Desde que sugeriu a escalação de Reynaldo Gianechini para ser o mecânico de Belíssima, o autor Silvio de Abreu já pensava na possibilidade de ele vir a ser Nando, papel que foi de Mário Gomes, na nova Guerra dos Sexos.
“Na época, a direção da Globo não acreditava muito que ele pudesse fazer bem o papel, porque achavam que ele era muito galã pra ser mecânico, mas eu já achava que ele se sairia bem e ali já vinha testando o Gianecchini para ser o Nando”, contou Silvio de Abreu a esta signatária.
A nova “Guerra dos Sexos” estreia dia 1º de outubro, na mesma faixa das 19h que ela revolucionou há quase 30 anos.
Sim, estou de férias, mas não me contive.
Do final de Passione, a novela das 9 que acabou ontem na Globo, fica a certeza de que a pérfida Clara (Mariana Ximenez) foi plenamente absolvida pela audiência ao ter seu passado, de infância cafetinada pela avó cruela, revelado ao público daquela forma.
Se era para ver Saulo (Werner Shünemann) planejar o assassinato do próprio pai e pegar uma criança, no caso a ainda pequena Clara, para mandá-la pular “no colo do titio”, arghhhhh, que nojo, morra, Saulo!
A pedofilia não entrou na novela pela tara de Gerson (Marcello Anthony), ou até entrou, já que o drama dele tinha origem nos abusos da vovó escroque, que foi sua babá, mas entrou especialmente pela infância roubada da assassina da trama.
Afinal, vilão que se respeite, tem de ter ponto fraco, tem de ter um motivo para matar e roubar, ainda que nem toda vítima da vida resulte num homicida, ainda bem.
O caso é que vilão como Saulo, sujeito mau porque mau e ponto final, não merece clemência.
Saulo e a vovó cafetina, Valentina (Daysi Lúcidi) foram os grandes vilões da história de Silvio de Abreu.
A chatice completa do desfecho foi aquele casal Mauro (Rodrigo Lombardi) e Melina (Mayana Moura). Ficou a parecer que faltava par para ambos e o jeito foi unir a moça mimada ao sujeito que proclamou vê-la como uma irmã por quase 200 capítulos. Incesto total.
E dona Bete Gouveia, poverina da Fernanda Montenegro, passou oito meses em busca de respostas que o autor lhe privou.
Não merecia acabar na ignorância do assunto, ainda que para uma mãe com filho como Saulo, melhor é não ter consciência do monstro parido.
Silvio de Abreu se orgulha de dizer que Passione, sua novela atual, tem apenas 37 personagens. Manoel Carlos, por exemplo, normalmente passa dos 100, mas isso cria uma série de papéis que vão sumindo de cena ao longo da história, visto que é impossível criar argumento, ou mesmo situação, para tanta gente ao mesmo tempo.
Mas Passione é tão enxutinha, que os romances se resolvem todos em família. As personagens têm dupla função.
Agora temos a confirmação de que Fátima (Bianca Bin) é mesmo filha de Gerson (Marcello Anthony), o que endossa a posição de Sinval (Kayky Britto) como seu primo em primeiro grau. Fátima também já copulou com o cunhado, irmão de Sinval, o drogadito Danilo (Cauã Reymond), também seu primo, portanto.
Antes disso, vimos Lorena (Tammy Di Calafiori), irmã de Sinval, namorar Agnello (Daniel de Oliveira), igualmente primo em primeiro grau da moça. Agnello descobriu, no entanto, que amava ‘da vero’ a Stella de Maitê Proença, mãe de Lorena.
E, sendo Felícia (Larissa Maciel) a mãe de Fátima, ex-Gerson, teremos agora a confirmação de que Totó (Tony Ramos) pega a ex-cunhada.
Isso sem falar na bigamia de Berilo (Bruno Gagliasso), que casou pela segunda vez justamente com a tia de sua primeira mulher, no caso, Jéssica (Gabriela Duarte), cuja sobrinha é Agostina (Leandra Leal).
É ou não é um Álbum de Família?
Foto: Alex Carvalho/Divulgação

Saulo, de mãozinhas cruzadas: no capítulo de ontem, todos os caminhos fúnebres levavam a ele
Antes do “quem matou?”, Silvio de Abreu se esmera na manutenção de um segredo mais árduo de se sustentar: “quem morre?” é a pergunta a ser respondida no capítulo de amanhã de Passione.
Árduo porque, até aqui, o autor da novela das 9 da Globo teve de lançar uma série de pistas falsas em torno da vítima. Depois de cinco personagens anunciarem a promessa de acabar com Fred/ReynaldoGianecchini, o capítulo de ontem terminou com meio mundo passionístico querendo matar, trucidar e queimar vivo aquele Saulo/Werner Shünemann. Já tem gente querendo entregar o cara ao Capitão Nascimento.
Para melhorar o jogo de Sherlock Holmes proposto ao telespectador, Silvio escreveu e mandou gravar a morte de cinco personagens. Além de Saulo e Fred, também morreram, em gravações encomendadas pelo autor, Melina/Mayana Moura, Gerson/Marcello Anthony e Diana/Carolina Dieckmann.
No momento em que Mauro/Rodrigo Lombardi recebe o telefonema que o informa sobre a morte de alguém, mostrado ontem, no final do capítulo, Diana mal acabou de se despedir dele, com aquele jeitinho melado de romance de primeiros dias. É a opção menos aparente de morrer ou de ter matado.
Nem Melina nem Gerson nem Saulo nem Agnello/Daniel de Oliveira nem Fred estão onde deveriam estar naquele momento. Até o noiado Danilo/Cauã Reymond é citado (mas não visto, que o ator não tem gravado por conta de uma cirurgia no quadril) pelo porteiro do prédio como alguém que passou por lá “atrás do seu Saulo”.
E se Saulo de fato matou o pai, Eugênio/Mauro Mendonça (que já ressuscitou na novela das 7) e for morto pelo próprio filho? Sinas, ironias do destino ou coincidências sempre são recurso para bons roteiros, a ver.
Adesso, como diria Agnello, Totó, ou outro alguém do núcleo italiano instalado no Brasil na primeira grande imigração da Bota desde Terra Nostra, punto e basta. É tudo especulação. Quem quiser especular sobre o homicídio de amanhã, faça aí suas apostas, que aqui não paga nada, é só dar pitaco.
Dona Fernanda Montenegro já falou.
Werner Shünemann já voceiferou.
Tony Ramos já tarantalelou.
Rodrigo Lombardi já sussurrou.
Todos juram que não terão de conviver com Fred por muito tempo.
É o cara marcado pra morrer na novela das 9 da Globo, Passione.
Daqueles que, morto, suscitam uma série de flashbacks com mais de 10 suspeitos em cenas que lhes atribuem coragem e força de vontade para acabar com o agora defunto em questão.
O assassinato está agendado para a sexta-feira da semana que vem.
Silvio de Abreu, o autor, já avisou que o morto será um dos protagonistas, digo, um dos atores da trama central do folhetim. Cá pra nós, não seria má ideia tirar o Gianne de cena. Onde já se viu alguém destratar dona Fernandona e seu Tony Ramos daquele jeito? E até para ser golpista é preciso ter lá sua ética, coisa que o talzinho não tem, visto a rasteira que deu na (agora convertida) Clara da Mariana Ximenez.
Sujeitinho insuportável, esse Fred. Já vai tarde.
Ôooops, torcida minha, bem dito: não é propriamente uma informação.
Façam suas apostas.
O encontro que enfocou telejornalismo nos 60 anos de TV no Brasil, ontem, na Livraria Cultura, foi tudo de bom.
Prometo postar trechos das conversas ali travadas, não só com base no que lá disseram Ana Paula Padrão, Lillian Witte Fibe e Paulo Markun, mas também no que disseram, e debocharam, com louvor, Marcelo Tas e Márcio Ballas anteontem.
Logo mais, às 13h, é hora de Silvio de Abreu, o autor de Passione, homem que matou Laurinha Figueroa bem ali perto, naquele imponente prédio da Caixa Econômica Federal, de onde um boneco com cara de Glória Menezes foi alçado, em plena “Rainha da Sucata”.

Para a ocasião, encaminhamos ao Silvio uma pergunta do Gilberto Braga, outra de Fernanda Montenegro e outra de Maria Adelaide Amaral.
A mediação será desta que vos fala.
Só não vale perguntar quem vai morrer dessa vez. Um assassinato (e posterior ‘quem matou?’) está na pauta do roteiro da temporada.
Atenção, senhores telespectadores:
ESTA SEMANA, dias 11, 12 e 13, quarta, quinta e sexta-feira, A PARTIR DAS 13 HORAS, portanto, o Estadão promove mais uma edição da série Encontros Estadão & Cultura, lá no Teatro Eva Hertz, da Livraria Cultura, dessa vez sobre TELEVISÃO.
Item de influência maior nos costumes desta nação, coisa que muita gente, mas muita mesmo, comprou como primeiro eletrodoméstico da casa (a geladeira ficava para depois), a TV no Brasil suscita uma infinidade de reações, do amor ao ódio. Indiferença, definitivamente, não é sua praia.
Por isso, na véspera do seu 60º aniversário, vale reunir alguns de seus profissionais mais exemplares para falar sobre a experiência por eles vivida nesse cenário.
Na quarta-feira, abrindo com humor, teremos Marcelo Tas, Wellington Muniz, o Ceará, e Márcio Ballas, representante da vertente mais recente do riso na TV, que é o show de improviso. Chico Anysio, o gênio maior, convidado para a ocasião, se desculpa pela ausência gravando seu Vampiro Brasileiro, no Rio, mas manda uma questão para ser feita à nossa roda, lá no Teatro.
Na quinta, Ana Paula Padrão, Lillian Witte Fibe e Paulo Markun engatam uma prosa sobre o telejornalismo, com propriedade de um time que viveu o dia a dia dos principais canais de TV convencionais, da TV pública e até da TV que há pouco tempo se assiste pela internet, olha aí o webjornalismo, gente.
E na sexta, tem versão solo com Silvio de Abreu, autor de “Passione” e de tantas cenas que tão bem traduziram para a TV a São Paulo onde Assis Chateaubriand plantou a primeira estação de TV da América Latina, há quase 6 décadas (o aniversário de fato é 18 de setembro).
Nossa cena no Eva Hertz tem entrada gratuita, mas as vagas estão limitadas a 200 lugares. É chegar e ocupar sua poltrona. Apareça, dê palpite, pergunte, ao vivo ou via twitter (@tvelazer).
Foto de Tiago Queiroz/AE

Câmera que testemunhou o nascimento da televisão no Brasil, a Tupi, em setembro de 1950, do acervo preservado pela atriz Vida Alves.


Ausente no primeiro capítulo de “Passione”, nova novela da Globo, uma dupla com efeito de rara química merece menção extraordinária: as cenas entre Emiliano Queiroz e Marcelo Médici têm sido de um primor inenarrável. Se na mesma novela não estivessem dona Fernandona e dona Cleyde, donas de outro dueto que vale a sintonia, a produção já seria um afago à alma só por Emiliano e Médici, mais ainda quando se juntam a Leandra Leal. Faz bem à saúde botar o olho na tela quando eles passam por ali.
Não queria bajular Silvio de Abreu e equipe, dizer que o texto colabora e tal, mas, diacho, o pior é que não consigo ignorar que o roteiro conspira muito a favor dos intérpretes, como também digo que todos eles supervalorizam o script que recebem. Aí é que está. Repare nos pequenos trejeitos de cada um, na entonação, no olhar, em tudo que transcende o texto, e divirta-se.
Leandra e Médici têm tudo isso e um pouco mais.
Emiliano, então, que frequenta minha memória afetiva com seu estimado Dirceu Borboleta, nem se fala.
Ôps, vou entregando a idade… E daí? Sorte de quem conheceu Odorico e seus súditos.
Reproduzo aqui o texto publicado no Caderno 2 sobre a nova novela das 9, mas faltou dizer que a trilha sonora é fraquinha, hein? Não julgo cá a qualidade do som, mas, fora o repertório italiano, digo que aquele Lenine da abertura não empolga. Outra, usada como fundo sonoro das pedaladas, causam-me angústia.
Oxalá o disco vire logo, que a novela é boa e vale a sintonia.

A principal novela do horário nobre da TV virou a página e não demorou a explicitar quem é do bem, quem é do mal, quem é ninfomaníaco, quem é dissimulado, quem será algoz e quem será vítima pelos cento e tantos capítulos a seguir. Para a Globo, apressada em estancar a sangria de audiência, a estreia de Passione foi perfeita. A nova história de Silvio de Abreu começou com competência para alimentar o imediatismo demandado por uma plateia cada vez mais dispersa entre as mídias.
Árdua, mas não impossível, será a tarefa de manter esse ritmo por quase seis meses de programa diário. Conspiram, para tanto, flashes da cidade em movimento. E, no quesito cartões postais paulistanos manjados, um adendo: a ponte Estaiada, que já é cenário dos telejornais locais da Globo, vem se juntar a Masp e cercanias da Paulista para legendar a cidade em cena de novela. Mas, justiça seja feita, a diretora Denise Saraceni não se acanha em estampar um pouco de caos na tela ficcional e nos brinda com imagens aéreas das Marginais em hora de rush.
O tempo urge. Se um enterro duraria pelo menos uma semana em novela de Manoel Carlos, o funeral de Mauro Mendonça foi consumado em menos de um bloco. Ainda que denuncie premência em dizer a que veio, o início de Passione não tropeçou no desfile caricatural. O espectador só toma conhecimento de que Mariana Ximenez não é aquele anjo de candura (ainda que sempre convenha suspeitar de gente tão angelical) porque a câmera nos guia por todos os passos da personagem. Se a vida real fosse assim, um grande Big Brother que nos brindasse com imagens alheias em momentos diversos, é bem capaz que a gente desse de cara com tipos como o de Maitê Proença, que compensa o mau humor do marido caçando belos moços por aí para fazer sexo. Com todo respeito aos cínicos, o prazer em constatar a dualidade humana garante bom entretenimento.
A endossar a maestria em apresentar seu enredo em poucos minutos, Passione deu-se ao luxo de botar em cena a maior população de grandes atores nacionais por metro quadrado. Lá estavam Fernanda Montenegro, Mauro Mendonça, Cleyde Yáconis, Leonardo Villar, Tony Ramos, Aracy Balabanian, Elias Gleiser, Daniel Oliveira, Irene Ravache e Leandra Leal, só para citar uns e outros.
É cortando da Pauliceia para os campos toscanos que encontramos Tony e Aracy prontos para comover no sotaque da Bota. Não que a irrepreensível performance de ambos seja suficiente para anular nossa lembrança do grego Nikos e da Dona Armênia, criações do mesmo Silvio de Abreu para as mesmas criaturas em folhetins do passado. O que se há de fazer? No frigir dos acentos estrangeiros, há uma proximidade inevitável na dramaticidade presente no dia a dia de gregos, troianos, armênios e italianos, prego!
Para pincelar cores mais fortes à dor de Totó, personagem de Tony, a zia vivida por Aracy nos avisa que lá vai ele afogar suas mágoas no “bar do napolitano”, com todos os ecos a que uma cantoria do gênero tem direito. A sequência traz o reflexo óbvio do autor cinéfilo que assina Passione: num momento Cinema Paradiso (cujo protagonista também atende por Totó), cenas clássicas de cinema italiano são projetadas em plena pracinha interiorana, ao ar livre, e o Totó de Tony se esvai em lágrimas ao ver Sofia Loren e Marcelo Mastroianni no telão, até o filme ser interrompido por uma chuva cenográfica repentinamente torrencial. A alta tecnologia do Projac às vezes esbarra no exagero.
Para arrematar, a abertura passeia pelos ferros consagrados por Silvio de Abreu no passado da sucateira Maria do Carmo (Regina Duarte/Rainha da Sucata) e do pedreiro José Clementino (Tony Ramos/Torre de Babel). Assim, um emaranhado de pneus, porcas e parafusos se redesenha, graças aos efeitos da computação gráfica, para fechar o nome Passione.
O título da novela é honrado por cenas bem mais calientes do que as recatadas novelas vistas nos últimos três anos, provável obra dos efeitos provocados pelas regras da classificação indicativa. Lá estão Reynaldo Gianecchini e Mariana Ximenez sugerindo que também é possível se divertir nas encostas do feioso Minhocão.
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