LOURIVAL RIBEIRO/DIVULGAÇÃO

E não é que a versão do SBT para Carrossel, com aqueles uniformes de gravatinhas, saias nos joelhos e alguma dose de caricatura está causando efeito no Ibope?
A novela estreou com 13 pontos e já fez 15 no segundo capítulo, quando normalmente a audiência cai, vítima da chamada “ressaca de estreia”.
Isso denuncia que falta programação para crianças na faixa nobre da TV aberta. Porque, sim, temos aí 13,7 milhões de pagantes de TV e quase 40 milhões de pessoas com acesso aos canais pagos, mas isso ainda não alcança 1/3 da população, né mesmo?
Sem querer querendo, como diria o ícone da programação do SBT, o staff de Silvio Santos fez um gol.
WILTON JR./AE

Lula sabe o que faz.
Zerado do câncer que o afastou de tudo e de todos por meses, o ex-presidente tem comparecido a algumas ocasiões públicas, de cerimoniais políticos a jogo de futebol, e deu poucas entrevistas desde então.
Assediado por Marília Gabriela, Roda Viva, Programa do Jô e outros televisivos para falar sobre a luta enfrentada contra a doença, Lula escolheu justamente o mais popular dos shows da faixa nobre para reinaugurar sua presença em estúdios de TV. Na terça, lá estará ele, no palco do Programa do Ratinho, na sede do SBT, conversando ao vivo com o apresentador.
Crédito da foto: Artur Iglecias/Divulgação
Eliana recebe o marido, João Marcelo Bôscoli, a cunhada Maria Rita, e o filho, Artur, em tom de surpresa, no programa que o SBT leva ao ar neste domingo, em tributo ao Dia das Mães. Tudo com um tom de surpresa.

Fui ver ontem, tardiamente, por que tanto falam desse Tiago Abravanel no musical de Tim Maia. Afinal, será que o garoto, neto de Silvio Santos, é tudo isso que dizem?
É mais. É inacreditável. O avô diria: ”Ele é bom, é muito bom, é bom demais!”
Tiago traz Tim Maia de volta à vida. Canta, interpreta, tem agilidade incompatível para alguém acima do peso, como pede o personagem, comove, diverte e seduz a plateia. Arrasta-se lentamente e enverga a coluna nos momentos de maior obesidade do cantor, mostra-se chapado, irritadiço, engraçado, tudo em fração de segundos.
O elenco não fica a dever, tudo se encaixa, todos os passos se completam.
A pergunta é: onde está Silvio Santos que até agora não foi ver o neto em cena? Por que a Globo foi mais ágil em sacar o talento do rapaz e o contratou para sua próxima nove la no horário nobre? Por que a Globo apoia o espetáculo, e não o SBT?
Uns diriam que é por isso que a Globo é Globo e o SBT, SBT, mas, veja lá, o SBT foi capaz de revelar para a Globo nomes como Caio Blat, Ana Paula Arósio, Maria Fernanda Cândido. Foi lá que se apostou que Jô Soares renderia um bom talk show, foi lá que Serginho Groisman se expandiu, e por aí vaí. Por que o talento nascido mais dentro de casa não foi notado? E por que mesmo agora, diante de todo o barulho em torno do rapaz, de todos os aplausos que Abravanel nenhum depois do próprio Silvio Santos já mereceu, não motivou a ida do avô ao espetáculo?
Silvio Santos não sabe o que está perdendo, e efetivamente está perdendo muito.
Tiago é filho de Cíntia Abravanel, primogênita de Silvio Santos e filha de seu primeiro casamento, com Cidinha. Foi Cíntia quem levou nas costas, ostentando grandes glórias ao Grupo Silvio Santos,o Teatro Imprensa, que cerrou cortinas ainda outro dia, sabe-se lá sob qual pretexto. O amor que Tiago anuncia pelo teatro é fruto do trabalho da mãe, que conseguiu honrar o clã sem ter de entrar na disputa pelo negócio mais aclamado pelo pai, a TV, onde estão hoje suas outras irmãs, as filhas de Íris Abravanel, e Silvia, também fruto do primeiro casamento de Silvio Santos.
Alô, Silvio, vá ver o garoto. Você verá que perdeu seu maior talento para a Globo. Ele está bem ali, no Teatro Procópio Ferreira, mas a lotação anda esgotando com semanas de antecedência, paciência.

Prestes a ganhar mais um dia de talk show na Band (a sexta-feira, a contar da próxima), com o seu Agora é Tarde, Danilo Gentilli aparece amanhã em banco fora do comum para o seu métier. O novo queridinho da Band gravou com Carlos Alberto de Nóbrega o tradicionalíssimo A Praça é Nossa, via SBT

Foto: Carol Soares/SBT
Rafinha Bastos gravou o De Frente com Gabi para o SBT. Aliás, louvável é o desprendimento do SBT com essa oportunidade que se dá ali em podermos ver gente de outros canais, sem aquela insegurança de quem acredita estar promovendo a concorrência. Ponto para o seu Silvio. Nos Estados Unidos a coisa funciona muito mais para SBT do que para Globo. E assim tem de ser. O sujeito gera controvérsia, polêmica ou interesse do público? Tem de ser apresentado como tal em qualquer canal e não ignorado.
O SBT envia uma seleção de frases da entrevista que vai ao ar neste domingo, ali pela meia noite. Rafinha se emociona ao falar do pai, comenta o caso Wanessa Camargo e conta que se desculpou com o marido dela, Marcus Buaiz, por e-mail. A ver e ouvir o seguinte:
“Eu ia abrir um precedente horrível contra a minha profissão e o meu caráter.” (sobre pedir desculpas a Wanessa Camargo)
“Eu estaria sendo falso se pedisse desculpas públicas naquele momento.” (idem)
“Como comediante, meu objetivo na vida é fazer piada. Comediante não pode ficar chateado com a chateação dos outros.”
“Acho justo, inclusive, me processarem.”
“Eu não sou um sociopata. Se eu sinto que errei, peço desculpas, mas não vou fazer isso por pressão da opinião pública.”
“Pra esse cara (Marcus Buaiz, marido de Wanessa) eu mandei um e-mail e pedi desculpas. Eu já tive mulher grávida em casa e eu entendo ele, mas não vou pedir desculpas pelo discurso.”
“Acho que tudo isso que aconteceu foi um processo de descoberta e análise.”
“De todo esse processo a única coisa que me preocupou foi o meu pai. As únicas vezes em que eu realmente me emocionei foi por ele. Meu pai está em Porto Alegre tomando pedrada atrás de pedrada. Minha preocupação é o meu pai me ligando triste, não pelo o que ele vê, mas pelo que ele sente.”
“Nós nunca nos encontramos para jantar com filhos e mulheres, mas tínhamos uma boa relação em frente às câmeras.” (sobre os companheiros do CQC)
No dia 9, o SBT anuncia a bateria de eventos programada para festejar os 30 anos da TV de Silvio Santos.
O aniversário de fato será no dia 19, e já há alguns meses o SBT vem cumprindo sua sessão nostalgia com cenas de sua história, sem desprezar quem se debandou para outros canais. Vide Gugu, Jô Soares e Serginho Groisman, que tiveram lá a devida homenagem.
Saem uns, entram outros, vão e vêm outros tantos, mas o que não muda é ele, Chaves, a atração mais duradoura, depois do próprio dono, é claro, na trajetória do SBT. Sem querer querendo.

Até hoje penso que Amor e Revolução erra ao detalhar closes de tortura, mesmo no contexto de uma parte da História do Brasil que não pode ser ignorada. Não se trata de florear a tortura. Há coisas que podem ser ditas com total clareza, em especial na TV, sem que haja necessidade de se escancarar a ação. Como cenas de sexo, onde um simples close no desabotoar do sutiã já sugere o que virá, as cenas de tortura não careciam do espancamento explícito.
Nesses tempos de Amor & Revolução, vem bem a calhar a reprise, pelo canal Viva, de Anos Rebeldes, minissérie que retrata o mesmo período, feita por Gilberto Braga e Sérgio Marques em 1992, quando inspirou também os caras-pintadas que foram às ruas pedir o impeachment de Collor, ao som de Alegria Alegria, mesma música de abertura da série na TV, by Caetano.
O conflito do par central de GB não é o militar que se apaixona pela militante, como comete Amor & Revolução, e sim o idealista que se encanta pela individualista. Cássio Gabus e Malu Mader honram o texto. Tem Cláudia Abreu, riquinha e alienada que vai se dedicar à causa da liberdade. Tem Francisco Milani, justo ele, comunista até o fim da vida, no papel do carrasco que caça comunistas. Tem Pedro Cardoso, às vezes na função de alter ego do próprio Gilberto Braga, um escritor que, a pedido da censura, terá de evitar a palavra “escravo” numa novela sobre escravidão (e Gilberto foi quem adaptou Escrava Isaura para a TV, convém lembrar).
Há uma história de amor, de fato, tendo o golpe, e não a revolução, como contexto imprescindível, e não apenas pano de fundo, como mal e mal acontece com outras produções que timidamente avançam sobre o terreno histórico.
E não há close em tortura, no máximo, em feridas por ela causada. Ou tiro, isso sim.
Amor e Revolução, como bem disse Eugênio Bucci no caderno Aliás, deste Estadão há coisa de dois meses, terá valido nem que seja só pelos depoimentos reais exibidos ao fim de cada capítulo. Brava é a iniciativa de Tiago no SBT.
Mas é Anos Rebeldes o melhor programa de teledramaturgia disposto a recontar aquela época no Brasil. Vale a pena ver de novo, mesmo que seja ali pelas 23h15, no canal Viva.
Melhor do que rever Anos Rebeldes, a essa altura, é olhar a minissérie depois de ter lido o livro que Gilberto Braga escreveu sobre (e com) o trabalho, desde sua concepção, passando pela pressão sofrida nos bastidores, até a transcrição completa do enredo. Na publicação, editada pela Rocco, o autor fala de sua origem intelectual para explicar suas referências, confessa que era um alienado sobre o assunto e detalha a encomenda de Roberto Marinho, por meio do chefão Boni e de um interlocutor, em reescrever várias cenas de 4 ou 5 capítulos. Uma delas mostrava um policial levantando, com seu cacetete, a saia de uma garota presa numa blitz, voltada para a parede, pernas afastadas. Era demais para o “Doutor Roberto”, que pouco tempo antes disso mandou Dias Gomes cortar 4 capítulos inteiros da minissérie O Pagador de Promessas.
Anos Rebeldes não foi tão decepada quanto Pagador e, mesmo sob censura interna, é uma produção e tanto, merecedora da reprise agora em andamento e de lugar de honra na teledramaturgia brasileira.
O debate de ontem, embora tenha sido o melhor até aqui, com alta temperatura em estilo bateu-levou instantâneo, manteve a Band em quinto lugar no ranking de audiência do Ibope na Grande São Paulo.
No horário, a Globo teve 18 pontos de média, ante 13 da Record, 7,9 da RedeTV!, 7 do SBT e 4 da Band.
Em relação ao debate presidencial de primeiro turno realizado na própria Band, o encontro de ontem rendeu-lhe 1 ponto a mais no Ibope em São Paulo.
Em relação à repercussão na web e o que virá na propaganda eleitoral a seguir, mais ecos nos jornais, etc., o ganho é inestimável e vai bem além dos domicílios onde a TV foi sintonizada na Band na noite de ontem. Como diz Fernando Mitre, o diretor de jornalismo da Band, o programa dá o tom da campanha neste segundo turno.
A Record rufa tambores para anunciar que, ao lado de Globo e SBT, foi a única emissora a apontar acréscimo de audiência entre julho de 2009 e julho de 2010.
Apesar da Copa, o total de aparelhos ligados caiu ligeiramente (3% na faixa que engloba as 24 horas e 4% no horário das 7h00 à 0h).
Entre 6h/6h, a Globo caiu 14%, a Record registrou 3% de crescimento e o SBT, 4% de queda.
São números da Grande SP.