Ser vegetariano é missão difícil. Ainda mais numa cidade com hamburguerias tão boas como em São Paulo. Por isso, o Blog do Curiocidade selecionou algumas casas que oferecem opções para quem não come carne. Indicamos também se a versão veggie da carne é preparada na mesma chapa que os hambúrgueres comuns. Confira e dê outras sugestões de outros endereços nos comentários.
São duas opções: o Veggie Burger Salada tem hambúrguer de tofu e cenoura acompanhado por alface, tomate e maionese; já o Picanto é feito de tofu com temperos picantes e é servido no pão sírio com pimentas jalapeñas, originárias do México, maionese da casa e tomate. Preparado na chapa com outros hambúrgueres.
Rua Melo Alves, 238, Jardins (mais três endereços)
3085-0521; delivery: 3081-3000
Cenoura, abobrinha e quinoa são os ingredientes desse hambúrguer empanado. No sanduíche Veggie Burger, ele vem com coalhada seca, rúcula, tomate e molho de romã no pão integral com gergelim. É frito, enquanto os hambúrgueres comuns são grelhados, por isso não há contato.
Alameda Santos, 957, Jardins (mais 13 endereços)
3178-4424
Preparado pela Sadia, o hambúrguer de soja é servido desde que a lanchonete, cria do famoso Sujinho, foi aberta, em 2009. O cliente pode montar seu próprio lanche, escolhendo entre cerca de 20 acompanhamentos, ou pedir o Sujinho Light (dois hambúrgueres de soja, queijo minas, alface e tomate). É feito na chapa, enquanto os hambúrgueres comuns são grelhados.
Rua Maceió, 64, Consolação
3231-5207
Não gosto dos sanduíches de lá. A qualidade caiu muito nos últimos anos e a lanchonete, que já foi a mais badalada da cidade, ficou para trás. Em todo o caso… O hambúrguer Quitandinha, feito de cenoura e abobrinha grelhadas, cogumelo paris e castanha de caju, foi lançado em 2006. É servido com mussarela de búfala, molho pesto e tomate no pão preto.
Não é feito na mesma chapa de outros hambúrgueres.
Alameda Tietê, 110, Jardins (mais três endereços)
3086-3399
Banana não fica bem só na sobremesa. No Mr. Mill’s, o hambúrguer vegetariano de130 gramas– produzido na própria casa – é feito de banana verde e proteína de soja. Uma das opções de sanduíche é o Especial, com queijo, molho tártaro, pepino, tomate, rúcula e gengibre. Preparado na mesma chapa com outros hambúrgueres.
Rua Abílio Soares, 165, Paraíso
3052-1333
Faz um dos melhores hambúrgueres de São Paulo. Pena ser um lugar tão pequeno. Com aspecto semelhante ao da carne bovina, o vegetariano da St. Louis tem 18 ingredientes, como arroz negro, shiitake, arroz integral, mussarela light, aveia e proteína de soja. Pode ser incluído em qualquer sanduíche da casa, mas faz mais sucesso com o Champ (cogumelos e queijo suíço) e o Blue (gorgonzola, rúcula e chutney de cebola). É preparado em um local isolado da chapa.
Rua Batatais, 242, Jardins
3051-3435
O hambúrguer, também da Sadia, pode ser usado em qualquer lanche, de acordo com a vontade do cliente. Entre as opções da sanduicheria de Perdizes, estão rúcula, alface, tomate e cebola. Como acompanhamento, saladas e a maionese da casa. É preparado em um local isolado da chapa.
Rua Caiubi, 1450, Perdizes (mais um endereço)
3938-9749
(Com colaboração de Míriam Castro e imagens de divulgação)
O Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, tem cerca de 28 mil funcionários. Estima-se que 80 mil pessoas passem pelo aeroporto todos os dias. Por causa do grande número de pessoas que circulam por ali, a administração do aeroporto resolveu criar, em 1987, um espaço para orações. Começou com missas católicas. Depois, um pastor evangélico pediu para celebrar cultos no espaço também. O projeto cresceu e, hoje, são celebrados também cultos ecumênicos, espíritas e até meditação de ioga.
A sala de 110 m² tem capacidade para 33 pessoas sentadas. Fica no piso de embarque, no corredor de interligação entre os terminais de passageiros 1 e 2. O lugar não tem na decoração qualquer ornamento relacionado a alguma religião. Os religiosos precisam levar seu material (velas, bíblias, imagens) a cada celebração. O único elemento fixo da decoração é um quadro com a Rosa dos Ventos, figura que indica os quatro pontos cardeais.
Fixada na entrada da sala ecumênica, há a tabela com a programação das celebrações (leia abaixo). Uma hora antes do início de cada encontro, os passageiros e funcionários são avisados pelo sistema de som do aeroporto. José dos Santos Pereira Gomes, missionário do Conselho de Capelania Evangélica do Brasil, celebra cultos no aeroporto há 17 anos. “O pedido mais comum é por orações para abençoar a viagem”, conta ele. ”As pessoas gostam muito do Salmo 121, o salmo do viajante. ‘O Senhor guarda a sua saída; guarda a sua entrada’.”
Josué Bertolim também celebra cultos no espaço religioso desde maio. Ele é ministro pregador da Religião de Deus (ecumênica). “É um espaço de meditação para quem passa pelo aeroporto, e são pessoas do mundo inteiro”, diz. “Cada uma com sua crença”. Nesses meses de pregação no aeroporto, Bertolim se lembra de um caso curioso: “Estávamos no meio da celebração e entrou um grupo de pessoas de uma outra religião”, conta. “Elas começaram a fazer uma oração ajoelhadas. Percebemos que era um momento importante e o ministro Marco Dametto pediu um minuto de silêncio para elas terminarem a prece”.
Veja a programação da sala ecumênica do aeroporto (fornecida em 30/09/2011):
| Segunda-feira |
| 12h30 – 13h30 – Culto Batista Bíblica |
| 15h00 – 16h00 – Culto Evangélico Assembléia de Deus |
| Terça – Feira |
| 11h00 – 12h00 – Missa Católica |
| 17h30 – 19h00 – Religião de Deus – Religião Ecumênica do Brasil |
| Quarta-feira |
| 13h30 – 14h30 – Culto Batista Redenção |
| 17h30 – 19h00 – Religião de Deus – Religião Ecumênica do Brasil |
| Quinta-feira |
| 11h00 – 12h00 – Missa Católica |
| 12h30 – 13h00 – Culto Batista Bíblica |
| 19h30 – 21h00 – Culto Batista Bíblica |
| Sexta-feira |
| 11h00 – 12h00 – Missa Católica |
| 12h30 – 13h00 – Culto Batista Bíblica |
| 19h00 – 19h50 – Missa Católica |
| Sábado |
| 10h00 – 12h00 – Comunidade Católica – Shalom |
| 12h00 – 13h00 – Missa Católica |
| 18h00 – 20h00 – Culto da Renascer em Cristo |
| Domingo |
| 09h00 – 10h00 – Reunião da Doutrina Espírita |
| 12h00 – 13h00 – Missa Católica |
| 16h30 – 17h30 – Meditação Raja Yoga |
Onde:
Rodovia Hélio Smidt s/nº – Cumbica – Guarulhos.
(Com colaboração de Karina Trevizan e fotos de Epitácio Pessoa/AE)
O Mercado Municipal da Cantareira recebeu hoje à tarde uma turma muito especial: os 10 alunos do curso de avaliação olfativa da Fundação Dorina Nowill e a professora Renata Ashcar. Eles analisaram cheiros de frutas, cafés, carnes e especiarias. O grupo passou também por uma floricultura no Largo do Arouche, região central da cidade.
O curso de avaliação olfativa irá formar profissionais para as indústrias de perfumaria. A aula na floricultura e no Mercadão serviu para apresentação dos ingredientes de perfumes em seu estado natural. Segundo a professora Renata, em uma aula de laboratório, os alunos chegam a sentir o cheiro de 40 ingredientes diferentes. “No laboratório, eles têm contato com os ingredientes líquidos”, explica. “No Mercadão, podemos usar olfato, tato e paladar. Os alunos podem cheirar a matéria-prima real. É um lugar onde a gente encontra de tudo, e muitos desses produtos fazem parte da paleta de ingredientes da perfumaria, como os diversos tipos de pimenta.”
Os alunos já conheciam boa parte dos aromas que sentiram durante o passeio, pois tiveram contato com essências no laboratório da fundação. Bruna de Freitas Aguilar, 29 anos, e Milena Bragaglia, 32, logo reconheceram a flor que estava na entrada da floricultura. “É uma rosa, está dando para sentir daqui”, disse Bruna. “E é bem grande”, concordou Milena, segurando uma das flores nas mãos. A professora Renata apanhou uma tuberosa. “Lembram que a gente falou sobre essa flor nas aulas?”, perguntou. “Agora podem pegar. Essa é branca, muito usada em perfumes femininos”. A segunda flor foi um lírio, reconhecido imediatamente pela aluna Luiza Antonia, 18 anos. “Ah, esse eu já conhecia”, comemorou. “É o cheiro da casa da minha avó.”
Os alunos deixaram a floricultura empolgados com a experiência e foram para o Mercadão. “Poucas flores do Brasil são usadas na perfumaria, ao contrário de frutas e especiarias brasileiras”. Renata começou a experiência com a tangerina do tipo decopon. “Os cítricos são muito usados na perfumaria”, avisou. Os alunos degustaram alguns pedaços e passaram alguns minutos cheirando a casca. Depois, eles puderam pegar frutas inteiras para sentir a textura. A aluna Maria de Neruda foi uma das mais espantadas. “Gente, que tangerina é essa?!”, perguntou. “Enorme, né?”, respondeu Renata. Para todas as frutas, a professora explicava quais eram os usos mais comuns na perfumaria. Os alunos também experimentaram ameixa dinossauro, pêssego, sapoti, cupuaçu, nashi, figo, pitaia e morango. Mas nenhuma fruta fez tanto sucesso quanto o abacaxi vermelho. Logo quando foi cortado, o cheiro se espalhou. “Estou sentindo daqui”, disse Felipe, a cerca de 1,5 m da fruta. Depois de comer um pedaço, a aluna Lilia Lima, de 39 anos, se lembrou que conhecia o sabor. “Já tinha comido, mas ninguém nunca me disse que era vermelho.”
Em seguida, os alunos foram conhecer as bancas de temperos e especiarias. Sentiram vários tipos de pimenta, além de noz moscada e cardamomo. “Essas especiarias são muito usadas na perfumaria masculina”, explicou Renata, que não revelou nenhuma vez quais temperos os alunos tinham nas mãos. Mesmo assim, eles acertaram todos. A única dificuldade ficou por conta dos lenços umedecidos que as monitoras da fundação levaram para que os alunos limpassem as mãos depois de comer. O cheiro permaneceu na pele. “Aquele lencinho foi fatal”, reclamou Bruna.
O curso da Fundação Dorina Nowill, que está em sua primeira turma, é gratuito. Voltado exclusivamente para pessoas com deficiência visual, tem 1 ano e meio de duração, incluindo estágio em empresas de perfumaria. “A ideia é que, no final do curso, eles tenham capacidade de fazer críticas apuradas de perfumaria. O fato de serem deficientes visuais só conta pontos a favor, já que não existe interferência de marca e cor, por exemplo”, diz Renata.
O horário de fechamento das bancas (17h) chegou antes que Renata pudesse mostrar todas as especiarias. A solução foi comprar o que faltava e continuar a aula na van. Antes de sair, o grupo terminou o passeio com os famosos pastéis de bacalhau do Mercadão. Que cheiravam muito bem!
(Com colaboração e fotos de Karina Trevizan/AE)
Um ano e dois meses e R$ 7,6 milhões depois, o Teatro Sérgio Cardoso foi reaberto ao público no último dia 9. Com a reforma, o espaço ganhou novas instalações elétrica, hidráulica e de esgoto, além de sistemas de exaustão e climatização. A cobertura do prédio, que apresentava infiltrações, também passou por uma restauração. A ardósia da entrada foi substituída por granito e o bar, ampliado.
Dentro das salas de espetáculo, as mudanças foram a reconstrução do piso e novas coberturas de carpete. Mas foram feitas também alterações para melhorar a assessibilidade do teatro: elevadores e rampas novas para atender aos portadores de deficiência física, além de quinze poltronas com pontos para fones de ouvido para que deficientes visuais possam acompanhar os espetáculos por meio de audiodescrição.
Tudo isso foi bastante divulgado. O que pouco se falou é que o teatro ganhou cinco assentos destinados a pessoas obesas. São 51 centímetros de largura, contra 46 das cadeiras comuns. A Secretaria de Estado da Cultura explica que a medida “faz parte da política da Secretaria de, gradualmente, dotar os equipamentos públicos culturais de condições ideais de acessibilidade”. No entanto, a Secretaria informou também que “até agora, não houve procura específica por esses lugares no teatro”. É que, além de pouco divulgadas, as cadeiras ficam no fundo da plateia. Por que as cadeiras maiores não puderam ficar mais à frente? A Secretaria explica apenas que “os espaços disponíveis e tecnicamente viáveis para a instalação dos assentos maiores ficavam na parte traseira”.
(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de Nilton Fukuda/AE)
Um rádio AM ligado ao lado do berço, sintonizado na voz do locutor Eli Correa, era a estratégia usada pela mãe de Marcelo Abud para deixar o bebê quietinho. A ideia funcionou tão bem que, aos oito anos, Marcelo ganhou uma premiação que dava direito a um brinde. Não teve dúvidas: escolheu um radinho de pilha, azul, da marca CCE. “Dormia sempre com o radinho ligado embaixo do travesseiro”, lembra.
Anos depois, Marcelo arranjou um emprego como rádio-escuta na Gazeta e acabou se tornando profissional no ramo. Professor universitário, produtor de rádio e locutor, o paulistano Marcelo Abud, 39 anos, é dono do blog “Peças Raras”, recheado de gravações antigas, jingles e programas de rádio do passado.
O blog nasceu em maio de 2006, ano de Copa do Mundo, quando o radialista resolveu disponibilizar seu acervo de áudios relacionados ao evento esportivo – desde a década de 1980, Marcelo dedica-se a gravar suas partes favoritas da programação. Ao mesmo tempo, foi uma bela oportunidade de socializar o acervo da Colector Editora – uma coleção de raridades do rádio das décadas de 30, 40 e 50, remasterizadas em 105 fitas cassete. “Tenho até os primeiros testes da Rádio Cidade gravados”, conta. “Muitos radialistas antigos entram em contato comigo para falar sobre os áudios que eu publico no blog”.
A pedido do Curiocidade, Abud selecionou links de três de suas preciosidades:
Paulo Autran apresentava na Rádio Eldorado AM, nos anos 60, o quadro “5 Minutos com Paulo Autran”.
Gafes do rádio ao vivo. Áudios editados na própria Rádio Eldorado (a antiga Nova Eldorado AM, atual Estadão/ESPN), com erros cometidos por apresentadores e repórteres.
Radiografia com Eli Corrêa. Entrevista exclusiva que Marcelo Abud fez com “o homem sorriso do rádio” em novembro de 2009.
(com colaboração de Tory Oliveira)
Começaram hoje as partidas finais do 4º Grand Slam de Xadrez São Paulo-Bilbao, no Parque do Ibirapuera. Até sábado, seis enxadristas estarão na briga pelo título: o indiano Viswanathan Anand (atual campeão do mundo de xadrez e segundo do ranking), o norueguês Magnus Carlsen (primeiro do ranking), o armênio Levon Aronian (terceiro do ranking), o ucraniano Vassily Ivanchuk, o norte-americano Hikaru Nakamura e o espanhol Francisco Vallejo. As três partidas de hoje começaram às 15h. Os jogos acontecem dentro de uma sala de vidro de 65 m², com paredes duplas vedadas nas juntas, que garantem o completo silêncio para os jogadores. Além deles, três outras pessoas podem entrar na sala durante as partidas: os árbitros.
O chefe da arbitragem é Herman Claudius Van Riemsdijk, 63 anos. Nascido na Holanda, ele veio para o Brasil aos 10 anos e se naturalizou brasileiro. Mestre Internacional de xadrez desde 1977 e árbitro internacional há 3o anos, Herman acumula títulos importantes no esporte: foi sete vezes campeão paulista, três vezes campeão brasileiro e campeão pan-americano. Já representou o Brasil em 9 torneios Zonais, 2 Interzonais e em 12 Olimpíadas. Fez parte da Comissão de Regras da Fide (Federação Internacional de Xadrez) e foi presidente da Federação Paulista de Xadrez e do Clube de Xadrez São Paulo. Minutos antes de começar as partidas de hoje do Grand Slam, Herman contou ao Blog do Curiocidade como é o trabalho de um árbitro de partidas de xadrez.
O que o árbitro não pode deixar que aconteça durante a partida?
Algum comportamento impetuoso do jogador, como fazer barulho, gesticular ou bater na mesa. Vez ou outra, isso acontece. Às vezes é involuntário. O jogador pode ter várias moedas no bolso e fazer barulho quando se mexe, por exemplo. Aí o árbitro precisa chamar a atenção. A função do árbitro é quase administrativa. Deve zelar pelo bom estado da sala e do jogo.
Só isso… Nunca há qualquer tipo de discussão entre os jogadores?
Podemos ter problemas com o relógio. Os jogadores precisam fazer 40 jogadas em duas horas. Se algum não completa esse tempo, o árbitro tem que intervir e avisar que ele perdeu. Pode acontecer também um possível conflito ou algum pedido de autorização para propor empate. Mas o problema mais comum é o relógio mesmo.
Como você se tornou árbitro?
A Federação Internacional de Xadrez (Fide) me concedeu o título de árbitro. Hoje, a Confederação Brasileira precisa fazer um pedido para a Fide conceder o título. Mas faltam árbitros bons. É um assunto delicado… O candidato precisa ter conhecimento técnico e capacidade de lidar com pessoas conflitivas. É preciso administrar esse tipo de coisa, saber contornar situações…
Enxadristas costumam questionar muito as decisões dos árbitros?
Os que conhecem bem as regras, não. Quanto mais alto o nível técnico dos jogadores, menos problemas o árbitro tem. Aqui (no Grand Slam), todos são profissionais e sabem as normas. Mas jogadores amadores querem jogar, muitas vezes, sem conhecer as regras. Pense agora no futebol. Quantos jogadores conhecem bem as regras? Poucos. No xadrez é a mesma coisa.
Como chefe dos árbitros, como você controla três partidas ao mesmo tempo?
Tenho dois árbitros auxiliares. Eles têm condições de fazer a checagem do tempo. Se houver alguma situação mais conflitiva, eles me chamam e eu troco de mesa. Mas os jogadores que estão aqui não são conflitivos.
O árbitro pode conversar com os jogadores antes dos jogos?
Pode, sim. Converso com eles antes, fazemos até refeições juntos. Não tem nenhum segredo. É só saber separar bem. Temos relações de amizade, já joguei com alguns inclusive. O [indiano] Anand, por exemplo, eu conheço desde 1984. É a quarta vez que vou arbitrá-lo. Já joguei com ele uma vez, em 1990, em Amsterdã. Lembro da partida inteira, sou capaz de refazer cada jogada no tabuleiro. Só não me pergunte o resultado da partida…
Qual foi o resultado da partida?
Ele ganhou!
(Com colaboração e foto de Karina Trevizan/AE)
Tem gente que não gosta de deixar o animal de estimação em hoteizinhos. Não tem problema: a médica veterinária Vanessa Requejo, da Cãominhando, criou o serviço de “pet sitter” (babá de animais de estimação). Enquanto os donos viajam, um veterinário faz visitas diárias à casa da família para alimentar, trocar a água e passear com o cachorro. Caso seja necessário, o profissional também pode medicar o animal. O serviço é cobrado por hora de visita (R$ 60).
Segundo a doutora Vanessa, a procura maior é para gatos ou para cães que ainda não tomaram todas as vacinas ou que não foram castrados e que, por causa disso, não podem ficar em hotéis. Há também clientes que pedem cuidados com aves, peixes, tartarugas e coelhos. Antes de aceitar o serviço, a médica veterinária faz uma visita para checar se o animal aceita a presença de estranhos. Isso evita casos como o de um rottweiler que quase machucou Vanessa. “Ele ficava muito bravo quando eu entrava”, conta. “Até que descobri que ele tinha medo de água. Então, deixava a mangueira ligada enquanto fazia a limpeza do quintal e trocava a comida”. Vanessa tem, atualmente, 80 clientes fixos. Durante o período de contrato, os veterinários ficam com uma cópia da chave da residência. A família também pode deixar a chave na portaria do prédio ou com um vizinho.
A Cãominhando tem ainda uma creche para animais, que conta com sala de alimentação, espaço para exercícios, monitores para recreação, piscina e salas de descanso, higiene e brinquedos. Os donos têm a possibilidade de ver como está seu bichinho pela internet. O preço da estadia varia entre R$ 190 (1 vez por semana) e R$ 500 (5 vezes por semana). Para ficar na creche, os animais precisam passar por uma avaliação. “Tem que ser castrado, ter o atestado de vacina em dia e ser sociável”, avisa Vanessa, que também verifica se o animal não tem pulgas. Para garantir um lugar na creche, o cliente deve agendar a primeira avaliação por telefone.
Serviço:
2506-6487 e 5523-1070.
(Com colaboração de Karina Trevizan e fotos de Andre Lessa/AE)
Hoje é dia de decisão para a Gaviões da Fiel. Não, os jogos do Campeonato Brasileiro não passaram para as noites de sexta-feira. É que a escola está fazendo a terceira eliminatória para a escolha do samba-enredo de 2012. Ainda são dez letras na disputa, e quatro serão eliminadas à noite. O enredo já está escolhido. “Verás que o filho fiel não foge à luta – Lula, o retrato de uma nação” presta uma homenagem ao ex-presidente Lula. A logomarca d0 Carnaval de 2012 da Gaviões também está definida: o escudo do Corinthians com o rosto de Lula no centro, com direito a chapéu de couro, no lugar da bandeira do Estado de São Paulo. A imagem foi criada pela comissão de carnaval da escola, formada por Delmo Moraes, Igor Carneiro e Fabio Lima, e aprovada pessoalmente por Lula. Em entrevista ao Blog do Curiocidade, Igor falou sobre a reação do presidente ao ver a imagem:
O que o Lula disse quando viu a imagem de seu rosto dentro do escudo do Corinthians?
A gente levou tudo para ele aprovar, afinal estamos falando da vida de uma pessoa. Ele gostou de absolutamente tudo. A única coisa que pediu para mudar foram alguns detalhes na sinopse. Algumas referências de data estavam erradas na pesquisa.
Quem fez o desenho?
A Gaviões tem a comissão de Carnaval. Nós fizemos juntos. Depois, mandamos a ideia para o desenhista, que passou para o computador. No desfile, o desenho não vai aparecer. É só para usarmos na quadra e na divulgação do enredo.
A escolha de Lula como tema para o Carnaval de 2012 foi unanimidade?
Foi um consenso da diretoria homenagear um corintiano que tem tanto carisma com o povo. A ideia surgiu assim que ele saiu da presidência. Eu gostaria de homenagear Adoniran Barbosa. Dei a ideia, mas ficou para outro ano. Surgiram outros nomes, sim, mas eu não posso falar porque alguma outra escola pode querer fazer igual…
O que o ex-presidente disse quando recebeu o convite?
Ele comentou que teve convites de escolas do Rio de Janeiro no ano passado, mas ele não aceitou porque ainda era presidente. Teve uma escola do Rio que convidou para este ano também, mas ele preferiu a Gaviões. Não vou dizer qual foi essa escola!
Ele vai palpitar na escolha do samba-enredo?
Eu falei que ele podia participar de tudo, dar opiniões. Mas ele disse que não tinha talento pra isso. Não veio na quadra ainda, mas garantiu que vai participar do desfile.
Se o presidente tivesse sido José Serra, que é palmeirense, a Gaviões faria uma homenagem assim também?
Se ele fosse presidente, poderíamos sim fazer uma homenagem. Só que não iríamos citar o time para que ele torce. Com o Serra, não ia ter uma identificação com o corintiano.
(Com colaboração de Karina Trevizan e imagem de divulgação)
O Instituto Cultural Italo-brasileiro, na Bela Vista, ganhou uma cafeteria especializada em canolis (doce italiano típico da Sicília). A Cannoleria, que vende doces italianos sob encomenda, está fazendo sua primeira experiência como loja aberta ao público. Por um mês, a casa vai atender no ICIB das 15h às 21h, mas o proprietário, o cozinheiro Alexandre Leggieri, 40 anos, já estuda estender o horário de funcionamento no próximo mês. A cafeteria conta com seis tipos de canolis: o tradicional (ricota com frutas cristalizadas, pistache e cereja), ítalo-mineiro (com goiabada cascão e damasco), Nutella, ítalo-americano (com creme de amendoim), crema pasticcera e o recém criado ítalo-argentino (com doce de leite e lascas de amêndoa). Filho de italianos, Leggieri conta que, embora o canoli seja um doce típico da Itália, é mais consumido nos Estados Unidos. No ano passado, ele percebeu que poderia fazer sucesso também em São Paulo. Na cafeteria, Leggieri conta com a ajuda do barista e sommelier Herbert Biewagen.
Você gosta tanto assim de canolis para ter se especializado nisso?
Sou filho de italianos e sempre fui apaixonado pela cozinha italiana. Eu já fazia canolis quando trabalhava na Europa. Comecei a fazer aqui no ano passado para atender alguns eventos. Tenho uma cozinha industrial na parte de baixo da minha casa, na Vila Mariana. Só que, na verdade, a massa fresca artesanal é que era o meu carro-chefe. O canoli seria só um complemento. Mas percebi que existe em São Paulo uma carência de doces rústicos, simples, para comer com a mão. As pessoas começaram a pedir… Agora, já não tenho mais tempo para as massas. Só faço canoli.
É uma receita familiar?
Sim. Minha avó, Pascoalina Peduto Leggieri, chegou aqui na década de 40 e trouxe a receita dela. Fiz algumas modificações. Ela usava banha, por exemplo. Hoje, eu misturo um pouco de manteiga para dar uma amendoada na massa. A fritura que ela fazia também era muito rudimentar. Bem, na família, o pessoal costuma ser simpático e dizer que o meu fica igual ao da nona.
Como surgiu a oportunidade de abrir a cafeteria no ICIB?
Tenho uma relação muito boa com o instituto, é uma casa maravilhosa. Tem cinema que passa filmes da Itália, palestras, aulas de italiano… Eles acharam que seria interessante fazer essa parceria e deu certo. Produzo as cascas em casa e os recheios, na cafeteria. Estou numa correria imensa. Estamos querendo otimizar a cafeteria, mas temos um problema de mão-de-obra. Na cafeteria, somos só o Herbert e eu. Estamos com o horário reduzido para conseguir atenção. Já tivemos uma pessoa, mas ela era muito grande e o espaço é pequeno.
Você já pensa em levar seus canolis para um lugar maior?
Não sei… A nossa proposta é caseira mesmo. Somos pequenos, uma coisa bem simples. Tem bandeirinhas e quadros da Itália. Continuo seguindo a simplicidade que conheci em pequenas vielas da Itália, com meus parentes. Não é um serviço de excelência, de luxo. É como se a pessoa estivesse em um cortiço napolitano.
Serviço:
Cannoleria, Instituto Cultural Italo-brasileiro.
R. Frei Caneca, 1.071, 15h/21h, 5081-3088.
Canoli – R$ 4,50 (a unidade).
www.cannoleria.com
(Com colaboração de Karina Trevizan e fotos de divulgação)
Depois de 13 anos fazendo trabalhos como sósia de Pelé, Nicanor Ribeiro teve a ideia de procurar companhia para suas apresentações. O que era um show de apenas um imitador virou um time (quase) inteiro. A Seleção Brasileira de Sósias fez sua estreia na Virada Esportiva, que aconteceu na cidade no último fim de semana. O time atuou com Liedson (que se chama, na verdade, Carlos Henrique), Kleber (Leandro), Zé Elias (Leandro), Roberto Carlos (Edson), Neymar (Eigon), Ronaldinho Gaucho (João), Dagoberyo (Daivide) e os goleiros Vitor (Danilo) e Doni (Bruno). Nicanor, ou Pellè (com dois eles e acento agudo para não ter problema com o verdadeiro Pelé), conversou com o Blog do Curiocidade, entende?
A ideia de criar a seleção de sósias foi sua?
Sim, eu criei a seleção no ano passado. Eu sou hipertenso. Vai que acontece alguma coisa comigo e eu não posso mais trabalhar como Pellè… Pelo menos eu vou ter a seleção para administrar. Além disso, em conjunto o trabalho aparece mais. A união sempre é um negócio muito interessante. Melhor do que cada um fazer um negócio ou outro, aqui e ali.
Como você encontrou pessoas parecidas com os outros jogadores?
Nós trabalhamos juntos em 2006, no Show do Tom [programa da Record].
A turma é só parecida ou joga alguma coisa?
Na verdade, nem tivemos tempo de treinar. Mas conseguimos um espaço no Parque São Jorge. Existe uma seleção brasileira de paraolímpicos, e o Corinthians ajuda com o espaço. Como eles vão para a Itália, vamos usar o espaço deles por um tempo, enquanto estiverem fora.
O jogo é de verdade ou é tudo ensaiado?
É um jogo de exibição. A gente joga pra valer, mas sem valer nada. A ordem é não cometer falta. O bordão da seleção é “paz nos estádios”.
Para que time você torce?
Eu nunca fui ligado em futebol, na verdade. Sou muito mais ligado em samba do que ao futebol. Fui a um estádio pela primeira vez na vida em 2007. Estou fazendo um curso para entender direito as regras. Bom, mas para que time eu torço? Eu sou pelezista, claro. Porque é o que me gera renda.
Qual foi a primeira pessoa que disse que você era parecido com o Pelé?
Eu comecei a levar a sério essa história depois de uma viagem para a Disney em 1996. Americanos, japoneses, todos me paravam pra tirar foto. Diziam: “Pêle, Pêle, foto, foto!”. Eu trabalhava como locutor. Até que, em 1997, perdi o emprego e entrei em depressão. Continuei fazendo alguns trabalhos como locutor até que, em 2002, resolvi assumir o Pellè.
Pellè é o nome que você adotou para seus trabalhos como sósia. Por que a mudança na grafia? O Pelé ficou bravo com a imitação?
Não, é porque eu fazia locuções em festas italianas. Por isso, italianei o meu nome com dois eles.
Serviço:
www.sosiadorei.com.br
(Com colaboração de Karina Trevizan)
2013
2012
2011