Cristina Padiglione - Estadao.com.br

Cristina Padiglione

Publico a seguir a crítica impressa no Caderno 2 de hoje, mais um ou outro enxerto que lá faltou, sobre o primeiro capítulo de Ti-ti-ti, nova novela das 7 da Globo.

A música da abertura está lá, a mesma, agora com Rita Lee, mais bossa e menos adrenalina juvenil do que aquela registrada na gravação do Metrô (a banda, convém avisar aos mais novos, e não o trem). O enredo central é de 1985, de Cassiano Gabus Mendes. As tesouras e agulhas da abertura lá estão, 25 anos depois, como dantes. Outros acordes também remetem aos idos em que Jacques Leclair era Reginaldo Faria e Victor Valentim, Luiz Gustavo (até um Overjoyed, by Stevie Wonder, escapou em cena).
Ainda assim, a novela que Maria Adelaide Amaral trouxe à tona na faixa das 19h da Globo dá pinta mais original que muito folhetim dito inédito.
Não vale dizer que novela é tudo igual. A dramaturgia de Cassiano merece montagens e remontagens à vontade. Ao preservar parte do figurino dos anos 80, digo, a abertura, a trilha e o fio condutor, a nova Ti-ti-ti afaga os saudosistas e estende a mão aos menores de 30. Se uma peça de teatro, com texto repetido pelos mesmos atores por meses, produz um espetáculo diferente a cada dia, que reforma não opera uma mudança inteira no elenco, 25 anos depois? Bingo, é outra novela.
Ponto essencial para reprisar o sucesso, a escalação dos protagonistas vem a calhar. Alexandre Borges e Murilo Benício são os caras certos na hora certa nos papéis certos. Uma espiada em volta e tropeçamos em vários exemplares “made in Malhação”, apostas da Globo em “novos talentos”. Quem sabe não foi isso que faltou no passado, a ponto de Mauro Mendonça, recém-enterrado na novela das 9, ressurgir de novo como ricaço? Foi a coisa mais déjà vu da nova Ti-ti-ti. Concorre, quase ia me esquecendo, com aquela vocação irresistível que o diretor Jorge Fernando tem para o pastelão: só em um capítulo, uma panqueca caiu no rosto de um sujeito e uma fatia de rocambole de carne voou pelos ares.
Avanço notável é que nunca antes na história da novela das 7 um casal gay trocou tanto afeto como os personagens de Gustavo Leão e André Arteche. A má notícia? Um deles morre num acidente. Com sorte, logo estará em outra produção da casa.

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Em café da manhã promovido pela Globo na manhã de hoje, Maria Adelaide Amaral, Alexandre Borges (mais magro e sarado que nunca) e Murilo Benício (em dieta para perder mais 4 dos 11 kilos que o tentente Wilson, de “Força Tarefa”, lhe rendeu) falaram sobre a missão de trazer de volta ao horário das 7 o universo do genial Cassiano Gabus Mendes. Os meninos estreiam como os estilistas Jacques Leclair e Victor Valentim, respectivamente, com todas as distâncias que a indústria da moda traçou de 20 e poucos anos para cá.

Ti-Ti-Ti

Assim, conta Maria Adelaide, como aquela rivalidade na linha Denner X Clodovil já era e o mundo das passarelas é completamente outro, Jacques Leclair agora é o crème de la crème da Zona Leste. Estrela no ramo de vestidos de festa, que jamais, em tempo algum, conhece o significado do termo “crise”, Leclair é o rei do Tatuapé, do Jardim Anália Franco e vizinhança, “onde a clientela paga bem e paga em dia, ao contrário de muita gente da zona sul”.

Assim como os coreanos do Bom Retiro, o sonho de Jacques é abrir seu ateliê nos Jardins.
Talentoso no corte, porém cafona com a overdose de adereços, Leclair afinará seu estilo graças à personagem de Cláudia Raia, “uma ex-punk muito doida”.
Benício, no papel que foi de Luís Gustavo, só começa a gravar agora e uma bateria de cenas em São Paulo inclui Faap, Viaduto do Chá, Praça da Sé, Masp (pra variar) e, claro, locações na zona leste.
A novela, que mescla o enredo de Ti-Ti-Ti com o de Plumas & Paetês, do mesmo Cassiano, terá ainda Malu Mader como editora de uma revista de moda.
A brilhante personagem que foi de Nathália Timberg na primeira versão, verdadeira autora das criações de Valentim e mãe biológica de Leclair, virá agora como Regina Braga, escolha bem feliz.

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Primeira de uma série de participações especiais que a autora Maria Adelaide Amral pretende promover no remake de “Ti-Ti-Ti”, Luís Gustavo, que foi justamente um dos protagonistas da versão original (o estilista espanhol Victor Valentim), gravou cena breve para o início da próxima produção das 7 na Globo.
Vem vestido com o inconfundível paletó (e não blaser, vela lá, paletó mesmo) xadrez de Mário Fofoca, outro clássico seu, de “Elas Por Elas” (1982).

Olhaí o Tatá, que mimo.

tatá1

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Reginaldo Faria como Jacques Leclair

Reginaldo Faria como Jacques Leclair

Só pra registrar, eis aí nosso (licença, dona Julia Lemmertz), Alexandre Borges caracterizado como Jacques Leclair, um ícone das telenovelas, personagem eternizado por Reginaldo Farias há mais de duas décadas. Repare que o tom afetado prevalece, claro, faz parte do personagem que fingia ser gay para parecer alguém totalmente inofensivo aos olhos femininos. Mas o figurino, quanta diferença…

Ti-Ti-Tifoto de Zé Paulo Cardeal/Divulgação Globo

O remake de Ti-ti-ti estreia em julho, na faixa das 7 da noite da Globo, substituindo “Tempos Modernos”. O texto é de Maria Adelaide Amaral, sobre os originais de Cassiano Gabus Mendes.

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