de Edson Arantes do Nascimento. “Acho que seria muita pretensão dar este nome a uma criança”, conta Zanquetta. “Mas o Neymar está despontando como o melhor jogador da atualidade, então também merecia uma homenagem”. O torcedor aproveitou o “Nascimento” do sobrenome da mulher e realizou a loucura.

Na Bolívia, a tradição é utilizar o sobrenome materno por último. Se fosse registrado em Santa Cruz de la Sierra, o bebê seria chamado Neymar Arantes Zanquetta do Nascimento. “Por isso, procurei o consulado brasileiro na Bolívia”, diz o pai. “Quando fui registrar o nome, a pessoa que me atendeu perguntou se eu tinha certeza do que estava fazendo”. Como tinha certeza, a criança foi registrada em 30 de março.

Agora, a maior meta de José Carlos é fazer com que seu filho tire uma foto ao lado do Neymar jogador. “Daqui a uns 15 anos, o meu Neymar vai estar jogando bola inspirado no craque dos dias de hoje”, prevê. Em junho, quando estiver um pouco maior, o pequeno Neymar vai visitar a avó em São Caetano – e, é claro, aproveitar para assistir a seu primeiro jogo do Santos.

(Com colaboração de Míriam Castro e imagens de acervo pessoal)

comentários (17) | comente

Para comemorar a conquista do quinto campeonato brasileiro da história do Corinthians,  o zagueiro Paulo André revelou seu talento como pintor. Durante a semana final da competição, em dezembro passado,  o jogador levou uma tela em branco para o Centro de Treinamento e pediu que os colegas de time chutassem bolas sujas de tinta em direção a ela. Paulo André conta que foi o pintor Romero Britto quem lhe deu a ideia do quadro.

O resultado é uma tela cheia de marcas de bola nas cores branca, preta e roxa. Além disso, Paulo André pediu para que os craques do Corinthians deixassem marcas de seus pés e mãos na obra. Ele procurou colocar 38 pegadas ou traços de dedos no quadro para representar as 38 partidas jogadas pelo Corinthians no Brasileirão.

Agora, a tela pintada pelo zagueiro e seus colegas de equipe está exposta no restaurante Paris 6, nos Jardins. Com 2,65 m  por 2,65 m, a tela foi levada na noite de sexta-feira para o local. “No restaurante, procuramos sempre valorizar as artes”, afirma Isaac Azar, proprietário do estabelecimento. De acordo com o empreendedor, a iluminação para o quadro será instalada hoje.

Haverá um coquetel – ainda sem data definida – destinado a atrair possíveis compradores da obra, cujo valor inicial é de R$ 50 mil. Da quantia, 10% serão destinados ao funcionário do Paris 6 que atender o cliente que levar o quadro para casa. O restante será destinado ao IPA (Instituto Paulo André), instituição criada pelo jogador que atende jovens carentes na região de Campinas.

Serviço:
Paris 6
R. Haddock Lobo, 1.240, Jardins, 3085-1595

(Com colaboração de Míriam Castro)

1 Comentário | comente

Acontece neste sábado (31) o I Encontro de Colecionadores de Objetos de Futebol, no Museu do Futebol. Trata-se do pontapé inicial para a inauguração do Centro de Referência do Futebol Brasileiro (CRFB), uma grande biblioteca e um completíssimo acervo de arquivos futebolísticos, prometido para abrir as portas ao público ainda este ano.

O evento do sábado começa pela manhã, com a palestra “Preserve seu Acervo”, às 10h. Teresa Toledo de Paula, pesquisadora do Museu Paulista da USP, é uma das palestrantes, e promete dar dicas para os colecionadores preservarem melhor suas camisas. “O segredo para conservar têxteis é não deixar que eles recebam luz”, adianta Teresa, que pretende ensinar o público a guardar, manusear e expor a coleção. O Museu do Futebol também prepara para o evento o lançamento da cartilha “Preserve seu Acervo”, com dicas para os colecionadores. Os livros, por exemplo, devem ser guardados em pé, enquanto as fotografias conservam-se melhor na horizontal. E um detalhe que pode evitar a degradação de fotos e papéis: nunca use cola, fitas adesivas, grampos, ou clipes de metal.

A tarde (12h às 17h) está reservada para os presentes mostrarem suas relíquias e trocarem experiências entre si. Para ser um expositor, basta mandar um e-mail para eventos@museudofutebol.org.br confirmando sua presença e dizendo o que você pretende levar. Vale tudo o que seja relacionado com o futebol: jogos de botões, medalhas, ingressos, figurinhas, fotos, camisas, livros, chaveiros e mais uma lista sem fim de possibilidades. Todas as atividades são gratuitas, e a organização do evento garante que coleções curiosas já estão inscritas. O colecionador Marcos Araújo levará mini-craques e Fernando Cury, uma coleção de artigos da Copa de 1958.

Gostaram da ideia do Museu do Futebol? Que tal promovermos um encontro dos leitores do Blog do Curiocidade que colecionam artigos de futebol? Conte-nos um pouquinho sobre sua coleção deixando um comentário no post.

I Encontro de Colecionadores de Objetos de Futebol
Museu do Futebol
Praça Charles Miller, S/N – Estádio do Pacaembu
31/03/2012, das 10h às 17h
Entrada franca

(Com colaboração de Júlia Bezerra)

1 Comentário | comente

Nos últimos anos, com a popularidade crescente das corridas e das maratonas, lojas esportivas das grandes metrópoles de todo o mundo voltaram seus olhos para esse público. São Paulo – com o perdão do trocadilho – não poderia ficar para trás. A cidade já conta com estabelecimentos especializados em atender corredores casuais e atletas que participam de competições.

A Velocità, inaugurada nos Jardins em 1996, começou como uma multiesportes chamada Sport Now. A especialização só aconteceu em 2007. Agora, já são três unidades na capital. Patricia Vasconcelos, gerente da loja de Pinheiros, garante que o  foco em apenas um esporte garante um treinamento mais completo para os  funcionários. “Nosso público já é especializado, então precisamos de um  atendimento à altura”, diz a gerente. Na Velocità, para incentivar os funcionários a correr, há convênios com assessorias esportivas e inscrição gratuitas em provas.

A antiga Sports Society se transformou na Mundo Corrida há três anos, quando foi reformulada a matriz, no Leblon, Rio de Janeiro. Agora, existem unidades também em Belo  Horizonte e Brasília. De acordo com o supervisor nacional da marca, Danilo  Silva, o ponto de venda paulistano nos Jardins é uma loja-conceito. “Cada marca  tem seu corner, não existe mistura de segmentos”, afirma. “Em uma multiesportes, o funcionário só vai saber indicar qual tênis tem determinado tipo de amortecimento. Aqui, os vendedores têm treinamentos semanais sobre os equipamentos e novidades lançadas”.

Dedicada principalmente à corrida, a Fast Runner também tem seções com foco em triatlo e em ciclismo. Lá, funciona uma oficina de bicicletas. Na parte de corrida, além dos tênis de marcas variadas, é oferecido gratuitamente o teste da pisada. Também disponibilizado de graça pelas lojas citadas acima, esse  exame é feito com uma câmera atrás dos pés do cliente. “Desta maneira, sabemos  como é a pisada da pessoa e qual é o equipamento mais adequado”, diz Yuri  Andreoli, encarregado do e-commerce da marca. Se o freguês que visitar a loja  não estiver usando calçados adequados, o estabelecimento empresta os tênis durante o teste.

Serviço:
Fast Runner
Al. dos Arapanés, 195, Moema, 5054-3777

Mundo Corrida
R. Brigadeiro Luís Antônio, 4.921, Jardins, 3051-4981

Velocità
Av. Pedroso de Morais, 909, Pinheiros, 3811-9954 (e mais dois endereços)

(Com colaboração de Míriam Castro)

comentários (3) | comente

Um encontro realizado na semana passada no apartamento do maestro João Carlos Martins, no bairro dos Jardins, serviu para celebrar uma nova parceria no mundo artístico. O cartunista Maurício de Sousa apresentou a ideia de criação do personagem “Maestrinho”, que será inspirado na figura de Martins. Sobre o encontro, Maurício escreveu, empolgadíssimo, em seu twitter: “Encontro de sonho: eu e o grande maestro João Carlos Martins. Com almoço, vinho e breve recital”. Martins ganhou livros autografados e um desenho do personagem Horácio feito na hora.  Além de quadrinhos, o projeto inclui um espetáculo com orquestra e os personagens da Turma da Mônica.

O personagem inspirado no maestro será apresentado depois do Carnaval junto com outro novo integrante da Turma da Mônica. O craque Neymar também irá se transformar em desenho. A aproximação entre Maurício de Sousa e o jogador do Santos começou quando o empresário dos quadrinhos publicou um desenho em homenagem ao gol que Neymar marcou contra o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro, eleito o mais bonito de 2011 em votação da FIFA.  Maurício de Sousa foi um dos convidados da festa de 20º aniversário de Neymar, comemorada no últomo dia 5 de fevereiro.

Neymar é o quinto personagem futebolístico da Maurício de Sousa Produções. O primeiro foi Pelezinho, que circulou entre 1982 e 2002. Depois vieram Ronaldo Fenônemo (o projeto não chegou a ir em frente) e Ronaldinho Gaúcho (lançado em 2005 e até hoje nas bancas). Dieguito, inspirado em Diego Maradona, foi outro que nunca chegou a ser lançado. Às vésperas, o ídolo argentino teve problemas com drogas e o projeto acabou cancelado.

(Imagens: twitter de Maurício de Sousa)

1 Comentário | comente

Marcos Roberto Silveira Reis, o Marcos, irá completar 20 anos como goleiro do Palmeiras em 2012. Será também seu último ano como profissional. A despedida deverá acontecer no primeiro semestre. Aproveitando a ocasião, o jornalista Celso de Campos Jr. resolveu sair à frente e acaba de lançar uma biografia do craque. São Marcos de Palestra Itália, da Editora Realejo, é resultado de um trabalho de oito anos de pesquisa sobre a vida do jogador. O goleiro Marcos e o Palmeiras não gostaram da novidade, já que dois livros oficiais sobre o camisa 12 estão sendo produzidos para o ano que vem. Rubens Reis, diretor de marketing do Palmeiras, diz que o clube entrará com medidas legais caso o título seja publicado. “O autor desse livro pirata em momento algum consultou o clube ou  o Marcos”, afirma Reis. “Não fez nenhum acordo para usar nossos direitos de imagem”.

Campos teve a ideia do livro em 2003, época em que Marcos recusou uma proposta da equipe inglesa Arsenal para substituir o goleiro David Seaman e permaneceu no Brasil, defendendo o gol do Palmeiras na Segunda Divisão. “Já admirava o Marcos desde antes daquela época”, diz o jornalista. “Com essa atitude, ele provou que não era um jogador qualquer”.

 

Campos é autor de Adoniran: uma biografia, sobre o compositor Adoniran Barbosa. O método de trabalho foi diferente. “No primeiro livro, entrevistei muitas pessoas para ajudar a reconstruir o personagem do músico”, explica. No caso de Marcos, o jornalista não entrevistou o arqueiro. Fez um trabalho de pesquisa em arquivos de jornais, revistas e internet. “O Marcos é uma personalidade atual, tem muita coisa sobre ele em todos os veículos”, conta. “Se eu perguntasse ao Marcos como foi uma partida de 1996, ele talvez não soubesse responder com precisão”.

Se a ameaça do Palmeiras se concretizar, a biografia de Marcos não será a primeira a enfrentar esse tipo de problema. O caso mais famoso foi o de Roberto Carlos. Em 2007, o jornalista Paulo César Araújo publicou Roberto Carlos em detalhes pela Editora Planeta. O cantor não autorizou a homenagem, que foi recolhida. O mesmo aconteceu com o livro Sinfonia de Minas Gerais – A vida e a obra de Guimarães Rosa, que teve que ser recolhido pela LGE Editora. Já Estrela solitária, trabalho de Ruy Castro sobre o jogador Garrincha, teve que passar por uma disputa jurídica de dez anos para, finalmente, voltar à circulação.

Isso acontece porque a Legislação brasileira ainda não tem um limite bem definido entre direito à privacidade e direito à informação sobre pessoas de projeção pública. A justificativa legal utilizada para barrar a publicação das biografias é o Artigo 20 do Código Civil. Ele garante que só podem ser divulgados escritos, citações e imagens de uma pessoa se esta (ou seu herdeiro) conceder uma autorização. “O Brasil está muito atrasado em relação a isso”, diz Celso de Campos Jr. “Em qualquer livraria, você vê três ou quatro biografias não-autorizadas de personalidades estrangeiras”. O autor não acredita que vá enfrentar problemas legais com o Palmeiras, já que seu livro enaltece o jogador, sem prejudicar a imagem dele ou a do clube. “E existe torcida palmeirense o suficiente para comprar mais de um livro sobre o Marcos”, justifica.

O jornalista tem a seu favor a modificação do Artigo 20, que está sendo feita pelos deputados federais Newton Lima (PT-SP) e Manuela D’ávila (PCdoB-RS), cujos projetos de lei permitem a divulgação de informações biográficas de pessoas públicas sem a necessidade de pedir autorização prévia. Por serem quase idênticos, os projetos de lei 393/11 e 395/11 foram apensados e aprovados na Câmara em dezembro. Agora, o texto vai para o Senado e, se não houver alteração, irá para a promulgação pela presidente Dilma Roussef.

(com colaboração de Miriam Castro)

sem comentários | comente

Corinthians e Vasco fazem um jogo decisivo no próximo sábado, às 15h, no Parque São Jorge. Não, este jornalista não enlouqueceu. As equipes de futebol americano Vasco Patriotas e Corinthians Steamrollers se enfrentam pela semifinal do Torneio Touchdown, o campeonato brasileiro da categoria.

O estádio corintiano Alfredo Schürig recebeu sua última partida de futebol profissional em 3 de agosto de 2002. Era um sábado de manhã e o Corinthians venceu um amistoso contra o Brasiliense-DF por 1 x 0, gol marcado por Fabinho, aos 44 minutos do segundo tempo. Atualmente a “Fazendinha” só recebe  jogos das categorias de base do Corinthians – e agora também de futebol americano. O local sediou, por exemplo, a final do Campeonato Paulista de Futebol Americano, entre Corinthians Steamrollers e São Paulo Spartans (foto abaixo).

Como não existem campos oficiais de futebol americano no Brasil, os estádios de futebol precisam passar por adaptações toda vez que acontece um jogo. Para as partidas dos  Steamrollers, Ricardo Trigo, presidente e jogador, e mais dois ou três amigos  pintam o gramado de acordo com as normas do esporte: feet marks (marcações de jarda em jarda nas laterais e no centro), linhas transversais a cada cinco jardas e duas linhas laterais. Depois de cada partida, é preciso remarcar a grama de acordo com o futebol comum.

Mesmo assim, as medidas oficiais passam por diversas adaptações. “Temos campos 14 metros menores do que os usados no futebol americano”, conta Trigo. Para garantir que cada lado do campo tenha 50 jardas, a medida oficial americana (91 centímetros) foi reduzida no Brasil para 82 centímetros. Outras medidas alteradas são as do gol. “Nos Estados Unidos, as traves têm o formato da letra ‘Y’, enquanto o nosso parece mais um ‘H’”, explica  Trigo. Por cima de cada trave brasileira, são colocados canos de PVC encapados, fazendo uma abertura na parte superior do antigo gol.

Simulação de como seria a Fazendinha totalmente adaptada para os jogos

Nossa versão das traves americanas é mais larga do que a estadunidense: 7,44 metros contra 5,75 metros. Por outro lado, a versão improvisada é mais baixa: 2,44 metros, enquanto as dos os campeonatos oficiais ficam a 3,75 metros do chão.

Além do Parque São Jorge, o Corinthians Steamrollers já mandou partidas em cidades como Mococa e Guarulhos. “Jogamos onde conseguimos apoio de estádios”, conta Trigo. “Isto é ótimo, já que divulgamos o esporte pelo interior de São Paulo. Queremos mostrar que o futebol americano não é violento, tem muita estratégia”. Em São Caetano do Sul, o Corinthians mandou uma partida no Estádio Anacleto Campanella. A foto abaixo mostra o campo depois da modificação temporária para o futebol americano.

 

 (Com colaboração de Míriam Castro)

sem comentários | comente

A final de Pelota Basca dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara aconteceu hoje. O México levou o maior número de medalhas (cinco de ouro, duas de prata e duas de bronze). A Argentina ficou em segundo lugar, com quatro ouros e três bronzes. Na terceira colocação,  Cuba conquistou um ouro, três pratas e quatro bronzes. O Brasil não participou porque não tem uma equipe oficial para representar o país.

(Foto: Reprodução / Federação Internacional de Pelota Basca)

Não temos uma seleção porque  só há um lugar no Brasil inteiro onde se pratica Pelota Basca: o Club Athletico Paulistano. Sem clubes de pelota basca, não é possível formar uma federação brasileira do esporte, requisito para participar da competição dos Jogos Pan-Americanos. O que existe é a Sociedade Brasileira de Pelota Basca, criada para afiliar o Brasil na Federação Internacional de Pelota Basca. Isso permite que o país participe ao menos dos Mundiais de Pelota Basca. A primeira vez em que isso aconteceu foi em 1990 e, desde então, não houve nenhuma edição sem representantes brasileiros. O que não chega a ser um motivo de tanta comemoração, já que o nosso desempenho nunca foi dos melhores. Na última edição, ano passado, o Brasil ficou em 5º lugar na modalidade cesta punta. Eram oito países competindo. No total, são oito modalidades: cesta punta, mano, joko garbi, share, pala corta, paleta cuero, paleta goma e frontenis. A diferença é o instrumento utilizado para bater na bola e o tamanho das canchas (paredes altas), que varia entre 450 e 810 m². São três paredes. A bola deve ser atirada na parede da frente e, ao voltar, precisa ser rebatida pelo jogador do time adversário. Ela só pode bater uma vez no chão. São dois jogadores de cada lado.

O esporte teria surgido no País Basco, norte da Espanha. Mas os primeiros registros de Pelota Basca mostram que, na Antiguidade, já havia jogos entre gregos e romanos. Foi modalidade olímpica apenas uma vez, em 1900, nos Jogos de Paris. No Brasil, era mais praticado entre os anos 1890 e 1940, época em que o jogo atraía apostadores. São Paulo tinha quatro quadras. Mas, com a proibição de cassinos no país, em 1946, as apostas foram vetadas e perdeu-se o interesse pelo esporte por aqui.

Em entrevista ao Blog do Curiocidade, Alfredo Correia Soeiro, de 74 anos, presidente da Sociedade Brasileira de Pelota Basca, falou sobre o esporte. Médico psiquiatra, ele joga em suas horas vagas, como hobby.

Por que o Brasil não montou um time para os Jogos Pan-Americanos? 
Nós não temos condições de formar uma federação brasileira. Precisamos de clubes, de canchas em vários Estados. Já tentamos dezenas de vezes, mas eles não aceitam. Nós precisamos construir canchas. Infelizmente, não somos reconhecidos.

Você acompanhou algum jogo de Pelota Basca nos Jogos Pan-Americano?
Não cheguei a ver a pelota no Pan, não. O problema é que, como não tem time do Brasil, eu tenho a impressão de que não está passando na televisão.

Quais são as potências mundiais da Pelota Basca?
México, França, Cuba e Espanha. Nunca ganhamos desses times. Mas, no último mundial, nós vencemos Filipinas, que é uma seleção forte.

Qual foi o melhor desempenho no Brasil em mundiais?
Foi da equipe feminina em 1994 na categoria frontenis. Mas não me lembro a classificação. Hoje estamos sem equipe feminina, mas começamos a treinar uma agora.

Tem alguém que patrocina o esporte no Brasil?
Não temos patrocinadores. O clube, em época de mundiais, até dá uma pequena ajuda de custo. Mas os jogadores pagam quase tudo do próprio bolso. Ninguém é profissional, nós somos amadores.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

1 Comentário | comente

Comentários recentes

  • MCCOY: Não tinha parado para pensar nisso, mas pelos comments daqui, me parece que o ‘geek’ fica sendo o...
  • Genio illuminado: Ser un Nerd nao e un defeito porque os Nerds nao sao bobos. Na realidade eu acho que essa palavra...
  • rodrigo: Cultura de COMPRAS. Não cultura NERD.
  • Juliana Torres: Oi Spock, Acredito que tenha escolhido esse nome ironicamente. Estou certa? É que como o Victor...
  • Claudio Br: Depois que você transforma um grupo em segmento de mercado só vender importa.

Arquivo