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Que a força esteja com você… para resistir a estes chocolates! Desde agosto passado, a confeiteira Alessandra Luvisotto, da Nena Chocolates, vende suas criações com o formato dos personagens de Star Wars.  “Um dia, vi sabonetes com essas figuras”, explica ela. “Tive a ideia de procurar forminhas de chocolate e acabei encontrando num site americano”.  Alessandra confessa que conhece muito pouco sobre a série. “Lembro que, no primeiro bazar que fui participar, não sabia escrever os nomes dos personagens”, conta. “Tive que pedir ajuda para alguns fãs que estavam ali por perto. Eles acabaram soletrando para mim”. Alessandra diverte-se quando conta que muitos compram o chocolate para guardá-los em coleções.

X Wing, Han Solo em carbonite e Darth Vader (foto: Divulgação)

Apenas sob encomenda, a chocolateria vende a cabeça de Darth Vader (R$ 7), o Han Solo na placa de carbonite (R$ 10) e a Millennium Falcon (R$ 13), que podem ser recheados com trufa; vende também o R2D2 (R$ 7), o Mini Han Solo (R$ 8, 6 unidades) e a Mini X- Wing (R$ 8, 6 unidades), estes sem recheio. Todos são feitos com chocolate belga Callebaut, e o cliente pode escolher ao leite, meio amargo ou branco.

Millennium Falcon (foto: Divulgação)

Para a Páscoa, Alessandra pretende aumentar a variedade, fazendo os personagens Storm Trooper e Death Star. E para quem não é tão fã de Star Wars, outros personagens do mundo nerd que estão por vir são o Batman e bonequinhos de Lego.

Darth Vader (foto: Divulgação)

A Nena Chocolates é pioneira em São Paulo, mas chocolates com esses formatos já vinham sendo vendidos também em Brasília pela Confeitaria Zeek.

 

Nena Chocolates

Telefone: (11) 2528-2054

e-mail: nenachocolates@gmail.com

site: www.nenachocolates.com.br 

(Com colaboração de Beatriz Duarte)

 

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Minha procura por endereços curiosos de São Paulo começou por causa de Sharon Stone. É que o filme “O Instinto Selvagem” tinha acabado de estrear em São Paulo, em 1992, e fez de cara  muito sucesso. A personagem de Sharon no filme matava suas vítimas com um prosaíco picador de gelo. Na redação de Veja S. Paulo, onde eu trabalhava na época, decidimos sair à procura de picadores de gelo pela cidade. Não encontrei a peça, mas pauta rendeu uma reportagem de 20 páginas mostrando “onde encontrar produtos e serviços difíceis”. A partir daí, continuei procurando lugares secretos na cidade e isso rendeu o guia “Os Endereços Curiosos de São Paulo”, que tem hoje 1 000 verbetes.

Há alguns dias, durante uma caminhada pelo centro atrás de novas descobertas, cheguei à loja Daiso Japan, inaugurada no final de 2012, na Rua Direita, quase na esquina com a Praça do Patriarca. A empresa possui cerca de 3 mil lojas espalhadas pelo mundo, sendo 1.200 delas em países da Ásia. Esta é a primeira na América Latina. O conceito é o mesmo de nossas famosas lojas de “tudo por R$1,99”. Só que, na Daiso, os produtos importados custam R$ 5,99 (esse preço pode subir nos próximos dias para R$ 6,99 ou R$ 7,99, me disse um dos funcionários).

O clima nipônico prevalece tanto nos produtos fornecidos quanto na música de fundo e nos clientes. A estratégia utilizada pela equipe da Daiso foi fazer anúncios apenas em veículos da colônia japonesa em São Paulo. Além disso, a loja deu preferência para atendentes que tivessem familiaridade com a língua. Pois foi ali, no meio de petecas de badminton e porta-bananas, que encontrei pela primeira vez picadores de gelo à venda em São Paulo. Um picador de gelo de aço inox, com cabo de madeira, medindo 15 centímetros. Vinte anos depois, finalmente, posso dizer que tive um reencontro com Sharon Stone em plena Rua Direita. Era mais um momento para celebrar a cidade que – agora posso dizer – tem mesmo de tudo!

Rua Direita, 247, Centro, Seg. a sáb. 9h30/19h30 e dom. 9h30 a 15h30.

(Fotos Divulgação e Clayton de Souza/Estadão)

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Para o lançamento do DVD do filme ‘Os Vingadores’, lojas da Livraria Saraiva na região metropolitana receberão estátuas enormes de Hulk, Homem de Ferro e Capitão América – a réplica de Thor ficará em uma unidade de Campinas (SP).

As estátuas são licenciadas pela Marvel e pela Disney – detentoras dos direitos do filme – mas foram feitas no Brasil. A agência de design paulistana StudioCAAN, que elabora material promocional desde 1995, é a responsável pelas esculturas. “Materiais de referência foram enviados para nós diretamente dos Estados Unidos”, conta Carlos Augusto Dória, o Charles Caan, diretor da agência. As encomendas foram feitas em novembro do ano passado, quase seis meses antes da estreia do filme no Brasil. “Todas as imagens ainda eram confidenciais”, diz. O projeto foi concretizado por cinco funcionários – um modelador e quatro responsáveis pelo acabamento das peças – da fábrica do StudioCAAN em Umuarama, no Paraná.

A montagem exige muito trabalho. Primeiro, a estrutura principal é montada com isopor e coberta por ‘clay’, uma espécie de argila que não seca. Dessa montanha de argila, na qual já são moldados detalhes como músculos, é feito um molde de fibra de poliéster que, depois de seco, será preenchido. Uma estrutura em fibra de poliéster sai do molde. O acabamento é feito com resina epóxi – sobrancelhas e veias saltadas, por exemplo. Só então a estátua recebe a pintura de acordo com as características do personagem.

Alguns detalhes chamam a atenção. O Homem de Ferro, por exemplo, tem 35 lâmpadas LED para simular o funcionamento da armadura MK VII. Já Hulk, com seus 2,70 metros de altura, tem dentes de porcelana. “Queríamos deixar os dentes parecidos com os de um humano”, diz Caan. O herói verde tem a maior parte do corpo pintada por tinta fosca, mas pedaços brilhantes podem ser vistos perto das axilas e no peito. “Assim, parece que ele está suando”.

Transportar esses heróis não é algo fácil. Para viagens longas, cada um ganhou uma caixa de madeira feita sob medida. Em deslocamentos mais curtos, como dentro de São Paulo, as estátuas circulam envoltas em plástico-bolha dentro de um caminhão. Ao chegar aos shoppings em que serão expostas, começa a parte difícil. O Hulk em tamanho real pesa 200 quilos e tem que ser transportado em um carrinho de carga. “Como ele tem que ficar deitado no carrinho, pelo menos seis pessoas têm que apoiá-lo para que não caia”, afirma Caan.

Homem de Ferro
De 3/9 a 17/9
Saraiva MegaStore Shopping Ibirapuera
Av. Ibirapuera, 3103, Piso Moema, Moema

Capitão América
De 4/9 a 18/9
Saraiva MegaStore Shopping Center Norte
Travessa Casalbuono, 120, loja 414, Vila Guilherme

Hulk
De 5/9 a 19/9
Saraiva MegaStore Park Shopping São Caetano
Al. Terracota, 545, Nível Térreo, Cerâmica, São Caetano do Sul

(Com colaboração de Míriam Castro e imagens de Priscila Barcellos/Divulgação)

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Antes de entrar no cinema, Leonardo Rossi Lazzari avisa à reportagem: “Esperem um pouco, vou fazer um aquecimento vocal e já volto”. Ele precisa preparar a voz para narrar toda a audiodescrição do filme “Melancolia”, de Lars von Trier. O longa de 136 minutos é um dos títulos  exibidos no Festival Melhores Filmes 2011, no CineSESC, que acontece até dia 29 de abril. Todas as sessões exibidas durante o período são acessíveis a deficientes visuais e auditivos.

Isto só é possível graças ao trabalho da Iguale, empresa fundada por Maurício Santana no fim de 2007. Ele conversava com um amigo que trabalhava na elaboração de legendas para deficientes auditivos (closed caption) na televisão. “Perguntei a ele se existia alguma ferramenta para que os deficientes visuais assistissem aos programas”, conta Santana. Ainda não era feito nada assim no Brasil, mas o empresário descobriu que já existiam empresas de audiodescrição em países como Espanha, Inglaterra e Estados Unidos.

Para assistir a um filme com audiodescrição, é preciso retirar na entrada do cinema fones de ouvido com receptor sem fio, semelhantes aos usados em eventos com tradução simultânea. O deficiente visual pode, então, perceber mais detalhes da obra. “Os diálogos podem ajudar na compreensão da história, mas há detalhes que passam despercebidos”, diz Santana. As primeiras cenas de Melancolia, por exemplo, são compostas apenas de imagens e música. A única voz ouvida é a do audiodescritor. Este é o trecho inicial do filme:

Tela escura. Aos poucos surge em primeiro plano, a imagem fechada do rosto de uma mulher jovem, de cabelos loiros, curtos e lisos. A cena em câmera lenta mostra-a abrindo os olhos. Ela tem o rosto sutilmente arredondado, lábios finos, olhos um pouco puxados e nariz reto, porém levemente abaulado na ponta. / Ao fundo as nuvens do céu são suavemente alaranjadas, de onde começam a cair mortas, algumas aves de rapina. / A imagem abre em plano geral de um enorme jardim gramado de frente para o mar. Ele é cercado nas laterais por pequenos pinheiros, alinhados longitudinalmente. Em primeiro plano há um grande relógio de Sol, com a base de pedra e o ponteiro de metal. Ao fundo a mulher gira uma criança pelos braços. O local parece estar em uma montanha, pois é cercado por floresta e rochas. / Imagem do quadro “Os caçadores na neve” de Pieter Bruegel. A pintura mostra uma cena de inverno no qual três caçadores cansados estão voltando de uma expedição mal sucedida, acompanhados pelos seus cães. A impressão visual do todo é de um dia frio e nublado. De repente, ainda em câmera lenta, surgem pequenas manchas negras sobre a tela, e a pintura começa a queimar.

Além da descrição visual das cenas, os filmes estrangeiros utilizam uma estratégia chamada voice over, que é uma espécie de leitura interpretada das legendas. Não é dublagem, já que é feita ao vivo e por apenas uma pessoa, que tem que acentuar a voz de maneira diferente para cada personagem. Por este motivo, todos os narradores da Iguale são atores. “A pessoa precisa saber quando mudar a entonação, quando falar mais lentamente”, afirma Santana.

Cena do filme Melancolia, de Lars von Trier

O fundador da Iguale explica por que a audiodescrição tem que ser feita ao vivo. “Queremos manter a maior sincronização possível com o filme”, afirma. “Os cinemas brasileiros ainda não são digitais, cada filme é projetado em uma velocidade diferente, o que pode comprometer o trabalho”. A presença de narradores no momento de exibição, de acordo com Santana, permite um encaixe melhor entre as falar e a ação na tela.

Leonardo Lazzari também participa da equipe que compõe roteiros de audiodescrição. Antes de elaborar o trabalho, eles precisam estudar a obra e escolher aspectos que devem ser ressaltados para a compreensão do deficiente visual. “Melancolia, por exemplo, é um filme com muito simbolismo”, afirma Lazzari. “Se não tivéssemos feito um trabalho de pesquisa, não poderíamos passar aos espectadores todas as referências a obras de arte feitas por Lars von Trier”. Para adaptar totalmente a obra cinematográfica à audiodescrição, foram investidas cerca de 30 horas de trabalho.

A sala da qual Lazzari narra o filme é semelhante às usadas em eventos que contam com tradução simultânea. Ao lado de uma mesa de som, ficam garrafas d’água sem gelo,  que são esvaziadas durante a exibição da obra. O cubículo fica em meio ao bar da parte dos fundos do CineSESC. Os visitantes não estranham a instalação, já que é o terceiro ano com audiodescrição no festival.

Para o narrador, o número de visitantes com deficiência visual tem aumentado ano a ano. “Eles costumam dizer que é a única época do ano em que podem ir ao cinema”, conta Lazzari. “Para nós, é muito bom ouvir este tipo de coisa”.

Além da audiodescrição, as sessões do festival têm uma opção para os deficientes auditivos. Em uma tela menor, abaixo da em que o filme é projetado, é exibida uma legenda no estilo closed caption. Uma pessoa, sentada na primeira fila, controla o momento em que as palavras serão exibidas. Grupos e instituições que desejarem conhecer o evento podem entrar em contato com o cinema para requisitar uma van de acesso ao local ou um pessoal de apoio para o trajeto do metrô Consolação até o CineSESC.

Serviço:
Festival SESC Melhores Filmes 2011
Até  29/4
CineSESC – R. Augusta, 2.075, Jardins, 3087-0500
Programação em www.sescsp.org.br/melhoresfilmes

(Com colaboração de Míriam Castro)

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O ator britânico Anthony Hopkins, 74 anos, está fazendo planos para diminuir o ritmo do cinema e se dedicar mais à música. E isso inclui uma apresentação em São Paulo, tratada ainda como sigilosa. Está em negociação uma apresentação do ator como regente da Orquestra Bachiana do SESI, inicialmente agendada para a primeira semana de setembro, na Sala São Paulo. Hopkins já atuou como regente algumas outras vezes.

Hopkins sempre teve aptidão pela música clássica. Começou a compor aos 6 anos de idade. Fã de Elgar e de Beethoven, ele era incentivado pela mãe, cujo maior sonho era que o garoto se tornasse um grande pianista. Seu caminho acabou se esbarrando no cinema, e o talento artístico contribuiu para que ele construísse uma carreira de sucesso, cujo auge foi atingido na década de 1990. Hopkins, vencedor do Oscar de melhor ator por “O Silêncio dos Inocentes” (1992), é um dos mais respeitados atores de Hollywood.

Anthony Hopkins, no entanto, nunca se desgarrou de suas raízes musicais. Quando dirigiu seu segundo filme (“August”, de 1996), chamou o compatriota George Fanton para compor a trilha. Fanton estava ocupado com outros projetos, mas topou ajudá-lo. No fim, o próprio Hopkins acabou compondo o tema do filme. Inicialmente chamada de “August”, a música foi mais tarde renomeada para “Margam”, em homenagem à sua cidade natal, no País de Gales. Em 2007, compôs mais uma para o cinema: “Schizoid Salsa” entrou na trilha sonora de “Slipstream”, também dirigido por ele.

Em janeiro deste ano, a Orquestra Sinfônica de Birmingham (Inglaterra) gravou nove de seus trabalhos originais e trilhas de filmes em um CD, lançado pela rádio britânica Classic FM. Uma das faixas é “Margam”. “Stella” é inspirada na mulher dele, que o convenceu a não desistir do hobby, e “Amerika” em sua terra adotiva, os Estados Unidos.

É provável que a oportunidade de tocar no Brasil tenha sido fruto de sua convivência com Fernando Meirelles, diretor brasileiro que trabalhou com Hopkins no longa “360″, previsto para estrear no país no dia 18 de maio. Meirelles reconhece o talento musical de seu protagonista. Tanto que o convidou a compor o tema de seu personagem. “Em uma tarde, ele foi a um estúdio em Londres e trouxe a peça pronta”, admira-se o diretor. Trata-se de uma obra para violão, tocada por ele mesmo – que revelou ser também um multi-instrumentista.

Apesar da inclinação cada vez mais musical, Fernando Meirelles acredita que Anthony Hopkins não irá largar tão cedo a carreira no cinema. “É assim que ele paga as contas”, afirma. “E, além disso, o camarada está bem consigo mesmo, feliz com a profissão”. Fernando Meirelles revela ainda outra faceta de Hopkins: ele também se arrisca na pintura. Confira a entrevista de Fernando Meirelles concedida por e-mail ao Blog do Curiocidade:

Você pode comentar um pouco sobre a experiência de trabalhar com Anthony Hopkins?
Sei que vai soar como resposta de concurso de miss, mas trabalhar com o Anthony Hopkins foi das melhores experiências que tive com um ator. O camarada está de bem consigo mesmo, feliz com a profissão. Às vezes, comentava: “Não é incrível que ainda tenha gente querendo filmar comigo? Que sorte eu tenho.” Uma pessoa feliz irradia esse clima e contamina o set. É um tremendo CB (sangue bom).

O que você sabe sobre a ligação de Anthony Hopkins com a música? É verdade que ele fala em deixar o cinema para se dedicar a essa antiga paixão?
Ele mora num casarão em Malibu, acho que precisa do cinema para pagar as contas. Mas, de fato, é compositor, rege e é um multi-instrumentista talentoso. Diz que, se não fosse ator, poderia ser concertista de piano e que se daria bem, pois seu nível é alto. Fora isso, ele pinta. Ele fez uma exposição em Honolulu no ano passado.

É verdade que Anthony Hopkins está vindo ao Brasil atuar como regente? Foi você quem o incentivou a tocar em São Paulo?
Quando soube que ele tinha essa ligação com a música, convidei-o para compor o tema de seu personagem em “360”, o que ele fez com prazer. Foi a um estúdio em Londres e numa tarde trouxe a peça pronta. É uma peça para violão, que ele mesmo tocou. Quanto a reger, já fez isso na Irlanda e na Áustria, mas não há planos para fazê-lo no Brasil.

(com a colaboração de Júlia Bezerra)

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Embora a reforma ortográfica da Língua Portuguesa ainda esteja embaralhando a cabeça de muita gente, é bom que o programador das máquinas de vendas de ingresso do Espaço Unibanco de Cinema, do Shopping Bourbon, saiba que sessão de cinema continua sendo escrita com dois esses.

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Assistir a um filme pelo parabrisas e transformar o banco do carro em espaço para, hum, namorar. Assim eram os autocines, que fizeram algum sucesso na cidade nos anos 1970 e 1980. Além dos filmes, os autocines ofereceriam também serviço de lanchonete. Para chamar o garçom, bastava acender a lanterna do carro. Mas o enredo do filme não era necessariamente o que atraia o público, que procurava esse tipo de estabelecimento com outra finalidade. Tanto que um dos costumes dos atendentes era dar uma “tossidinha” indiscreta antes de se aproximar dos carros, para evitar flagras picantes de casais dentro dos carros.

Tela de projeção do Snob's. (Foto: Oswaldo Palermo/AE)

Um dos mais famosos autocines de São Paulo foi o Chaparral, que ficava no número 2 000 da Avenida Condessa Elizabeth Robiano (Marginal Tietê, no bairro da Penha). No local, funciona hoje um posto de inspeção da Controlar. O Chaparral iniciou suas atividades em junho de 1971. Pertencia às famílias Ciongoli e Basile. A ideia foi de José Sante Ciongoli, que trabalhava como gerente em um cinema no bairro da Penha. Ele conheceu os autocines durante uma viagem aos Estados Unidos. De volta ao Brasil, fez a proposta ao amigo Nuncio Basile para abrirem um estabelecimento nos mesmos moldes. José entrou com a ideia e Nuncio, com o dinheiro. Os dois fecharam o acordo e chamaram os irmãos para entrar também na sociedade. O resultado foi que o negócio foi aberto com treze donos, sendo seis da família Basile e sete da Ciongoli. Nuncio faleceu em 2009, aos 75 anos, e José, em 2010, aos 80.

Nesio Carlos Costato Basile, que tem 82 anos e é irmão de Nuncio, conta que as famílias perderam contato depois do fim do Chaparral. Sobre o autocine, ele acredita que sabe qual foi a causa do fracasso do cinema: “As pessoas iam para namorar, mas meu irmão colocava um lanterninha que batia no vidro”, conta. “Ele não deixava namorar dentro do Chaparral, era para assistir ao filme. Então começou a perder a freguesia e fechou”, afirma ele. O Chaparral funcionou por apenas três anos, até 1974.

Embora tenha sido o mais famoso, o Chaparral não foi o primeiro autocine de São Paulo. Em 1968, foi inaugurado na Avenida Santo Amaro o Snob’s Auto Cine, o pioneiro da cidade, com capacidade para 260 carros. A entrada para os automóveis ficava na Rua 15 de Novembro, paralela à avenida. Havia campainhas para chamar os garçons, e os auto-falantes podiam ser instalados dentro dos carros para que os clientes controlassem o volume do som. A tela de projeção ficava fixada sobre uma parede feita de cimento armado, e tinha a altura de um prédio de 4 andares, com 8,5 metros de largura por 20 de comprimento. Era oferecido até um líquido especial para ser passado no parabrisas, com o objetivo de evitar que os vidros ficassem embaçados. O proprietário era o piloto Eduardo Selidônio, que conheceu o modelo de cinema ao ar livre nos Estados Unidos, em 1966. Lá, eram conhecidos como drive-in. Como Eduardo não gostava do nome, resolveu rebatizar com um termo mais brasileiro e definiu o Snob’s como um autocine. No livro Salas de Cinema em São Paulo, a autora Inimá Simões lembra que havia também mecânicos de plantão para atender a quem tivesse algum problema com o carro, além de uma área especial para acomodar clientes que chegassem a pé. O cinema funcionou até 1990.

Inauguração do Snob's (Arquivo Estado)

Depois do Snob’s veio o Moon Auto Cine , inaugurado em março de 1970 na Avenida Interlargos. Tinha capacidade para 350 carros. O proprietário era Mário Paes da Fonseca, falecido em 2000, aos 78 anos. Olívia Antunes da Fonseca, de 59 anos, viúva de Mário, conta que o marido gostava muito do trabalho no cinema. “Ele só falava bem dos filmes, da clientela”, lembra. O metalúrgico Claudio Borges, hoje com 59 anos, trabalhou como operador de filme e lanternina no Moon entre 1971 e 1975. Ele conta que Mário não se incomodava com o namoro dentro dos carros. “Ele deixava as pessoas à vontade”, afirma. Mesmo assim, os funcionários repreendiam quem namorava dentro do carro, e tinham uma razão especial para isso: ganhar uma “caixinha”. “A gente ficava passando, só para incomodar, e pedia um dinheirinho para deixar os casais em paz”, confessa.

Quem também passou por apuros no Moon foi a advogada Regina Suffi. Ela gosta de contar uma saia justa que teve que enfrentar nos anos 80. Ela conhecia alguns autocines de Nova York, onde os cinemas ao ar livre eram programa de família, e achou que os de São Paulo seriam parecidos. Resolveu, então, levar seus seis filhos para assistir a um filme e comer lanches com refrigerante no carro. Até que uma das crianças perguntou por que o casal do carro ao lado não prestava atenção no filme e estava ficando sem roupa. O passeio terminou e foram todos para o Parque do Ibirapuera.

Em 1976, o Moon Auto Cine virou o Motel Auto Moon. Ficava no mesmo endereço. Olívia conta que o marido achou que, como o lugar era conhecido dos casais, a mudança poderia fazer sucesso. Em 1980, Mário oficializou a união com Olívia, fechou o motel e comprou um sítio em Sorocaba (SP). Passou a alugar o espaço para festas. “Ele mudou de ramo porque tinha uma certa idade e queria descansar”, conta ela.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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O Cine Belas Artes, que desligou seus projetores em março passado, está com cara de prédio abandonado. A fachada do antigo cinema da Rua da Consolação está toda pichada. Algumas lâmpadas que ficam do lado de fora estão penduradas apenas pelos fios. Nem o letreiro escapou (veja na foto abaixo). Pessoas que trabalham por ali aproveitam o espaço abandonado para fumar na hora do almoço. Há também curiosos que espiam pelos vidros empoeirados, cobertos com plásticos e jornais velhos.  ”Estava só de passagem, mas parei para lamentar um pouco”, disse o músico Renato Vidal, em referência à perda do cinema. Mas o que vai funcionar no espaço abandonado? O imóvel não tem sinais de reforma, mas já teria um novo inquilino. Há um funcionário trabalhando no local como segurança. “É para não ficar abandonado”, explicou ele, que não quis se identificar. O segurança conta que foi contratado pela empresa que alugou o imóvel. Perguntado sobre o nome dessa empresa, ele responde apenas: “Aí não posso dizer porque me complica, né?”. Fábio Luchesi Filho, advogado do proprietário do imóvel, Flávio Maluf, nega que o lugar tenha um novo inquilino. Segundo ele, não há nenhuma novidade sobre o caso. O cineasta Andre Sturm, antigo dono do Belas Artes, não se conforma ainda com o fim do cinema: “Acho uma catástrofe que aquele imóvel vire qualquer outra coisa que não seja um cinema, independente do tipo de atividade”.

Fachada do Cine Belas Artes (Foto: Karina Trevizan/AE)

O Belas Artes não é o único cinema abandonado na cidade. Inaugurado em 1953 com uma sala de exibição com capacidade para 1.870 pessoas, o Marrocos, da Rua Conselheiro Crispiniano, no Centro, encerrou suas atividades em 1997. Em 2005, o endereço chegou a ser sondado pela Cinemark, que queria tranformar o espaço em um cinema multiplex, com cinco salas e som digital. Não deu certo. Na época, o diretor financeiro da Cinemark, Marcelo Bertini, declarou a O Estado de S. Paulo que, para fechar o negócio, faltava apenas “um patrocinador”. Vale lembrar que o Marrocos é tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp) desde 2009, o que impede que a arquitetura do imóvel sofra qualquer tipo de alteração. Hoje, o antigo Marrocos faz parte de um projeto da Secretaria Municipal de Cultura de restauração de cinemas antigos. A Prefeitura pretende transformar o local em um “teatro para concertos e peças”, como informou a secretaria em nota.

Foto da entrada do Cine Marrocos tirada em 1983 (Arquivo/AE)

Outros dois cinemas fazem parte do projeto. Um deles é o Ipiranga, localizado na avenida de mesmo nome, também no centro. O cinema foi inaugurado em 1943, e era administrado pela empresa Alvorada. Em 2005, encerrou suas atividades sem que a razão fosse revelada. A Prefeitura agora pretende revitalizar o espaço, também tombado pelo Conpresp em 2009, mantendo sua função de cinema. O espaço tem capacidade para  1,5 mil pessoas, com projeto original para apenas uma sala. O terceiro cinema do projeto da Secretaria de Cultura é o Art Palácio, na Avenida São João, que fica ao lado da Galeria do Rock. Inaugurado em 1936, o Art Palácio era o cinema em que o ator e diretor Mazzaropi costumava lançar todos os seus filmes, sempre no dia 25 de janeiro, aniversário da cidade de São Paulo. A decadência começou nos anos 80, quando o cinema passou a exibir filmes pornográficos. Agora, a intenção da prefeitura é transformar o local em um teatro musical.

Fachada do Art Palácio em 1954 (Foto: Antonio Aguillar/AE)

Ainda não há previsão para o início das obras de restauração dos cinemas, e também não foi calculado o custo do projeto. Segundo a nota da secretaria, “a desapropriação está em andamento. Por esse motivo, ainda não é possível precisar o investimento total na recuperação de cada um deles”.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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Lar de imigrantes e descendentes de italianos, judeus, coreanos, gregos e bolivianos, o bairro do Bom Retiro é o local escolhido para sediar o Cine Tela Brasil entre os dias 18 e 20 de agosto. Exatamente pela pluralidade de culturas, a região receberá o caminhão-cinema, que exibirá nove filmes produzidos no Brasil, em Israel, na Coreia e na Bolívia. Tudo em sessões gratuitas.

O Cine Tela Brasil foi idealizado por Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi (realizadores dos filmes  ”Bicho de Sete Cabeças”, “Chega de Saudade” e As Melhores Coisas do Mundo”) em 2004. É um cinema que percorre o Brasil com duas salas móveis: tendas com ar-condicionado, 225 cadeiras acolchoadas, som surround e tela de21 metros quadrados.

O projeto costuma exibir apenas filmes brasileiros.  Já foram exibidos 73 filmes nacionais a um público estimado em 850 mil pessoas. As sessões estrangeiras (com legendas) no Bom Retiro são uma exceção, por causa de uma parceria com o Centro de Cultura Judaica. Ah, a pipoca também é grátis! Confira a programação:

Dia 18/08 (quinta-feira)
14h00 – O ano em que meus pais saíram de férias (Brasil)
16h30 – Decolar (Coreia do Sul)
19h00 – Naomi (Israel)

Dia 19/08 (sexta-feira)
14h00 – Eu e meu guarda-chuva (Brasil)
16h30 – A casa da rua Taubkin (Israel)
19h00 – Hospital Obrero (Bolívia)

Dia 20/08 (sábado)
14h00 – São Paulo S.A. (Brasil)
16h30 – Zona Sur (Bolívia)
19h00 – The Host (Coreia)

Local
Praça Coronel Fernando Prestes, s/nº

(Com colaboração de Míriam Castro e foto de Carolina Bittencourt/Divulgação.)

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Já ouvi dizer que a pipoca representa hoje 30% do faturamento das grandes redes de cinema da Cidade. Não duvido, não! Os saquinhos pequenos já custam entre 6 e 7 reais – três vezes mais que em qualquer pipoqueiro. Bem, levar a pipoca de casa não é das tarefas mais simples. E muitos cinemas até impedem a entrada com “comida de fora”. Mas não é apenas a pipoca que é superfaturada. Os chocolates da bombonière também são duro de pagar. Um tablete do chocolate Batom, da Garoto, custa R$ 6,50 no Cinemark do Shopping Iguatemi. Dois andares abaixo, nas Lojas Americanas, o mesmo produto custa R$ 1,99. Existe uma explicação para tamanho abuso? Na bombonière do Espaço Unibanco, no Shopping Bourbon, o pote de Mini Bis sai por R$ 11 – o dobro do valor cobrado nos supermercados. E por aí vai…

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