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Curiocidade

Numa das alças da Ponte Engenheiro Roberto Rossi Zuccolo, mais conhecida como Ponte Cidade Jardim, fica uma praça chamada Deputado Dario de Barros. Naquele local, funciona desde 1971 o Varanda, que começou como uma quitanda e hoje é um supermercado chique. Já se localizou? Pois ao lado do Varanda existe um outro imóvel que abriga uma farmácia e uma livraria, que  já mudou de nome quatro vezes, mas que continua nas mãos de uma só família.

Em 12 de janeiro passado, a Livraria do Alto abriu as portas no lugar da Saraiva que funciona ali. Ela tem esse nome por ter sido inaugurada no bairro do Alto da Boa Vista em 2009. A proprietária, Sueli Dias Bianchi, não é estranha ao local. Foi seu pai, João Francisco D’Artagnan Bianchi, quem construiu aquele imóvel em 1974.

D’Artagnan – que tinha um irmão chamado Aramis, assim como outro personagem de Os Três Mosqueteiros – era proprietário de uma banca de jornal na praça. Com o crescimento das vendas de periódicos e livros, fez um investimento e construiu o prédio de dois andares da Livraria e Banca Cidade Jardim. “Era um lugar de encontro”, diz Sueli. “Os moradores da região iam comprar livros na banca e tomar água de coco no Varanda, que ainda nem imaginava chegar ao tamanho que tem hoje”.

Sueli, que tinha 7 anos quando a livraria foi inaugurada, viu o imóvel ser alugado para a Siciliano em 1999. “Meu pai precisava descansar um pouco dos negócios, então optou por ceder o espaço para a rede”, afirma Sueli. Mas o imóvel continuou pertencendo à família de D’Artagnan. Quando a Siciliano foi comprada pela Saraiva, o estabelecimento mudou de nome novamente. No final do ano passado, o contrato com a rede venceu , e a empresa não demonstrou interesse em renová-lo.

“Decidi voltar para cá, onde tudo começou”, conta a empresária. Assim que a Saraiva entregou o imóvel, Sueli retirou a Livraria do Alto da Avenida Vereador José Diniz e, em uma semana, já estava com a loja funcionando em Cidade Jardim. O prédio ainda sofre reformas, que devem durar até o fim de março. De acordo com a proprietária, o abastecimento de títulos está melhorando aos poucos e deve ficar em estado pleno junto com o final das obras.

A nova mudança de nome assustou alguns clientes da região. “Muitos estão apegados às grandes redes de livrarias, mas tudo muda quando explico que foi minha família que criou este ponto”, diz Sueli. “Queremos reviver o espaço do jeito que era quando administrado pelo meu pai”.

Serviço:
Livraria do Alto
Pça. Deputado Dario de Barros, 15, Ponte Cidade Jardim, 2366-3433

(Com colaboração de Míriam Castro)

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Nos últimos anos, com a popularidade crescente das corridas e das maratonas, lojas esportivas das grandes metrópoles de todo o mundo voltaram seus olhos para esse público. São Paulo – com o perdão do trocadilho – não poderia ficar para trás. A cidade já conta com estabelecimentos especializados em atender corredores casuais e atletas que participam de competições.

A Velocità, inaugurada nos Jardins em 1996, começou como uma multiesportes chamada Sport Now. A especialização só aconteceu em 2007. Agora, já são três unidades na capital. Patricia Vasconcelos, gerente da loja de Pinheiros, garante que o  foco em apenas um esporte garante um treinamento mais completo para os  funcionários. “Nosso público já é especializado, então precisamos de um  atendimento à altura”, diz a gerente. Na Velocità, para incentivar os funcionários a correr, há convênios com assessorias esportivas e inscrição gratuitas em provas.

A antiga Sports Society se transformou na Mundo Corrida há três anos, quando foi reformulada a matriz, no Leblon, Rio de Janeiro. Agora, existem unidades também em Belo  Horizonte e Brasília. De acordo com o supervisor nacional da marca, Danilo  Silva, o ponto de venda paulistano nos Jardins é uma loja-conceito. “Cada marca  tem seu corner, não existe mistura de segmentos”, afirma. “Em uma multiesportes, o funcionário só vai saber indicar qual tênis tem determinado tipo de amortecimento. Aqui, os vendedores têm treinamentos semanais sobre os equipamentos e novidades lançadas”.

Dedicada principalmente à corrida, a Fast Runner também tem seções com foco em triatlo e em ciclismo. Lá, funciona uma oficina de bicicletas. Na parte de corrida, além dos tênis de marcas variadas, é oferecido gratuitamente o teste da pisada. Também disponibilizado de graça pelas lojas citadas acima, esse  exame é feito com uma câmera atrás dos pés do cliente. “Desta maneira, sabemos  como é a pisada da pessoa e qual é o equipamento mais adequado”, diz Yuri  Andreoli, encarregado do e-commerce da marca. Se o freguês que visitar a loja  não estiver usando calçados adequados, o estabelecimento empresta os tênis durante o teste.

Serviço:
Fast Runner
Al. dos Arapanés, 195, Moema, 5054-3777

Mundo Corrida
R. Brigadeiro Luís Antônio, 4.921, Jardins, 3051-4981

Velocità
Av. Pedroso de Morais, 909, Pinheiros, 3811-9954 (e mais dois endereços)

(Com colaboração de Míriam Castro)

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O casarão antigo, que fica numa das esquinas das ruas Cardoso de Almeida e Doutor Homem de Mello, em Perdizes, está com ar de imóvel abandonado. O imóvel é tombado e tem um estacionamento nos fundos. Desocupado, sim, mas não sem dono: ele pertence à rede de padarias Dona Deôla, que pretende inaugurar uma nova unidade ali.

Construído entre as décadas de 1920 e 1930, o casarão foi comprado há quatro anos pelos proprietários da Dona Deôla. Faz dois anos que o grupo conseguiu autorização para realizar reformas no imóvel, mas ainda não tinha chegado o momento oportuno para a manobra. relata Flávio Del Nero Gomes, um dos sócios.

Será o quinto endereço da rede em São Paulo. Os outros já funcionam, 24 horas por dia, em Higienópolis, Granja Viana, Alto da Lapa e Pompeia. A unidade da Avenida Pompeia é a mais antiga e foi inaugurada em 1996. Fica na mesma esquina onde a portuguesa Dona Deolinda, que dá nome à marca, fundou a padaria Do Lar em 1948. Também existem três unidades menores dentro de hospitais da cidade.

O projeto da nova padaria ainda não está totalmente definido. “Ainda temos três ou quatro alternativas, mas estamos decidindo com calma”, diz Gomes, que promete um anúncio oficial do empreendimento no próximo mês. Uma das possibilidades de reforma é restaurar o casarão e, na parte de trás do terreno, fazer uma construção moderna. “Aí, seria criado um contraste entre o antigo e o novo”, afirma.

Mesmo tombado, o casarão não tem muitas restrições de uso. De acordo com Gomes, a preservação difere em cada cômodo do imóvel. “Na cozinha, por exemplo, posso fazer o que quiser”, garante. “Esta casa já acomodou pessoas, o que quer dizer que é possível instalar fornos, desde que respeitemos a estrutura do local”. Gomes não revela a quantia de dinheiro que será investida na empreitada, mas garante que será alta. “Queremos fazer algo original, que mude o conceito das padarias pelos próximos 15 anos”, diz o empresário.

Nas proximidades do casarão, já existem duas grandes padarias: a Nova Charmosa, na Doutor Homem de Mello, e a Santa Marcela, na Cardoso de Almeida. Nos dois locais, ninguém sabia dos planos da Dona Deôla. “É bom ter concorrência”, diz Arlindo Ribeiro, gerente da Nova Charmosa. “Mas a proposta deles é diferente da nossa, e não acho que perderemos clientes”.

(Com colaboração de Míriam Castro)

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Muitas novidades para os clientes do Pitanga, tradicional restaurante da Vila Madalena. A casa está com dono (e chef) novo, sofreu mudanças no cardápio e, há um mês, passou a abrir durante a noite. Enquanto no almoço ainda funciona apenas o serviço de bufê, o menu noturno é composto por pratos à la carte.

O novo chef e proprietário da casa é o paulistano Rodrigo Tambelli, formado em Educação Física e com mestrado em Fisiologia Humana. Tambelli tinha como hobby cozinhar em festas de família. “Em 2007, decidi dar uma reviravolta em minha vida e mudar de área”, conta o cozinheiro, que tem o Pitanga como primeiro empreendimento.

“Meu namoro com o Pitanga começou em fevereiro do ano passado”, diz Tambelli. Na época, o chef procurava um estabelecimento para entrar como sócio. Um amigo em comum deu a notícia de que Gilberto Geronimo Oller, o “Peninha”, dono do Pitanga, estava querendo dedicar mais tempo à paixão que tem pelo cinema. “Entrei na sociedade e, desde dezembro, estou sozinho no negócio”.

Tambelli pretende manter o cardápio contemporâneo do Pitanga, que também tem inspirações mediterrâneas. No bufê, os pratos são sazonais, para manter o frescor dos ingredientes. Os pratos à la carte, servidos durante a noite, são todos criados por ele e serão atualizados a cada três meses. O atendimento noturno ainda não foi divulgado. Por enquanto, o movimento consiste principalmente em amigos e clientes fiéis da casa. “Estou aproveitando o movimento leve do soft opening para treinar meus funcionários”, diz Tambelli. “O serviço à la carte é totalmente diferente do oferecido em bufês”.

Serviço
Pitanga
R. Original, 162, Vila Madalena, 3816-2964

(Com colaboração de Míriam Castro e foto de Epitácio Pessoa/AE)

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Ao patrocinar um time de futebol ou uma escola de samba, as empresas costumam medir o sucesso do investimento pelo número de vezes que sua marca é exposta em jornais, revistas, sites e emissoras de TV. Há até assessorias contratadas para fazer a contagem dessas aparições. Aí os patrocinadores contabilizam quanto custaria para pagar pelo mesmo espaço. Portanto, quanto mais aparecer a marca, melhor. Pois a Transitions foi a marca que mais apareceu no episódio da apuração dos votos na tarde de ontem no Sambódromo. Mas a empresa só tinha motivos para lamentar.

Reprodução/TV Globo

“Na ótica do meu Império, o foco é você!” – binóculos, lentes, toda tecnologia que ajuda a melhorar a visão foi o enredo da Império de Casa Verde no Carnaval 2012 patrocinado pela empresa de lentes para óculos. Faltava o anúncio das notas de apenas dois jurados no quesito Comissão de Frente, o último de todos. Naquele instante, o palanque foi invadido por Tiago Ciro Tadeu Faria, que se apresentou como diretor da Império de Casa Verde (para evitar uma punição, a escola nega que ele seja diretor, embora o invasor tivesse acompanhado toda a apuração na mesa reservada à diretoria). Alucinado, Tiago arrancou o envelope das mãos do apresentador do evento, rasgou-o, jogou tudo num banheiro químico e fugiu. Filmado fazendo isso e, depois, quando foi levado por uma viatura da polícia, Faria usava uma camiseta da escola que tinha bem visível a marca Transitions. A lamentável cena foi repetida centenas de vezes e estampou as manchetes dos jornais de hoje.

Foi a primeira vez que a Transitions patrocinou uma escola de samba – e, pelo visto, a última também. De acordo com a assessoria de imprensa da empresa, o objetivo era alertar a população para a necessidade de uma visão saudável e homenagear os profissionais do mercado óptico. Para isso, foram prestadas ações sociais na comunidade da Casa Verde, como exames oftalmológicos e distribuição de óculos gratuitamente. Em pronunciamento oficial, a Transitions Optical lamentou a confusão da tarde de ontem: “Tal fato nada tem a ver com o patrocínio e seus objetivos. Esperamos que o Carnaval da cidade seja novamente a celebração de uma festa popular”. Ponto final.

Com a invasão, integrantes de outras escolas começaram a se exaltar e tomaram parte na confusão. Torcedores da Gaviões da Fiel foram acusados de, na saída do sambódromo, incendiar um carro alegórico da Pérola Negra. Caue Santos Pereira, integrante da torcida organizada, foi preso. As camisas da Gaviões, cujo enredo homenageava o ex-presidente Lula, não tinham marcas de patrocinadores.

Outra escola que teve membros na confusão foi a Vai-Vai. Campeã no ano passado, a escola do Bixiga ficou com o terceiro lugar na competição. Entre os invasores da área reservada para a leitura da nota dos jurados, havia pessoas com camisas da Vai-Vai, que teve o enredo deste ano, “Mulheres que Brilham”, patrocinado pela Bombril. O diretor de marketing da empresa, Marcos Scaldelai, disse que lamenta o tumulto de ontem: “É muito triste o que aconteceu”, afirma. “Mas nada abalará o trabalho de quem luta pelo crescimento do Carnaval de São Paulo. Estamos muito felizes com a parceria com a Vai-Vai e todos os resultados”.

(Com reportagem de Míriam Castro)

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Heloisa Bacellar, proprietária do restaurante e da loja Lá da Venda, publicou no ano passado um almanaque à moda antiga. Cheio de receitas, passatempos e curiosidades, o livrinho era baseado nos antigos almanaques anuais, como o Tico-Tico e o Eu Sei Tudo. Deu tão certo que Heloisa acaba de lançar a versão 2012 so Almanaque Lá da Venda.

Com 54 páginas, o volume tem de tudo: 13 receitas de cozinha, guia com nomes de rios brasileiros e manual de como dobrar um aviãozinho de papel. A cada início de mês, a página de calendário contém uma curiosidade, ditado popular ou dica doméstica. Você sabia, por exemplo, que espalhar pó de café coado pelos cantos da cozinha ajuda a afastar formigas? A dica está na página dedicada ao mês de fevereiro.

A proprietária do restaurante da Vila Madalena já tem quatro livros de gastronomia publicados. É ela quem faz a maior parte do conteúdo do almanaque. “É um jeito nostálgico de obter informação”, diz Heloisa, que tem em uma coleção de cerca de 50 exemplares das clássicas revistas. As únicas partes feitas por outras pessoas são a história do Curupira, por Mouzar Benedito, e o horóscopo, de Barbara Abramo. O projeto gráfico é de Didiana Prata. “Para esse ano, deixamos o Almanaque ainda mais atraente”, diz Heloisa. Entre os textos, há receitas patrocinadas por marcas de produtos culinários. “No ano passado, o investimento foi quase todo meu”, conta. O almanaque, com tiragem de 2 mil exemplares, é dado como brinde aos clientes que fizerem compras acima de R$ 100,00. O preço avulso da edição 2012 é de R$ 5,00.

Serviço:
Lá da Venda
R. Harmonia, 161, Vila Madalena, 3037-7702

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Com um pouco de correria no final, a escola de samba Pérola Negra conseguiu terminar o desfile em cima da hora (0h40 de domingo). Apenas uma hora e meia depois, quando os primeiros integrantes da escola retornavam à quadra da agremiação, no bairro de Vila Madalena, vendedores já ofereciam DVDs com a gravação da apresentação.

Os discos, que já tinham embalagem plástica e capa com o emblema da escola de samba, estavam sendo vendidos a R$ 10,00 por funcionários de camiseta amarela. Os vendedores não quiseram se identificar, mas afirmaram que tinham equipes vendendo os disquinhos depois do desfile de cada escola do Grupo Especial de São Paulo.

Por telefone, uma atendente da produtora responsável pelos DVDs disse que a operação de filmagem, edição, gravação e distribuição  é planejada durante o ano todo. “Só podemos descansar mesmo após o Desfile das Campeãs, na próxima sexta-feira”, afirma.

Garantindo que as imagens não são meras regravações do que foi transmitido pela televisão, a funcionária afirmou que a “produtora”  contava com uma equipe de filmagem dentro do Anhembi.  “Nosso objetivo é dar aos foliões a oportunidade de ver como foi o desfile de que acabaram de participar”, diz. “Queremos satisfazer essa curiosidade que eles têm”. Se fosse verdade, não haveria tempo de produzir um DVD em tão pouco tempo.

A empresa se recusou a dar detalhes sobre o processo de distribuição dos DVDs. Só esclareceu que não é oficialmente vinculada a nenhuma escola de samba, nem à Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo. Em resumo: trata-se de um produto pirata.

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Na semana passada, cerca de 60 clientes da cantina Nello’s, no bairro de Pinheiros, foram vítimas de um arrastão. Os bandidos levaram bolsas, carteiras e outros pertences, além de dinheiro do caixa do restaurante. Quase ao mesmo tempo, a 2 quilômetros dali, o restaurante Nicota anunciou a seus clientes que deixaria de servir jantares por causa de assaltos que aconteceram no ano passado.

Salada que consta no menu de almoço do Nicota: jantar foi abolido após assaltos

Era a semana do Dia dos Namorados. O Nicota, que tem um ambiente intimista, propício para casais, estava lotado na sexta-feira, dia 10. Os clientes, então, foram abordados por assaltantes, que fugiram em menos de 5 minutos. No dia seguinte, outra surpresa: o mesmo restaurante foi alvo de outro arrastão, provavelmente pelo mesmo grupo de bandidos.

Depois dos assaltos, a clientela não voltou a fazer encontros românticos no Nicota. “Desde que aconteceram os arrastões, o movimento à noite caiu quase 90%”, diz Hellen Romero Queiroz, gerente do restaurante que pertence à chef Marisa Revoredo. Mesmo depois da contratação de seguranças particulares, houve noites em que nenhum freguês apareceu. “O custo para manter o funcionamento noturno já não compensava”.

A decisão foi tomada no final do ano passado. Desde o dia 8 de fevereiro, quando reabriu depois de uma reforma na cozinha, o Nicota só serve refeições em horário de almoço, das 12h às 15h (até 16h aos sábados e até às 17h aos domingos). “Teve gente que não gostou da mudança”, diz Hellen. “Mas não dava para continuar daquele jeito’. Para Hellen, o problema da região próxima ao Largo de Pinheiros não é falta de policiamento, mas o pouco movimento de carros e pedestres. A rua Costa Carvalho, onde está localizada a casa, é muito residencial – e um tanto escura. “Além disso, eles vêem uma oportunidade de ganho em nossos clientes, que são de classe média alta”, afirma.

A rua Ferreira de Araújo, a uma quadra de distância, é um pouco mais agitada: nela, funcionam templos religiosos e uma escola técnica. Desde que aconteceram os arrastões do ano passado no Nicota, os comerciantes da rua se associaram para contratar seguranças particulares. “Quando o problema aconteceu, não tínhamos nenhuma precaução de segurança”, diz Tiago Del Bianco, chef do restaurante Nou. Segundo Del Bianco, o movimento caiu no final de semana do Dia dos Namorados, mas não de maneira expressiva. “Foi só naquela época, tudo voltou ao normal em poucos dias”, afirma. Por causa disso, o chef não considerou a hipótese de fechar as portas no período noturno. No Le Repas, em frente ao Nou, a proprietária Fernanda Barros também diz não ter sentido queda na frequência dos clientes. “Como estamos com o serviço de segurança por toda a rua, o público tem menos receio”, diz.

Serviço:
Nicota
R. Costa Carvalho, 72, Pinheiros, 3031-6373

Nou
R. Ferreira de Araújo, 419, Pinheiros, 2609-6939

Le Repas
R. Ferreira de Araújo, 450, Pinheiros, 2366-9882

(Com colaboração de Míriam Castro)

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Desde setembro do ano passado, com a saída de Fábio Nogueira, a banda The Soundtrackers estava sem um vocalista masculino. A banda, que toca sucessos da trilha sonora de filmes ao vivo, teve que fazer algumas adaptações no repertório. Mas, na quinta-feira passada, o martelo foi batido e um novo vocalista entrou para o grupo.

Bruno Sutter (à direita) é o novo vocalista da banda The Soundtrackers

Bruno Sutter, nascido em Petrópolis (RJ), era um dos participantes do programa Hermes & Renato, exibido na MTV entre 1999 e 2009. Ele também é vocalista da banda Massacration, que surgiu no mesmo programa como uma paródia dos grupos de heavy metal. A piada virou coisa séria: o Massacration tem hoje dois álbuns gravados e já abriu shows da banda Sepultura.

Rodrigo Rodrigues, líder e guitarrista dos Soundtrackers, conheceu o vocalista em 2001. Rodrigues, que trabalhava como repórter da TV Cultura, entrevistou Sutter, que era ator no programa Hermes & Renato. O reencontro aconteceu em agosto do ano passado, quando o comediante foi novamente entrevistado por Rodrigues – desta vez, no Bola e Música, da rádio Estadão/ESPN. Na ocasião, Rodrigues deu de presente a Sutter um CD dos tocadores de trilhas.

“Eu não imaginava, mas ele ficou amarrado em nosso som”, conta Rodrigues. Em novembro, eles se encontraram em um lançamento de livro e, assim que o Rodrigues comentou sobre a ausência de um cantor masculino, Sutter se ofereceu para o posto. “Eu sabia que ele cantava no Massacration, mas não tinha certeza se a voz dele seria adequada para o estilo diversificado de nossa música”.

Com os testes em estúdio e em um show no último dia 3, Rodrigo Rodrigues viu que estava enganado: “A voz dele se adapta bem a todos os gêneros”, afirma. Na quinta-feira, enquanto devoravam um nhoque ao ragu, os Soundtrackers Paula Marchesini (voz feminina), Luis Capano (bateria), Fabio Effori (baixo) e Danilo Barbalaco (guitarra) incluíram de vez o nome de Bruno Sutter entre os membros da banda.

Agora, com um novo vocalista masculino, algumas trilhas que não eram tocadas há meses voltarão aos palcos. “Não podíamos tocar clássicos masculinos, como Highway to Hell, do AC/DC, apenas com a voz feminina”, diz Rodrigues. “Os duetos, que costumam animar bastante o público, também voltam às apresentações”.

Na escolha do figurino da banda, cada membro representa um personagem de um filme clássico. O de Sutter já foi escolhido: é Wayne Campbell, do longa Quanto Mais Idiota Melhor, de 1992. A estreia oficial do novo vocalista da The Soundtrackers acontece na próxima sexta-feira (24) no Na Mata Café.

Serviço:
Na Mata Café
Rua da Mata, 70, Itaim Bibi, 3079-0300

(Com colaboração de Míriam Castro)

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Se a Santa Ifigênia é conhecida como “Rua dos Eletrônicos”, a vizinha General Osório é a “Rua do Samba”. Também na região da Luz, ela é sede de estabelecimentos dedicados à venda de instrumentos de percussão. Caixas, surdos, repiniques e agogôs são procurados pelas baterias de escolas de samba paulistanas. Agora, à véspera do Carnaval, o movimento é constante. “A maioria das escolas compra os instrumentos com antecedência, mas sempre tem gente que vem na última hora”, diz Ronaldo Gabriel, gerente da loja Redenção.

Os endereços do samba em São Paulo se concentram em um quarteirão de cerca de 100 metros, entre a Rua do Triunfo e a Rua dos Andradas. No caminho para a Rua Santa Ifigênia, aumenta a frequência de lojas de aparelhos de som e eletrônicos. Depois de cruzar o famoso centro de comércio, a General Osório passa a ser conhecida por outro apelido, “Rua das Motos”, devido à quantidade de estabelecimentos dedicados à venda de motocicletas e acessórios.

O local mais famoso e tradicional da região é a Contemporânea, inaugurada em 1948 por Miguel Fasanelli. Os instrumentos da marca abastecem até escolas de samba cariocas, como Mangueira e Unidos da Tijuca. Esta semana, a Contemporânea recebeu a visita de Mestre Tadeu, que em 2012 completa 39 anos no comando da bateria da Vai-Vai, atual campeã do Carnaval de São Paulo. “Na General Osório, dá para achar tudo relacionado a samba”, diz o sambista. “Todo mundo desse universo vem para cá nesta época”.

Na Contemporânea, também começou o projeto Rua do Samba Paulista, uma grande roda de samba que serve para divulgar a história da cultura do samba local. Os mentores do evento são os paulistanos Edson Roberto, Mestre Paulo, Roberto Oliveira e Tadeu Augusto Matheus, o sambista T-Kaçula. Ele conta que, em novembro de 2002, uma das rodas realizadas na Contemporânea ficou tão grande que teve que ser expandida para a rua. “Eu mesmo bloqueei o tráfego com meu carro e tomamos a General Osório”, diz.

Até 2008, o encontro continuou a acontecer na Rua General Osório durante o último sábado de cada mês. “Naquele ano, a Prefeitura nos transferiu para o Bulevar São João sob o pretexto de reformar o local anterior”, conta o sambista. “A reforma acabou em 2009, mas nunca pudemos voltar à General Osório”. Atualmente, o evento reúne cerca de seis mil pessoas e conta com uma estrutura de banheiros químicos e aparelhos de som.

Se o Projeto Rua do Samba não está mais na General Osório, ela não deixou de ser a Rua do Samba. Confira abaixo os endereços mais bambas da Santa Ifigênia dos batuques:

Contemporânea
Inaugurada em 1948 por Miguel Fasanelli, o “Seu Miguel”, a Contemporânea começou como uma oficina de conserto de instrumentos de sopro. Como tinha muitos amigos que tocavam chorinho e samba, Miguel começou a elaborar instrumentos que pudessem ser usados nesses gêneros de música. Desde 1985, a fábrica da Contemporânea foi para o Cambuci, mas a loja continua, firme e forte, na General Osório. Quem comanda o estabelecimento hoje é Sérgio Guariglia, que trabalha lá desde os 13 anos de idade. Ele mantém a tradição de 38 anos da roda de choro e samba de raiz que acontece na loja a partir das 9h da manhã aos sábados. Uma sala com capacidade para 120 pessoas é sede do evento, que já atraiu artistas como Zeca Pagodinho e Jair Rodrigues.
R. General Osório, 46, 3221-8477

Redenção
Surgiu quando a  General Osório  já era um ponto de encontro dos sambistas. A maior parte do público é de baterias de escola de samba e grupos de pagode, mas também há violões, flautas e violoncelos. Ronaldo Gabriel, gerente da loja, trabalha lá desde a inauguração, em 1998. Ele destaca o serviço de preparo de peles animais para o uso em instrumentos.
R. General Osório, 25, 3331-2804

GPMusical
A loja pertence à família de Humberto Henrique Rodella, que em 1962 fundou a marca GOPE de instrumentos de percussão. Enquanto a fábrica fica em Embu-Guaçu, a loja na General Osório é o principal endereço para comprar seus produtos. O carro-chefe da GPMusical é o pandeiro GOPE, que sai a partir de R$ 190,00.
R. General Osório, 62, 3222-0184

JVR Premier
José Valderi Gouveia Amorim e seus dois sócios compraram há cinco anos o Premier, que estava fechado depois da morte do antigo proprietário. Decidiram manter a tradição da roda de samba, que acontece duas vezes por semana. Às sextas, o evento é um happy hour a partir das 18h. No sábado, o samba começa assim que o da Contemporânea termina, por volta das 16h.
R. General Osório, 41, 3337-5127

J. Guerra
A lanchonete na esquina da General Osório com a Rua dos Andradas marca o limite da Rua do Samba.  Aos sábados, o espaço do restaurante não é suficiente para sediar a roda de samba, que invade a calçada e, de acordo com o proprietário, Marcos Vinícios Rodrigues do Nascimento, atrai até quem só está passando por ali.
Rua dos Andradas, 498, 3221-2850

Zebrinha
Com este nome, era de se esperar que as paredes fossem brancas e pretas, não amarelas. Mas o casarão é inteiro pintado desta cor, rendendo ao bar o apelido de “Amarelinho”. Na esquina da General Osório com a Rua do Triunfo, o boteco tem rodas de choro e samba durante as tardes de sábado.
R. do Triunfo, 307, 3337-7163

(Com colaboração de Míriam Castro)

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