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Ana Paula Iglesias, dona da lavanderia GreenEarth Cleaning, tinha uma parede lateral toda pichada. Procurou o badalado Eduardo Kobra e lhe ofereceu o espaço. Ela disse que o artista poderia pintar o que bem entendesse. Kobra avisou que não cobraria nada pelo serviço e pintaria algo relacionado a golfinhos. Só que Ana Paula não imaginou que o desenho seria de um mergulhador matando um parente do Flipper. “Ela tomou um susto”, diz Kobra. Passado o choque, Ana Paula até achou que o trabalho combinou com a lavanderia, que tem a proposta de ser sustentável. “Usamos solvente ecológico, por exemplo”, afirma ela. “O tema da pintura tem relação com isso, está tudo ligado ao ecossistema”.

A pintura faz parte do Projeto GreenPincel – Kobra faz painéis com mensagens ecológicas. A da lavanderia é uma campanha contra a temporada de caça a golfinhos e baleias que se iniciou em setembro no Japão. O artista conheceu a causa por meio de um grupo de amigos do “Sea Shepherd Brazil – Guardiões do Mar”, uma ONG de proteção a ambiente e animais marinhos. A organização faz parte da Sea Shepherd Conservation Society, fundada em 1981 nos Estados Unidos. Chegou ao Brasil em 1999.

Kobra começou seu trabalho com grafite em 1987, na periferia da cidade. Criou o Studio Kobra em 1990, mas foi em 2004, navegando na internet, que descobriu a técnica que o tornaria famoso. Inspirado na pintura 3D, passou a fazer murais com efeito lúdico. Hoje, há cerca de 50 murais de sua autoria em São Paulo. O artista iniciou o projeto GreenPincel este ano. O trabalho inaugural foi o painel Caça às Baleias, na Rua na Domingos de Morais (em frente à estação do metrô Vila Mariana). No total, são oito pinturas, com temas como aquecimento global (Vila Madalena) e desmatamento da Amazônia (Av. Rebouças).

(Foto: Nilton Fukuda/AE)

Serviço:
GreenEarth Cleaning, R. Cayowaá, 802, 3864-0903.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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O restaurante andino Suri fez uma mudança no cardápio e acrescentou, entre outros pratos novos, dois cechives. Um deles se chama Tigarah – em homenagem à cantora japonesa que se inspira no funk carioca para suas músicas (o outro ganhou o nome de Macarena). Leva camarão, polvo, peixe branco, cebola roxa, ceboulette, sauté de shimeji e cogumelo paris e ovas de massagô, comum na culinária japonesa. O chef colombiano Dagoberto Torres, um dos cinco sócios da casa, contou ao Blog do Curiocidade como foi a escolha do nome para o prato.

Por que dar ao ceviche o nome de Tigarah?
Nos últimos tempos, tenho visitado muitos restaurantes de origem asiática. A ideia de fazer um cheviche que lembrasse aquele sabor vem dessas visitas. Precisava de um nome apropriado para um prato de origem sul-americana com influências japonesas. Aí encontramos a Tigarah. Uma menina japonesa que veio para o Brasil e encontrou o funk carioca. É chamada em seu país de “musa do funk carioxa”. É uma história muito boa, achamos que tem tudo a ver! Não é sempre que batizamos os pratos. A cada três meses, os sócios se reúnem para criar novidades e eleger nomes.

Os clientes costumam perguntar o significado do nome?
Sempre. As pessoas perguntam na hora: “O que é Tigarah?”. Aí o garçom explica que é um ceviche com camarão, polvo, peixe branco… E os clientes dizem: “Não, eu quero saber o que é Tigarah!” Já teve cliente que veio me mostrar o vídeo da cantora no iPhone (risos).

Que importância tem o nome do prato para a escolha do cliente?
O nome do prato, em muitos casos, cria expectativas. Nós demos o nome e fizemos uma descrição no cardápio, mas acho que os clientes ficam muito intrigados de saber o porquê dos nomes. O ser humano, por natureza, tem essa fome de conhecimento.

(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de divulgação)

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A final de Pelota Basca dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara aconteceu hoje. O México levou o maior número de medalhas (cinco de ouro, duas de prata e duas de bronze). A Argentina ficou em segundo lugar, com quatro ouros e três bronzes. Na terceira colocação,  Cuba conquistou um ouro, três pratas e quatro bronzes. O Brasil não participou porque não tem uma equipe oficial para representar o país.

(Foto: Reprodução / Federação Internacional de Pelota Basca)

Não temos uma seleção porque  só há um lugar no Brasil inteiro onde se pratica Pelota Basca: o Club Athletico Paulistano. Sem clubes de pelota basca, não é possível formar uma federação brasileira do esporte, requisito para participar da competição dos Jogos Pan-Americanos. O que existe é a Sociedade Brasileira de Pelota Basca, criada para afiliar o Brasil na Federação Internacional de Pelota Basca. Isso permite que o país participe ao menos dos Mundiais de Pelota Basca. A primeira vez em que isso aconteceu foi em 1990 e, desde então, não houve nenhuma edição sem representantes brasileiros. O que não chega a ser um motivo de tanta comemoração, já que o nosso desempenho nunca foi dos melhores. Na última edição, ano passado, o Brasil ficou em 5º lugar na modalidade cesta punta. Eram oito países competindo. No total, são oito modalidades: cesta punta, mano, joko garbi, share, pala corta, paleta cuero, paleta goma e frontenis. A diferença é o instrumento utilizado para bater na bola e o tamanho das canchas (paredes altas), que varia entre 450 e 810 m². São três paredes. A bola deve ser atirada na parede da frente e, ao voltar, precisa ser rebatida pelo jogador do time adversário. Ela só pode bater uma vez no chão. São dois jogadores de cada lado.

O esporte teria surgido no País Basco, norte da Espanha. Mas os primeiros registros de Pelota Basca mostram que, na Antiguidade, já havia jogos entre gregos e romanos. Foi modalidade olímpica apenas uma vez, em 1900, nos Jogos de Paris. No Brasil, era mais praticado entre os anos 1890 e 1940, época em que o jogo atraía apostadores. São Paulo tinha quatro quadras. Mas, com a proibição de cassinos no país, em 1946, as apostas foram vetadas e perdeu-se o interesse pelo esporte por aqui.

Em entrevista ao Blog do Curiocidade, Alfredo Correia Soeiro, de 74 anos, presidente da Sociedade Brasileira de Pelota Basca, falou sobre o esporte. Médico psiquiatra, ele joga em suas horas vagas, como hobby.

Por que o Brasil não montou um time para os Jogos Pan-Americanos? 
Nós não temos condições de formar uma federação brasileira. Precisamos de clubes, de canchas em vários Estados. Já tentamos dezenas de vezes, mas eles não aceitam. Nós precisamos construir canchas. Infelizmente, não somos reconhecidos.

Você acompanhou algum jogo de Pelota Basca nos Jogos Pan-Americano?
Não cheguei a ver a pelota no Pan, não. O problema é que, como não tem time do Brasil, eu tenho a impressão de que não está passando na televisão.

Quais são as potências mundiais da Pelota Basca?
México, França, Cuba e Espanha. Nunca ganhamos desses times. Mas, no último mundial, nós vencemos Filipinas, que é uma seleção forte.

Qual foi o melhor desempenho no Brasil em mundiais?
Foi da equipe feminina em 1994 na categoria frontenis. Mas não me lembro a classificação. Hoje estamos sem equipe feminina, mas começamos a treinar uma agora.

Tem alguém que patrocina o esporte no Brasil?
Não temos patrocinadores. O clube, em época de mundiais, até dá uma pequena ajuda de custo. Mas os jogadores pagam quase tudo do próprio bolso. Ninguém é profissional, nós somos amadores.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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Está marcada para o próximo dia 5 a inauguração da Gelateria Italian Dessert, em Pinheiros. A empresa existe há 21 anos, mas sempre vendeu por atacado para restaurantes, hoteis e bufês. Havia apenas uma portinha lateral no prédio da fábrica – sem placa, sem nada -, onde eram vendidos os sabores produzidos no dia. Agora a Italian Dessert parte para o varejo.  “Todo mundo perguntava quando teríamos uma gelateria”, conta Matteo Maveri, proprietário da fábrica. Carlo, fundador da marca e pai de Matteo, era quem mais cornetava. ”Um belo dia, voltando de viagem, ele resolveu cobrar de novo”, narra Matteo. “A minha mulher entrou na campanha e aí não teve mais jeito”.

Matteo decidiu criar sabores novos para a gelateria. (Foto: Ayrton Vignola / AE)

A gelateria vai funcionar no mesmo endereço da fábrica. A fachada, que era toda grafitada, foi reformada e ficou com uma aparência mais sóbria. Com capacidade para 15 pessoas, a gelateria não terá nenhuma mesa ou cadeira, só pufes que ficarão na parte externa.

A fachada foi toda reformada. Saem os grafites e entra uma decoração mais sóbria (Foto: Divulgação)

Os sorvetes não serão os mesmos vendidos por atacado. “As matérias-primas serão diferentes”, explica Matteo. É que, ao contrário dos gelados vendidos em baldes por atacado, que precisam ficar guardados por mais tempo, os da gelateria não terão conservantes. “Venderemos o próprio creme saído da máquina, feito com creme de leite mesmo. O sorvete de morango, por exemplo, levará a própria fruta.” Por enquanto, foram criados para a gelateria três novos sabores: cerveja, uísque e morrito. Também haverá shakes de vodca, nas opções tangerina, limão, pera e maracujá.  A gelateria também irá servir milk-shakes e  picolés gourmet (R$ 10) – incluindo sabores como manga e gengibre. Os sorvetes serão servidos no copinho ou na casquinha e custarão de R$ 7 (uma bola) a R$ 13 (duas).

Serviço:
R. Alves Guimarães, 1363; Pinheiros; 3865-3540

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo já divulgou a programação de apresentações para 2012. No dia 16 de setembro, às 17h, está marcado um recital de piano do francês Alexandre Tharaud. No repertório, Tharaud apresentará músicas inspiradas em artistas da música pop como Madonna e Michael Jackson. Também há composições baseadas no repertório de Henri Salvador, cantor franco caribenho considerado um dos precursores da Bossa Nova.

Alexandre Tharaud é conhecido por transitar entre o clássico e o contemporâneo. Arthur Nestrovski, diretor artístico da Osesp, explica que o pianista não apresentará simplesmente algumas adaptações das músicas originais para piano. Também não serão composições com trechos das versões originais. “Na realidade são recriações livres, utilizando as obras como ponto de partida e inspiração”, explica. Em entrevista ao Blog do Curiocidade, Nestrovski deu mais detalhes sobre a apresentação do pianista francês:

Quantas canções apresentadas por Tharaud serão inspiradas por em artistas populares?
Todas. Constam do programa doze canções e todas elas serão compostas com base em obras do repertório popular francês e internacional.

É uma forma de atrair um novo tipo de público à Sala São Paulo?
Digamos que sim. É uma excelente maneira de amplificar a divulgação da música sinfônica e camerística e, com isso, atrair um novo público.

Que outros concertos com músicas de artistas populares já fizeram parte da programação da Osesp?
A Osesp possui um histórico de aproximação entre os estilos musicais. Nos últimos anos, fizemos três programas com a Banda Mantiqueira, tradicional Big Band brasileira, que renderam três CDs, dois deles em parceria com as cantoras populares Luciana Souza e Mônica Salmaso. Tivemos também o concerto com o Grupo Pau Brasil, também em parceira com Mônica Salmaso; a Série de Câmara com o compositor André Mehmari com obras de Chico Buarque e Pixinguinha, além de vários concertos com obras de Astor Piazzola.

(Com colaboração de Karina Trevizane foto de Marco Borggreve / divulgação)

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O famoso castelo da Rua Apa, na região central da cidade, finalmente recebeu autorização para ser restaurado. O imóvel foi tombado  em 2004. O projeto está sendo feito pelo arquiteto Paulo Bastos, que esperava apenas a autorização do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp). O sinal verde foi dado há duas semanas.  Bastos pretente derrubar a edícula, que tem cerca de 600 m², e construir uma nova. “Isso já foi aprovado pelo Conpresp, com uma exigência: fazer o projeto e a execução do restauro do castelinho”, conta. “Já o castelinho será mantido em sua forma original”.

Frente do casarão. (Foto: Paulo Liebert/AE)

O castelo foi construído em 1912 pela família do médico Vicente César dos Reis, que costumava dar muitas festas em casa para a sociedade paulistana. Em 12 de maio de 1932, dois meses depois da morte de Vicente, o casarão foi palco de um crime que chocou São Paulo. Álvaro, 45 anos, matou a tiros o irmãos novo, Armando, 43, a mãe, Maria Cândida, 73. Em seguida, se suicidou.  As circunstâncias do crime nunca foram esclarecidas. O que se dizia na época é que Álvaro queria abrir um ringue de patinação num imóvel da família alugado para o Cine Broadway. Armando era contra. Os herdeiros da família disputaram o casarão, mas o imóvel se tornou propriedade da União em 1987. Desde então, o imóvel não passou por nenhuma reforma. Em 1996,  a ONG Mães do Brasil foi autorizada a ocupar o imóvel. A ONG, no entanto, utiliza apenas a edícula.

Projeto do arquiteto Paulo Bastos para restaurar as formas originais da fachada do castelinho. Na imagem, a frente do imóvel.

Projeto para a lateral do castelinho. (Fotos: dilvulgação)

Para o castelinho, que tem entre 600 e 700 m², o arquiteto planeja começar pela restauração da fachada e do telhado para, depois, partir para a parte interna. “Com isso, a gente avança na proteção das paredes remanescentes e também na consolidação, porque o telhado estabiliza as paredes”, explica Bastos.

Enquanto o trabalho de restauração da parte externa é feito, Bastos irá precisar contratar um historiador para fazer uma pesquisa sobre o interior do imóvel. “Não tem mais piso, e só há vestígios do assoalho”, aponta. “Tudo vai depender do levantamento histórico. Precisamos de documentação para saber como eram os pisos, os forros. Não tem mais nada disso. O crime que aconteceu na casa pode ajudar. Um dos elementos da pesquisa serão os arquivos policiais.  As fotografias dos corpos, por mais mórbido que possa parecer, vão nos mostrar como era o piso”.

Interior do casarão. (Foto: Milton Kaor Nishida Junior/divulgação)

(Foto: Paulo Liebert/AE)

As obras, orçadas em R$ 5 milhões, ainda não foram iniciadas. Há apenas uma cobertura com lonas plásticas e tecido para conservação das paredes. Também foi retirado, com autorização da prefeitura, um abacateiro que ficava ao lado do castelinho. As raízes dá árvore estavam comprometendo o imóvel. A Mães do Brasil continua usando a edícula para seu trabalho, que inclui auxílio a moradores de rua e usuários de droga – alimentação, higiene e oficinas de artesanato. A itenção é transformar o “castelinho” em um espaço onde os beneficiados pela ONG possam expor seus trabalhos de artesanato.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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A família de Paulo Abbud, que comanda hoje os renomados restaurantes árabes Farabbud, SAJ e Manish, escreveu uma parte importante da história da culinária árabe paulistana.

Para entender essa história é preciso desenhar a árvore genealógica da família. Na década de 40, Jorge e Fauzi Farah, tios de Paulo Abbud, inauguraram a lanchonete Dunga. Jorge e Fauzi eram irmãos de Suahad Farah, mãe de Paulo. Numa festa da colônia, ela conheceu Emílio, filho do imigrante Ragueb Abbud, que veio da Síria para o Brasil em 1919, aos 29 anos. Os dois se casaram e tiveram três filhos: Ragueb, Paulo e Vivian.

Emílio Abbud e Suahad Farah. (Foto: arquivo pessoal)

Em 1957, Emílio Abbud e os cunhados Jorge e Fauzi abriram o restaurante Abbud & Cia. Ltda. A casa, que ficava no número 2.503 da Rua Augusta, oferecia um cardápio extenso, que incluía pratos como lasanha, carne na brasa e estrogonofe, embora tivesse ênfase maior na comida árabe. Fauzi faleceu em 1959, e entraram em seu lugar Fares Sader e seu irmão, Louis Sader, que era concunhado de Emílio. Dois anos mais tarde, a razão social do negócio mudou para Flamingo Lanches. Jorge deixou a sociedade e o sobrinho Emílio fez o mesmo em 1968. Foi trabalhar como gerente em outras casas, como o Buffet Colonial e a lanchonete Deck. O negócio durou até 1983.

Mas como Paulo entrou para o ramo? Em 1951, o mesmo Louis Sader fundou o Bambi, na Alameda Santos, um dos primeiros restaurantes árabes da cidade. Foi nesse restaurante que Paulo Abbud, filho de Emílio, começou no mundo da gastronomia em 1999. Antes, ele tinha sido discotecário e dono de uma confecção de camisas.  Paulo, hoje com 55 anos, foi trabalhar como gerente,  junto com o filho, Paulo Abbud Filho, que ajudava como copeiro e caixa.

Tudo ia bem até que problemas administrativos fizeram com que a casa fechasse suas portas, em 2001. Paulo entrou em depressão. “Nós não contávamos que o Bambi iria fechar”, lembra ele. Mas Cláudia Belintani, mulher de Paulo, e Paulo Filho insistiram para que a família não abandonasse o ramo da culinária árabe. Foram eles que visitaram vários pontos até escolher o lugar que abrigaria o novo restaurante do clã. Surgiu assim o Farabbud, em 2002, em Moema. O nome é uma homenagem aos sobrenomes dos pais Suahad Farah e Emílio Abbud.

Paulo se recuperou da depressão e assumiu o comando do Farabbud com a mulher e o filho. Diferente do Flamingo e do Bambi, decidiu que o novo restaurante seria exclusivo para pratos árabes, deixando de lado a ideia de “culinária internacional” das antigas casas. A inspiração continuou sendo os pratos que Suahad preparava em casa, com pequenas “adaptações” para o paladar do cliente brasileiro. O chacrie, por exemplo, é preparado tradicionalmente pelos árabes com carne de músculo. No Farabbud, Paulo a substituiu por fraldinha. “Na época, nenhum restaurante de São Paulo tinha chacrie”, diz Paulo. “Ninguém tinha coragem de servir carne de músculo no Brasil. Depois que a gente começou a fazer com fraldinha, os restaurantes agora têm chacrie com essa carne. São todos cópia do Farabbud”.

Chacrie com arroz chehie do Manish (Foto: Alex Silva/AE)

Paulo tem a alegria de estar cercado pelos filhos nos negócios. Patrícia, hoje com 27 anos, começou a trabalhar no Farabbud em 2002. Quatro anos mais tarde, Paulo Filho deixou seu trabalho no restaurante para tentar a carreira de piloto de helicóptero. Ele conta que foi uma época em que sua relação com o pai era um tanto conturbada. A reconciliação aconteceu quando ele desistiu da carreira como piloto e quis voltar ao ramo da culinária árabe. Decidiu abrir um novo restaurante, o SAJ, em 2008, e convidou o pai para ser sócio. Paulo recusou. “Ele saiu para fazer carreira solo, não foi?”, brinca o pai. Paulo Filho, 31 anos, fez sociedade com um amigo, Ricardo Castanho Pinho. A proposta do SAJ nasceu diferente do Farabbud. Localizado na Vila Madalena, o restaurante é voltado para o público mais jovem e foi feito para ser mais descolado. “Quis sair do padrão de restaurante árabe com cara de casa de família”, afirma Paulo Filho. A casa também tem pratos típicos da comida do Líbano, em homenagem a Carla Skaf, descendente de libaneses e mulher de Paulo Filho.

Em maio passado, Paulo abriu a terceira casa Abbud de comida árabe na cidade: o Manish, localizado no Itaim Bibi. Patrícia saiu do Farabbud para trabalhar como gerente no novo restaurante. Em seu lugar entrou Renata, de 30 anos, outra filha de Paulo. O enteado de Paulo, Caio Belintani, 19 anos, também trabalha no Manish, como gerente financeiro – antes, ele fez um estágio no SAJ para se familiarizar com o ramo.

Família que trabalha unida: Caio, Patrícia, Paulo, Renata e Paulo Filho. (Foto: Karina Trevizan/AE)

Bem, os dois netinhos de Paulo ainda não participam dos negócios culinários da família – Valetin, filho de Renata, tem 3 anos, e Alice, filha de Paulo Filho, 10 meses. Mas não deixam de estar presentes no Manish. Eles são “nomes de salada”. A Valetin leva folhas verdes temperadas com molho à base de mel e redução de balsâmico, pedaços de chancliche, figo e nozes torradas. Já a Alice é feita com alface americana, peito de peru light, cenoura, beterraba, queijo parmesão e molho de mostarda.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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O Ateliê de Máscaras, especializado na venda e na locação de máscaras venezianas, mudou-se  há três meses para a rua Oscar Freire, em Pinheiros. A loja já existe há 25 anos, e ficava antes na Avenida Engenheiro Caetano Álvares. A proprietária é a artista plástica Regina Maria Martini Oliveira, 52 anos, que teve a ideia depois de fazer uma viagem para Veneza, na Itália. “Fiz um curso em uma loja de máscaras, voltei para São Paulo e comecei a pesquisar”, conta. Começou produzindo apenas máscaras para decoração, e depois passou a fazer peças para figurino. Regina importa alguns modelos de Veneza, e outros são feitos por ela com a ajuda de sua filha, a designer Ariane, 27 anos,  sócia do Ateliê.

São cerca de 400 modelos diferentes, com preços que variam entre R$ 3,90 e R$ 1.500. Há modelos com plumas, pérolas, tecido, metal e até cristais. Os principais clientes são  programas de televisão, peças de teatro e produções publicitárias. Entre as pessoas físicas, o maior movimento, acredite, não acontece na época do Carnaval. “No Carnaval, o pessoal gosta mais de roupas leves, fantasias”, diz Regina. “O meu forte é o baile de máscaras. Agosto, por exemplo, é uma época boa. No frio, as pessoas se animam para usar máscaras. Também temos muito movimento no final do ano, por causa das  festas corporativas”.

Regina conta que as máscaras também viraram moda nos casamentos. “Começaram a aparecer bailes de máscaras em algumas novelas e o pessoal começou a fazer”, explica. Os noivos escolhem máscaras de luxo combinando com seus trajes – a noiva pode levar pedaços do tecido do vestido para fazer a máscara. Os convidados recebem  máscaras mais simples.

O Ateliê também aluga uma gôndola veneziana de 3 metros que pode servir de enfeite ou até de mesa.

Serviço:

R. Oscar Freire, 2.220, Pinheiros, 2959-8666.

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Inaugurada há apenas nove dias, a pizzaria Maremonti Jardins conta com uma área especial para seus embutidos. Por causa disso, a casa ganhou também um mestre salumiere. Não conhece essa profissão? O italiano Luciano Pollarini, 64 anos, faz a seleção e avaliação dos embutidos que são utilizados na pizzaria. Outra de suas funções é manusear a máquina Berkel, importada da Itália, que corta o Prosciutto de Parma e a Mortadella di Bologna, servidos como antepasto. “Só corto os embutidos”, diz. “A calabresa das pizzas já vem fatiada do Frigor Cinque”.

Pollarini veio para o Brasil em 1987. Começou a trabalhar no restaurante Arlecchino, no Rio de Janeiro, onde permaneceu até 2004. Mudou-se para São Paulo e deu expediente nos restaurantes Grimaldi e Enoteca Aqua Santa. Foi nessa época que conheceu o restaurateur Juscelino Pereira, um dos sócios da Maremonti. Antes de a pizzaria ser inaugurada, Pollarini, que já havia voltado a morar na Itália, recebeu o convite de trabalhar na nova casa. Voltou para o Brasil especialmente para esse serviço. Hoje, como a casa só funciona no horário noturno, ele passa duas horas por dia fatiando os embutidos. Faz intervalos de três a dez minutos. Ele garante que não se cansa, e diz que a máquina “é uma seda”. Em entrevista o Blog do Curiocidade, ele contou como é o trabalho de um mestre salumiere:

Existe curso para se tornar um mestre salumiere?
Não. É só a prática. São só as explicações dos fabricantes das máquinas.

Como você aprendeu o trabalho?
Aprendi desde cedo, pois sou da região da salumeria italiana, que se chama Emília-Romagna, no norte do país. Meu pai fazia salames, presuntos, copas e linguiças. Aprendi tudo com ele.

Qual é a espessura ideal de uma fatia?
Cada um tem uma espessura recomendável. O presunto e a mortadela devem ser mais finos, e salame picante também. Na Itália, o salame normal não pode ser muito fino e deve ser cortado com faca.

O Brasil tem bons embutidos?
Melhorou bastante, mas ainda está distante da qualidade dos europeus. Os europeus são melhores por causa da raça dos animais, do que eles comem, do clima e da mão do artesão. Mas, no Brasil, gosto muito da linguiça Blumenau, que compro no Empório Santa Luzia, na Alameda Lorena. Faço sanduíches em casa com ela. Ainda não temos o produto na Maremonti.

Para terminar, mate essa nossa dúvida: é verdade que a mortadela italiana é feita com carne de cavalo?
Não! Existiam boatos de que antigamente se usava até carne de burro por ser mais barata. Mas a mortadela hoje é feita com carne de porco mesmo.

Serviço:
R. Padre João Manuel, 1.160, Jd. Paulista, 3085-1160. 17h/1h (6ª e sab., até 2h). Manobr.: R$ 15. Cartões: todos.

(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de Tadeu Brunelli/divulgação)

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O que você está pensando em fazer às 6 da manhã deste domingo? Cesar De Ranieri, proprietário do pub neozelandês Kia Ora, no Itaim-Bibi, tem um convite: assistir à final da Copa do Mundo de Rúgbi entre França e Nova Zelândia. Quem é louco para acordar tão cedo em um final de semana para ver um jogo de rúgbi? Pois Cesar garante que o esporte, apesar de não ser tão popular ainda no Brasil, tem fãs suficientes para encher o bar, com cinco telões e capacidade para 450 pessoas. “Esperamos casa cheia”, empolga-se.

Cesar foi jogador de rúgbi por 17 anos, sendo 10 deles na Seleção Brasileira. Aliás, o pub nasceu por causa do esporte – Cesar conheceu o neozelandês Mark Hindmarsh, que também foi jogador, em um treino da extinta equipe Alphaville. Ficaram amigos e, mais tarde, em 2004, abriram o negócio. Em entrevista ao Blog do Curiocidade, Cesar falou sobre os preparativos para o evento de domingo, que será disputado justamente na Nova Zelândia, e comentou o crescimento do rúgbi no Brasil.

O Brasil já tem cerca de 200 times de rúgbi em 22 Estados. Dá para dizer que o rúgbi vai se tornar um esporte popular daqui a alguns anos?
O rúgbi vem crescendo de uma forma bem gradativa por aqui. Há dois anos, ele se tornou esporte olímpico e passou a ter um incentivo do governo. Isso acaba atraindo o interesse de algumas empresas privadas e impulsiona o esporte. Quando você parte de uma plataforma insignificante,  dois ou três times a mais já significam um aumento importante. Mas o esporte vem crescendo, sim. Ainda  não dá pra comparar com o vôlei, por exemplo. Estamos a anos-luz de nos tornarmos populares como o vôlei. Mas podemos dizer que o rúgbi já começou a se tornar um pouco menos desconhecido.

Que lembranças você tem dos tempos em que jogava na Seleção Brasileira?
Era uma outra época. Era o paitrocínio  que rolava na minha época. Os jogadores tinham que bancar tudo – uniformes, bolas e viagens. Era muito legal. Eu perdia dias de trabalho, faltava em provas da faculdade, tudo para disputar um torneio. O esporte vinha em primeiro lugar. Deixava família, trabalho, estudos em segundo plano. Perdi até um estágio porque faltei para jogar.

E como era o desempenho da Seleção na época?
Era fraco. Não costumávamos vencer. No começo, o rúgbi atuava  na primeira divisão sul-americana. Jogávamos contra seleções como Argentina e Uruguai, que tinham o nível muito acima do nosso. No começo dos anos 2000, houve uma separação. Os primeiros times da América do Sul ficaram na Divisão A, e os outros foram para a Divisão B, que foi o nosso caso. Na Divisão B, nós tivemos um certo destaque. Foi uma forma de tentar nivelar. Antes, alguns times tomavam surras de mais de 100 pontos.

Você ainda joga?
Não, não dá mais. Já estou com 37 anos. É um esporte muito viril, precisa ter uma força física muito grande. Se eu jogasse uma partida, eu precisaria de um mês para me recuperar.

A final da Copa do Mundo será às 6 da manhã no domingo. Você não tem medo de abrir o pub e não aparecer ninguém para assistir à partida?
Não. Na última Copa, também exibimos a final e o bar lotou. Tudo bem que era à tarde, a questão do horário interfere um pouco. Mas esperamos para esse jogo casa cheia também. O torcedor de verdade sempre vai dar um jeito de ver o jogo com os amigos.

O horário permite servir cerveja?
Claro. O bar vai estar aberto normalmente, com todo o cardápio. Mas a gente fez também um café da manhã para incluir nesse evento.

É a primeira vez que o Kia Ora serve café da manhã?
É a primeira e espero que seja a última. Não dá para contar para os meus amigos que eu ganho dinheiro vendendo café da manhã. Vão dizer que eu deveria abrir uma padaria (risos). Mas o café da manhã é apenas um serviço. O pessoal vem disposto a beber cerveja mesmo.

Serviço:

Rua Dr. Eduardo de Souza Aranha, 377, Itaim-Bibi

Tel. 3846-8300

(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de divulgação)

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