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Curiocidade

Hoje é o dia da 87ª Corrida Internacional de São Silvestre. O idealizador da prova foi o jornalista Casper Líbero. Em 1924, ele assistiu a uma competição noturna em Paris na qual os atletas percorriam o trajeto portando tochas de fogo. Empolgado com a idéia, resolveu implementá-la no Brasil na virada do ano. A primeira corrida foi disputada à meia-noite do dia 31 de dezembro de 1924. Alfredo Gomes terminou na frente entre os 48 inscritos, com o tempo de 23min10s4/100. O percurso era de 8.800 metros. Na primeira edição, apenas moradores da cidade podiam participar. A prova foi aberta a todos os brasileiros alguns anos depois. Atualmente, os 25 mil participantes percorrem uma distância de 15 quilômetros.

Em 1945, corredores internacionais começaram a participar da prova. Primeiro os sul-americanos e, dois anos depois, todos os estrangeiros. A presença mais ilustre acabou sendo a do tcheco Emil Zátopek, que havia conquistado três medalhas de ouro nas Olimpíadas de 1952. Ele venceu a São Silvestre de 1953, quase um minuto na frente do segundo colocado. Passados 33 anos, o pernambucano José João da Silva quebrou a soberania estrangeira no pódio da corrida, vencendo em 1980 e novamente em 1985. Antes de se tornar atleta, José João chegou a trabalhar em São Paulo como entregador de pizzas na região da avenida Paulista e era conhecido pelos colegas como “Zé das Couves”. Depois dele, outros cinco brasileiros venceram a prova: João da Matta (1983), Ronaldo da Costa (1994), Emerson Iser Bem (1997), Marílson Gomes dos Santos (2003, 2005 e 2010) e Frank Caldeira (2006).

Edição de 2010 da Corrida Internacional de São Silvestre. (Foto: Epitacio Pessoa/AE)

Mas quem é o santo que dá nome ao evento? Silvestre I foi o 33º papa da história do Catolicismo. Nasceu em Roma, em 295, e foi papa entre 314 a 335.  Silvestre I iniciou sua vida como papa em um contexto de paz na Igreja Católica depois de 250 anos de agitação. Tinha a missão de organizar a vida da Igreja depois do decreto do imperador Constantino, que colocou fim à perseguição aos cristãos. “Os primeiros papas foram de uma importância muito grande porque foram do período em que a Igreja foi perseguida, e o papa Silvestre I marca o fim dessa perseguição”, destaca o padre Juarez de Castro, assessor de imprensa da Cúria Metropolitana de São Paulo. “Embora Constantino não tenha transformado o cristianismo em religião oficial, ele permitiu os cultos. O grande mérito desse papa foi aproveitar a paz na Igreja para que ela se estabelecesse.”

O primeiro concílio ecumênico, o de Nicéia, em 325, foi realizado durante o papado de Silvestre. A divindade de Jesus Cristo foi definida durante esse encontro. Ele foi o papa que instituiu o domingo como dia santo. O padre Juarez lembra que, nesse período,  foram permitidas as construções das primeiras basílicas, a de São João de Latrão (localizada em Roma) e a de São Pedro (no Vaticano). O Papa morreu em 31 de dezembro de 335, razão pela qual a data se tornou o Dia de São Silvestre (depois de sua morte, Silvestre I foi canonizado santo pela Igreja e passou a ser referido como São Silvestre). É por isso que o evento esportivo que acontece no último dia de cada ano em São Paulo ganhou o nome de Corrida de São Silvestre.

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A rede KFC está de volta à cidade de São Paulo. Instalou-se na praça de alimentação do novo Mooca Plaza Shopping. O Shopping União, inaugurado há dois anos em Osasco, na Grande São Paulo, abriga a primeira unidade do Estado nessa nova etapa brasileira da marca. São Caetano, na região do ABC, também tem uma loja, inaugurada no mês passado no ParkShopping. A próxima unidade paulista será em Barueri, com inauguração prevista para a primeira quinzena de janeiro. A empresa afirma que tem outros três contratos assinados para a abertura de novas unidades no Estado de São Paulo.

KFC do Mooca Plaza Shopping fica ao lado da Pizza Hut e do Bob's, todos controlados pela BFFC. (Foto: Sergio Castro/AE)

O KFC prepara um retorno lento e gradual à capital para não repetir os erros das duas tentativas anteriores. A rede chegou aqui ainda como Kentucky Fried Chicken na década de 70, mas não havia ainda a cultura do fast food. Em 1992, a KFC, então controlada pela Pepsico, voltou ao Brasil. Um dos responsáveis pela missão de expandir a marca foi o empresário Pedro Conde Filho, herdeiro do BCN (Banco de Crédito Nacional). O plano era montar lojas em pontos estratégicos da cidade, como as avenidas Paulista, Sumaré e a Rua São Bento. Em 1996, a rede chegou a ter 23 lojas e quatro quiosques no país. Mas a ideia de comer frango frito e gorduroso com as mãos foi rejeitada novamente e, a partir de 1997, as lojas começaram a ser fechadas. Conde Filho desistiu da rede e a Pepsico resolveu mudar de estratégia. Fechou todos os pontos de rua em São Paulo para se dedicar apenas às vendas em shopping centers, de olho nos consumidores emergentes. A receita deu errado de novo e as lojas restantes também começaram a fechar suas portas, até que não sobrou nenhuma.

Em 2003, numa nova tentativa, o KFC apostou no mercado fluminense com adaptações do cardápio ao gosto brasileiro e se deu melhor. Hoje são 14 lojas no Rio de Janeiro.  Para atingir esse número, foi preciso ampliar a oferta de sanduíches para conquistar um público que não é tão fã assim do frango frito.  Tanto que  a “estrela” do cardápio do KFC mundial responde hoje por apenas 10% do total das vendas do KFC no Brasil.

Há quatro anos, o máster franqueado no Brasil passou a ser a BFFC (Brazil Fast Food Corporation), dona da marca Bob’s e franqueado da Pizza Hut em São Paulo (outra marca que ressuscitou no mercado paulistano). O cardápio ganhou novidades, como o combinado AFFS – arroz, feijão, frango e salada – e talheres de metal substituíram os descartáveis.

O homem representado no logotipo do KFC é o Coronel Harland Sanders. Foi ele quem criou o Kentucky Fried Chicken, em 1939, no Estado do Kentucky (EUA). O nome seria oficialmente abreviado para KFC somente em 1991. Antes de abrir o restaurante, Sanders teve várias ocupações,  como vendedor de pneus e ajudante de ferreiro.  Entrou para o ramo de refeições com o Sanders Court & Café, pequeno restaurante em um posto de gasolina de beira de estrada. Ali começou seu negócio de frango frito e criou a receita (que demorou cerca de treze anos para ser finalizada) seguida até hoje pelo KFC. O frango da marca é preparado com onze ervas e temperos no total, mas a empresa não revela a receita original completa. O manucrito com a lista de ingredientes está guardado em um cofre no Kentucky. Sanders expandiu seu restaurante, e acabou abrindo franquias que serviam o frango preparado da forma que ele criou. Batizou o negócio de Kentucky Fried Chicken (Frango frito do Kentucky).

Coronel Harland Sanders criou o Kentucky Fried Chicken em 1939. (Fotos: reprodução)

Segundo a KFC, cerca de 12 milhões de pessoas fazem refeições em seus restaurantes todos os dias. São cerca de 20 mil lojas em 109 países, sendo 5.200 unidades nos EUA. A marca pertence à empresa Yum! Brands Inc, com sede na cidade de Louisville, no Kentucky.

Em tempo: É muito difícil encontrar informações sobre a primeira fase do KFC em São Paulo, na década de 1970. Alguns textos na internet falam em década de 1960, mas acho pouco provável. Minha primeira lembrança sobre o KFC data de 1973. Não estou bem certo, mas acho que havia um restaurante no bairro de Pinheiros. Se você souber mais a respeito sobre a chegada do Kentucky Fried Chicken a São Paulo, ajude a completar essa história. Deixe um comentário.  

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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Nem adianta procurar. As lojas do McDonald’s não possuem caixas específicos para o atendimento a idosos, gestantes, pessoas com crianças de colo e portadores de deficiência. A Lei 10.048/00 determina que clientes nessas condições tenham atendimento prioritário. O McDonald’s garante que cumpre essa determinação. O publicitário Victor Marx e a mulher foram almoçar na lanchonete da Avenida Giovanni Gronchi na quinta-feira antes do Natal. Ela está grávida. Ao chegar, Victor perguntou pelo caixa preferencial e, segundo ele, a atendente informou que não havia nenhum. “Ela disse que iria perguntar para a gerente se poderia nos passar na frente”, relata. “Mas a gerente falou que a loja estava muito cheia para fazer isso”. Victor conta que outros clientes que estavam na fila se mobilizaram para que ele e a esposa fossem atendidos primeiro. “Quem nos colocou na frente foi uma senhora de idade, que também deveria ter atendimento preferencial”, aponta. A reclamação acabou nas redes sociais – e fez o maior barulho.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a rede informou que orienta seus funcionários a atenderem esses clientes prioritariamente sem que eles precisem pegar fila, em qualquer caixa. Mas, para o publicitário, a resposta do McDonald’s foi outra. “Como eu reclamei pelo Facebook e pelo Twitter, uma pessoa do McDonald’s me ligou”, conta. “Por telefone, ela me disse que as lojas tinham caixa preferencial, sim. Mas os funcionários dizem que não têm, que precisa pedir para o gerente. Deve ser um problema de treinamento do Mc Donald’s. Imagine um deficiente físico ter que ficar na fila.”

Mas por que não há nenhuma placa nas lojas do McDonald’s informando sobre o atendimento preferencial? A lei 10.048/00 obriga apenas as empresas de transporte público a reservarem assentos “devidamente identificados” para idosos, gestantes, pessoas com crianças de colo e portadores de deficiência. Já para as lanchonetes, como o McDonald’s, a única determinação é que seja feito o atendimento prioritário, sem especificações sobre número de caixas e placas informativas.

(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de Andre Lessa/AE)

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O designer Luiz Romano, de 60 anos, não se rendeu aos cartões de Natal digitais. Ele mantém viva uma tradição iniciada em 1977. Todo ano, ele desenha um cartão especial em “3D”, com recortes e relevos, e manda para seus amigos e parentes. Ele envia cerca de 400 cartões pelo Correio. “Eu crio o desenho, preparo no computador, monto a arte final e encaminho para a gráfica”, enumera. Depois da impressão, Luiz precisa cuidar da montagem para o efeito 3D. “Na gráfica, eles recortam. Mas eu que destaco, dobro e viro.”

Primeiro cartão desenhado por Luiz, em 1997 (Foto: arquivo pessoal)

Depois que os cartões ficam prontos, Luiz ainda rubrica todos eles e cria mensagens diferentes. Para os amigos corintianos, por exemplo, o designer, que é palmeirense, escreveu este ano: “Parabéns, campeão”. Luiz gasta dois ou três dias escrevendo as mensagens. “Às vezes faço à noite, ou até de madrugada.”

Tradição enviada para 400 pessoas todo ano (Fotos: arquivo pessoal)

Ele manda a maior parte dos cartões pelo correio, com direito ao selo natalino do ano. Para ele, a história de que cartões de Natal estão fora de moda é pura conversa. “Muita gente fala que não recebe mais cartões, só o meu”, diz. “Às vezes até me ligam pra cobrar. Tenho prazer em fazer isso. Fico muito feliz quando as pessoas ligam para me contar que colocaram o cartão na árvore de Natal.”

Luiz também é colecionador de presépios desde 1991. Sua coleção conta com cerca de 160 conjuntos, dos mais variados materiais e origens. “Tenho um montado com pregos, engrenagens e arruelas”, conta.

Luiz mostra parte de sua coleção de presépios (Foto: Andre Lessa/AE)

Quem inventou o cartão de Natal?
O cartão de Natal foi inventado em 1843 por Sir Henry Cole, que foi diretor do British Museum of London. Percebendo que não teria tempo de escrever mensagens de Natal à mão para todos os seus conhecidos, pediu ajuda ao artista plástico John Callicot Horsley. Ele dividiu um cartão em três partes e, no centro, desenhou uma família reunida e crianças pobres ganhando roupas e comida. Foram impressas 100 cópias em litografia, e, então, o artista coloriu uma a uma à mão. Cole enviou uma parte pelo correio e vendeu os cartões que sobraram.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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Toda classe tem um bom aluno que anota as lições no caderno e tem os resumos cheios de flechas e marcações para facilitar a leitura antes das provas. Mila Motomura foi uma dessas alunas. “Sempre pediam meu caderno para xerocar”, conta. Há três anos, a hoje psicóloga fez dessa habilidade uma fonte de renda. Tornou-se especialista em design de informação. O que é isso? Mila cria painéis com informações técnicas, conceitos e descrições, resumidos na forma de imagens. “A ideia é simplificar a informação para que as pessoas entendam sem ter que ler todo o conteúdo”, explica.

O trabalho de Mila é transformar conteúdos complexos em imagens. (Foto: Andre Lessa/AE)

As sínteses de Mila podem ser usadas por empresas em palestras, aulas e reuniões. Os painéis, que geralmente têm 1 metro de altura e 5 de comprimento, são escaneados e usados como material digital depois do evento. “Tudo o que as pessoas vão conversando vai sendo registrado.” Mila também dá aulas de design de informação. “Ajuda a pensar de forma organizada”, avisa.

Veja alguns esquemas montados por Mila (clique na imagem para ampliar):

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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Quer algo mais ousado e requintado que uma simples calcinha nova para festejar a chegada do Ano Novo? A estilista Leandra Rios, mais conhecida como Madame Sher, criou a coleção Beautiful Darlings, uma linha de corsets inspirada em 17 divas do cinema, como Doris Day e Greta Garbo. “Eu quis fazer uma coleção romântica e que fosse, ao mesmo tempo, glamurosa e admitisse sensualidade”, explica ela, que abriu o ateliê em 2004.

Sher vestindo modelo inspirado na atriz Sophia Loren'

Sher trabalhou nove meses na coleção. Cada corset ganhou uma musa inspiradora. Alguns trazem referências a filmes, como o modelo inspirado em Audrey Hepburn, estrela de Bonequinha de Luxo. “Seu lendário tubinho básico mostrou que, muitas vezes, menos é mais”, aponta a estilista. “Mas a maioria dos modelos é mais conceitual. Pensei na imagem que cada atriz passava”. Entre as inspiradoras dos modelos mais sensuais estão Elizabeth Taylor, Sophia Loren e Brigitte Bardot. Já os modelos angelicais remetem a atrizes como Ursula Thiess e Francesca Bertini.

A estilista usando o corset que homenageia Norma Shearer

Sher conta que, por causa do apelo mais romântico da nova coleção, a marca passou a atrair um novo público: meninas de 15 a 18 anos. “O público mais jovem dificilmente consome esse tipo de peça”, diz. “Mas, nessa coleção, as meninas aderiram bem”. Como são feitos manualmente, os corsets não saem barato. Cada um custa, em média, R$ 4.500. Veja as as fotos de alguns modelos:

Audrey Hepburn:

Brigitte Bardot:

Doris Day:

Elizabeth Taylor:

Greta Barbo:

Francesca Ursula

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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Quem se inscreveu para a corrida de São Silvestre pode fazer um “ensaio” de 2 minutos para ir sentindo como será o dia da prova.  O treino é totalmente virtual, mas dá direito a vento no rosto e até corrida na chuva. Os corredores que forem retirar seus kits de corrida no Ginásio do Ibirapuera poderão experimentar um simulador no stand da Netshoes, uma das empresas que patrocinam o evento. Acompanhantes que não forem participar da corrida podem experimentar também. O corredor fica em uma espécie de “caixa” com uma esteira ergométicica e três telas que mostram a paisagem ficando pra trás. Em entrevista ao Blog do Curiocidade, Sandra Dias, gerente de marketing de categorias da empresa, explicou como funciona o equipamento.

Qual é o tamanho do simulador?
Tem aproximadamente dois metros por três. É uma espécie de container.  O corredor  tem uma tela na frente e duas nas laterais. Conforme ela corre ou caminha – cada um controla como quiser -, a paisagem vai passando na velocidade escolhida.

Além de ver a paisagem passando, que outros tipos de sensações podem ser simuladas?
O corredor vai sentir um vento no rosto. Se ele for mais rápido, a sensação de vento é maior. O ventilador não fica aparente. É tudo muito bem feito para fazer a pessoa ter uma experiência sem perceber como ela está acontecendo. Ele também vai ter a sensação de frio ou calor, e, em algum momento dos 2 minutos, vai chover.

Vai ter uma toalha na saída para a pessoa se enxugar?
A chuva é suficiente só para a pessoa ter a sensação, mas nada que a comprometa ou a deixe molhada demais a ponto de precisar se enxugar.

Do lado de fora, as pessoas poderão ver o participante correndo dentro da caixa. Não acha que alguns podem ficar com receio de pagar um mico?
Ah, não é um mico… É uma coisa bacana!

Serviço:
Ginásio Estadual Geraldo José de Almeida – R. Manoel da Nóbrega, 1361
28 e 29/12, 9h/19h; 30/12, 9h/17h.
Grátis

(Com colaboração de Karina Trevizan e foto de divulgação)

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Marcos Roberto Silveira Reis, o Marcos, irá completar 20 anos como goleiro do Palmeiras em 2012. Será também seu último ano como profissional. A despedida deverá acontecer no primeiro semestre. Aproveitando a ocasião, o jornalista Celso de Campos Jr. resolveu sair à frente e acaba de lançar uma biografia do craque. São Marcos de Palestra Itália, da Editora Realejo, é resultado de um trabalho de oito anos de pesquisa sobre a vida do jogador. O goleiro Marcos e o Palmeiras não gostaram da novidade, já que dois livros oficiais sobre o camisa 12 estão sendo produzidos para o ano que vem. Rubens Reis, diretor de marketing do Palmeiras, diz que o clube entrará com medidas legais caso o título seja publicado. “O autor desse livro pirata em momento algum consultou o clube ou  o Marcos”, afirma Reis. “Não fez nenhum acordo para usar nossos direitos de imagem”.

Campos teve a ideia do livro em 2003, época em que Marcos recusou uma proposta da equipe inglesa Arsenal para substituir o goleiro David Seaman e permaneceu no Brasil, defendendo o gol do Palmeiras na Segunda Divisão. “Já admirava o Marcos desde antes daquela época”, diz o jornalista. “Com essa atitude, ele provou que não era um jogador qualquer”.

 

Campos é autor de Adoniran: uma biografia, sobre o compositor Adoniran Barbosa. O método de trabalho foi diferente. “No primeiro livro, entrevistei muitas pessoas para ajudar a reconstruir o personagem do músico”, explica. No caso de Marcos, o jornalista não entrevistou o arqueiro. Fez um trabalho de pesquisa em arquivos de jornais, revistas e internet. “O Marcos é uma personalidade atual, tem muita coisa sobre ele em todos os veículos”, conta. “Se eu perguntasse ao Marcos como foi uma partida de 1996, ele talvez não soubesse responder com precisão”.

Se a ameaça do Palmeiras se concretizar, a biografia de Marcos não será a primeira a enfrentar esse tipo de problema. O caso mais famoso foi o de Roberto Carlos. Em 2007, o jornalista Paulo César Araújo publicou Roberto Carlos em detalhes pela Editora Planeta. O cantor não autorizou a homenagem, que foi recolhida. O mesmo aconteceu com o livro Sinfonia de Minas Gerais – A vida e a obra de Guimarães Rosa, que teve que ser recolhido pela LGE Editora. Já Estrela solitária, trabalho de Ruy Castro sobre o jogador Garrincha, teve que passar por uma disputa jurídica de dez anos para, finalmente, voltar à circulação.

Isso acontece porque a Legislação brasileira ainda não tem um limite bem definido entre direito à privacidade e direito à informação sobre pessoas de projeção pública. A justificativa legal utilizada para barrar a publicação das biografias é o Artigo 20 do Código Civil. Ele garante que só podem ser divulgados escritos, citações e imagens de uma pessoa se esta (ou seu herdeiro) conceder uma autorização. “O Brasil está muito atrasado em relação a isso”, diz Celso de Campos Jr. “Em qualquer livraria, você vê três ou quatro biografias não-autorizadas de personalidades estrangeiras”. O autor não acredita que vá enfrentar problemas legais com o Palmeiras, já que seu livro enaltece o jogador, sem prejudicar a imagem dele ou a do clube. “E existe torcida palmeirense o suficiente para comprar mais de um livro sobre o Marcos”, justifica.

O jornalista tem a seu favor a modificação do Artigo 20, que está sendo feita pelos deputados federais Newton Lima (PT-SP) e Manuela D’ávila (PCdoB-RS), cujos projetos de lei permitem a divulgação de informações biográficas de pessoas públicas sem a necessidade de pedir autorização prévia. Por serem quase idênticos, os projetos de lei 393/11 e 395/11 foram apensados e aprovados na Câmara em dezembro. Agora, o texto vai para o Senado e, se não houver alteração, irá para a promulgação pela presidente Dilma Roussef.

(com colaboração de Miriam Castro)

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No filme Escola de Rock, o personagem Dewey Finn (Jack Black) resume a história de seu gênero musical favorito colocando na lousa um esquema com os sub-gêneros e as principais bandas de rock que já existiram. As irmãs Sandra Kempenich e Deborah Roubicek, proprietárias da It’s Only Rock’n Roll, quiseram reproduzir a imagem da lousa na loja, que vende produtos licenciados de cerca de 120 bandas. A parte mais difícil foi a pesquisa, já que o esquema de Dewey aparece muito rapidamente no filme. “Foi uma boa garimpagem pelas imagens da internet até achar uma que mostrasse a lousa inteira”, conta Sandra.

Em vez de um quadro de verdade, a lousa foi pintada na parede. Primeiro, foram três camadas de tinta verde. Depois, Deborah e Sandra escreveram com giz branco. Precisaram de cinco tentativas até fazer caber todo o conteúdo. Em seguida, as duas passaram verniz para que as letras não se apagassem. Foram dezessete camadas. “O problema é que o spray tira o pó do giz. Então, a cada camada de verniz, a gente tinha que reescrever tudo.Passamos um domingo inteiro fazendo isso.”

A lousa da loja é uma reprodução da imagem do filme, mas com alguns toques de gosto pessoal, já que Sandra e Deborah incluíram mais algumas bandas, como Oasis e U2. “A gente achou que não poderiam faltar e tomou uma certa liberdade de acrescentar”, diz Sandra.

Veja como ficou:

(Clique para ampliar)

 

Serviço:
Rua Fradique Coutinho, 833; Vila Madalena

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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Com seus 50 andares e 170 metros de altura,  o Palácio W. Zarzur é o edifício mais alto de São Paulo – e do Brasil. Construído entre 1958 e 1966, no Vale do Anhangabaú, o prédio já mudou de nome duas vezes. Quando foi inaugurado, chamava-se Palácio Zarzur & Kogan. Depois, em 1985, passou a se chamar Mirante do Vale. Em 2010, ganhou o nome de Palácio W. Zarzur. Foi projetado por Waldomiro Zarzur, hoje com 90 anos. Descendente de libaneses, Zarzur nasceu em São Paulo e formou-se engenheiro pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Para mostrar as obras mais importantes de sua carreira, será inaugurada hoje a exposição “Waldomiro Zarzur, 63 anos construindo São Paulo”. São 31 fotos (incluindo um painel de 2,5 x 2 metros),  tiradas a partir da década de 1940, retratanto as principais construções assinadas por ele. O local escolhido foi o stand do Edifício Brasil, o projeto mais recente de Zarzur.

A ideia foi de Gisele Zarzur Maluf, filha de Waldomiro. “Durante todos esses anos, os engenheiros e arquitetos que viam as fotos de papai ficavam interessados em saber como as obras foram feitas”, conta ela. “Então, resolvemos fazer.” Foi necessário, no entanto, convencer Zarzur a expor o acervo pessoal. “Ele é uma pessoa muito discreta, não gosta muito de falar de si”, explica Gisele.

Para fazer a curadoria da exposição, a família convidou Maria Ruth Amaral de Sampaio, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Ela escreveu, há 2 anos, um livro (que não chegou a ser publicado) sobre a história de Zarzur. “Nesses 65 anos verticalizando a cidade, ele fez 300 edifícios”, diz Maria Ruth. “Nós escolhemos os principais. A exposição é uma mostra muito pequena da produção dele, porque o espaço é bastante restrito”.

Waldomiro Zarzur projetou outros edifícios importantes da cidade, como o Hospital Albert Einstein e o Velódromo de Ibirapuera (construído para os Jogos Pan-Americanos de 1963 no local em que funciona hoje o estádio de atletismo Ícaro de Castro Melo). Foi responsável também pela construção dos edifícios São Vito (inaugurado em 1953, ficou conhecido como “Treme-Treme”) e Mercúrio (inaugurado em 1952), ambos na Avenida do Estado. Os prédios foram demolidos este ano.

Veja abaixo algumas fotos que farão parte da exposição:

Palácio W Zarzur em construção

Vista do Vale do Anhangabaú antes da construção do Palácio W Zarzur. Na parte inferior, é possível reconhecer o viaduto Santa Ifigênia

Operários trabalham na construção da igreja Nossa Senhora do Paraíso, inaugurada em 1952.

Construção do Hospital Albert Einstein inaugurado em 1971

Edifício Racy, na avenida São João. A obra é de 1955

Serviço:
Waldomiro Zarzur, 63 anos construindo São Paulo
Edifício Brasil, R. Santo Antônio, 722, República.
Inauguração: 15/12, 19h.
Visitação: de 16/12 a 31/01 (exceto dias 24, 25 e 31/12 e 01/01)
2ª a 6ª, 8h/22h. Sáb., dom. e fer., até 23h.
Entrada gratuita

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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