O futebol teve um final de semana cheio de decisões. A festa dos campeões começou no sábado (12) no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), com a final da série A2 do Campeonato Paulista. Bruno e Ray abriram a festa cantando o Hino Nacional antes do jogo que daria ao time da cidade o primeiro título de sua história. O São Bernardo sagrou-se campeão, mas restou uma dúvida. A dupla sertaneja cantou apenas a primeira parte do hino brasileiro, ignorando o restante de sua letra. É permitido fazer isso?
Bruno e Ray cometeram uma infração. Segundo Augusto César, cerimonialista da Universidade do Estado do Pará, nos casos de execução vocal, sempre devem ser cantadas as duas partes do poema. Se a versão for orquestrada, no entanto, a regra é mais flexível: “Nesses casos, pode ser executada apenas a primeira parte da música”, esclarece.
O artigo 24 da Lei 5.700, de 1º de setembro de 1971, prevê que o Hino Nacional pode ser interpretado por uma banda, orquestra, coral, cantores ou reproduzido por uma gravação. No entanto, é contra a lei a execução de versões elaboradas pelos próprios artistas. A música deve ser entoada em marcha rancho (como a composição de Antão Fernandes) e cantada em fá maior (o tom adotado pelo maestro Alberto Nepomuceno) em uníssono (uma única voz). Os presentes podem ficar à vontade para cantar ou não a letra – não é desrespeito permanecer com a boca fechada.
Virar-se para a bandeira nacional na hora do hino, atitude que também costuma ser tomada em competições esportivas, vai contra as normas de culto aos símbolos nacionais. Isso porque, a menos que se trate de uma homenagem à bandeira, todos os símbolos que representam o país (o hino, a bandeira, os selos e as armas) devem receber prestígio igualitário. Durante a execução do hino nacional em ambientes abertos – como é o caso dos estádios de futebol –, os presentes devem se voltar para a direção de onde a música está sendo reproduzida.
Para os que não resistem às palmas depois do hino, uma boa notícia: não há restrições. Na lei, está escrito: “Durante a execução do Hino Nacional, todos devem tomar atitude de respeito, de pé e em silêncio, os civis do sexo masculino com a cabeça descoberta e os militares em continência, sendo vedada qualquer outra forma de saudação”. O cerimonialista Augusto César, no entanto, garante: “Apesar de as palmas serem uma forma de saudação, o hino pode sim ser aplaudido, pois o parágrafo discorre sobre atitudes a serem tomadas durante a execução da música, e não após esta”.
A violação de qualquer uma das regras previstas em lei implica multa de uma a quatro vezes o salário mínimo vigente, podendo o valor ser dobrado em casos de reincidência. No caso do jogo do último sábado, quem pagaria a multa seriam os próprios Bruno e Ray, e não a organização do clube: “É responsabilidade civil de quem está executando o hino”, diz Augusto César.
(com a colaboração de Julia Bezerra e foto de Elisa Rodrigues/Futura Press)
Na tradição católica, a Sexta-feira Santa é o dia de relembrar a morte de Jesus Cristo depois da crucificação no Calvário. Por isso, nesse dia, acontecem encenações do momento religioso, das quais a mais famosa é a de Nova Jerusalém, em Pernambuco. Mas não é preciso ir tão longe para apreciar um grandioso espetáculo. São Paulo terá amanhã (6) duas versões da Paixão de Cristo, ambas gratuitas.
Os portões do Autódromo de Interlagos serão abertos às 16h para a encenação coordenada pelo padre Hewaldo Trevisan. É a 16ª vez que o evento acontece na arena da Zona Sul de São Paulo. O elenco conta com 240 pessoas, entre atores e figurantes. Quem faz o papel de Jesus Cristo é o ator Kayky Brito, de 23 anos, que participa da peça pela primeira vez. Além dele, estão na equipe os atores Uill Cardoso, Claudia Carla, Lucas Malvacini e Julio Oliveira. A encenação está marcada para às 20h, logo depois do show do padre Trevisan.
Em Taboão da Serra, na região metropolitana, são esperados 20 mil espectadores para a encenação da Paixão de Cristo. A exibição é a mais tradicional do Estado de São Paulo, realizada há 56 anos. O hábito começou três anos antes da emancipação do município, com a iniciativa de Manoel da Nova, morador já falecido. Quem interpreta Jesus nesta montagem é Heric Alvarez, que realizou o papel no ano passado. Professor de Educação Física, o baiano dá aulas na rede estadual de ensino.
Para Luiz Domingues, diretor do projeto e secretário de Cultura, Lazer e Turismo de Taboão da Serra, o maior desafio é reunir os 120 atores do espetáculo em todos os ensaios, que acontecem todo domingo desde janeiro. “É um trabalho voluntário, muitas vezes os atores têm outras ocupações”, afirma Domingues. “Mas a maioria consegue comparecer, já que entende a importância dessa tradição”.
Serviço:
16ª Encenação da Paixão de Cristo
6/4 – 16h (abertura dos portões); 19h (show do padre Hewaldo Trevisan); e 20h (encenação)
Autódromo de Interlagos – Av. Sen. Teotônio Vilela, 261, Interlagos
56ª Paixão de Cristo de Taboão da Serra
6/4, às 19h
Parque das Hortênsias – Pça Miguel Ortega, 500, Taboão da Serra
(Com reportagem de Míriam Castro)
O ator britânico Anthony Hopkins, 74 anos, está fazendo planos para diminuir o ritmo do cinema e se dedicar mais à música. E isso inclui uma apresentação em São Paulo, tratada ainda como sigilosa. Está em negociação uma apresentação do ator como regente da Orquestra Bachiana do SESI, inicialmente agendada para a primeira semana de setembro, na Sala São Paulo. Hopkins já atuou como regente algumas outras vezes.
Hopkins sempre teve aptidão pela música clássica. Começou a compor aos 6 anos de idade. Fã de Elgar e de Beethoven, ele era incentivado pela mãe, cujo maior sonho era que o garoto se tornasse um grande pianista. Seu caminho acabou se esbarrando no cinema, e o talento artístico contribuiu para que ele construísse uma carreira de sucesso, cujo auge foi atingido na década de 1990. Hopkins, vencedor do Oscar de melhor ator por “O Silêncio dos Inocentes” (1992), é um dos mais respeitados atores de Hollywood.
Anthony Hopkins, no entanto, nunca se desgarrou de suas raízes musicais. Quando dirigiu seu segundo filme (“August”, de 1996), chamou o compatriota George Fanton para compor a trilha. Fanton estava ocupado com outros projetos, mas topou ajudá-lo. No fim, o próprio Hopkins acabou compondo o tema do filme. Inicialmente chamada de “August”, a música foi mais tarde renomeada para “Margam”, em homenagem à sua cidade natal, no País de Gales. Em 2007, compôs mais uma para o cinema: “Schizoid Salsa” entrou na trilha sonora de “Slipstream”, também dirigido por ele.
Em janeiro deste ano, a Orquestra Sinfônica de Birmingham (Inglaterra) gravou nove de seus trabalhos originais e trilhas de filmes em um CD, lançado pela rádio britânica Classic FM. Uma das faixas é “Margam”. “Stella” é inspirada na mulher dele, que o convenceu a não desistir do hobby, e “Amerika” em sua terra adotiva, os Estados Unidos.
É provável que a oportunidade de tocar no Brasil tenha sido fruto de sua convivência com Fernando Meirelles, diretor brasileiro que trabalhou com Hopkins no longa “360″, previsto para estrear no país no dia 18 de maio. Meirelles reconhece o talento musical de seu protagonista. Tanto que o convidou a compor o tema de seu personagem. “Em uma tarde, ele foi a um estúdio em Londres e trouxe a peça pronta”, admira-se o diretor. Trata-se de uma obra para violão, tocada por ele mesmo – que revelou ser também um multi-instrumentista.
Apesar da inclinação cada vez mais musical, Fernando Meirelles acredita que Anthony Hopkins não irá largar tão cedo a carreira no cinema. “É assim que ele paga as contas”, afirma. “E, além disso, o camarada está bem consigo mesmo, feliz com a profissão”. Fernando Meirelles revela ainda outra faceta de Hopkins: ele também se arrisca na pintura. Confira a entrevista de Fernando Meirelles concedida por e-mail ao Blog do Curiocidade:
Você pode comentar um pouco sobre a experiência de trabalhar com Anthony Hopkins?
Sei que vai soar como resposta de concurso de miss, mas trabalhar com o Anthony Hopkins foi das melhores experiências que tive com um ator. O camarada está de bem consigo mesmo, feliz com a profissão. Às vezes, comentava: “Não é incrível que ainda tenha gente querendo filmar comigo? Que sorte eu tenho.” Uma pessoa feliz irradia esse clima e contamina o set. É um tremendo CB (sangue bom).
O que você sabe sobre a ligação de Anthony Hopkins com a música? É verdade que ele fala em deixar o cinema para se dedicar a essa antiga paixão?
Ele mora num casarão em Malibu, acho que precisa do cinema para pagar as contas. Mas, de fato, é compositor, rege e é um multi-instrumentista talentoso. Diz que, se não fosse ator, poderia ser concertista de piano e que se daria bem, pois seu nível é alto. Fora isso, ele pinta. Ele fez uma exposição em Honolulu no ano passado.
É verdade que Anthony Hopkins está vindo ao Brasil atuar como regente? Foi você quem o incentivou a tocar em São Paulo?
Quando soube que ele tinha essa ligação com a música, convidei-o para compor o tema de seu personagem em “360”, o que ele fez com prazer. Foi a um estúdio em Londres e numa tarde trouxe a peça pronta. É uma peça para violão, que ele mesmo tocou. Quanto a reger, já fez isso na Irlanda e na Áustria, mas não há planos para fazê-lo no Brasil.
(com a colaboração de Júlia Bezerra)
Com um pouco de correria no final, a escola de samba Pérola Negra conseguiu terminar o desfile em cima da hora (0h40 de domingo). Apenas uma hora e meia depois, quando os primeiros integrantes da escola retornavam à quadra da agremiação, no bairro de Vila Madalena, vendedores já ofereciam DVDs com a gravação da apresentação.
Os discos, que já tinham embalagem plástica e capa com o emblema da escola de samba, estavam sendo vendidos a R$ 10,00 por funcionários de camiseta amarela. Os vendedores não quiseram se identificar, mas afirmaram que tinham equipes vendendo os disquinhos depois do desfile de cada escola do Grupo Especial de São Paulo.
Por telefone, uma atendente da produtora responsável pelos DVDs disse que a operação de filmagem, edição, gravação e distribuição é planejada durante o ano todo. “Só podemos descansar mesmo após o Desfile das Campeãs, na próxima sexta-feira”, afirma.
Garantindo que as imagens não são meras regravações do que foi transmitido pela televisão, a funcionária afirmou que a “produtora” contava com uma equipe de filmagem dentro do Anhembi. “Nosso objetivo é dar aos foliões a oportunidade de ver como foi o desfile de que acabaram de participar”, diz. “Queremos satisfazer essa curiosidade que eles têm”. Se fosse verdade, não haveria tempo de produzir um DVD em tão pouco tempo.
A empresa se recusou a dar detalhes sobre o processo de distribuição dos DVDs. Só esclareceu que não é oficialmente vinculada a nenhuma escola de samba, nem à Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo. Em resumo: trata-se de um produto pirata.
Um encontro realizado na semana passada no apartamento do maestro João Carlos Martins, no bairro dos Jardins, serviu para celebrar uma nova parceria no mundo artístico. O cartunista Maurício de Sousa apresentou a ideia de criação do personagem “Maestrinho”, que será inspirado na figura de Martins. Sobre o encontro, Maurício escreveu, empolgadíssimo, em seu twitter: “Encontro de sonho: eu e o grande maestro João Carlos Martins. Com almoço, vinho e breve recital”. Martins ganhou livros autografados e um desenho do personagem Horácio feito na hora. Além de quadrinhos, o projeto inclui um espetáculo com orquestra e os personagens da Turma da Mônica.
O personagem inspirado no maestro será apresentado depois do Carnaval junto com outro novo integrante da Turma da Mônica. O craque Neymar também irá se transformar em desenho. A aproximação entre Maurício de Sousa e o jogador do Santos começou quando o empresário dos quadrinhos publicou um desenho em homenagem ao gol que Neymar marcou contra o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro, eleito o mais bonito de 2011 em votação da FIFA. Maurício de Sousa foi um dos convidados da festa de 20º aniversário de Neymar, comemorada no últomo dia 5 de fevereiro.
Neymar é o quinto personagem futebolístico da Maurício de Sousa Produções. O primeiro foi Pelezinho, que circulou entre 1982 e 2002. Depois vieram Ronaldo Fenônemo (o projeto não chegou a ir em frente) e Ronaldinho Gaúcho (lançado em 2005 e até hoje nas bancas). Dieguito, inspirado em Diego Maradona, foi outro que nunca chegou a ser lançado. Às vésperas, o ídolo argentino teve problemas com drogas e o projeto acabou cancelado.
(Imagens: twitter de Maurício de Sousa)
A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo já divulgou a programação de apresentações para 2012. No dia 16 de setembro, às 17h, está marcado um recital de piano do francês Alexandre Tharaud. No repertório, Tharaud apresentará músicas inspiradas em artistas da música pop como Madonna e Michael Jackson. Também há composições baseadas no repertório de Henri Salvador, cantor franco caribenho considerado um dos precursores da Bossa Nova.
Alexandre Tharaud é conhecido por transitar entre o clássico e o contemporâneo. Arthur Nestrovski, diretor artístico da Osesp, explica que o pianista não apresentará simplesmente algumas adaptações das músicas originais para piano. Também não serão composições com trechos das versões originais. “Na realidade são recriações livres, utilizando as obras como ponto de partida e inspiração”, explica. Em entrevista ao Blog do Curiocidade, Nestrovski deu mais detalhes sobre a apresentação do pianista francês:
Quantas canções apresentadas por Tharaud serão inspiradas por em artistas populares?
Todas. Constam do programa doze canções e todas elas serão compostas com base em obras do repertório popular francês e internacional.
É uma forma de atrair um novo tipo de público à Sala São Paulo?
Digamos que sim. É uma excelente maneira de amplificar a divulgação da música sinfônica e camerística e, com isso, atrair um novo público.
Que outros concertos com músicas de artistas populares já fizeram parte da programação da Osesp?
A Osesp possui um histórico de aproximação entre os estilos musicais. Nos últimos anos, fizemos três programas com a Banda Mantiqueira, tradicional Big Band brasileira, que renderam três CDs, dois deles em parceria com as cantoras populares Luciana Souza e Mônica Salmaso. Tivemos também o concerto com o Grupo Pau Brasil, também em parceira com Mônica Salmaso; a Série de Câmara com o compositor André Mehmari com obras de Chico Buarque e Pixinguinha, além de vários concertos com obras de Astor Piazzola.
(Com colaboração de Karina Trevizane foto de Marco Borggreve / divulgação)
É sempre a mesma cena. Depois de shows e jogos de futebol, os estádios da Cidade amanhecem cercados por um amontoado de lixo. Nos dois shows do cantor canadense Justin Bieber, no Morumbi, o monte de sujeira tinha 7 toneladas, segundo informou a Secretaria das Subprefeituras de São Paulo. Em cada um dos dois dias de show, o público era de 60 mil pessoas. Para cuidar da limpeza dos arredores do Morumbi nos dois dias de apresentação, a Subprefeitura do Butantã aumentou o contingente de funcionários. Além de um caminhão que realizou a varrição e a retirada de lixo, 12 pessoas trabalharam na limpeza. Em dias normais, são 2 funcionários para a mesma região.

Fãs do cantor Justin Bieber começaram a acampar (e juntar lixo) dois dias antes do primeiro show. (Foto: Ayrton Vignola/AE)
O curioso é que os organizadores enchem os bolsos de dinheiro com os espetáculos, mas nem querem saber da limpeza. Simplesmente deixam o lixo para trás. Segundo o Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), que libera o uso dos estádios para a produção de eventos, a limpeza dos espaços públicos dos arredores de estádios em dias de grandes eventos é função das subprefeituras. No último retrasado, por exemplo, quando cerca de 33 mil pessoas assistiram ao jogo entre Corinthians e Atlético-GO no estádio do Pacaembu, a Subprefeitura da Sé escalou 18 pessoas para fazer a limpeza na Praça Charles Miller e redondezas antes e depois da partida. A Secretaria das Subprefeituras afirma que, depois de cada jogo, é retirada aproximadamente 1,5 tonelada de lixo. Em dias normais, também são 2 funcionários para a mesma região.
(Com colaboração de Karina Trevizan)
Um ano e dois meses e R$ 7,6 milhões depois, o Teatro Sérgio Cardoso foi reaberto ao público no último dia 9. Com a reforma, o espaço ganhou novas instalações elétrica, hidráulica e de esgoto, além de sistemas de exaustão e climatização. A cobertura do prédio, que apresentava infiltrações, também passou por uma restauração. A ardósia da entrada foi substituída por granito e o bar, ampliado.
Dentro das salas de espetáculo, as mudanças foram a reconstrução do piso e novas coberturas de carpete. Mas foram feitas também alterações para melhorar a assessibilidade do teatro: elevadores e rampas novas para atender aos portadores de deficiência física, além de quinze poltronas com pontos para fones de ouvido para que deficientes visuais possam acompanhar os espetáculos por meio de audiodescrição.
Tudo isso foi bastante divulgado. O que pouco se falou é que o teatro ganhou cinco assentos destinados a pessoas obesas. São 51 centímetros de largura, contra 46 das cadeiras comuns. A Secretaria de Estado da Cultura explica que a medida “faz parte da política da Secretaria de, gradualmente, dotar os equipamentos públicos culturais de condições ideais de acessibilidade”. No entanto, a Secretaria informou também que “até agora, não houve procura específica por esses lugares no teatro”. É que, além de pouco divulgadas, as cadeiras ficam no fundo da plateia. Por que as cadeiras maiores não puderam ficar mais à frente? A Secretaria explica apenas que “os espaços disponíveis e tecnicamente viáveis para a instalação dos assentos maiores ficavam na parte traseira”.
(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de Nilton Fukuda/AE)
Hoje é dia de decisão para a Gaviões da Fiel. Não, os jogos do Campeonato Brasileiro não passaram para as noites de sexta-feira. É que a escola está fazendo a terceira eliminatória para a escolha do samba-enredo de 2012. Ainda são dez letras na disputa, e quatro serão eliminadas à noite. O enredo já está escolhido. “Verás que o filho fiel não foge à luta – Lula, o retrato de uma nação” presta uma homenagem ao ex-presidente Lula. A logomarca d0 Carnaval de 2012 da Gaviões também está definida: o escudo do Corinthians com o rosto de Lula no centro, com direito a chapéu de couro, no lugar da bandeira do Estado de São Paulo. A imagem foi criada pela comissão de carnaval da escola, formada por Delmo Moraes, Igor Carneiro e Fabio Lima, e aprovada pessoalmente por Lula. Em entrevista ao Blog do Curiocidade, Igor falou sobre a reação do presidente ao ver a imagem:
O que o Lula disse quando viu a imagem de seu rosto dentro do escudo do Corinthians?
A gente levou tudo para ele aprovar, afinal estamos falando da vida de uma pessoa. Ele gostou de absolutamente tudo. A única coisa que pediu para mudar foram alguns detalhes na sinopse. Algumas referências de data estavam erradas na pesquisa.
Quem fez o desenho?
A Gaviões tem a comissão de Carnaval. Nós fizemos juntos. Depois, mandamos a ideia para o desenhista, que passou para o computador. No desfile, o desenho não vai aparecer. É só para usarmos na quadra e na divulgação do enredo.
A escolha de Lula como tema para o Carnaval de 2012 foi unanimidade?
Foi um consenso da diretoria homenagear um corintiano que tem tanto carisma com o povo. A ideia surgiu assim que ele saiu da presidência. Eu gostaria de homenagear Adoniran Barbosa. Dei a ideia, mas ficou para outro ano. Surgiram outros nomes, sim, mas eu não posso falar porque alguma outra escola pode querer fazer igual…
O que o ex-presidente disse quando recebeu o convite?
Ele comentou que teve convites de escolas do Rio de Janeiro no ano passado, mas ele não aceitou porque ainda era presidente. Teve uma escola do Rio que convidou para este ano também, mas ele preferiu a Gaviões. Não vou dizer qual foi essa escola!
Ele vai palpitar na escolha do samba-enredo?
Eu falei que ele podia participar de tudo, dar opiniões. Mas ele disse que não tinha talento pra isso. Não veio na quadra ainda, mas garantiu que vai participar do desfile.
Se o presidente tivesse sido José Serra, que é palmeirense, a Gaviões faria uma homenagem assim também?
Se ele fosse presidente, poderíamos sim fazer uma homenagem. Só que não iríamos citar o time para que ele torce. Com o Serra, não ia ter uma identificação com o corintiano.
(Com colaboração de Karina Trevizan e imagem de divulgação)
Depois de 13 anos fazendo trabalhos como sósia de Pelé, Nicanor Ribeiro teve a ideia de procurar companhia para suas apresentações. O que era um show de apenas um imitador virou um time (quase) inteiro. A Seleção Brasileira de Sósias fez sua estreia na Virada Esportiva, que aconteceu na cidade no último fim de semana. O time atuou com Liedson (que se chama, na verdade, Carlos Henrique), Kleber (Leandro), Zé Elias (Leandro), Roberto Carlos (Edson), Neymar (Eigon), Ronaldinho Gaucho (João), Dagoberyo (Daivide) e os goleiros Vitor (Danilo) e Doni (Bruno). Nicanor, ou Pellè (com dois eles e acento agudo para não ter problema com o verdadeiro Pelé), conversou com o Blog do Curiocidade, entende?
A ideia de criar a seleção de sósias foi sua?
Sim, eu criei a seleção no ano passado. Eu sou hipertenso. Vai que acontece alguma coisa comigo e eu não posso mais trabalhar como Pellè… Pelo menos eu vou ter a seleção para administrar. Além disso, em conjunto o trabalho aparece mais. A união sempre é um negócio muito interessante. Melhor do que cada um fazer um negócio ou outro, aqui e ali.
Como você encontrou pessoas parecidas com os outros jogadores?
Nós trabalhamos juntos em 2006, no Show do Tom [programa da Record].
A turma é só parecida ou joga alguma coisa?
Na verdade, nem tivemos tempo de treinar. Mas conseguimos um espaço no Parque São Jorge. Existe uma seleção brasileira de paraolímpicos, e o Corinthians ajuda com o espaço. Como eles vão para a Itália, vamos usar o espaço deles por um tempo, enquanto estiverem fora.
O jogo é de verdade ou é tudo ensaiado?
É um jogo de exibição. A gente joga pra valer, mas sem valer nada. A ordem é não cometer falta. O bordão da seleção é “paz nos estádios”.
Para que time você torce?
Eu nunca fui ligado em futebol, na verdade. Sou muito mais ligado em samba do que ao futebol. Fui a um estádio pela primeira vez na vida em 2007. Estou fazendo um curso para entender direito as regras. Bom, mas para que time eu torço? Eu sou pelezista, claro. Porque é o que me gera renda.
Qual foi a primeira pessoa que disse que você era parecido com o Pelé?
Eu comecei a levar a sério essa história depois de uma viagem para a Disney em 1996. Americanos, japoneses, todos me paravam pra tirar foto. Diziam: “Pêle, Pêle, foto, foto!”. Eu trabalhava como locutor. Até que, em 1997, perdi o emprego e entrei em depressão. Continuei fazendo alguns trabalhos como locutor até que, em 2002, resolvi assumir o Pellè.
Pellè é o nome que você adotou para seus trabalhos como sósia. Por que a mudança na grafia? O Pelé ficou bravo com a imitação?
Não, é porque eu fazia locuções em festas italianas. Por isso, italianei o meu nome com dois eles.
Serviço:
www.sosiadorei.com.br
(Com colaboração de Karina Trevizan)
2012
2011