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Cristina Padiglione


Beyoncé do Pará brilha na festa da Globo

Foto: Zé Paulo Cardeal/Divulgação

Chamada como a Beyoncé do Pará, Gaby Amarantos protagonizou um dos momentos mais divertidos da noite desta segunda-feira, no Via Funchal, onde a Globo apresentou seus planos para 2012.

Gaby fez um pocket show com Cláudia Abreu, que vive uma cantora technobrega, algo como Joelma, em Cheias de Charme, nova novela das 7 da emissora.

Com elas, estavam ainda Thais Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drumond, que encarnam três domésticas na história de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. Três domésticas que logo se descobrirão cantoras.



Vale Tudo é o máximo, mas não vale para todos

Convém lembrar, diante de toda essa nostalgia a que a reprise de Vale Tudo no canal Viva nos remete, que a novela de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères não foi feliz na escolha da Globo para uma coprodução com a Telemundo.
Primeira novela feita em parceria com a emissora dirigida ao público hispânico nos Estados Unidos, Vale Todo esbarrou na intolerância dos mexicanos, que fazem a maioria do universo de imigrantes naquele país, no que se refere (como diria Dilma) às maldades de Maria de Fátima contra a própria mãe.
Para os mexicanos, mãe é mais que mãe, é figura sagrada.

Também em sua primeira reprise pela Globo, ali pelo ano de 1992 (sim, estou corrigindo isso no dia seguninte ao texto original, onde constava 2001, conforme acusam os comentários abaixo), Vale Tudo foi ao ar pelo Vale a Pena Ver de Novo, no início da tarde, e não foi nem metade desse sucesso que agora se verifica na frequência paga.
Embora o atual fenômeno Vale Tudo se derrame em plena madrugada, era bem mais inviável, a boa parte desse público, acompanhar a saga dos Roitman e das Acioli naquele horário de sesta desrespeitada no Brasil. Fosse na Espanha ou na Itália, quem sabe?
De mais a mais, em 92 ainda estávamos na batalha contra a inflação, já acumulávamos a decepção pelo Collor, mas o choque pelo contraste com 89 era infinitamente de menor impacto.

A entrada de Odete Roitman na novela está prevista para o capítulo de hoje. Prepare-se para a diversão. Ver dona Odete na pele de Beatriz Segall é Master Card, não tem preço, porque é ato capaz de exorcizar todos os nossos males.
Vale Tudo.
Vale a pena.



‘Passione’ é tão enxuta, que primos só namoram primas

Silvio de Abreu se orgulha de dizer que Passione, sua novela atual, tem apenas 37 personagens. Manoel Carlos, por exemplo, normalmente passa dos 100, mas isso cria uma série de papéis que vão sumindo de cena ao longo da história, visto que é impossível criar argumento, ou mesmo situação, para tanta gente ao mesmo tempo.
Mas Passione é tão enxutinha, que os romances se resolvem todos em família. As personagens têm dupla função.
Agora temos a confirmação de que Fátima (Bianca Bin) é mesmo filha de Gerson (Marcello Anthony), o que endossa a posição de Sinval (Kayky Britto) como seu primo em primeiro grau. Fátima também já copulou com o cunhado, irmão de Sinval, o drogadito Danilo (Cauã Reymond), também seu primo, portanto.
Antes disso, vimos Lorena (Tammy Di Calafiori), irmã de Sinval, namorar Agnello (Daniel de Oliveira), igualmente primo em primeiro grau da moça. Agnello descobriu, no entanto, que amava ‘da vero’ a Stella de Maitê Proença, mãe de Lorena.
E, sendo Felícia (Larissa Maciel) a mãe de Fátima, ex-Gerson, teremos agora a confirmação de que Totó (Tony Ramos) pega a ex-cunhada.
Isso sem falar na bigamia de Berilo (Bruno Gagliasso), que casou pela segunda vez justamente com a tia de sua primeira mulher, no caso, Jéssica (Gabriela Duarte), cuja sobrinha é Agostina (Leandra Leal).

É ou não é um Álbum de Família?



‘Passione’ mata e enterra no mesmo dia

Reproduzo aqui o texto publicado no Caderno 2 sobre a nova novela das 9, mas faltou dizer que a trilha sonora é fraquinha, hein? Não julgo cá a qualidade do som, mas, fora o repertório italiano, digo que aquele Lenine da abertura não empolga. Outra, usada como fundo sonoro das pedaladas, causam-me angústia.
Oxalá o disco vire logo, que a novela é boa e vale a sintonia.

Passione

A principal novela do horário nobre da TV virou a página e não demorou a explicitar quem é do bem, quem é do mal, quem é ninfomaníaco, quem é dissimulado, quem será algoz e quem será vítima pelos cento e tantos capítulos a seguir. Para a Globo, apressada em estancar a sangria de audiência, a estreia de Passione foi perfeita. A nova história de Silvio de Abreu começou com competência para alimentar o imediatismo demandado por uma plateia cada vez mais dispersa entre as mídias.
Árdua, mas não impossível, será a tarefa de manter esse ritmo por quase seis meses de programa diário. Conspiram, para tanto, flashes da cidade em movimento. E, no quesito cartões postais paulistanos manjados, um adendo: a ponte Estaiada, que já é cenário dos telejornais locais da Globo, vem se juntar a Masp e cercanias da Paulista para legendar a cidade em cena de novela. Mas, justiça seja feita, a diretora Denise Saraceni não se acanha em estampar um pouco de caos na tela ficcional e nos brinda com imagens aéreas das Marginais em hora de rush.
O tempo urge. Se um enterro duraria pelo menos uma semana em novela de Manoel Carlos, o funeral de Mauro Mendonça foi consumado em menos de um bloco. Ainda que denuncie premência em dizer a que veio, o início de Passione não tropeçou no desfile caricatural. O espectador só toma conhecimento de que Mariana Ximenez não é aquele anjo de candura (ainda que sempre convenha suspeitar de gente tão angelical) porque a câmera nos guia por todos os passos da personagem. Se a vida real fosse assim, um grande Big Brother que nos brindasse com imagens alheias em momentos diversos, é bem capaz que a gente desse de cara com tipos como o de Maitê Proença, que compensa o mau humor do marido caçando belos moços por aí para fazer sexo. Com todo respeito aos cínicos, o prazer em constatar a dualidade humana garante bom entretenimento.

A endossar a maestria em apresentar seu enredo em poucos minutos, Passione deu-se ao luxo de botar em cena a maior população de grandes atores nacionais por metro quadrado. Lá estavam Fernanda Montenegro, Mauro Mendonça, Cleyde Yáconis, Leonardo Villar, Tony Ramos, Aracy Balabanian, Elias Gleiser, Daniel Oliveira, Irene Ravache e Leandra Leal, só para citar uns e outros.
É cortando da Pauliceia para os campos toscanos que encontramos Tony e Aracy prontos para comover no sotaque da Bota. Não que a irrepreensível performance de ambos seja suficiente para anular nossa lembrança do grego Nikos e da Dona Armênia, criações do mesmo Silvio de Abreu para as mesmas criaturas em folhetins do passado. O que se há de fazer? No frigir dos acentos estrangeiros, há uma proximidade inevitável na dramaticidade presente no dia a dia de gregos, troianos, armênios e italianos, prego!
Para pincelar cores mais fortes à dor de Totó, personagem de Tony, a zia vivida por Aracy nos avisa que lá vai ele afogar suas mágoas no “bar do napolitano”, com todos os ecos a que uma cantoria do gênero tem direito. A sequência traz o reflexo óbvio do autor cinéfilo que assina Passione: num momento Cinema Paradiso (cujo protagonista também atende por Totó), cenas clássicas de cinema italiano são projetadas em plena pracinha interiorana, ao ar livre, e o Totó de Tony se esvai em lágrimas ao ver Sofia Loren e Marcelo Mastroianni no telão, até o filme ser interrompido por uma chuva cenográfica repentinamente torrencial. A alta tecnologia do Projac às vezes esbarra no exagero.
Para arrematar, a abertura passeia pelos ferros consagrados por Silvio de Abreu no passado da sucateira Maria do Carmo (Regina Duarte/Rainha da Sucata) e do pedreiro José Clementino (Tony Ramos/Torre de Babel). Assim, um emaranhado de pneus, porcas e parafusos se redesenha, graças aos efeitos da computação gráfica, para fechar o nome Passione.
O título da novela é honrado por cenas bem mais calientes do que as recatadas novelas vistas nos últimos três anos, provável obra dos efeitos provocados pelas regras da classificação indicativa. Lá estão Reynaldo Gianecchini e Mariana Ximenez sugerindo que também é possível se divertir nas encostas do feioso Minhocão.



Cadeirante rica da novela quer andar de busão

Depois de assistirmos à nababesca estrutura de que desfruta a heroína cadeirante da novela das 9 da Globo, finalmente o público será brindado com a abordagem da questão por pontos de vista mais abrangentes do que aqueles indicados pela vida da linda Luciana (Alinne Moraes) na novela “Viver a Vida”.

Luciana tem piscina própria pra fazer suas sessões de fisioterapia, com fisioterapeuta e enfermeira em domicílio, mamãe e papai normalmente desocupados ao seu dispor e motorista particular, o que torna a vida da personagem, cadeirante ou não, muito distante aos olhos da plateia que comparece diante da Globo todos os dias, às 9 da noite.

Mas eis que Luciana agora cismou que quer andar de ônibus. Não para sempre, claro. É só uma experiência para entender as dificuldades que seus similares tetraplégicos atravessam no dia a dia. Mamãe Tereza tenta dissuadi-la da ideia. Em vão. Luciana há de perceber como são cruéis as calçadas sem rampinhas e repletas de mesinhas de bar, carros mal estacionados, asfaltos mal acabados e transporte público sem estrutura suficiente para atender quem anda de cadeira de rodas.

Será só uma experiência, vá lá, mas há de ter papel relevante, como acontece com toda causa encampada por novelas, nas tantas campanhas já realizadas pela melhoria de espaços e serviços para cadeirantes. Que Luciana saia mais vezes da casca.

agora no estadão