A escola Perestroika, fundada em 2007 na cidade de Porto Alegre, acaba de abrir as portas da unidade paulistana, que fica no Centro Cultural b_arco, no bairro de Pinheiros. O objetivo é promover cursos livres dos temas mais diversos (de música a empreendedorismo, passando por medicina e gastronomia), com o diferencial de sempre explorar a criatividade, fugindo do padrão brasileiro de educação.
Na próxima segunda-feira, 2 de abril, a unidade de São Paulo inaugura seu primeiro curso na área gastronômica. Serão 10 aulas ministradas por 14 diferentes professores, que abordarão temas como crítica gastronômica, comércio e gastronomia líquida. O curioso é que os participantes do Food Experience sairão dos encontros sem uma única receita passo-a-passo. Como sugere o nome, o curso preza mais pela experiência do que pela teoria. “Em nossas salas de aula, as pessoas são recebidas com bebidas e aperitivos, deixando o ambiente descontraído”, conta Mariana Gutheil, responsável pela unidade. “Além disso, quase todas as aulas terão uma surpresa preparada para a turma, que a gente internamente chama de treco”.
Um dos “trecos” mais bem sucedidos da edição anterior do Food Experience, em Porto Alegre, aconteceu na aula de baixa gastronomia. “Nós montamos um boteco de verdade na sala de aula, com direito a até barril de chope”, conta Mariana. A aula no boteco não está prevista para o curso de São Paulo, mas os organizadores garantem que há muitos “trecos” à espera dos novos alunos. Diogo Carvalho, idealizador do curso, adianta alguns deles: “Alex Atala levará a turma a seu restaurante, D.O.M., e é lá dentro que ele vai explicar a rotina dos chefs da alta gastronomia”. No dia da aula de Ricardo Garrido, que vai falar sobre a construção de marcas no ambiente gastronômico, o ambiente será um boteco da Vila Madalena. “Minha aula é fora da cozinha: vou abordar gestão de pessoas e atendimento, focando no interesse da turma e estimulando debates”, adianta Garrido.
Para o segundo semestre, a escola investe na produção do Behind the Music. O curso fez tanto sucesso em Porto Alegre que os paulistanos já formaram uma lista de espera. Entre os professores da última edição estavam o músico Lobão e o rapper Emicida, que discutiram temas como o mercado da música independente e as frentes profissionais do músico brasileiro. Quem quiser entrar na fila e receber informações exclusivas sobre o curso em São Paulo só precisa mandar um e-mail para musicasp@perestroika.com.br. O programa não deve ser o mesmo que foi apresentado aos gaúchos, mas o curso não vai fugir de sua proposta original.
Os interessados nos cursos podem se inscrever diretamente no site da escola. É de praxe que, antes de concluída a inscrição, a Perestroika entre em contato com o futuro aluno. Faz parte da metodologia deles conhecer o perfil de suas turmas e orientar o público quanto a seus interesses e aptidões. O valor cobrado para os que quiserem vivenciar o Food Experience é um tanto salgado - R$ 5.394,00, que podem ser parcelados em seis vezes.
Serviço:
Perestroika
Centro Cultural b_arco
Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426
(11) 8259-0582
(Com colaboração de Júlia Bezerra e fotos de Gabriela Guez)
A Enciclopédia Britânica anunciou na última quarta-feira o fim de sua versão impressa. Depois de 244 anos no mercado, a empresa – que desde 1901 está nas mãos de americanos, e não mais de ingleses – decidiu abraçar as tendências do século XXI e se dedicar à sua versão online, que promete ser uma boa concorrente da Wikipédia. Enquanto isso, no Brasil, nesse mesmo dia, a Enciclopédia Barsa lançou no mercado sua edição impressa de 2012.
Britânica e Barsa têm o mesmo DNA. Em 1964, quase dois séculos depois de seu surgimento, a Enciclopédia Britânica ganhou uma edição em português. Dorita Barret, filha de um dos proprietários da empresa, veio morar no Brasil na década de 1950. Iniciou sua carreira vendendo originais da Britânica – na época, o Brasil era o quinto país que mais consumia essas enciclopédias. Decidida a fazer um produto em português, Barret não sossegou até conseguir autorização para que a obra fosse genuinamente brasileira. Não aceitava a ideia de simplesmente traduzi-la, já que o espaço destinado ao Brasil teria apenas seis páginas, enquanto aos Estados Unidos estavam reservadas seiscentas. Depois de anos de negociação, o resultado foi o lançamento da Enciclopédia Barsa, que preserva, desde sua primeira edição, um conteúdo independente da Britânica. No corpo editorial, estavam Jorge Amado, Antônio Calado e Oscar Niemeyer, entre outros intelectuais brasileiros.
Desde 2005, a Barsa é propriedade do grupo espanhol Barsa Planeta, que tem um escritório brasileiro sediado no bairro da Água Branca, em São Paulo. Sandra Cabral, diretora de marketing da empresa, garante que os brasileiros ainda vão poder folhear a enciclopédia por um bom tempo: “Há 48 anos, a Barsa é todo ano reeditada e as vendas não caem”. Nos últimos três anos, segundo informações prestadas pela própria Sandra, a venda média anual foi de 70 mil unidades. De todo o modo, a empresa não deixa de investir na versão online e nos CD-ROMs, que são complementos dos livros de papel. “Nós acreditamos na pesquisa reflexiva, feita dentro de bibliotecas”, diz ela. “Mas também sabemos da importância do conteúdo online”.
Sandra afirma que até a má fama dos vendedores de enciclopédias – durante um tempo, o termo era usado pejorativamente como “pessoa chata, insistente” – não existe mais. “Esse estigma foi criado por causa dos vendedores de antigamente, mas hoje em dia isso é diferente. A nossa equipe é treinada para expor o conteúdo do produto. Eles chegam às casas com notebooks e simulam pesquisas usando o CD-ROM aliado à versão impressa”.
Para os interessados, um aviso: é preciso reservar um bom espaço na prateleira. As 10 mil páginas, distribuídas nos 18 volumes da edição de 2012, ocupam meio metro de estante. A Enciclopédia Barsa completa sai por cerca de R$ 3.000,00 (o preço varia conforme o modelo de capa escolhido).
(Com colaboração de Júlia Bezerra)
Na noite de ontem, o assunto mais falado no Twitter não era o cantor Michel Teló, nem as partidas de futebol de São Paulo e Santos. Em primeiro lugar nos Trending Topics brasileiros apareceu a hashtag #VoltaLaranja. Conforme a tag ganhava popularidade, mais usuários do Twitter perguntavam qual era seu significado:
Na verdade, o termo foi criado por alunos do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Sagrado Coração, no bairro da Pompeia, em São Paulo para homenagear uma professora (a escola disse que ela pediu para sair e os alunos acreditam que ela tenha sido demitida). Elizabeth Laranjeira era professora de Literatura há 15 anos no local. “Ela era um ícone da escola, gostávamos muito dela”, diz o aluno Felipe Foroni, 16 anos. “Na semana passada, ela nos deu aula normalmente”.
O primeiro a reclamar pelas redes sociais foi Rafael Reyna, de 17 anos. Ontem, às 9h da manhã, ele tuitou “#voltalaranjera”. Em seguida, o termo foi modificado para #voltalaranja e se espalhou entre as contas de alunos do Sagrado Coração. De acordo com o site Topsy, foram 1585 menções à professora desde aquele momento. Também pela internet, os adolescentes combinaram de fazer uma homenagem pacífica no pátio do colégio. “Além de pendurar os cartazes, usamos camisetas laranjas para lembrar a professora”, conta Lucas Vasconcellos, 17 anos.
Não foi a primeira vez que um protesto de alunos do Ensino Médio chega aos assuntos mais comentados do Twitter. Em fevereiro do ano passado, estudantes do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo atingiram o terceiro lugar dos Trending Topics brasileiros com a hashtag #abaixoacalu, reclamando dos preços praticados pela cantina do local. Na ocasião, os adolescentes combinaram um boicote e levaram todo o lanche de casa.
Procurada pelo Blog do Curiocidade, a diretora do Colégio Sagrado Coração de Jesus disse que não entraria em detalhes sobre a saída da professora para “preservar a privacidade dela”. Garantiu que nenhum estudante seria punido pelas manifestações, já que elas foram pacíficas. Quando a reportagem perguntou seu nome, a diretora disse que não informaria e que “proibia a publicação dessa história”.
(Com reportagem de Míriam Castro)
2012
2011