Com seus 50 andares e 170 metros de altura, o Palácio W. Zarzur é o edifício mais alto de São Paulo – e do Brasil. Construído entre 1958 e 1966, no Vale do Anhangabaú, o prédio já mudou de nome duas vezes. Quando foi inaugurado, chamava-se Palácio Zarzur & Kogan. Depois, em 1985, passou a se chamar Mirante do Vale. Em 2010, ganhou o nome de Palácio W. Zarzur. Foi projetado por Waldomiro Zarzur, hoje com 90 anos. Descendente de libaneses, Zarzur nasceu em São Paulo e formou-se engenheiro pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Para mostrar as obras mais importantes de sua carreira, será inaugurada hoje a exposição “Waldomiro Zarzur, 63 anos construindo São Paulo”. São 31 fotos (incluindo um painel de 2,5 x 2 metros), tiradas a partir da década de 1940, retratanto as principais construções assinadas por ele. O local escolhido foi o stand do Edifício Brasil, o projeto mais recente de Zarzur.
A ideia foi de Gisele Zarzur Maluf, filha de Waldomiro. “Durante todos esses anos, os engenheiros e arquitetos que viam as fotos de papai ficavam interessados em saber como as obras foram feitas”, conta ela. “Então, resolvemos fazer.” Foi necessário, no entanto, convencer Zarzur a expor o acervo pessoal. “Ele é uma pessoa muito discreta, não gosta muito de falar de si”, explica Gisele.
Para fazer a curadoria da exposição, a família convidou Maria Ruth Amaral de Sampaio, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Ela escreveu, há 2 anos, um livro (que não chegou a ser publicado) sobre a história de Zarzur. “Nesses 65 anos verticalizando a cidade, ele fez 300 edifícios”, diz Maria Ruth. “Nós escolhemos os principais. A exposição é uma mostra muito pequena da produção dele, porque o espaço é bastante restrito”.
Waldomiro Zarzur projetou outros edifícios importantes da cidade, como o Hospital Albert Einstein e o Velódromo de Ibirapuera (construído para os Jogos Pan-Americanos de 1963 no local em que funciona hoje o estádio de atletismo Ícaro de Castro Melo). Foi responsável também pela construção dos edifícios São Vito (inaugurado em 1953, ficou conhecido como “Treme-Treme”) e Mercúrio (inaugurado em 1952), ambos na Avenida do Estado. Os prédios foram demolidos este ano.
Veja abaixo algumas fotos que farão parte da exposição:

Vista do Vale do Anhangabaú antes da construção do Palácio W Zarzur. Na parte inferior, é possível reconhecer o viaduto Santa Ifigênia
Serviço:
Waldomiro Zarzur, 63 anos construindo São Paulo
Edifício Brasil, R. Santo Antônio, 722, República.
Inauguração: 15/12, 19h.
Visitação: de 16/12 a 31/01 (exceto dias 24, 25 e 31/12 e 01/01)
2ª a 6ª, 8h/22h. Sáb., dom. e fer., até 23h.
Entrada gratuita
(Com colaboração de Karina Trevizan)
Assistir a um filme pelo parabrisas e transformar o banco do carro em espaço para, hum, namorar. Assim eram os autocines, que fizeram algum sucesso na cidade nos anos 1970 e 1980. Além dos filmes, os autocines ofereceriam também serviço de lanchonete. Para chamar o garçom, bastava acender a lanterna do carro. Mas o enredo do filme não era necessariamente o que atraia o público, que procurava esse tipo de estabelecimento com outra finalidade. Tanto que um dos costumes dos atendentes era dar uma “tossidinha” indiscreta antes de se aproximar dos carros, para evitar flagras picantes de casais dentro dos carros.
Um dos mais famosos autocines de São Paulo foi o Chaparral, que ficava no número 2 000 da Avenida Condessa Elizabeth Robiano (Marginal Tietê, no bairro da Penha). No local, funciona hoje um posto de inspeção da Controlar. O Chaparral iniciou suas atividades em junho de 1971. Pertencia às famílias Ciongoli e Basile. A ideia foi de José Sante Ciongoli, que trabalhava como gerente em um cinema no bairro da Penha. Ele conheceu os autocines durante uma viagem aos Estados Unidos. De volta ao Brasil, fez a proposta ao amigo Nuncio Basile para abrirem um estabelecimento nos mesmos moldes. José entrou com a ideia e Nuncio, com o dinheiro. Os dois fecharam o acordo e chamaram os irmãos para entrar também na sociedade. O resultado foi que o negócio foi aberto com treze donos, sendo seis da família Basile e sete da Ciongoli. Nuncio faleceu em 2009, aos 75 anos, e José, em 2010, aos 80.
Nesio Carlos Costato Basile, que tem 82 anos e é irmão de Nuncio, conta que as famílias perderam contato depois do fim do Chaparral. Sobre o autocine, ele acredita que sabe qual foi a causa do fracasso do cinema: “As pessoas iam para namorar, mas meu irmão colocava um lanterninha que batia no vidro”, conta. “Ele não deixava namorar dentro do Chaparral, era para assistir ao filme. Então começou a perder a freguesia e fechou”, afirma ele. O Chaparral funcionou por apenas três anos, até 1974.
Embora tenha sido o mais famoso, o Chaparral não foi o primeiro autocine de São Paulo. Em 1968, foi inaugurado na Avenida Santo Amaro o Snob’s Auto Cine, o pioneiro da cidade, com capacidade para 260 carros. A entrada para os automóveis ficava na Rua 15 de Novembro, paralela à avenida. Havia campainhas para chamar os garçons, e os auto-falantes podiam ser instalados dentro dos carros para que os clientes controlassem o volume do som. A tela de projeção ficava fixada sobre uma parede feita de cimento armado, e tinha a altura de um prédio de 4 andares, com 8,5 metros de largura por 20 de comprimento. Era oferecido até um líquido especial para ser passado no parabrisas, com o objetivo de evitar que os vidros ficassem embaçados. O proprietário era o piloto Eduardo Selidônio, que conheceu o modelo de cinema ao ar livre nos Estados Unidos, em 1966. Lá, eram conhecidos como drive-in. Como Eduardo não gostava do nome, resolveu rebatizar com um termo mais brasileiro e definiu o Snob’s como um autocine. No livro Salas de Cinema em São Paulo, a autora Inimá Simões lembra que havia também mecânicos de plantão para atender a quem tivesse algum problema com o carro, além de uma área especial para acomodar clientes que chegassem a pé. O cinema funcionou até 1990.
Depois do Snob’s veio o Moon Auto Cine , inaugurado em março de 1970 na Avenida Interlargos. Tinha capacidade para 350 carros. O proprietário era Mário Paes da Fonseca, falecido em 2000, aos 78 anos. Olívia Antunes da Fonseca, de 59 anos, viúva de Mário, conta que o marido gostava muito do trabalho no cinema. “Ele só falava bem dos filmes, da clientela”, lembra. O metalúrgico Claudio Borges, hoje com 59 anos, trabalhou como operador de filme e lanternina no Moon entre 1971 e 1975. Ele conta que Mário não se incomodava com o namoro dentro dos carros. “Ele deixava as pessoas à vontade”, afirma. Mesmo assim, os funcionários repreendiam quem namorava dentro do carro, e tinham uma razão especial para isso: ganhar uma “caixinha”. “A gente ficava passando, só para incomodar, e pedia um dinheirinho para deixar os casais em paz”, confessa.
Quem também passou por apuros no Moon foi a advogada Regina Suffi. Ela gosta de contar uma saia justa que teve que enfrentar nos anos 80. Ela conhecia alguns autocines de Nova York, onde os cinemas ao ar livre eram programa de família, e achou que os de São Paulo seriam parecidos. Resolveu, então, levar seus seis filhos para assistir a um filme e comer lanches com refrigerante no carro. Até que uma das crianças perguntou por que o casal do carro ao lado não prestava atenção no filme e estava ficando sem roupa. O passeio terminou e foram todos para o Parque do Ibirapuera.
Em 1976, o Moon Auto Cine virou o Motel Auto Moon. Ficava no mesmo endereço. Olívia conta que o marido achou que, como o lugar era conhecido dos casais, a mudança poderia fazer sucesso. Em 1980, Mário oficializou a união com Olívia, fechou o motel e comprou um sítio em Sorocaba (SP). Passou a alugar o espaço para festas. “Ele mudou de ramo porque tinha uma certa idade e queria descansar”, conta ela.
(Com colaboração de Karina Trevizan)
No próximo dia 8, o Museu do Relógio Professor Dimas de Melo Pimenta lança o livro que que leva o nome da instituição. A obra reúne fotos e informações de 100 dos 600 relógios que fazem parte do acervo. O museu fica dentro da empresa Dimep, que fabrica relógios de ponto. É comandada por Dimas de Melo Pimenta II, que herdou do pai a empresa e a paixão por ponteiros. Neste ano, a Dimep completa 75 anos. Para comemorar a data, Dimas II decidiu lançar o livro com uma tiragem inicial de 1.500 exemplares, que será distribuída gratuitamente a convidados na noite de lançamento.
O Museu do Relógio é o único do gênero na América Latina. Estão expostos relógios fabricados a partir do século XVII. O mais antigo é um exemplar de prata de bolso fabricado em 1620 na Alemanha. Tem apenas o ponteiro de horas, já que o de minutos só foi incorporado aos relógios a partir de 1670. Há também alguns modelos curiosos, como o despertador que já prepara o café e o relógio em formato de flor instalado em um vaso.
O espaço foi fundando pelo professor e colecionador Dimas de Melo Pimenta. Ele começou sua coleção em 1950, com um relógio de bolso feito de prata comprado em Aparecida (SP). O acervo cresceu tanto que ele decidiu montar o museu, em 1954. O Blog do Curiocidade conversou sobre o lançamento com Dimas II, André Moura, historiador que ajudou a pesquisar dados para o livro, e Diego Scaglione, gerente de marketing da Dimep.
A que horas vai começar o lançamento?
Diego – Às 8 da noite.
Vai ser pontualmente às 8 da noite?
Diego – Pontualmente nesse horário.
Todos os relógios estão com o horário certo no museu?
Diego – Sim, e todos ajustados para o horário de verão.
Quanto tempo demorou para acertar todos os 600 relógios para o horário de verão? Quantas pessoas trabalham nisso?
Diego – Demoramos dois dias. São dois profissionais para isso. Eles fazem a manutenção do museu e nos ajudam a ajustar. Um ajusta o relógio atômico, que é o relógio mais preciso do mundo e precisa de atenção especial. O outro ajusta todos os demais.
Muitos relógios são de corda. Tem um funcionário que fica dando corda nos relógios todos os dias?
Diego – Não tem. Mas, todos os dias, o funcionário que cuida da manutenção entra no museu e dá uma revisada nos relógios.
Qual foi a parte mais difícil da produção do livro?
Dimas II – O levantamento da história de cada relógio.
André – Como historiador, procurei o significado e a importância de cada relógio para a época em que ele foi produzido.
Como foram escolhidos os 100 relógios que fariam parte do livro?
Dimas II – Entraram as peças mais importantes.
André – A intenção foi escolher uma variedade que mostrasse a importância dos relógios. Eram quase instrumentos que conferiam status. O museu não se caracteriza por ter as peças mais caras, mas conta a história do relógio como um item na própria sociedade.
Última pergunta: a que horas termina o evento?
Diego – A estimativa é que ele vai durar duas horas.
Serviço:
Museu do Relógio Profº Dimas de Melo Pimenta
Av. Mofarrej, 840, Vila Leopoldina, 3646-4000.
(Com colaboração de Karina Trevizan e fotos de divulgação)
O famoso castelo da Rua Apa, na região central da cidade, finalmente recebeu autorização para ser restaurado. O imóvel foi tombado em 2004. O projeto está sendo feito pelo arquiteto Paulo Bastos, que esperava apenas a autorização do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp). O sinal verde foi dado há duas semanas. Bastos pretente derrubar a edícula, que tem cerca de 600 m², e construir uma nova. “Isso já foi aprovado pelo Conpresp, com uma exigência: fazer o projeto e a execução do restauro do castelinho”, conta. “Já o castelinho será mantido em sua forma original”.
O castelo foi construído em 1912 pela família do médico Vicente César dos Reis, que costumava dar muitas festas em casa para a sociedade paulistana. Em 12 de maio de 1932, dois meses depois da morte de Vicente, o casarão foi palco de um crime que chocou São Paulo. Álvaro, 45 anos, matou a tiros o irmãos novo, Armando, 43, a mãe, Maria Cândida, 73. Em seguida, se suicidou. As circunstâncias do crime nunca foram esclarecidas. O que se dizia na época é que Álvaro queria abrir um ringue de patinação num imóvel da família alugado para o Cine Broadway. Armando era contra. Os herdeiros da família disputaram o casarão, mas o imóvel se tornou propriedade da União em 1987. Desde então, o imóvel não passou por nenhuma reforma. Em 1996, a ONG Mães do Brasil foi autorizada a ocupar o imóvel. A ONG, no entanto, utiliza apenas a edícula.

Projeto do arquiteto Paulo Bastos para restaurar as formas originais da fachada do castelinho. Na imagem, a frente do imóvel.
Para o castelinho, que tem entre 600 e 700 m², o arquiteto planeja começar pela restauração da fachada e do telhado para, depois, partir para a parte interna. “Com isso, a gente avança na proteção das paredes remanescentes e também na consolidação, porque o telhado estabiliza as paredes”, explica Bastos.
Enquanto o trabalho de restauração da parte externa é feito, Bastos irá precisar contratar um historiador para fazer uma pesquisa sobre o interior do imóvel. “Não tem mais piso, e só há vestígios do assoalho”, aponta. “Tudo vai depender do levantamento histórico. Precisamos de documentação para saber como eram os pisos, os forros. Não tem mais nada disso. O crime que aconteceu na casa pode ajudar. Um dos elementos da pesquisa serão os arquivos policiais. As fotografias dos corpos, por mais mórbido que possa parecer, vão nos mostrar como era o piso”.
As obras, orçadas em R$ 5 milhões, ainda não foram iniciadas. Há apenas uma cobertura com lonas plásticas e tecido para conservação das paredes. Também foi retirado, com autorização da prefeitura, um abacateiro que ficava ao lado do castelinho. As raízes dá árvore estavam comprometendo o imóvel. A Mães do Brasil continua usando a edícula para seu trabalho, que inclui auxílio a moradores de rua e usuários de droga – alimentação, higiene e oficinas de artesanato. A itenção é transformar o “castelinho” em um espaço onde os beneficiados pela ONG possam expor seus trabalhos de artesanato.
(Com colaboração de Karina Trevizan)
A tumultuada saída do bibliófilo Pedro Correia do Lago da presidência da Fundação Biblioteca Nacional em 2005 coincidiu também com o fechamento de sua loja de mapas, cartas e livros históricos, a Ilustrata, no bairro do Itaim Bibi. A loja física não existe mais, só que Lago continua vendendo as peças para clientes que pedem pelos produtos. “Decoradores, amigos e colecionadores me procuram quando estão querendo alguma gravura especial, algo que não seja uma reprodução vendida em qualquer lugar”, diz ele, que é neto do diplomata Oswaldo Aranha. “A loja foi fechada porque não precisávamos de um espaço tão grande. Os clientes já nos conheciam e pediam tudo por telefone, iam muito pouco à loja”. O antigo endereço ocupava um espaço de 250 m², onde funciona atualmente uma agência bancária. Hoje, Lago usa duas casas particulares como depósito, uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro. Outra parte do acervo fica em uma loja de 50 m², também no Itaim Bibi, que só recebe clientes com hora marcada.
Entre os itens raros à venda estão mapas do século XVI, gravuras da arte brasileira e internacional e fotografias antigas originais. “Qualquer um pode nos procurar e comprar”, afirma o colecionador. “Mas, de certa forma, a Ilustrata é hoje um segredo bem guardado entre decoradores e colecionadores”.
Lago não sabe dizer quantos itens tem em sua coleção de gravuras, livros, cartas, fotografias. “Se eu disser um número, vai parecer uma loucura”, afirma. “Essas coisas não se quantificam. Mas é talvez a maior coleção privada do Brasil”. Depois de deixar a Fundação Biblioteca Nacional, Lago continuou se dedicando à edição de livros em sua editora, a Capivara. O último lançamento de sua autoria foi “Brasiliana Itaú, uma grande coleção dedicada ao Brasil”, em 2009. O livro traz cerca de 2.500 imagens sobre arte no Brasil. O material deu origem a uma exposição, que esteve em cartaz na Pinacoteca do Estado em 2010, com curadoria do próprio Lago. A Brasiliana Itaú também já passou por Belo Horizonte, Fortaleza, Brasília e pelo Rio de Janeiro. O próximo destino é Curitiba. Lago conta que, depois de terminar a itinerância, a exposição se tornará parte do acervo permanente do Itaú Cultural, em São Paulo.
Serviço:
Ilustrata – R. João Cachoreira, 233, loja 6, Itaim-Bibi. Somente com hora marcada: (11) 3085-5475.
(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de Gianne Carvalho/AE)
Ao meio-dia de 25 de março de 1988, a Praça Ragueb Chohfi, onde se inicia a Ladeira Porto Geral, era palco de uma festa com toda a pompa para receber um novo monumento, feito de bronze e granito. O alvoroço era para inaugurar o Monumento à Amizade Sírio Libanês. A inauguração contou com marcha de soldados e a presença de vários políticos. Entre eles, o então secretário de Nogócios, Cláudio Lembo, que estava representando o prefeito Jânio Quadros. O local escolhido foi a praça que ganhou o nome de um dos primeiros comerciantes da região da Rua 25 de Março. Nascido na Síria, Ragueb Chohfi (1892-1983) chegou ao Brasil em 1904, onde trabalhou como vendedor por 18 anos, até que abriu uma pequena loja na 25 de Março, em 1922.
Hoje, a situação do Monumento à Amizade Sírio Libanês, inaugurado com tanta euforia na Ragueb Chohfi, é bem diferente. O monumento, que conta com símbolos e figuras humanas, está detonado. Algumas partes dos personagens, como braços e pernas, foram roubados. “O último roubo foi de uma cabeça. A Prefeitura não repõe, diz que desconhece o assunto”, reclama Lourenço Chohfi, de 86 anos, o primeiro filho de Ragueb. Mesmo assim, ele conta com orgulho que sua família é responsável pelo entorno do monumento. “Vamos cuidando, na medida do possível, da limpeza ao redor e do jardim”, diz ele. Segundo a Secretaria de Cultura da Prefeitura, a limpeza do monumento é feita somente a cada três meses, para não danificar a peça. No entanto, não existe nenhuma previsão de restauro e reposição das partes que estão faltando. Não foi feito sequer o diagnóstico do que é necessário fazer para revitalizar a obra.
O Monumento à Amizade Sírio Libanês é de autoria do artista italiano Ettore Ximenes, que fez a escultura sob encomenda da comunidade sírio-libanesa de São Paulo. No topo do monumento, há três figuras humanas em tamanho natural: uma mulher que representa a República brasileira e uma moça síria fazendo oferenda a um guerreiro indígena brasileiro. Na parte inferior, o artista esculpiu um barco com homens fenícios, que representa o comércio. Também há figuras representando a descoberta das Ilhas Canárias por Haitam I e o ensino do alfabeto, além da penetração árabe no Brasil. A primeira inauguração aconteceu em 1928, no Parque Dom Pedro. O monumento ficava em frente ao Palácio das Indústrias. Mudou-se para a Praça Ragueb Chohfi por decisão do prefeito Jânio Quadros, atendendo a um pedido da Univinco (União dos Lojistas da 25 de Março).
Ragueb Chohfi se destacou no ramo do comércio quando abriu a Tecidos Ragueb Chohfi, na mesma rua 25 de Março, em 1922. A crise de 1929 abalou seus negócios, mas o imigrante conseguiu se reerguer. Em 1955, passou o comando de seus negócios aos filhos Lourenço, Raul e Nagib, que hoje comandam a Companhia Têxtil Ragueb Chohfi e a Ragueb Chohfi Empreendimentos Imobiliários.
Membro ativo da comunidade sírio-libanesa, Ragueb foi presidente da Câmara de Comércio Sírio-Brasileira, um dos fundadores do Club Homs, do Esporte Clube Sírio e conselheiro do Lar Beneficente Sírio. Faleceu no dia 15 de outubro de 1983, aos 91 anos de idade.
(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de José Luís da Conceição/AE)
A edição de hoje do Divirta-se traz uma reportagem especial sobre os melhores sebos da cidade. Além de atender quem está querendo comprar livros usados, os sebos recebem muitas pessoas que desejam se desfazer de livros antigos. Um livro muito antigo pode parecer um verdadeiro tesouro, mas a coisa não funciona bem assim. César Potério, do Sebo Fênix, explica que, para um livro ser valioso, não basta ser antigo. “O que pode tornar um livro valioso seria alguma dedicatória de uma personalidade importante ou ilustrações de um artista conhecido”, completa. Ele cita como exemplo o livro Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, que pode ser comprado no sebo por R$ 5. Mas ele vende ali também uma edição especial, que tem ilustrações do desenhista Gustave Doré, por R$ 200. Outro exemplo é o livro Clínica Médica, do ano de 1870, escrito por Torres Homem. O livro sobre Medicina está desatualizado e não tem mais nenhuma utilidade acadêmica, mas custa R$ 600. O motivo é que há uma dedicatória escrita à mão por Torres Homem oferecendo o exemplar para o imperador D. Pedro II. “Um colecionador compra um livro por causa desse tipo de detalhe”, diz Potério.
Gilvaldo Amaral Santos, especialista em venda de livros antigos pela internet, tem a mesma opinião. “Não podemos confundir livro velho com livro raro”, afirma. “Ele precisa ter alguma coisa especial para ter algum valor”. Gilvaldo também recomenda que, antes de levar a obra para ser avaliada, o ideal é fazer uma pesquisa na internet para saber se já há exemplares da mesma época à venda e, assim, ter noção de quanto ele vale. O Blog do Curiocidade fez a pesquisa pelo site Estante Virtual com o livro Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões. A variação de preços é grande. Há uma edição de 1882 que custa R$ 40. A descrição informa que as páginas estão amareladas, mas ainda é possível ver escrito o nome do antigo dono do livro e o retrato do autor feito com lápis de cor. Há também uma edição de 1898 que custa R$ 2 mil. Algumas páginas foram danificadas por cupins, mas o livro faz parte de uma edição comemorativa do quarto centenário do descobrimento da Índia, com direito a ilustrações especiais e letras ornamentadas. Outra opção é uma edição de 1880. O livro é o exemplar de número 113 da edição de Tito de Noronha, de 314 unidades. O que valoriza o exemplar é uma anotação assinada por Teófilo Braga. Noronha e Braga se destacam na história da Literatura por causa da discussão sobre qual versão de Os Lusíadas é de fato escrita por Camões. O preço do livro assinado por eles: R$ 15,9 mil.
O caçador de raridades
Edgar Luiz de Brarros, 54 anos, é historiador, escritor e perito de bens colecionáveis. Ele, que é membro da Associação dos Peritos Judiciais do Estado de São Paulo (APEJESP), faz avaliações de casos criminais e também extrajudiciais, como avaliação para seguros e auxílio na compra e venda de itens raros. Barros conta que já encontrou muitas raridades sendo vendidas em sebos a preço de banana. “Já achei um exemplar da revista Tico Tico, da década de 1920, à venda por R$ 1. Isso vale, no mínimo, R$ 300″, conta o perito. Um caso parecido aconteceu com uma família que queria vender uma coleção de livros por R$ 300. Barros encontrou entre as publicações um exemplar raro de Narizinho Arrebitado – Segundo Livro de Leitura para uso das Escolas Primárias, publicado em 1921 por Monteiro Lobato. “Um único livro poderia ser vendido por R$ 1,6 mil”, afirma. Barros faz avaliação para a compra e venda de itens raros. Para fazer um laudo, cobra R$ 150 por hora de trabalho. O perito também é colecionador, mas não vende nenhuma das raridades que arremata. “Não tenho dúvidas de que seria um bom negócio, mas eu não me dedico a isso”.
Serviço:
Sebo Fênix – Avenida Lins de Vasconcelos, 3228; Vila Mariana; 5082-1536
Edgar Luiz de Brarros – 5579-1103
(Com colaboração de Karina Trevizan)
O Museu Paulista (USP) lançou esta semana uma ferramenta eletrônica inédita entre os museus do Brasil: um hotsite interativo que expõe detalhes de uma peça de seu acervo e de uma réplica feita dela. Essa, aliás, é outra experiência inédita. Pesquisadores do museu fizeram uma réplica de uma peça de roupa do final do século 19, que está tão desgastada que sequer pode ser exposta. É um vestido preto que pertenceu a Anna Carolina de Mello Oliveira Arruda Botelho, a Condessa do Pinhal.
Segundo Teresa Cristina Toledo de Paula, que é conservadora de têxteis do Museu Paulista e coordenadora do trabalho, já foram produzidas replicagens de figurinos no país, mas nenhuma parecida com a que foi feita do vestido da condessa. “Nós nos preocupamos em fazer a roupa exatamente no mesmo padrão, com a mesma modelagem”, afirma.
O trabalhou começou em 2009. A ideia surgiu depois que descendentes da condessa pediram a peça original emprestada para expô-la na Casa do Pinhal, em São Carlos (SP) – fazenda onde a dona do vestido viveu. “A roupa original está muito frágil; o tecido, quebradiço, sem condições de ser exposto – nem no próprio Museu Paulista”, conta Teresa. A solução encontrada foi a produção de uma réplica-documento.
A produção do vestido
O processo demorou 15 meses. Começou com uma pesquisa histórica sobre a técnica de modelagem utilizada na peça original. Então, foi feito um protótipo na cor branca. “O preto é uma cor difícil de trabalhar, porque não dá para enxergar a costura e os bordados”, explica Teresa.
Depois, foi iniciada a etapa de construção do manequim e da silhueta da condessa. Mas os manequins encomendados não eram parecidos com o corpo da dona do vestido (os ombros tinham inclinação diferente e os bustos eram grandes demais). A solução foi consultar imagens de vestidos parecidos e fotografias da condessa.
Mas a maior dificuldade, segundo Teresa, foi com o tecido. O problema eram as pequenas formas ovais do tecido de lã natural. “Tecido de lã não se usa mais hoje. Tentamos fazer no tear, mas também não deu certo”, conta ela. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) fez uma análise e descobriu que o efeito havia sido conseguido através de uma técnica conhecida como Moiré. No entanto, não houve tempo para que a equipe do museu reproduzisse o tecido. Eles encontraram um tecido italiano muito semelhante à venda na cidade de Nova York. No entanto, ele era liso, sem o padrão das figuras ovais. Como o prazo era curto, foi usado assim mesmo.
A réplica do vestido já foi entregue aos descendentes da condessa e ficará exposta na Casa do Pinhal (que está ainda em fase de restauração). O site permite ver a peça em 3 dimensões (menu rotacionar). Também é possível aproximar as imagens com a ferramenta de zoom para conferir os detalhes (menu zoom). “A ideia surgiu dos sites que vendem automóveis, em que a pessoa pode ver todo o carro, por dentro e por fora”, diz ela. “Queríamos encontrar uma forma de fazer com que todos pudessem ver de perto, mesmo sem ir até a Casa do Pinhal”.
(Com colaboração de Karina Trevizan e imagens reproduzidas do site Projeto Replicar)
Hoje é aniversário do início da Revolução Constitucionalista de 1932. O publicitário paulistano Ricardo Della Rosa, criador do site Tudo por São Paulo, guarda tudo sobre o conflito que terminou com 900 mortes. Ele é neto por parte de pai e de mãe de ex-combatentes da Revolução de 1932. Iniciada em 9 de julho de 1932, a Revolução Constitucionalista foi uma reação armada de alguns setores da sociedade paulista ao golpe dado por Getúlio Vargas em 1930. O objetivo dos revoltosos era derrubar o governo de Vargas e promulgar uma nova constituição para o País. Mas as forças federais venceram os paulistas. Durante o conflito, o policial Manoel Maia Neto, avô materno de Ricardo, alistou-se no Batalhão Voluntários de Piratininga e foi enviado para a frente de batalha. Longe de casa, Manoel recebia notícias, cartões, fotografias e o apoio incondicional da mulher. “Ele a deixou com quatro crianças pequenas em casa”, conta Ricardo. “E a minha avó ainda escrevia ‘Viva São Paulo’ e ‘ Viva o Brasil’ nos cartões”. Além disso, o casal doou as alianças para a campanha Ouro para o Bem do Brasil, na qual a população oferecia joias e objetos preciosos para financiar as tropas paulistas.
Amante de História e de antiguidades em geral, Ricardo, que tem 37 anos, começou a levar o assunto mais a sério há dez, quando ganhou de uma tia parte da herança do conflito guardada pela família. Hoje, ele possui cerca de 300 peças entre capacetes, anéis, medalhas, cartões postais e uniformes completos. O avô paterno, Mario Della Rosa, também participou do levante e aparece na maioria das fotos do acervo familiar de Ricardo. Porém, não há muitos detalhes sobre sua participação no embate. “Desconheço o batalhão em que ele lutou”
Por que ainda dizemos que vamos discar um determinado número de telefone se os telefones que usamos hoje em dia não têm mais discos? Se quiser matar a saudade dos velhos aparelhos, faça uma visita à oficina de restauração de telefones ETL. A oficina de Hélio Forte, 66 anos, tem à venda telefones do século 19, e também modelos de várias décadas do século 20. “Tenho alguns antigos funcionando mil vezes melhor do que esses telefones modernos”, garante. “É preferível ter um desses, que não dá trabalho e ainda enfeita a sua casa”. O restaurador lembra que a única desvantagem dos aparelhos antigos é que eles não permitem fazer operações bancárias por telefone, já que “não têm asterisco nem sustenido”.
Hélio abriu a oficina há 38 anos. Começou consertando aparelhos de televisão, até que aprendeu a arrumar telefones. ”No começo eu fazia telefones eletrônicos, mas me adaptei melhor com os mecânicos, mais antigos. Eu gosto de trabalhos manuais”, conta ele, que também já foi colecionador. Chegou a ter 70 telefones antigos guardados, mas resolveu vender a coleção em 2002. “O dinheiro falou mais alto… Só um deles foi vendido por R$ 25 mil”, conta ele, sem revelar o valor total ganhou com a venda de seus aparelhos. A maior parte da coleção foi arrematada pelo empresário Eliseu Delamuta, dono da Della Via Pneus. Delamuta é colecionador de antiguidades que vão de telefones a carrinhos em miniaturas. “Ele só quis os mais raros”, diz Hélio.
A oficina de Hélio é um lugar pequeno, com fachada discreta. A placa de identificação fica do lado de dentro, e é difícil até enxergar… o número de telefone. Ali, Helio vende, compra, conserta, restaura e fabrica telefones. Sim, fabrica! E o cliente pode desenhar o modelo. ”No Brasil, só eu faço isso”, jacta-se. “E faço com perfeição”. Ele conta que os pedidos de restauração mais frequentes são de aparelhos com valor sentimental, herdados de algum parente.
O preço da restauração na oficina de Hélio costuma variar entre R$ 50 e R$ 300. “É preciso fazer uma avaliação do telefone antes de fechar o preço”, avisa. Os consertos mais caros são dos aparelhos da Telearte, que fabricava telefones na década de 1960. “São telefones artísticos, feitos de metal”, descreve Hélio. Para polir esses aparelhos, o restaurador precisa desmontá-los inteiros e colocar as peças em uma máquina de 3 mil rotações por minuto. “Por isso precisa desmontar. Se um fio enrosca ali, quebra tudo e ainda me machuca”.
ETL Eletrônica e Telecomunicações
R. Dona Antonia de Queirós, 91; Bela Vista; 3259-3126 e 9697-0797. Segunda a sexta, das 10h às 20h.
(Com colaboração e fotos de Karina Trevizan)
2012
2011