Eis aí o novo visu de Patrícia Poeta, obra do cabeleireiro Celso Kamura, especialmente moldado para quem há de receber o bastão de Fátima Bernardes na noite de hoje, para acompanhar seu marido, William Bonner, na bancada do Jornal Nacional.
O comprimento ficou na altura do ombro e a franja na altura da boca, segundo Kamura, para dar movimento.
Kamura, só para lembrar, é quem também faz a cabeça da presidente Dilma Rousseff.
Todos os caminhos para a vaga de Fátima Bernardes na apresentação do Jornal Nacional levam a Patrícia Poeta.
A Globo anuncia toda a mudança em poucos minutos, no Rio, em entrevista coletiva convocada ontem.
A troca é absolutamente embasada em pesquisas realizadas à exaustão pela direção da emissora.
Para o lugar de Patrícia, o Fantástico elege Renata Ceribelli à condição de titular.
E dona Fátima, como já foi dito aqui neste blog, assume então um novo programa matinal, em fase de criação por Guel Arraes, Cláudio Manoel e equipe. No ar em 2012.
A Globo anuncia dentro de poucas horas, em coletiva agendada para as 10h30 desta quinta-feira, que Fátima Bernardes vai deixar o Jornal Nacional em 2012 para ganhar um programa matutino na nova programação.
O novo produto vem sendo traçado a várias mãos, sob supervisão de Guel Arraes e do casseta Cláudio Manoel.
Entre os nomes cotados para fazer par com William Bonner no Jornal Nacional está o de Ana Paula Araújo, que fez sucesso na cobertura da ocupação policial no Complexo do Alemão, que rendeu o primeiro Emmy ao JN.
Diferentemente das imagens de chuvas locais, ou dos terremotos e tsunamis que engolem carros, pontes e quarteirões inteiros do outro lado do mundo, o massacre de Realengo não bateu recordes de audiência.
O ibope subiu, O.k., mas não na mesma medida da comoção vista, por exemplo, na internet, via redes sociais, fóruns de discussão ou sites noticiosos. A julgar pela web, o ibope da TV prometia números históricos.
Não foi bem assim.
Na quinta-feira, dia da tragédia, o Jornal Nacional alcançou 35 pontos de média de audiência na Grande São Paulo, onde cada ponto equivale a 58,2 mil domicílios com TV. É mais do que o noticiário vinha registrando nos últimos dias, quando, mal servido pelo baixo ibope da novela das 7, sequer vinha esbarrando em 30 pontos. Mas é também significativamente menos que o seu recorde do ano, registrado em 10 de janeiro, época de chuvas na cidade, quando chegou aos 42 pontos de média.
O Jornal da Record, na mesma quinta-feira, ficou em 9 pontos ¬- 2 a menos que seu recorde em 2011. Na Band, a alteração de ibope dos noticiários de quinta-feira, da histeria de José Luiz Datena à sobriedade de Ricardo Boechat, foi nula.
O ineditismo do fato e sua platéia explicam.
Por mais que o público infanto-juvenil tenha se habituado a ver cenas de violência, o código de imagens banalizadas por essa rotina jamais havia admitido, sequer na ficção, um sujeito que entra numa escola e sai matando criancinhas a tiros. Convém anotar: do total de indivíduos que assiste ao Jornal Nacional, 12% têm de 4 a 17 anos (6% têm de 4 a 11 anos, e 6%, de 12 a 17 anos). No Jornal da Record, esse porcentual sobe para 19% (11% da audiência tem de 4 a 11 anos, e 8%, de 12 a 17), embora isso represente menos que o JN em números absolutos, já que a audiência do JR mal atinge um terço da platéia do JN. Os dados são do Ibope na Grande São Paulo.
O mesmo temor que motiva pais a se informarem agora se a segurança na escola dos filhos é ou não confiável norteia o zapping que evita maior exposição dos menores a tal barbárie. Nada que determine o sumiço do assunto da TV, longe disso. O atirador de Realengo pode não ter gerado recordes, mas a comoção, mesmo quando embrulha estômagos, ainda motiva a maior parcela da audiência.
A Tropa de Elite de verdade vem rendendo à Globo todos os recordes do ano.
Na edição de quinta-feira, o Jornal Nacional obteve 40 pontos de audiência, a maior audiência do ano em São Paulo, onde cada ponto equivale a 56 mil domicílios.
Na GloboNews, a audiência foi multiplicada por 10. Dez, sim, não foi erro de digitação.
Nem Copa nem eleições nem caso Bruno nem os mineiros do Chile chegaram a tanto. Desde quinta-feira, o canal pago do jornalismo da Globo viu sua plateia média diária crescer em 10 vezes.
Isso explica a intensa cobertura deste fim de semana. Percebeu-se que o interesse pelo assunto não está restrito ao Rio, longe disso. Além da ampla repercussão internacional sobre o caso, claro, o País está de olhos voltados para Rio, cenário de maior referência nacional, justamente com endosso da própria indústria televisiva.
Eis por que Globo e Record, especialmente, dedicaram-se sobremaneira à transmissão da ocupação do Alemão, passo a passo, com efeito no Ibope.
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