O produtor de TV Mario Jun Okuhara (filho de Rosa Miyake, apresentadora do programa “Imagens do Japão”, lembra?) nasceu em 1974, três anos antes da morte do jornalista Carlos Lacerda (que faria aniversário hoje). Foi no colégio que ele passou a se interessar pela história do ex-deputado federal e ex-governador do Estado da Guanabara, que apoiou o Golpe Militar de 1964. “Nunca concordei com o posicionamento político dele”, diz Okuhara.“Mas o que me chamou a atenção desde sempre foi amaneira como ele se expressava em seus discursos. Era impetuoso, fervoroso, quase agressivo”.
Há sete anos, Okuhara começou a procurar material sobre Lacerda e iniciou uma curiosa coleção.O acervo já conta com 20 livros, muitas revistas antigas e três discos com gravações de discursos de Lacerda. “Algumas coisas eu encontrei na internet, outras em sebos”. Ele conta que vibra a cada nova descoberta. “Hoje em dia, não se vê mais toda essa pompa na política”, lamenta o colecionador.
(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de Keiny Andrade / AE)
O designer Luiz Romano, de 60 anos, não se rendeu aos cartões de Natal digitais. Ele mantém viva uma tradição iniciada em 1977. Todo ano, ele desenha um cartão especial em “3D”, com recortes e relevos, e manda para seus amigos e parentes. Ele envia cerca de 400 cartões pelo Correio. “Eu crio o desenho, preparo no computador, monto a arte final e encaminho para a gráfica”, enumera. Depois da impressão, Luiz precisa cuidar da montagem para o efeito 3D. “Na gráfica, eles recortam. Mas eu que destaco, dobro e viro.”
Depois que os cartões ficam prontos, Luiz ainda rubrica todos eles e cria mensagens diferentes. Para os amigos corintianos, por exemplo, o designer, que é palmeirense, escreveu este ano: “Parabéns, campeão”. Luiz gasta dois ou três dias escrevendo as mensagens. “Às vezes faço à noite, ou até de madrugada.”
Ele manda a maior parte dos cartões pelo correio, com direito ao selo natalino do ano. Para ele, a história de que cartões de Natal estão fora de moda é pura conversa. “Muita gente fala que não recebe mais cartões, só o meu”, diz. “Às vezes até me ligam pra cobrar. Tenho prazer em fazer isso. Fico muito feliz quando as pessoas ligam para me contar que colocaram o cartão na árvore de Natal.”
Luiz também é colecionador de presépios desde 1991. Sua coleção conta com cerca de 160 conjuntos, dos mais variados materiais e origens. “Tenho um montado com pregos, engrenagens e arruelas”, conta.
Quem inventou o cartão de Natal?
O cartão de Natal foi inventado em 1843 por Sir Henry Cole, que foi diretor do British Museum of London. Percebendo que não teria tempo de escrever mensagens de Natal à mão para todos os seus conhecidos, pediu ajuda ao artista plástico John Callicot Horsley. Ele dividiu um cartão em três partes e, no centro, desenhou uma família reunida e crianças pobres ganhando roupas e comida. Foram impressas 100 cópias em litografia, e, então, o artista coloriu uma a uma à mão. Cole enviou uma parte pelo correio e vendeu os cartões que sobraram.
(Com colaboração de Karina Trevizan)
A exposição Game On, que conta a história do videogame, chega a seu segundo final de semana no Museu da Imagem e do Som. Todas as peças são jogáveis, exceto pelo Computer Space (primeiro arcade), o Brown Box (protótipo do primeiro console caseiro, o Magnavox Odyssey) e a réplica do PDP-1 (computador usado para fazer o primeiro jogo digital, Spacewar!). São 120 games no total. A ideia é da galeria de arte londrina Barbican, que realiza o evento desde 2001.
É a primeira vez que a Game On veio para o Brasil. Os últimos anfitriões foram Monterrey (México), Dublin (Irlanda) e Bruxelas (Bélgica). Em todas elas, houve um fator em comum: do grupo de ingleses que vem para a inauguração, um permanece no país onde a exposição estará durante os próximos quatro ou seis meses: Patrick Moran. “Só consigo ver a minha família duas vezes por ano, entre uma exposição e outra”, diz ele.

Além de ajudar a planejar a mostra e ser o porta-voz da Barbican no país estrangeiro, Moran tem outra função que exige que ele esteja bem próximo da Game On. É ele quem conserta todos os consoles e acessórios de games usados na exposição. E não é pouco trabalho. Nos 9 primeiros dias de Game On em São Paulo, ele precisou fazer 18 consertos – ou seja, dois por dia, incluindo consoles e joysticks.
Esses videogames são antigos, frágeis e raros. Para um admirador da tecnologia, não dá um pouco de ciúmes deixá-lo nas mãos de qualquer visitante?
Um pouco, mas só no começo. Mas o objetivo da exposição é permitir que as pessoas vivam e joguem a história dos videogames. É incrível ver como as crianças que chegam ao museu podem se divertir, décadas depois, com os jogos que entretiam seus pais ou avós. Isto é um grande prazer para mim.
Você tem apenas 26 anos. Onde você aprendeu a consertar videogames tão antigos?
Desde adolescente, modificava consoles. Cresci jogando em um BBC Micro e, depois, nos aparelhos da Nintendo. Os videogames se tornaram uma paixão. Quando conheci o staff da Barbican, fui treinado pelo Barry Hitchings, um técnico mais experiente, que atualmente cuida da Game On 2.0 [exposição semelhante que estreia em fevereiro de 2012 na Noruega].
O que você faz se um dos consoles da exposição quebrar de vez?
Ainda não aconteceu isso conosco. Os hardwares pifam diariamente, mas sempre conseguimos fazê-los voltar a funcionar. Pode demorar dias ou semanas. Porém, existem casos em que compensa mais comprar um console novo do que consertá-lo – um PlayStation, por exemplo, é facilmente substituível, mas a maior parte das peças da coleção não tem essa característica.
Quais são os consoles que mais dão problemas?
Com certeza, os antigos arcades. Feitos para os fliperamas, eles não eram projetados para ter muito tempo de vida. Missile Command, por exemplo, um arcade da Atari de 1980, vive dando problemas. Agora mesmo, está indisponível aos visitantes até que eu o arrume novamente. Se não fôssemos contar apenas consoles, diria que os controles também quebram muito: praticamente todo dia, tenho que arrumar um.
Serviço:
Avenida Europa, 158, Jardins, 2117-4777
12h/21h. Sáb., dom. e fer., 11h/21h. Fecha 2ª.
(Com colaboração de Míriam Castro)
O Shopping Iguatemi ganhou a primeira loja temática do Pequeno Príncipe no Brasil. O quiosque foi aberto pelo casal Renato e Luana Zindeluk e pela designer de joias Sheila Dryzun, mãe de Renato. Desde 2004, os três são sócios da “Succession Antoine de Saint-Exupéry” (fundada pela família do escritor francês) e cuidam do licenciamento do personagem no país. Eles foram os organizadores da exposição “O Pequeno Príncipe na Oca”, realizada em 2009. “Era tanta gente perguntando onde comprar os produtos que resolvemos abrir a loja”, diz Luana.
Alguns produtos já existiam, como os pingentes em prata, desenhados por Sheila. Outros foram criados especialmente para o quiosque do Iguatemi. Os sócios também importaram alguns itens da França. Confira alguns dos produtos:
Roupa de cama e banho
Entre almofadas (R$ 62), toalhas (de R$ 30 a R$ 53) e fronhas (R4 16) com desenhos e frases do livro estampados, o mais caro é um edredom, que custa R$ 165.
Cartões
Vêm com desenhos e frases do personagem, como “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” e “se tu vens às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz”. É o item mais barato da loja (R$ 8 ) e, segundo Luana, é o que mais faz sucesso, principalmente entre casais de namorados.
Pingentes e pulseiras
Desenhados por Sheila Dryzun e feitos de prata. Há pingentes em forma do personagem e pulseiras com frases do livro. Custam de R$ 90 a R$ 160.
Canecas, tigelas e pratos
Canecas (R$ 16 a R$ 23), tigelas e pratos (R$ 21 a R$ 26) fazem sucesso entre a garotada.
Kit para banheiro
Feito em porcelana, o kit traz porta-algodão, porta-escova de dentes e recipiente para sabonete líquido (R$ 74).
Kit de jardinagem
Tem sementes variadas, vasinho, ferramenta, regador, um saco com terra adubada e um avental infantil estampado. Tudo sai por R$ 80.
Ah, um detalhe curioso: a loja não vende o livro “O Pequeno Príncipe”. Vai entender…
Serviço:
Shopping Iguatemi, piso térreo. 3031-6757.
(Com colaboração de Karina Trevizan e fotos de divulgação)
Um rádio AM ligado ao lado do berço, sintonizado na voz do locutor Eli Correa, era a estratégia usada pela mãe de Marcelo Abud para deixar o bebê quietinho. A ideia funcionou tão bem que, aos oito anos, Marcelo ganhou uma premiação que dava direito a um brinde. Não teve dúvidas: escolheu um radinho de pilha, azul, da marca CCE. “Dormia sempre com o radinho ligado embaixo do travesseiro”, lembra.
Anos depois, Marcelo arranjou um emprego como rádio-escuta na Gazeta e acabou se tornando profissional no ramo. Professor universitário, produtor de rádio e locutor, o paulistano Marcelo Abud, 39 anos, é dono do blog “Peças Raras”, recheado de gravações antigas, jingles e programas de rádio do passado.
O blog nasceu em maio de 2006, ano de Copa do Mundo, quando o radialista resolveu disponibilizar seu acervo de áudios relacionados ao evento esportivo – desde a década de 1980, Marcelo dedica-se a gravar suas partes favoritas da programação. Ao mesmo tempo, foi uma bela oportunidade de socializar o acervo da Colector Editora – uma coleção de raridades do rádio das décadas de 30, 40 e 50, remasterizadas em 105 fitas cassete. “Tenho até os primeiros testes da Rádio Cidade gravados”, conta. “Muitos radialistas antigos entram em contato comigo para falar sobre os áudios que eu publico no blog”.
A pedido do Curiocidade, Abud selecionou links de três de suas preciosidades:
Paulo Autran apresentava na Rádio Eldorado AM, nos anos 60, o quadro “5 Minutos com Paulo Autran”.
Gafes do rádio ao vivo. Áudios editados na própria Rádio Eldorado (a antiga Nova Eldorado AM, atual Estadão/ESPN), com erros cometidos por apresentadores e repórteres.
Radiografia com Eli Corrêa. Entrevista exclusiva que Marcelo Abud fez com “o homem sorriso do rádio” em novembro de 2009.
(com colaboração de Tory Oliveira)
Em fevereiro passado, seis ex-jogadores do Corinthians estiveram no estúdio do fotógrafo Bob Wolfenson, na Vila Leopoldina, para sessões especiais de fotos. Depois de três horas de poses, Rivellino, Sócrates, Neto, Marcelinho Carioca, Basílio e Wladimir deram centenas de autógrafos em folhas que seriam colocadas no “Collector’s Book – Nação Corinthians”, que chegará às livrarias na última semana de setembro.
Há uma grande expectativa em torno do lançamento desse que será o primeiro livro da nova Editora Toriba, que tem como presidente Pedro Sirotsky, acionista e membro do conselho do grupo de comunicação RBS. Outros já estão sendo planejados, sempre dentro do mesmo conceito. A edição sai com apenas 1.500 exemplares luxuosíssimos, sem possibilidade de reedição. Cada exemplar tem 640 páginas e pesa 30 quilos.
Os ídolos corintianos autografaram as folhas, e não os livros, por uma questão simples. Os 1.500 livros pesam juntos 45 toneladas. Foi muito mais fácil levar as folhas de papel vergé, cada uma com 300 gramas. As fotos também foram autografadas. O material todo foi enviado para impressão na Itália. “Não havia como costurar com as máquinas brasileiras, que fazem livros com lombadas de no máximo 32 centímetros”, explica Carlos Ribeiro, diretor de redação da Editora Toriba. “O ‘Nação’ tem 50 centímetros de largura”. As páginas que os ídolos assinaram foram coladas nos livros com fitas dupla-face.
O livro tem três versões. Os onze primeiros exemplares, chamados de “Top 11″, custarão R$ 15 mil e trarão as assinaturas dos seis craques. Serão acompanhadas por um estojo de madeira revestido com couro italiano, com as seis fotos dos craques separadas, impressas em papel 100% algodão de 50 x 50 cm. Um deles será doado para a “Craques de Sempre”, organização beneficente mantida por Basílio. Os exemplares numerados de 0012 a 0100, menos luxuosos, serão vendidos por R$ 9 mil, e também terão os autógrafos de todos. Os últimos exemplares custarão R$ 6,5 mil, com uma página assinada individualmente por apenas um dos seis jogadores.
Se os primeiros 100 exemplares foram autografados pelos seis jogadores, os outros 1.400 foram divididos em partes desiguais. Sócrates, Neto e Marcelinho assinaram 300 cada um. Basílio e Wladimir, 200. Rivellino, por sua vez, autografou somente 100. O lançamento oficial do livro está programado para o dia 26 de setembro nas livrarias Cultura e da Vila, mas as pré-vendas já começaram pela internet. “É incrível: oito dos dez exemplares de R$ 15 mil foram reservados”, festeja Ribeiro. Segundo ele, na primeira semana de pré-vendas, 70 livros tinham sido encomendados.
Para quem for até a loja atrás do livrão de 30 quilos, Ribeiro adianta que a Livraria Cultura terá à disposição um funcionário para levar a compra até o carro do cliente. Mas a editora promete também enviar para a casa do comprador sem custo adicional.
Internado desde a madrugada da última sexta-feira, o Doutor Sócrates não é um dos mais requisitados entre os exemplares reservados que trazem apenas um autógrafo. Segundo informações da editora Toriba, o preferido das pré-vendas é Rivellino – não à toa conhecido como “Reizinho do Parque”.
(Com colaboração de Karina Trevizan e fotos de divulgação)
A tumultuada saída do bibliófilo Pedro Correia do Lago da presidência da Fundação Biblioteca Nacional em 2005 coincidiu também com o fechamento de sua loja de mapas, cartas e livros históricos, a Ilustrata, no bairro do Itaim Bibi. A loja física não existe mais, só que Lago continua vendendo as peças para clientes que pedem pelos produtos. “Decoradores, amigos e colecionadores me procuram quando estão querendo alguma gravura especial, algo que não seja uma reprodução vendida em qualquer lugar”, diz ele, que é neto do diplomata Oswaldo Aranha. “A loja foi fechada porque não precisávamos de um espaço tão grande. Os clientes já nos conheciam e pediam tudo por telefone, iam muito pouco à loja”. O antigo endereço ocupava um espaço de 250 m², onde funciona atualmente uma agência bancária. Hoje, Lago usa duas casas particulares como depósito, uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro. Outra parte do acervo fica em uma loja de 50 m², também no Itaim Bibi, que só recebe clientes com hora marcada.
Entre os itens raros à venda estão mapas do século XVI, gravuras da arte brasileira e internacional e fotografias antigas originais. “Qualquer um pode nos procurar e comprar”, afirma o colecionador. “Mas, de certa forma, a Ilustrata é hoje um segredo bem guardado entre decoradores e colecionadores”.
Lago não sabe dizer quantos itens tem em sua coleção de gravuras, livros, cartas, fotografias. “Se eu disser um número, vai parecer uma loucura”, afirma. “Essas coisas não se quantificam. Mas é talvez a maior coleção privada do Brasil”. Depois de deixar a Fundação Biblioteca Nacional, Lago continuou se dedicando à edição de livros em sua editora, a Capivara. O último lançamento de sua autoria foi “Brasiliana Itaú, uma grande coleção dedicada ao Brasil”, em 2009. O livro traz cerca de 2.500 imagens sobre arte no Brasil. O material deu origem a uma exposição, que esteve em cartaz na Pinacoteca do Estado em 2010, com curadoria do próprio Lago. A Brasiliana Itaú também já passou por Belo Horizonte, Fortaleza, Brasília e pelo Rio de Janeiro. O próximo destino é Curitiba. Lago conta que, depois de terminar a itinerância, a exposição se tornará parte do acervo permanente do Itaú Cultural, em São Paulo.
Serviço:
Ilustrata – R. João Cachoreira, 233, loja 6, Itaim-Bibi. Somente com hora marcada: (11) 3085-5475.
(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de Gianne Carvalho/AE)
A edição de hoje do Divirta-se traz uma reportagem especial sobre os melhores sebos da cidade. Além de atender quem está querendo comprar livros usados, os sebos recebem muitas pessoas que desejam se desfazer de livros antigos. Um livro muito antigo pode parecer um verdadeiro tesouro, mas a coisa não funciona bem assim. César Potério, do Sebo Fênix, explica que, para um livro ser valioso, não basta ser antigo. “O que pode tornar um livro valioso seria alguma dedicatória de uma personalidade importante ou ilustrações de um artista conhecido”, completa. Ele cita como exemplo o livro Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, que pode ser comprado no sebo por R$ 5. Mas ele vende ali também uma edição especial, que tem ilustrações do desenhista Gustave Doré, por R$ 200. Outro exemplo é o livro Clínica Médica, do ano de 1870, escrito por Torres Homem. O livro sobre Medicina está desatualizado e não tem mais nenhuma utilidade acadêmica, mas custa R$ 600. O motivo é que há uma dedicatória escrita à mão por Torres Homem oferecendo o exemplar para o imperador D. Pedro II. “Um colecionador compra um livro por causa desse tipo de detalhe”, diz Potério.
Gilvaldo Amaral Santos, especialista em venda de livros antigos pela internet, tem a mesma opinião. “Não podemos confundir livro velho com livro raro”, afirma. “Ele precisa ter alguma coisa especial para ter algum valor”. Gilvaldo também recomenda que, antes de levar a obra para ser avaliada, o ideal é fazer uma pesquisa na internet para saber se já há exemplares da mesma época à venda e, assim, ter noção de quanto ele vale. O Blog do Curiocidade fez a pesquisa pelo site Estante Virtual com o livro Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões. A variação de preços é grande. Há uma edição de 1882 que custa R$ 40. A descrição informa que as páginas estão amareladas, mas ainda é possível ver escrito o nome do antigo dono do livro e o retrato do autor feito com lápis de cor. Há também uma edição de 1898 que custa R$ 2 mil. Algumas páginas foram danificadas por cupins, mas o livro faz parte de uma edição comemorativa do quarto centenário do descobrimento da Índia, com direito a ilustrações especiais e letras ornamentadas. Outra opção é uma edição de 1880. O livro é o exemplar de número 113 da edição de Tito de Noronha, de 314 unidades. O que valoriza o exemplar é uma anotação assinada por Teófilo Braga. Noronha e Braga se destacam na história da Literatura por causa da discussão sobre qual versão de Os Lusíadas é de fato escrita por Camões. O preço do livro assinado por eles: R$ 15,9 mil.
O caçador de raridades
Edgar Luiz de Brarros, 54 anos, é historiador, escritor e perito de bens colecionáveis. Ele, que é membro da Associação dos Peritos Judiciais do Estado de São Paulo (APEJESP), faz avaliações de casos criminais e também extrajudiciais, como avaliação para seguros e auxílio na compra e venda de itens raros. Barros conta que já encontrou muitas raridades sendo vendidas em sebos a preço de banana. “Já achei um exemplar da revista Tico Tico, da década de 1920, à venda por R$ 1. Isso vale, no mínimo, R$ 300″, conta o perito. Um caso parecido aconteceu com uma família que queria vender uma coleção de livros por R$ 300. Barros encontrou entre as publicações um exemplar raro de Narizinho Arrebitado – Segundo Livro de Leitura para uso das Escolas Primárias, publicado em 1921 por Monteiro Lobato. “Um único livro poderia ser vendido por R$ 1,6 mil”, afirma. Barros faz avaliação para a compra e venda de itens raros. Para fazer um laudo, cobra R$ 150 por hora de trabalho. O perito também é colecionador, mas não vende nenhuma das raridades que arremata. “Não tenho dúvidas de que seria um bom negócio, mas eu não me dedico a isso”.
Serviço:
Sebo Fênix – Avenida Lins de Vasconcelos, 3228; Vila Mariana; 5082-1536
Edgar Luiz de Brarros – 5579-1103
(Com colaboração de Karina Trevizan)
A Mattel anunciou nesta semana o lançamento da “Museum Collection”, um trio de bonecas Barbie inspiradas em obras de Leonardo da Vinci, Van Gogh e Gustav Klimt. A coleção faz parte da linha Barbie Collectors, voltada para o público adulto que coleciona a boneca. As Barbies especiais só chegam às prateleiras das lojas de São Paulo em agosto, mas já estão dando o que falar na cidade. A mais comentada foi a Barbie Mona Lisa. A pintura do rosto da boneca foi feita pelo pintor Ei Fong. Já a roupa foi desenvolvida pela designer Linda Kyaw. O Blog do Curiocidade conversou por e-mail com Linda sobre as diferenças da Mona Lisa original e a de brinquedo.
Você se preocupou em retratar a imagem da Mona Lisa com exatidão?
Nós respeitamos a sensibilidade da obra de arte original e sabemos que a genialidade da Mona Lisa nunca poderá ser copiada. Essa Barbie é uma homenagem inspirada na Mona Lisa, e empresta elementos da peça original para se transformar em uma boneca.
Um de seus maiores desafios foi desenhar o vestido inteiro, já que todo mundo conhece a Mona Lisa apenas da cintura para cima. Mas a roupa da boneca não é a mesma da pintura. As mangas da Mona Lisa original, por exemplo, não são estampadas. Qual foi a razão das mudanças?
A versão Mona Lisa da Barbie possui maior liberdade de expressão justamente por ser uma homenagem, e não uma cópia exata. Os tons verdes usados no cenário da pintura original inspiraram a cor das mangas e do corpete usado pela boneca. O dourado da pintura também está presente nas mangas e no vestido. Nada pode substituir a Mona Lisa, assim como nada pode substituir a Barbie.
A Barbie Mona Lisa tem as unhas pintadas de rosa. Já a Mona Lisa de Da Vinci, pintada em 1503, não usa pintura nas unhas. Outra adaptação?
As unhas da Barbie são pink e combinam com seus lábios – uma característica da maioria das nossas bonecas. A intenção era manter a paleta de cores suaves e em harmonia com o resto da boneca.
(Com colaboração de Karina Trevizan)
Hoje é aniversário do início da Revolução Constitucionalista de 1932. O publicitário paulistano Ricardo Della Rosa, criador do site Tudo por São Paulo, guarda tudo sobre o conflito que terminou com 900 mortes. Ele é neto por parte de pai e de mãe de ex-combatentes da Revolução de 1932. Iniciada em 9 de julho de 1932, a Revolução Constitucionalista foi uma reação armada de alguns setores da sociedade paulista ao golpe dado por Getúlio Vargas em 1930. O objetivo dos revoltosos era derrubar o governo de Vargas e promulgar uma nova constituição para o País. Mas as forças federais venceram os paulistas. Durante o conflito, o policial Manoel Maia Neto, avô materno de Ricardo, alistou-se no Batalhão Voluntários de Piratininga e foi enviado para a frente de batalha. Longe de casa, Manoel recebia notícias, cartões, fotografias e o apoio incondicional da mulher. “Ele a deixou com quatro crianças pequenas em casa”, conta Ricardo. “E a minha avó ainda escrevia ‘Viva São Paulo’ e ‘ Viva o Brasil’ nos cartões”. Além disso, o casal doou as alianças para a campanha Ouro para o Bem do Brasil, na qual a população oferecia joias e objetos preciosos para financiar as tropas paulistas.
Amante de História e de antiguidades em geral, Ricardo, que tem 37 anos, começou a levar o assunto mais a sério há dez, quando ganhou de uma tia parte da herança do conflito guardada pela família. Hoje, ele possui cerca de 300 peças entre capacetes, anéis, medalhas, cartões postais e uniformes completos. O avô paterno, Mario Della Rosa, também participou do levante e aparece na maioria das fotos do acervo familiar de Ricardo. Porém, não há muitos detalhes sobre sua participação no embate. “Desconheço o batalhão em que ele lutou”
2012
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