A sexta-feira terminou sem que a Record recebesse de Datena a tão anunciada carta de demissão. Ou assim a emissora alega.
Diz que o impasse só será resolvido nesta segunda-feira.
Mais do que a indecisão de alguém que rasga contratos como quem respira, o que causa espanto nessa disputa de milhões entre Record e Bandeirantes é o foco da cobiça. Com todo respeito à capacidade do apresentador em somar ibope numérico, só o lado folclórico de um profissional que grita no ar e até nos assusta com seus rompantes explica esse episódio.
Sim, porque de tão intempestivo que é, e cada vez mais intempestivo, Datena chega a ser engraçado – mas também desgastante. É como aquelas figuras excessivamente carentes que, de tanta atenção demandada, cansam qualquer interlocutor.
Ontem, Datena se despediu do Cidade Alerta com um “até um dia”. No meio da edição, também se queixou quando a luz do estúdio se apagou. “Vão apagar a luz? Ainda é cedo pra apagar a luz, hein?” Interatividade máxima. Franqueza que encanta a plateia. Assim é que ele segue fiel a um personaem de si mesmo.
A Band, ao fim do dia, confirmou negociações pela volta do apresentador, 43 dias depois de ele ter deixado o Morumbi. Mas, internamente, o retorno é dado como certo.
O Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública, com pedido de liminar, para que a Rede Bandeirantes de Televisão seja obrigada a exibir, durante o Brasil Urgente, um quadro com retratação das declarações ofensivas às pessoas ateias, além de esclarecimentos à população acerca da diversidade religiosa e da liberdade de consciência e de crença no Brasil, com duração do dobro do tempo usado para exibição das mensagens ofensivas.
O MPF pede ainda que a União, via Secretaria de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, fiscalize adequadamente o programa.
Em 27 de julho, por coisa de 50 minutos, o apresentador José Luiz Datena e o repórter Márcio Campos, ao mencionar um crime, relacionaram tal delito a pessoas que não acreditam em Deus.
“Esse é o garoto que foi fuzilado. Então, Márcio Campos (repórter), é inadmissível, você também que é muito católico, não é possível, isso é ausência de Deus, porque nada justifica um crime como esse, não Márcio ?”
Datena associou a ateus a ideia de que só quem não acredita em Deus pode ser capaz de cometer tais crimes.
“…porque o sujeito que é ateu, na minha modesta opinião, não tem limites, é por isso que a gente vê esses crimes aí.”
“…É por isso que o mundo está essa porcaria. Guerra, peste, fome e tudo mais, entendeu? São os caras do mal. Se bem que tem ateu que não é do mal, mas, é …, o sujeito que não respeita os limites de Deus, é porque não sei, não respeita limite nenhum.”
O MPF também se apega ao fato de a Band ter permitido que o programa veiculasse uma daquelas enquetes que o Brasil Urgente costuma fazer, perguntando ao público a sua opinião sobre o tema. A partir daí, Datena investiu ainda mais nas ofensas a quem não crê em Deus, dando a entender que quem votava na pesquisa declarando-se ateu era bandido.
“Muitos bandidos devem estar votando do outro lado”, afirmou.
O autor da ação é o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão Jefferson Aparecido Dias, para quem a emissora não só descumpriu a finalidade educativa e informativa, com respeito aos valores éticos e sociais, como também acaba por incentiver, com isso, o aumento da intolerância e a violência contra os ateus.
O LADO DE LÁ
A Band informa que vai se manifestar em juízo.
Em tese, a receita que o SBT passa a seguir na segunda-feira, dia 29, é a mesma da Band no início de noite: das 18h às 19h30, jornal popular, com participação de todas as praças do País e predomínio de São Paulo e Rio, desde que o crime, e não me entenda mal, compense a audiência nos referidos lugares. Dessa fatia, a última meia hora ficará reservada a noticiário local, sem perder a linha popular.
A seguir, jornal dito sério, com abrangência de política e econômica, por Carlos Nascimento.
Na Band, o pop começa com Datena e vai parar nos braços de Ricardo Boechat ali pelas 19h15.
Mas e o Ratinho, hoje dono da faixa das 18h? Não, ele não vai apresentar o novo jornal. Muda para a faixa das 21h15 com a liberdade de falar o que o horário das 6 lhe restringe. Diz que seguirá mais aquela linha ‘showman’ de auditório, ainda que os famigerados testes de DNA do passado não estejam previstos na pauta do novo programa.
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