Em 26 de setembro de 1960, aconteceu o primeiro debate político televisionado dos Estados Unidos. O candidato republicano Richard Nixon, voltando de uma recente hospitalização, estava magro e pálido. Vestiu um terno que tinha a mesma cor do fundo do estúdio e se recusou a passar maquiagem. Seu rival, John Kennedy, foi vestido elegantemente e aproveitou ao máximo as câmeras. Há quem diga que o resultado da eleição presidencial americana foi definido nesse debate.
Isso jamais aconteceria nos dias de hoje. Os candidatos estão cercados de assessores para zelar pelas roupas que vestem. ”Personal stylists” fazem parte de todas as equipes na campanha eleitoral. Na semana passada, a Editora Senac lançou o livro Guia de estilo para candidatos ao poder – e para quem já chegou lá. O projeto é uma parceria entre o os jornalistas Sergio Kobayashi e Luci Molina, e a consultora de estilo Milla Mathias.
Quem teve a ideia foi Milla. “Já estudava a comunicação política por meio da roupa, mas percebi que não havia nenhum livro sobre isso no Brasil”, afirma. Para escrever o livro, ela procurou Kobayashi, que assessora campanhas eleitorais desde 1982. Kobayashi tabalhou para vários candidatos do PSDB, como Fernando Henrique Cardoso e José Serra. Ele também participou da campanha de Gilberto Kassab à Prefeitura. em 2008. Kobayashi indicou a jornalista Luci Molina, que fez a pesquisa histórica para o volume. Luci já tinha escrito o livro Lila Covas – histórias e receitas de uma vida, sobre a ex-primeira-dama Lila Covas, além de ter sido assessora de comunicação do governo Mário Covas.
Para Kobayashi, estilo não escolhe ideologia. “Todo candidato é vaidoso, não importa de que partido seja”, afirma. “Na hora de concorrer, todos vão usar recursos que melhorem sua imagem para o eleitorado”. A assessoria de estilo ganha maior importância quando o político está gravando o horário eleitoral gratuito, mas a recomendação é que o candidato siga as dicas o tempo todo.
O pior erro que pode ser cometido por um político, de acordo com Milla Mathias, é tentar parecer o que não é. “É muito estranho ver o Tiririca de terno”, diz. Depois de eleito, o deputado precisa seguir o dress code da Câmara. Porém, para Milla, poderia adaptar o look. “Como ele é uma pessoa que deveria passar leveza, poderia tentar transmitir isto para o visual”.
A pedido do Blog do Curiocidade, Milla Mathias comentou o visual dos principais pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo em 2012:
José Serra (PSDB)
“A imagem dele já está desgastada pela longa carreira política. O candidato poderia usar cores mais vivas, que o deixariam com um aspecto mais contente”.
Fernando Haddad (PT)
“Por ser jovem, Haddad deveria descontrair um pouco mais o visual, diminuindo os tons escuros. Um blazer mais claro daria mais leveza”.
Gabriel Chalita (PMDB)
“Este candidato usa muito azul-marinho. Apesar de a cor ser mais leve do que o preto, ainda é muito sóbria. Cinza médio ou cinza claro seriam mais adequados”.
Netinho de Paula (PCdoB)
“Netinho já se identifica com o público por ser cantor e apresentador de TV. Para ele, o ideal é usar blazer, camisa e calça social. Um costume com gravata ficaria artificial demais”.
Soninha Francine (PPS)
“Desde a época de apresentadora de televisão, Soninha mudou muito o visual. Mesmo assim, a roupa dela ainda não passa a impressão de uma política séria. Em política, é possível descontrair a vestimenta, mas não muito”.
Celso Russomanno (PRB)
“O candidato é elegante e fica natural com costumes. Por isto, raramente usa outra coisa”.
Paulinho da Força (PDT)
“Ele deveria usar camisas e costumes com colarinhos e lapelas mais estreitos. As peças que ele usa costumam deixá-lo sem pescoço. Por ser sindicalista, Paulinho poderia usar cores mais claras nos costumes e investir na combinação de calça, camisa e blazer”.
(Com colaboração de Míriam Castro)
Na madrugada do último sábado (7), o jornalista Flavio Gomes, apresentador da ESPN-Brasil e da rádio Estadão/ESPN, fez um post em seu blog relatando uma experiência curiosa. Três dias depois do falecimento de sua sogra, ele recebeu um telegrama prestando condolências. O telegrama dizia: “Solidarizo-me neste momento de dor e saudade. Que Deus lhe dê forças para superar esta perda irreparável”. O problema é que Flávio não conhecia a remetente: a vereadora paulistana Edir Sales, do PSD, partido do prefeito Gilberto Kassab. Indignado, o jornalista escreveu:
“Não acho correto que o município gaste R$ 8,80 para que uma vereadora se solidarize comigo, tendo a mais absoluta certeza de que ela nunca ouviu falar da minha sogra, de mim ou de qualquer membro da minha família. E a mais absoluta convicção de que ela não faz a menor ideia de que este telegrama foi enviado, porque isso é coisa automática, algum assessor deve receber listas diárias de defuntos e ganha um salário, que eu pago, para enviar telegramas a famílias entristecidas”.
Como a vereadora conseguiu a informação da morte da sogra de Flávio? No post, que foi compartilhado por milhares de internautas no final de semana, Flávio escreveu: “Indignado, porque evidentemente eu e todo e qualquer cidadão que preenche a papelada referente à morte de um parente ou amigo passamos a fazer parte do cadastro de otários da vereadora e, muito provavelmente, do partido do prefeito. Afinal, quem mais tem acesso aos dados do Serviço Funerário Municipal a não ser a Prefeitura? E quem é que autorizou a Prefeitura a passar meus dados a um partido político? E quem é que autorizou a vereadora Edir Sales a usar meu nome e endereço para o que quer que seja?”
Edir Sales, obviamente, não atendeu o pedido de entrevista do Blog do Curiocidade. Uma assessora da nobre vereadora disse que responderia as perguntas somente por e-mail. De acordo com a assessora, Edir Sales não tem acesso a listas do Serviço Funerário. A justificativa é que, ao longo da carreira como radialista nas emissoras Tupi AM, Iguatemi AM e Atual AM, ela fez muitos contatos. A notícia do falecimento da sogra de Flavio Gomes teria chegado à política por meio de amigos do meio jornalístico. Por mais que pareça antiquado utilizar telegramas para entrar em contato com as famílias dos falecidos, “a vereadora escolhe o meio de comunicação porque ele é menos impessoal do que um e-mail”, respondeu a assessora.
Os telegramas chegaram a Flavio Gomes com a Câmara dos Vereadores como remetente. No entanto, de acordo com a assessoria da vereadora, os telegramas de luto não são pagos com verba pública, mas com fundos do escritório político de Edir, que tem base eleitoral na Zona Leste de São Paulo. “Por uma questão de formalidade estratégica, toda a correspondência enviada pela vereadora é remetida com endereço do gabinete”, afirma a assessora. A responsável pelo envio dos telegramas é a chefe de gabinete, Suely Watanabe, esta sim paga pelos cofres públicos.
Em seu site, a vereadora Edir Sales exibe sua atuação na Câmara Municipal. Ela é responsável – entre outros – pelo projeto de lei que retira carros de empresas de manutenção de elevadores do rodízio municipal de veículos, a criação do Dia do Imigrante do Leste Europeu e a instituição do “Programa Agente Igreja”, que obriga os templos religiosos a contar com funcionários para auxiliar a circulação de carros na saída de cultos. Nenhum destes três projetos foi aprovado até agora. Nossos pêsames!
Texto atualizado em 10/04/2012, às 18h20, com informações de Flavio Gomes.
Uma obra um tanto estranha começou a ser feita no final do ano passado na Avenida das Corujas, na Vila Beatriz, zona Oeste de São Paulo, e só agora ficou pronta. Foram criados, no meio da rua, canteiros que afunilam a pista e dificultam a passagem dos carros. À noite, como a rua é mal iluminada, os tais canteiros se tornam perigosos para os motoristas, pois não há qualquer tipo de sinalização. Os canteiros foram colocados num trecho que vai da rua Pascoal Vita até o final da Praça Dolores Ibarruri.
As modificações irritaram os moradores da Rua Natingui, paralela à Avenida das Corujas. De acordo com Flávio José Soares, secretário da Associação de Moradores da Rua Natingui, os canteiros atrapalham a circulação de carros pela via, que é de mão-dupla. “Já era difícil dois carros passarem lado a lado, pois a rua é muito estreita”, diz Soares. “Agora, fica quase impossível circular pela Avenida das Corujas”. Com a reforma, Soares afirma que o trânsito na Rua Natingui piorou, já que a Avenida das Corujas deveria ser um atalho para a Rua Pascoal Vita.
De acordo com a CET, o objetivo da obra é mesmo desencorajar o trânsito de passagem na via. A assessoria de imprensa do órgão informou que os canteiros ajudarão a “tornar compatível a velocidade dos veículos àquela regulamentada para a via (30 km/h)” e que a solicitação partiu de moradores da região em 2010. A mão-dupla de circulação será mantida normalmente. Outro motivo dado pela CET é a melhora nas condições de absorção da água da chuva, já que há um córrego entre a avenida e a Praça Dolores Ibarruri.
Para os membros da Associação de Moradores da Rua Natingui, os bloqueios foram implantados para favorecer moradores poderosos da região. Soares afirma que “um ex-ministro tem casa na Avenida das Corujas”, mas não sabe dizer o nome dele. Também acusa a Prefeitura de executar o projeto para benefício de um edifício comercial que está sendo construído na Rua Pascoal Vita. “A esquina com a Avenida das Corujas vai ficar tranquila para eles, enquanto a Natingui fica esse inferno”, reclama.
(Com colaboração de Míriam Castro)
Ao anunciar o lançamento de um novo empreendimento, as construtoras costumam colocar placas com as características do imóvel que será erguido no local – metros quadrados, número de dormitórios, vagas na garagem. Tudo dentro da lei. Mas, quando o imóvel já está todo vendido e as obras são iniciadas, as construtoras estão usando de uma malandragem para desrespeitar a Lei Cidade Limpa. No lugar da placa do imóvel em questão, estão sendo colocadas propagandas de um outro empreendimento da mesma construtora. Esta prática ficou tão comum que, em apenas um quarteirão, o Blog do Curiocidade flagrou dois empreendimentos com a mesma irregularidade. Eles ficam na Rua Doutor Homem de Mello, em Perdizes. Um deles, da empresa Paulo Mauro, fica na esquina com a Rua Doutor Franco da Rocha. Do outro lado da rua, na altura do número 840, outro canteiro de obras anuncia o próximo empreendimento da construtora Exto.
A regra da Lei Cidade Limpa para esses casos é bastante clara. Na resolução 04/2008/CPPU/SEHAB, está estabelecido que são permitidos apenas anúncios com mensagens relacionadas ao empreendimento em que se encontram. No caso, as placas indicam endereços de outras construções. Por isso não poderiam estar ali.
Não é o que pensam as construtoras. A Exto diz apenas que não fere a Lei Cidade Limpa ao colocar este tipo de anúncio, “já que tem autorização para instalar placas em frente à construção”. Michel Gdikian Neto, diretor comercial da Paulo Mauro, afirma que os banners se referem ao estabelecimento em construção, mas o espaço é aproveitado também para falar de outros empreendimentos. “Nunca fomos notificados e penso que não estamos desrespeitando a regra”.
A Subprefeitura da Lapa confirmou que fiscais estiveram no local e constataram que a situação é ilegal e que a multa estabelecida para esses casos é de 15 mil reais.
(Com colaboração de Míriam Castro)
Desde a tarde do último domingo, uma visão incomum chama a atenção de quem passa pela Avenida Engenheiro Caetano Álvares, no bairro da Casa Verde. À margem da via, na altura do número 3000, está uma alegoria de Carnaval pela metade. O objeto é parte de uma imagem de São Jorge, feita pela escola de samba Morro da Casa Verde e está lá para comemorar o aniversário de 50 anos da agremiação no próximo dia 6 de abril.
Por enquanto, a estátua só mostra um dragão e a parte inferior do cavalo do santo, que é padroeiro da escola de samba. A outra metade da escultura, que foi exibida no Grupo de Acesso do Carnaval deste ano, virá nos próximos dias. Quem trouxe a imagem para esse ponto da avenida foi a família de Laurinete Nazaré da Silva Campos, a “Dona Guga”, presidente da Morro da Casa Verde há 23 anos.
Laurinete diz que a escola não tem quadra para os ensaios, por isso o aniversário será comemorado na rua. “Vamos fazer uma grande festa para a comunidade no fim de abril”, conta.
A Subprefeitura da Casa Verde, responsável pela região, ainda não tinha sido informada da existência da alegoria em frente à sede da escola. Quando contatada pelo Blog do Curiocidade, a assessoria de imprensa do órgão anunciou que fiscais iriam verificar a situação, mas que qualquer objeto em via pública deve ter autorização da Prefeitura Municipal.
(Com colaboração de Míriam Castro)
Ao patrocinar um time de futebol ou uma escola de samba, as empresas costumam medir o sucesso do investimento pelo número de vezes que sua marca é exposta em jornais, revistas, sites e emissoras de TV. Há até assessorias contratadas para fazer a contagem dessas aparições. Aí os patrocinadores contabilizam quanto custaria para pagar pelo mesmo espaço. Portanto, quanto mais aparecer a marca, melhor. Pois a Transitions foi a marca que mais apareceu no episódio da apuração dos votos na tarde de ontem no Sambódromo. Mas a empresa só tinha motivos para lamentar.
“Na ótica do meu Império, o foco é você!” – binóculos, lentes, toda tecnologia que ajuda a melhorar a visão foi o enredo da Império de Casa Verde no Carnaval 2012 patrocinado pela empresa de lentes para óculos. Faltava o anúncio das notas de apenas dois jurados no quesito Comissão de Frente, o último de todos. Naquele instante, o palanque foi invadido por Tiago Ciro Tadeu Faria, que se apresentou como diretor da Império de Casa Verde (para evitar uma punição, a escola nega que ele seja diretor, embora o invasor tivesse acompanhado toda a apuração na mesa reservada à diretoria). Alucinado, Tiago arrancou o envelope das mãos do apresentador do evento, rasgou-o, jogou tudo num banheiro químico e fugiu. Filmado fazendo isso e, depois, quando foi levado por uma viatura da polícia, Faria usava uma camiseta da escola que tinha bem visível a marca Transitions. A lamentável cena foi repetida centenas de vezes e estampou as manchetes dos jornais de hoje.
Foi a primeira vez que a Transitions patrocinou uma escola de samba – e, pelo visto, a última também. De acordo com a assessoria de imprensa da empresa, o objetivo era alertar a população para a necessidade de uma visão saudável e homenagear os profissionais do mercado óptico. Para isso, foram prestadas ações sociais na comunidade da Casa Verde, como exames oftalmológicos e distribuição de óculos gratuitamente. Em pronunciamento oficial, a Transitions Optical lamentou a confusão da tarde de ontem: “Tal fato nada tem a ver com o patrocínio e seus objetivos. Esperamos que o Carnaval da cidade seja novamente a celebração de uma festa popular”. Ponto final.
Com a invasão, integrantes de outras escolas começaram a se exaltar e tomaram parte na confusão. Torcedores da Gaviões da Fiel foram acusados de, na saída do sambódromo, incendiar um carro alegórico da Pérola Negra. Caue Santos Pereira, integrante da torcida organizada, foi preso. As camisas da Gaviões, cujo enredo homenageava o ex-presidente Lula, não tinham marcas de patrocinadores.
Outra escola que teve membros na confusão foi a Vai-Vai. Campeã no ano passado, a escola do Bixiga ficou com o terceiro lugar na competição. Entre os invasores da área reservada para a leitura da nota dos jurados, havia pessoas com camisas da Vai-Vai, que teve o enredo deste ano, “Mulheres que Brilham”, patrocinado pela Bombril. O diretor de marketing da empresa, Marcos Scaldelai, disse que lamenta o tumulto de ontem: “É muito triste o que aconteceu”, afirma. “Mas nada abalará o trabalho de quem luta pelo crescimento do Carnaval de São Paulo. Estamos muito felizes com a parceria com a Vai-Vai e todos os resultados”.
(Com reportagem de Míriam Castro)
Na semana passada, cerca de 60 clientes da cantina Nello’s, no bairro de Pinheiros, foram vítimas de um arrastão. Os bandidos levaram bolsas, carteiras e outros pertences, além de dinheiro do caixa do restaurante. Quase ao mesmo tempo, a 2 quilômetros dali, o restaurante Nicota anunciou a seus clientes que deixaria de servir jantares por causa de assaltos que aconteceram no ano passado.
Era a semana do Dia dos Namorados. O Nicota, que tem um ambiente intimista, propício para casais, estava lotado na sexta-feira, dia 10. Os clientes, então, foram abordados por assaltantes, que fugiram em menos de 5 minutos. No dia seguinte, outra surpresa: o mesmo restaurante foi alvo de outro arrastão, provavelmente pelo mesmo grupo de bandidos.
Depois dos assaltos, a clientela não voltou a fazer encontros românticos no Nicota. “Desde que aconteceram os arrastões, o movimento à noite caiu quase 90%”, diz Hellen Romero Queiroz, gerente do restaurante que pertence à chef Marisa Revoredo. Mesmo depois da contratação de seguranças particulares, houve noites em que nenhum freguês apareceu. “O custo para manter o funcionamento noturno já não compensava”.
A decisão foi tomada no final do ano passado. Desde o dia 8 de fevereiro, quando reabriu depois de uma reforma na cozinha, o Nicota só serve refeições em horário de almoço, das 12h às 15h (até 16h aos sábados e até às 17h aos domingos). “Teve gente que não gostou da mudança”, diz Hellen. “Mas não dava para continuar daquele jeito’. Para Hellen, o problema da região próxima ao Largo de Pinheiros não é falta de policiamento, mas o pouco movimento de carros e pedestres. A rua Costa Carvalho, onde está localizada a casa, é muito residencial – e um tanto escura. “Além disso, eles vêem uma oportunidade de ganho em nossos clientes, que são de classe média alta”, afirma.
A rua Ferreira de Araújo, a uma quadra de distância, é um pouco mais agitada: nela, funcionam templos religiosos e uma escola técnica. Desde que aconteceram os arrastões do ano passado no Nicota, os comerciantes da rua se associaram para contratar seguranças particulares. “Quando o problema aconteceu, não tínhamos nenhuma precaução de segurança”, diz Tiago Del Bianco, chef do restaurante Nou. Segundo Del Bianco, o movimento caiu no final de semana do Dia dos Namorados, mas não de maneira expressiva. “Foi só naquela época, tudo voltou ao normal em poucos dias”, afirma. Por causa disso, o chef não considerou a hipótese de fechar as portas no período noturno. No Le Repas, em frente ao Nou, a proprietária Fernanda Barros também diz não ter sentido queda na frequência dos clientes. “Como estamos com o serviço de segurança por toda a rua, o público tem menos receio”, diz.
Serviço:
Nicota
R. Costa Carvalho, 72, Pinheiros, 3031-6373
Nou
R. Ferreira de Araújo, 419, Pinheiros, 2609-6939
Le Repas
R. Ferreira de Araújo, 450, Pinheiros, 2366-9882
(Com colaboração de Míriam Castro)
Na noite de ontem, o assunto mais falado no Twitter não era o cantor Michel Teló, nem as partidas de futebol de São Paulo e Santos. Em primeiro lugar nos Trending Topics brasileiros apareceu a hashtag #VoltaLaranja. Conforme a tag ganhava popularidade, mais usuários do Twitter perguntavam qual era seu significado:
Na verdade, o termo foi criado por alunos do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Sagrado Coração, no bairro da Pompeia, em São Paulo para homenagear uma professora (a escola disse que ela pediu para sair e os alunos acreditam que ela tenha sido demitida). Elizabeth Laranjeira era professora de Literatura há 15 anos no local. “Ela era um ícone da escola, gostávamos muito dela”, diz o aluno Felipe Foroni, 16 anos. “Na semana passada, ela nos deu aula normalmente”.
O primeiro a reclamar pelas redes sociais foi Rafael Reyna, de 17 anos. Ontem, às 9h da manhã, ele tuitou “#voltalaranjera”. Em seguida, o termo foi modificado para #voltalaranja e se espalhou entre as contas de alunos do Sagrado Coração. De acordo com o site Topsy, foram 1585 menções à professora desde aquele momento. Também pela internet, os adolescentes combinaram de fazer uma homenagem pacífica no pátio do colégio. “Além de pendurar os cartazes, usamos camisetas laranjas para lembrar a professora”, conta Lucas Vasconcellos, 17 anos.
Não foi a primeira vez que um protesto de alunos do Ensino Médio chega aos assuntos mais comentados do Twitter. Em fevereiro do ano passado, estudantes do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo atingiram o terceiro lugar dos Trending Topics brasileiros com a hashtag #abaixoacalu, reclamando dos preços praticados pela cantina do local. Na ocasião, os adolescentes combinaram um boicote e levaram todo o lanche de casa.
Procurada pelo Blog do Curiocidade, a diretora do Colégio Sagrado Coração de Jesus disse que não entraria em detalhes sobre a saída da professora para “preservar a privacidade dela”. Garantiu que nenhum estudante seria punido pelas manifestações, já que elas foram pacíficas. Quando a reportagem perguntou seu nome, a diretora disse que não informaria e que “proibia a publicação dessa história”.
(Com reportagem de Míriam Castro)
Uma obra de arte enfeita os tapumes de madeira de uma misteriosa obra na esquina das ruas Oscar Freire e Consolação, nos Jardins, desde o dia 14 de janeiro. Ainda incompleta, a figura será concluída ao longo desta semana pelo artista plástico Paulo von Poser, que encerrou ontem a exposição Trajetória no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE).
Von Poser quis reproduzir a paisagem das ruas dos Jardins, assim como as pessoas que passam por ali. “Transformei o tapume em um espelho”, conta. Além de humanos, não faltam rosas: elas estão presentes nos 30 anos de carreira do paulistano. Para retratar o bairro, o artista usa giz crayon colorido, base acrílica e grafite – não o dos grafiteiros, mas grafite em barra.
Embora seja a primeira vez que pinta um tapume, o artista já havia trabalhado na rua antes. Durante a abertura da exposição Rosas na galeria Mônica Filgueiras, em 2002, pintou um muro na Ministro Rocha Azevedo. Ele também é responsável pelos painéis de azulejos que, desde 2007, decoram as bancas de flores na Avenida Doutor Arnaldo.
O fim da construção escondida pelo tapume está previsto para a próxima semana. Depois desse tempo, Paulo von Poser não sabe qual o destino de sua obra. “Adoraria guardar tudo para mim, mas não posso”, confessa. O artista diz não sentir medo de ataques de pichadores ao tapume, como costuma acontecer ao redor de reformas na capital. “Trabalhar na rua é deixar sua arte à disposição de qualquer coisa”.
Pode-se dizer que o projeto é familiar: o planejamento arquitetônico foi feito pela empresa Cenário Brasil, que pertence a Beto von Poser, irmão do artista. Por mais que não revele o nome da loja que será inaugurada na semana que vem (os vizinhos estão dizendo que o local abrigará um showroom da marca Natura), a empresa Banco de Eventos, encarregada da contratação de Paulo von Poser, garante que o tapume não será descartado após o fim da reforma. A obra – de arte, não de concreto – já tem destino certo: será doada para um museu.
(Com colaboração de Míriam Castro)
Embora a reforma ortográfica da Língua Portuguesa ainda esteja embaralhando a cabeça de muita gente, é bom que o programador das máquinas de vendas de ingresso do Espaço Unibanco de Cinema, do Shopping Bourbon, saiba que sessão de cinema continua sendo escrita com dois esses.
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