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Cristina Padiglione

Sim, estou de férias, mas não me contive.
Do final de Passione, a novela das 9 que acabou ontem na Globo, fica a certeza de que a pérfida Clara (Mariana Ximenez) foi plenamente absolvida pela audiência ao ter seu passado, de infância cafetinada pela avó cruela, revelado ao público daquela forma.
Se era para ver Saulo (Werner Shünemann) planejar o assassinato do próprio pai e pegar uma criança, no caso a ainda pequena Clara, para mandá-la pular “no colo do titio”, arghhhhh, que nojo, morra, Saulo!

A pedofilia não entrou na novela pela tara de Gerson (Marcello Anthony), ou até entrou, já que o drama dele tinha origem nos abusos da vovó escroque, que foi sua babá, mas entrou especialmente pela infância roubada da assassina da trama.
Afinal, vilão que se respeite, tem de ter ponto fraco, tem de ter um motivo para matar e roubar, ainda que nem toda vítima da vida resulte num homicida, ainda bem.
O caso é que vilão como Saulo, sujeito mau porque mau e ponto final, não merece clemência.
Saulo e a vovó cafetina, Valentina (Daysi Lúcidi) foram os grandes vilões da história de Silvio de Abreu.

A chatice completa do desfecho foi aquele casal Mauro (Rodrigo Lombardi) e Melina (Mayana Moura). Ficou a parecer que faltava par para ambos e o jeito foi unir a moça mimada ao sujeito que proclamou vê-la como uma irmã por quase 200 capítulos. Incesto total.

E dona Bete Gouveia, poverina da Fernanda Montenegro, passou oito meses em busca de respostas que o autor lhe privou.
Não merecia acabar na ignorância do assunto, ainda que para uma mãe com filho como Saulo, melhor é não ter consciência do monstro parido.

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Foto: Alex Carvalho/Divulgação

Saulo, de mãozinhas cruzadas: no capítulo de ontem, todos os caminhos fúnebres levavam a ele

Antes do “quem matou?”, Silvio de Abreu se esmera na manutenção de um segredo mais árduo de se sustentar: “quem morre?” é a pergunta a ser respondida no capítulo de amanhã de Passione.
Árduo porque, até aqui, o autor da novela das 9 da Globo teve de lançar uma série de pistas falsas em torno da vítima. Depois de cinco personagens anunciarem a promessa de acabar com Fred/ReynaldoGianecchini, o capítulo de ontem terminou com meio mundo passionístico querendo matar, trucidar e queimar vivo aquele Saulo/Werner Shünemann. Já tem gente querendo entregar o cara ao Capitão Nascimento.

Para melhorar o jogo de Sherlock Holmes proposto ao telespectador, Silvio escreveu e mandou gravar a morte de cinco personagens. Além de Saulo e Fred, também morreram, em gravações encomendadas pelo autor, Melina/Mayana Moura, Gerson/Marcello Anthony e Diana/Carolina Dieckmann.
No momento em que Mauro/Rodrigo Lombardi recebe o telefonema que o informa sobre a morte de alguém, mostrado ontem, no final do capítulo, Diana mal acabou de se despedir dele, com aquele jeitinho melado de romance de primeiros dias. É a opção menos aparente de morrer ou de ter matado.
Nem Melina nem Gerson nem Saulo nem Agnello/Daniel de Oliveira nem Fred estão onde deveriam estar naquele momento. Até o noiado Danilo/Cauã Reymond é citado (mas não visto, que o ator não tem gravado por conta de uma cirurgia no quadril) pelo porteiro do prédio como alguém que passou por lá “atrás do seu Saulo”.
E se Saulo de fato matou o pai, Eugênio/Mauro Mendonça (que já ressuscitou na novela das 7) e for morto pelo próprio filho? Sinas, ironias do destino ou coincidências sempre são recurso para bons roteiros, a ver.

Adesso, como diria Agnello, Totó, ou outro alguém do núcleo italiano instalado no Brasil na primeira grande imigração da Bota desde Terra Nostra, punto e basta. É tudo especulação. Quem quiser especular sobre o homicídio de amanhã, faça aí suas apostas, que aqui não paga nada, é só dar pitaco.

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Márcio Souza/Divulgação

Dona Fernanda Montenegro já falou.
Werner Shünemann já voceiferou.
Tony Ramos já tarantalelou.
Rodrigo Lombardi já sussurrou.
Todos juram que não terão de conviver com Fred por muito tempo.

É o cara marcado pra morrer na novela das 9 da Globo, Passione.
Daqueles que, morto, suscitam uma série de flashbacks com mais de 10 suspeitos em cenas que lhes atribuem coragem e força de vontade para acabar com o agora defunto em questão.

O assassinato está agendado para a sexta-feira da semana que vem.
Silvio de Abreu, o autor, já avisou que o morto será um dos protagonistas, digo, um dos atores da trama central do folhetim. Cá pra nós, não seria má ideia tirar o Gianne de cena. Onde já se viu alguém destratar dona Fernandona e seu Tony Ramos daquele jeito? E até para ser golpista é preciso ter lá sua ética, coisa que o talzinho não tem, visto a rasteira que deu na (agora convertida) Clara da Mariana Ximenez.
Sujeitinho insuportável, esse Fred. Já vai tarde.
Ôooops, torcida minha, bem dito: não é propriamente uma informação.
Façam suas apostas.

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Reproduzo aqui o texto publicado no Caderno 2 sobre a nova novela das 9, mas faltou dizer que a trilha sonora é fraquinha, hein? Não julgo cá a qualidade do som, mas, fora o repertório italiano, digo que aquele Lenine da abertura não empolga. Outra, usada como fundo sonoro das pedaladas, causam-me angústia.
Oxalá o disco vire logo, que a novela é boa e vale a sintonia.

Passione

A principal novela do horário nobre da TV virou a página e não demorou a explicitar quem é do bem, quem é do mal, quem é ninfomaníaco, quem é dissimulado, quem será algoz e quem será vítima pelos cento e tantos capítulos a seguir. Para a Globo, apressada em estancar a sangria de audiência, a estreia de Passione foi perfeita. A nova história de Silvio de Abreu começou com competência para alimentar o imediatismo demandado por uma plateia cada vez mais dispersa entre as mídias.
Árdua, mas não impossível, será a tarefa de manter esse ritmo por quase seis meses de programa diário. Conspiram, para tanto, flashes da cidade em movimento. E, no quesito cartões postais paulistanos manjados, um adendo: a ponte Estaiada, que já é cenário dos telejornais locais da Globo, vem se juntar a Masp e cercanias da Paulista para legendar a cidade em cena de novela. Mas, justiça seja feita, a diretora Denise Saraceni não se acanha em estampar um pouco de caos na tela ficcional e nos brinda com imagens aéreas das Marginais em hora de rush.
O tempo urge. Se um enterro duraria pelo menos uma semana em novela de Manoel Carlos, o funeral de Mauro Mendonça foi consumado em menos de um bloco. Ainda que denuncie premência em dizer a que veio, o início de Passione não tropeçou no desfile caricatural. O espectador só toma conhecimento de que Mariana Ximenez não é aquele anjo de candura (ainda que sempre convenha suspeitar de gente tão angelical) porque a câmera nos guia por todos os passos da personagem. Se a vida real fosse assim, um grande Big Brother que nos brindasse com imagens alheias em momentos diversos, é bem capaz que a gente desse de cara com tipos como o de Maitê Proença, que compensa o mau humor do marido caçando belos moços por aí para fazer sexo. Com todo respeito aos cínicos, o prazer em constatar a dualidade humana garante bom entretenimento.

A endossar a maestria em apresentar seu enredo em poucos minutos, Passione deu-se ao luxo de botar em cena a maior população de grandes atores nacionais por metro quadrado. Lá estavam Fernanda Montenegro, Mauro Mendonça, Cleyde Yáconis, Leonardo Villar, Tony Ramos, Aracy Balabanian, Elias Gleiser, Daniel Oliveira, Irene Ravache e Leandra Leal, só para citar uns e outros.
É cortando da Pauliceia para os campos toscanos que encontramos Tony e Aracy prontos para comover no sotaque da Bota. Não que a irrepreensível performance de ambos seja suficiente para anular nossa lembrança do grego Nikos e da Dona Armênia, criações do mesmo Silvio de Abreu para as mesmas criaturas em folhetins do passado. O que se há de fazer? No frigir dos acentos estrangeiros, há uma proximidade inevitável na dramaticidade presente no dia a dia de gregos, troianos, armênios e italianos, prego!
Para pincelar cores mais fortes à dor de Totó, personagem de Tony, a zia vivida por Aracy nos avisa que lá vai ele afogar suas mágoas no “bar do napolitano”, com todos os ecos a que uma cantoria do gênero tem direito. A sequência traz o reflexo óbvio do autor cinéfilo que assina Passione: num momento Cinema Paradiso (cujo protagonista também atende por Totó), cenas clássicas de cinema italiano são projetadas em plena pracinha interiorana, ao ar livre, e o Totó de Tony se esvai em lágrimas ao ver Sofia Loren e Marcelo Mastroianni no telão, até o filme ser interrompido por uma chuva cenográfica repentinamente torrencial. A alta tecnologia do Projac às vezes esbarra no exagero.
Para arrematar, a abertura passeia pelos ferros consagrados por Silvio de Abreu no passado da sucateira Maria do Carmo (Regina Duarte/Rainha da Sucata) e do pedreiro José Clementino (Tony Ramos/Torre de Babel). Assim, um emaranhado de pneus, porcas e parafusos se redesenha, graças aos efeitos da computação gráfica, para fechar o nome Passione.
O título da novela é honrado por cenas bem mais calientes do que as recatadas novelas vistas nos últimos três anos, provável obra dos efeitos provocados pelas regras da classificação indicativa. Lá estão Reynaldo Gianecchini e Mariana Ximenez sugerindo que também é possível se divertir nas encostas do feioso Minhocão.

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Quando dei de cara com “Viver a Vida”, vinda no embalo daquelas dancinhas de “Caminho das Índias”, confessei aqui um certo abatimento, um desânimo mesmo com a falta de quem me comovesse na tela.
No lugar de Laura Cardoso, Lima Duarte e Tony Ramos, todos em tese coadjuvantes no folhetim de Glória Perez, encontrei só a Lília Cabral com chance de me comover.

Vá lá, o enredo de Manoel Carlos foi me empurrando para a frente da TV. Helena foi me atraindo cada vez menos, mas até que a Alline Moraes, o quase estreante Mateus Solano e a Natália do Vale aos poucos iam justificando o zapping para o canal dos Marinho.

Ontem, ao assistir a um clipão do início da novela que vem aí, “Passione”, by Silvio de Abreu, tive a certeza de que eu apenas fui me acostumando à ausência de atores incríveis na novela que acaba esta semana. Sim, sobrou estética e faltou maestria na interpretação de “Viver a Vida”, sem mencionar que José Mayer nunca foi tão “mais do mesmo”.

“Passione” impressiona, de cara, pela presença de dona Fernanda, a Montenegro, de Mauro Mendonça, de Elias Gleizer, de Leandra Leal, de Aracy Balbanian, de Tony Ramos, de Irene Ravache, de Bruno Gagliasso, de Marcelo Médici e de Vera Holtz, só para mencionar uma partezinha do cast. E tem Emiliano Queiroz, que afago reencontrá-lo em ação! Sempre me pergunto por que uma emissora que tem Emiliano Queiroz à disposição faz questão de trancá-lo em casa.

crédito: Renato Rocha Miranda/TV Globo
Passione
Tony Ramos e Aracy Balabanian na Toscana de Jacarepaguá

Que venha “Passione”.

Só não entendo como é que a Globo prima pelo cenário toscano, magistralmente reproduzido no Projac, em Jacarepaguá, zela por aulas de prosódia para treinar o acento italiano, investe em figurinos igualmente compatíveis com a cultura ítalo-brasileira, e permite que uma larga parte do elenco relaxe sua pronúncia no carioquês. Não defendo aqui a mediocridade do bairrismo, pelamordedeus, nem faço exigência exótica para o ritmo industrial demandado por uma novela diária, mas, pense: se é para acionar a licença poética e deixar que os atores cariocas emprestem livremente sua pronúncia a personagens paulistanos, para que queimar tempo, filme e dinheiro com esmeros itanianescos com a outra parte do elenco? Por que o ator que grava na Itália tem de falar com acento italiano e o que mora em São Paulo pode falar como carioca? Será que o salário é maior e ele tem de justificar? Não faz sentido.

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