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Cristina Padiglione

IQUE ESTEVES/DIVULGAÇÃO
   

A Globo, via assessoria de imprensa, argumenta que o áudio de um Tony Ramos que não foi visto, apenas ouvido, no episódio de ontem da série As Brasileiras era uma homenagem do diretor Daniel Filho, diretor-geral do programa, ao ator. A voz de Tony fez as vezes de marido de Glória Pires, configurando aí a mesma parceria do blockbuster da Globo Filmes, Se Eu Fosse Você (1 e 2).

Quando a voz de Tony surgia em diálogos com Glória, apenas um braço magrelo e sem pelos aparecia. Nada mais.

Na história, Glória fazia a mãe que enfrenta a resistência das filhas pré-adolescentes a toda demonstração de afeto ou a tudo o que elas (e os meninos também) chamam de “mico”. O enredo foi localizado na Barra da Tijuca, mas bem poderia se passar em Higienópolis, no Leblon, nos Jardins ou no Morumbi.

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Nunca se viu novela das 9 da Globo com a pretensão de exibir tanta gente como a gente.

A ostentação perde espaço para a manicure, o jogador de futebol, a golpista, o tiozinho do Fusca, a perifa.

A Globo está aprendendo que a tal nova classe C quer subir de vida no próprio território. Não quer morar no Morumbi ou na Barra, quer um espaço melhor no bairro que a fez crescer. Não quer as escolas nem o clube dos ricos não emergentes, quer ficar à vontade e progredir onde se sente bem. Isso tudo está em Avenida Brasil, que estreou ontem

Texto ótimo de João Emanuel Carneiro, atuações precisas de Tony Ramos, Adriana Esteves, Ailton Graça e Murilo Benício. Também já sei que vou amar Marcos Caruso no papel de pai do craque e que muito torceremos, em vão, pela cabeleireira de Heloísa Perissé, que será passada para trás pela megera Carminha de Adriana, e que medo da Adriana!

Como disse no Twitter, Carminha é filha de Sandrinha, aquela que explodia o shopping em Torre de Babel, vestida pela mesma Adriana.

A audiência da estreia foi de 37 pontos de média na Grande São Paulo, onde um pont equivale a 60 mil domicílios. Mas há bons motivos para ver esse patamar se multiplicar. Fina Estampa fechou com excepcionais (em comparação com as últimas seis novelas do horário) 47 pontos e estrou com 41.

O thriller é contagiante, a não ser por um aspecto que não chega a ser qualquer detalhe: a abertura é ruim de dar vergonha alheia. Música ruim, imagens ruins, edição medíocre. Uma pena ver produto tão bom em embalagem tão desprezível.

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Quando dei de cara com “Viver a Vida”, vinda no embalo daquelas dancinhas de “Caminho das Índias”, confessei aqui um certo abatimento, um desânimo mesmo com a falta de quem me comovesse na tela.
No lugar de Laura Cardoso, Lima Duarte e Tony Ramos, todos em tese coadjuvantes no folhetim de Glória Perez, encontrei só a Lília Cabral com chance de me comover.

Vá lá, o enredo de Manoel Carlos foi me empurrando para a frente da TV. Helena foi me atraindo cada vez menos, mas até que a Alline Moraes, o quase estreante Mateus Solano e a Natália do Vale aos poucos iam justificando o zapping para o canal dos Marinho.

Ontem, ao assistir a um clipão do início da novela que vem aí, “Passione”, by Silvio de Abreu, tive a certeza de que eu apenas fui me acostumando à ausência de atores incríveis na novela que acaba esta semana. Sim, sobrou estética e faltou maestria na interpretação de “Viver a Vida”, sem mencionar que José Mayer nunca foi tão “mais do mesmo”.

“Passione” impressiona, de cara, pela presença de dona Fernanda, a Montenegro, de Mauro Mendonça, de Elias Gleizer, de Leandra Leal, de Aracy Balbanian, de Tony Ramos, de Irene Ravache, de Bruno Gagliasso, de Marcelo Médici e de Vera Holtz, só para mencionar uma partezinha do cast. E tem Emiliano Queiroz, que afago reencontrá-lo em ação! Sempre me pergunto por que uma emissora que tem Emiliano Queiroz à disposição faz questão de trancá-lo em casa.

crédito: Renato Rocha Miranda/TV Globo
Passione
Tony Ramos e Aracy Balabanian na Toscana de Jacarepaguá

Que venha “Passione”.

Só não entendo como é que a Globo prima pelo cenário toscano, magistralmente reproduzido no Projac, em Jacarepaguá, zela por aulas de prosódia para treinar o acento italiano, investe em figurinos igualmente compatíveis com a cultura ítalo-brasileira, e permite que uma larga parte do elenco relaxe sua pronúncia no carioquês. Não defendo aqui a mediocridade do bairrismo, pelamordedeus, nem faço exigência exótica para o ritmo industrial demandado por uma novela diária, mas, pense: se é para acionar a licença poética e deixar que os atores cariocas emprestem livremente sua pronúncia a personagens paulistanos, para que queimar tempo, filme e dinheiro com esmeros itanianescos com a outra parte do elenco? Por que o ator que grava na Itália tem de falar com acento italiano e o que mora em São Paulo pode falar como carioca? Será que o salário é maior e ele tem de justificar? Não faz sentido.

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