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Cristina Padiglione

JOÃO COTTA/DIVULGAÇÃO

 

Muita gente passou a semana me perguntando o que eu achei do programa da Fátima Bernardes.

Gostei, digo. Acho que ainda falta a ela uma pegada de Astrid ou de Marília Gabriela, que têm a capacidade e a liberdade, principalmente, de se emocionar, de se comover com o que merece uma interjeição, um ponto de exclamação, uma reação de quem realmente parece grata ao entrevistado por ele lhe ter confiado um desabafo extraordinário. Não se fica 13 ou 14 anos à frente do Jornal Nacional impunemente. Astrid nasceu repóreter abelha, foi da MTV, fez tudo fora do padrão imposto às arestas televisivas para ser quem é. Gabi, idem, de repórter, por breve período, a âncora de TV Mulher, trilhou outra via. É nelas que Fátima precisa se mirar agora, com todo o carisma que Deus lhe deu. Sim, porque não adianta a figura mirar na Gabi e na Astrid se não for alguém digno de emocionar a massa. Fátima pode mais.

Quanto a cenário, iluminação, disposição da plateia, tudo isso é mutante e mutável, pode variar dia após dia, com o louvor de quem se dá ao luxo de não se repetir. Vale atenção e sensibilidade às pautas. E o resto é azeite:marinar é preciso, ainda mais quando se troca uma programação para crianças por um cardápio para mães e família adulta de um dia para o outro.

Se fosse questão de remexer no programa por estar perdendo para o SBT, ora, ora, a Globo teria de voltar a ser criança no horário. Se a opção é pelos maiores, bora assumir tal decisão. A verdade é que as restrições à publicidade infantil, e o cerco vem aumentando por parte da legislação disposta a proteger crianças e adolescentes das tentações do consumo, já não vinham rendendo à Globo nenhuma compensação para abraçar o público infanto-juvenil.

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Foto: Carol Soares/SBT

Rafinha Bastos gravou o De Frente com Gabi para o SBT. Aliás, louvável é o desprendimento do SBT com essa oportunidade que se dá ali em podermos ver gente de outros canais, sem aquela insegurança de quem acredita estar promovendo a concorrência. Ponto para o seu Silvio. Nos Estados Unidos a coisa funciona muito mais para SBT do que para Globo. E assim tem de ser. O sujeito gera controvérsia, polêmica ou interesse do público? Tem de ser apresentado como tal em qualquer canal e não ignorado.

 

O SBT envia uma seleção de frases da entrevista que vai ao ar neste domingo, ali pela meia noite. Rafinha se emociona ao falar do pai, comenta o caso Wanessa Camargo e conta que se desculpou com o marido dela, Marcus Buaiz, por e-mail. A ver e ouvir o seguinte:

“Eu ia abrir um precedente horrível contra a minha profissão e o meu caráter.” (sobre pedir desculpas a Wanessa Camargo)

“Eu estaria sendo falso se pedisse desculpas públicas naquele momento.” (idem)

“Como comediante, meu objetivo na vida é fazer piada. Comediante não pode ficar chateado com a chateação dos outros.”

“Acho justo, inclusive, me processarem.”

“Eu não sou um sociopata. Se eu sinto que errei, peço desculpas, mas não vou fazer isso por pressão da opinião pública.”

“Pra esse cara (Marcus Buaiz, marido de Wanessa) eu mandei um e-mail e pedi desculpas. Eu já tive mulher grávida em casa e eu entendo ele, mas não vou pedir desculpas pelo discurso.”

“Acho que tudo isso que aconteceu foi um processo de descoberta e análise.”

“De todo esse processo a única coisa que me preocupou foi o meu pai. As únicas vezes em que eu realmente me emocionei foi por ele. Meu pai está em Porto Alegre tomando pedrada atrás de pedrada. Minha preocupação é o meu pai me ligando triste, não pelo o que ele vê, mas pelo que ele sente.”

“Nós nunca nos encontramos para jantar com filhos e mulheres, mas tínhamos uma boa relação em frente às câmeras.” (sobre os companheiros do CQC)

 

 

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No Dia Internacional da Mulher, nada como lembrar que nunca mais a televisão brasileira foi capaz de produzir um programa tão bacana como o TV Mulher, título visto nas manhãs da Globo, e que saudades das boas manhãs da Globo, entre 1980 e 85.

Não é saudosismo, perdoem, leitores, mas de qual espaço de reflexão bacana, bem embalado em entretenimento,dispõe a mulher, hoje, na TV?
Não vale falar em programa para mãe, que nem toda mulher é mãe e a maternidade se impõe pelo instinto, quando vem.
Nesse contexto, deixo aqui um vídeo, mesmo precário, da abertura daquele que foi um programa revolucionário na TV brasileira, obra do meu querido amigo Nilton Travesso.
Foi ele quem me contou que a música-tema, da Rita Lee, Cor de Rosa-choque, nasceu de uma rápida conversa do diretor com ela, pouco antes de ela embarcar para Nova York para breve viagem. “Eu expliquei como seria o programa e dois dias depois, ela já me ligou cantando a música”, lembra.
Tempo de gênios.
Tempo em que a Marta Suplicy arrasava no esclarecimento sobre sexo.
Tempo em que o Clodovil prestava serviço inestimável ao dar dicas para telespectadoras que seriam madrinhas, noivas, ou simplesmente trabalhadoras.
Tempo das incríveis crônicas do Henfil.
Tempo em que Marília Gabriela já nos seduzia com suas entrevistas.
Tempo até em que o Ney Gonçalves Dias era divertido, nem que fosse derrubando a mesa do cenário.
Tempo que não volta.
Alô, Viva! Reprisa aí, vai?

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Ontem foi dia de ver o Boni, em pleno lançamento de livro de memórias, na Marília Gabriela.

O ex-chefão da Globo desceu de helicóptero na sede da TV de Silvio Santos, na semana que passou, para gravar entrevista a Gabi, sua amiga.

A loira quis saber por que Boni, na recente entrevista a Jô Soares, na Globo, já por obra do mesmo O Livro do Boni, nada falou sobre a briga que teve com o então gordo, quando Jô anunciou que estava de saída da Globo para o SBT, no início dos anos 90.

Sobre o episódio, Boni costuma dizer, disse no livro e em outras entrevistas, que foi quase como briga passional, coisa entre grandes amigos em que um não se conforma em ser preterido. No caso, a Globo era Boni e o SBT era “a outra”.

Questionado por Gabi sobre a ausência do caso na sua recente conversa com Jô, Boni disse simplesmente o seguinte: “Não falei nada porque ele não perguntou nada. Eu estou aqui para responder às suas perguntas, não vou falar sobre o que você não me perguntar. Ele não perguntou e não falamos”.

Hoje tem mais Boni, agora no Roda Viva, da Cultura.

E, de novo, o programa deve voltar a tocar no assunto debate Collor X Lula, num ponto que não está no livro mas que foi levantado na primeira entrevista do empresário sobre sua nova obra, justamente nos estúdios da Globo, a Geneton Moraes Neto, via GloboNews. Foi quando Boni citou que deu determinados conselhos à assessoria de Collor para ajudar sua performance física no último embate com Lula, aquele que até hoje gera controvérsias, em 1989. O encontro foi resultado de um pool entre Manchete, Globo, SBT e Band, tendo cada bloco comandado pelo profissional de uma dessas emissoras. Na época, Gabi, que voltou a tocar no assunto ontem, estava na Band.
E o mediador da entrevista do dia, Mario Sergio Conti, convém lembrar, sabe tudo sobre Collor, autor que é do livro Notícias do Planalto, cujas páginas mencionam detalhes de bastidores do apoio de Roberto Marinho ao ex-presidente, mas não a confissão agora feita por Boni sobre a glicerina que teria sido usada na testa de Collor para lhe emprestar um mínimo de suor, uma coisa, digamos, mais povo, que sobrava em Luiz Inácio e faltava em Fernandinho.

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Sim, eu sei que estou atrasada, que todo mundo já teceu comentários, análises e afins sobre o novo Roda Viva, e quase tudo o que eu li é absolutamente preciso (digo, os textos de André Laurentino e de Silvio Mieli no Caderno 2, do Estadão, e de Bia Abramo na Folha).
Mas é que ontem fui interditada por uma otite insuportável, e só agora rascunho algo sobre o assunto.

Começo pelo fim. No último bloco, quando Marília Gabriela pergunta aos entrevisadores se eles ficaram satisfeitos com as respostas do entrevistado, e cada um vai lhe apresentando lacunas deixadas ao longo da conversa, tive a impressão de ver Eike Batista, o mais bem-sucedido empresário brasileiro atual, no papel de um daqueles aprendizes sabatinados por João Dória Jr. na mesa de reuniões de “O Aprendiz”. Porque o entrevistador fazia suas observações e a câmera, close no Eike, calado, resignado, como quem consentia as críticas. Outro entrevistador fazia suas reivindicações e o Eike, nada de tentar desfazer a má impressão. Como cena previamente combinada, ele só ao final de todas as queixas dos entrevistadores poderia responder algo.
Era Eike Batista no papel do aprendiz, não é uma pérola?

Ao cenário: Bacana, bonito e tal, mas nada original. Está mais para Canal Livre, da Band, do que para Roda Viva, da Cultura, salvo pelas tomadas de câmera feitas pelo teto do estúdio. Visto pelo plano horizontal, a semelhança com o Canal Livre é acentuada pela agora presença de um elenco fixo maior do que o elenco rotativo.
O cenário anterior, ainda que fosse sem o desnível entre entrevistado e entrevistadores, mantendo seus andares em círculos, conseguiria ser mais original. Aquela ferradura atual é disposição vista dia sim dia não na infinidade de mesas de debates promovidas pela TV francesa.
E, como bem disse André Laurentino no Caderno 2 de hoje, deu pena do Caruso, ali presente, a desenhar o entrevistado pelas costas. Êita coisinha infeliz. Também sinto falta, como o André, de ver o entrevistado girando sua cadeira. Roda que é redonda, ora bolas, tem de fechar.

No mais, a boa música de Chico Buarque passou por arranjo tão radical, que mal se ouvem os acordes que a identificam.
A audiência respondeu com 0,7 ponto, nada que alterasse o patamar das edições anteriores, mas acho que, com todas as perdas aqui citadas, a inquietude de Gabi para sugar entrevistados há de elevar esse patamar em curto prazo. Oxalá.

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gabiroda
Crédito: Leonardo Soares/AE

Marília Gabriela gravou ontem um piloto do novo Roda Viva, já em novo cenário, que coloca entrevistado e entrevistadores no mesmo nível, em um único círculo, semi-aberto, sem twitteiros em cena ou no estúdio.
O cenário original, um dos maiores trunfos das grandes entrevistas lá realizadas, mantinha o entrevistado em posição inferior, um ou mais degraus abaixo dos entrevistadores, o que dava ao sabatinado a sensação de estar acuado, pressionado.
Os twitteiros, que de dois anos para cá vinham ocupando o segundo degrau da roda, não terão vez no estúdio. E como o programa será gravado, sem transmissão em tempo real pela internet, só lhes restará twittar enquanto o programa já estiver no ar, pela TV.

Perguntei há pouco para Gabi, por e-mail, se os twitteiros poderiam acompanhar a gravação em tempo real, ainda que fosse sem o foco das câmeras, e ela me respondeu: “os twitteiros podem repercutir o programa assistindo-o ,como todo mundo,de onde estiverem, em casa,na casa de amigos,de parentes,na internet, qual a necessidade de estar no mesmo espaço em que o programa é feito????”

Gabi terá a companhia fixa, na bancada, dos jornalistas Augusto Nunes e Paulo Moreira Leite.
O novo Roda estreia segunda-feira, com o empresário Eike Batista no centro do cenário.

A Cultura ainda não anunciou o destino de Heródoto Barbeiro na casa.

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Foram definidos na madrugada que passou, em reunião encerrada quase à 1 hora, os dois nomes fixos que acompanharão Marília Gabriela no Roda Viva. A nova âncora do programa terá a seu lado, como jornalistas permanentes da bancada, os jornalistas Paulo Moreira Leite e Augusto Nunes, que, aliás, já foi âncora do Roda Viva no passado.
Tudo sob direção de Fernando Vieira de Mello, como tem sido, até aqui, todas as mudanças operadas na TV Cultura sob a gestão de João Sayad, que assumiu em junho a cadeira antes ocupada por Paulo Markun.

Os outros entrevistadores da bancada, como manda a boa tradição do programa, continuarão a ser de convidados que se revezam a cada semana.
Marília Gabriela tem estreia prevista para o início de agosto. Até lá, o grande Heródoto Barbeiro comanda o posto de mediador.

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