Foram doze dias, cerca de 2 mil quilômetros percorridos de carro e 14 lanchonetes visitadas. Os números são do segundo burger-tour que Luiz Cintra, dono da hamburgueria St. Louis, fez por estabelecimentos da costa leste dos Estados Unidos. “Nos Estados Unidos, o hambúrguer é um prato nacional e pode ser encontrado em qualquer canto”, diz. “Hambúrguer não precisa ser gourmet, precisa ser gostoso”. Ele escolheu apenas restaurantes tradicionais, sem invencionices. As regras foram: não pertencer a redes, ter administração familiar, existir há pelo menos 30 anos e ser relevante para a cultura do hambúrguer estadunidense.
Durante a série de visitas, a média de preço dos sanduíches foi de 6 dólares. Luiz Cintra compartilhou com o Blog do Curiocidade o roteiro de seu passeio. Confira os comentários que ele fez sobre os locais visitados:
Fort Lauderdale – Jack’s
“Oferece o mesmo hambúrguer desde 1960. A carne usada é muito fresca e o local tem uma mesa de centro com os condimentos clássicos. O cliente monta o lanche do modo que preferir.” 4201 North Federal Highway, Oakland Park, FL. 954-565-9960.
Washington, D.C. – Ray’s Hell
“A lanchonete ficou famosa por atender políticos como Barack Obama. O local é simples, com cadeiras plásticas e quase nenhuma decoração. Não aceita cartão de crédito, e o cliente precisa fazer o pedido enquanto está na fila. O hambúrguer The Dogcatcher, que vem acompanhado de uma espécie de ossobuco. A ideia é que o tutano seja espalhado pela carne do lanche.” 1725 Wilson Boulevard, Arlington, VA, 709-974-7171
Filadélfia – The Good Dog Bar
“É um bar em estilo americano, lotado, com música alta e público não muito jovem. O hambúrguer, recheado com gorgonzola e coberto por cebola caramelizada, vem em um pão amanteigado que lembra brioche.” 224 South 15th Street, Philadelphia, PA. 215-985-9600
Lancaster – Lancaster Brewing
“O hambúrguer tradicional, moldado com as mãos, é coberto por queijo cheddar derretido. Não creme de cheddar, como é comum no Brasil, mas queijo de verdade. Para acompanhar, eu recomendo uma das muitas cervejas artesanais disponíveis.”
302 North Plum Street, Lancaster, PA. 717-391-6258
New Haven – Louis Lunch
“É a hamburgueria mais antiga dos Estados Unidos, aberta em 1895. Bem pequena, ela está sempre lotada. O único tipo de hambúrguer à venda é servido em pão de forma, com uma fatia fina de tomate e um pouco de cebola. Lá, o único molho disponível é a mostarda Dijon. Ketchup não é nem permitido, já que os donos acham que ele estraga o sabor da carne.” 261-263 Crown Street, New Haven, CT, 203-562-5507
Nova York – Corner Bistro
“Talheres de plástico, balcão de bar e música alta. Como os restaurantes americanos usam menos tempero, você sente mais o sabor da carne. O hambúrguer deles é crocante por fora e rosado por dentro.” 331 West 4th Street. 212-242-9502
Nova York – Burger Joint
“No hotel 5 estrelas Le Parker Meridien, uma pequena cortina indica o local onde fica a hamburgueria. Você precisa ir até o balcão para fazer o pedido. Hambúrguer e batatas fritas vêm ao cliente em um saquinho de papel.” 119 West 56th Street. 212-245-5000
Nova York – JG Melon
“Em meio ao Upper East Side, ele fica aberto até umas 3 da manhã. De todas as que visitei, esta é a que se assemelha a um restaurante de fast food. Tem mais opções que as lanchonetes tradicionais, mas sem abandonar a essência do hambúrguer.” 1291 Third Avenue, NY. 212-744-0585
Rhode Island – Luxe
“Foi a hamburgueria mais descolada que visitei. Tem um pátio externo com mesas para os clientes. Mas o hambúrguer é tradicional, com picles e queijo cheddar.” 5 Memorial Boulevard, Providence, RI. 401-621-5893
Cambridge – Mr. Bartley’s
“Em frente ao portão da Universidade de Harvard, tem uma extensa fila na calçada. Enquanto os clientes esperam, o dono já vai tirando os pedidos. Diferentemente daqui, os fregueses não se importam em dividir mesas com desconhecidos para agilizar o processo de espera.” 1246 Massachusetts Ave, Cambridge, MA. 617-354-6559
Cambridge – Flat Patties
“Dá para ver o funcionário achatar a mistura de carne e preparar o hambúrguer. Uma das diferenças em relação às outras hamburguerias é a opção de colocar uma fatia de abacate no sanduíche.” 33 Brattle Street, Cambridge, MA. 617-871-6871
Meriden – Ted’s
“Desde os anos 50, fazem hambúrgueres no vapor usando uma engenhoca criada pela própria casa. É uma espécie de caixote que fica cheio das gotículas quentes. Enquanto isso, caixinhas menores com a carne são colocadas lá dentro.” 1046 Broad Street, Meriden, CT. 203-237-6660
(Com colaboração de Míriam Castro e fotos de Luiz Cintra/Divulgação)
Causou um certo alvoroço a notícia de que a Prefeitura de São Paulo quer proibir a distribuição gratuita do sopão na região central da cidade. A medida foi anunciada pelo secretário de Segurança Urbana, Edsom Ortega, durante uma reunião na quarta-feira passada, e divulgada em primeira mão em uma reportagem do Jornal da Tarde.
As intituições que fazem esse tipo de serviço voluntário poderão ser punidas pela Prefeitura se continuarem distribuindo o alimento. A não ser que aceitem continuar o trabalho dentro de uma das nove tendas reservadas ao atendimento dos moradores de rua. Outro motivo para acabar com o sopão a céu aberto, de acordo com a reportagem, é a sujeira que fica no chão depois que o alimento é distribuído.
Para protestar contra essa medida da Prefeitura, foi criado um evento no Facebook chamado “Sopaço na Casa do Kassab”. Até agora, cerca de 1,500 pessoas confirmaram presença na manifestação, que está marcada para a próxima quarta-feira. Os indignados pretendem fazer uma grande distribuição de sopa em frente à casa do prefeito, atrás do Shopping Iguatemi.
Acontece que, apesar de 48 entidades distribuírem alimentos para moradores de rua no Centro, o sopão já é um prato quase extinto. O nome apenas é usado para designar a refeição grátis dada à população carente. Quem afirma isso é Reginaldo Ferreira, um dos representantes da ONG Anjos da Noite, que realiza o trabalho há 23 anos, numa entrevista ao Blog do Curiocidade:
Você conhece alguma ONG que distribua o sopão na região central?
Hoje não conheço nenhuma instituição que distribua sopa aos moradores de rua do centro. Temos contato com várias ONGs que atendem as populações carentes, mas sempre com outros alimentos. É uma prática que já se perdeu. Na verdade, faz muito tempo que o sopão não é distribuído aos moradores. Acredito que o nome continue sendo usado para designar as refeições gratuitas.
Por que a sopa não é mais distribuída?
Acho que existia, antigamente, um mito de que os moradores de rua não tinham dentes. Por isso, não poderia mastigar os alimentos. Não é verdade. Então não faz sentido distribuir sopa, já que é uma comida que não sustenta por muito tempo. Em meia hora, a pessoa já está com fome. Com um marmitex, a fome só vem após seis horas.
O que tem nesse marmitex?
Uma refeição completa: arroz, feijão, carne. Algo que sustenta por bastante tempo. As instituições costumam dar marmitex ou lanches. Além disso, damos cobertores e roupas. Tratamos as pessoas como seres humanos, que é o que está faltando nas iniciativas da Prefeitura.
Vocês distribuem 800 refeições por semana, aos sábados. Este número vai diminuir se o serviço for transferido para as tendas?
Com certeza. Boa parte dos moradores de rua não quer procurar as tendas da Prefeitura, quer evitar este tipo de lugar. Por isto, acho que não atenderemos tantas pessoas como antes. Mas já é a quarta vez que ameaçam proibir nosso serviço desde a época em que Marta Suplicy era prefeita. Vamos esperar para ver que rumo as coisas irão tomar.
(Com colaboração de Míriam Castro e foto de Werther Santana/AE)
Uma tirinha da dupla Frank & Ernest, publicada hoje no Estadão, brinca com o preço de uma pizza. O juiz fica horrorizado quando o entregador lhe cobra 90 reais por uma redonda.
Fiquei curioso para saber qual seria o valor da pizza na tirinha original, publicada nos Estados Unidos. Lá, o juiz se apavorou com os 29,95 dólares cobrados pelo entregador. Isso dá o equivalente a 60 reais – preço que os paulistanos já estão pagando por pizzas em vários endereços, incluindo serviços de delivery. Fazer uma simples conversão do valor, portanto, não faria o juiz ficar tão espantado assim. Ele já estaria acostumado.
Ao tomar o cuidado de inflacionar o valor da pizza da tirinha, o tradutor mostrou que os preços da alimentação em São Paulo estão mesmo uma piada.
Parecia bom demais para ser verdade. As lojas de amostras grátis inauguradas em São Paulo em 2010 seguiam modelos de sucesso no exterior, como a SamplePlaza, na China, e a SampleU, nos Estados Unidos. O cliente cadastrado podia retirar um determinado número de produtos para experimentar, sem pagar nada, desde que preenchesse questionários avaliando os itens depois do consumo.
Não faltava procura. Mesmo assim, duas lojas de amostras grátis fecharam as portas – a Sample Central, na Rua Augusta, e o Clube da Amostra Grátis, na Vila Madalena. De acordo com Fernando Figueiredo, um dos proprietários da Sample Central no Brasil, o problema foi a falta de investimento das marcas parceiras.
As amostras eram fornecidas pelas fabricantes, que recebiam em troca questionários preenchidos pelos clientes-cobaia. No começo do negócio, diz Figueiredo, os produtos eram enviados sem que as companhias tivessem que pagar. “Era um sistema de trial, ainda não cobrávamos nada pela pesquisa”, explica. O problema aconteceu no momento em que o serviço passou a ser cobrado das empresas. “Poucas fabricantes queriam investir porque achavam que o público pesquisado era muito segmentado”, afirma Figueiredo. “Para ter uma ideia melhor do mercado, era preciso ter amostragens maiores”. O resultado foi uma queda no número de empresas parceiras.
Enquanto isto, o número de frequentadores do Sample Central só aumentava. A expectativa era de angariar 20 mil associados em um ano. Em quatro meses, no entanto, a lista de clientes já trazia 50 mil nomes. Era preciso agendar horário para frequentar o local e conhecer as amostras grátis. “Em pouco tempo, o negócio ia se tornar inviável”, conta Figueiredo. Por isso, o grupo Talkability, responsável pelo projeto, decidiu fechar a loja na Rua Augusta.
O conceito do Sample Central foi transportado para o site Amostra Click, que está em desenvolvimento e será lançado ainda em 2012. De acordo com o empresário, a vantagem do site em relação à loja é a possibilidade de acesso em qualquer lugar do Brasil. O cliente escolhe as amostras, que serão entregues em sua casa. “Desta maneira, as empresas recebem dados da opinião de consumidores de características diversas.”
Luiz Gaeta, idealizador do Clube da Amostra Grátis, conta que foi necessária uma mudança de estratégia: “O número de assinaturas que tínhamos estava grande demais para a quantidade de produtos disponíveis para teste”, afirma. A situação só piorou quando venceu o contrato de aluguel do imóvel ocupado pelo estabelecimento. Gaeta não encontrou um imóvel adequado para o novo endereço, o que resultou no encerramento das atividades da loja física em março.
Mesmo sem um endereço, o Clube da Amostra Grátis não deixou de existir. Pelo menos, é o que afirma Gaeta. “Ainda estamos enviando produtos a alguns usuários cadastrados, de forma gratuita, mas de acordo com seu perfil de consumidor”, diz. “Assim, atingimos diretamente o público-alvo das empresas”. Gaeta afirma que está em desenvolvimento um site para que sejam efetuados novos cadastros. Desta vez, tudo será gratuito – antes, era preciso pagar uma anuidade de R$ 50. O proprietário garante que esta taxa foi restituída a quem não pôde retirar produtos depois que a loja física fechou.
(Com colaboração de Míriam Castro e foto de Nilani Goettems/AE)
Kantuta é uma flor vermelha, verde e amarela, que cresce na região dos Andes. Por ter as mesmas cores da bandeira da Bolívia, foi escolhida para batizar uma praça em que se reúnem, semanalmente, cerca de 2 mil imigrantes andinos no bairro do Pari.
Aos domingos, acontece na Praça Kantuta uma feira de artesanato e gastronomia organizada por bolivianos que residem no país. Alimentos típicos, roupas e itens de artesanato são vendidos em barracas durante toda a tarde. Há até o famoso chá de coca à venda. Faz parte da cultura boliviana mascar as folhas da planta ou consumi-la em forma de chá (em sachês industrializados ou em sua forma natural).
Mas a estrela do evento sempre foi o campeonato de futebol, que chamou a atenção do professor de Educação Física Ubiratan Silva Alves. No próximo domingo, dia 1º de julho, ele lança o livro ‘Praça Kantuta – Um pedacinho da Bolívia em São Paulo‘.
“Eu via bolivianos em trajes esportivos e me perguntava em que parte da cidade eles jogavam futebol”, conta Alves. O campeonato de futebol, que acontecia duas vezes por ano, foi cancelado depois que um vereador retirou as traves e o alambrado da quadra, prometendo reformá-la – e nunca mais voltou. Alves contou esta e outras histórias da Praça Kantuta ao Blog do Curiocidade:
Apenas bolivianos podiam participar do torneio?
Não. A maior parte dos times é de bolivianos, já que são organizados pelos donos das tecelagens da região. Mas também há times com jogadores paraguaios, peruanos e até um constituído apenas por brasileiros que moram em um conjunto habitacional da região.
Cada tecelagem tem seu próprio time?
Os donos das tecelagens, que são chamados de “delegados”, colocam seus funcionários para jogar em campeonatos. A vitória é garantia de prestígio para o delegado, que fica responsável por comprar e lavar uniformes, além de trabalhar como técnico e dizer quem entra em campo.
Como você se aproximou dos imigrantes para fazer a pesquisa do livro?
Foi um trabalho demorado. Quando vi que aconteciam as competições na praça, passei duas ou três semanas à paisana, observando os jogos. Depois, descobri que imigrantes frequentavam missas na igreja Nossa Senhora da Paz, no Glicério. Passei a ir à missa no local e só então cheguei aos participantes de campeonatos. A situação deles aqui é difícil. Boa parte deles está em situação ilegal no Brasil, com uma rotina de trabalho puxada e exaustiva. Por isso, os latinos são desconfiados em relação a jornalistas e pesquisadores.
Os times treinam?
Não treinam, e isso era o que mais me preocupava. Por ficarem a semana inteira sentados, apenas trabalhando nas máquinas de costura, os imigrantes são atletas de fim de semana. É perigoso, pois não havia nenhum tipo de acompanhamento médico na Praça Kantuta. Por sorte, nos dois anos em que acompanhei a competição, ninguém passou mal por causa do esforço.
Por que o campeonato não existe mais?
Por causa de reformas na quadra, que nem chegaram a acontecer. Um vereador, cujo nome não me lembro, foi até a praça e mandou retirar traves, alambrado e tudo mais, prometendo que ia reformar o local. Na hora, parecia uma coisa boa, mas a reforma nunca aconteceu. Agora, é impossível realizar partidas na quadra. Tentamos conseguir patrocínio de empresas para melhorar a situação, mas nenhuma se interessou. Os times se espalharam por quadras nos arredores da Zona Norte da cidade.
(Com colaboração de Míriam Castro e fotos de acervo pessoal)
“Cada camiseta nossa tira do lixo duas garrafas que demorariam 450 anos para sumir ”, afirma Vanda Ferreira, criadora da marca Camiseta Feita de PET. O nome não deixa dúvida: todas as blusas são 50% compostas por garrafas plásticas recicladas.
Vanda, que é biomédica por formação, se associou à consultora de internet Silvia do Prado há quatro anos para montar o negócio. Na época, as duas queriam reunir capital para tocar projetos próprios e decidiram vender roupas. “Mas pretendíamos fazer algo relacionado ao meio ambiente”, conta Vanda. “Foi aí que conhecemos as camisetas de PET”.
O politereftalato de etileno (PET) das garrafas plásticas amolece com o calor e pode ser moldado novamente, por isso é altamente aproveitável na reciclagem. Para a indústria têxtil, são usados apenas os recipientes sem cor – nenhuma das camisetas é derivada de garrafas verdes. Depois que os catadores separam os artigos por cor, eles são higienizados e moídos. Só então passam por duas filtragens para retirada de impurezas e são fundidas a 300ºC.
Derretido, o material é transformado em fibras 20% mais finas do que o algodão. Esse material, transformado em poliéster, é misturado à malha das camisetas produzidas pela marca. “Todo mundo pensa que o tecido vai pinicar”, revela Vanda. “Mas, por serem 50% poliéster, as camisetas são mais macias do que o algodão”.
Entre baby looks, regatas e modelos tradicionais, a loja virtual tem cerca de 400 modelos. As estampas vão desde frases com apelo ecológico até signos do horóscopo e figuras religiosas, como Nossa Senhora Aparecida. O preço médio é R$ 35.
Serviço:
camisetafeitadepet at hotmail.com
2639-5877
(Com colaboração de Míriam Castro)
Em 7 de novembro de 2008, São Paulo teve a honra de inaugurar a primeira unidade do P.J. Clarke’s fora dos Estados Unidos. A mais famosa hamburgueria de Nova York, que abriu as portas em 1884, tem três restaurantes em Nova York, um em Washington DC e outro em Las Vegas. Este ano, provavelmente também em novembro, os paulistanos ganharão uma segunda unidade.
Embora a notícia não seja confirmada pela assessoria de imprensa da marca, que não quis se pronunciar sobre o assunto, a nova casa será instalada na esquina das ruas Oscar Freire e Padre João Manuel, nos Jardins, num ponto que abrigava uma loja de malas. O novo salão terá capacidade para 60 pessoas.
(Com foto de Tadeu Brunelli/Divulgação)
Você já comeu bicho-de-pé? A resposta afirmativa só vale se o docinho tiver sido degustado na rede de docerias Amor aos Pedaços. Bicho-de-pé é uma marca registrada. Bia Forte, proprietária da Brigadeiro Doceria & Café, em Pinheiros, descobriu isso há dois anos, quando recebeu uma notificação de que era preciso retirar o nome do cardápio. “Achei que bicho-de-pé fosse um nome de domínio público, como brigadeiro ou tapioca”, afirma. Teve que trocar o nome para ”brigadeiro rosa”. “As vendas não se alteraram e a clientela continua chamando o doce pelo nome antigo””. O nome é patenteado desde 1989 e foi criado por Ivani Calarezi, sócio-fundadora da Amor aos Pedaços, que preparou o quitute para o aniversário de 1 ano do filho.
Maçã-do-Amor já foi também uma marca patenteada, mas não é mais. Os proprietários da Casa do Churro, no Tatuapé, se vangloriam de ter criado a iguaria como ela se popularizou (com palito e calda vermelha). Antonio Farre Martinez, filho do fundador da casa, José Maria Farre Angles, conta que a receita foi registrada em 1960. “Meu irmão, Ramón, viajou diversas vezes até o Rio de Janeiro para acertar a documentação”, conta.
Martinez conta que a patente do nome caiu dez anos depois do registro. A família desistiu de pedir a renovação. Os criadores da maçã-do-amor chegaram a acionar judicialmente algumas pessoas que copiaram o nome durante a década de 60. “Os processos judiciais eram muito caros”, afirma Antonio. “Como tinha muita gente copiando, não poderíamos arcar com os custos”.
Outra iguaria que tem o nome patenteado em São Paulo é o sanduíche arais. O Restaurante Carlinhos, no Pari, tem como carro-chefe a criação de Missak Yaroussalian, inspirada em pratos armênios. “Ele estava morrendo de vontade de comer uma esfiha, mas tinha disponível apenas carne de kafta e pão sírio”, conta Fernando, filho do fundador do Carlinhos. “Criou um sanduíche assado, que fez um baita sucesso”.
De acordo com Fernando, o nome do prato está patenteado desde a sua criação, há 30 anos. “Mesmo assim, volta e meia aparece alguém com um sanduíche chamado arais”, conta. Para o proprietário da vizinha Casa Líbano, Hassan Mohamad Moussan, que já teve problema por causa disso, “arais” é o nome usado para designar lanches de carne no Líbano. “Por ser um nome muito comum, não poderia ser patenteado”, bronqueia. “Não existem maneiras de patentear a feijoada, assim como não deveriam existir maneiras de patentear um alimento tradicional libanês”. A receita do arais da Casa Líbano é diferente da usada no Carlinhos: em vez de kafta, é usada carne de cordeiro.
De acordo com Wellington Tiscal, gerente comercial da empresa Certifica Marcas e Patentes, é possível patentear o nome de um alimento, mas não sua receita. “Se um restaurante quiser copiar a receita do Big Mac, por exemplo, pode executá-la de maneira idêntica”, diz. “Mas não pode comercializar o produto sob o nome ou o logo original, já que a constituição do prato não é protegida pela patente”.
A Pizzaria Bráz já foi obrigada a trocar o nome de uma sobremesa. Batizada de Sonho de Valsa, a mistura de mousse de chocolate e mousse de chocolate branco ganhou o novo nome de “Bianco e Nero”. A assessoria de imprensa da pizzaria diz não se lembrar disso. Como fica o caso de Ovomaltine, que tem sua marca estampada em sorvetes, brigadeiros e milk-shakes de vários estabelecimentos? “Geralmente, as lojas nos procuram para usar Ovomaltine em suas sobremesas”, afirma Daniela Paula, gerente de marketing da Ovomaltine. “Somos apenas contrários ao uso de nosso nome quando um produto não inclui nosso achocolatado”.
(Com colaboração de Míriam Castro e imagem de divulgação)
Anna Paula Marchesini, vocalista da banda The Soundtrackers, conhece bem as letras de todas as trilhas de filmes que a banda toca. Mesmo assim, não sobe ao palco sem uma pasta preta, que traz uma espécie de cola das 100 músicas que fazem parte do repertório do grupo, criado em julho de 2008 pelo jornalista e guitarrista Rodrigo Rodrigues. Mas a pasta de Paula é coisa do passado. Bruno Sutter, que entrou para o The Soundtrackers em fevereiro passado, bolou algo mais tecnológico. Bruno, que também apresenta o programa “Rock Rolla”, na MTV, e faz o papel do cantor Detonator na banda Massacration, já pode ser considerado um inventor de mão cheia. Ou será pulso cheio? Ele criou uma pulseira que prende o seu smartphone.
O aparelhinho tem um arquivo de texto com todas as letras que ele não decorou ainda. Funciona como um teleprompter – aparelho usado pelos apresentadores de televisão para ler os textos sem desviar os olhos da câmera. Como é muito performático no palco, Bruno dá um jeito de dar uma espiada na letra sem o público perceber. “Quem quiser fazer igual vai ter que me pagar os royalties”, brinca ele.
De fazenda a edifício-garagem, em São Paulo ou em qualquer lugar do país, Roberto Nicastro Capuano já esteve em todo tipo de terreno. Ele é um avaliador de imóveis e, por semana, visita no mínimo duas propriedades para calcular seu valor de mercado.
O serviço pode ser requisitado por diversos motivos, mas é comum que avaliadores sejam contratados em caso de divisão de heranças. “Na hora de repartir diversos imóveis familiares, todos querem uma avaliação justa”, afirma Capuano. “Aí é que entra o especialista”. Fundada em 1965, pelo pai de Capuano, a Roberto Capuano Imóveis tem como atividades principais a venda e a avaliação de propriedades.
Não é tarefa fácil dar valor para um imóvel. “É impossível se basear apenas em fórmulas e valor do metro quadrado”, conta Capuano. Um laudo de avaliação imobiliária comum tem cerca de oitenta páginas, mas alguns chegam até a duzentas folhas de informações. Como justificativas para o preço indicado à propriedade, o profissional descreve detalhadamente as características da construção ou do terreno. Pormenores como clubes e igrejas na vizinhança não são deixados de fora, assim como a oferta de transporte público na região.
Para indicar o preço, o especialista faz uma tabela comparativa que lista outros imóveis na mesma região e em situações semelhantes. Capuano pensa que o mais importante na hora da avaliação são as possibilidades de uso do imóvel. “Um galpão fabril na região da Mooca, por exemplo, não serve mais para esta função”, explica. “Mas é possível utilizar o terreno para a construção de apartamentos”.
O imóvel mais estranho visitado pelo consultor foi um edifício-garagem, no Centro. “O prédio tinha pé-direito muito baixo, de cerca de 1,80 metro”, conta Capuano. “Não daria para usar para mais nada além de sua função inicial”. Mesmo assim, o profissional revela que é mais difícil avaliar fazendas, já que é preciso levar em conta a distribuição de pasto e a possibilidade de produção.
Tanto engenheiros como corretores de imóveis podem se aventurar na carreira de avaliação de propriedades. Existe um curso especializante ministrado pelo Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP).
(Com colaboração de Míriam Castro e foto de Helvio Romero/AE)
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