Ao serem recepcionados no Bar do Nelson, em Santa Cecília, os visitantes acham que se trata de uma pegadinha de TV. É que quem dá as boas-vindas é o cantor cearense Markinhos Moura, que fez sucesso nos anos 1980 com as músicas “Meu Mel” e “Anjo Azul”. Ele trabalha no local há oito meses. E foi o próprio artista quem se candidatou à vaga. “Já éramos amigos antes, e o Markinhos me pediu um trabalho”, conta Lílian Gonçalves, filha do cantor Nelson Gonçalves e proprietária da casa. “Estava cansado de falsas promessas e pessoas inescrupulosas do meio”, diz Markinhos Moura.
De segunda a sábado, os clientes são recepcionados pelo cantor. “A maioria passa por mim normalmente, mas depois de alguns segundos reconhece meu rosto”, conta Markinhos. Dois meses após a contratação, ele passou a se apresentar no palco da casa. “Eu sabia que não daria para evitar os pedidos por muito tempo”. Às quintas, sextas e sábados, Markinhos Moura também apresenta um pocket-show. Canta músicas próprias e clássicos da MPB. O artista também faz parte das atrações do “Momento Nelson Gonçalves” – meia hora com músicas do Rei da Boêmia, que dá nome ao bar. No início de junho, ele também apresentará um show de humor, batizado de “Você dá o Tom”, em parceria com o comediante André Rangel, . “Vai ser um besteirol sobre os bastidores de um programa de televisão”, conta.
Serviço:
Bar do Nelson
R. Canuto do Val, 83, Santa Cecília, 3224-0586
(Com colaboração de Míriam Castro e foto de JF Diorio/AE)
No Twelve Bistrô, o australiano Greigor Caisley deu um jeito de incluir a cerveja em todas as etapas da refeição: a salada de frango leva molho feito com a bebida, assim como o picadinho e a coxinha de rabada. O destaque, no entanto, fica para as sobremesas que usam a cerveja como um de seus ingredientes. “Sou apaixonado por cervejas e quis passar esta obsessão aos clientes pelos pratos”, diz Caisley, que está no Brasil desde 2000.
O primeiro doce criado pelo chef, em 2004, foi o sorvete de Guinness. “A cerveja irlandesa tem um sabor de café e fundo caramelado que se destacam em doces, quando misturados ao açúcar”. O gelado acompanha o petit gâteau de chocolate (foto) e sai por R$ 14. Há também o pudim de pão com sorvete de cerveja belga Liefmans (R$ 14), que tem sabor de frutas vermelhas. Feito com a nacional Colorado Indica, o crème brûlée não está disponível todos os dias: é preciso confiar na sorte para provar o doce, que também custa R$ 14. Uma opção mais básica é o brigadeiro de cerveja escura, que sai por R$ 6.
A uma quadra dali, a cerveja escura também é usada no bolo mais famoso do Les Delices de Maya, de chocolate 70% cacau. A chef e proprietária do restaurante, Maya Midori, usava Guinness para fazer o quitute, que é vendido a R$ 60,00 o quilo. Agora, a cerveja usada é Xingu. A mistura de chocolate com bebida alcoólica é usada em todas as partes do bolo: massa, recheio cremoso e ganache. Maya garante que o sabor agrada até a quem não bebe cerveja: “Nem dá para perceber o gosto do álcool”, diz.
Serviço:
Twelve Bistrô
R. Simão Álvares, 1.018, Pinheiros, 3562-7550
Les Delices de Maya
R. Mourato Coelho, 1.044, Pinheiros, 3813-3498
(Com reportagem de Míriam Castro e foto de divulgação)
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A cerveja é uma das bebidas mais populares do mundo. Hoje há uma profusão de bares e restaurantes com extensas cartas de cervejas. Existe até uma competição para ver quem oferece a maior variedade de rótulos. Por isso, as cervejas artesanais passaram a ser muito cobiçadas. Produzidas por pequenas empresas em quantidades igualmente pequenas, essas cervejarias estão na mira de Gilberto Tarantino, diretor da Importadora Tarantino. Ele, que se define como um beer hunter, um caçador de loiras geladas, visitou, nos últimos três anos, 15 cidades do exterior à procura de novas marcas. O empreendedor conta ao Blog do Curiocidade mais detalhes sobre sua profissão:
Como é o trabalho de um beer hunter?
Um beer hunter é uma pessoa que, como eu, sai à caça de novos rótulos de cerveja pelo mundo. Pelo menos três vezes por ano, faço viagens ao exterior. Viajo procurando o que existe de melhor em outros países e importo para o Brasil. Procuro sempre trazer bebidas diferentes para cá. Não só no sabor, mas também na apresentação visual.
Já existem muitas pessoas fazendo esse trabalho?
Atualmente, no mercado brasileiro, existem 20, 30 importadoras que procuram novas marcas de cerveja. Talvez essas pessoas não tenham condições de viajar a cada três meses, como eu faço. Mas o trabalho de pesquisa também é feito por outras empresas no Brasil, principalmente pela internet.
Como você descobre essas marcas de cerveja estrangeiras?
A internet me ajuda bastante. Sempre procuro por menções a novas marcas. Meu colega Marcelo Carneiro, o homem que está à frente da Cervejaria Colorado, sempre participa de campeonatos internacionais de fabricantes de cervejas. Quando volta, ele me dá várias dicas de fabricantes que tiveram bom desempenho.
Não dá para resolver tudo pela internet?
Antes de ir, converso por e-mail com os fabricantes. Preciso saber se eles têm condições de exportar e se têm interesse em fazer isso. Muitas cervejarias são pequenas e não dão conta nem da produção para o mercado interno, o que dificultaria a venda para outros países. Chegando aos países, procuro visitar vários fabricantes. Na Itália, visitei cinco pequenas cervejarias. Tenho que provar a bebida e checar se há mesmo a possibilidade de exportação.
Você tem ideia de quantas marcas já provou em todas essas viagens?
É muita coisa. Em nossa importadora, trabalhamos com 15 cervejarias, cada uma com cerca de dez rótulos. Mas tem muita coisa que provamos e nem trouxemos para o Brasil. Eu diria que, por ano, devo experimentar pelo menos 200 tipos diferentes de cerveja.
Onde você encontrou as cervejas mais atraentes?
As cervejas americanas são diferentes das europeias, já que têm muito lúpulo, o que dá um sabor interessante. Só que é difícil trazê-las para o Brasil, já que quase toda a produção vai para o mercado interno. Em outras viagens, notei que as cervejarias italianas ficam em cidadelas com menos de mil habitantes. Parecem até cidades-fantasma. Mas a fama da bebida que produzem é tanta que, à noite, os bares lotam com “turistas de cerveja”. Algumas cervejarias até criaram pousadas para esses visitantes.
Se essas cervejas desconhecidas são tão boas, por que ninguém as tinha descoberto antes?
As cervejarias artesanais são muito pequenas e não têm divulgação. Além disso, o mercado brasileiro neste nicho tem crescido muito nos últimos anos, possibilitando maior investimento na área. Não queremos importar cervejas de produção em massa para concorrer com as principais fabricantes brasileiras, mas trazer opções premium aos consumidores.
Serviço:
Importadora Tarantino
3092-2337
(Com colaboração de Míriam Castro e foto de divulgação)
2012
2011