A escola Perestroika, fundada em 2007 na cidade de Porto Alegre, acaba de abrir as portas da unidade paulistana, que fica no Centro Cultural b_arco, no bairro de Pinheiros. O objetivo é promover cursos livres dos temas mais diversos (de música a empreendedorismo, passando por medicina e gastronomia), com o diferencial de sempre explorar a criatividade, fugindo do padrão brasileiro de educação.
Na próxima segunda-feira, 2 de abril, a unidade de São Paulo inaugura seu primeiro curso na área gastronômica. Serão 10 aulas ministradas por 14 diferentes professores, que abordarão temas como crítica gastronômica, comércio e gastronomia líquida. O curioso é que os participantes do Food Experience sairão dos encontros sem uma única receita passo-a-passo. Como sugere o nome, o curso preza mais pela experiência do que pela teoria. “Em nossas salas de aula, as pessoas são recebidas com bebidas e aperitivos, deixando o ambiente descontraído”, conta Mariana Gutheil, responsável pela unidade. “Além disso, quase todas as aulas terão uma surpresa preparada para a turma, que a gente internamente chama de treco”.
Um dos “trecos” mais bem sucedidos da edição anterior do Food Experience, em Porto Alegre, aconteceu na aula de baixa gastronomia. “Nós montamos um boteco de verdade na sala de aula, com direito a até barril de chope”, conta Mariana. A aula no boteco não está prevista para o curso de São Paulo, mas os organizadores garantem que há muitos “trecos” à espera dos novos alunos. Diogo Carvalho, idealizador do curso, adianta alguns deles: “Alex Atala levará a turma a seu restaurante, D.O.M., e é lá dentro que ele vai explicar a rotina dos chefs da alta gastronomia”. No dia da aula de Ricardo Garrido, que vai falar sobre a construção de marcas no ambiente gastronômico, o ambiente será um boteco da Vila Madalena. “Minha aula é fora da cozinha: vou abordar gestão de pessoas e atendimento, focando no interesse da turma e estimulando debates”, adianta Garrido.
Para o segundo semestre, a escola investe na produção do Behind the Music. O curso fez tanto sucesso em Porto Alegre que os paulistanos já formaram uma lista de espera. Entre os professores da última edição estavam o músico Lobão e o rapper Emicida, que discutiram temas como o mercado da música independente e as frentes profissionais do músico brasileiro. Quem quiser entrar na fila e receber informações exclusivas sobre o curso em São Paulo só precisa mandar um e-mail para musicasp@perestroika.com.br. O programa não deve ser o mesmo que foi apresentado aos gaúchos, mas o curso não vai fugir de sua proposta original.
Os interessados nos cursos podem se inscrever diretamente no site da escola. É de praxe que, antes de concluída a inscrição, a Perestroika entre em contato com o futuro aluno. Faz parte da metodologia deles conhecer o perfil de suas turmas e orientar o público quanto a seus interesses e aptidões. O valor cobrado para os que quiserem vivenciar o Food Experience é um tanto salgado - R$ 5.394,00, que podem ser parcelados em seis vezes.
Serviço:
Perestroika
Centro Cultural b_arco
Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426
(11) 8259-0582
(Com colaboração de Júlia Bezerra e fotos de Gabriela Guez)
Acontece neste sábado (31) o I Encontro de Colecionadores de Objetos de Futebol, no Museu do Futebol. Trata-se do pontapé inicial para a inauguração do Centro de Referência do Futebol Brasileiro (CRFB), uma grande biblioteca e um completíssimo acervo de arquivos futebolísticos, prometido para abrir as portas ao público ainda este ano.
O evento do sábado começa pela manhã, com a palestra “Preserve seu Acervo”, às 10h. Teresa Toledo de Paula, pesquisadora do Museu Paulista da USP, é uma das palestrantes, e promete dar dicas para os colecionadores preservarem melhor suas camisas. “O segredo para conservar têxteis é não deixar que eles recebam luz”, adianta Teresa, que pretende ensinar o público a guardar, manusear e expor a coleção. O Museu do Futebol também prepara para o evento o lançamento da cartilha “Preserve seu Acervo”, com dicas para os colecionadores. Os livros, por exemplo, devem ser guardados em pé, enquanto as fotografias conservam-se melhor na horizontal. E um detalhe que pode evitar a degradação de fotos e papéis: nunca use cola, fitas adesivas, grampos, ou clipes de metal.
A tarde (12h às 17h) está reservada para os presentes mostrarem suas relíquias e trocarem experiências entre si. Para ser um expositor, basta mandar um e-mail para eventos@museudofutebol.org.br confirmando sua presença e dizendo o que você pretende levar. Vale tudo o que seja relacionado com o futebol: jogos de botões, medalhas, ingressos, figurinhas, fotos, camisas, livros, chaveiros e mais uma lista sem fim de possibilidades. Todas as atividades são gratuitas, e a organização do evento garante que coleções curiosas já estão inscritas. O colecionador Marcos Araújo levará mini-craques e Fernando Cury, uma coleção de artigos da Copa de 1958.
Gostaram da ideia do Museu do Futebol? Que tal promovermos um encontro dos leitores do Blog do Curiocidade que colecionam artigos de futebol? Conte-nos um pouquinho sobre sua coleção deixando um comentário no post.
I Encontro de Colecionadores de Objetos de Futebol
Museu do Futebol
Praça Charles Miller, S/N – Estádio do Pacaembu
31/03/2012, das 10h às 17h
Entrada franca
(Com colaboração de Júlia Bezerra)
Goiaba e queijo como prato principal? Bem, é quase isso. O filé mignon, aromatizado com alecrim e vinho tinto, vem coberto por um molho feito de goiabada cremosa. Para acompanhar, risoto de queijo parmesão. A combinação foi criada há dez anos por Patricia, filha de Laura D’Aurizio, proprietária da L’Osteria do Nonno Amerigo. “Ela gosta de misturar doce e salgado, e fez a sugestão, que deu certo”, conta Laura, cujo restaurante completa dois anos em julho. Laura é filha do imigrante italiano Amerigo, que foi dono da Cantina do Amerigo, no Bixiga, na década de 1950. Os frequentadores da casa da Vila Mariana (Rua Joaquim Távora, 1586, tel. 2667-6589) procuram mais os pratos tradicionais, como risotos e lasanhas, mas são vendidas 25 unidades do “Fileto ao molho de goiabada e vinho” (R$ 69,60, para duas pessoas) por mês.
A combinação é o único prato da casa que usa o doce – o ingrediente não está presente nas sobremesas do restaurante. Para os fãs de goiabada, o Blog do Curiocidade preparou uma lista de sobremesas feitas com o doce:
Gelée
A designer Mariangela Marques Barbosa trabalha com sorvetes há 15 anos, mas só vendia os gelados no atacado. Em fevereiro, inaugurou a Gelée, onde serve ao público delícias como o sorvete de goiabada. Com base de creme e goiabada cascão cremosa, uma bola do doce sai por R$ 9. Sob encomenda, Mariangela também fabrica o sabor goiabada com queijo e a musse de goiabada cascão. R. Prof. Atílio Innocenti, 829, Itaim Bibi, 3044-9597.
Lá da Venda
São três sobremesas com goiabada. A mais famosa é o bolo de fubá com goiabada, receita que era feita pela avó da proprietária, Heloisa Bacellar. Vendido por fatias (R$ 4) e inteiro (R$ 45, o grande), o bolo tem a massa cozida na panela antes de ir para o forno. De acordo com Heloisa, isso aumenta a maciez do doce. Outras opções são a fatia de goiabada com queijo canastra (R$ 10) e, aos finais de semana, o cheesecake com cobertura de goiabada (R$ 13, a fatia). R. Harmonia, 161, Vila Madalena, 3037-7702.
Mil Frutas
Entre os cerca de 250 sabores de sorvete da Mil Frutas, a carioca Renata Saboya aposta na mistura clássica de goiabada com queijo. Feito com queijo minas, o gelado (R$ 10, uma bola)pode ser encontrado nas duas lojas da sorveteria em São Paulo. Av. Magalhães de Castro, 12.000, Shopping Cidade Jardim, Térreo, Morumbi. 3552-1000.
Oh!Melete
O restaurante especializado em omeletes, que completa um ano em julho, serve uma sobremesa clássica que não leva ovos: o Romeu e Julieta. Por R$ 8, uma fatia de queijo Roni é cortada em formato de coração. Depois, leva um pedaço de goiabada cascão por cima. R. João Ramalho, 766, Perdizes, 3875-2550.
Padaria Barcelona
A padaria, que pertence à família Benjamin Abrahão, existe há 36 anos. Ela vende a chipa – receita paraguaia semelhante ao pão de queijo – com recheio de goiabada. “No Paraguai, recheiam a chipa com qualquer sabor, doce ou salgado”, conta o gerente Vicente Safont, que trabalha no local desde sua inauguração. “Por ser feito com fécula de mandioca e não conter glúten, o quitute é procurado por vítimas da doença celíaca”, diz Safont. R$ 2,70. R. Armando Penteado, 33, Higienópolis, 3826-4689.
Pastel da Maria
Até o ano passado, os pastéis de Dona Maria (que, na verdade, se chama Kuniko) só tinham três sabores doces: chocolate, banana e doce de leite. No Dia dos Namorados, foi lançada uma versão com queijo minas e goiabada cremosa. O sucesso foi tanto que o pastel Romeu e Julieta continuou sendo vendido desde então. R$ 4,50. R. Fradique Coutinho, 580, Pinheiros, 2373-7071.
Ráscal
Uma porção de queijo mascarpone, de consistência cremosa, acompanha a torta de goiabada servida pelo restaurante. O principal ingrediente do doce é o recheio de goiabada da família Ralston, de Terra Roxa, interior paulista. Em vez de queijo, a torta pode ser acompanhada por sorvete de creme. R$ 15,50. Al. Santos, 870, Jardins, 3141-0692.
Sallvattore
Servida em uma taça de martini, a sobremesa do Sallvattore é uma espuma de queijo branco com goiabada quente. O queijo é batido com creme de leite e açúcar no liquidificador, enquanto o doce de goiabada vai ao forno até derreter. R$ 15. R. Salvador Cardoso, 131, Itaim, 3078-8686
The Cake is on the Table
A loja especializada em cupcakes na Chácara Santo Antônio é comandada por Paula Simões, que retirou quase todas as ideias de bolinhos do livro de receitas que herdou da mãe. Com o nome de Tico-Tico no Fubá, a delícia tem massa feita com fubá, coco ralado e sementes de erva doce, mas é recheada e coberta com goiabada cremosa. R$ 6,50. R. Amaro Guerra, 264, Chácara Santo Antônio, 2371-1640.
Villa Imperial
O boteco com ar carioca em Higienópolis tem entre as opções de sobremesa uma versão diferente de Romeu e Julieta. Em vez de queijo, a fatia de goiabada cascão vem ao lado de uma bola de sorvete de iogurte. R$ 9,90. R. Maria Antonia, 368, Higienópolis, 2532-4658
(Com colaboração de Míriam Castro)
Uma obra um tanto estranha começou a ser feita no final do ano passado na Avenida das Corujas, na Vila Beatriz, zona Oeste de São Paulo, e só agora ficou pronta. Foram criados, no meio da rua, canteiros que afunilam a pista e dificultam a passagem dos carros. À noite, como a rua é mal iluminada, os tais canteiros se tornam perigosos para os motoristas, pois não há qualquer tipo de sinalização. Os canteiros foram colocados num trecho que vai da rua Pascoal Vita até o final da Praça Dolores Ibarruri.
As modificações irritaram os moradores da Rua Natingui, paralela à Avenida das Corujas. De acordo com Flávio José Soares, secretário da Associação de Moradores da Rua Natingui, os canteiros atrapalham a circulação de carros pela via, que é de mão-dupla. “Já era difícil dois carros passarem lado a lado, pois a rua é muito estreita”, diz Soares. “Agora, fica quase impossível circular pela Avenida das Corujas”. Com a reforma, Soares afirma que o trânsito na Rua Natingui piorou, já que a Avenida das Corujas deveria ser um atalho para a Rua Pascoal Vita.
De acordo com a CET, o objetivo da obra é mesmo desencorajar o trânsito de passagem na via. A assessoria de imprensa do órgão informou que os canteiros ajudarão a “tornar compatível a velocidade dos veículos àquela regulamentada para a via (30 km/h)” e que a solicitação partiu de moradores da região em 2010. A mão-dupla de circulação será mantida normalmente. Outro motivo dado pela CET é a melhora nas condições de absorção da água da chuva, já que há um córrego entre a avenida e a Praça Dolores Ibarruri.
Para os membros da Associação de Moradores da Rua Natingui, os bloqueios foram implantados para favorecer moradores poderosos da região. Soares afirma que “um ex-ministro tem casa na Avenida das Corujas”, mas não sabe dizer o nome dele. Também acusa a Prefeitura de executar o projeto para benefício de um edifício comercial que está sendo construído na Rua Pascoal Vita. “A esquina com a Avenida das Corujas vai ficar tranquila para eles, enquanto a Natingui fica esse inferno”, reclama.
(Com colaboração de Míriam Castro)
Ela é a menor “lanchonete” da cidade. São apenas 3,75 metros quadrados encravados na Ladeira Porto Geral, perto da 25 de Março, no centro de São Paulo. A Quickies, na verdade, é uma parede com várias vending machines, que oferecem salgados prontos, para serem consumidos na hora. O cliente escolhe ali mesmo na calçada. Não há lugar para se sentar. Uma única funcionária, instalada numa banqueta também na calçada, repõe os salgados e faz o troco para quem precisa.
Ao inserir moedas na máquina, que tem oito compartimentos, uma das pequenas portas se abre e o cliente pode retirar o salgado. Entre as opções, que custam a partir de R$ 1, estão croquete de carne e frango, uma coxinha chamada Chicken Knot e o Bami, croquete feito com macarrão talharine. Bem, pelo preço cobrado, dá para ter uma ideia também do sabor dos quitutes.
O conceito da “comida de parede” foi criado pela rede holandesa Febo, que existe desde 1941. Responsável por trazê-lo para o Brasil, o empresário Marcus Vinicius de Lima diz ter morado na Europa por 17 anos. A primeira loja Quickies em São Paulo foi aberta na Rua José Bonifácio, também no Centro, em fevereiro do ano passado. Era bem maior que agora e tinha algumas mesas e cadeiras. Mas não durou muito tempo. Fechou no final do ano. Lima diz que não houve nada de errado. “A unidade era experimental”, afirma. “Até o final de 2012, teremos seis lojas na região da 25 de março”.
Nesse mesmo período, a Quickies esteve envolvida em outro quiproquó. Neste post do blog Hamburguer Perfeito, falando da unidade da José Bonifácio, diversos comentários de supostos clientes detonam os salgados e ex-funcionários da loja falam mal do antigo chefe, reclamando do não pagamento de dívidas trabalhistas. A baixaria foi tão grande que até um advogado de Lima teria entrado na história. O empresário garante que as reclamações foram arquitetadas por dois antigos empregados, que tinham sido demitidos. No entanto, o empresário não revela o nome dois dois e se recusa a dar informações sobre as questões trabalhistas.
(Com colaboração de Míriam Castro)
No dia 8 de setembro de 1987, São Paulo virou Londres. A Companhia Municipal de Transporte Coletivo (CMTC) colocou em circulação na cidade de São Paulo 11 unidades de ônibus de dois andares de 4,3 metros de altura. Eles circularam na linha 5111, no corredor de Santo Amaro. Em 1988, mais 26 foram adicionados à frota – dessa vez, fabricados pela Thamco Indústria e Comércio. Como os londrinos, todos os 37 foram pintados de vermelho. Em cada um deles cabiam 112 passageiros (os convencionais comportam atualmente 75, e os articulados, 120).
Como todo bom brasileiro, o nosso utilitário duplo ganhou um apelido: “Fofão” (devido a seus cantos arredondados). A novidade, entretanto, não passou de uma experiência do prefeito Jânio Quadros, que foi logo descartada: em 1993, os Fofões, que viviam se enroscando nos cabos de força dos trólebus, foram tirados de circulação e vendidos em leilões públicos.
Para Guilherme Lohmann, professor brasileiro de Transporte e Turismo da Southern Cross University, na Austrália, a falta de planejamento na cidade de São Paulo determinou o insucesso da frota. “Viadutos baixos, fiação elétrica e poucos profissionais qualificados para dirigir esses ônibus tornaram o projeto de Jânio Quadros – que era claramente político – inviável”, diz o professor. Ele, entretanto, não descarta o uso dos ônibus de dois andares nas frotas viárias: “Desde que a malha urbana possa comportá-los, eles são uma boa opção”. Quanto à acessibilidade, os problemas ficaram no passado: “Os double-deckers modernos já têm a altura do degrau de embarque adequada e espaços baixos para abrigar usuários de cadeiras de roda”. Há hoje um único remanescente público do Fofão brasileiro. Ele está no Museu do Transporte, na zona Norte de São Paulo, que fica aberto de 3ª-feira a domingo, das 9h às 17h. A entrada é franca.
Transportes de dois andares existem em Londres desde os anos 1850. As charretes puxadas a cavalo já eram assim. E os ônibus começaram a aparecer em 1910, inicialmente abertos no andar de cima. Em 1956, surgiram os Routemasters – nome da fábrica mais conhecida –, que consolidaram o utilitário como um símbolo londrino. A partir de 1981, os Routemasters foram sendo substituídos por veículos mais modernos. Em dezembro de 2005, os últimos remanescentes do modelo foram tirados de circulação (foto abaixo).
A pressão da população acabou convencendo o governo a lançar uma nova linha do nostálgico Routemaster. Prometidos desde 2008, ele voltaram para as ruas londrinas em 27 de fevereiro deste ano. São oito exemplares, que estão circulando em uma única rota (Victoria Station – Hackney), apenas no período diurno dos dias úteis. O Routemaster moderno, que comporta 62 pessoas sentadas, custou 1,4 milhão de libras. O prefeito da cidade, Boris Johnson, declarou que a decisão de adicionar esses novos ônibus à frota da cidade não foi meramente estética: eles são mais ecológicos, consumindo metade do combustível usado por um ônibus comum.
Quem vai a Londres tem também a chance de andar em uma réplica do antigo double-decker em passeios pelos pontos principais da cidade, oferecidos por empresas de turismo. Outras trabalham com a locação dos utilitários para eventos: a This Bus aluga Routemasters para os casais londrinos celebrarem casamentos.
O professor Lohmann atribui o fracasso dos Routemasters à sua dependência de cobradores: “Com a privatização do sistema de ônibus de Londres, buscou-se reduzir o custo das operações, dando controle ao motorista para cobrar as tarifas”. Com os antigos Routemasters, isso não seria possível: o motor do ônibus ocupava sua parte dianteira, não permitindo o embarque de passageiros pela frente.
Texto atualizado em 23/03/2012, às 22h40, com informações enviadas pelos leitores Savio Bellinati, Gustavo Brunson e Carlos Miller.
(Com colaboração de Júlia Bezerra)
Hugo Leonardo de Freitas, proprietário da banca de frutos do mar Rei do Camarão, no Mercado Municipal de São Paulo, estava cansado de ver turistas brasileiros e estrangeiros visitando sua loja sem levar nada. “Eles achavam os peixes bonitos, mas não tinham como comprar e armazenar produtos tão perecíveis”, diz.
Há dois anos, o empresário teve a ideia de criar uma loja de suvenires para os visitantes do Mercado Municipal. Na Mercapoint, são vendidas lembrancinhas do Brasil, de São Paulo e do próprio Mercadão. Inaugurada em setembro do ano passado, a loja já atendeu americanos, franceses e alemães, além eslovacos, poloneses e angolanos.
O Mercadão faz parte do roteiro de quem visita a cidade. “Sempre vêm grupos por causa de eventos esportivos, como a Fórmula Indy ou, no ano passado, a Copa Mundial de Handebol Feminino”, conta Freitas. De acordo com o proprietário, cada tipo de suvenir é procurado por uma categoria de visitante: “Estrangeiros querem coisas com a bandeira do Brasil, enquanto os itens que remetem ao Mercado ou a São Paulo ficam com os paulistanos e turistas de outros Estados”.
Entre os cerca de 500 itens, são vendidos chaveiros, canetas, copos e pratos. As camisetas (R$ 38,00) são as campeãs de vendas. Para os estrangeiros, a maior atração é o aromatizador de ambientes com essência de caipirinha. “Eles experimentam o drinque e querem levar o cheirinho para casa”, diz Freitas. O sachê líquido de 250 ml sai por R$ 25,00.
Não é só o Mercado Municipal que tem loja de suvenires: outros pontos turísticos da cidade vendem lembranças aos visitantes. A Pinacoteca do Estado, por exemplo, tem uma loja de lembranças do museu. Além de catálogos de exposições e livros dedicados à história da arte, a lojinha vende uma linha institucional de 30 itens com a marca da Pinacoteca. São lápis, cadernos de anotação e aventais, todos com o logo do museu ou frases inspiradoras.
De acordo com a assessoria de imprensa da Pinacoteca, o público consumidor é variado, mas constituído principalmente por paulistanos e visitantes de outros Estados do Brasil. Para estas pessoas, existe uma linha de cartões postais estampados com obras do acervo. Vendidos por R$ 2,00, eles estão entre os produtos mais vendidos da loja.
Além dos museus, dá para comprar lembrancinhas de São Paulo na loja Sampa in Stampa. A marca, criada em dezembro de 2007 pela paulistana Anneliese Lukine Martins, já tem 150 itens relacionados à metrópole. “Sou apaixonada por São Paulo e achava incrível não existirem suvenires da cidade por aí”, conta Anneliese. Entre os clientes do quiosque da loja no Shopping Center 3, a maioria é de paulistanos. “Ao ver a loja, as pessoas comentam que têm produtos de várias cidades estrangeiras, mas não do local em que vivem”.
O nome da Vista São Paulo não poderia ser mais adequado. As roupas da loja são estampadas com imagens de pontos turísticos importantes da cidade. “Nosso objetivo era chamar atenção dos turistas, mas já temos muitos clientes paulistanos”, afirma Ricardo Luiz Ortega, um dos proprietários. Ele e os sócios, Flavio Ricardo Dantas e Leonardo Pecsi, trabalhavam com vendas antes de ter a ideia da loja. Em 2010, alugaram um espaço no Copan, mas logo foram para a Praça Benedito Calixto. Agora, a loja fica na Rua Augusta.
Serviço:
Mercapoint
R. Cantareira, 306, Mercado Municipal. Rua M, loja 42. 3227-7072
Pinacoteca do Estado de São Paulo
Pça. da Luz, 2, Luz, 3224-1000
Sampa in Stampa
Av. Paulista, 2.064, Shopping Center 3, Piso Augusta, loja QA01
Vista São Paulo
R. Augusta, 2.800, 3255-1776
(Com colaboração de Míriam Castro)
A Enciclopédia Britânica anunciou na última quarta-feira o fim de sua versão impressa. Depois de 244 anos no mercado, a empresa – que desde 1901 está nas mãos de americanos, e não mais de ingleses – decidiu abraçar as tendências do século XXI e se dedicar à sua versão online, que promete ser uma boa concorrente da Wikipédia. Enquanto isso, no Brasil, nesse mesmo dia, a Enciclopédia Barsa lançou no mercado sua edição impressa de 2012.
Britânica e Barsa têm o mesmo DNA. Em 1964, quase dois séculos depois de seu surgimento, a Enciclopédia Britânica ganhou uma edição em português. Dorita Barret, filha de um dos proprietários da empresa, veio morar no Brasil na década de 1950. Iniciou sua carreira vendendo originais da Britânica – na época, o Brasil era o quinto país que mais consumia essas enciclopédias. Decidida a fazer um produto em português, Barret não sossegou até conseguir autorização para que a obra fosse genuinamente brasileira. Não aceitava a ideia de simplesmente traduzi-la, já que o espaço destinado ao Brasil teria apenas seis páginas, enquanto aos Estados Unidos estavam reservadas seiscentas. Depois de anos de negociação, o resultado foi o lançamento da Enciclopédia Barsa, que preserva, desde sua primeira edição, um conteúdo independente da Britânica. No corpo editorial, estavam Jorge Amado, Antônio Calado e Oscar Niemeyer, entre outros intelectuais brasileiros.
Desde 2005, a Barsa é propriedade do grupo espanhol Barsa Planeta, que tem um escritório brasileiro sediado no bairro da Água Branca, em São Paulo. Sandra Cabral, diretora de marketing da empresa, garante que os brasileiros ainda vão poder folhear a enciclopédia por um bom tempo: “Há 48 anos, a Barsa é todo ano reeditada e as vendas não caem”. Nos últimos três anos, segundo informações prestadas pela própria Sandra, a venda média anual foi de 70 mil unidades. De todo o modo, a empresa não deixa de investir na versão online e nos CD-ROMs, que são complementos dos livros de papel. “Nós acreditamos na pesquisa reflexiva, feita dentro de bibliotecas”, diz ela. “Mas também sabemos da importância do conteúdo online”.
Sandra afirma que até a má fama dos vendedores de enciclopédias – durante um tempo, o termo era usado pejorativamente como “pessoa chata, insistente” – não existe mais. “Esse estigma foi criado por causa dos vendedores de antigamente, mas hoje em dia isso é diferente. A nossa equipe é treinada para expor o conteúdo do produto. Eles chegam às casas com notebooks e simulam pesquisas usando o CD-ROM aliado à versão impressa”.
Para os interessados, um aviso: é preciso reservar um bom espaço na prateleira. As 10 mil páginas, distribuídas nos 18 volumes da edição de 2012, ocupam meio metro de estante. A Enciclopédia Barsa completa sai por cerca de R$ 3.000,00 (o preço varia conforme o modelo de capa escolhido).
(Com colaboração de Júlia Bezerra)
Nascida no Alto da Lapa em 1965, Priscila Callegari trabalhou por 30 anos com design e arquitetura promocional. Entre seus clientes, estavam marcas como Hering, PUC e Kipling. Em 2007, a paulistana decidiu deixar para trás a carreira de sucesso e criar sua própria grife de sapatos: a Ciao Mao, que inaugurou há cinco meses uma segunda unidade, no Shopping Pátio Higienópolis. “Muitas das empresas que eu atendia eram relacionadas ao mundo da moda, então convivo com o universo há décadas”, conta a designer.
Os sapatos de Priscila têm línguas removíveis, solado de borracha reciclada e tiras coloridas que podem ser trocadas e mudar totalmente o calçado. “Gosto de fazer meus sapatos diferentes. Cada um tem diversas possibilidades de transformação”.
Para confeccionar os primeiros sapatos da loja, a proprietária foi atrás de diversas fabricantes paulistanas, mas nenhuma aceitou o projeto: “Para criar sapatos como os atuais, era preciso ousar e ter conhecimento técnico”, diz Priscila. Então, ela fez uma parceria com o Senai de Franca, a capital paulista dos calçados. Lá, foram confeccionadas as versões-piloto que já tinham sido idealizadas para a Ciao Mao.
Mesmo no que chama de “outra vida” (a época em que a Ciao Mao não existia), Priscila gostava de pesquisar calçados enquanto viajava à Europa e à Ásia. Nos países nórdicos, percebeu que sapatos eram itens de sobrevivência. “Os europeus pensam muito antes de comprá-los e prezam a qualidade”, diz a designer. “No Brasil, a compra é muitas vezes impulsiva”.
O nome da marca surgiu durante uma viagem à China, cuja população tem uma relação ambígua com os pés. “Os chineses possuem técnicas de massagem pelos pés que beneficiam o corpo inteiro”, conta Priscila. “Ao mesmo tempo, no entanto, existe uma cultura de obrigar garotas a vestir sapatos apertados”. Descendente de italianos, a designer misturou o cumprimento ciao com a palavra Mao, que, em sua opinião, caracteriza o Oriente.
Uma rua sem saída em Pinheiros foi sede da primeira loja da marca. Agora, a casa na Rua Itamirindiba só funciona como escritório. Lojas, mesmo, são a unidade dos Jardins e a filial no Shopping Pátio Higienópolis, aberta no fim de novembro do ano passado. O novo local tem piso feito de borracha reciclada, assim como os calçados de Priscila. Os modelos, que custam entre R$ 200,00 e R$ 800,00, são limitados e não seguem coleção. “Como meus sapatos são feitos com materiais duráveis precisam ser adequados para qualquer temporada”, afirma Priscila.
Serviço:
Ciao Mao – Jardins
R. Melo Alves, 368, Jardins, 2478-8953
Ciao Mao – Shopping Pátio Higienópolis
Av. Higienópolis, 618, Piso Vilaboim, loja 4006B, 3823-2411
(Com colaboração de Míriam Castro)
Na próxima segunda-feira (19), comemora-se o Dia de São José, um dos santos mais populares da Igreja Católica. O carpinteiro é o padroeiro dos trabalhadores e também das famílias. Os italianos comemoram o Dia dos Pais no Dia de São José. Um tradicional doce italiano – que começa a atrair os paulistanos – homenageia o santo.
A zeppola é uma espécie de rosquinha frita recheada com creme de baunilha e polvilhada com açúcar de confeiteiro. Na padaria Big Bread, no Ipiranga, os fiéis da vizinha Paróquia de São José – que realiza uma quermesse no dia – fazem fila em busca do quitute, que custa R$ 2,20.
Vendida desde a inauguração do estabelecimento, em 1996, areceita é fabricada no 19º dia de todo mês, mas a produção cresce em março. “Sete funcionários passam a noite anterior à festa fazendo os doces”, diz o gerente Paulo Rodrigues de Lima. A Big Bread espera vender este ano 10 mil zeppole – plural usado em italiano para a receita.
No bairro da Mooca, a tradição começou com o restaurante Di Cunto, que oferece a zeppola durante o ano todo desde a década de 1950. O gerente de marketing, Marco Alfredo Di Cunto Junior, estima que as vendas cheguem a 20 mil unidades nos três endereços da rede. “Os clientes compram várias unidades e presenteiam todos os amigos chamados José”, afirma Di Cunto. Para quem pretende comprar uma quantidade muito grande de zeppole (R$ 6) no estabelecimento, a recomendação é encomendar com antecedência.
A seção de confeitaria da Casa Santa Luzia, nos Jardins, oferece as zeppole de uma maneira diferente: em vez de frita, a massa de carolina do doce é assada. O creme do recheio é preparado com fava de baunilha e com um toque final de amarena. À venda por R$ 4,60, o quitute só estará disponível entre os dias 15 e 20 deste mês.
Proprietário da Asti, no Paraíso, o confeiteiro Angelo Perrella busca reproduzir a zeppola da forma mais tradicional possível. “Meu doce é quase idêntico ao que é vendido na Itália”, explica. “A única diferença é que o produto disponível na Asti não é frito no azeite, já que, segundo Perrella, deixaria o doce muito enjoativo. Em seu lugar, é utilizado óleo de coco.
As zeppole da Asti são decoradas com três cerejas. De acordo com o confeiteiro, isso faz parte da tradição italiana. “O número três homenageia a Santíssima Família, da qual São José faz parte”, conta. No dia do santo, o hábito é dar o doce de presente em múltiplos de três. O balcão da loja só vende zeppole em três dias do ano: 17, 18 e 19 de março. Nesse período, saem diariamente 5 mil unidades (R$ 6,50 cada). Perrella, que estuda a história da confeitaria italiana, conta que as zeppole costumavam ser fritos em barracas na rua. “Era bem parecido com a tradição brasileira do acarajé”, diz.
Serviço:
Asti
R. Cubatão, 580, Paraíso, 5573-9484
Big Bread
R. Agostinho Gomes, 1.880, Ipiranga, 2273-0771
Casa Santa Luzia
Al. Lorena, 1.471, Jardins, 3897-5000
Di Cunto
R. Borges de Figueiredo, 61, Mooca, 2081-7100
(Com colaboração de Míriam Castro)
2013
2012
2011