Empresa especializada em rastrear tendências de conteúdo de televisão e programação digital mundo afora, a The WIT elaborou uma lista de 50 programas ao longos dos últimos 50 anos, um por ano, para brindar aos 50 anos da MIPTV, feira de TV que acontece anualmente em abril, em Cannes.
Há um único brasileiro na The WIT’s Top 50 Series e ele atende por O Clone, novela de Glória Perez de 2001. Vendida para mais de 90 países, a trama ganhou uma versão produzida em espanhol, El Clon, para o mercado hispânico dos Estados Unidos.
Jade, Léo e seu cloninho Lucas, personagens que renderam também um casamento na vida real entre Giovanna Antonelli e Murilo Benício, figuram numa seleção que inclui títulos como Star Trek, Vila Sésamo, Friends, Big Brother, Rebeldes, Dallas, Got Talent, The Voice, Simpsons e Homeland.
Nossos hermanos argentinos são agraciados com a menção ao Caiga Quien Caiga, vulgo CQC, que aqui deu cria como Custe o Que Custar.
Confira a lista completa em https://www.facebook.com/mipmarkets/app_…
Zé Paulo Cardeal/TV Globo

Galvão e Rubinho Barrichello, na festa de lançamento da programação da Globo
Quem se lembra de Galvão Bueno anunciando, ao fim da Copa da África, que aquela seria a última Copa que ele narraria fora do Brasil? Na época, ao fazer uma espécie de lamento pela saída de cena do verborrágico locutor, esta blogueira quase apanhou dos internautas. Não é que eu ame o Galvão, mas, à época, defendi que ninguém é mais capaz que ele de arrastar alguém para a frente da TV, entusiasta que é daquele gol que está sempre “saindo”.
Pois é. Não é bem assim.
Em conversa com ele na festa da Globo, semana passada, soube que Galvão não pretende se aposentar, ao contrário do que possa ter parecido aquela despedida na África do Sul.
“Eu não me vejo narrando outras Copas”, disse ele. “Não disse que ia me aposentar. Devo fazer alguma outra coisa relacionada à cobertura, mas, aposentar? Jamais!”
“E o que você faria então?”, perguntei. “Não sei, não sei”, respondeu Galvão, como quem não pensou nisso ainda.
No início deste ano, entre as mudanças de comando anunciadas pelo novo diretor-geral da Globo, Carlos Henrique Schroder, está a saída de Luís Fernando Lima, com quem Galvo não vinha se relacionando com grande afeto, digamos. Talvez a troca no comando do setor explique sua virada de decisão.
Em sua primeira ação como diretor-geral da TV Globo, Carlos Henrique Schroder anunciou larga troca de comandos no alto escalão da emissora.
O posto mais alto de troca é a direção de programação, há décadas sob o comando de Roberto Buzzoni, que agora conta com Amauri Soares, jornalista como Schroder. Soares foi editor-chefe do Fantástico e do Jornal Nacional, diretor de jornalismo da Globo em São Paulo, diretor da Globo Internacional em Nova York e vinha trabalhando em projetos especiais e no comando da Globo Rio nos últimos anos.

Amarui Soares e a mulher, Patrícia Poeta, em clique de Felipe César, da AgNews, em março de 2012.
Primo de Boni, Roberto Buzzoni, se aposenta.
Há mais de uma década na Central Globo de Comunicação, Luiz Erlanger deixa o posto para servir à Central Globo de Controle de Qualidade, que passa a se chamar Central Globo de Análise e Controle de Qualidade. Entra no lugar de Durval Honório, que se aposenta.
Para o lugar de Erlanger, a CGCom volta a contar com um publicitário no comando, como aconteceu, por breve período no passado, com Mário Cohen. Dessa vez, quem chega é Sérgio Valente.
Luís Fernando Lima, da Central Globo de Esportes, também deixa a cadeira. Abrirá uma empresa de marketing esportivo. Para o seu lugar, foi nomeado Renato Ribeiro, que por anos foi repórter da área.
Assim começa a era Schroder na Globo. As trocas indicam valorização de eventos ao vivo, do jornalismo e esporte, a uma aproximação com o público, mérito que Soares, novo diretor de programação, vinha alcançando com êxito no Rio. Também foi Soares quem expandiu o Brazilian Day, antes restrito a Nova York, a outras cidades do planeta, como Toronto, Tóquio e Angola.
A Associação Paulista dos Críticos de Artes, APCA, elegeu no início da noite desta segunda-feira os melhores de 2012 nas artes plásticas, em teatro infantil, teatro, música popular, música erudita, rádio, cinema, literatura, arquitetura e sim, televisão também é arte, acredite.
O time de TV, do qual faço parte, não relutou muito em meio aos poucos conflitos que surgiram.
Avenida Brasil, a novela das 9 da Globo, escrita por João Emanuel Carneiro, com direção de núcleo de Ricardo Waddington, com direção-geral de Amora Mautner e José Luiz Villamarim, levou o Grande Prêmio da Crítica do ano. Levou-se em consideração o ritmo de narrativa, mais seriada do que a tradição folhetinesca, com um escritor disposto a queimar um cartucho por dia, a direção que aproximou a encenação da vida real, com toda uma família falando ao mesmo tempo, sem jogral, e figurante ou ator passando diante do foco da câmera, sim, como acontece na vida real.
Adriana Esteves foi a melhor atriz do ano, e não houve celeuma em torno do nome. Poucas vezes a eleição de uma categoria foi tão consensual entre os votantes de TV. Não se mencionou outra opção.
José de Abreu, por Nilo, foi eleito o melhor ator, a despeito da nossa excelente lembrança por Marcos Caruso, idem por Avenida Brasil, José Wilker, por Gabriela, e Zecarlos Machado pela série Sessão de Terapia, do GNT. Sem desmerecer os demais, consideramos, nesse caso, que Nilo não era personagem fácil de vestir, muito menos de ganhar o público, como ganhou.
Ainda no quesito novela, Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, autores da novela Cheias de Charme, foram eleitos na categoria “revelação”, por terem assinado sua primeira novela solo com o mérito de trazer a internet para dentro da novela, como nunca a Globo conseguiu fazer antes. Promoveram o cobiçado transmídia entre uma tela e outra, de modo a tornar Cheias de Charme um divisor de águas nesse quesito dito transmídia. E, tudo isso, com uma novela onde domésticas, ainda que glamurizadas pela fama, tomaram a linha de frente da história em um folhetim, gênero classicamente entregue às patroas em sua fachada.
Por falar em web, premiamos o humor da Porta dos Fundos, obra da internet e Youtube, como sinal de que a coisa anda fraca na TV, mas também aplaudimos a série Adnet Viaja, que levou Marcelo Adnet a falar várias línguas e a cantar em diferentes cantos do planeta, de Londres ao Caribe, passando por Bósnia, Itália, Portugal, EUA (Miami) e Jamaica. Assim, Adnet ficou com o prêmio de melhor humorista, e a Porta dos Fundos, de programa de humor. Até porque o Adnet Viaja, embora engraçado, não é, na sua essência, um humorístico, e sim um programa de viagem divertido, com exploração da cultura local.
Finalmente, nunca tivemos, no histórico da APCA, desde que eu participo das votações, e isso tem mais de 1o anos, tantas séries para promover nossas dúvidas.
Falamos em (fdp), produção da Pródigo para a HBO, sobre o futebol a partir da rotina de um árbitro, de Destino São Paulo, obra da O2 Filmes para a mesma HBO, que focaliza os hábitos de imigrantes e imigração em regiões bem determinadas da Pauliceia, e de Sessão de Terapia, adaptação da Moonshot para o canal GNT de série israelense que já havia sido vista aqui na sua versão americana.
Pela originalidade do argumento e pela complexidade das filmagens em torno do futebol à base de ficção, venceu (fdp). Devo dizer que sofri um pouco em não premiar Destino São Paulo, cujo resultado final, para mim, expressa a melhor produção de série do ano. Mas (fdp) tem também acabamento impecável e, de fato, merece a taça pela originalidade, ainda mais se considerarmos a escassez da produção de ficção sobre o tema para a televisão.
Votaram em TV os jornalistas Edianez Parente, Alberto Pereira Jr., André Mermelstein, Leão Lobo and me.
Crédito: Zé Paulo Cardeal/Divulgação

Marcello Novaes se livrou das madeixas de Max.
Mas Alexandre Borges, sempre muito bem cotado entre a plateia feminina, ainda esbanja os fios grisalhos no comprimento que consagrou seu Cadinho em Avenida Brasil.
Os dois deram o ar da graça na 34ª edição do Profissionais do Ano, prêmio da Rede Globo ao mercado publicitário, que aconteceu ontem, em São Paulo.
E TV, por enquanto, não faz parte dos planos de nenhum dos dois.
Borges segue sua saga no teatro, com recitais do Poema Bar e apresentações da peça Eu Te Amo, de Arnaldo Jabor
Desde que inventaram o teste de DNA, o celular, o e-mail e outras obras da tecnologia, ficou mais difícil crer em novela que ignora tais adventos. Que negócio é esse de a Nina/Débora Falabella ter de entregar cópias das fotos que incriminam a madrasta Carminha/Adriana Esteves a amigos, a fim de manter segurança sobre as provas que perseguiu pela novela toda, na nossa estimada Avenida Brasil? Pode ela deixar cópias com amigos e pessoas de confiança? Pode, claro, mas por que não preservar isso num e-mail? Alô, Nina, Jorginho/Cauã Reymond, alô, João Emanuel Carneiro, já ouviram falar em caixa de mensagens? Salvem as fotos numa mensagem.
A ver, outros conflitos que carecem de veracidade para tornar a ficção mais bem elaborada:
1) Se Nina perder as provas entre Max e Carminha, qual o problema? Basta que Jorginho pegue lá um fio de cabelo do papai Max/Marcello Novaes e prove que ele é seu pai. A casa cai ou não?
2) Por que Nina, traumatizada desde a infância com essa história de gente que é assaltada ao sair do banco com grande quantia de dinheiro, sempre por uma moto com dois indivíduos, foi buscar sua herança no banco e deixou o estabelecimento a pé, com sacolinha na mão? Por que não ir de carro? A agência não tem garagem? Ela não tem conta em banco?
3) Nina e Jorginho amam Tufão/Murilo Benício, mas permitem que ele faça papel de idiota em tempo integral, esse papel a que o espectador assiste e testemunha, quando Carminha o chama de corno para o amante Max. Por quê? Que amor é esse? O mocinho da história precisa mesmo ser um banana?
Tudo bem, é tudo ficção e, para a ficção, não há limites. Mas o consumidor do filme, do livro ou mesmo da novela há de reivindicar o mínimo de coerência com o enredo. Harry Potter é mais coerente que Avenida Brasil. Cada vassoura que deixa de voar, cada Voldemort que surge nos pesadêlos do garoto são milimetricamente justificados e sustentados em bons argumentos. Uma novela que retrata a real classe ascedente, o amor ao local onde essa classe vive, como bem espelha o Divino, uma mocinha cheia de dualidades, como é o ser humano, desculpe, haverá de ser cobrada pela tecnologia ali ignorada.
Nina, arruma um e-mail e uma agência com garagem ou uma conta bancária, por favor.
Jorginho, DNA neles.
Sou fã número 1 de Avenida Brasil para me deixar levar por um conto da Carochinha. Soluções fáceis são para novelas mexicanas, não para um João Emanuel Carneiro.
Diretor de núcleo de Tapas & Beijos e marido de Andréa Beltrão, Maurício Farias dirige cena com participação especial de Paola Oliveira para o episódio de hoje de Tapas & Beijos. Na ocasião, a convidada faz as vezes de Celeste, moça que sai do interior de São Paulo para visitar a prima Sueli em Copacabana. Mesmo recatada e interiorana, ou justamente por isso, Celeste logo atrai os olhares dos rapazes do pedaço, e, claro, causa muito ciúme na ala feminina.
Crédito: EVELSON DE FREITAS/AE
Estive com Octávio Florisbal, diretor-geral da TV Globo, na última sexta-feira, na sede da Globo em São Paulo. Um resumo da nossa conversa foi publicada hoje, nas páginas do caderno de Economia do Estadão, que reproduzo a seguir.
Incentivar o uso da TV móvel, item que, segundo projeções da Anatel, estará nas mãos de 100 milhões de brasileiros até a Copa de 2014, é ponto primordial para a política interna da TV Globo no momento.
Enquanto difunde o uso da TV ao vivo via celular ou tablet, a emissora procura inibir o hábito da TV sob demanda e da TV que é gravada para ser vista depois. Os planos para a TV móvel, assim como as contas que justificam o reinado da TV aberta nessa era em que internet e TV paga crescem como nunca no Brasil, foram assuntos abordados na nossa conversa.
A Globo tem sido procurada por operadoras de vídeo sob demanda para vender seu conteúdo. Há planos para isso?
Como temos ainda muito bons números de audiência, na TV aberta, e temos bons números de audiência na inte rnet, com o jornalismo, o esporte e o entretenimento, não podemos fazer uma autofagia, não podemos estimular o nosso telespectador a deixar de ver televisão linear, ao vivo, para ver depois, porque isso aqui (a TV linear) vale muito mais que o outro lado.
Ao mesmo tempo, a emissora tem incentivado o público a ver TV móvel, por meio de suas novelas. É uma aposta para a Copa?
O Ibope agora fez uma parceria com a Video Research, empresa japonesa que já avançou nesse terreno para medir a audiência da TV móvel. Se isso der certo aqui, será um ótimo negócio para a Copa. Temos um estudo, há bastante tempo, para saber como manter a nossa audiência na TV aberta e nos nossos portais e, ao mesmo tempo, como explorar aplicativos em celulares e 3 G para a Copa. TV no celular, em 2014, vai ser veículo de massa. A gente olha isso e olha a questão das redes sociais, em que as pessoas têm o hábito de comentar a TV.
E a TV móvel pode inibir o hábito da TV sob demanda?
A questão de você assistir à TV time shifting, como eles dizem nos EUA, que é gravar para ver depois, vai criando um hábito de não mais precisar chegar em casa para ver a novela, você assiste depois. Isso, com o tempo, vai corroendo a audiência. Quantas vezes fomos procurados por Netflix, pelo Now (da Net), e dissemos ‘não’? Temos de ver como criar o nosso próprio video on demand. Agora, fora do lar, temos todo o interesse em cultivar esse hábito.
Nos últimos cinco anos, em termos porcentuais, a Globo reduziu sua fatia de audiência, mas não perdeu receita publicitária. Como a TV aberta abocanha 65% da publicidade, com internet e TV paga em pleno crescimento?
Nós acompanhamos essa questão de audiência, somos neuróticos. Temos duas reuniões por semana, de programação, conteúdo, e a gente fica mapeando tudo. O PNT (Painel Nacional do Ibope) foi inaugurado em 1997. A Globo tinha, de 97 a 2004, 21 pontos das 7h à 0h. O SBT vinha em segundo, a Record, em terceiro – somavam 12, 13 pontos, a mesma coisa que hoje. Entre 2005 e 2006, fomos a 23 pontos. Depois voltamos a 21. Nos últimos anos, no PNT, temos 18, 19 pontos. Se você olhar assim, tem uma perda percentual, mas, hoje, os 18 pontos são muito mais telespectadores do que os 21 de 1997, porque hoje há 55 milhões de domicílios vendo TV e lá havia 35 milhões.
A queixa da Record é que a fatia que a Globo tem disso em publicidade já não corresponde à fatia de audiência.
No primeiro semestre deste ano, numa lista dos 50 programas de maior audiência, 47 são da Globo (PNT). As agências e os anunciantes sabem o target que eles querem atingir, e eles fazem esse ranking, eles têm lá os simuladores deles. Eles pegam assim os 30 maiores e a grande maioria é da TV Globo. A TV Globo, de fato, nesses 65% de TV aberta, tem uma participação majoritária, acima de 50%. E há o parâmetro dos dois dígitos (acima de 10 pontos no Ibope). Atingir dois dígitos é um fator que desperta a atenção do mercado. Ontem (quinta-feira), nós tivemos 22 ou 23 programas acima de 10 pontos. A Record teve 1 programa e o SBT teve 1. A Globo tem o menor custo por mil (consumidores).
O crescimento da TV paga não afeta o faturamento da aberta?
A TV paga sempre se colocou como uma TV da classe AB, é mais para nichos, mesmo com a chegada agora da classe C. Os anunciantes quase não programam TV paga para públicos de classe B2 para baixo porque eles já foram atingidos pela TV aberta, que é muito assistida por quem tem TV paga. A TV aberta ainda tem 55% de participação na audiência de quem tem TV paga – selecionando só a classe C que ent rou na TV paga, essa participação da TV aberta é de 75%. Fizemos uma pesquisa para saber sobre a classe C que agora está entrando bastante na TV paga: eles assistem maciçamente TV aberta, filmes dublados e canais de esportes.
A Globo agora tem duas novelas no ar, com caráter inovador: Avenida Brasil e Cheias de Charme, que exploram como nunca as classes ascendentes e a internet. É proposital?
São duas novelas muito boas, de tempos em tempos se consegue isso. Elas são para todos os públicos, mas têm uma abordagem mais popular. Tem muito aí das pesquisas que a gente faz com essas novas classes sociais ascendentes, como elas se veem, como elas vivem. A gente faz algumas pesquisas com jeitão antropológico, que colocam pessoas da família para pesquisar a pró pria família, para ver o papo que rola, como elas se alimentam, como se vestem, sem interferência de pesquisador. Aí o irmão brinca com a irmã: ‘Suponha que você vai a um baile funk. Me conta com que roupa você vai’. E a gente vai vendo as preferências, as cores, os pontos de encontro fora de casa, o que eles valorizam. No passado, eles miravam muito a classe superior. Agora eles têm um desejo de ascensão, de mobilidade social, mas são muito orgulhosos da posição que conquistaram: não querem sair do bairro onde estão, querem ser reconhecidos ali. É algo que essas novelas conseguiram captar.
A Globo reduziu seu conteúdo infantil a uma sessão semanal: como se cria uma nova geração de espectadores sem isso?
Na prática, a gente não deixa de criar o hábito do público infantil, porque as crianças assistem à programação com os pais, elas vão se habituando a ver a novela, o jornal, o jogo. Se você computar, tem mais cr iança assistindo novela do que programação infantil. E tem um rito de passagem. À medida que você vai evoluindo, vai modificando seus hábitos. Hoje, um adolescente de 14 anos está muito envolvido com internet, redes sociais: será que no futuro ele vai deixar de ver TV? Não vai. Quando ele casar, tiver filhos, e chegar em casa, ele vai jantar, querer ver o jogo de futebol e não vai ficar como um maluco na internet. É claro que as pessoas de mais idade são as que assistem à TV aberta, em qualquer lugar do mundo. Não vai existir um velhinho enlouquecido nas redes sociais.
Disse aqui há dois dias que Avenida Brasil bombou no Twitter, mas não no Ibope. Não que 39% de audiência não seja coisa excepcional em qualquer TV do mundo, mas, para os padrões de novela das 9 da Globo, e mesmo os padrões atuais, não é nada tão excepcional.
Assim que Carminha/Adriana Esteves foi ao chão, no entanto, limpando, cozinhando e faxinando para a mocinha-nem-tão-mocinha Nina/Débora Falabella, o folhetim de João Emanuel Carneiro bateu, sim, seu recorde na Grande São Paulo, chegando a 45 pontos de média na segunda e na terça-feira. No horário da novela, 70% (na segunda) e 71% (na terça) dos televisores ligados na região estavam sintonizados na Globo. É coisa.
Apesar de tudo o que se falou e disse sobre Nina e Carminha, das capas de revistas populares às linhas dos mais sisudos editoriais de economia, a novela Avenida Brasil não bateu seu recorde de audiência em nenhum desses últimos dias, digo, de quinta-feira até sábado, quando começou a se desenhar uma reviravolta na história de João Emanuel Carneiro.
O máximo alcançado de quinta até sábado foi 39 pontos de média no capítulo de sexta, e aqui estamos falando exclusivamente de Grande São Paulo, praça que detém os maiores investimentos publicitários do País. No sábado, o patamar foi ainda mais baixo, com 35. Na referida Pauliceia, o recorde de Avenida Brasil é 42 pontos.
As férias escolares, com muita gente fora de seu habitat natural – o que afeta o comportamento da mostra do Ibope – pode ser um indicador capaz de explicar por que Avenida Brasil simplesmente não explodiu em audiência, com todos os aplausos merecidos por Adriana Esteves e Débora Falabella.
Mas, sobretudo, o episódio é mais um indicador de que Twitter e people meter (os aparelhinhos que mensuram a audiência de TV pelo Ibope) não caminham de mãos dadas. As redes sociais são um recorte da plateia, um segmento, não valem como conjunto da obra, como pretende ser uma mostra do instituto. Nem por isso são desprezíveis, vá lá. Assistir a uma boa novela com a chance de fazer e ler comentários online é um convite ao ócio, lazer total. Você deixa seus dramas de lado, por alguns minutos, para se dedicar ao mórbido e inconfessável prazer de dar palpite na vida alheia, com uma vantagem: sem ofender ninguém.
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