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Mais de 30 mil empregados. Um patrimônio que, em valores atualizados, ultrapassaria os 20 bilhões de dólares. Pouco mais de duzentas fábricas, que produziam os mais diversos produtos: sabonetes, banha de porco, farinha de trigo. Este era o tamanho dos empreendimentos da Família Matarazzo. Everton Calício pesquisa a história do clã italiano desde os 15 anos de idade. Coleciona todo tipo de notícia ou objeto que remeta às indústrias construídas por estes ítalo-brasileiros no início do século 20. Estas peças serão expostas na exposição ‘Fé, Honra, Trabalho‘, que abre amanhã (6) no Museu Histórico Municipal de São Caetano do Sul.

A iniciativa é uma parceria da Fundação Pró-Memória, de Calício, e da Secretaria Municipal de Cultura (Secult) de São Caetano do Sul. Entre os artigos expostos, estão louças da Cerâmica Matarazzo, conhecidas como Louças Cláudia, latas da margarina Matarazzo, dos biscoitos Petybon e do óleo de semente de algodão Sol Levante.

O pesquisador contribuiu com azulejos, produtos e edições da Matarazzo em Revista, órgão de comunicação interna dos empreendimentos. Alguns dos itens foram recolhidos durante a demolição de outras fábricas da família, como a unidade de São Caetano, que produzia tecido-não-tecido (TNT) para embalar sabonetes e encerrou as atividades em 2008. Nos escombros, Calício encontrou relatórios de produção da fábrica. Em outra ocasião, quando uma fábrica do Belenzinho foi demolida, ele recuperou plantas da Mansão Matarazzo, que ficava na Avenida Paulista.

Faz 100 anos que as Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo começaram a se instalar em São Caetano. Desde 2008, não há mais resquícios do conglomerado industrial por lá – a fábrica de TNT foi transferida para a região de Ermelino Matarazzo. “Cada vez que some uma fábrica Matarazzo, a história deles se esvai”, lamenta Calício.

Serviço:
Fé, Honra, Trabalho
De 6/12/2012 a 2/3/2013
9h/17h (fecha sáb. e dom.)
Museu Histórico Municipal
R. Maximiliano Lorenzini, 122, Bairro Fundação, S. Caetano do Sul
4229-1988
Grátis

(Com colaboração de Míriam Castro e foto de acervo pessoal/Everton Calício)

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Na última segunda-feira, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) tombou a fachada do antigo Cine Belas Artes, na Rua da Consolação. No entanto, a decisão não obriga o proprietário do imóvel, Flávio Maluf, a reabrir o imóvel como um cinema. É bem possível que, mesmo com a restrição a mudança na fachada, seja inaugurada ali uma loja. Mas a boa notícia é que existe uma chance de que o Belas Artes seja reaberto em uma galeria na Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros.

Antiga fachada do Belas Artes. Foto: Ernesto Rodrigues/AE

No número 1.020 da Teodoro Sampaio, fica uma galeria com diversas lanchonetes, como uma Subway, e um estacionamento. Nos fundos dessa galeria, há um prédio residencial e um teatro. Ou melhor, o espaço que deveria ser ocupado por um teatro. Ele começou a ser construído em 2004, junto com o prédio do Centro Empresarial Pinheiros. Era para ser chamado de “Teatro Benedito”, mas não vingou.

O espaço está completamente inacabado, ainda é quase um galpão. De acordo com a construtora responsável pelo prédio, quem alugar o espaço será responsável por todas as reformas necessárias. Três empresas já sondaram o imóvel nos últimos meses. Um dos  interessados parece ser André Sturm, dono do Belas Artes. Funcionários da galeria da Teodoro Sampaio até usam a provável vinda do cinema como um atrativo para atrair possíveis novos lojistas.

André Sturm não nega a informação, mas diz que nada está acertado. O que o proprietário do Belas Artes confirma é a intenção de reabrir o cinema. “Estamos estudando três endereços possíveis em São Paulo”, afirma. O teatro em Pinheiros é um deles. “Precisamos conferir se os espaços são adequados em questão de espaço e acessibilidade.” A inauguração, afirma Sturm, deve ficar para o segundo semestre de 2013.

Na Teodoro Sampaio ou em qualquer um dos outros endereços possíveis (que Sturm não revela), o dono do Belas Artes acredita que o público continuará grande, mesmo longe do circuito de cinemas da região da Paulista. “O Belas Artes era feito de paredes e recheio, ou seja, de ambiente e programação. Isto não vai ser alterado apenas por mudarmos o endereço”, diz.

(Com colaboração de Míriam Castro)

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Criar miniaturas dos monumentos históricos de São Paulo, como faz Maria Clara Fragoso, é um trabalho minucioso. “Faço paredinha por paredinha, tento reproduzir os mínimos detalhes”, afirma a artesã. Desde 1977, Maria Clara produz pequenas réplicas em cerâmica de prédios importantes da cidade, como o Mosteiro de São Bento, a Catedral da Sé e o Pátio do Colégio.

A ex-professora de Educação Física ainda guarda a primeira miniatura que elaborou: um Mosteiro de São Bento com cerca de 7 cm  de altura e 10 cm de comprimento. Ela fez a escultura a partir de um cartão postal que mostrava como era a região antigamente. Desde então, Maria Clara estima ter construído cerca de 200 réplicas.

Obra arquitetônica mais pedida, a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, cuja sede já foi um convento franciscano, pode ser encomendada com ou sem as famosas arcadas frontais. “Muitos advogados me procuram para reproduzir o prédio onde estudaram”, afirma Maria Clara.

Para criar parte das imagens, a artesã se inspira em cartões postais antigos, livros de História e aquarelas de José Wasth Rodrigues, artista que se especializou em representar o Brasil colonial. Como, antes de ir ao forno, as pequenas obras precisam secar, Maria Clara vira refém do clima. Em épocas frias, as peças podem demorar até vinte dias para ficarem prontas.

Serviço:
2258-1947

(Com colaboração de Míriam Castro e foto de Tiago Queiroz/AE)

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Com seus 50 andares e 170 metros de altura,  o Palácio W. Zarzur é o edifício mais alto de São Paulo – e do Brasil. Construído entre 1958 e 1966, no Vale do Anhangabaú, o prédio já mudou de nome duas vezes. Quando foi inaugurado, chamava-se Palácio Zarzur & Kogan. Depois, em 1985, passou a se chamar Mirante do Vale. Em 2010, ganhou o nome de Palácio W. Zarzur. Foi projetado por Waldomiro Zarzur, hoje com 90 anos. Descendente de libaneses, Zarzur nasceu em São Paulo e formou-se engenheiro pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Para mostrar as obras mais importantes de sua carreira, será inaugurada hoje a exposição “Waldomiro Zarzur, 63 anos construindo São Paulo”. São 31 fotos (incluindo um painel de 2,5 x 2 metros),  tiradas a partir da década de 1940, retratanto as principais construções assinadas por ele. O local escolhido foi o stand do Edifício Brasil, o projeto mais recente de Zarzur.

A ideia foi de Gisele Zarzur Maluf, filha de Waldomiro. “Durante todos esses anos, os engenheiros e arquitetos que viam as fotos de papai ficavam interessados em saber como as obras foram feitas”, conta ela. “Então, resolvemos fazer.” Foi necessário, no entanto, convencer Zarzur a expor o acervo pessoal. “Ele é uma pessoa muito discreta, não gosta muito de falar de si”, explica Gisele.

Para fazer a curadoria da exposição, a família convidou Maria Ruth Amaral de Sampaio, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Ela escreveu, há 2 anos, um livro (que não chegou a ser publicado) sobre a história de Zarzur. “Nesses 65 anos verticalizando a cidade, ele fez 300 edifícios”, diz Maria Ruth. “Nós escolhemos os principais. A exposição é uma mostra muito pequena da produção dele, porque o espaço é bastante restrito”.

Waldomiro Zarzur projetou outros edifícios importantes da cidade, como o Hospital Albert Einstein e o Velódromo de Ibirapuera (construído para os Jogos Pan-Americanos de 1963 no local em que funciona hoje o estádio de atletismo Ícaro de Castro Melo). Foi responsável também pela construção dos edifícios São Vito (inaugurado em 1953, ficou conhecido como “Treme-Treme”) e Mercúrio (inaugurado em 1952), ambos na Avenida do Estado. Os prédios foram demolidos este ano.

Veja abaixo algumas fotos que farão parte da exposição:

Palácio W Zarzur em construção

Vista do Vale do Anhangabaú antes da construção do Palácio W Zarzur. Na parte inferior, é possível reconhecer o viaduto Santa Ifigênia

Operários trabalham na construção da igreja Nossa Senhora do Paraíso, inaugurada em 1952.

Construção do Hospital Albert Einstein inaugurado em 1971

Edifício Racy, na avenida São João. A obra é de 1955

Serviço:
Waldomiro Zarzur, 63 anos construindo São Paulo
Edifício Brasil, R. Santo Antônio, 722, República.
Inauguração: 15/12, 19h.
Visitação: de 16/12 a 31/01 (exceto dias 24, 25 e 31/12 e 01/01)
2ª a 6ª, 8h/22h. Sáb., dom. e fer., até 23h.
Entrada gratuita

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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Assistir a um filme pelo parabrisas e transformar o banco do carro em espaço para, hum, namorar. Assim eram os autocines, que fizeram algum sucesso na cidade nos anos 1970 e 1980. Além dos filmes, os autocines ofereceriam também serviço de lanchonete. Para chamar o garçom, bastava acender a lanterna do carro. Mas o enredo do filme não era necessariamente o que atraia o público, que procurava esse tipo de estabelecimento com outra finalidade. Tanto que um dos costumes dos atendentes era dar uma “tossidinha” indiscreta antes de se aproximar dos carros, para evitar flagras picantes de casais dentro dos carros.

Tela de projeção do Snob's. (Foto: Oswaldo Palermo/AE)

Um dos mais famosos autocines de São Paulo foi o Chaparral, que ficava no número 2 000 da Avenida Condessa Elizabeth Robiano (Marginal Tietê, no bairro da Penha). No local, funciona hoje um posto de inspeção da Controlar. O Chaparral iniciou suas atividades em junho de 1971. Pertencia às famílias Ciongoli e Basile. A ideia foi de José Sante Ciongoli, que trabalhava como gerente em um cinema no bairro da Penha. Ele conheceu os autocines durante uma viagem aos Estados Unidos. De volta ao Brasil, fez a proposta ao amigo Nuncio Basile para abrirem um estabelecimento nos mesmos moldes. José entrou com a ideia e Nuncio, com o dinheiro. Os dois fecharam o acordo e chamaram os irmãos para entrar também na sociedade. O resultado foi que o negócio foi aberto com treze donos, sendo seis da família Basile e sete da Ciongoli. Nuncio faleceu em 2009, aos 75 anos, e José, em 2010, aos 80.

Nesio Carlos Costato Basile, que tem 82 anos e é irmão de Nuncio, conta que as famílias perderam contato depois do fim do Chaparral. Sobre o autocine, ele acredita que sabe qual foi a causa do fracasso do cinema: “As pessoas iam para namorar, mas meu irmão colocava um lanterninha que batia no vidro”, conta. “Ele não deixava namorar dentro do Chaparral, era para assistir ao filme. Então começou a perder a freguesia e fechou”, afirma ele. O Chaparral funcionou por apenas três anos, até 1974.

Embora tenha sido o mais famoso, o Chaparral não foi o primeiro autocine de São Paulo. Em 1968, foi inaugurado na Avenida Santo Amaro o Snob’s Auto Cine, o pioneiro da cidade, com capacidade para 260 carros. A entrada para os automóveis ficava na Rua 15 de Novembro, paralela à avenida. Havia campainhas para chamar os garçons, e os auto-falantes podiam ser instalados dentro dos carros para que os clientes controlassem o volume do som. A tela de projeção ficava fixada sobre uma parede feita de cimento armado, e tinha a altura de um prédio de 4 andares, com 8,5 metros de largura por 20 de comprimento. Era oferecido até um líquido especial para ser passado no parabrisas, com o objetivo de evitar que os vidros ficassem embaçados. O proprietário era o piloto Eduardo Selidônio, que conheceu o modelo de cinema ao ar livre nos Estados Unidos, em 1966. Lá, eram conhecidos como drive-in. Como Eduardo não gostava do nome, resolveu rebatizar com um termo mais brasileiro e definiu o Snob’s como um autocine. No livro Salas de Cinema em São Paulo, a autora Inimá Simões lembra que havia também mecânicos de plantão para atender a quem tivesse algum problema com o carro, além de uma área especial para acomodar clientes que chegassem a pé. O cinema funcionou até 1990.

Inauguração do Snob's (Arquivo Estado)

Depois do Snob’s veio o Moon Auto Cine , inaugurado em março de 1970 na Avenida Interlargos. Tinha capacidade para 350 carros. O proprietário era Mário Paes da Fonseca, falecido em 2000, aos 78 anos. Olívia Antunes da Fonseca, de 59 anos, viúva de Mário, conta que o marido gostava muito do trabalho no cinema. “Ele só falava bem dos filmes, da clientela”, lembra. O metalúrgico Claudio Borges, hoje com 59 anos, trabalhou como operador de filme e lanternina no Moon entre 1971 e 1975. Ele conta que Mário não se incomodava com o namoro dentro dos carros. “Ele deixava as pessoas à vontade”, afirma. Mesmo assim, os funcionários repreendiam quem namorava dentro do carro, e tinham uma razão especial para isso: ganhar uma “caixinha”. “A gente ficava passando, só para incomodar, e pedia um dinheirinho para deixar os casais em paz”, confessa.

Quem também passou por apuros no Moon foi a advogada Regina Suffi. Ela gosta de contar uma saia justa que teve que enfrentar nos anos 80. Ela conhecia alguns autocines de Nova York, onde os cinemas ao ar livre eram programa de família, e achou que os de São Paulo seriam parecidos. Resolveu, então, levar seus seis filhos para assistir a um filme e comer lanches com refrigerante no carro. Até que uma das crianças perguntou por que o casal do carro ao lado não prestava atenção no filme e estava ficando sem roupa. O passeio terminou e foram todos para o Parque do Ibirapuera.

Em 1976, o Moon Auto Cine virou o Motel Auto Moon. Ficava no mesmo endereço. Olívia conta que o marido achou que, como o lugar era conhecido dos casais, a mudança poderia fazer sucesso. Em 1980, Mário oficializou a união com Olívia, fechou o motel e comprou um sítio em Sorocaba (SP). Passou a alugar o espaço para festas. “Ele mudou de ramo porque tinha uma certa idade e queria descansar”, conta ela.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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No próximo dia 8, o Museu do Relógio Professor Dimas de Melo Pimenta lança o livro que que leva o nome da instituição. A obra reúne fotos e informações de 100 dos 600 relógios que fazem parte do acervo. O museu fica dentro da empresa Dimep, que fabrica relógios de ponto. É comandada por Dimas de Melo Pimenta II, que herdou do pai a empresa e a paixão por ponteiros. Neste ano, a Dimep completa 75 anos. Para comemorar a data, Dimas II decidiu lançar o livro com uma tiragem inicial de 1.500 exemplares, que será distribuída gratuitamente a convidados na noite de lançamento.

O Museu do Relógio é o único do gênero na América Latina. Estão expostos relógios fabricados a partir do século XVII. O mais antigo é um exemplar de prata de bolso fabricado em 1620 na Alemanha. Tem apenas o ponteiro de horas, já que o de minutos só foi incorporado aos relógios a partir de 1670. Há também alguns modelos curiosos, como o despertador que já prepara o café e o relógio em formato de flor instalado em um vaso.

O espaço foi fundando pelo professor e colecionador Dimas de Melo Pimenta. Ele começou sua coleção em 1950, com um relógio de bolso feito de prata comprado em Aparecida (SP). O acervo cresceu tanto que ele decidiu montar o museu, em 1954. O Blog do Curiocidade conversou sobre o lançamento com Dimas II, André Moura, historiador que ajudou a pesquisar dados para o livro, e Diego Scaglione, gerente de marketing da Dimep.

A que horas vai começar o lançamento?
Diego – Às 8 da noite.

Vai ser pontualmente às 8 da noite?
Diego – Pontualmente nesse horário.

Todos os relógios estão com o horário certo no museu?
Diego – Sim, e todos ajustados para o horário de verão.

Quanto tempo demorou para acertar todos os 600 relógios para o horário de verão? Quantas pessoas trabalham nisso?
Diego – Demoramos dois dias. São dois profissionais para isso. Eles fazem a manutenção do museu e nos ajudam a ajustar. Um ajusta o relógio atômico, que é o relógio mais preciso do mundo e precisa de atenção especial. O outro ajusta todos os demais.

Muitos relógios são de corda. Tem um funcionário que fica dando corda nos relógios todos os dias?
Diego – Não tem. Mas, todos os dias, o funcionário que cuida da manutenção entra no museu e dá uma revisada nos relógios.

Qual foi a parte mais difícil da produção do livro?
Dimas II – O levantamento da história de cada relógio.
André – Como historiador, procurei o significado e a importância de cada relógio para a época em que ele foi produzido.

Como foram escolhidos os 100 relógios que fariam parte do livro?
Dimas II – Entraram as peças mais importantes.
André – A intenção foi escolher uma variedade que mostrasse a importância dos relógios. Eram quase instrumentos que conferiam status. O museu não se caracteriza por ter as peças mais caras, mas conta a história do relógio como um item na própria sociedade.

Última pergunta: a que horas termina o evento?
Diego – A estimativa é que ele vai durar duas horas.

Serviço:

Museu do Relógio Profº Dimas de Melo Pimenta
Av. Mofarrej, 840, Vila Leopoldina, 3646-4000.

(Com colaboração de Karina Trevizan e fotos de divulgação)

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O famoso castelo da Rua Apa, na região central da cidade, finalmente recebeu autorização para ser restaurado. O imóvel foi tombado  em 2004. O projeto está sendo feito pelo arquiteto Paulo Bastos, que esperava apenas a autorização do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp). O sinal verde foi dado há duas semanas.  Bastos pretente derrubar a edícula, que tem cerca de 600 m², e construir uma nova. “Isso já foi aprovado pelo Conpresp, com uma exigência: fazer o projeto e a execução do restauro do castelinho”, conta. “Já o castelinho será mantido em sua forma original”.

Frente do casarão. (Foto: Paulo Liebert/AE)

O castelo foi construído em 1912 pela família do médico Vicente César dos Reis, que costumava dar muitas festas em casa para a sociedade paulistana. Em 12 de maio de 1932, dois meses depois da morte de Vicente, o casarão foi palco de um crime que chocou São Paulo. Álvaro, 45 anos, matou a tiros o irmãos novo, Armando, 43, a mãe, Maria Cândida, 73. Em seguida, se suicidou.  As circunstâncias do crime nunca foram esclarecidas. O que se dizia na época é que Álvaro queria abrir um ringue de patinação num imóvel da família alugado para o Cine Broadway. Armando era contra. Os herdeiros da família disputaram o casarão, mas o imóvel se tornou propriedade da União em 1987. Desde então, o imóvel não passou por nenhuma reforma. Em 1996,  a ONG Mães do Brasil foi autorizada a ocupar o imóvel. A ONG, no entanto, utiliza apenas a edícula.

Projeto do arquiteto Paulo Bastos para restaurar as formas originais da fachada do castelinho. Na imagem, a frente do imóvel.

Projeto para a lateral do castelinho. (Fotos: dilvulgação)

Para o castelinho, que tem entre 600 e 700 m², o arquiteto planeja começar pela restauração da fachada e do telhado para, depois, partir para a parte interna. “Com isso, a gente avança na proteção das paredes remanescentes e também na consolidação, porque o telhado estabiliza as paredes”, explica Bastos.

Enquanto o trabalho de restauração da parte externa é feito, Bastos irá precisar contratar um historiador para fazer uma pesquisa sobre o interior do imóvel. “Não tem mais piso, e só há vestígios do assoalho”, aponta. “Tudo vai depender do levantamento histórico. Precisamos de documentação para saber como eram os pisos, os forros. Não tem mais nada disso. O crime que aconteceu na casa pode ajudar. Um dos elementos da pesquisa serão os arquivos policiais.  As fotografias dos corpos, por mais mórbido que possa parecer, vão nos mostrar como era o piso”.

Interior do casarão. (Foto: Milton Kaor Nishida Junior/divulgação)

(Foto: Paulo Liebert/AE)

As obras, orçadas em R$ 5 milhões, ainda não foram iniciadas. Há apenas uma cobertura com lonas plásticas e tecido para conservação das paredes. Também foi retirado, com autorização da prefeitura, um abacateiro que ficava ao lado do castelinho. As raízes dá árvore estavam comprometendo o imóvel. A Mães do Brasil continua usando a edícula para seu trabalho, que inclui auxílio a moradores de rua e usuários de droga – alimentação, higiene e oficinas de artesanato. A itenção é transformar o “castelinho” em um espaço onde os beneficiados pela ONG possam expor seus trabalhos de artesanato.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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A tumultuada saída do bibliófilo Pedro Correia do Lago da presidência da Fundação Biblioteca Nacional em 2005 coincidiu também com o fechamento de sua loja de mapas, cartas e livros históricos, a Ilustrata,  no bairro do Itaim Bibi. A loja física não existe mais, só que Lago continua vendendo as peças para clientes que pedem pelos produtos. “Decoradores, amigos e colecionadores me procuram quando estão querendo alguma gravura especial, algo que não seja uma reprodução vendida em qualquer lugar”, diz ele, que é neto do diplomata Oswaldo Aranha. “A loja foi fechada porque não precisávamos de um espaço tão grande. Os clientes já nos conheciam e pediam tudo por telefone, iam muito pouco à loja”. O antigo endereço ocupava um espaço de 250 m², onde funciona atualmente uma agência bancária. Hoje, Lago usa duas casas particulares como depósito, uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro. Outra parte do acervo fica em uma loja de 50 m², também no Itaim Bibi, que só recebe clientes com hora marcada.

Entre os itens raros à venda estão mapas do século XVI, gravuras da arte brasileira e internacional e fotografias antigas originais. “Qualquer um pode nos procurar e comprar”, afirma o colecionador. “Mas, de certa forma, a Ilustrata é hoje um segredo bem guardado entre decoradores e colecionadores”.

Lago não sabe dizer quantos itens tem em sua coleção de  gravuras, livros, cartas, fotografias. “Se eu disser um número, vai parecer uma loucura”, afirma. “Essas coisas não se quantificam. Mas é talvez a maior coleção privada do Brasil”. Depois de deixar a Fundação Biblioteca Nacional,  Lago continuou se dedicando à edição de livros em sua editora, a Capivara. O último lançamento de sua autoria foi “Brasiliana Itaú, uma grande coleção dedicada ao Brasil”, em 2009. O livro traz cerca de 2.500 imagens sobre arte no Brasil. O material deu origem a uma exposição, que esteve em cartaz na Pinacoteca do Estado em 2010, com curadoria do próprio Lago. A Brasiliana Itaú também já passou por Belo Horizonte, Fortaleza, Brasília e pelo Rio de Janeiro. O próximo destino é Curitiba. Lago conta que, depois de terminar a itinerância, a exposição se tornará parte do acervo permanente do Itaú Cultural, em São Paulo.

Serviço:
Ilustrata – R. João Cachoreira, 233, loja 6, Itaim-Bibi. Somente com hora marcada: (11) 3085-5475.

(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de Gianne Carvalho/AE)

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Ao meio-dia de 25 de março de 1988, a Praça Ragueb Chohfi, onde se inicia a Ladeira Porto Geral, era palco de uma festa com toda a pompa para receber um novo monumento, feito de bronze e granito. O alvoroço era para inaugurar o Monumento à Amizade Sírio Libanês. A inauguração contou com marcha de soldados e a presença de vários políticos. Entre eles, o então secretário de Nogócios, Cláudio Lembo, que estava representando o prefeito Jânio Quadros. O local escolhido foi a praça que ganhou o nome de um dos primeiros comerciantes da região da Rua 25 de Março. Nascido na Síria, Ragueb Chohfi (1892-1983) chegou ao Brasil em 1904, onde trabalhou como vendedor por 18 anos, até que abriu uma pequena loja na 25 de Março, em 1922.

Hoje, a situação do Monumento à Amizade Sírio Libanês, inaugurado com tanta euforia na Ragueb Chohfi, é bem diferente. O monumento, que conta com símbolos e figuras humanas, está detonado. Algumas partes dos personagens, como braços e pernas, foram roubados. “O último roubo foi de uma cabeça. A Prefeitura não repõe, diz que desconhece o assunto”, reclama Lourenço Chohfi, de 86 anos, o primeiro filho de Ragueb. Mesmo assim, ele conta com orgulho que sua família é responsável pelo entorno do monumento. “Vamos cuidando, na medida do possível, da limpeza ao redor e do jardim”, diz ele. Segundo a Secretaria de Cultura da Prefeitura, a limpeza do monumento é feita somente a cada três meses, para não danificar a peça. No entanto, não existe nenhuma previsão de restauro e reposição das partes que estão faltando. Não foi feito sequer o diagnóstico do que é necessário fazer para revitalizar a obra.

O Monumento à Amizade Sírio Libanês é de autoria do artista italiano Ettore Ximenes, que fez a escultura sob encomenda da comunidade sírio-libanesa de São Paulo. No topo do monumento, há três figuras humanas em tamanho natural: uma mulher que representa a República brasileira e uma moça síria fazendo oferenda a um guerreiro indígena brasileiro. Na parte inferior, o artista esculpiu um barco com homens fenícios, que representa o comércio. Também há figuras representando a descoberta das Ilhas Canárias por Haitam I e o ensino do alfabeto, além da penetração árabe no Brasil. A primeira inauguração aconteceu em 1928, no Parque Dom Pedro. O monumento ficava em frente ao Palácio das Indústrias. Mudou-se para a Praça Ragueb Chohfi por decisão do prefeito Jânio Quadros, atendendo a um pedido da Univinco (União dos Lojistas da 25 de Março).

Ragueb Chohfi se destacou no ramo do comércio quando abriu a Tecidos Ragueb Chohfi, na mesma rua 25 de Março, em 1922. A crise de 1929 abalou seus negócios, mas o imigrante conseguiu se reerguer. Em 1955, passou o comando de seus negócios aos filhos Lourenço, Raul e Nagib, que hoje comandam a Companhia Têxtil Ragueb Chohfi e a Ragueb Chohfi Empreendimentos Imobiliários.

Membro ativo da comunidade sírio-libanesa, Ragueb foi presidente da Câmara de Comércio Sírio-Brasileira, um dos fundadores do Club Homs, do Esporte Clube Sírio e conselheiro do Lar Beneficente Sírio. Faleceu no dia 15 de outubro de 1983, aos 91 anos de idade.

(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de José Luís da Conceição/AE)

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A edição de hoje do Divirta-se traz uma reportagem especial sobre os melhores sebos da cidade. Além de atender quem está querendo comprar livros usados, os sebos recebem muitas pessoas que desejam se desfazer de livros antigos. Um livro muito antigo pode parecer um verdadeiro tesouro, mas a coisa não funciona bem assim. César Potério, do Sebo Fênix, explica que, para um livro ser valioso, não basta ser antigo. “O que pode tornar um livro valioso seria alguma dedicatória de uma personalidade importante ou ilustrações de um artista conhecido”, completa. Ele cita como exemplo o livro Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, que pode ser comprado no sebo por R$ 5. Mas ele vende ali também  uma edição especial, que tem ilustrações do desenhista Gustave Doré, por R$ 200. Outro exemplo é o livro Clínica Médica, do ano de 1870, escrito por Torres Homem. O livro sobre Medicina está desatualizado e não tem mais nenhuma utilidade acadêmica, mas custa R$ 600. O motivo é que há uma dedicatória escrita à mão por Torres Homem oferecendo o exemplar para o imperador D. Pedro II. “Um colecionador compra um livro por causa desse tipo de detalhe”, diz Potério.

 

(Foto: Marcio Fernandes / AE)

Gilvaldo Amaral Santos, especialista em venda de livros antigos pela internet, tem a mesma opinião. “Não podemos confundir livro velho com livro raro”, afirma. “Ele  precisa ter alguma coisa especial para ter algum valor”. Gilvaldo também recomenda que, antes de levar a obra para ser avaliada, o ideal é fazer uma pesquisa na internet para saber se já há exemplares da mesma época à venda e, assim, ter noção de quanto ele vale. O Blog do Curiocidade fez a pesquisa pelo site Estante Virtual com o livro Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões. A variação de preços é grande. Há uma edição de 1882 que custa R$ 40. A descrição informa que as páginas estão amareladas, mas ainda é possível ver escrito o nome do antigo dono do livro e o retrato do autor feito com lápis de cor. Há também uma edição de 1898 que custa R$ 2 mil. Algumas páginas foram danificadas por cupins, mas o livro faz parte de uma edição comemorativa do quarto centenário do descobrimento da Índia, com direito a ilustrações especiais e letras ornamentadas. Outra opção é uma edição de 1880. O livro é o exemplar de número 113 da edição de Tito de Noronha, de 314 unidades. O que valoriza o exemplar é uma anotação assinada por Teófilo Braga. Noronha e Braga se destacam na história da Literatura por causa da discussão sobre qual versão de Os Lusíadas é de fato  escrita por Camões. O preço do livro assinado por eles: R$ 15,9 mil.

O caçador de raridades

 

Foto: Andre Lessa/AE

Edgar Luiz de Brarros,  54 anos, é historiador, escritor e perito de bens colecionáveis. Ele, que é membro da Associação dos Peritos Judiciais do Estado de São Paulo (APEJESP), faz avaliações de casos criminais e também extrajudiciais, como avaliação para seguros e auxílio na compra e venda de itens raros. Barros conta que já encontrou muitas raridades sendo vendidas em sebos a preço de banana. “Já achei um exemplar da revista Tico Tico, da década de 1920, à venda por R$ 1. Isso vale, no mínimo, R$ 300″, conta o perito. Um caso parecido aconteceu com uma família que queria vender uma coleção de livros por R$ 300. Barros encontrou entre as publicações um exemplar raro de Narizinho Arrebitado – Segundo Livro de Leitura para uso das Escolas Primárias, publicado em 1921 por Monteiro Lobato. “Um único livro poderia ser vendido por  R$ 1,6 mil”, afirma. Barros faz avaliação para a compra e venda de itens raros. Para fazer um laudo, cobra R$ 150 por hora de trabalho.  O perito também é colecionador, mas não vende nenhuma das raridades que arremata. “Não tenho dúvidas de que seria um bom negócio, mas eu não me dedico a isso”.

Serviço:
Sebo Fênix – Avenida Lins de Vasconcelos, 3228; Vila Mariana; 5082-1536
Edgar Luiz de Brarros – 5579-1103

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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