Cristina Padiglione - Estadao.com.br

Cristina Padiglione


crédito: DIDA SAMPAIO/AE

A Globo liderou a audiência na transmissão da posse de Dilma, sábado, entre 14h11 e 17h25, com 13 pontos de média, segundo o Ibope, na Grande São Paulo, No horário, na mesma região, 41% dos televisores ligados estavam sintonizados na Globo. É o que se chama de “share”.

A Record deu 5 pontos, com 16% de share, o SBT teve 3 de média e 9% de share, e a Band, 2 pontos, com 5% share.
Tudo em São Paulo, onde cada ponto equivale a 56 mil domicílios com TV.

A sensação da transmissão foi a presença de Edir Macedo diante de Dilma, com o staff da Record, e a GloboNews cortando a imagem para mostrar qualquer coisa – àquela altura, mandou um close no avião que traria Lula de volta a São Paulo.

A Globo cortou a transmissão pouco antes de Macedo cumprimentar Dilma. Argumenta que não costuma transmitir os cumprimentos após o discurso, mas mostrou parte disso para preencher espaço até as 17h25, ponto onde teria de começar o Caldeirão do Huck.

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É por essas e outras que reluto em aceitar aqueles argumentos de que o SBT, já sabendo que o Grupo Silvio Santos estaria em maus lençóis, teria pegado leve nas cobranças de campanha feitas a Dilma/Lula e teria dado ênfase à tal bolinha de papel na cabeça do Serra durante aquela confusão no Rio (*). Silvio Santos nunca soube usar seu jornalismo como arma política. No máximo, bajulava o chefe da nação, fosse qual fosse, naquele lendário quadro “A Semana do Presidente”, lembra? Saudade da locução do Lombardi!

O mais novo exemplo de como Silvio ignora o que o jornalismo pode representar para uma empresa de comunicação é o convite feito a Roberto Cabrini para reduzi-lo a apresentador de noticiário diário popular. A ele foi proposto apresentar um jornal na linha Brasil Urgente, na faixa das 18h, de segunda a sábado, a partir do dia 29. O Conexão Repórter, que ontem levou os louros do Esso, o mais importante prêmio do jornalismo brasileiro (pelo programa Sexo, Poder e Intrigas na Igreja Católica), seria decepado como primeira vítima de corte de gastos da casa. Sim, é um programa de custo razoável, mas traz audiência e, agora mais do que nunca, prestígio.

Com a estreia do novo jornal, Ratinho, hoje ocupando parte da faixa das 18h, vai parar na vaga das 21h15, com mais liberdade para fazer o que mais sabe.

(*) sobre as tantas teses que refutam a imagem do SBT diante daquela bolinha de papel que câmera nenhuma, de TV ou de celular, captou quicar na cabeça do então candidato José Serra, o diretor de jornalismo do SBT, Luiz Gonzaga Mineiro, costuma dizer o seguinte: “Se fosse um tiro, ninguém teria a imagem, só a gente”.

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Além dos cinco debates previstos em rede nacional, Dilma e Serra recebem agora proposta da TV Cultura para serem entrevistados, cada um a seu tempo, pelo Roda Viva.
Os representantes dos dois candidatos foram convidados para um sorteio que determinará quem dará entrevista para a edição do dia 11 e quem falará para a edição do dia 18.

Os debates cá mencionados têm datas certas pela Band (domingo próximo, com novidades no posicionamento dos debatedores e de Ricardo Boechat, o mediador), pelo SBT (dia 22), pela Record (dia 25) e pela Globo (dia 29). A RedeTV! ainda negocia espaço na agenda de ambos para o dia 17.

Em 89, naquele fatídico e histórico segundo turno entre Collor e Lula, os quatro maiores canais de TV da época (Globo, SBT, Band e Manchete) se uniram num pool para a realização de dois debates em um mês. Cada bloco era mediado por um jornalista de um canal e um sorteio determinou os estúdios onde os encontros ocorreriam, cabendo à Manchete e à Band os papéis de anfitriões.
O pool parece bem mais razoável do que essa série de cinco debates em menos de 30 dias, até porque o engessamento de regras atual é muito similar em todos os encontros, mas, o que se há de fazer? Parece que as redes de TV se entendiam melhor 20 anos atrás.

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17.agosto.2010 15:47:18

Quem tem medo da MTV?

Primeiro foi a Dilma quem titubeou. Na demora para confirmar se iria ou não ao debate que a MTV sabiamente tentou programar para o pleito presidencial a seguir, a candidata do PT não disse nem que sim nem que não.
Então veio o Jornal Nacional, da Globo, e agendou entrevistas com Dilma, Marina e Serra, e a MTV adiou seu debate, que cairia no mesmo dia em que Marina iria à bancada de Bonner e Fátima.
Marcou-se nova data, e então veio a indecisão não só da Dilma, mas também do Serra.
E a MTV resolveu cancelar tudo. Se os candidatos, em tese os principais interessados em discutir propostas, ou assim deveriam ser aqueles que tanto dizem se preocupar com o povo, ara, sô, se eles não estão a fim de discutir a relação, fazer o quê?
Há quem aposte que paira aí certa paúra do público jovem.
O tamanho da audiência, nesses dias de twitter, facebook e afins, não pode ser menosprezado. Essa é a plateia capaz de jogar perguntas indigestas no colo dos sabatinados, ok, mas é também o pessoal que reproduz cada vírgula com ecos que tornam as redes sociais da web gigantescamente maiores que o ibope de alguns canais.

Pena, fica pra próxima.

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