Minha procura por endereços curiosos de São Paulo começou por causa de Sharon Stone. É que o filme “O Instinto Selvagem” tinha acabado de estrear em São Paulo, em 1992, e fez de cara muito sucesso. A personagem de Sharon no filme matava suas vítimas com um prosaíco picador de gelo. Na redação de Veja S. Paulo, onde eu trabalhava na época, decidimos sair à procura de picadores de gelo pela cidade. Não encontrei a peça, mas pauta rendeu uma reportagem de 20 páginas mostrando “onde encontrar produtos e serviços difíceis”. A partir daí, continuei procurando lugares secretos na cidade e isso rendeu o guia “Os Endereços Curiosos de São Paulo”, que tem hoje 1 000 verbetes.
Há alguns dias, durante uma caminhada pelo centro atrás de novas descobertas, cheguei à loja Daiso Japan, inaugurada no final de 2012, na Rua Direita, quase na esquina com a Praça do Patriarca. A empresa possui cerca de 3 mil lojas espalhadas pelo mundo, sendo 1.200 delas em países da Ásia. Esta é a primeira na América Latina. O conceito é o mesmo de nossas famosas lojas de “tudo por R$1,99”. Só que, na Daiso, os produtos importados custam R$ 5,99 (esse preço pode subir nos próximos dias para R$ 6,99 ou R$ 7,99, me disse um dos funcionários).
O clima nipônico prevalece tanto nos produtos fornecidos quanto na música de fundo e nos clientes. A estratégia utilizada pela equipe da Daiso foi fazer anúncios apenas em veículos da colônia japonesa em São Paulo. Além disso, a loja deu preferência para atendentes que tivessem familiaridade com a língua. Pois foi ali, no meio de petecas de badminton e porta-bananas, que encontrei pela primeira vez picadores de gelo à venda em São Paulo. Um picador de gelo de aço inox, com cabo de madeira, medindo 15 centímetros. Vinte anos depois, finalmente, posso dizer que tive um reencontro com Sharon Stone em plena Rua Direita. Era mais um momento para celebrar a cidade que – agora posso dizer – tem mesmo de tudo!
Rua Direita, 247, Centro, Seg. a sáb. 9h30/19h30 e dom. 9h30 a 15h30.
(Fotos Divulgação e Clayton de Souza/Estadão)
A argentina Ana Maria Massochi já tem dois restaurantes: o Martín Fierro e o La Frontera. Há um mês, inaugurou seu terceiro projeto, o Jacarandá. Mistura de armazém e restaurante, a casa chama atenção por ficar em volta de uma grande árvore de jacarandá, que já estava no local quando o imóvel foi adquirido por ela.
Foi o segundo imóvel visitado – o primeiro, outro terreno arborizado, era muito caro. “Quando me deparei com esta área enorme, com um jacarandá centenário, vi que se adaptava perfeitamente ao projeto”, conta Ana Maria. No espaço de 350m² havia uma pequena casa, bem ao lado da árvore. Com a reforma, foram construídos dois ambientes: um armazém, na entrada, e o salão do restaurante, ao redor do jacarandá.
É preciso ter certos cuidados para manter o tronco em meio ao restaurante. “Antes de construir o salão, contratamos um agrônomo para verificar se tudo estava bem com a árvore”, afirma Ana Maria. A planta estava saudável, mas os sócios da casa deram uma ajudinha: adubaram o solo do local. “Também elaboramos um jardim, cultivando alecrim e gardênias”, conta a proprietária.
A poda dos galhos do jacarandá ainda não foi necessária, mas, caso seja, não pode ser feita pelos funcionários do restaurante. “É preciso pedir autorização para a Prefeitura, já que eles são responsáveis pela manutenção das árvores na cidade”, diz Ana Maria. Só não vale escalar a árvore, que fica isolada dos clientes por uma vitrine. Isto permite que o vegetal receba água da chuva sem molhar o salão.
Outros restaurantes de São Paulo foram construídos ao redor de árvores. Confira no Blog do Curiocidade mais detalhes sobre eles.
A Figueira Rubaiyat
A frondosa figueira que dá nome ao restaurante é uma das atrações do salão. Em fevereiro, um dos galhos da árvore de 150 anos tombou sobre o muro, mas não atingiu nenhum cliente. Na época, o biólogo responsável pela manutenção disse que o peso da madeira pode acarretar este tipo de problema. R. Haddock Lobo, 1.738, Jd. Paulista, 3087-1399
Jacarandá
R. Alves Guimarães, 153, Pinheiros, 3083-3014 e 3083-3003
Josephine
O bistrô comandado pelos chefes Cícero Gomes e Igor Gonçalves recebe os clientes em mesas sob uma jabuticabeira com 8 metros de altura. R. Jacques Félix, 253, V. Nova Conceição, 3842-5891.
Melograno
Em italiano, ‘melograno’ quer dizer ‘romã’. E é um pé de romã a árvore que fica em meio ao bar. R. Aspicuelta, 436, V. Madalena, 3031-2921
Olea Mozzarella Bar
Olea europaea é o nome científico da oliveira, planta que fica ao centro do pizza-bar. R. Joaquim Antunes, 198, Pinheiros, 3062-1535.
O Pote do Rei
No ambiente externo, o restaurante conta com teto retrátil e uma figueira. R. Joaquim Antunes, 224, Pinheiros, 3068-9888.
Praça São Lourenço
Além das diversas plantas frutíferas do salão e do espelho d’água que fica próximo às mesas, o restaurante tem uma casa na árvore que pode ser visitada pelas crianças. R. Casa do Ator, 608, 3053-9300.
Via Castelli
Datada do início do século XX, a casa onde está o Via Castelli foi por setenta anos o lar da paisagista Renée Lefèvre (1905-1996) . A jaqueira centenária é originária da índia e dá frutos duas vezes por ano. Rua Martinico Prado, 341 – Higienópolis, 3662-2999.
(Com colaboração de Míriam Castro)
Galerias não faltam na região central da cidade. A mais famosa delas é a Galeria do Rock (Shopping Center Grandes Galerias), na Rua 24 de Maio. Três prédios ao lado, no número 116, fica um prédio comercial popularmente chamado de Galeria do Reggae, mas cujo nome oficial é Galeria Presidente. A maior parte de suas lojas é voltada para a cultura black. São lojas de roupas, discos e capoeira, e também cabeleireiros especializados em cabelos afro. “Nosso público já estava concentrado aqui, e por isso nós viemos”, diz João Kleber da Silva, um dos sócios da grife Pegada Preta. “Desde os anos 60, os black powers se encontravam nesse lugar.”
A Pegada Preta, que ocupa um espaço no piso Rua Alta, está completando cinco anos este mês. A grife surgiu a partir de um grupo de samba rock. O líder, Sidney Alamo, passou a organizar festas de black music com o nome Pegada Preta. Durante as baladas, eram vendidas camisetas com o símbolo do grupo – até hoje, as blusas são o maior sucesso na loja. Além das roupas e acessórios para jovens, a Pegada Preta tem um salão de cabeleireiros especializado em trançar e alongar madeiras.
Tranças, dreads e alongamentos são também as especialidades de Nenza Santiago, proprietária da Nenza&Criolezas. Ela abriu o salão em 2007, mas já tinha trabalhado em outros estabelecimentos dentro da própria galeria. Nenza começou como trançadeira no bairro do Jaçanã. “No meu bairro, diziam que eu era uma ótima trançadeira”, conta. “Quando cheguei aqui, percebi que tinha muito ainda o que aprender.” Hoje, ela trabalha no local com os dois filhos. O tratamento capilar mais pedido é o dread feito com agulha, que, assegura Nenza, é procurado por todo tipo de público, não apenas o negro.
Na loja ao lado da Pegada Preta, a Lions Reggae Wear, o Blog do Curiocidade encontrou o rapper e escritor carioca MV Bill. Ele estava em São Paulo para participar da comemoração do aniversário da marca de Sidney Alamo e aproveitou para passear pela galeria. “Para quem gosta de música, isso aqui é a Disneylândia”, afirma, referindo-se à grande variedade de lojas de discos especializadas em reggae, soul, blues, rock, rap e diversos outros gêneros.
MV Bill estava contente por ter encontrado na Lions camisetas de seu tamanho. Ele, que diz na música ‘Falso Profeta’ ter 1,95m de altura, não acha roupas em lugar nenhum. No Rio de Janeiro, o rapper encomenda camisas a um costureiro da Cidade de Deus. “Os negões sempre foram grandes, mas não tinham poder de compra. Então eram ignorados pelo mercado”, reclama. “O problema é que isso acontecia 15 anos atrás. Agora nós podemos e queremos comprar roupas, mas não encontramos.”
Outra marca famosa da Galeria Presidente é a Muene Cosméticos, que está lá há 20 anos. Criada por Maria do Carmo Valério, a fabricante tem nove tons diferentes de pancake, que vão do claro ao super escuro. A vendedora Jandy Cardoso conta que até imigrantes nigerianas compram seus produtos. “Mas elas costumam escolher tons mais claros do que a própria pele”, afirma.
Os imigrantes africanos povoam boa parte da Galeria Presidente. A partir do terceiro lance de escadas rolantes, as lojas tradicionais dedicadas à cultura negra convivem com bares e vendas que pertencem aos estrangeiros. Só por curiosidade: há também quatro boxes que pertencem à Torcida Tricolor Independente, do São Paulo, que mantém ali sua diretoria.
Serviço:
Galeria Presidente
R. 24 de Maio, 116, Centro
Lions Reggae Wear
Piso Rua Alta, lj.08, 3331-3180
Muene Cosméticos
1º andar, lj.18, 3222-0443 e 5572-4660
Nenza&Criolezas
1º andar, lj.15, 3225-0447 e 96224-8466
Pegada Preta
Piso Rua Alta, lj.09, 3337-6678
(Com colaboração de Míriam Castro)
Assim como tantas outras galerias de São Paulo, a Sogo Plaza é repleta de lojas de cosméticos, tranqueiras importadas, capinhas de smartphones, filmes piratas e aparelhos eletrônicos. Mas basta entrar para perceber que o prédio de quatro andares é um paraíso para os nerds paulistanos (e suas subdivisões). Das 130 lojas, 38 são dedicadas a produtos como games, mangás, cards, DVDs, camisetas e bonecos colecionáveis.
O maior movimento é nos finais de semana, dia em que o bairro da Liberdade fica cheio de fãs de animes, os desenhos animados japoneses. Para alimentar o hobby, eles frequentam lojas como a Anime Rock Club, que vende DVDs de séries nipônicas. É possível encontrar todo tipo de produção: clássicos como Cavaleiros do Zodíaco ficam ao lado de Naruto, Bleach e One Piece, mais recentes.
Os DVDs são feitos com vídeos legendados por fãs e que na internet são distribuídos gratuitamente. Ulisses Silva de Mello, vendedor da Anime Rock Club, diz que as lojas do tipo fazem sucesso porque os otakus – fãs de mangás e animes – sentem falta de lançamentos oficiais. “É impossível acompanhar uma série completa, já que as distribuidoras, quando lançam alguma coisa por aqui, desistem depois de uma ou duas temporadas”, afirma. “Só foram vendidos oficialmente DVDs com os 20 primeiros episódios da série Bleach, que já ultrapassou 300 capítulos no Japão.”
A loja está há dois anos na Sogo e recebe visitantes do Brasil inteiro. Lojistas de outros estados, como Ceará e Rio Grande do Sul, frequentam a galeria para comprar DVDs e outros artigos no atacado. “Durante os finais de semana, as vendas no varejo são mais numerosas”, afirma Mello. Outra loja dedicada ao atacado é a Toon Toys. Ela pertence ao mesmo dono da Shinozaki, que fica no segundo andar da galeria. Como a loja-mãe sempre está lotada, o novo estabelecimento abriu as portas em março no terceiro andar. Colares com símbolos recorrentes nos animes e jogos como a série Final Fantasy cobrem uma parte das paredes da Toon Toys. Também são vendidos bonecos colecionáveis e pelúcias de personagens famosos.
Para mostrar que são fãs, os otakus compram camisetas com estampas dedicadas aos animes e jogos. Há cinco anos, a loja Sigma Animationwear produz e vende roupas para esse público. As campeãs são as imagens dos Cavaleiros do Zodíaco, mas personagens de Naruto e One Piece também fazem sucesso. “Já trabalhávamos em eventos de fãs pelo Brasil todo”, conta a proprietária Luci Uchimura Kremski. “Quando decidimos montar uma loja, queríamos um lugar que reunisse os otakus da cidade.” Para agradar fãs mais velhos, que não podem ir ao trabalho vestindo as estampas, a Sigma criou camisetas mais discretas, com motivos orientais, como dragões e tigres.
Outra maneira de mostrar o amor pelos animes pela vestimenta é usando cosplays, fantasias baseadas nos personagens. Ao lado da Shinozaki, no segundo andar, a Nicolle Oficina de Costura trabalha a todo vapor. Um dos funcionários está vestido como Sasuke, da série Naruto. Outras fantasias podem ser vistas penduradas na pequena oficina. Nilza Maria Sborz, a proprietária, costura cosplays sob encomenda há 12 anos na galeria. “Já vim para cá com esta intenção”, conta.
Serviço:
Sogo Plaza Shopping
R. Galvão Bueno, 40, Liberdade, 3209-3604
Anime Rock Club
3º andar – Loja 316
3208-0530
Nicolle Oficina de Costura
2º andar – Loja 227
3341-5477
Shinozaki
2º andar – Loja 231
3341-7756
Sigma Animationwear
3º andar – Loja 301
3203-1950
Toon Toys
3º andar – Loja 304
compras@toontoys.com.br
(Com colaboração de Míriam Castro)
A 1ª Feira Nacional de Livros de Vinhos começa nesta sexta-feira, dia 26, e vai até domingo. O evento, que será realizado no Ciclo das Vinhas – Escola do Vinho reúne cerca de 200 títulos nacionais e importados sobre o tema. Além de reunir tamanho conteúdo, a feira terá atendimento especializado para auxiliar os visitantes na hora da compra.
Além dos funcionários do Ciclo das Vinhas, a própria Alexandra Corvo, fundadora do espaço, atenderá os clientes, tirando dúvidas a respeito do material disponível. A ideia de realizar a feira partiu da própria Alexandra, que inaugurou uma pequena livraria na escola em janeiro. “Para a feira, trouxe também alguns títulos que não fazem parte da minha lista pessoal, mas são relevantes para o mercado”, conta.
A intenção inicial era fazer uma feira a cada dois anos. “Gosto do nome ‘Bienal’”, diz Alexandra. Mas a sommelière optou por realizar a venda anualmente para ajudar a popularizar os livros de vinhos. “Quero colocar tudo junto em um só lugar, facilitar o acesso a estas publicações.” Alexandra pretende derrubar também a ideia de que livros de gastronomia ou enologia são acessíveis apenas para as elites. “Tem livros muito bons a partir de R$ 20”, afirma.
Outra medida para ajudar os iniciantes no estudo do vinho a escolher quais volumes levar para casa é a recomendação de especialistas. Alexandra pediu a alguns colegas, como Manoel Beato (sommelier do Fasano) e Helena Mattar (sommelière do Vito), que escolhessem seus livros favoritos. Como resultado, esses livros ficarão expostos ao lado de placas que indicam a recomendação. Confira quais foram as publicações escolhidas:
Alexandra Corvo – fundadora do Ciclo das Vinhas
‘Enciclopédia do Vinho: Vinhos, Vinhedos e Vinícolas’ – Hugh Johnson. Editora Senac. R$ 139,90
Ana Paula Montesso – especialista em bebidas e professora do Ciclo das Vinhas
‘A Viúva Clicquot’ – Tilar J. Mazzeo. Editora Rocco. R$ 39,50
Daniela Bravin – sommelière e proprietária do restaurante Bravin
‘A História do Vinho’ – Hugh Johnson. Editora CMS. R$ 169,90
Gabriela Monteleone – sommelière dos restaurantes DOM e Dalva e Dito
‘Os Sentidos do Vinho’ – Matt Kramer. Editora Conrad. R$ 47
Helena Mattar – formada em sommelierie pelo Le Cordon Bleu de Paris
‘Atlas Mundial do Vinho’ – Hugh Johnson e Jancis Robinson. Editora Nova Fronteira. R$ 139,90
Manoel Beato – sommelier do restaurante Fasano
‘O Gosto do Vinho’ – Émille Peynaud e Jacques Blouin. Editora Martins Fontes. R$ 130
Serviço:
1ª Feira Nacional de Livros de Vinhos
Ciclo das Vinhas – R. Maria Figueiredo, 305, Paraíso, 3824-3626
De 26 a 28/10
12h/19h
(Com colaboração de Míriam Castro e foto de divulgação)
Na última segunda-feira, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) tombou a fachada do antigo Cine Belas Artes, na Rua da Consolação. No entanto, a decisão não obriga o proprietário do imóvel, Flávio Maluf, a reabrir o imóvel como um cinema. É bem possível que, mesmo com a restrição a mudança na fachada, seja inaugurada ali uma loja. Mas a boa notícia é que existe uma chance de que o Belas Artes seja reaberto em uma galeria na Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros.
No número 1.020 da Teodoro Sampaio, fica uma galeria com diversas lanchonetes, como uma Subway, e um estacionamento. Nos fundos dessa galeria, há um prédio residencial e um teatro. Ou melhor, o espaço que deveria ser ocupado por um teatro. Ele começou a ser construído em 2004, junto com o prédio do Centro Empresarial Pinheiros. Era para ser chamado de “Teatro Benedito”, mas não vingou.
O espaço está completamente inacabado, ainda é quase um galpão. De acordo com a construtora responsável pelo prédio, quem alugar o espaço será responsável por todas as reformas necessárias. Três empresas já sondaram o imóvel nos últimos meses. Um dos interessados parece ser André Sturm, dono do Belas Artes. Funcionários da galeria da Teodoro Sampaio até usam a provável vinda do cinema como um atrativo para atrair possíveis novos lojistas.
André Sturm não nega a informação, mas diz que nada está acertado. O que o proprietário do Belas Artes confirma é a intenção de reabrir o cinema. “Estamos estudando três endereços possíveis em São Paulo”, afirma. O teatro em Pinheiros é um deles. “Precisamos conferir se os espaços são adequados em questão de espaço e acessibilidade.” A inauguração, afirma Sturm, deve ficar para o segundo semestre de 2013.
Na Teodoro Sampaio ou em qualquer um dos outros endereços possíveis (que Sturm não revela), o dono do Belas Artes acredita que o público continuará grande, mesmo longe do circuito de cinemas da região da Paulista. “O Belas Artes era feito de paredes e recheio, ou seja, de ambiente e programação. Isto não vai ser alterado apenas por mudarmos o endereço”, diz.
(Com colaboração de Míriam Castro)
Não adianta procurar no mapa. França Pinto não é um país. É o nome de uma rua na Vila Mariana. Na altura do número 55, existe um ponto de táxi que tem a sua própria bandeira. Por causa do nome da rua, o estandarte traz a imagem de um pintinho sobre a bandeira da França.
Quem teve a ideia foi o taxista Evaldo Vieira Cuenca. Quando adquiriu seu primeiro táxi, 11 anos atrás, ele não era associado a nenhum ponto e decidiu se fixar à França Pinto. “Só era permitido parar com Zona Azul, mas pagávamos e permanecíamos”, conta o motorista. Depois de cinco anos no local, Cuenca conseguiu autorização da prefeitura para estabelecer um ponto na região.
Foi então que o taxista decidiu se diferenciar dos outros. “Percebi que todo cartão de ponto de táxi é igual: tem a foto de um carro, nome e um telefone”, diz. “Queria que meu ponto chamasse a atenção de quem passasse”. A ideia de usar a bandeira da França foi imediata. Cuenca pediu ajuda a uma conhecida que entendia de computadores e sobrepôs a imagem de um pintinho à parte branca da flâmula.
Além do símbolo exposto na esquina, os quatro taxistas associados a Evaldo levam cartões e um adesivo de identificação. No vidro traseiro dos carros, fica a imagem de um ovo branco e um pintinho, além do endereço e o telefone do ponto.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística, Dom Galdino Cocchiaro, Cuenca não deveria ter usado a bandeira da França como ela é. “Ele poderia ter usado as mesmas cores, mas com proporções diferentes”, afirma Cocchiaro. “Desta maneira, ele pode arranjar problemas com cidadãos franceses que se sentirem ofendidos.”
Serviço:
5549-5748
(Com colaboração de Míriam Castro e foto de Paulo Liebert/AE)
Parecia bom demais para ser verdade. As lojas de amostras grátis inauguradas em São Paulo em 2010 seguiam modelos de sucesso no exterior, como a SamplePlaza, na China, e a SampleU, nos Estados Unidos. O cliente cadastrado podia retirar um determinado número de produtos para experimentar, sem pagar nada, desde que preenchesse questionários avaliando os itens depois do consumo.
Não faltava procura. Mesmo assim, duas lojas de amostras grátis fecharam as portas – a Sample Central, na Rua Augusta, e o Clube da Amostra Grátis, na Vila Madalena. De acordo com Fernando Figueiredo, um dos proprietários da Sample Central no Brasil, o problema foi a falta de investimento das marcas parceiras.
As amostras eram fornecidas pelas fabricantes, que recebiam em troca questionários preenchidos pelos clientes-cobaia. No começo do negócio, diz Figueiredo, os produtos eram enviados sem que as companhias tivessem que pagar. “Era um sistema de trial, ainda não cobrávamos nada pela pesquisa”, explica. O problema aconteceu no momento em que o serviço passou a ser cobrado das empresas. “Poucas fabricantes queriam investir porque achavam que o público pesquisado era muito segmentado”, afirma Figueiredo. “Para ter uma ideia melhor do mercado, era preciso ter amostragens maiores”. O resultado foi uma queda no número de empresas parceiras.
Enquanto isto, o número de frequentadores do Sample Central só aumentava. A expectativa era de angariar 20 mil associados em um ano. Em quatro meses, no entanto, a lista de clientes já trazia 50 mil nomes. Era preciso agendar horário para frequentar o local e conhecer as amostras grátis. “Em pouco tempo, o negócio ia se tornar inviável”, conta Figueiredo. Por isso, o grupo Talkability, responsável pelo projeto, decidiu fechar a loja na Rua Augusta.
O conceito do Sample Central foi transportado para o site Amostra Click, que está em desenvolvimento e será lançado ainda em 2012. De acordo com o empresário, a vantagem do site em relação à loja é a possibilidade de acesso em qualquer lugar do Brasil. O cliente escolhe as amostras, que serão entregues em sua casa. “Desta maneira, as empresas recebem dados da opinião de consumidores de características diversas.”
Luiz Gaeta, idealizador do Clube da Amostra Grátis, conta que foi necessária uma mudança de estratégia: “O número de assinaturas que tínhamos estava grande demais para a quantidade de produtos disponíveis para teste”, afirma. A situação só piorou quando venceu o contrato de aluguel do imóvel ocupado pelo estabelecimento. Gaeta não encontrou um imóvel adequado para o novo endereço, o que resultou no encerramento das atividades da loja física em março.
Mesmo sem um endereço, o Clube da Amostra Grátis não deixou de existir. Pelo menos, é o que afirma Gaeta. “Ainda estamos enviando produtos a alguns usuários cadastrados, de forma gratuita, mas de acordo com seu perfil de consumidor”, diz. “Assim, atingimos diretamente o público-alvo das empresas”. Gaeta afirma que está em desenvolvimento um site para que sejam efetuados novos cadastros. Desta vez, tudo será gratuito – antes, era preciso pagar uma anuidade de R$ 50. O proprietário garante que esta taxa foi restituída a quem não pôde retirar produtos depois que a loja física fechou.
(Com colaboração de Míriam Castro e foto de Nilani Goettems/AE)
Hoje é Dia do Orgulho Nerd, também conhecido como “Dia da Toalha”. A data recebeu o segundo nome exatamente duas semanas depois do falecimento de Douglas Adams, autor da série ‘O Guia do Mochileiro das Galáxias’, em 2001. Nos livros, é mencionado que o objeto mais importante para viajar pelo espaço é uma toalha. Por isto, os fãs das histórias carregam toalhas todo dia 25 de maio.
Outra versão para a comemoração nerd desta data é que, em 25 de maio de 1977, aconteceu a primeira exibição do filme Guerra nas Estrelas (depois rebatizado de “Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança”). A decisão de comemorar o fenômeno da ficção científica surgiu em 2006, na Espanha, e se espalhou para o resto do mundo pela internet.
O terceiro motivo para comemorar o 25 de maio é a série Discworld, do escritor Terry Pratchett. Nos livros, a data representa o acontecimento da Revolução Gloriosa do Povo, que derrubou a monarquia e instaurou a república na cidade-Estado de Ankh-Morpork.
Seja qual for sua razão para comemorar essa data, o Blog do Curiocidade preparou um roteiro com os endereços mais nerds da cidade. Confira:
Castelo do Gibi. Inaugurada em 2000, a loja tem coleções completas de gibis antigos, como Homem-Aranha, Recruta Zero e Super-Homem. Os clientes podem virar sócios do “Clube do Gibi”, que garante descontos nas compras. R. Parapuã, 481, Itaberaba, 3923-2340.
Coleciona Brinquedos. Todo tipo de boneco colecionável para todas as idades. Este é o mote da Coleciona, que tem desde versões do Mr. Potato Head (Senhor Cabeça de Batata) para bebês até um busto do vilão Freddy Krueger. R. Augusta, 2.299, Consolação, 3081-4911.
Cubo. A loja de camisetas tem diversas estampas dedicadas aos geeks. Entre elas, há referências a jogos, como Space Invaders, e a personagens como Darth Vader. R. Ministro Ferreira Alves, 102, Pompeia, 3673-8900.
Comix Book Shop. Anuncia ser a maior loja de quadrinhos do Brasil. Tem séries das editoras Marvel e DC Comics e também uma grande variedade de mangás. Al. Jaú, 1.998, Jd. Paulista, 3061-3893.
Devir. É um dos mais tradicionais endereços nerds de São Paulo. Desde 1987 no mercado, tem quadrinhos tradicionais e recentes, além de editar produções de quadrinistas brasileiros, como Laerte e Chico Caruso. R. Teodureto Souto, 642, Cambuci, 2127-8787.
Geek.Etc.Br. Inaugurado há exatamente um mês, o espaço da Livraria Cultura dedicado aos geeks tem games, camisetas e quadrinhos para todos os gostos. Mesas para jogos de tabuleiro e card games estão espalhadas pelo ambiente. Av. Paulista, 2073, Bela Vista, 3170-4033.
Gibitecas. Para acompanhar as histórias de super-heróis desde o começo, não é preciso colecionar números antigos (e caríssimos) dos gibis. As gibitecas de São Paulo têm coleções inteiras de quadrinhos clássicos, além de números recentes dos maiores nomes do gênero.
Gibiteca do Sesi. R. Carlos Weber, 835, V. Leopoldina, 3834-3458.
Gibiteca de Santo André. Pça Quarto Centenário, s/nº, S. André, 4433-0767.
Gibiteca Henfil. R. Vergueiro, 1.000, Paraíso, 3397-4090.
Gibiteria. A sobreloja em Pinheiros tem 2,5 mil exemplares variados de quadrinhos. Desde independentes, como a HQ ‘Enquanto Isso’, até compilações históricas da Marvel. Pça. Benedito Calixto, 158, 1º andar, loja 11, Pinheiros, 3167-4838.
Haikai. Miniaturas colecionáveis, máscaras, calendários e até lápis estampados com o rosto do Ultraman e de outros personagens de tokusatsu, além de artigos de anime e mangá. R. Galvão Bueno, 17/19, loja 86, Liberdade, 3207-2701.
HQMix. Procura ser um centro de vivências com debates e oficinas sobre o assunto. R. Tinhorão, 124, Higienópolis, 3259-1528.
Limited Edition. De Darth Vader a Elvis Presley, a loja traz bonecos colecionáveis autênticos. Muitos objetos, como diz o nome da loja, são de edição limitada, o que aumenta seu valor de mercado. R. da Consolação, 275, Jd. Paulista. 3081-0128.
Moonshadows Livraria. São cerca de 450 títulos de RPG (role-playing game) nacionais e importados. R. Treze de Maio, 966, térreo, Bela Vista, 3266-3916.
Shinozaki. Paraíso para amantes de desenhos japoneses. Vende bonecos e outros artigos colecionáveis de mangás e games, além de cartas de jogos como Yu-gi-Oh! e Magic the Gathering. Av. Liberdade, 363, 2º andar, loja 231, Liberdade, 3341-7756.
Super Comics. É possível encontrar prateleiras e mais prateleiras cobertas por edições de quadrinhos da Marvel e DC Comics. R. Gandavo, 58, V. Clementino, 5579-4762.
Terramédia. A loja é dedicada a quadrinhos, jogos de RPG e card games, como Magic the Gathering. R. Teodureto Souto, 630, Cambuci, 2127-8752.
USS Brazil. O lugar certo para fãs da série Star Trek. Entre os produtos, estão até um casal de Barbie e Ken vestidos como personagem do seriado de ficção científica. R. Rego Freitas, 530, loja E, Centro, 3214-4637.
Ventania. Entre as 10 mil revistas do acervo, estão almanaques de Pato Donald, Batman e Super-Homem dos anos 60. Além disso, a loja também é especializada em discos raros e antigos. R. 24 de Maio, 188, 1º andar, conjunto 113, Centro, 3331-0332.
(Com colaboração de Míriam Castro)
Poderia até ser uma boa desculpa para as onicófagas. Mas, não!, as unhas de caviar – novidade que acaba de desembarcar em São Paulo – não são comestíveis. Elas nem são feitas com ovas de peixe de verdade. Levam esse nome por causa de sua aparência, que é semelhante à do alimento. A tendência começou na França e na Inglaterra. No nail bar Cosmopolish, em Pinheiros, é possível pintar as unhas no estilo.
Foi a marca britânica Ciaté a responsável por disseminar a moda das unhas caviar. Ela lançou bolinhas que podiam ser aplicadas sobre o esmalte, gerando um efeito tridimensional. A manicure Jack Cardoso, uma das proprietárias do Cosmopolish, adaptou a tecnologia para as mãos brasileiras. No salão, ela usa bolinhas coloridas compradas em lojas especializadas em nail art.
Para fazer as unhas caviar, é preciso passar nas unhas uma camada de esmalte comum. Depois, com a pintura ainda úmida, são aplicadas com cuidado as bolinhas. O momento crucial é o de ajeitar as esferas sobre as unhas. “É aí que está o segredo das unhas caviar”, garante Jack. Por cima de tudo, vai um top coat – esmalte para garantir uma cobertura resistente.
Jack diz que as bolinhas não saem facilmente das unhas. “Nas minhas mãos, duram de quatro a cinco dias”, afirma. Por enquanto, o “caviar” só está disponível nas cores prata, ouro, roxo, vermelho e verde. A manicure ainda não as encontrou na versão preta, a mais pedida. No entanto, descobriu que aplicar o esmalte negro sobre bolas prateadas garante o mesmo efeito.
Para pintar as mãos no novo estilo, o serviço tem mesmo preço de caviar. A cliente precisa desembolsar R$ 50.
Serviço:
Rua dos Pinheiros, 365, Pinheiros
Tel. 3892-1910
Segunda a sexta, das 12h às 21h
(Com colaboração de Míriam Castro e imagem de divulgação)
2013
2012
2011